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South Park: “The Hobbit” – DEPRESSÃO COMPLETA

19 de abril de 2014 às 17:19, por

[Este post contém spoilers de South Park, só leia se você não se importar com esse tipo de coisa e blablablablá. Mas sério, é South Park. Quem REALMENTE liga para um spoiler de South Park?]

south park Então é isso.

Finalmente assisti o último episódio de South Park  da 17° temporada (última lançada) e estou genuinamente deprimida. Sinto como se eu tivesse sido derrotada e como se tudo o que eu acreditasse tivesse sido destruído e, cara, foi só um episódio de South Park. Não era para eu me sentir assim.

Sei que neste momento, nada do que falei faz sentido, mas ainda não cheguei onde quero chegar: a razão pela qual, pela primeira vez na vida, quase chorei em um episódio de South Park.

Assumo que todo mundo conhece o desenho ou já tenha ouvido falar dele pelo menos uma vez. Entretanto, sei que existe quem não conheça, então para quem não sabe o que é, então vai um resuminho sobre o que é o desenho: South Park foca principalmente na vida de quatro garotos (Kenny, Kyle, Cartman e Stan) e as desventuras deles e de todos os habitantes da cidadezinha de South Park, que fica no interior do Colorado. Eles fazem sátiras criticando tudo e todos, criticando sobre tudo e sobre nada, com as piadas e as situações mais infames possíveis. Eles não perdoam nada e nem ninguém na hora de fazer piada. Não é um humor que serve para todos, mas confesso que não conheço muita gente que não goste do desenho (até meus pais se divertem com South Park).

Então, NUNCA, na minha vida, imaginei que chegaria o dia em que uma piada deixaria de ser uma piada em South Park e me afetaria assim.

"Não tenho nem ideia do que esteja acontecendo"

“Não tenho nem ideia do que esteja acontecendo”

O episódio começa com a Wendy e o resto da equipe de animadoras de torcida do South Park Cows’ Cheerleading Squad treinando no ginásio. Na hora da apresentação da equipe, todas gritam seus nomes de forma animada, menos Lisa, que fala o próprio nome de forma bem desanimada, fazendo com que todas as outras garotas reclamem da reação dela. A desculpa de Lisa é que TODO o esquadrão de torcida tem aquela garota gorda e feia e essa pessoa no esquadrão de torcida era ela, mas Wendy discorda e diz que isso não passa de falta de auto-confiança e que Lisa é uma ótima garota que só precisa de um empurrãozinho. Logo em seguida, as outras garotas falam que Lisa é a fim do Butters e Wendy diz que isso poderia ser uma oportunidade para Lisa ganhar confiança em si mesmo e sugere que ela chame o garoto para sair. 

Seguindo o conselho de Wendy, Lisa chama Butters para ir ao cinema, mas ele ri e responde:

Não, valeu, Lisa. Realmente agradeço pelo pedido, mas você é muito gorda para mim*

Ri horrores com essa parte porque, aproveitando a deixa, o Cartman ainda vira e fala seriamente para todo mundo na mesa que riu da Lisa e da obesidade dela que não se pode chamar alguém de gordo, isso é ofensivo e não é culpa da pessoa se ela é assim. Lisa não é gorda, ela é simplesmente FEIA.

Mas voltando para a situação principal, é óbvio que Lisa fica chateada.

Querendo tirar satisfações, Wendy vai atrás de Butters e pergunta qual é o problema dele e por que diabos ele chamou a Lisa de gorda, sendo que ela não passa de uma garota da quarta série e é muito normal ela estar um pouco acima do peso. Butters explica que ele também acha Lisa uma ótima garota, mas que ela é muito grande para ele e ainda acrescenta:

"Kim Kardarshian é magrinha e ela ACABOU DE TER UM BEBÊ"

“Kim Kardashian é magrinha e ela ACABOU DE TER UM BEBÊ”

Butters mostra fotos de Kim e Wendy pergunta se ele é um imbecil pois aquelas fotos eram claramente photoshopadas e Kim Kardashian na vida real tinha o corpo como o de um hobbit. Wendy ainda fala que Butters vai se meter em uma grande encrenca por ter insultado a pobre Lisa. 

"Vadia, como é que você não o hobbit mesmo?"

“Vadia, como é que você não o hobbit mesmo?”

No quadro seguinte, Wendy é chamada para a sala do diretor e Butters está chorando. Imediatamente, Wendy assume que Butters está levando uma bronca pelo o que ele fez.

Contudo, a menina não poderia estar mais errada: o diretor da escola está lá para dar uma bronca em Wendy por ela ter chamado Kim, a namorada do Butters, de hobbit. Wendy argumenta que Kim nem é a namorada do garoto e que ela estava falando da KIM KARDARSHIAN, pelo amor de deu. O problema é que esclarecer quem era a Kim só piorou a situação de Wendy, pois, de acordo com o diretor, ela estava “agindo como uma invejosa” e que “a aparência de uma pessoa não é tudo o que importa”.

O mais triste é Wendy tentar explicar que ela é o ser mais feminista daquela escola e ainda ter que ouvir do diretor que há uma tênue linha entre ser uma feminista e uma hater. A situação é tão séria que convidam Kanye West, noivo de Kim Kardashian, para comparecer à escolar e explicar que a Kim não é um hobbit, apesar do próprio Kanye ter suas dúvidas sobre a raça da noiva (e tudo é lindo porque Kanye West Aquaman voltou!!!!!!<3).

Agora, só quero lembrar e ressaltar que TODOS eles estão defendendo a figura de uma mulher empapada de retoques de photoshop, sim?

No corredor, Wendy chama Butters e mostra uma foto de Lisa e prova o quanto é fácil transformar qualquer ser humano na criatura mais bela a ter pisado no planeta com o auxílio do photoshop. Só que Butters, mongol como ele é, acha que a pessoa da imagem alterada é a verdadeira Lisa, compartilha a imagem para a internet e se sente mal por tê-la rejeitado. Assim, no dia seguinte, Butters corre atrás da Lisa e descobre está namorando o Clyde, que estava enlaçando a mão da garota e mostrando a foto de photoshop para todo mundo falando que a namorada dele era super gata e todos concordam com ele.

Irritada, Wendy tenta explicar (em vão) que ela mesma alterou aquela foto de Lisa para provar o argumento dela e, no calor do momento, Wendy acaba chamando Lisa de gorda e feia, mas conhecendo a personagem tenho certeza que ela não quis ofender ninguém: Wendy provavelmente só queria dizer que em comparação com a imagem da edição, Lisa de carne e osso com certeza era feia e gorda (pensa assim, se um grafite e uma diamante estivessem ao lado do outro, qual seria o mais bonito?).

E mais uma vez, Wendy é rotulada como “hater” e “invejosa”. E mais uma vez, a garota é mandada para a diretoria.

"É melhor você dar duro,  piranha! Você quer coisas boas?"

“É melhor você dar duro, piranha! Você quer coisas boas?”

Alguns quadros depois, as garotas do esquadrão pedem para Wendy fazer por elas o que ela fez com a foto da Lisa e a garota responde que não vai alterar a imagem de nenhuma delas porque é errado e ainda acrescenta que se as garotas têm algo contra a própria aparência, o problema é delas.

Wendy sai de cena e aparece Lisa dizendo que se as animadoras queriam ter uma aparência melhor, elas tinham que “dar duro” e as leva para um lugar que parece uma academia, mas lá não passa do lugar no qual elas aprendem a manipular as próprias fotos. E este é um seguimento engraçadíssimo porque South Park ZOA COMPLETAMENTE da música Work Bitch, da Britney Spears!!!

Nada como fazer uma sátira da Britney para deixar tudo mais divertido! <3

Depois da cenas da música e uma outra cena dos garotos decidindo quem é a mais gostosa, Stan, namorado da Wendy, sugere que ela dê uma atualizada nas fotos dela também. É óbvio que ela fica irada e questiona os motivos para ela retocar as imagens dela mesma com photoshop quando as pessoas deveriam ficar OK com a própria aparência e Stan não entende qual é o grande problema de  alterar algumas fotos só para Wendy parecer ser mais bonita do que ela é.

No meio do discurso, Wendy ainda faz uma lista de todos os defeitos que ela tem no próprio corpo e vai mais além ao citar todos os defeitos nos corpos de todo mundo, inclusive os do Stan. Como é South Park, à medida que ela vai brigando, um monte de gente vai se acumulando, inclusive as pessoas que Wendy está “falando mal”, sem que ela percebesse, até mesmo o diretor, o que significa outro chamado de atenção.

Após o videoclipe de Kanye West cantando que Kim Kardarshian não é um hobbit (rolei de rir! As aparições do Kanye West são demais!!), somos levados de volta ao ginásio de South Park com as animadoras de torcida ensaiando gritar os nomes e agora é Wendy quem fala o próprio nome desanimadamente. As garotas são super babacas com Wendy e Lisa “defende” a garota de uma forma bem condescendente e ainda devolve as palavras que Wendy disse para Lisa no início do episódio, mas isso não aplaca as outras animadoras e as meninas continuam furiosas e atacam Wendy ao acusarem a jovem de não cuidar da própria figura. Elas ainda fazem questão de informar que não querem animar com uma hater no mesmo time.

Wendy se irrita mais e mais até estourar:

Veem? O problema de ter fotos falsas de vocês mesmas é que vocês começam a acreditar nas suas próprias merdas. Isso foi longe demais! E se a sociedade não vai consertar isso, eu vou!**

As garotas perguntam o que Wendy pretende fazer e ela somente revela que será algo que já deveria ter feito há muito tempo.

O resultado é que Wendy aparece até mesmo na televisão, pois o plano dela é banir  o uso do photoshop para sempre, já que porque o programa de edição não faz bem para as garotinhas, ainda mais durante o processo de formação delas.

Na entrevista, perguntam os motivos Wendy e ela explica que ao usar o photoshop para retocar imagens, a sociedade cria expectativas de que as garotas PRECISAM ter um corpo que é impossível de se ter e que isso não é saudável. O entrevistador faz mais uma pergunta e questiona se ela não é apenas uma hater já que, “algumas vezes, as meninas menos populares e bonitas da escola falam esse tipo de coisa porque elas mesmas querem ser populares e bonitas. E, Wendy, você é popular e querida na sua escola?”, subvertendo todo o propósito da jovem.

"Photoshop faz mal?" (Você não está sendo apenas invejosa e uma hater, Wendy?)

“Photoshop faz mal?” (Você não está sendo apenas invejosa e uma hater, Wendy?)

Wendy confirma que ela não é a pessoa mais popular e querida da escola naquele momento e é bem firme ao dizer que isso não tem nada a ver com a luta dela contra o photoshop e o que ele realmente representa e significa dentro da sociedade.

No entanto, o entrevistador dá OUTRA indireta que Wendy não passa de uma invejosa e  uma hater.

De noite, Wendy é acordada por um Kanye West que aparece para contar a história de um hobbit que era feio, mas queria ser lindo como a Beyoncé e que um dia apareceu o poder mágico chamado photoshop que transformou o hobbit em uma criatura linda. E Kanye narra que mesmo que o pequeno hobbit ainda não pudesse cantar como a Beyoncé ou dançar como a Beyoncé ou agir como a Beyoncé ou ser um ser humano decente como a Beyoncé ele ainda era admirado com adoração. No meio da história o hobbit, a vida dele coincidentemente se torna MUITO parecida com a Kim Kardarshian.

Kanye começa a chorar e é nessa hora que Wendy desiste, preferindo seguir com o fluxo e admitir que ela foi invejosa e uma hater.

w1No dia seguinte (e é aí que quase chorei) aparece Wendy na sala de informática com o photoshop aberto e uma foto dela aparecendo.

Com uma cara triste e lágrimas nos olhos, a garotinha faz as edições mais absurdas para se aproximar da irrealidade pregada pela sociedade e, em um momento horrível, vemos o quanto ela está sofrendo por ser forçada a fazer algo que ela não acredita.

Após chegar ao produto final, aparece uma tela perguntando se ela quer compartilhar aquela foto retocada com os amigos e Wendy clica no “sim” e publica a “foto” dela na internet.

Agora vem a parte que percebi mais ainda a seriedade da situação.

No final de todos os episódios, South Park passa as melhores cenas do episódio com a música 12de abertura instrumental tocando ao fundo, mas isso não aconteceu neste episódio. Foram poucos segundos de silêncio antes da reprise do Kanye West na escola, mas em nenhum momento tocaram a animada música de abertura na versão instrumental, estabelecendo um ar de solenidade e depressão naquele último episódio da 17° temporada do desenho.

Até instantes antes da última cena, o episódio é muito engraçado, afinal é South Park, mas acompanhar a Wendy ser forçada a se dobrar perante os padrões sociais de beleza, sendo que ela realmente era a mais feminista daquela série inteira (quem acompanha o desenho sabe que Wendy era feminista até a alma e ela nunca, NUNCA tinha se deixado levar pela pressão social a ponto de ignorar o que ela acreditava que era certo e admitir está errada quando ela sabe que ela não está), foi um momento de muita tristeza e os próprios criadores sentiram que aquele momento, com aquela cena e com a Wendy perdendo sua própria pessoa, não era um momento para fazer piadas.

O que tinha acontecido foi simplesmente triste.

w5Pode parecer besteira, mas ao ver aquele final no episódio The Hobbit, me fez pensar e sentir que aquela derrota não tinha sido somente da Wendy, ela também tinha sido a MINHA derrota, porque eu sou uma Wendy. Naquele momento, parecia que eu podia ouvir dos próprios criadores de South Park que eu e todas as outras Wendys espalhadas pelo mundo deveríamos apenas seguir com o fluxo mesmo não concordando com ele, porque ir contra não vale a pena, não há nada a ganhar só temos a perder, porque, de verdade, como é possível explicar para aquelas garotinhas e garotinhos que são submetidos a essa pressão social e a esses padrões de beleza impossíveis, que eles são perfeitos e lindos do jeitinho que eles são quando há incontáveis imagens de artistas com corpos irreais (e, muita vezes, nem um pouco saudáveis)? Quando existe uma sociedade regulando quem é bonito e quem é feio? E, pior ainda, colocando uma etiqueta de valor como ser humano de acordo com esses padrões?

Infelizmente, é difícil convencer uma pessoa que ela é linda do jeito que ela é quando você  é apenas uma voz no meio de centenas gritando justamente o contrário. Mais triste ainda é saber que você pode ser apenas uma voz gritando para os outros e tendo outras centenas de outras vozes direcionadas a você te dizendo que tudo o que você está falando é uma mentira, que você é uma mentira, sabe? 

[ADD]: E, cara, eu estava refletindo comigo mesma depois deste post e cheguei a conclusão de que não importa o que você diga para uma criança sobre isso, a situação será ruim de qualquer forma. Se você convence uma criancinha ou um adolescente que eles são lindos do jeito que eles são (o que é MUITO difícil porque é uma fase muito impressionável da vida, afinal estamos falando de formação de personalidade e estabelecimento como uma peça da sociedade), eles sofrem e terão que ouvir besteira, muito mais que os outros que seguem o fluxo; quando você fala para estas mesmas crianças e adolescentes que acreditam nesses padrões de beleza que elas estão erradas e que se dobrar a essa pressão não faz bem a elas e a ninguém quando elas passaram a vida inteira sendo bombardeadas com imagens de beleza impossíveis e irreais, eles ainda sofrem, porque é como se você tivesse acabado com o sonho deles, e; quando você não fala nada porque vai ser ruim de qualquer forma, você também está agindo de forma errada, sabe?

O que é certo e o que é errado nessa situação?

Sinto que a derrota da Wendy foi a minha derrota, mas não consigo e nem posso julgá-la nem mesmo querendo, porque qualquer decisão que ela tomasse seria difícil. Eu realmente compreendo a decisão dos criadores de fazer silêncio e não julgar Wendy naquele momento, porque qualquer coisa que se fale é a coisa errada a se falar.

E isso dói. 

Esse episódio doeu.

Ainda está doendo.

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* Original: “No, thanks, Lisa. I really appreciate the offer but you’re to fat for me“. **Original: “See? The problem with having fake pictures of yourself  is that you start to believe in your bullshit! This has gone way to far! And if society won’t fix it, I will“.

O Congresso Futurista a.k.a. o melhor filme que vi recentemente

18 de abril de 2014 às 18:05, por

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Tenho uma coisa meio assim-assim com os ditos ‘filmes de arte’: ao mesmo tempo em que acho que podem ser extremamente instigantes e muito diferentes de tudo o que os filmes blockbusters proporcionam pra gente, ao mesmo tempo fico com aquele pé atrás, com medo de me sentir um pouco diminuído por não entender alguma coisa ou simplesmente ficar com preguiça de acompanhar alguma piração sem sentido de um diretor premiado que eu nunca ouvi falar.

Eu estava zapeando pela internet sem nenhuma pretensão maior quando esbarrei com o trailer e o pôster de “O Congresso Futurista”. A princípio, o filme me chamou atenção por dois motivos: em primeiro lugar, por ser baseado em um conto do Stanislaw Lem chamado ‘O Congresso’ – ou seja, é uma ficção científica –; e, em segundo, por se tratar de uma animação (mais ou menos, mas já chego lá). As duas coisas convergiram e resolvi me propor a assisti-lo. Fazia tempo que eu não parava para assistir a um filme, ainda mais um não-comercial.

Foi a melhor coisa que fiz naquele dia.

Vamos ao filme: ele narra a história de uma atriz que já teve seus tempos de glória nos anos 1980/90 e que hoje não passa de uma sombra depressiva de seu passado. E não é uma atriz qualquer: estamos falando de Robin Wright, a eterna Buttercup de Princess Bride, que nesse filme se propõe a fazer uma versão em decadência dela mesma, em um exercício de desprendimento de imagem que não consigo descrever de outra forma que não sensacional.

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Robin mora em um antigo hangar e é mãe solteira de dois filhos, uma menina adolescente e um garoto mais novo que carrega problemas que podem fazê-lo perder a visão e a audição a menos que (caros) tratamentos sejam feitos para evitar que isso aconteça. Ela não tem muitas perspectivas financeiras e se sente culpada por todos os problemas emocionais e todas as escolhas erradas que fez ao longo da carreira.

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“Olá. Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepare-se para morrer”, também conhecido como ‘o-quote-de-princess-bride-que-eu-sempre-repetirei.gif’

É então que seu agente oferece a ela uma nova proposta: o estúdio cinematográfico Miramount (sério, esse nome é sensacional!) deseja que Robin dê a eles o direito sobre sua imagem. Isso não quer dizer que eles querem os direitos autorais sobre os filmes já gravados nem que querem contratá-la para gravar novos filmes. Isso quer dizer que eles querem a imagem dela, e apenas a imagem, para fazer o que quiserem. Para isso, precisarão escaneá-la (corpo, emoções, voz, etc) e estocá-la digitalmente em um chip que servirá aos roteiristas e produtores para que façam o que bem entenderem com a imagem dela. Em contrapartida, ela receberá um gordo cheque e nunca mais poderá atuar na vida.

Entre idas, vindas e curvas dramáticas – excelentes, é claro, e que constituem quase metade do filme –, Robin decide aceitar, contanto que sua imagem não seja utilizada para pornografia. O contrato é assinado, ela recebe o gordo cheque, as mãos são apertadas…

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… e se passam vinte anos.

Apesar da primeira parte do filme constituir quase a metade de toda a duração, acredito que seja apenas a introdução da parte animada, que é realmente o que faz do filme o que ele é. Após esses vinte anos, Robin – agora dona de uma das imagens mais famosas da indústria cinematográfica mundial – é convidada para um congresso do conglomerado empresarial Miramount-Nagasaki. Ao chegar na porta do local, ela recebe uma ampola que deve inalar. A tecnologia de escanear imagens evoluiu ao ponto em que não apenas as imagens são produzidas, mas também as essências das personalidades, essências que são comercializadas e podem ser utilizadas por qualquer pessoa. É por isso que o segurança que está à frente do Congresso diz a ela: “Apenas animações podem entrar. Aqui dentro, você pode ser quem quiser”.

Ao aceitar entrar nesse mundo, Robin nos faz mergulhar em um universo de animação com uma tonelada de referências visuais, e também em uma crítica mordaz e extremamente incisiva sobre a vaidade. Dentro do congresso, vemos personificações de deuses egípcios e gregos, vemos Jesus, Elvis Presley, Che Guevara e Marilyn Monroe; vemos homens alados e magnatas atracados com prostitutas, vemos dezenas de Robin Wrights (que, por ser a mulher mais famosa do momento, possui inúmeros fãs que não desejam apenas ser como ela, mas sim ser ela), e até o Tom Cruise animado faz uma participação especial. É um ambiente que, apesar de colorido, faz com que tudo pareça muito sem esperança.

Paro de falar do enredo por aqui para não acabar caindo nos spoilers, mas basta dizer que a segunda parte do filme acaba se tornando uma jornada de busca. Através das imagens belíssimas e extremamente surreais do filme, vamos percebendo que todo aquele universo que parece belo e completamente harmonioso na verdade está à beira do colapso. Existem certos pontos que podem fazer com o filme dialogue até mesmo com a distopia, mas deixo para que vocês decidam isso por vocês mesmos.

kinopoisk.ru

O que mais me chamou atenção na história, em primeiro lugar, foi o plot. É tipo um ovo de Colombo, sabe, aquela ideia simples e ao mesmo tempo genial que a gente se morde por não ter tido antes. Como já disse mais acima, também me impressionou muito a coragem e o desprendimento emocional da atriz Robin Wright, que interpreta a decadência e o ostracismo dela mesma. Para mim, esse é o tipo de filme que deveria elevá-la novamente aos holofotes, só pela coragem que ela teve de se propor a fazer isso.

Outra coisa que me impressionou bastante foi toda a parte animada. O filme é dirigido pelo Ari Folman, o mesmo diretor do genial e premiadíssimo ‘Valsa com Bashir’, e, apesar de nem sempre as partes animadas fazerem muito sentido ou serem literais, você consegue pescar alguma coisa aqui e ali.

É um filme extremamente ambicioso, e também ouso dizer que pode demorar um pouquinho para você entender o final dele (quer dizer… eu demorei. Não quer dizer que você vá), mas se posso deixar uma recomendação, ela é: assista. Assista até o fim, e se você não gostar pode vir me xingar aqui vamos discuti-lo. Porque ele é esse tipo de filme: aquele que a gente fica falando e falando ao redor de uma mesa, conversando sobre impressões literais e emocionais. É um desses filmes que tenho certeza de que vou querer rever e que, sempre que rever, vou conseguir entender novas coisas. É esse tipo de filme. Então corre lá e vai assistir.

TBR Book Jar – O que é isso?

17 de abril de 2014 às 15:08, por

"Tsundoku: (s.) o ato de deixar um livro sem ler depois de comprá-lo, tipicamente deixando-o empilhado junto com outros livros não lidos"

“Tsundoku: (s.) o ato de deixar um livro sem ler depois de comprá-lo, tipicamente deixando-o empilhado junto com outros livros não lidos”

Decidi semana passada que faria um TBR Book Jar depois de ter visto sobre a ideia em um site americano de resenhas literárias (não lembro qual foi, porque nunca lembro dessas coisas quando preciso) e, quase que na mesma hora, pensei comigo mesma, “por que não compartilhar a ideia com todas as pessoas que conheço e  até mesmo com quem não conheço?”. 

Não sei se tem muitos sites e blogs que divulgaram essa ideia, então já peço desculpas se eu estiver atrasada com a propagação da ideia. Sou um pouco perdida com essas coisas da internet, porque sou bem antissocial na internet e quase não entro em blogs (todo mundo sabe que só entro no NUPE porque escrevo aqui e ainda assim, mal entro D: Sou uma vergonha para mim, para meus amigos e para minha família. Daqui a pouco andarei na rua e vão cantar essa música para mim) e quando entro é para coisas bem específicas (menos o Smart Bitches, moro naquele blog e o tumblr e sites de notícias). Enfim,  de qualquer forma, decidi fazer esse post explicando o que é um TBR Book Jar e para que ele serve (melhor prevenir do que remediar, HAHAHA).

Juro que ele será muito útil e que esse post não será sobre uma das minhas costumeiras inutilidades inúteis, esse é útil DE VERDADE VERDADEIRA MESMO.

SEM ENGANAÇÕES. 

Dito isso, vamos ao que interessa!

O que é um TBR Book Jar? 

Sei que muita gente que frequenta o blog fala inglês e saber o significado desses termos para o português deve ter parecido meio inútil, mas vamos lembrar que uma parcela não fala a língua, por essa razão fiz uma pequena e rápida introdução de termos:

TBR é uma abreviação da frase em inglês To Be Read, que em português é a nossa famosa lista Para Ler, e as palavras book e jar significam, respectivamente, livro e jarro. Assim, em resumo, TBR Book Jar quer dizer, basicamente, Jarro de Livros Para Ler.

Enfim, agora que todos sabem o que LITERALMENTE  significa um TBR Book Jar, vamos para as partes mais legal dele: para que ele serve e como ele  funciona.

"O Jarro de livro"

“O Jarro de Livro”

Para que ele serve? 

A verdade é que ele tem um nome bem auto-explicativo para qual é o seu real objetivo, mas este mesmo nome não explica exatamente COMO é possível diminuir a sua pilha que a cada mês que passa, parece só aumentar (sei como é isso é completamente desesperador!). Acredito que 99,99% da pessoas como eu, adoram ler tenham uma estante em casa (ou no kindle) de livros que compram no calor do momento, mas por um motivo ou outro, tenham deixado esses livros para serem lidos depois. O problema é que com o passar do tempo, aqueles livros continuam ali e a pilha daqueles que estamos para ler magicamente se multiplica como dois coelhos no cio.

A multiplicação dos livros~~

A multiplicação dos livros~~

Acredito que 99,99% da pessoas como eu, adoram ler tenham uma estante em casa (ou no kindle) de livros que compram no calor do momento, mas por um motivo ou outro, tenham deixado esses livros para serem lidos depois. O problema é que com o passar do tempo, aqueles livros continuam ali e a pilha daqueles que estamos para ler magicamente se multiplica como dois coelhos no cio.

É aqui que entra o TBR Book Jar, porque ele serve para nos “forçar” a ler os livros que já estão acumulados em casa há bastante tempo para que essa pilha diminua para criar espaço para mais livros. Mas isso não quer dizer que você não possa comprar mais livros ou pegar livros emprestados nem nada disso (chegarei nessa parte mais para frente).

Pense no jarro como se ele fosse numa resolução de ano novo ou como se ele fosse uma meta que você estabeleceu para si com o intuito de diminuir a lista de livros que você já tem!

Como ele funciona? 

À princípio, você primeiro cria o seu recipiente que funcionará como seu jarrinho, depois você dá um sacudida nele, enfia a mão ou qualquer coisa lá dentro que possa tirar o papelzinho ou tira todas as tirinhas com nomes de livros a serem livros e sorteia o nome do livro que você lerá.

Bem simples, né?

OLIVE APROVA

OLIVE APROVA

A verdade é que o TBR Book Jar funciona de uma forma bem tranquila e as regras de como ele funcionará serão QUASE todas impostas pelo próprio dono. As únicas regras que são estipuladas pela brincadeira é que:

  • Não coloque livros que você GOSTARIA DE LER, MAS AINDA NÃO EXISTEM NA SUA ESTANTE (tipo, você tem que compró-lo para poder ler);
  • Não coloque os livros dos amigos;
  • Livros com prazo de leitura não devem ser colocados;
  • Se você comprou mais livros, coloque o nome no jarro;
  • Se você sortear um livro, é este livro que você lerá (nada de trocar de tirinha até aparecer o que você quer ler, isso é trapaça!!), a menos que você sorteie um que você tenha lido. Daí você retira essa tirinha e pega uma nova.

As outras regras são adicionadas de acordo com a sua necessidade.

Nas minhas regras, decidi sortear um livro do TBR Book Jar até duas vezes por semana, mas isso dependerá de como andará a minha vida, quero ter sorteado pelo menos uma vez por mês. Parece pouco, mas apesar da ideia do TBR Book Jar ser genial, sei o quanto é fácil um hobby acabar se transformando em uma obrigação e o quanto é chato ler um livro quando você simplesmente não está no clima para aquele tipo de leitura. Então, ao estabelecer o quanto você quer ler do “jarro”, não se esqueça de considerar tudo isso.

Ah, e uma meta que coloquei nos livros que sortearei do TBR Book Jar é que escolherei um (ou mais) deles no final do mês para resenhar para o NUPE, para eu tentar manter alguma frequência de postagens. Estou comentando isso porque, caso alguém que escreva em blogs tenha dificuldades assim, pode ser que estabelecer uma rotina dessas ajude? Mas não tenho certeza? =P

Como fazer um TBR Book Jar? 

"Faça o seu próprio TBR Book Jar"

“Faça o seu próprio TBR Book Jar”

Vamos por passos:

1°) Faça uma lista dos livros na sua estante que não foram lidos: só não se esqueça que tem que ser seguindo aquelas regrinhas obrigatórias, viu?

2°) Corte esta lista em tirinhas: o importante é que estas tirinhas possam ser dobradas escondendo o nome dos livros, então você pode dobrar de qualquer forma! A graça é que você pode escrever os nomes de formas enfeitadas e cortar essas tirinhas em papéis coloridos para ficar mais bonitinho dentro do recipiente que você vai usar. Como não tenho papéis coloridos ou com designes bonitos, peguei o velho A4 e escrevi os nomes com canetas coloridas, dobrei e guardei no meu potinho. Eu queria ter pintado o papel com giz de cera, mas a minha mãe doou os meus gizes de cera sem me falar nada…

3°) Arranje um recipiente que funcionará como um jarro: Pode ser um jarro mesmo (transparente ou não) ou um pote de sorvete (vazio, óbvio) ou uma caneca ou uma caixinha (eu, por exemplo, peguei um potinho de alumínio do Sonho de Valsa), a única coisa necessária é que todas as tirinhas caibam. Muita gente usa o TBR Book Jar como um enfeite no quarto ou na estante ou na sala, então o negócio é você saber se ele será apenas funcional ou será ele também será útil e com estilo.

4°) Coloque as tirinhas no recipiente: o melhor é que o seu “jarro” nem precisa ser tampado.

5°) Siga suas regras: mas sem trapacear, hein?? A única pessoa que você engana fazendo isso é você mesma!

6°) Divirta-se!

Para vocês se inspirarem, além de ter usado aquelas duas imagens para o post, separei mais algumas de TBR Book Jars para quando vocês fizerem as suas próprias (ou não XD):

Olha essa que colorida e com aquele potinho super fofo de Frappuccino do Starbucks <3

Olha essa que colorida e com aquele potinho super fofo de Frappuccino do Starbucks <3

Jarrinho com papéis super coloridos~~~

Jarrinho com papéis super coloridos~~~

MEU SONHO É TER ESSA CANECA DE HARRY POTTER E FAZER UM TBR BOOK JAR COM ELA (e outra para beber todas as bebidas do mundo)!!!!

MEU SONHO É TER ESSA CANECA DE HARRY POTTER E FAZER UM TBR BOOK JAR COM ELA (e outra para beber todas as bebidas do mundo)!!!!

GLITTER!!!! <3 <3 <3

GLITTER!!!!

E sabem a imagem do “Como fazer um TBR Book Jar?”?

Ele veio de um vídeo, em inglês, muito legal da Rincey Reads (descobri o vídeo depois da imagem, mas mesmo assim!!). Ela meio que fala como ela fez o jarrinho dela e que ela não considerou alguns problemas técnicos, como não caber a mão dela e sortear uma continuação. Eu mesma não tinha pensado nisso, então farei como ela e sugiro o mesmo para você! Se uma continuação for sorteada e você nunca leu o anterior, vá para o primeiro da série que você não leu, devolva aquele papelzinho para o jarro e conte como se aquele livro que você leu, foi o sorteado.

Não acho que seja trapaça, mas este caso varia para cada um.

Se você sentir que isso é trapacear, coloque apenas o nome dos primeiros livros de séries que você não leu! 

Espero que tenham gostado do post e, mais uma vez, divirtam-se com o seu TBR Book Jar! :)

O tesouro da Encantadora – A Quase Honrosa Liga de Piratas

15 de abril de 2014 às 20:25, por

Autora: Caroline Carlson
Editora: Seguinte
Lançamento: Março/2014

“Cerca de duzentos anos depois da Encantadora das Terras do Norte resolver esconder (quase) todos os objetos mágicos do reino de Augusta,  quando Hilary Westfield, filha do almirante da Marinha Real, decidiu que queria ser pirata, ela nem imaginava que estava prestes a participar da caça ao maior tesouro de todos os tempos. Afinal, tudo o que a preocupava naquele momento era fugir da Escola de Aprimoramento da Senhorita Pimm para Damas Delicadas, onde as jovens da alta sociedade aprenderiam a valsar, desmaiar e se comportar à mesa. Ela queria mesmo era se unir à Quase Honrosa Liga de Piratas. O único problema era que a Liga não admitia garotas em sua equipe de algozes e pilantras, então Hilary teve que fazer seu próprio caminho rumo à pirataria.”

ARR!

Quero dizer, oi pessoal!

Vocês sabem que o pessoal aqui do NUPE tem uma queda por livros infanto-juvenis, né? Então é óbvio que O Tesouro da Encantadora não podia deixar de aparecer por aqui!

A história de Hilary é cativante e muito divertida. Ela acha revoltante que a liga oficial de piratas do reino de Augusta a tenha rejeitado por ser uma menina (!) e resolve virar uma pirata mesmo assim, carregando sua Gárgula junto na aventura, as duas empolgadas pela leitura de “A Ilha do Tesouro” e querendo fazer sua própria história.

O que eu mais gostei no livro foi acompanhar a desconstrução de alguns esteriótipos de histórias infantis (e da própria sociedade). Hilary é a clássica menina-que-odeia-meninas e tem um completo HORROR a uma academia especializada em formar donzelas educadas, que é para onde seu pai quer enviá-la (por conselho da Quase Honrosa Liga de Piratas! Que vexame!). Daí você já acha que o livro inteiro vai ser da Hilary falando “eca, meninas!”, mas nós conseguimos ver como seus pensamentos em relação às habilidades femininas mudam ao longo do livro. Quando chega na Escola de Aprimoramento da Srta Pimm, ela conhece sua colega de quarto, Claire, e vê que nem todas as meninas que querem ser damas da alta sociedade são pessoas ruins. E, mais pra frente, descobre que esgrima é bem parecido com dança.

Girl power!

 

Hilary também entende ao longo da história que a profissão de alguém não faz com que a pessoa seja automaticamente boa ou má. Convivendo com a sua governanta, Srta. Greyson, em um ambiente um pouco mais despojado, ela entende que o que faz uma governanta ser rígida é o seu dever, mas que existe uma pessoa por baixo daquilo tudo. Da mesma maneira, o pirata Jasper não quer uma tripulação de pessoas ruins para o seu navio e só escolhe piratas que pareçam decentes e amigáveis.

Nem todos os reis são bons e justos

Com essas pequenas mudanças de perspectiva, vemos Hilary amadurecer e começar a se desapegar das páginas de “A Ilha do Tesouro” e começar a escrever a sua própria história, mas sem deixar para trás a alegria juvenil que ela tinha desde o começo do livro.

Por falar em alegria e comédia, vamos parar para conversar sobre a Gárgula. Ela é um dos alívios cômicos do livro (se bem que todos os seus personagens tê os seus momentos) e um ponto que eu achei super legal foi a Gárgula ser um personagem feminino. Eu fiquei prestando atenção nisso no decorrer da história porque a primeira coisa que vem na minha cabeça quando penso em gárgulas são gárgulas-homens e não gárgulas-mulheres e, pelo que pude ver em resenhas internacionais, o sexo da gárgula não é definido em nenhum momento na história, então creio que essa foi uma iniciativa do tradutor ou da editora daqui mesmo. E, convenhamos, gárgulas são maneiras demais!

Eu já falei dessa capa linda de morrer? Todos os detalhezinhos da tripulação do Pombo estão representados na ilustração e a editora teve até o cuidado de traduzir o nome do navio no casco para o português (um detalhe tão pequeno que quase passa despercebido).

Se você gosta de histórias empolgantes com piratas e tesouros, além de um ritmo ágil, O Tesouro da Encantadora é perfeito para você. E se você tem crianças em casa, esse livro é um ótima leitura para ser feita em família. Mas esconda as suas jóias, porque os seus piratas vão descobrir o mapa do tesouro mais próximo, assim que a QHLP aprovar a associação deles, e não vão descansar até encontrar o baú de tesouro mais próximo!

 

O segundo livro, “O Terror das Terras do Sul” (em tradução livre) será lançado no dia 9 de setembro de 2014 nos EUA, e a capa MARAVILHOSA (americana) já está disponível no site da autora.

Classificação: cinco moedas mágicas!

Decorando com o NUPE: Quartos

14 de abril de 2014 às 19:30, por

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Hoje (sexta-feira, dia 11/04) eu fui na palestra da linda, fofa e super adorável Bel Lobo, na DECON/MS (Feira de Decoração e Construção do MS). A Bel Lobo tem um nome gigante, é arquiteta e apresenta o Decora, no canal de tv por assinatura GNT. Antes mesmo de ir na palestra eu estava com vontade de fazer um post aqui pro NUPE sobre decoração de quartos, sai da palestra mais louca para fazer isso.

A Bel disse e eu acredito muito nisso: tendências não são para serem seguidas a risca. Você tem que seguir o que a sua intuição manda e o que você gosta. Não adianta você ficar seguindo tendências e no final acabar enjoando da coisa super rápido porque aquilo não era o que você realmente gosta. Seguindo essa ideia, pedi para que algumas meninas de um grupo que eu participo no facebook, me passassem fotos dos seus quartos e me dizerem o que elas mais gostam neles. No final eu falo um pouco sobre o meu e minhas ideias para terminar de decorar ele. Na próxima parte eu vou postar só sobre objetos individuais, quais são as suas utilidades, quanto custam e links de sites de compra.

A maioria das meninas disse que gostaria de colocar pisca-pisca de natal na decoração dos seus respectivos quartos. Vejo tanta foto legal no tumblr, que eu também gostaria muito de fazer isso, mas ainda não consegui pensar num jeito legal de fazer isso. A Lais, que já colaborou aqui no NUPE, passou a foto do quarto atual dela que tem pisca-pisca na cabeceira da cama.

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“Meu quarto aqui está sem graça ainda, eu gosto dos meus quadros da Disney que achei numa feira de pulgas (peter pan e branca de neve e são originais da disney mesmo) e das luzinhas na cabeceira da minha cama”.

Um quarto com a decoração completamente diferente e que também utiliza os pisca-pisca é o de um filme chamado Daydream Nation, com a Kat Dennings.

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Saber aproveitar o que se tem em casa também é uma coisa muito legal. Pegar um objeto que não tem mais uso e que seria descartado para ser reaproveitado na decoração é sempre legal. Se você tá começando a sua casa e não tem nada para reaproveitar, brechós são os melhores lugares para encontrar coisas que podem ser reaproveitadas com uma função completamente diferente. Por exemplo, a Eloisa usou um frigobar velho como armário para suas maquiagens e fez a “lata velha” voltar a ter uma utilidade. Ela também tem no quarto dela uma estante feita de escadas e disse que na decoração do quarto dela, tudo o que é diferente é o que ela mais gosta.

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Para os casos “mas meu quarto é pequeno e não tem espaço para nada”, é sempre bom lembrar que ultimamente, com o aumento de apartamentos cada vez menores, várias empresas estão se especializando em criar móveis que são multifuncionais. Camas com escrivaninhas, camas com guarda-roupa e etc. Se você precisar e puder investir, eu recomendo bastante que você procure por informações sobre na sua cidade. Vale bastante a pena para ter um cômodo agradável e completamente útil. Para saber um pouco mais sobre esses móveis multifuncionais, é só clicar aqui, aqui, aqui e aqui.

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Foi quase unanimidade no grupo a questão “queria ter um mapa mundi na parede”. Eu também gostaria de ter um. Assim como gostaria de ter um quadrado de quadro negro ou de lousa branca (provavelmente o segundo já que tenho alergia à giz).

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Quarto da Isabella Picazo.

Outra Laís, agora Guimarães, passou a foto do quarto dela e nele tem uma coisa que eu queria muito falar: tecido. A parede do quarto dela é forrada com tecido. Sabe quem fez? Ela e a mãe dela. Eu quis fazer esse post para mostrar que não é preciso gastar horrores para decorar. Tem tantas soluções baratas se você botar a mão na massa. Não só com tecido, mas também dá pra decorar a parede com papel contact ou até mesmo pintando alguma coisa legal. E no quarto dela, ela usou as luzes na estante! Outra maneira de usar aquele artigo que fica o ano inteiro guardado esperando pelo natal.

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“1. super bagunças em cima da cama. 2. meu amado quadro de friends 3. parede decorada com tecido colado por mim e mamai 4. um espelho rosa e fofo usado como desculpa pra eu querer aparecer 5. bagunças de fios de tv, videogame, dvd e sky 6. estante com luzinhas ♥² 7. mesa/bagunça do computador 8. o pikachu pq é o pikachu ♥³ e 9. minha cortina pq ela tem todas as cores que mais amo no mundo.”

O passo a passo da parede de tecido:

1. escolher o tecido – não pode ser um que estique, senão ele pode enrugar. 
2. Comprar cola branca suficiente pra cobrir a parede escolhida.
3. Comprar o tecido na medida certinha da sua parede, no caso de precisar fazer emenda, cuidado na hora de tecidos estampados.
4. Diluir a cola branca em um pouco de água (a medida é mais de olho, não pode ficar muito rala.. é só pra deixar a cola mais maleável na hora de pincelar na parede).
5. Aplicar a cola em mais ou menos 2 palmos e com a ajuda de uma pessoa cobrir esse pedaço com tecido… mais 2 palmos, mais tecido… e assim até cobrir toda a parede.
6. Depois é só cortar com a ajuda de um estilete os lugares onde tem tomada e/ou interruptor e as laterais, caso haja sobra.

 

Agora, finalmente, o meu quarto. Eu sempre dividi o meu quarto com a minha irmã, por isso só tem foto de um ângulo dele: eu só arrumei o meu lado e pronto. Agora que ela saiu de casa, pretendo mexer com o resto para finalmente ter uma escrivaninha e prateleiras do outro lado dele. Ele tem três paredes brancas e a parede da janela, que fica de frente pra porta, é verde bebê/piscina/como você quiser chamar. Ele tá com essa cor tem 3 anos, porque meu irmão estava reformando a casa dele e quando o Dudu nasceu, ele ficou no meu quarto até a casa ficar pronta e meu irmão pintou ele dessa cor. É, pois é. Eu queria um azul turquesa e pretendo pintar ainda esse ano, ou ok, ano que vem.

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Ignorem a minha cama bagunça, obrigada.

Os nichos que tem em cima da minha cama, eu mandei fazer com um marceneiro aqui perto de casa. Eles custaram 150 reais cada um e medem 130cm x 45cm x 30cm. Por serem parafusados na parede, aguentam bastante peso (várias pessoas me perguntam se eu não tenho medo de morrer sufocada por eles). Eu mandei fazer com essa medida já baseada no meu maior livro e meu amorzinho: As Crônicas de Nárnia.

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1 – Dá pra ver a distância e o tamanho dos nichos. 2 – Não dá pra ver muito, mas o número tá em cima do volume de Nárnia. 3 – Meu cantinho da Disney. 4 – Meu cantinho das kokeshis/Japão. 4 – Meus dvds, meus minions e o Pikachu!

A prateleira que tem do lado da minha cama, eu tenho desde o ano passado. Eu vinha pedindo outra prateleira pra minha mãe fazia séculos, porque os livros estavam abarrotados nos nichos e eu queria comprar mais e mais, mas não tinha mais aonde por. Aí um dia ela viu que um conhecido estava vendendo uma prateleira comum de alumínio, cortada na metade, por 50 reais. É óbvio que ela não ia deixar a oportunidade passar, né. Minha mãe pintou ela de branco com um compressor e me deu. Fui numa papelaria e comprei um papel contact decorado e comecei a luta para forrar as divisórias. Foi tão chato de cortar e colar evitando as bolhas que até hoje eu não fiz o último nível. Shame on me.

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“Antes” e durante.

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Depois. Sim, eu cortei o nível mais baixo na foto para vocês não verem o meu cantinho da bagunça e a falta de bolinhas.

Eu amo aquelas promoções nem um pouco baratas de cinema. Mas só fui começar a deixar de ser mão de vaca agora depois de velha e ainda assim só compro se a coisa for realmente legal (para mim). Comprei um balde do Batman no Cinépolis, depois comprei um copo de Em Chamas no UCI. O balde de pipoca de E O Vento Levou… eu comprei numa Multicoisa da vida, mas entra nessa parte também. Eu queria usá-los para decorar e não parar comer, não gastei dinheiro com eles para ficar estragando com comida/lavagens. O que eu fiz: fui nessas lojas de flores artificiais e montei arranjos para colocar nesse baldes/copo. Eu AMEI o resultado e preciso comprar mais porque no final das contas o que eu comprei foi pouco, portanto, se você achar que tá bom, compre mais, as flores só ficam legais se forem MUITAS.

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Eu tenho um board no meu pinterest só com pins de decoração de quarto e se vocês quiserem ver para pegar inspirações é só vir aqui. Espero que vocês tenham gostado e que tenham se inspirado em dar uma decorada nos seus quartos. Até a próxima parte :)

Bell Assiste: Kamigami no Asobi #1

13 de abril de 2014 às 16:45, por

Sim, essa é uma escola de deuses.

Sim, essa é uma escola de deuses.

Então, toda temporada de anime eu sempre penso em acompanhar um anime e fazer recap de todos os episódios aqui no blog pelo simples motivo de que RECAPS SÃO DEMAIS (a Chell é a mestra dos recaps de anime,leiam). Eu sempre uso o Gyaboo e seus guias para ver quais animes me interessam, mas nunca realmente vejo os animes, sabe? Porque não baixo. EU ODEIO BAIXAR COISAS, MEU DEUS DO CÉU, PQ NÃO TEM STREAMING DE TODAS AS COISAS?

Mas daí veio essa temporada, e eu vi esse anime chamado Kamigami no Asobi, com a seguinte sinopse:

A história gira em torno da heroína Yui Kusanagi que é ordenado por Zeus, um deus e o diretor de uma escola que ele criou, para ensinar o significado do amor aos jovens e belos deuses. A razão que ele tem para fazer isso é cancelar os efeitos negativos do vínculo enfraquecido entre o mundo do divino e o mundo dos humanos.

OLHA ESSA SINOPSE, GENTE. SÓ LÊ ESSA SINOPSE. É a história de uma menina que vai para uma escola de deuses (??????) ensinar para eles O SIGNIFICADO DO AMOR.

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Ou seja: DEVE SER ADORAVELMENTE RUIM. Ou seja: EU DECIDI AUTOMATICAMENTE QUE VOU ASSISTIR. Além disso, é um anime de harém ao contrário, que sempre é engraçado e faz você shippar tudo e todos. Exatamente o tipo de diversão descompromissada que todo mundo precisa na vida, né.

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Bishounens! Bishounens everywhere!!!

Com um pouco mais de pesquisa, descobri que o anime é baseado num jogo de simulação de namoro voltado para meninas, desses que é bem popular no Japão. Nesses jogos, normalmente você é a personagem feminina principal e tem vários garotos que podem ser seu interesse romântico, do desajeitado ao esquentadinho, passando pelo príncipe e pelo garoto picolé e o esportista. Os tropes são bem parecidos tanto nos voltados para meninas e nos voltados para meninos. Eu já joguei Tokimeki Girl’s Side, mas vamos falar sobre a experiência no futuro (Ou não, vamos esquecer isso porque EU TERMINEI O ENSINO MÉDIO COM ÓTIMAS NOTAS, MAS SEM UM AMOR ETERNO, O QUE SIGNIFICA QUE PERDI O JOGO).

CAHAM. Kamigami no Asobi está com exibição simultânea no Crunchyroll, então como eu sou uma pessoa extremamente responsável, ontem decidi que iria assistir o primeiro episódio em vez de revisar Anômalos 2. Sim, quem precisa revisar o livro que está com uma deadline bem próxima quando se tem um anime sobre deuses aprendendo sobre o amor numa escola?

*Aviso: esse recap tem spoilers. Se você não se importa com spoilers ou se não quer ver a série, pode continuar lendo sem problema.*

O primeiro episódio começa com uma das cenas de abertura mais toscas e impressionantes que eu já vi na minha vida. Sério, tem umas pessoas lutando, a Yui, nossa protagonista, correndo, um close na bunda dela e UMA SEQUÊNCIA DE TRANSFORMAÇÃO DE UM DOS DEUSES, TIPO SAILOR MOON. É UMA DAS MELHORES COISAS QUE A HUMANIDADE JÁ FEZ. Você duvida? Olha aí:

APENAS. MELHOR. COISA. OBVIAMENTE JÁ AMO O APOLLON.

Eu juro que não entendi nada a primeira vez que vi essa abertura, então quando o episódio acabou, eu voltei e aí sim as coisas fizeram sentido. Então se vocês começarem a assistir e ficarem com a maior expressão WTF que já cruzou suas faces, não estranhem. É assim mesmo. Eu achei legal que a mensagem que essa cena passou para mim foi “Olha só, a gente não se leva a sério! Não nos leve tão a sério assim!” e aí foi só diversão.

Ok, depois dessa cena de abertura, o anime corta abruptamente pra Yui treinando kendô na escola. A gente descobre algumas coisas sobre ela aí: ela está no fim do segundo ano, nasceu num templo shintoísta mas não é a herdeira, não faz ideia do que fazer no futuro. Ela parece ser meio genérica, mas se você pensar que as pessoas tem que se identificar com ela, quanto mais genérico melhor, né? Enfim, eu sei lá como, ela acha uma espada no tempo e depois de uma luz bizarra, ela é levada para um lugar desconhecido e, óbvio, vaga por aí tentando procurar sinal de celular.

Daí ela encontra umas pessoas esquisitas, sabe. Todas as vezes que ela fala com eles, eles param em poses sedutoras e flores surgem no fundo, com um mural esquisito. É muito misterioso e místico, não sei como ela não repara que eles são deuses antes.

Um exemplo. Esse é o Hades, minha gente.

Enfim, a maior parte dos garotos só é esquisito e críptico, mas ela descobre aos poucos que eles também foram teletransportados para lá sem saber porquê. Quem será a pessoa que sequestrou a galera? Antes de descobrir a resposta, ela encontra o Baldur, Aquele Que Não Tem Joelhos, porque ele cai umas 79 bilhões de vezes nos 2 minutos em que eles conversam. Óbvio que já rola o momento obrigatório de todos os animes, A Queda Esquisita:

EU NÃO VOU SHIPPAR, NÃO VOU SHIPPAR, NÃO VOU SHIPPAR

Repita comigo o mantra: EU NÃO VOU SHIPPAR, NÃO VOU SHIPPAR, NÃO VOU SHIPPAR

Enfim, ela descobre que o J-rocker de cabelo vermelho é o Loki e logo depois (ou foi logo antes? OH MEU DEUS EU VI ONTEM E JÁ ESQUECI), conhece Zeus, que é extremamente parecido com o pai dos meninos de Full Metal Alchemist, e ele explica que ela está lá para mostrar o que é o amor para aqueles deuses, que se afastaram da humanidade e não tem empatia com ela e tal.

Tipo. Zeus. Querendo ensinar o que é amor pra alguém. AHAHAHAH.

Enfim, a melhor parte dessa cena é que para provar que é um deus, Zeus se transforma num shota:

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Sério, quem foi que fez essa roupa? A Tomoyo, de Sakura Card Captors? Enfim, eu sei que aparece um Cara Misterioso de Óculos que diz que nada vai dar certo, o que é óbvio, né, então eu já gostei dele.

De qualquer forma, eu fico pensando em como a Yui foi insolente com Zeus e não sei como ela sobreviveu, provavelmente porque ela é A Escolhida ou algo assim. Até aí, a gente já conheceu 5 deuses, e todo mundo sabe que são 6 por causa da imagem promocional e o cara da transformação ainda não apareceu, então falta ele. E, sabe, na mitologia grega Apolo é o sol e coisa e tal, então nesse anime não tinha como ele ser menos espalhafatoso, né? Quer dizer, ele tem uma transformação.

O encontro dos dois acontece assim: A Yui percebe que foi burra e que só está viva porque Zeus quis, ajoelha na grama e TCHARAN, APARECE UM CARA GATO.

Nossa, olha só, margaridas e girassóis. Ninguém suspeita que ele é o deus do Sol

E aí ele se apresenta e tudo o mais e PUXA ELA PARA UM BEIJO:

tumblr_inline_n3vyeuPwv81r5ivy8E O EPISÓDIO ACABA.

TIPO.

O QUE ACONTECEU?

O QUE ACONTECEU?

Quando achei que o negócio tinha acabado, ele me joga esse encerramento que é… é…. bem… diferente (claro que parei para assistir mais uma vez, porque UGH SOU RIDÍCULA):

Enfim, conclusões:

1) O anime superou todas as minhas expectativas do quão tosco ele seria;
2) Eu gostei muito;
3) NUNCA acabem episódios desse jeito;
4) Eu descobri que tem os deuses egípcios no jogo e o Anubis é um pitel, ME DÊ ANUBIS, ANIME!!!!!!!
5) Vou continuar vendo e, se tudo der certo, fazendo recaps.

É isso. Quando esse post sair, o segundo episódio já vai estar no ar no Crunchyroll e com certeza eu já vou ter assistido (e quem sabe, feito o recap!?). Por favor, venham nessa empreitada comigo, juro que será divertida, ahahaha.

Até semana que vem.

Extraordinário – R.J. Palacio

12 de abril de 2014 às 19:00, por

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“Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor”.

 

 

Comprei Extraordinário ano passado, mas por saber que iria ser um livro muito tocante, enrolei horrores para criar coragem para ler. Enquanto eu lia, eu senti que precisava passar esse livro para os meus sobrinhos, então, logo que terminei, entreguei o livro pra minha cunhada e imediatamente ela começou a ler para eles. Ela lia antes para poder saber o que enfatizar na hora de ler em voz alta para eles. Uns dias depois ela chegou aqui dizendo que queria me matar porque não conseguia parar de ler, chorar e acabou indo dormir depois das 2h da madrugada. Eles demoraram umas duas semanas para ler tudo, até porque eles pediam para ela reler algumas partes e ela explicava o que eles não entendiam.

O Leandro tem 8 anos, está no 3º ano do Ensino Fundamental, e o Felipe tem 4 anos, completa 5 no final de Maio e está no Nivel 3 da Educação Infantil. Essa resenha não é bem uma resenha porque foi feita pelo Leandro, ela está CHEIA de spoilers desde o começo, então, só leia se não tiver problemas com isso!

***

A primeira coisa que eu me lembro, foi que ele nunca foi pra escola. Quando a mãe dele levou ele pra escola, o único amigo dele foi o Jack e aquela menina que eu não lembro o nome (Summer). Ai, deixa eu me lembrar… Ai o Jack sentou com ele na primeira aula. Eles eram melhores amigos, mas no dia do Halloween algo muito estranho aconteceu… O August foi com uma máscara de sangue falso e viu duas múmias e um outro guri. Ai ele ouviu que um era o Jack que estava falando uma coisa muito feio sobre ele, mas eu não vou falar porque é muito triste.

Quando eles eram crianças, o August foi numa sorveteria com a irmã e a babá. Ai o Jack viu que o August estava do lado dele, e soltou um berro muito alto, mas o August não ouviu, mas irmã dele, Olivia, sim. A babá do Jack saiu correndo com ele e o irmãozinho dele com vergonha e falou que ele tinha que sempre agradecer a Deus por ser perfeito.

Ai o August saiu correndo pro banheiro para chorar, né. Ai deixa eu ver, depois de alguns minutos ou duas horas, ele foi pra enfermaria e disse que estava com dor de barriga. Ai a enfermeira chamou a mãe dele para ele ir pra casa. Eu fiquei triste, mas eu acho que o Jack não fez de propósito, acho que foi por algum motivo, mas sem querer.  Ai a mãe dele perguntou se ele queria pegar doces e ai pediu um lanche de queijo quente com leite com espuma.

Ai a irmã e o pai dele chegaram com uma surpresa, já que a cachorrinha Daisy morreu e ele tinha ficado bem triste. Ai a surpresa era outro cachorrinho, chamado Urso, porque ele parecia um urso filhote.

Eu gostei de quando ele e o Jack voltaram a ser amigos. Teve uma parte que o Jack deu um soco na cara do Julian, aquele chato. Mas a minha parte favorita, foi quando o senhor Buzanfa falou que saiu um dente do Julian, mas ele falou com a enfermeira e ela disse que era só um dente de leite.

O acampamento teve uma parte meio perigosa, que eles foram pra mata e passaram dos cones de onde eles deveriam ficar. Ao invés de fazer xixi numa árvore, eles foram procurar uma árvore perfeita. Mas estava tão escuro que eles não enxergavam mais nada. Alguns garotos e umas meninas estavam fazendo algo que não deveriam fazer. E não queriam que os professores vissem. Ai um dos garotos sem querer brigou com os amigos do August, ai os meninos saíram correndo e o August perdeu o aparelho de ouvir e ele começou a ouvir os barulhos do oceano. Eles voltaram para procurar mas não acharam nada. Eu não gostei muito dessa parte, porque fiquei com medo. Eram meninos do 7º ano contra meninos do 5º ano, eles iam perder fácil, é óbvio.

Minha parte favorita, foi quando ele nasceu. Tinham duas enfermeiras: uma bem boazinha e uma bem chata, que soltava pum. E um enfermeiro desmaiou quando o viu a primeira vez. A enfermeira que soltava pum, soltou o pum mais fedorento e maior pum do mundo dos puns da terra. Ai por causa do fedor, o enfermeiro acordou.

Na formatura, ele ganhou o maior premio. Eu me senti orgulhoso dele, porque ele ganhou o premio mesmo com a cara dele porque ele é simpático e bom. E para ser bem sucedido, você tem que ser bom e gentil.

Umas das partes que eu mais gostei, foram os Preceitos do Sr. Brown. Porque eles eram bons e passavam de mensagens de educação e gentileza para os alunos. O que eu mais gostei foi:

Se você tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.

Ainda tem muita coisa que eu não consigo me lembrar mais nada, mas é tudo muito legal.

***

A parte que o Felipe mais gostou foi da vez que eles jogaram pedra, papel e tesoura, igual o Leandro e o Vitor(amigo deles) no acampamento para escolher em qual cama eles iam ficar e o August ganhou. Segundo ele, foi um livro bem divertido e logo depois que eles acabara de ler, ele pediu para lerem de novo.

***

Meus sobrinhos brincam bastante na rua da casa e logo depois que eles começaram a ler Extraordinário, um dos vizinhos levou um amiguinho novo para brincar com eles. Esse menino teve um problema durante a formação no útero e nasceu sem braço. Minha cunhada disse que foi muito legal ver todas as crianças da rua brincando com ele normalmente, sem fazer igual os alunos da escola do August que inventaram aquela brincadeira sem noção de “a praga” ou fazendo comentários sobre.

A mensagem que o Leandro mais gostou no livro, é também a minha preferida. Se vocês tem criança em casa, ou conhecem alguma nessa idade escolar, recomendo bastante a leitura desse livro. É super comum o bullying na escola e esse livro mostra de um jeito muito legal para crianças, que o bullying não é tão legal quanto eles podem achar que é.

 

Capitão América: O Soldado Invernal

11 de abril de 2014 às 17:11, por

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Eu, LITERALMENTE, acabei de assistir O Soldado Invernal.

(assim, tão literalmente quanto ter um post publicado no dia seguinte pode ser)

Ainda estou um pouco sem palavras, mas queria tanto fazer um post falando o quanto esse foi o melhor filme da Marvel dessa saga que eles vêm lançando para o cinema desde O Homem de Ferro que aqui estou eu, em plena madrugada, escrevendo este post.

Essa resenha não terá spoilers, então acredito que dá para lê-la tranquilamente. Contudo, como já disse incontáveis vezes (e com o risco de soar como um disco arranhado), o que eu não acho que seja spoiler, pode ser spoiler para você. Assim, a partir daqui, o risco é único e exclusivamente SEU.

Muita gente tem preconceito com o Steve Rogers, o Capitão América, por assumir que ele representa o imperialismo americano (eu entendo, há muitos anos, essa pessoa era eu) e tenho a impressão que esta é a razão de Capitão América: O Primeiro Vingador ser completamente subestimado pelo público.

Não. Melhor. Apague isso.

Acredito que este é o motivo do Capitão América ser subestimado completamente dentro da equipe dos Vingadores e como herói em geral, e não apenas o seu filme. Particularmente, penso que isso é uma injustiça completa, porque os valores do Steve são admiráveis: ele luta pelo mais fraco, pela liberdade, pela justiça, pelas oportunidades iguais. Como pessoa, Steve não faz cegamente o que o governo americano manda, até porque ele não representa o governo, ele é uma representação de como a população americana quer e deve ser, tanto é que várias vezes o Capitão América bateu de frente com o governo (vide a cena Avengers que Tony e Bruce falam algo para ele e que ele não acredita, mas ele vai atrás mesmo assim para conferir e vide o arco inteiro da Guerra Civil).

E, por favor, o homem não é líder dos Avengers à toa.

Mas não é esse o ponto.

O que quero dizer neste momento é para não subestimarem esse novo filme do Capitão América e nem mesmo o Steve Rogers, porque O Soldado Invernal é um retrato do que acontece quando você simplesmente desdenha algo por assumir que tudo é preto e branco, sem lembrar daqueles tons de cinza que existem no meio.

O filme meio que mostra a saga do Steve se ajustando a este novo mundo para ele no pós-invasão (e nos pós-Segunda Guerra, porque o pobre homem foi descongelado há pouquíssimo tempo, convenhamos), trabalhando para a S.H.I.E.L.D. e assumindo e que o trabalho dele para a agência é somente para o bem das pessoas e da sociedade. Entretanto, a vida não é um mar de rosas, então, tudo fica de cabeça para baixo para o Capitão quando Steve percebe que nem ele sabe completamente QUAL o trabalho dele na agência e que talvez, talvez, ele esteja em um ninho de cobras.

E isso é o máximo que estou disposta a soltar sobre o enredo, até porque a graça do filme é descobrir o que está acontecendo (muita coisa era óbvia para mim, mas sou insuportável e não conto) e quem está do lado de quem.

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O que mais gostei na história é que esse é um filme que me fez refletir (novamente) sobre o que é questões bem importantes e atuais: “Devemos abrir mão da nossa liberdade e privacidade em prol da segurança ou optar pela nossa liberdade e a privacidade mesmo que isso se torne um risco para nós mesmos? Qual é o papel do Estado nisso? Qual é o limite entre invasão de privacidade e proteção dos seus cidadãos? Como este limite é traçado?”. Com todos os escândalos de espionagem de chefes de Estado e dos próprios cidadãos que apareceram no ano passado, acredito que essas sejam questões bem válidas a serem discutidas, ainda que, no filme, a posição do Steve seja bem clara (e meio que concordo com ele, mas com ressalvas).

Quanto aos personagens e suas relações, não tenho nada a reclamar. Não houve nenhuma relação forçada como acontece na maioria dos filmes em que o herói PRECISA de um par romântico quer a história peça por isso ou não. Quase chorei de emoção ao ver não tacaram a Viúva Negra como o amorzinho do Capitão América simplesmente porque eles têm uma química inegável entre si (isso seria descaracterizar os personagens, cagar com o enredo e ofender os fãs), eles são apenas ótimos amigos e meu brotp eterno (mas o Steve é tão adorável que ele pode ter bromance com qualquer personagem).  E falando em bromance…

 

O que foi o Anthony Mackie como Sam/Falcon??? Aquelas asas, aquela atuação, Falcon e o Steve virando BFFs… FOI LINDO. ME EMOCIONEI. QUERO MAIS INTERAÇÕES ENTRE ELES. QUERO O FALCON VOANDO ETERNAMENTE.  E foi ótimo para o Steve ter alguém como o  Sam e a Natasha, porque depois de toda o drama com o Bucky, ele precisava de amigos assim do lado dele.

"À sua esquerda"

“À sua esquerda”

Ainda em relação aos personagens, penso que o único que não foi bem aproveitado foi a Maria Hill. Ela apareceu, ela sumiu, ela apareceu e não senti todo o potencial dela (e não me venham falar que com a Sharon foi a mesma coisa, porque o caso dela é completamente diferente). E o Alexander Pierce poderia ter um pouco mais de desenvolvimento, mas foram apenas duas horas de filme, não tem como forçar a barra.

Assim, gostaria de agradecer ao staff que faz o casting todos os dias por terem feito uma ótima seleção de atores, principalmente o Chris Evans como Capitão América. A atuação dele é simplesmente perfeita. Assim, como a da Scarlett Johansson como Viúva Negra, e Sebastian Stan como o Soldado Invernal (oi, ele quase arrancou meu coração com as lembranças). Ótimos, ótimos atores. Para mim, eles foram os melhores. Claro que todos atuaram perfeitamente bem, mas esses três foram destaques na minha opinião!

E, UGH, PRECISO DECLARAR MEU ORGULHO PELO TRABALHO DOS RUSSOS (Anthony e Joe) COMO DIRETORES: ESTOU ORGULHOSA, JOE E ANTHONY. ORGULHOSA.

Tenho um amor por esses dois tão grandes desde Community  (e agora que descobri que eles dirigiram os melhores episódios de Arrested Development, meu amor é maior) que vê-los dirigindo um filme desse porte, garantindo a direção do terceiro filme do Capitão, foi como ver meu filho crescer e se dar bem na vida (nunca tive um filho, mas se eu tivesse, me orgulharia assim, sabe?) (sério, quando li elogios sobre a direção deles em O Soldado Invernal, sentia que o elogio era para mim também). Quem assistiu os episódios dirigidos por eles em Community e em Arrested Development sabe que eles não desperdiçam nenhuma cena e no filme do Caps nada foi desperdiçado ou em excesso (alguém lembra da luta do Batman e do Bane em O Cavaleiro das Trevas? Acho que dormi naquela luta). 

Deu para perceber que amei o filme, né? 

silly

Queria falar mais, mas como prometi não soltar spoilers, sou obrigada a parar a minha resenha aqui. 

Ah, antes de ir embora, ouçam meu conselho E FIQUEM ATÉ O FINAL. DEPOIS DOS CRÉDITOS. Vai parecer que não vai ter mais nada por conta de uma certa cena, mas na verdade TEM, não se enganem.

E o trailer, vejam o trailer!

Classificação: Cinco águias da liberdade

Dayse & Trash Adventures: Um Post Imenso Sobre Diário da Princesa

10 de abril de 2014 às 19:36, por

diario

1Vamos começar com retrospectiva! Quando você conheceu O Diário da Princesa? Fique à vontade para usar recursos audiovisuais pra fazer a gente realmente sentir a década passada. Estava tocando Avril Lavigne quando Meg Cabot entrou na sua vida? SIM? NÃO? Flashback!

2Eu tinha doze anos e já tinha visto poster do filme num passado não muito distante. Aí estava passeando numa feira do livro que minha escola costuma ter de dois em dois anos,  e um dos estandes estava vendendo O Diário. Nossa tarefa era comprar pelo menos um livro na feira pra fazer um trabalho sobre. Isso mesmo, eu ganhei nota pra ler O Diário da Princesa. Detalhe: no ano anterior eu tinha ganhado nota pra ler Harry Potter. HEHE. Enfim, eu fiquei fã, e a partir de então fiquei ligada nas continuações e lançamentos e etc. Eu lembro que quando o quarto lançou eu estava tão desesperada que ligava na livraria todo dia pra saber se tinha chegado, e quando chegou eu disse desesperada “RESERVA UM PRA MIM” e a menina ficou “ok…” e eu disse desesperada pra minha mãe “TEMOS QUE IR AGORA!!!!11″ e minha mãe me achou exagerada, mas me levou mesmo assim. Cheguei lá e disse “eu deixei um livro reservado agorinha…” e a menina “O Diário da Princesa?” e eu “sim!” e a menina andou até uma mesa onde tinha uma pilha com uns 50 livros roxinhos e eu fiquei super “…obrigada”, me sentindo uma idiota por ter sido tão desesperada.

1Estava em Recife — devia ter uns onze anos? — e família & eu fomos à Cultura do Paço Alfândega, que era de LONGE a maior livraria que eu já tinha visto até então. E lá estava O Diário da Princesa em toda sua glória. Foi um dia muito bom! Li tão rapidinho quanto se lê um livro da Meg Cabot, independente da idade. (Tempos depois, até quando estava lendo livros dela que estavam me causando certa irritação — e a frequência desse sentimento foi crescendo ao longos dos anos até eu decidir parar de ler Cabot, apesar de ter aberto uma exceção esse mês —, eu NÃO CONSEGUIA parar de ler. O que é essa magia?)

Adiantando uns dias: na viagem de volta, a gente parou numa praia. Não estava muito na vibe da coisa toda e aí fui ao carro pegar meu adorável volume rosa. Ainda sinto uma sensação boa quando me lembro, aquela tranquilidade de passar páginas enquanto sentada em uma cadeira de plástico, os pés na areia. E de não me sentir entediada, apesar de que, sabe, eu tinha lido aquela história fazia nem uma semana.

Muitos, muitos séculos depois (menos hiperbolicamente, semana passada): decidi terminar de ler a série! Tinha parado no sexto, lá por 2007. E pra falar a verdade, não tenho a menor memória de como cheguei à conclusão de que eu precisava fechar tal etapa da minha vida. Você se lembra…?

2Foi por causa do meu post sobre romance. Imagino que minha menção à Michael/Mia te trouxe boas lembranças e você decidiu concluir esse ciclo. A PROPÓSITO, suponho que devamos avisar pessoas que estão lendo de que spoilers são inevitáveis, mas, MAIS DO QUE ISSO, se você leu essa série há muito tempo e guarda uma lembrança boa e quentinha daquela época, TALVEZ você não queira ler esse post. Porque assim como a pílula vermelha de Matrix, pode acontecer de certas percepções serem despertadas em você e talvez suas memórias boas acabem ficando um pouco mais amargas (como ficaram pra mim) (mas no geral acho que ainda posso dizer que sou fã de O Diário da Princesa. É só aquela questão clássica de “POR QUE DEZ LIVROS?”, que na verdade tive até enquanto lia a série.)

1 Ah, é! O post sobre romance. Então, sim, eu disse, ei, sabe de uma coisa, é hora de terminar de ler! Tinha largado sem intenção, era só o fato de que mais livros interessantes iam surgindo na minha existência e a vida da Mia já não parecia ter aquele brilho do primórdio. E mais pra frente peguei enjoo da bibliografia Cabotiana num geral.

Dayse, sendo Dayse e cheia de altos sonhos, quis também aproveitar a empreitada, e sugeriu que a gente (re)lesse desde o começo. Pra realmente termos uma EXPERIÊNCIA. Eu, sendo eu e cheia de preguiças, disse NÃO, VALEU. E lá fui ler só Princesa na Balada, Princesa no Limite, Princesa Mia e Princesa para Sempre. Portanto, minhas memórias dos primeiros são um tanto borradas. Confio em sua capacidade de recapitulação, Dayse.

2O Diário da Princesa: OK. Então da primeira vez que eu li, eu lembro de três coisas específicas: eu achava a Mia muito engraçada, eu adorava as listas e odes que ela escrevia, e eu era muito fã da Tina. Sei que li os livros umas três vezes nessa mesma época (entre os 12 e 17 anos) mas não me lembro de ter tido nenhuma reação de “wow, nunca tinha percebido isso antes!”.

Quando li o livro recentemente, porém, eu me lembrei de outras coisas de que eu gostava muito: o Mr. G, o grupo de amigos diversificado da Mia (mais sobre eles em breve), o Lars e o Wahim (guarda-costas da Tina!), os pais da Mia (eu tenho uma afeição muito grande com o pai dela!), o Rommel (o cachorro doente da Grandmére), e até mesmo a própria Grandemére, pelo fator cômico da coisa. Foi bom lembrar dessas coisas, foi bom rir de piadas que eu tinha esquecido. Foi bom, foi bom. Eu estava aliviada pelo fato de que, pelo menos nesse livro, as minhas memórias não precisavam ser manchadas com verdades amargas.

1Certo. Certo. A primeira frase do primeiro é sobre como parece que tudo que a Mia faz é mentir. Isso é muito profundo em algum nível. Michael é fofo. Coisas acontecem.

A Tina é mesmo a mais descolada.

Segundo: Mia tem um admirador secreto! É O KENNY! Coisas acontecem.

Coisas… boas? Ruins? Coisas!

2Vamos analisar por um segundo a personalidade da Mia, shall we? Isso vai ser importante para questionamentos existenciais mais tarde.

Ela tem 14 anos, em certas formas age como se fosse a adulta de casa (mãe dela é uma artista que não tem muita cabeça para fazer coisas triviais como pagar contas). Mas no geral ela é bem dramática e imatura. Por enquanto, esses traços são apenas engraçadinhos. Dão um charme. Não é nada que te faça arrancar os cabelos frustrada, é só algo que te faz balançar a cabeça sentindo pena e pensando “oh, Mia”.

Ok, aí no livro dois aparece o Kenny, que tecnicamente é o primeiro teste de caráter da Mia. Isso fica mais claro no livro três, mas basicamente no segundo a Mia fica toda chorosa, porque todas suas amigas têm namorados e ela não, e ela fica com aquele pensamento clássico de “o que tem de errado comigo????” e o sentimento dela pelo Michael vai crescendo e ela não sabe exatamente como ele se sente, porque no fundo ela acha que tem alguma coisa, mas ao mesmo tempo não tem nada CLARO. Uns e-mails anônimos começam a chegar, e ela fica achando (torcendo) que seja o Michael. É algo importante, já que nos andou falando do tanto que ela não é desejável e que ninguém gosta dela de um jeito especial, e aí aparece esse cara que se esforçou em mandar recados em momentos difíceis, de estresse, só para ela se sentir melhor. E que também demonstrava com muita clareza que achava ela o MÁXIMO.

Mas não era o Michael. Era o Kenny.

(fim de livro dois é mãe dela fugindo pra casar com Mr. G porque ela está grávida e etc)

Daí livro três começa com Mia já namorando Kenny. Isso aconteceu simplesmente porque ela não sabia falar não. Ela se sentiu na obrigação de falar sim e aí, bang!, um namorado. Agora, Mia não estava feliz. Tudo que ela queria era um cara que gostasse dela por ela mesma, e Kenny era um meninão desengonçado, mas gente boa. Qual era o problema?

Michael.

Então… basicamente… Mia tinha topado namorar um cara sendo que ela estava apaixonada em outro.

Não estou julgando a Mia. Isso é uma coisa comum de acontecer e tals, ninguém é perfeito. Mas ao ler esse livro de novo, recentemente, eu percebi que essa a primeira vez em que Mia mostra o tanto que ela passa pouco tempo pensando nos sentimentos dos outros. Quer dizer, no dois primeiros livros ela constantemente chama Boris e Tina de freaks por coisas idiotas (Tina anda com guarda-costas, who cares? Boris coloca suéter dentro da calça, WHO CARES?). Na verdade, Mia tem um comportamento bem judgmental com todo mundo, mas com Boris e Tina eu fico especialmente revoltada, porque eles são pessoas boas que sempre foram bons amigos pra Mia.

ANYWAY, esses são defeitos válidos e tal, algo que é até legal de apresentar no começo de uma série, pra que ao longo dos livros a gente perceba o que melhorou o não.

E aí Mia está com Kenny simplesmente porque não soube falar não, e continua com Kenny simplesmente porque não tem coragem de terminar. E ELA COMEÇA A MANDAR CARTAS DE AMOR PRO MICHAEL ENQUANTO AINDA NAMORAVA KENNY (sem contar que existia a possibilidade de Michael estar namorando a Judith que clona moscas. Então, tecnicamente, os dois estavam num compromisso, do ponto de vista dela).

Mia reclama constantemente que Grandmére sempre faz as coisas pelo próprio interesse, mas a Mia, time after time, faz o mesmo. E ao longo do tempo, só vai piorando.

3

1Eu não sei a Mia vai se tornando mais frustrante ou se é a gente que começa a perder paciência. Aliás, isso levanta questão sobre imperfeição de personagens! Quando eu vejo uma resenha no Goodreads em que uma pessoa diz não ter gostado do livro X (tá, livro X geralmente é um livro de que eu gostei e aí me sinto um tanto defensiva e coisa e tal, mas às vezes me irrito com resenhas bobas até de livros que detestei! TENTO SER JUSTA! UM POUCO!) porque a protagonista é, sei lá, pretensiosa, eu fico… “e daí?”. Complexidades são interessantes, certo? E a Mia é, de alguma forma, complexa: introvertida, mas subitamente posta sob holofotes; sempre pronta pra julgar (uma característica que  definitivamente não significa que ela expresse esses julgamentos); supostamente faz parte da galera nerd, mas sua situação com Exatas vive em estado periclitante. Por aí vai.

E da metade da série em diante eu não aguentava mais a Amelia Thermopolis.

Sim, acredito que nem toda figura que aparece em uma narração precisa te fazer pensar “ai, gostaria de tê-lo(a) como amigo(a)!!!!!!!” pra ser considerado um bom personagem — mas o PONTO é… aliás, um dos pontos é que precisa me entreter. E a Mia vai te entretendo cada vez menos. Quer dizer, eu posso passar centenas de páginas com uma assassina esnobe e no fim ficar pedindo por mais!

Bom, provavelmente eu nunca clamaria por DEZ livros, mas enfim.

O outro ponto: quão consciente das falhas o autor está? Por um lado, as neuroses da Mia são notadas por outros personagens, e no fim há o reconhecimento de que ela se tornou uma pessoa mais madura. Então é seguro afirmar que a Meg Cabot tem ciência de alguns problemas da Mia, e eles são intencionais! Por outro, nossa protagonista nunca realmente nota que dá pouca atenção pros amigos e que julga todo mundo…?

2Não importa que cada livro descreva só uma semana (às vezes um mês) da vida de Mia. É pouco tempo, mas mesmo assim é um livro com MUITOS acontecimentos. E apesar de ela passar maior parte da série com 14/15 anos, ainda sim nós lemos vááários livros em que os mesmo erros e defeitos são repetidos. Não é uma evolução e isso começa a cansar. Enquanto era engraçado no segundo livro quando ela falava “Acabou. Minha vida oficialmente acabou”, fica meio idiota quando ela diz exatamente o mesmo no quinto e no oitavo, etc. Como leitor, você fica “sério? ACABOU? PRA VALER? VOCÊ PROMETE??”

No livro quatro, Mia vai pra Genovia, fica insegura quanto ao relacionamento que tem com o Michael e acha que ele só a ama como amiga. Ela volta e ele esclarece. No quinto, ela faz um drama porque Michael não a chama pra festa de formatura, achando que ele vai querer chamar alguém melhor, só pra descobrir depois ele nem quer ir pra formatura. No sexto, ela fica insegura com Michael na faculdade e toda a pressão de fazer sexo.

Eu sei que insegurança em relacionamento é algo comum, e eu acho muito bom que isso seja representado em livro, principalmente com Michael e Mia, que obviamente se amam, mas estão em momento tão diferentes na vida emocional deles. O meu problema principal, acho, é a narrativa. Se a insegurança acontecesse em um só livro, e no seguinte algo drástico ocorresse, acho que seria melhor, no ponto de vista ~literário~. Mas o que a gente tem é a mesma insegurança aparecendo de novo e de novo, e ela tendo que receber afirmação do Michael, de novo e de novo, como se ela tivesse algum distúrbio de comportamento que a impedisse de APRENDER A LIÇÃO.

Então, por ficar incrivelmente cansada de Mia falando das mesmas coisas no diário, a gente começa a se apegar às outras pessoas da história, e aí o grande questionamento: POR QUE MIA NÃO ERA MAIS ENVOLVIDA NA VIDA DESSAS PESSOAS?

Ela tinha um grupo de amigos bastante variado, pessoas interessantes que estavam passando por problemas difíceis assim como ela. Pessoas que eram consideradas freaks por todos na escola, e ainda tinham que lidar com pais superprotetores, ou descoberta de sexualidade, ou término de namoro, etc, etc. Mas a gente só vê isso de passagem, pelos olhos da Mia. Que tipo de amiga ela era? Por que ela não estava mais interessada em consolar e ajudar e se envolver com seus amigos? Por que ela não passava mais tempo com eles? Vez ou outra era mencionada algum tipo de atividade descolada que eles estavam praticando e Mia simplesmente… não estava lá. Nem mesmo com o Lars, que estava com ela CONSTANTEMENTE, tem um relacionamento de amizade real. A gente sabe que ele já foi casado três vezes! Hm, isso mostra que ele tem problemas de relacionamento! Mia nunca se interessou em ajudá-lo com isso? I mean, Lars a ajudou incontáveis vezes com problemas dela, porque ela não poderia fazer o mesmo…?

1Falando em período de cada livro: a distribuição de tempo é realmente esquisita. A gente tem um único livro da Mia no último ano da escola. E é uma Mia diferente: menos dada a exageros, e um tanto mais racional. Acaba com você tendo a sensação de que o relacionamento com o Michael vai durar por muito, muito tempo, porque agora é uma conexão MADURA e BALANCEADA e blablablá. (Não que o Michael seja o único parâmetro para medirmos comportamento da Mia! Mas é um bom indicador, considerando que ela… fala… bastante dele.)

Passamos por um monte de histórias da Mia sendo insegura — tipo, no sétimo ela acha que o Michael vai terminar com ela porque ela dançou de um jeito meio engraçado na festa dele. Esse é um dos GRANDES enredos do livro. O medo de ter feito uma dança horrível.

E aí no fim temos uma Mia melhor!

Só que a gente não viu essa evolução realmente acontecer! E é MEGA frustrante!!! Não tem aquilo de “ah, todas aqueles momentos ruins valeram a pena porque culminaram isso!”. Os momentos ruins acontecem. E aí vem um tempo que não vemos. E cortinas se abrem de novo pra nós.

Você mencionou sexualidade e, é, eu REALMENTE quero falar sobre isso! Notou o relacionamento da Perin e da Ling su na primeira vez que leu?

2Perin nem aparece nos primeiros livros, e Ling Su na verdade tem um NAMORADO. Então, tipo, obviamente Ling Su passou por GRANDE CRISE no ensino médio e Mia disse: nada sobre. Ela até deixa implícito que nenhuma delas contou pros pais ainda, já que elas acharam meninos pra ir pra formatura com elas só por aparência.

TIPO!!!!! POR QUE MIA NÃO COMENTA SÓ UM POUQUINHO DESSE DRAMA NO DIÁRIO? GERALMENTE É UM DRAMA BEM INTENSO, SABE. DRAMAS QUE DEIXARIAM AMIGOS PELO MENOS “woooow as coisas estão mesmo difíceis pra Perin e Ling Su. Queria poder ajudar…”. MAS NADA DISSO! O que acontece é que fica sutilmente sugerido no livro que as duas não são heterossexuais. Tão sutil que na verdade ela teve que confirmar o fato depois, em uma entrevista. (Quando questionada se Perin e Ling Su eram um casal, Meg Cabot respondeu brevemente que “sim, elas são”.)

TIPO, NADA CONTRA SUTILIDADE, MAS MEG CABOT NUNCA FOI MUITO SUTIL, NÉ? I mean, cenas de sexo em si são fade to black, mas todo o resto é bem direto. Tipo, ela fala de Mia aprendendo a se masturbar no banho no oitavo livro. Então ela obviamente não é uma puritana. Só quando o assunto é relacionamento homossexual, daí ela é Dona Sutileza!

Então, é, de primeira eu nem tinha sacado que elas estavam juntas, mas como amei muito o livro 10,  li de novo e fiquei super “olha só…”, mas foi só de passagem e acabei esquecendo mais uma vez, ATÉ QUE GIUDICE LEU E COMENTOU E EU FIQUEI “AH, É!”

1Eu achei a decisão de Cabot de nos dar, como último relance das personagens, elas tendo que mentir muito triste e bizarra! E pois é, a Mia diz que os garotos que as acompanharam na festa de formatura foram pra “benefício dos pais”, e eu fiquei, tipo, OI? A senhora autora passa TODO ESSE TEMPO sem mencionar o relacionamento, e no fim quando, de alguma forma, endereça o fato, nem deixa ser algo TRIUNFAL? Esse é o momento e o modo com que ela resolve tocar no assunto? WHAT. THE. FUCK. E sinceramente, a “sutileza” com que Perin e Ling Su foram tratadas na história me pareceu absurdamente ofensiva. A Mia comenta de namoros das amigas, mas a Mia NUNCA fala do namoro que está acontecendo ENTRE suas amigas???????? HÃ? E A CABOT NÃO PODE NEM NOS DAR UM MOMENTO DE, SEI LÁ, MIA NO FIM VENDO AS DUAS DANÇANDO E SE PEGANDO OU ALGO ASSIM?? EM QUE SÉCULO EU ESTOU?????

2Voltando pro livro sete: acho que era engraçadinho, mas lembro que na época que li achei meio que encheção de linguiça? Foi mais ou menos nessa época que eu comecei a pensar que só estava acompanhando a série ainda porque já tinha investido tempo demais nela. Mas o prazer de ler não era mais o mesmo, infelizmente. (detalhe: DE NOVO MIA ACHANDO QUE MICHAEL IA TERMINAR COM ELA. POR QUE ELA FICA NESSA TODO LIVRO??? No fim, quando eles terminaram, foi bem ela que começou) (mas não vamos nos apressar).

1E o livro oito é… eu nem sei. Sério. Michael avisa que vai se mudar pro Japão. Em menos de uma semana. Perfeita oportunidade pra choros loucos.

Eu realmente tive dificuldade pra terminar esse. Bom, tanta dificuldade quanto você pode ter com um livro que dá pra acabar em três horas.

Princesa no Limite é definitivamente o fundo do poço de Michael e Mia: eles terminam, ele vai pra outros país, ela tenta ir atrás dele no aeroporto mas não consegue. E nem triste me senti, porque os bons tempos dos dois já tinham passado. Eles não eram parceiros pra valer! Rolavam pegação boa e uns poucos momentos fofinhos, mas Mia sempre pirava por por algum motivo e no fim Michael a assegurava de que gostava dela do jeitinho que é ou whatever. Não diria que ele estava sendo condescendente com ela, mas, como leitora, é uma relação bem chata.

(Só um esclarecimento de que não eu acho que o Michael seja melhor que a Mia e que ela não o merece ou algo do tipo — odeio esses conceitos! Mas como a Dayse disse, eles totalmente estão em níveis emocionais diferentes em grande parte da série.)

Queria que a Mia o tivesse ajudado em momentos complicados dele (o máximo que acontece é a separação dos pais do Michael) (sei que seria um tanto frenético se o Michael tivesse o mesmo número de dramas que a Mia e sei que ele é pra ser o cara cool e calmo e um porto seguro, mas mesmo assim duvido que ele não tenha ALGUM TIPO DE PROBLEMA)! Queria mais dos dois conversando sobre coisas bestas e rindo e apreciando companhia um do outro — algo que eu senti que eles faziam mais ANTES de namorarem, o que é estranho.

Cabot deve ter percebido que era hora de sacudir a relação, mas não acho que o modo com que ela executou essa separação foi… muito bom. Por sinal, me pergunto se ela se arrepende de não ter feito o Michael ao menos um ano mais novo? A diferença entre estudante de faculdade e estudante de ensino médio é inevitavelmente um tanto awkward.

2 Eu me lembro que quando terminei, fiquei tão… chateada. Eu acho que não exatamente com a qualidade da escrita (não imagino que tenha prestado atenção nisso na época. Minha preocupação principal era o destino dos personagens), mas eu me senti tão traída com a forma que todas as coisas aconteceram e foram abordadas e sei lá?

Mas aí, levando em consideração a Mia do décimo livro, eu fico pensando… será que essa é a narrativa que a Meg estava pretendendo o tempo todo, ou ela só estava enrolando com desastres sem motivo?

Porque o término de Mia e Michael é um eco de todas as inseguranças que Mia tinha desde o quarto livro (e até nos três primeiros também, com toda aquela coisa de “naaah, Michael não gosta de mim”). Mas o fato de essas inseguranças terem sido resolvidas todas as vezes que aconteceram faz com que essa última vez seja idiota, porque a gente sente que Mia should know better, sabe? E MAIS UM VEZ ELA ESTAVA SENDO TÃO EGOÍSTA. Sempre que ela tem as obrigações de princesa dela, o Michael é compreensivo e tals, mas aí ele tem que fazer uma viagem temporária para Japão e ela fica toda “NÃO NÃO TEM QUE FICAR POR MIM!!”, o que é injusto. Tipo, ela poderia se sentir mal com ele indo, e sentir dor e etc, e talvez término poderia ter acontecido por um mal entendido e falta de comunicação por causa de cada um dum lado diferente do mundo, sei lá… Eu só achei todo o drama da Mia de perder virgindade e achar um absurdo que Michael não era mais virgem uma coisa tão… sei lá. De onde é que ela tirou essa ideia toda puritana, pra começo de conversa???? Ela cresceu com a mãe, que tinha vários livros de sexo pela casa (é mencionado nos primeiros livros), e com a Lilly que é toda liberal e sei lá???

OPA OPA. OLHA SÓ EM QUE ASSUNTO CHEGAMOS. A INFAME LILLY.

Não sei nem por onde começar…

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1 Lilly. Em meu retorno ao mundo de Diário da Princesa, logo fui lembrada do quanto Lilly e Mia têm uma relação simplesmente horrível. Numa ocasião em que as duas se inscrevem num concurso de histórias, Mia não ganha e logo pede aos céus que a Lilly também não tenha sido vitoriosa. É… bizarro, porque são pensamentos sérios, não um “argh, vai ser meio constrangedor eu ter perdido se a Lilly tiver sido a vencedora!”! Não, é 100% ela não querendo o bem de uma suposta melhor amiga! Suposta porque… a Lilly é péssima, PÉSSIMA. Ela ignora vontades da Mia com uma facilidade quase psicopata. E aí a Mia cria todo um comportamento passivo-agressivo!

Ah, quando a Grandmére diz que a Lilly parece um cachorro pug, a reação da Mia é pensar “ahá, sabia que não era a única que via isso”.

TIPO….

Tipo.

Yeah.

2As duas foram muito tóxicas uma para a outra, e acho que isso acabou afetando a forma que Mia lidou com todas as amizades de sua vida. Tipo, talvez ela passava tanto tempo obcecada com os próprios problemas porque Lilly fazia questão de agir como se problemas de Mia fossem nada, então Mia adquiriu um comportamento bem “se eu não focar em mim mesma, ninguém vai”.

(De novo, não sei se a Meg Cabot fez isso de propósito ou acidente. SERÁ ELA UM GÊNIO OU ALGUÉM COM SORTE?)

Eu só acho injusto, por exemplo, o tanto que toda essa dinâmica acaba afetando Tina, que obviamente não tem um espaço tão grande na vida de Mia como a Lilly, e que sempre foi uma amiga leal e boa e supportive. Eu não consigo superar o tanto que Tina foi diminuída nesses livros. Certas partes a gente pode até perceber ela sentindo um pouco de medo, tipo, hesitando em falar certas coisas pra Mia, porque 1) ela nunca quer machucar os sentimentos de ninguém e 2) Mia é a primeira amiga que ela teve, e ela tem muito medo de perder isso, porque ela sabe que a Mia ENLOUQUECE com as menores coisas. É muito triste uma amizade onde a pessoa sente que está pisando em ovos, e acho que o motivo de Tina sentir isso é porque a interação entre Mia/Lilly acaba ecoando em todos os outros relacionamentos de Mia. Enquanto uns tem daddy issues e outros mommy issues, acho que podemos afirmar que Mia tem BFF issues.

1E enquanto brigada com Lilly, a Mia começa uma amizade com… Lana! É estranho que, lááá no começo,  Mia também teve uma aproximação com Tina enquanto passava por uma fase ruim com a Lilly. BASICAMENTE: LILLY BRIGAR COM VOCÊ GARANTE QUE VOCÊ VAI ACHAR NOVAS AMIGAS!

Achei envolvimento da Lana (e Trisha!) um tanto apressado, mas não consigo reclamar. Deixa a turma da Mia ainda melhor. SÉRIO, A GAROTA TEM A GALERA DOS SONHOS (e nem liga). Boris, Tina, Shameeka, Ling Su, Perin, e aí as MENINAS POPULARES entram no meio e é, nossa, uma mistura muito louca e ótima, mesmo que a gente mal presencie. Por sinal, esqueci de mencionar, mas no sétimo o pessoal (ainda pré-Lana-fazer-parte) vai estrelar um musical e eles combinam de faltar aula ao mesmo tempo pra poderem se reunir num cantinho da escola e ensaiarem por uma última vez, e parece TÃO ADORÁVEL E ENGRAÇADO, MAS PRA ISSO A MIA!! DEDICA!!! POUCAS!! LINHAS!!!!!!!!! Porque é obviamente muito mais interessante falar sobre como ela acha que o Michael totalmente a odeia. (MEGA, ULTRA, HIPER SPOILER: ele não a odeia.)

2Acho importante mencionar que toda a história da política em Genovia é bem legal, na minha opinião. Tipo, Mia está constantemente pensando em melhorias pro país, e mesmo que eu ache que ela não seja uma princesa muito boa na alma (toda aquela coisa de nunca se importar com os sentimentos dos outros), pelo menos a gente vê ela se esforçando um pouco aqui e ali pra fazer com que Genovia seja um lugar melhor.

Da metade do livro nove pra frente as coisas voltam a ficar suportáveis. Mia e Michael terminaram amargamente, mas depois que ele chega no Japão eles meio que ficam cordiais um com o outro por e-mails. Mia faz mais amizades quando Lilly se afasta, e até começa um relacionamento romântico novo, mais ou menos, com o J.P., que vira amigo dela no livro sete (antes ele era só mais uma pessoa da escola que a Mia amava chamar de Freak só porque não gostava de milho no chilli dele). Mas acho que acontecimento mais importante no fim do livro nove é Mia encontrando uma carta da Princesa Amelia que declarava democracia em Genovia. Mais ou menos o mesmo sistema que Inglaterra tem e tals. Mia ainda é princesa, mas agora o povo vota em quem realmente governa. O fato de Mia trazer isso à tona, mesmo com o perigo de seu pai perder o posto de governante (o que ele gosta de ser, e não pelo poder, mas porque ele gosta de administrar o país e melhorar as coisas) faz com que você meio que esqueça as pirraças de Mia. Ela nos irritou sem fim nos últimos livros, mas olha… pelo menos ela está… dando lugar para novas prioridades!

1Essa parte é surpreendente porque me peguei super “ISSO AÍ, MIA!”. E aí me lembrei que, é, em outros tempos eu ficava feliz com as conquistas dela! Bom, ela não andava tendo muitas oportunidades pra conquistas nos volumes anteriores.

2 E aí temos o último livro, que é tipo, um ano depois do fim do nono. (acho que até mais que um ano?)

É um choque porque nunca ficamos tanto tempo sem saber da Mia, e também porque ela é uma pessoa muito diferente agora, bem mais madura. Mas por mais que esse mudança seja positiva, é frustrante que não tenhamos acompanhado esse desenvolvimento dela. A gente meio que se sente roubado, sabe? Tivemos que aguentar tantas coisas idiotas e nem pudemos ter a satisfação de ver Mia se arrepender de certas coisas racistas e machistas que já falou? Ou dar uma olhada nos seus diários antigos e declarar “wow, eu meio que era uma babaca?”. Tenho certeza que nesse último ano que se passou, coisas assim devem ter acontecido. Eu consigo imaginar bem como isso seria, já que certas pessoas fazem questão de desenterrar tweets meus de anos atrás, quando meu comportamento e reação à coisas era bem diferente. Então… é. Foi estranho encontrar Mia já toda bem ajustada. Mas antes isso do que nada, acho.

Eu gostei muito do último livro. Não sei se foi porque minha decepção com os livros anteriores tinha sido tão grande que minhas expectativas estavam lá embaixo e o que li pareceu uma obra-prima comparado com o que estava esperando, ou se foi mérito do livro mesmo. Mas eu fiquei feliz, no geral, com o fim da série. Ainda assim, guardo ressentimentos de cenas não descritas de amigos descolados, personagens não explorados, desenvolvimento não exposto, etc.

Se a intenção da Cabot era mostrar uma menina incrivelmente imatura e dramática e louca se transformando em uma menina relativamente ajustada e pronta para auxiliar no governo de um país… ok, acho que a missão foi cumprida. Mas não muito bem, porque 1) a gente não vê, DE FATO, o desenvolvimento e 2) narrativamente falando, dez livros não eram necessários.

1(Sobre coisas racistas: a Mia quase sempre tem boas intenções, mas ela é frequentemente condescendente, de um jeito bem… americano? Ela teme que o Michael vá ficar com uma gueixa quando for pro Japão — mostrando seu enoooorme conhecimento cultural! —, ela fica preocupada com a mãe indo pro México e bebendo água lá porque aí o irmãzinho dela vai correr risco de nascer com “barbatanas nos pés”, etc. E machistas: acho que nem precisa falar nada, né…? Vira e mexe, Mia faz um slut shaming.)

No último livro, gosto como a Mia e o Michael se reúnem de um jeito… discreto. Claro que às vezes eu AMO grandes declarações em filmes, mas aqui fica o contraste entre o exagero do J.P. e o jeito do Michael, que é simplesmente… Michael.

Se eu pudesse ter feito uma adição, seria… peraí, precisamos retroceder antes de eu explicar. Então, em Princesa na Balada, o Michael chama a Mia pra ver filmes que ele precisa ver pra uma aula. São filmes de ficção científica que a Mia escreve no diário que são um saco e mega deprimentes, mas ela não fala nada, porque passar tempo com o namorado já é alegria o suficiente! Livro nove: Mia vai ver o musical de A Bela e a Fera com o J.P., e ela se lembra de quando viu Tarzan com o Michael na Broadway, e sobre como uma hora ele chorou de rir de tão ridículo que estava achando. Mostra um pouco como os dois viam o relacionamento de formas diferentes. Mia provavelmente não teria tido problemas em ser sincera sobre filmes e livros quando o Michael era só o irmão engraçadinho da Lilly, mas em outro estágio ela não mais se sentia em um nível de segurança que desse liberdade de falar tudo o que quisesse. E se o Michael a achar uma idiota? E se ele terminar com ela?

Então, realmente amaria que enquanto eles estivessem se beijando no livro dez, Mia desse uma pausa e dissesse “ei, sabe aqueles filmes de distopia que vimos juntos? EU ACHEI ELES INSUPORTÁVEIS” e o Michael ficaria “hã????”, mas aí eles voltariam a se pegar. Eu só queria um MOMENTO SIMBÓLICO, sabe?

E apesar da volta deles ser bacana e tal (não me fez dar risadinhas maníacas de felicidade nem nada, mas não me fez PASSAR RAIVA, o que é um lucro!), eu… 100 por cento sinceramente… não consigo muito entender o motivo do Michael ter ficado quase dois anos pensando na Mia? EU SEI, EU SEI, estou sendo cínica, mas é que o namoro deles foi, hã, bem mais ou menos?

ENFIM. No final, eles fazem sentido juntos. O que é meio que o que importa?

Mas é, dez livros são… muita coisa. Se você sofre com trilogias, imagine se decalogias entrarem em modas!

E assim foi minha jornada com O Diário da Princesa! Valeu a pena terminar? Bom, minha visão geral da série foi um tanto balançada (argh, oitavo livro, ARGH), mas acho que… sim? É bom poder dizer, ei, ACABEI O DIÁRIO DA PRINCESA!!!!!!!!!!

2Hm, sobre Mia e Michael… acho que Michael não ficou esse tempo todo… celibato, sabe. Mas acho que Mia reagiria bem melhor quando esse assunto viesse à tona. Acho que o que Michael sentia com Mia é que ela é meio que BFF dele? Tipo, desde o primeiro livro fala do tanto que eles não calam a boca quando estão juntos e tal, e acho que ele admira as coisas nobres que ela faz e quando ela põe o pé no chão. Então esse sentimento de amor que ele sente por ele está meio que em conflito com a frustração com as inseguranças e imaturidades dela. Desde o começo o relacionamento deles estava fora de balanço porque eles tinham equilíbrio emocional bem diferente. Acho que o Michael ter insistido no fim pra que eles voltassem, toda aquela coisa de “i’m not sorry, i can wait”, é meio que resultado do que ele viu da Mia depois que ele voltou. Tipo, o fato de ela estar finalmente na mesma página que ele, acho.

Não é uma série perfeita, descobri que tenho váááárias issues com ela, mas marcou minha vida, me feliz. Acho que é o que conta.

1E sim, “rosas são vermelhas/violetas são azuis/você pode não saber/mas eu também amo você” sempre será um dos AUGES da minha existência.

Lollapalooza 2014 – Um drama.

9 de abril de 2014 às 17:43, por

lollapalooza 2014OLÁ, POVO.

Estou três dias atrasada para fazer as minhas várias reclamações, mas não nem ligo muito para isso, porque passei dois dias dopada de remédio para dor muscular (não sou mais uma jovem de vinte. Já tenho oitenta anos e o corpo não é mais o mesmo) e porque toda crítica construtiva é válida sempre.

Não sei nem como começar, porque tenho muito mais reclamações do que elogios,. (infelizmente). Mas penso que tem que ser pelo começo, suponho?

Sendo assim, a ordem cronológica (????) será!

Line-up

Quando anunciaram o line-up, eu praticamente surtei de felicidade: minhas bandas e minhas pessoas favoritas tocariam. Quase chorei de emoção ao ver que Muse voltaria, porque não pude ir no Rock in Rio do ano passado e, YAY, finalmente veria o que seria meu terceiro show deles na vida!!!

lolla_line_upSério, como não amar  Muse, Nine Inch Nails, New Order, Arcade Fire, Vampire Weekend, Phoenix, Ellie Goulding (apesar de conhecer apenas quatro músicas dela), Julian Casablancas (mesmo preferindo The Strokes ao solo do Julian), Kid Cudi, Capital Cities, Soundgarden, Pixies e Imagine Dragons? Tudo estava perfeito e assim que anunciaram a venda dos ingressos, comprei (praticamente) na hora.

O problema é que meses depois, quando a organização anunciou os horários dos shows e os palcos, quis vender meus ingressos na hora.

O motivo?

Um cronograma de merda.  

Muse e NIN com cinco minutos de diferença e Kid Cudi na hora de Muse, Imagine Dragons num palco na pqp e com os cinco minutos de diferença de Phoenix, New Order e Arcade Fire com os horários iguais, e, por último, Ellie Goulding e Capital Cities em horários péssimos.

Juro que se não tivesse de passagem comprada, teria vendido meus ingressos na hora.

Uma CRIANÇA faz um cronograma melhor que esse.

Sei que é fato que é um festival e que, de vez em quando, temos que escolher o que é nossa prioridade, mas, por exemplo, quem gosta de New Order costuma gostar de Arcade Fire; Ellie Goulding e Capital Cities poderiam ter sido mais para o final da tarde; e não se coloca as maiores atrações no mesmo horário e no mesmo dia JAMAIS.

Vocês não têm ideia de quanto isso foi péssimo e o quanto me fez repensar na compra dos ingressos no ano que vem. Só comprarei meu Lollapass DEPOIS que saírem os horários, porque antes não vale a pena mais.

Autódromo de Interlagos

autódromo de interlagod

Se quem foi nas edições anteriores do Lolla reclamava da distância do Jockey, posso dizer com confiança que o autódromo foi MUITO pior. Tem que pegar um TREM, peloamordedeus. É longe para caramba e a distância entre a estação para o local propriamente dito é ridiculamente gigante. Quem disse que seriam apenas cinco minutos andando? Algum maratonista?

prince harry you cheater i love you marry me i am not creep

Porque aquela porcaria, sem brincadeira, dá uns quinze a vinte minutos de caminhada.

Tudo bem, isso é ruim, mas É superável, mas e a distância entre os palcos de quase um quilômetro (sem contar a quilometragem da entrada até o último palco)?

Não, não, não e não.

A visão dos palcos é bem melhor, contudo, a distância e as ladeiras entre eles faz a gente pensar um milhão de vezes sobre as vantagens de ter um palco melhor.

Ano passado, o Lolla teve os seus problemas, entretanto os cinco minutos de diferença entre um show e outro em palcos diferentes não era um impasse para as pessoas como eu e meus amigos no ano passado irmos de um palco numa ponta a outro palco em uma ponta oposta: conseguimos correr do show de Two Door Cinema Club (no último e principal palco) assim que ele acabou para o show do Franz (no primeiro palco, perto da entrada “principal”) e perder apenas UMA música da banda e ficar quase na frente dos artistas.

E mesmo sequiséssemos correr de um palco para o outro, não seria possível, porque…

Quantidade de pessoas

 …a quantidade de gente no primeiro dia foi absurda.

Tinha tanta gente, mas tanta gente, que todo mundo ficou apertado.

Se existissem mais caminhos para chegar aos palcos isso não seria um problema, só que eles não existiam.

Na saída do show do Phoenix, o pessoal que tinha acabado de sair do show da Lorde, resolveu mudar de palco e, bom, quando a saída é a mesma que a entrada e, pior, ainda estreita e considerando que havia quase 80 mil pessoas no local, dá para imaginar o que acontece. Eu e perdi a Bárbara no meio do caminho, leve um soco acidental no estômago, fiquei sem ar e encontrei uns caras vestidos de viking que jurei pela minha vida que se eles aparecessem na minha frente, eu daria uma de Bryan Mills em Busca Implacável sem ligar para as consequências.

Tem pessoas demais neste mundo. Precisamos de uma nova praga.

Tem pessoas demais neste mundo. Precisamos de uma nova praga.

Se não sabe organizar um evento desse porte, não faça um evento assim.

Simples.

Não sei quantas pessoas foram no domingo, chuto que foram 50 ou 60 mil pessoas, o que foi um número ideal, porque conseguimos andar, ver o shows que queríamos e até mesmo COMER.

No sábado, nem comer dava: o pessoal não chagava até a gente e comprar comida era ter que enfrentar mais uma imensa fila e mais estresse.

Lixeiras

ELAS SIMPLESMENTE NÃO EXISTIAM. 

Vocês sabem o quanto fiquei desesperada com todo aquele lixo no chão? Eu contei DUAS lixeiras no evento inteiro. DUAS. Qual é a dificuldade de colocar lixeiras? Alguém vai morrer? Algum dos organizadores é da Sociedade Protetora dos Ratos e Baratas?

Senti que isso aconteceria comigo a qualquer momento.

Senti que isso aconteceria comigo a qualquer momento.

Ano passado, a Heineken estava no patrocínio do evento e teve uma coisa MUITO supimpa que eles fizeram para o pessoal comprar mais cerveja e ainda assim evitar que jogassem lixo no chão (e isso foi apenas mais um incentivo, porque tinha lixeira à torto e à direito em 2013): quem juntasse mais copos de plástico, poderia trocar por uma lembrancinha no estande da Heineken.

Fechando as ruas

A organização simplesmente organizou o evento em um local onde MORAM pessoas e TRANSITAM muitos carros sem nenhuma consideração com as moradores de lá. Eles sequer fecharam apenas UMA PARTE da rua apenas para as pessoas. Somente no domingo, depois de alguma treta (tenho certeza), eles resolveram conversar com o staff para mandar o pessoal andar só em um lado da rua, mas isso já era quase próximo na porta de entrada do evento. 

Lembram que eram quinze/vinte minutos de caminhada do metrô até o autódromo?

Temia pela minha vida quando apareciam os carros, porque lembrei disso aqui.

Transportes públicos e táxis

A organização do evento cuidou dessa parte que nem eles devem limpar a bunda deles: muito mal e porcamente.

No sábado, o evento deu lotação total, então voltar de trem era pedir para morrer esmagado, voltar de ônibus estava quase impossível e os pontos de táxi que foram divulgados no mapa do evento simplesmente não existiam. Entretanto, dou um desconto mínimo, pois voltar de trem e pegar um ônibus no domingo foi muito mais tranquilo por ter menos gente.

Táxi NUNCA é uma boa opção em São Paulo.

NUNCA.

Aqueles taxistas vão roubar a droga do seu dinheiro tranquilamente e você não vai ter nenhuma opção a não ser aceitar e aceitar com um sorriso na cara, porque é pagar quase 150 reais, forçar um sorriso e conseguir voltar ou fazer cara feia, bater o pé e ficar na rua.

Uma coisa que não sei se é verdade (se não for, sinto muito) e que comentaram comigo: para voltar de ônibus, tinha cobrador até cobrando 10 reais por pessoa para sair lucrando.

Psh. 

(auto-censura aqui: mas quem me conhece sabe de quem vem depois do “Psh”. Tinha que ser. Não sei porque ainda tenho esperança com essa gente)

Shows 

Não consegui ver muitos shows, perdi o de NIN por exemplo, e a Barbarella ainda me fez o favor de me contar que teve CloserAinda estou muito puta, mas tudo bem (NÃO. NÃO ESTÁ TUDO BEM. ESTOU CHORANDO POR DENTRO. E GRITANDO HORRORES AINDA).

FICA CALMA, BEYONCÉ.

FICA CALMA, BEYONCÉ.

Portugal the Man: Não conhecia a banda, aí vi o show e adorei! Eles são ótimos e eles são do Alasca. ALASCA.  Ainda estou sexualmente confusa com a voz do vocalista, mas foi tudo lindo e agora estou amando mais uma banda! <3

Phoenix: O show foi MA-RA-VI-LHO-SO. Queria ver um show deles novamente, mas depois do marido da Sofia Coppola ter sido violado, duvido que a banda volte (o vocalista se tacou nas pessoas, subiu o palco com uma cara de derrotado e nem se despediu). Ah, sim, e Bárbara acha que ele mandou um “Olá, periguetes”, só que isso ainda é meio suspeito, apesar de já assumirmos como verdade XD

Muse: MATT ESTAVA SEM VOZ POR CULPA DA LARINGITE. Foi de partir o coração, mas eles fizeram o segundo melhor show do festival inteiro, tocaram as B-Sides, fizeram uma homenagem ao Kurt Cobain (dia 5 de abril completou vinte anos que ele morreu) ao cantar Lithium (Nirvana foi a banda que mais influenciou Muse. Seria estranho se não houvesse uma homenagem), Chris segurou as pontas, a plateia participou de todas as músicas, Matt xingou Londres e amou o Brasil, todo mundo gritou, eu e Bárbara choramos (Muse me transforma nesse tipo de pessoa, eles SEMPRE me fazem chorar), Matt quebrou a guitarra e estava FELIZ como não acontecia há um tempão, aliás, Dom, Matt e Chris estavam TODOS felizes. Foi lindo e… eu já disse que eu chorei? Porque eu chorei.

Vampire Weekend: FOI UMA GRACINHA. Gente, o show deles foi lindinho demais! E eles realmente empolgaram a galera. Particularmente, não pensei que ele seria tão cheio, mas mesmo assim, eu e a Bárbara conseguimos encontrar nossos amigos e ficar em um ótimo lugar (até porque era o melhor palco). Valeu MUITO a pena. Eles amaram todos os nós. Eu totalmente iria num show deles novamente se eles voltassem ao Brasil.

Pixies: Quando estamos com noventa anos de idade, precisamos descansar um pouco, então assisti esse show sentadinha e comendo. Foi um ótimo show, no entanto, meus corpo não tinha condições físicas e eu estava me guardando para o Arcade Fire (cem anos nas costas gente…). Super me animei, principalmente quando eles começaram a tocar as músicas que são famosas por serem trilhas sonoras e tals.

Arcade Fire: Simplesmente o melhor show do Lollapalooza que fui. Não esperava. Perdi a voz, pulei como condenada com uma mochila no corpo e ficava rindo de boba. Eles foram perfeitos, cantaram em PORTUGUÊS (“O Morro não tem vez“, do Tom Jobim), a Régine estava linda de Robin Sparkles e o show foi tão bom, mas tão bom, que fizemos o Arcade Fire inteiro chorar de emoção. Aliás, foi decidido que vai ter Copa e que o Brasil vai ganhar. Win já disse que se o Brasil ganhar, eles voltam esse ano.

A TAÇA DO MUNDO É NOSSA!!!!

Outras coisas

Lolla Fashion Week: Não quero julgar ninguém, mas tenho que confessar que acho muito engraçado para quem vai para festival de salto, rasteira ou chinelo e usa saia ou vestido. Quer perder o pé e ficar desconfortável? Sou totalmente a favor, mas ainda vou achar engraçado. Muitas roupas estavam bonitas, aliás.

Óculos Ray-Ban: era quase uma entidade própria. Hipsters usam Ray-Ban como estudante usa uniforme na escola.

Melhor esfirra do mundo: Comi a melhor esfirra da vida, por um acaso, na saída do show do Vampire Weekend.  Nem sei do que era aquela esfirra e nem me importo: ela estava sensacional e ainda estou com vontade de comer mais.

EU QUERO COCA!!! (mas essa é uma reclamação pessoal): Não sou de beber muito álcool em festivais e sou uma cocólatra de carteirinha, então na próxima vez que houver uma parceria, façam com uma que distribua COCA-COLA, porque Pepsi não é de Deus.

Pepsi é heresia e uma afronta à existência da humanidade.

Se você gosta de Pepsi, falarei a mesma coisa que sempre falo para a Beatrice (Cherry_B) quando ela diz que Pepsi é melhor e quando ela pede ESSE TROÇO nos restaurantes: se estivéssemos na Idade Média, os bebedores de Pepsi seriam queimados nas fogueiras ou estrangulados ou torturados até à morte por serem hereges adoradores do demônio e das artes do mal.

Dorflex e Miosan: Sem eles, não estaria viva hoje. Assim,  gostaria de fazer um agradecimento especial a eles, porque tenho cento e dez anos e meu corpo não é mais o mesmo que era quando eu era uma jovem de vinte.

Não tem nada a ver, mas…: vocês viram que o Príncipe Harry vem para o Brasil durante a Copa do Mundo? Descobri isso quando estava pegando a linha amarela no metrô de São Paulo para ir para o Lolla.

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Por fim, gostaria apenas de dizer que depois dessa edição do Lollapalooza, comecei a dar mais valor a um espaço pequeno com merda de cavalo no chão, misturado com lama, bebidas, mijo e vômito.