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Informações sobre o relançamento de Sábado à noite

27 de janeiro de 2012 às 18:07, por

Lá em 2010, eu conheci uma garota chamada Babi Dewet, que tinha um livro independente com uma capa LINDA. O livro havia sido transformado de uma fanfic de McFly e, apesar de eu não gostar de McFly (eu tentei, ok?), fiquei super empolgada para ler o livro porque a sinopse parecia ser dez.

Aí ela me enviou para eu fazer resenha e eu AMEI. Muito. Você pode ver aqui. Apoiei as vendas, fiz propaganda e até deixei uma banner ali do lado para vocês comprarem por um tempão.

Pois é. A Babi lançou o livro de forma independente e foi um sucesso tão grande que ela será publicada por uma editora! Ele sairá pelo selo Generale, da Editora Évora em livrarias por todo o país. Por causa de todo o apoio que nós demos, a Babi nos deu umas informações exclusivas e fotos do booktrailer que vocês só verão aqui!

Fred (Vitor Leão), Caio (Caio Palhares), Rafael (Pedro Bricio), Bruno (Matheus Berdinazze) e Daniel (Pedro Magalhães) como os Marotos.

- O primeiro livro será relançado pela editora Évora agora no primeiro semestre de 2012. Assim, as vendas indepentes foram encerradas.
- Há a previsão de lançamento do segundo livro da série dos marotos a partir do final desse ano! Sim, são três livros no total.
- O booktrailer não tem data de estréia ainda. Ele será editado esse final de semana.
- O texto para o relançamento de SAN foi totalmente revisado e melhorado, visando muitas críticas legais que leitores e resenhistas fizeram. (Olha que linda a Babi!!!)

Ela também nos enviou essas duas fotos que ilustram o post.

Nessa foto, vemos Daniel (Pedro Magalhães) e Amanda (Brenda Dewet)

Se você quiser ver VÁÁRIAS outras fotos tão legais quanto as desse post, adicione o livro no facebook e entre no album!

Eu vi as fotos e fiquei pensando… Quão legal seria um FILME baseado em SAN?? Hein??? Hein??? s2

As Esganadas, de Jô Soares

às 11:32, por

Páginas: 264
Lançamento: 14/10/2011
Editora Companhia das Letras

O ano é 1938, o ápice do Estado Novo, e há um assassino à solta. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e gordas. Seu modus operandi: enchê-las de comida até a morte e expô-las como obras de arte na cidade. Seus nêmesis: um grupo composto por um policial irritado, um ajudante atrapalhado, um português dono de padaria (!) e uma jornalista moderna, inteligente e charmosa. O cenário: um Rio de Janeiro boêmio e aconchegante.
Quando o pânico começa a se espalhar pelas gordinhas do Rio de Janeiro e o seu Getúlio começa a ficar irritado, a única coisa que pode impedir mais uma vítima fatal é estar um passo à frente do sinistro assassino.

Eu li esse livro na casa da minha avó e a pergunta que eu mais recebi sobre ele foi “Ah, que legal! É uma coletânea das entrevistas que ele fez no programa?” ou “Você também assiste o programa do Jô?”.

Começo essa resenha com uma explicação: ao contrário do que possa parecer, o Jô Soares também é um escritor de ficção e tem pelo menos três outros livros, todos eles publicados pela Cia. Das Letras. O Xangô de Baker Street já virou filme. E foi por ter visto o filme do Xangô e adorado que eu decidi ler esse livro quando me deram a opção.

Isso e a sinopse (não a feita por mim. A sinopse original é bem mais legal).

Não pegue esse livro esperando não saber quem é o serial killer. Nós descobrimos isso no primeiro capítulo, porque não é isso que interessa aqui. O que interessa é acompanhar os dois lados da história e como a polícia coloca os pés pelas mãos na tentativa de descobrir o assassino. Eu gosto de suspense dos dois jeitos, mas prefiro quando eles são assim: você sabe de tudo, você fica berrando “SEUS BURROS, ESTÁ ÓBVIO!” enquanto espera que eles consigam a pista que solucionará todo o mistério. Acho que deixa a história mais verossímel, porque você conhece o criminoso tanto quanto conhece quem os busca.

Uma coisa que adorei no livro é a forma como o Jô desenvolve a narrativa. Ele é expert em descrever. Pessoas, coisas, comidas, receitas… Tudo ganha uma forma peculiar, com adjetivos e comparações que são inusitadas. Os assassinatos são narrados de forma brutal, mas sem perder o humor, o que torna o livro uma leitura leve, apesar do tema “pesado” (trocadilho aqui não intencional. A autora não quer insinuar que o fato das vítimas serem obesas torna esse livro um livro de peso).

Apesar da narrativa deliciosa e da descrição minunciosa dos quitutes, a melhor parte são os personagens. Eu achei a motivação do assassino hilária, mas é porque tenho um humor bem mórbido. A forma como ele é descrito, tanto fisicamente quanto psicologicamente, faz ele parecer um morcegão (eu juro, eu juro!) e eu acabei me perguntando como é que ninguém desconfiava dele. O indivíduo era muito estranho, para início de conversa!
Além do nosso vilão, tem o grupo da investigação. Ah, como eu me diverti com o seu Tobias Esteves, o português dono de padaria que se convida para ajudar no caso. Ele é o melhor personagem do livro sem sombras de dúvidas! Apesar de toda a sua comicidade, Tobias acaba se tornando a cabeça pensante por trás da investigação.

Diana, a jornalista, também se revela uma ótima aliada e é uma das poucas figuras femininas que tem um papel de destaque enquanto viva (as gordas, embora sejam o motor da narrativa, estão todas mortas). Acredito que tenha executado o seu papel com louvor, inclusive com um artigo muito pertinente sobre o preconceito contra gordos. Gente, ele existe, tá? Não fique aí rindo não. O gordo é visto como preguiçoso, como se sua condição fosse culpa exclusiva dele.
Enfim, eu ia falando demais e entregando um dos mistérios mais legais do livro: o que uma vítima tem a ver com a outra, além da obesidade? Por que o assassino busca freiras, putas, moças ricas e moças pobres, sem ver a quem? O que é que liga todas elas?

É um mistério divertidíssimo com pitadas de crueldade, nazistas e anões enlouquecidos.

Sem contar com várias pessoas morrendo que nem peixe, pela boca.
(Ah, antes que eu esqueça, o livro tem umas ilustrações muito legais, como os panfletos de certa funerária e o roteiro de uma certa corrida de carro! Ele é muito lindinho.)

Classificação: Quatro tartelletes de morango com muito creme.

Os homens que não amavam as mulheres, uma resenha dupla.

26 de janeiro de 2012 às 19:58, por

A Regiane e o Paulo foram assistir o filme na pré-estréia, na terça-feira, e eu obriguei pedi gentilmente que eles fizessem resenhas para nós. O filme é a adaptação americana do primeiro livro da série Millennium, Os homens que não amavam as mulheres. O filme estréia amanhã em todo o Brasil e eu realmente recomendo que vejam!
O interessante da resenha dos dois que é a Regiane leu o primeiro livro e o Paulo não. São duas visões diferentes sobre o mesmo filme.
Além disso, no domingo eu provavelmente farei a minha resenha, porque li os três livros e vi o primeiro filme sueco. Na minha, em vez de falar sobre o filme, pretendo focar nas diferenças entre eles.
Estão prontos!?!?!

Antes de começar a falar do filme, quero contar que ganhei o ingresso pra pré em uma promoção no Facebook da Companhia das Letras. Pois é. Eu, que sempre enchia a boca pra dizer que não ganho nada, consegui descolar DUAS prés de filmes na mesma semana. \o/ (A outra foi pro Tintim.)

Faltavam umas 150 a 200 páginas pra eu terminar o livro no dia em que ganhei o ingresso, então me joguei na tarefa de terminar antes de ir ver o filme, achei que valia a pena. (Vale dizer que meu tempo pra leitura de lazer é curto, mas li TODAS as páginas que faltavam de uma tacada só.) Terminei o livro apaixonada pelos personagens e curtindo muito a história, mas fui pro cinema meio apreensiva por ter ouvido algumas pessoas dizendo que eu devia ter visto o filme sueco primeiro.

Pra começo de conversa, a abertura do filme já é uma porrada na cara. A música é pulsante e intensa e as imagens são lindas, meio confusas e fascinantes. Como o título em português virou um tremendo spoiler, a gente já sabe que tem agressão a mulheres na história, e a abertura deixa isso bem claro.

A história (simplificada) é mais ou menos assim:  Mikael Blomkvist é um jornalista e dono de revista que publica um artigo detonando um magnata industrial, mas como não consegue provar o que publica, se ferra e é condenado a pagar multa por difamação. (Isso fica meio enevoado no começo do filme, mas depois a gente acaba entendendo.) A carreira dele e a revista ficam meio acabados por conta disso, e ele fica deprê e quer se afastar. Nisso aparece um coroa, Henrik Vanger, com uma proposta tentadora: que ele escreva a história da família Vanger (que ele alega ser a família mais doida e com as piores pessoas do mundo) e, paralelamente, investigue o desaparecimento/assassinato de Harriet Vanger, sobrinha dele, quarenta anos antes. Ele hesita, mas não tem muito pra onde correr e acaba aceitando. Se muda lá pro fim do mundo e começa a ler e estudar tudo sobre a família e o fatídico dia.

E onde entra a garota tatuada? Ela foi a pessoa que investigou a vida de Blomkvist e fez um dossiê sobre ele para o advogado de Vanger. A partir dessa investigação, Vanger teve certeza de ter feito a escolha certa. A garota, Lisbeth Salander, é introspectiva, inteligentíssima e pessoa de poucos amigos, mas acaba sendo recrutada para ajudar Blomkvist na investigação, a partir do momento em que ele começa a ter algumas ideias sobre a história de Harriet.

Juntos, eles formam uma dupla genial. São opostos que se complementam, uma equipe que funciona melhor por um aceitar o outro como é e entender as qualidades que cada um tem a oferecer para a investigação. Paralelamente, conhecemos um pouco da história de Lisbeth, e já aviso logo que quem gosta de um toque “girl-power” vai curtir muito essa personagem. Eu adorei, tanto no livro quanto no filme, e achei que o trabalho de caracterização ficou super bem-feito.

A trama em si precisa de alguns atalhos pra ser resolvida. Com um livro enorme como ele (522 páginas na edição da Companhia das Letras que tenho em casa, a da capa vermelha), é preciso fazer certas escolhas pra tentar dinamizar o filme, que já é longo pra caramba. De um modo geral, não achei esses atalhos ruins, mas se você for ao cinema e gostar do filme, compre o livro e leia. Você não vai se arrepender e nem vai encontrar exatamente a mesma história. Não há dúvida de que a solução gradual do escritor funciona melhor.

Sei que algumas pessoas  vão ver o filme e achar que a Rooney Mara trabalha mal. Mas é justamente o contrário: ela age exatamente como a personagem é descrita no livro, contida e explosiva, indiferente e intensa. Achei que ela ficou perfeita como Lisbeth Salander. Senti falta de mais Dragan Armansky no filme (porque achei um personagem super legal) e achei que a cumplicidade do Blomkvist com a Erika ficou muito superficial. E lamentei a pouca atenção que deram à questão dos quadros com as flores secas.

No fim das contas, o maior problema é a sensação de ”tudo muito rápido” que o filme passa. Eu até gostaria de saber de quem viu o filme sem ter lido o livro se a sensação foi essa também e se pareceu confuso. Conforme as coisas iam acontecendo, toda hora eu pensava: “mas já?” Ainda assim, minha avaliação foi bem positiva. Gostei de o filme se ambientar na Suécia e dos detalhes suecos, apesar dos atores americanos e da língua inglesa (acho o fim quando refilmam e transferem os eventos pra Nova York, sei lá). E achei a caracterização dos personagens excelente. Eles estavam praticamente todos de um jeito que encaixou perfeitamente com o que visualizei ao ler o livro (menos uma, quem leu e vir o filme vai saber qual).

Pra quem tem coração fraco, vá preparado: o filme tem cenas fortes, mas nada gratuitas. O enredo em si é forte, e a verdadeira história por trás do desaparecimento de Harriet Vanger é cruel e sórdida. E, na minha opinião, o pano de fundo da história pela qual Blomkvist é condenado por difamação acaba se perdendo um pouco frente à intensidade da investigação e da garota com a tatuagem de dragão.

Minha avaliação? Quatro tatuagens grandonas e uma pequenininha e meio escondida.

 

Uma vez eu li um post do autor brasileiro Eduardo Spohr sobre como ler seu primeiro livro (“A Batalha do Apocalipse”) e em um dos tópicos ele dizia que se você colocar muita expectativa poderia estragar um livro ou filme. Desde que li esse texto passei a controlar um pouco a minha expectativa porque sempre que eu leio comentários positivos a respeito de um livro/filme ela vai nas altura e na maioria das vezes eu acabo me decepcionando. Mas com “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” não consegui segurar, pesquisava várias informações sobre o livro, os filmes suecos, o filme hollywoodiano e a expectativa cresceu ad infinitum e o medo de me decepcionar também.

Esse medo só durou até… a abertura do filme. Sério, só aqueles minutos iniciais ao som de um cover de Immigrant Song interpretado por Karen O. já valia pelo filme todo, hahaha.

Não posso fazer comparações com o livro nem com a versão sueca do filme, mas uma coisa posso dizer: Estou completamente apaixonado por Millennium. A história é bem diferente do que costumo ler/assistir já que não sou, ou melhor, era muito fã de histórias policiais. Mas Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander se mostraram personagens muito cativantes e foram interpretados perfeitamente por Daniel Craig e Rooney Mara, respectivamente. (Falando na Rooney, achei a indicação dela ao Oscar de Melhor Atriz muito digna, agora é esperar e ver se ela ganha ou não)

Em todos os comentários que li sobre o filme sueco o fato de não terem “amenizado” as cenas de violência era mencionado e, a partir daí, criei um pensamento de a versão hollywoodiana deixaria essas cenas fracas e/ou subentendidas.  Meu pensamento estava erradíssimo. David Fincher, o diretor, não se importou em amenizar as cenas de violência e acredito que isso tenha sido um fator importante. Mesmo sem ter lido a obra literária, sei que Stieg Larsson queria passar o ‘choque’ da violência sexual e se isso não tivesse sido incluído de forma explícita no filme talvez tivesse tirado a essência da história original.

Uma coisa que me incomodou muito foi o final do filme. Não pelo rumo que a história tomou, mas porque achei que foi um pouco corrido. Depois que o caso Harriet Vanger foi resolvido ainda tinha uma outra história a ser resolvida, o do processo que Mikael sofreu. Não sei se no livro também foi assim, mas o desenvolvimento da história que estava em segundo plano me pareceu muito corrido.

Tirando esse detalhe final o filme foi perfeito é daqueles filmes que você PRECISA assistir, independente de gostar de histórias policiais ou não. Um aviso: tomem cuidado com as crianças assistindo esse filme.

 Classificação: Cinco tatuagens de dragão

A Regiane Winarski colaborou com a gente no Como se faz um livro e é tradutora. O Paulo Vaughan é leitor do NUPE faz tempo e agora tem um blog super legal, o Conversa Cult.

Se você quiser ver a tão falada abertura, você pode clicar nesse link aqui. (Eu confesso que vi e MEU DEUS DO CÉU. Não me canso de ver. Mas mais palavras sobre ela na minha resenha)

 

Lançamentos juvenis da Companhia das Letras (ou: Why we break up, uma ode)

24 de janeiro de 2012 às 20:47, por

A Cia das Letras divulgou esse vídeo para nós, os parceiros, em que o pessoal da parte infantil e juvenil fala sobre os principais lançamentos do primeiro semestre.

Normalmente ele iria para o tumblr de notícias, mas como elas falam do Why we break up e o aniversário da Dayse tá perto, veio para cá. Para quem não sabe, o “Por isso a gente acabou” é do Daniel Handler (Lemony Snicket) que é um dos autores favoritos da nossa Dayse. Além disso, ele ganhou o Printz Honor, junto com Scorpio Races!

Tem vários outros livros legais aí para vocês, como esse Os gêmeos e O amor em tempos de blog! :)

Com fome no escuro: Fome, de Michael Grant

23 de janeiro de 2012 às 11:24, por

Pode conter leves spoilers do primeiro livro da série. Leia resenhas de Gone aqui e aqui.

Três meses se passaram desde o surgimento do LGAR e os acontecimentos de Gone. Agora, a comida é cada vez mais escassa e as crianças passam cada vez mais fome. Além disso, a Academia Cotes parece estar se reergendo, famintos por comida e por vingança.

Ao mesmo tempo, existe uma força mais maligna do que as crianças podem imaginar atuando furtivamente…

E ela está com fome, no escuro.

 

 

Fome é o segundo livro da série Gone (veja a resenha do primeiro aqui). Um negócio com continuações é que às vezes elas são um pouco mais fracas que os livros iniciais, mas isso não aconteceu com a série Gone. Fome é tão incrível quanto o primeiro.

Uma coisa que acho incrível na série, até agora, é como o Michael Grant consegue fazer personagens realistas, mesmo com todo o lance das mutações, e fazer com que as suas atitudes sejam espelhos dos vários tipos de personalidade possíveis. Há o psicopata, há o autista, há a bulímica e, acima de tudo, há aquele sentimento em TODOS de que eles são só crianças, então não deveriam fazer essas coisas de “adulto”. E as coisas de adulto que eles fazem são coisas que muitas crianças de lugares mais pobres são obrigadas a fazer.

Em Fome, administrar as crianças do LGAR se torna um fardo para Sam, porque elas confundem a sua figura com a de um pai. Por causa disso, Sam acaba se desgastando bastante e deixando passar várias coisas óbvias. Talvez se ele fosse um pouquinho mais velho, perceberia que tentar administrar esse tanto de crianças sozinho (ou com 2 ou 3 pessoas) não iria dar certo de qualquer forma. Além disso, ele se prende a ideias morais de “certo” e “errado” e acaba se esquecendo que nem sempre essa é a questão. Às vezes, o que parece “errado” é o necessário para controlar uma situação.

E, ah, como as coisas saem do controle em Fome. Enquanto lia, me senti assistindo a um maestro conduzindo uma orquestra. São várias partes, vários pedaços de história, várias coisas acontecendo simultaneamente, mas que funcionam perfeitamente bem como um todo. Conforme a história se desenvolvia e eu podia ver os desdobramentos de cada acontecimento, ficava cada vez mais aflita. Sabe quando você sabe o que vai acontecer e quer avisar todo mundo, mas não pode? E aí todo mundo em vez de fazer o que vai evitar a tragédia, vai direto para ela? Então. Fome é essencialmente isso.

Como eu já disse antes, para mim, a série Gone é como se fosse um estudo sociológico da humanidade. É uma pequena amostra, com crianças, mas tem de tudo. Nesse volume, nos mostra como o desespero pode influenciar as pessoas e cegá-las, levando-as ao ódio. Além disso, é uma reflexão interessante sobre o que as pessoas podem fazer pelo poder. Ninguém realmente quer estar no lugar de Sam, mas todos o invejam. Ninguém quer resolver os problemas, mas todo mundo quer solução. Ninguém quer levantar a bunda da frente da televisão para ir trabalhar por comida, mas todo mundo quer comer.

Acho que é aí que o Michael Grant foi mais inteligente. Existem crianças geniais entre as do LGAR, existem crianças especiais, mas também existem crianças medíocres, crianças inerentemente más. E é exatamente por aí que acredito que os próximos livros irão ir: quando confrontados com as adversidades, o que essas crianças vão fazer?
O encerramento do livro nos deixa desesperados pelo próximo! Várias coisas foram deixadas em aberto e o maior mistério da série ainda permanece: O que é o LGAR? Como ele surgiu? Onde estão as outras pessoas? Será que eles vão ficar lá para sempre?

Gone é uma série indispensável. TODO mundo deveria ler! :)

Classificação final: Cinco repolhos (e uma lata de molho).

François n’est pas français! #1

21 de janeiro de 2012 às 12:46, por

Prometo que ainda faço um banner pro François. François n'est pas Napoléon!

Quando fiz o post de como começar a ler em inglês, mencionei que estava estudando francês e muita gente pediu dicas de músicas e filmes e coisas assim para poder treinar. Eu não conheço muito – na verdade, acho que conheço bem pouco, mas decidi fazer essa sessão no blog para poder compartilhar as coisas em francês que vejo/ouço. Digo em francês e não francesas porque tem coisas de outras nacionalidades (como canadenses ou belgas).

O nome nem é muito um trocadilho, mas é que muita gente que não estuda francês sempre pergunta “vous parlez françois?” em vez de “vous parlez français?”. Para quem não sabe, François é um nome próprio e seria traduzido como Francisco. O título dessa sessão é, em bom português: “Francisco não é francês!”

Hoje vamos começar com uma de banda que eu gosto e que canta em francês.  Espero que vocês recomendem coisas nos comentários e/ou mandem guest posts com recomendações de filmes, músicas, livros e até seriados!

Hoje nós conheceremos Les Ogres de Barback!

Conheci os Ogres numa aula de francês, em que ouvimos uma música muito legal que parecia de circo e tinha uma letra fofa. Depois, baixei a discografia deles e aí eu amei. Eles surgiram em 1994 e é composto por quatro irmãos e irmãs. As músicas tem vários instrumentos e parecem muito com músicas de festival e circo.

Eles tem 12 cds até agora e cada um dos integrantes toca uma penca de instrumentos. Na descrição do site deles (todo em francês), dizem que suas influências são a chansson française e o espírito alternativo da música dos anos 80 da França (???). Quando à chansson française, dá para ver bem nas músicas. Tem umas que ele praticamente declama enquanto tem um fundo musical, bem ao estilo do Jacques Brel (prometo falar dele no futuro). Não é um estilo que agrada todo mundo, mas eu gosto muito!

Vou deixar duas músicas de degustação para vocês. A primeira é Et Oui, que foi a que tinha no meu livro de francês. Eu acho ela muito bonita e com uma letra muito fofinha e lindinha :)

Outra é Voyageur, que é muito legal e tem uma letra interessante, com vários tempos verbais e usos de pronomes  diferentes. :)

É isso por hoje. O que vocês acharam da nova sessão do blog? Querem recomendar algo? :)

Eita, livro bom!! – O Trono de Fogo

20 de janeiro de 2012 às 17:25, por

Ano: 2011
Língua: Português
Editora: Intrínseca
Autor: Rick Riordan

“Os deuses do Egito Antigo foram libertados, e desde então Carter Kane e sua irmã, Sadie, vivem mergulhados em problemas. Descendentes da Casa da Vida, ordem secreta que remonta à época dos faraós, os dois têm poderes especiais, mas ainda não os dominam por completo – refugiados na Casa do Brooklin, local de aprendizado para novos magos, eles correm contra o tempo. Seu inimigo mais ameaçador, Apófis, está se erguendo, e em poucos dias o mundo terá um final trágico. Para terem alguma chance de derrotar as forças do caos, precisarão da ajuda de Rá, o deus sol. Despertá-lo não será fácil: nenhum mago jamais conseguiu. Carter e Sadie terão de rodar o mundo em busca das três partes do Livro de Rá, para só então começarem a decifrar seus encantamentos. E, é claro, ninguém faz ideia de onde está o deus.”

Só para esclarecer antes de vocês começarem a ler a resenha sobre este livro… Ele é uma continuação de A Pirâmide Vermelha (veja a resenha aqui), então pode conter spoilers em algum nível. Agora que estão todos avisados, podem (ou não) continuar a ler! :D

Trono de Fogo é o máximo por vários motivos entre eles:

- É um livro do Rick Riordan;
- Ele faz uma ode a Adele por umas três páginas;
- Uma das aprendizes é BRASILEIRA.

Sério, só por esses motivos o Trono de Fogo mostra o quão legal ele é!!! Brincadeiras à parte, a história do livro é genial e mais uma vez, o Rick Riordan consegue mostrar que você pode escrever um clichê, sem que ele seja realmente um clichê. Como assim? Bem, nessa continuação, os irmãos Carter e Sadie e seus aliados (com mais dois novos e importantes amigos, Jaz e Walt) precisam juntar cinco pergaminhos para despertar o deus do sol, Rá, e impedir que a serpente do caos, Apófis, engula o sol para sempre e destrua o mundo. Tudo isso antes do equinócio da primavera, que é mais ou menos cinco dias a partir do momento que eles descobrem o que devem fazer. Qual é o clichê? Gente, se eles não resolverem tudo no tempo determinado o mundo vai acabar! Quer mais clichê que esse??? Impossível!

O negócio do Rick Riordan é que ele sempre escreve coisas repetitivas e que você sabe qual será mais ou menos o final, mas mesmo asssim, a forma que ele escreve e o desenvolvimento da história te impedem de odiar o cara e seus trabalhos (oi, Percy Jackson e os irmãos Kane são meus livros favoritos!!). Não poderia ser diferente com o Trono de Fogo.

No livro inteiro, a única coisa que desgostei foram os romances dos irmãos. O Carter fica procurando Zia desesperadamente e a Sadie ainda tem uma cratera (queda é muito fraco) pelo deus Anúbis (não sei quem não teria XD) ao mesmo tempo que ela começar a ter uma quedinha por Walt. Os dois irmãos ficam extremamente chatos divagando sobre seus suas paixonites e tive vontade de espancar o Carter toda a vez que ele abria a boca para falar sobre a Zia… Por incrível que pareça, a Sadie estava menos chata nesse ponto que o Carter.

No geral, como eu disse no início, O Trono de Fogo é um máximo e recomendo muito a leitura! Verdade, seja dita, ele conseguiu ser melhor do que a Pirâmide Vermelha, que já era um livro ótimo! Não sei como o Rick Riordan consegue melhorar tanto a cada livro que ele escreve. =OO Parece que o homem faz macumba das brabas, viu???

Estou morrendo de vontade de ler o último livro da série, The Serpent’s Shadow, e descobrir como os irmãos Kane salvarão o mundo e qual é o verdadeiro papel de Zia e Walt na trama (eu não falei muito deles em si, mas foi para deixar vocês mais curiosos XDDD *má*). Aliás, quem abriu o link para o último livro, viu o quão linda é a capa? *_* As capas dos livros dos Kane são lindas e até o momento, a capa de O Trono de Fogo era a mais bonita até que eu vi a do The Serpent’s Shadow

Apesar de que a Intrínseca tenha feito um trabalho muito bom com os livros do irmãos Kane (a tradução estava muito boa e poucos erros de português), não sei se vou aguentar esperar o fim da trilogia em português, vou acabar comprando em inglês mesmo!  E olha que não gosto de começar minhas coleções de livro em um idioma e terminar o resto em uma outra língua…

Livro altamente recomendado e de leitura obrigatória (claro, que o primeiro livro é mais obrigatório, mas vocês entenderam!)

Classificação geral: Quatro Rás e uma Bastet!

Tudo o que você precisa saber para colecionar quadrinhos

às 16:22, por

OLÁ, sentiram minha falta? Como vão vocês?
Você adoraria começar a ler comics americanos, mas não sabe como? Você adoraria ser o tipo de pessoa que “compra quadrinhos”, mas não faz a mínima idéia de por onde começar? Então, esse post é pra você.
Ninguém nasceu colecionando quadrinhos. Eventualmente, as pessoas passam da categoria “leitor ocasional” para “leitor viciado”. Acompanhar quadrinhos, principalmente Marvel/DC, é uma daquelas coisas que só parecem difíceis. Questionamentos comuns são: “AIII, será que eu vou lembrar o nome de todos os superheróis?” ou “AIII, tal saga é muito complicada, quantas revistas eu vou ter que comprar?”
FEAR NOT, meu querido(a) leitor(a)!
Nesse megapost, eu vou explicar tudo que você precisa fazer para se aventurar no mundo mágico dos quadrinhos. Pra algumas pessoas, eu posso estar falando só coisas óbvias, mas espero estar ajudando outras.
Eu não sou uma grande especialista em quadrinhos, eu coleciono há pouco tempo, mas eu espero ajudar. Nesse primeiro post, algumas coisas que você deve ter em mente.

Preparados?

Tanto a DC e a Marvel querem fazer você comprar o máximo de HQs

Todo mundo quer dinheiro. Só que as duas maiores editoras de quadrinhos de superheróis REALMENTE querem dinheiro. Então, fazem alguns anos que elas descobriram um jeito brilhante de ganhar dinheiro: as grandes sagas.
Afinal, existem fãs de X-Men e fãs dos Vingadores, que compram, respectivamente, revistas do X-Men e dos Vingadores. Um jeito de conseguir ainda mais dinheiro é inventar uma história que envolva tanto os Vingadores quanto o X-Men, e assim fazer o leitor comprar as duas revistas.
A DC sabe disso há mais tempo, ela foi uma pioneira ao publicar a maxi-série Crise nas Infinitas Terras, que servia basicamente para limpar a bagunça que o universo da DC tinha virado com a criação do Multiverso. A Crise pode ser resumida assim: um supervilão, o Antimonitor, vai destruindo os universos alternativos, condensando as linhas de história numa só. Parece só um golpe de marketing, mas A Crise Nas Infinitas Terras é uma história muito boa. Tem apocalipse, superheróis morrendo e tudo o que o leitor tem direito.
Uma ótima idéia, não? Então os roteiristas passaram a investir em séries e sagas, o que gerou ótimas histórias e é por isso que os anos 80 foram a melhor década para os quadrinhos. Histórias originais, e coisas que os roteiristas nunca tinham pensado antes.
O problema que isso acabou sendo um tiro no pé, porque as sagas deixaram os quadrinhos confusos (e isso sem falar nas PÉSSIMAS histórias que surgiram depois)! Então, fica difícil para uma pessoa que nunca leu quadrinhos ir numa banca e comprar a primeira revista que estiver na sua frente. Aliás, é por isso que você está lendo esse guia, meu caro leitor.
Apesar de muitas sagas só terem o objetivo comercial, existem várias que são muito incríveis. Algumas sagas boas  e importantes da Marvel, na minha opinião, são a Guerra Civil, a Dinastia M, Hulk Contra o Mundo, e as Guerras Secretas. As Guerras Secretas são uma saga mais antiga, dos anos 80. É uma das minhas preferidas.
Como meu herói preferido é o Thor, eu gosto de várias sagas desse personagem, como a Saga de Surtur e as edições que ele vira sapo (…SIM, ele vira um Thor sapo!), que são todas do roteirista Walter Simonson. Tudo que ele escreve vale a pena, na verdade.
Uma saga que eu gosto e que algumas pessoas odeiam é Zumbis Marvel, que é basicamente os heróis da Marvel como… zumbis. Algumas pessoas odeiam porque ela é meio sem-noção, mas como ela foi a minha porta de entrada para o mundo Marvel, eu guardo ela em um lugar do meu corazón. A história que o Ash, protagonista da série de filmes de zumbi Evil Dead, encontra os heróis da Marvel no mundo cheio de zumbis é bem legal. SIM, eu gosto desse tipo de crossover, me julguem e me expulsem do seu clubinho nerd.
Você pode encontrar essas histórias em scans pela internet ou até em versões encadernadas em sites como a Liga HQ e a Comix.

Essa imagem, que eu tirei do post do Garotas Nerds que foi linkado lá em cima, mostra o Homem-Gorila (do Agentes de Atlas) explicando o que aconteceu na Marvel desde a Dinastia M:

 Felizmente, o Reinado Sombrio e a Era Heroica já acabaram (que apesar de serem duas sagas razoáveis, estavam me enchendo o saco) e se você for numa banca aqui no Brasil e procurar HQs da Marvel, você vai encontrar várias histórias que não dependem de grandes sagas e blábláblá. Mas preparem-se: 2012 vem aí com o crossover muito aguardado (e provavelmente péssimo, mas SEM PRECONCEITOS GALERA): Vingadores vs. X-Men.
Na parte da DC, tivemos uma saga recente que foi A Noite Mais Densa e O Dia Mais Claro, do Lanterna Verde. O péssimo filme do Lanterna Verde, que saiu ano passado, foi livremente baseado nessa saga. Mas a saga é até legal, ao contrário do filme.

Não existe um começo

Ok, eu despejei muita informação no item anterior. Talvez tenha feito você começar a chorar de medo, ou tremer incontrolavelmente. Ou seja, a pergunta é: Por onde eu começo?
Mas aí eu respondo: NÃO EXISTE COMEÇO. Lembra quando você tinha um celular tijolão, que tinha aquele jogo da cobrinha? Você comia, comia, e quando você via, você já estava enorme, e não dava muito bem para saber onde você começava e onde terminava.
É exatamente assim que os quadrinhos funcionam. Os personagens ficaram enormes! É burrice começar a ler quadrinhos do Stan Lee achando que você depende deles para entender, sei lá, o que acontece em Reinado Sombrio, só pra dar um exemplo.
Errr, não que alguém já tenha feito isso, mas é bom avisar.
Se você não entende alguma coisa que está acontecendo na HQ que você está lendo: GOOGLE IT! O site Comic Vine, em inglês, é uma ótima fonte para isso, ele tem tudo. O Guia dos Quadrinhos, em português, também. A Wikipédia também.
Isso pode irritar algumas pessoas que gostam de histórias fechadas, mas vai por mim, vale a pena. Mas quando eu falo que não tem começo, eu estou dizendo que nenhuma história vai apresentar o personagem, e começar o enredo devagarzinho para o leitor se adaptar. Sim, existem séries e arcos que começam da edição um. Você não vai ficar perdido. A única coisa que pode acontecer é você não sacar alguma referência que os personagens fizeram, porque nem tudo é explicado.
Esse argumento que as pessoas usam de “MIMIMI, eu odeio HQs porque elas nunca acabam” é bobagem. Os ARCOS tem começo-meio-fim. Por exemplo, da edição 126 até a edição 130, acontece uma história. Depois, ela termina e começa outra.
Sem dramas.
O número de edições que esses arcos/séries têm variam, pode ir de três a trinta edições. Mas não é tão grande assim, se comparado a alguns mangás que tem 100 edições. Mas isso não que HQs americanas sejam melhores que mangás, os dois são ótimos!
Então, comecei de Marvel Zombies, que não é um bom começo pra ninguém. Eu acho que é um bom começo ir lendo as HQs mais famosas, tipo encadernados e depois se jogar nas HQs da banca sem medo.
Geralmente, as pessoas têm medo de começar a ler algo que é aparentemente confuso, ou que elas não estão familiarizadas. Eu tive um pouco disso. Quando eu comecei a colecionar quadrinhos pra valer, eu tinha uns doze anos e sempre que eu ia numa loja de quadrinhos, eu sempre achava que sei lá, eu não ia conseguir entender a história, ou que o vendedor ia puxar assunto sobre a HQ e eu não ia saber como responder.
Bobo, eu sei.  Mas é uma história verídica, se aconteceu comigo, pode acontecer com você.
Ou não.
De qualquer maneira, comprar HQs na banca é uma das coisas que eu mais gosto. É relaxante mesmo. Sim, boa parte das HQs que saem na banca são de razoável para pior, mas algumas histórias muito boas saíram nesses últimos anos. O Thor e o Homem de Ferro tiveram uma boa fase recentemente, o Batman também. Duas séries muito boas que eu estava acompanhando pela revista A Sombra do Batman (da Panini) eram Sereias de Gotham e Batwoman.

Leia os clássicos

Eu falei bastante sobre comprar na banca no item anterior, não?  Acontece que as melhores histórias, na minha opinião, foram na década de 70 e nos anos 80. Os anos 80 época de Sandman e Watchmen e os anos 70 foram quando o Jack Kirby, o Stan Lee (aquele velhinho simpático que faz pontas em todos os filmes de super herói, sabe? Ele aparece em Homem-Aranha, em Thor, em Hulk) e o John Buscema estavam sendo fantásticos e brilhantes. Se eu pudesse dar um conselho pra vocês seria: LEIA QUALQUER COISA DESSES CARAS QUE VOCÊ TIVER OPORTUNIDADE.
É ótimo. Não é complexo e te faz refletir sobre horas sobre o bem e o mal (como Watchmen, só pra dar um exemplo), mas é praticamente a definição de entretenimento de qualidade.  Eu gosto muito das histórias do Quarteto Fantástico e do Surfista Prateado que eles produziram. Eles são frequentemente subestimados, porque parece que todo mundo só lembra do Alan Moore, do Frank Miller… Eles são brilhantes, mas não são os únicos roteiristas do mundo!
Uma dica DE OURO pra quem desenha: mesmo que você não desenhe super heróis, vale MUITO a pena conferir o livro do John Buscema e do Stan Lee,  How to Draw Comics The Marvel Way. Eu tenho ele em PDF, e estou pra comprar o livro físico no Book Depository. Só que ainda mais legal do que o livro em si, foi a versão falada que eles fizeram. Sim! É como um documentário, e tem completo no youtube. Sério, eu pretendo gravar pra mostrar para os meus filhos, daqui a sei lá, uns dez anos.
Recentemente, a Panini relançou várias histórias antigas que tinham sido publicadas na época do Almanaque Abril nos anos 80/90. Nessa época, as histórias eram publicadas em almanaques ou em formatinho (aquele formato pequenininho, tipo o da Turma da Mônica), muitas vezes com cortes. Hoje em dia, essas revistas podem ser achadas em sebos.
Mas as histórias são geniais!

Saiba comprar

Nesse item, eu estou assumindo que você de fato vai comprar as HQs, e não ler por scans na internet.
E se você quer começar a colecionar quadrinhos, mas não tem a menor ideia de nada, você precisa entender a diferença entre encadernado, cartonado e formato americano. Não é assim tão importante, mas é importante para você ter uma ideia se o preço que você está pagando é justo, coisa e tal. Encadernado (de luxo) é tem o acabamento similar a um hardcover. Geralmente, só histórias consagradas saem em encadernado. Clássicos, histórias que vendem muito, coisa e tal. Em outras palavras: HQs que a gente gostaria de ter na nossa estante para reler 3498329082 de vezes. Ele pode custar de R$39,90 até R$200,00. Até hoje eu estou tentando decidir qual órgão eu vou vender para poder comprar o encadernado de A Liga Extraordinária, do Alan Moore.
Cartonado é mais “fuleira”, por assim dizer, com a capa em papel cartão. Ele também pode ser chamado de encadernado, mas dá pra perceber bem a diferença entre ele e o encadernado de luxo. Em geral,  as histórias que saem em cartonado são de algum roteirista consagrado (por exemplo, o Brian Azarello ou o Grant Morrisson), mas não é assim tão popular ou saiu em revista nos EUA. Custa de R$14,90 até R$29,90, mas existem exceções mais caras e mais baratas. Se você for num sebo, aliás, é provável que você ache essas revistas por menos de dez reais.
Formato americano são aquelas HQs que são mais como uma revista, e como o nome já diz, do jeito que são vendidas nos EUA. Elas são curtas e têm de seis a sete capítulos. Custam de R$5,90 a R$6,90.
O formatinho não é mais usado hoje em HQs de superherói, principalmente porque ele dá um tom infantil à história. Ele é usado nos quadrinhos da Disney e da Turma da Mônica, e na maior parte das histórias da Bonelli (por Bonelli leia-se: Tex, Mágico Vento, Júlia, Dylan Dog, Martin Mysterè, Zagor…). Se você tem irmão ou algum primo mais velho que colecionava quadrinhos há pelo menos uns dez anos atrás, provavelmente eles têm muitas HQs da Marvel e da DC nesse formato. O mais legal são as propagandas, que eram normalmente de produtos voltados ao público infantil, tipo doces, refrigerantes, biscoitos e até brinquedos. O irmão da minha amiga tem uma coleção enorme de HQs do Demolidor do Frank Miller em formatinho, tudo com propaganda de “lanches para a garotada!”. Isso porque a fase do  Demolidor pelo Frank Miller é um tanto pesada, e as histórias definitivamente não foram feitas pra crianças. Também eram comuns umas propagandas nada a ver, eu comprei algumas edições do Dylan Dog e do Martin Mysterè (ambos da Bonelli, contando histórias de mistério) pela editora Abril e é cheio de propagandas tipo CURSO DE DETETIVE POR CORRESPONDÊNCIA. Tem até um formulário para preencher, destacar e enviar para um endereço especificado.
QUEM DIABOS SE INSCREVE NUM CURSO DESSES?
Ok, eu estou divagando. Mas eu precisava desabafar sobre essas propagandas. E eu não sei se isso é bom ou ruim, mas hoje em dia é raro ter propaganda não-relacionada a quadrinhos nas HQs. Se tem, é sempre sobre games, internet, coisas assim. E NUNCA é no meio da história, como era antigamente.
Só que aí você se pergunta: por que isso seria ruim?
Ao contrário do que você pode pensar, não, não é pelo fator cômico. É porque as HQs da Panini são muito caras.
Se tivesse propaganda, seria infinitamente mais barato. Tá, não tanto assim, mas poderia cortar pelo menos uns 20% do preço. Mágico.
Sim, propaganda incomoda. Sim, provavelmente teria umas propagandas nada a ver, mas é uma ótima solução porque cada vez mais O PREÇO DESSA PORRA SOBE. Quadrinhos são uma coisa cara mesmo em inglês, afinal, o mundo dos quadrinhos está em crise financeira e criativa, mas A PANINI ESTÁ DE BRINCADEIRA SE ESPERA QUE EU PAGUE VINTE REAIS NUM CARTONADO PORCO DO JONAH HEX COM A ARTE TOSCA QUE PARECE TER SIDO FEITA POR UM GAROTO DE DOZE ANOS FÃ DE NARUTO. Aliás, eu recomendo o blog Avalanchando o Ódio (o nome é genial…), que tem umas reviews de quadrinhos muito legais e vagamente assustadoras, de HQs recentes. Também tem outras coisas ainda mais assustadoras que me fazem duvidar da sanidade mental da pessoa que escreve, como reviews daquela certa categoria de anime que faz a alegria de rapazes otakus solitários nas madrugadas frias de sexta-feira, então eu recomendo só ir atrás das reviews mesmo. Ou seja, não é o tipo de blog para acessar na escola/trabalho/casa da sua avó, ok? Mas o autor concorda comigo que Fear Itself é tipo, uma das piores sagas da história da Marvel, e só isso já me faz amá-lo. Aliás, alguém pode me dar uma boa recomendação de blog que realmente resenha quadrinhos, e não apenas fica dando notícias e blábláblá? Se vocês tiverem, falem nos comentários.

Enfim. É isso.
Ler quadrinhos de superheróis é descobrir novas histórias e novos personagens sempre. É um mundo cheio de *descobertas* e enredos criativos. Sim, existem muitas histórias ruins por aí, mas existem outras ótimas. Você tem que procurar por você mesmo(a).
Uma das coisas legais .de HQ é ir garimpando por aí. É divertido!

Onde comprar (online):
Comix
Liga HQ!

O Book Depository é ótimo pra comprar encadernados, fica a dica. Na verdade, livrarias em geral são ótimos lugares para comprar encadernados, e a Saraiva de vez em quando tem ótimas promoções. Certa vez, eu vi A Liga Extraordinária para vender lá por R$70. Por que eu não comprei? POR QUÊ?

Se vocês quiserem, eu posso fazer mais posts sobre quadrinhos, reviews e coisas não relacionadas ao mundo dos super-heróis. Até posso incluir alguns mangás. SE DIVIRTAM!

 

Nós não morremos! + Uma capa por dia

17 de janeiro de 2012 às 21:30, por

Vocês devem ter reparado que ultimamente, os posts minguaram. Tá que ainda temos um post a cada dois ou três dias, mas comparado com os posts diários e aquele negócio de não saber quando vai postar o quê que aconteceu em Dezembro, tá lento.

O que aconteceu é que a Dayse começou um treinamento no emprego novo (no Brasas, como ela tá chique!), eu comecei a trabalhar na empresa do meu pai (tem o link aqui do lado, é a DG10) e a Val viajou. Além disso, a Cherry_B também está ajudando a cobrir as férias de uma funcionária enquanto as aulas dela não começam. Então, com todo mundo trabalhando/ausente, o tempo para fazer posts fica muito menor.

Mas estamos ajustando tudo! Eu tenho OITO resenhas pendentes, sendo duas de parceria (Fome e As Esganadas) e seis de livros que li em inglês. Venho aqui perguntar: quais resenhas vocês querem primeiro? As opções são as seguintes:

  • Clash Of Kings, George R.R. Martin (A song of fire and ice 2)
  • Rites of Spring, Diana Peterfreund (Sociedade Secreta Rosa & Tumulo #3)
  • Storm Born, Richelle Mead (Dark Swan #1)
  • Abandon, Meg Cabot (Abandon #1)
  • Clockwork Prince, Cassandra Claire (Infernal Devices #2)
  • Scorpio Races, Maggie Stievfater

Eu farei a resenha de todos eles, mas o que receber mais votos vai ir ao ar primeiro!

Além disso, hoje saiu o resultado da promoção de Gone, no mesmo post dela, pelo Rafflecopter. Confira aqui.

Para esse post não ser só eu prestando contas e perguntando coisas, vou apresentar para vocês o tumblr mais legal do mundo: A Book Cover a Day.

O A Book Cover A Day não é necessariamente diário, mas tem como proposta postar capas com designs interessantes como a capa que vocês veem aqui ao lado. São capas de várias nacionalidades e vários estilos literários. Algumas semanas são temáticas – como a semana das capas que pareciam propaganda soviética.

A pessoa que administra o tumblr é brasileira, por isso há uma grande quantidade de capas de livros do Brasil, de Portugal e de editoras espanholas.

O que mais me agradou no blog é que ele junta várias capas com designs bonitos, exatamente do jeito que eu gosto. Vocês já devem saber que livros com modelos fazendo carão na capa me desagrada bastante. Prefiro mil vezes um trabalho gráfico bem elaborado ou só uma tipografia bonita do que uma menina com cara de sofrimento num vestido bonito.

Segue quatro das que eu mais gostei da seleção do blog:


Adorável! :)
E vocês? O que acharam do blog em questão???

O maravilhoso mundo de John Hughes #1

15 de janeiro de 2012 às 17:12, por

 

Sabe Clube dos Cinco? Curtindo a Vida Adoidado? Garota em Rosa Shocking? O que será todos esses filmes têm em comum, além de terem passado vezes sem fim na sessão da tarde? Todos eles foram dirigidos pelo mesmo gênio, John Hughes. Se você viu Easy A, você deve lembrar da parte que a Emma Stone fala que gostaria de ter a vida dirigida pelo John Hughes. Pois bem, eu também queria! Adoraria, para falar a verdade. Então eu resolvi fazer dois posts cada um com três filmes do John Hughes, nessa edição:

  • Curtindo a Vida Adoidado
  • Clube dos Cinco
  • Weird Science (ou, na péssima tradução “Mulher Nota Mil”)


Curtindo a Vida Adoidado


Eu amo esse filme, tipo de paixão. Uma das minhas resoluções de vida é pelo menos fazer um terço das coisas que eles fazem nesse filme. Tudo bem que para isso eu teria que mentir para os meus pais, roubar a ferrari do pai do meu melhor amigo, ficar com o Charlie Sheen numa delegacia (eca) e fazer uma série de coisas moralmente reprováveis que eu me arrependeria pelo resto da vida. Mesmo assim, um dia quem sabe?
Pelo menos a parte de cantar Twist and Shout numa parada de rua eu pretendo fazer antes de morrer. SO FUN!
Além de todas as coisas surreais que acontecem no filme – graças a genialidade do protagonista, Ferris Bueller, interpretado pelo grande Matthew Broderick -, os personagens também são um ótimo motivo para ver o filme. É impossível não rir e se ofender um pouco com as atitudes do Ferris, e não tem como não amar o Cameron.
Sério, não tem mesmo. CAMERON! <3
Ele está na minha lista de Top 3 melhores personagens do John Hughes e no Top 10 melhores personagens ALL TIME! No quesito personagens, eu prefiro Clube dos Cinco porque eu acho eles mais próximos da realidade, mas as coisas loucas que acontecem em Curtindo a Vida Adoidado fizeram esse filme virar um dos meus favoritos. Eu tenho um sério problema com o Ferris porque eu acho ele muito egoísta – tanto que a irmã dele é o meu segundo personagem favorito no filme. ELA FICOU COM UM CARA NA DELEGACIA! (Mesmo que fosse o Charlie Sheen. STILL WINNING)
Uma das minhas parte favoritas é quando o Cameron está passando um trote para o diretor da escola, para o Ferris poder ter um álibi para buscar a namorada, Sloane, na escola e se divertir em Chicago:

Eu tenho essa teoria louca que o Ferris é o 11th doctor, a Sloane é a Amy e o Cameron é o Rory. Qual é a opinião de vocês sobre isso?

Clube dos Cinco


Particularmente, eu não acho Clube dos Cinco tão divertido quanto Curtindo a Vida Adoidado. Acontecem muitas coisas engraçadas, mas não é nada comparado ao CaVA (sigla inventada agora). Talvez seja porque o filme quase todo acontece na sala de detenção, ou seja, nada de aventuras loucas pela cidade de Chicago. Mas mesmo assim… os personagens são apaixonantes. São cinco adolescentes totalmente diferentes, obrigados a se suportar por oito horas por causa da detenção. Eles são muito mais reais do que o Ferris Bueller por exemplo, porque todo o mote do filme é abordar a personalidade dessas cinco pessoas. À primeira vista, eles não passam de clichês do high school: a garota popular, o encrenqueiro, o nerd, o atleta, a menina estranha… conforme o filme vai avançando, nós conhecemos as outras camadas desses personagens, é… é incrível.

Sério, é perfeito. No começo, como era de se esperar, todos os cinco se odeiam. Imagine ter que gastar o seu fim de semana de detenção com uma pessoa da sua sala que é o seu completo oposto! Só que os cinco tem uma coisa em comum: um ódio profundo pelo mundo adulto. Isso meio que os deixa unidos, e a detenção acaba servindo como uma forma de expressar o que eles nunca tinham falado para ninguém antes. Os personagens trocam confidências e fazem as coisas aleatórias típicas de filme do John Hughes – sabe, dançar aleatoriamente, fumar maconha e se esconder do diretor da escola. Enfim, eu sempre amei todos os personagens, mas existe um amor especial pelo Allison/Andrew, que são respectivamente a garota esquisita e o atleta. O Andrew provavelmente é uma das minhas maiores paixonites do cinema. A idéia de um garoto relativamente popular (e portanto, com uma espécie de reputação a zelar) ficando com uma garota como a Allison me faz acreditar que ainda existe esperança no mundo – aliás, é até meio sexy, se você quer saber a minha opinião. Mostra que ele tem um monte de qualidades admiráveis: que ele não se importa com o que as outras pessoas pensam, que ele vê atrás das aparências e que ele vai ficar com a Allison independentemente do quão estranha ela é. E isso é lindo.

 

Weird Science


OK, os dois filmes acima são muito profundos, apesar de serem divertidos. O crescimento pessoal dos personagens é tão ou mais importante quanto o enredo. Esse filme também é muito focado nos dois protagonistas, mas o enredo é bem mais importante. Ele é uma comédia clássica dos anos 80, e carrega os valores dessa década. Então se prepare para roupas ridículas!

Alguma coisa em Weird Science me faz lembrar de Mary Poppins. Acho que é o inexplicável sotaque britânico da Lisa, a garota inventada. Ela é linda como uma supermodelo (afinal, ela foi criada para ser a mulher perfeita no parâmetro de dois garotos de 16 anos), mas também sabe fazer uns truques de mágica iguais os da Mary Poppins e da Nanny McPhee, e fica dando lições de moral nos garotos. As coisas que acontecem no filme são as mais surreais e malucas, infinitamente mais que em Curtindo a Vida Adoidado. A magia de Lisa causa as situações mais estranhas, desde festas sem o consentimento dos pais à mísseis e motoqueiros. Não é o melhor filme do John Hughes, mas é um bom filme de sábado à tarde. Eu realmente só fiquei admirada com a atuação do Anthony M. Hall, que é totalmente diferente do personagem que ele faz em Clube dos Cinco. Tipo, ele muda tudo – o jeito, a postura e até a voz. É impressionante.