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Ms. Marvel – No Normal, Volume #1, de G. Willow Wilson

25 de fevereiro de 2015 às 17:18, por

ms marvel wilsonTítulo: Ms. Marvel – No Normal, Vol. 1 (#1-5)
Roteiro: G. Willow Wilson
Arte: Adrian Alphona
Editora: Marvel Comics
Data de lançamento: 15 de outubro de 2014
Língua: Inglês

Kamala Kahn é uma garota normal de Jersey City… Até ser empoderada repentinamente com dons extraordinários. Mas quem realmente é a nova Ms. Marvel:  Adolescente? Muçulmana? Inumana?

Quando Kamala descobre os perigos de seus recém-descobertos poderes, ela descenda um segredo por trás deles também. Será que Kamala está pronta para lidar com esses imensos dons? Ou o peso do legado será demais para lidar? Kamala também não tem ideia. Mas ela está indo para você, Nova York!

Antes mesmo de ler qualquer coisa da nova Ms. Marvel, sabia que seria amor infinito e nem mesmo considerei que poderia ser uma decepção, porque a Marvel está fazendo um trabalho INCRÍVEL no desenvolvimento de novas histórias e de personagens (novos ou não) femininos e/ou considerados minorias (vide Capitã Marvel, que é uma das nossas queridinhas aqui no NUPE).

Mas depois de ler Ms. Marvel – No Normal

MEU AMOR AUMENTOU DE INFINITO PARA MAIS INFINITO AINDA?! MATEMÁTICOS, FÍSICOS, ESTUDIOSOS, UNIVERSITÁRIOS, DIGAM-ME: ISSO É POSSÍVEL?

zSAElpH

DANCINHA DA FELICIDADE

Estou tentando começar pelo começo, mas está um pouco complicado, porque meio que comecei escrevendo a partir do final (observem o tanto variações do verbo “começar” consigo colocar em uma frase. Hm) e ainda tenho aquele pequeno problema de que fico super empolgada e não falo nada com nada e SINTO MUITO, para variar.

Não dá vontade de socar a cara deles com essa condescendência e "preocupação"???? UUUGH

Não dá vontade de socar a cara deles com essa condescendência e “preocupação”????

O enredo de Ms. Marvel prende desde a primeira página: Kamala e sua amiga Nakia estão no restaurante em que Bruno, outro amigo delas, trabalha, porque Kamala quer cheirar o bacon (Não gosto de bacon, mas consigo compreender, pois COMIDA). Os três estão conversando alegremente até um casal da escola aparece e consegue falar as mais preconceituosas besteiras, como se estivessem fazendo um FAVOR e é ridículo e minha vontade era de entrar nos quadrinhos e dar uns bons tapas naquele casal.

Tudo isso aconteceu em TRÊS páginas, mas elas foram o suficiente para termos uma noção do que Kamala, Nakia e Bruno precisam lidar todos os dias da vida deles. Contudo, a Kamala é super boazinha com os dois porque ainda que eles tenham falado bobagem, ela acredita que eles estivessem tentando ser simpáticos e tem toda aquela coisa dela querer ser aceita, então ela dá um desconto (diferente de Bruno e Nakia).

Olha a Kamala tirando uma selfie com o Wolverine <3

Olha a Kamala tirando uma selfie com o Wolverine <3

Depois somos apresentados a um dos aspectos mais legais da Kamala: ela é tão fangirl, que escreve fanfics dos super-heróis que ela mais ama, principalmente da Capitã Marvel, que é sua heroína favorita, a ponto dela querer se tornar a Ms. Marvel como a Carol Danvers já foi. No meio de uma fanfic, a mãe de Kamala a chama para jantar e a garota responde em uma língua que só fangirl e fanboy entende. Desistindo de explicar que estava escrevendo A cena da fic, Kamala desce para comer com os pais e seu irmão mais velho.

Durante a janta, Kamala pergunta se pode ir para uma festa com os colegas da escola, mas o pai a proíbe de ir, o que gera uma discussão tipicamente adolescente e ela se enfia no quarto, decidindo ir para a festa escondida mesmo. Kamala quer se enturmar e ela pensa que se for para as festas e for mais descolada, haverá uma maior aceitação entre o pessoal da escola.

Na festa, Kamala encontra Bruno, briga um pouco com ele e decide ir para casa depois de uma bebida batizada (muçulmanos não bebem álcool). A cidade está coberta com uma neblina estranha e a garota está um tanto quanto delirando (MUITO) e algo naquela neblina faz com que ela se transforme na Carol Danvers como Ms. Marvel. No meio do delírio, Kamala pede para ser igual à Carol, pois a jovem se sente deslocada por não ser loira de olho azul e com a pele alva, afinal as pessoas a excluem por ser morena, por ter uma família rígida e por sua cultura (é triste ver que Kamala não é aceita e não se aceita porque ela se sente deslocada e perdida no meio de tanto julgamento), mas ao se transformar no própria Carol Danvers, o pânico toma conta da garota e—

Não entrarei em mais detalhes da história, porque a graça é LER e DESCOBRIR o que acontece daí por diante. Podem brigar comigo por parar de contar no meio de cliffhanger, não tem problema.

Os quadrinhos da nova Ms. Marvel conseguem equilibrar com perfeição as críticas sociais com um enredo adorável, engraçado, cheio de ação e de peculiaridades da própria Kamala. Quando No Normal chegou aqui em casa, eu tinha CERTEZA de que leria em doses homeopáticas (não sei porque me iludo com tanta firmeza, não consigo ler e parar) para que não acabasse rápido e quarenta minutos depois, o volume tinha acabado e eu fiquei, “MAS… OI?!?!? COMO ASSIM ACABOU?!?! QUERO MAIS E COMO CONSEGUIREI MAIS???”.

Foi no mínimo desesperador e fiquei louca para conversar com as amigas, mas era mais de meia-noite e o volume da Bárbara só chegaria no dia seguinte com a Bia e a Tassi ainda vai comprar. Fora o óbvio, queria comentar com elas uma das cenas que mais ri, que foi uma em que Kamala percebe que ter cabelo grande e solto, usar salto e vestir um collant quando se é uma super-heroína, pode ser lindo, mas não é funcional e pinica a bunda…

kamala

“Eu sempre pensei que se eu tivesse um cabelo maravilhoso, poderia calçar botas lindas sem problemas, que se eu pudesse voar–   isso me faria mais forte. Que isso me faria FELIZ. Mas o cabelo bate no meu rosto, as botas apertam… e o collant está me dando uma pinicada épica.”

Simplesmente adorei a Marvel fazendo crítica a si mesma e reconhecendo que só um uniforme bonito não quer dizer que ele seja bonito. O pessoal da Marvel deve ter tido uma conversa com a Edna sobre estes uniformes que mais atrapalham que ajudam e com certeza levaram uns tapinhas no meio do caminho para o bom-senso entrar na cabecinha.

"Eu também darei um jeito nesse seu uniforme vagabundo!"

“Eu também darei um jeito nesse seu uniforme vagabundo!”

Outra coisa que queria muito conversar com as amigas foi sobre a cena pós-Carol-Danvers-transformação, em que a Kamala se desespera, porque apesar de seu desejo ter sido realizado, ela se sente em um pesadelo e só quer voltar a ser ela mesma.

Kamala ms marvel

“Acorda, Kamala. Acorda, acorda.”

Foi ao ler este quadro que fiquei ainda mais antenada na importância da Kamala: definitivamente, ela é uma das melhores e mais importantes personagens já criadas nos quadrinhos no últimos tempos.

Me chamem de exagerada, mas, na minha opinião, Kamala Khan é a mais importante criada nos últimos 14 anos, pois:

1) Depois do 11 de setembro, árabes muçulmanos ganharam uma fama absurda de que todos são terroristas. Tenho uma amiga que viajou dentro dos EUA com um árabe no avião e disse que passou o tempo todo com medo de um atentado. Kamala está aí para acabar com o preconceito de que todos os muçulmanos são terroristas. Literalmente. Usaram a Kamala para mudar as mensagens de preconceito contra islâmicos em um ônibus em em São Francisco

2) Ela é uma adolescente que não se encaixa não apenas por ser uma adolescente (é uma crise normal e ela passa, não se preocupem, jovens padawans), mas porque ser loira de olho azul é o que há e Kamala tem problemas de aceitação por conta disso. O pessoal faz piada da cultura e da religião dela, porque eles são mais conservadores em certos aspectos, o que é completamente diferente da cultura americana, que é bem aberta. Nakia, por exemplo, usa véu por opção e Zoe pergunta se ela foi obrigada pela família, obrigando Nakia a explicar que o pai dela pensa que é só uma fase. Percebam o absurdo.

3) Kamala é uma mulher protagonista que não é subestimada por ser mulher ou adolescente.

4) O fato de Kamala ser uma adolescente normal com problemas comuns que a maioria dos adolescentes têm, facilita a identificação, pois a jovem discute com os pais, está passando por uma fase de aceitação e descoberta, tem amigos, acorda com o cabelo bagunçado… Não tem mistério.

Posso passar o dia justificando minha opinião, mas não tenho um dia e, infelizmente, o post ficaria maior ainda se eu fizesse isso, então vou parar por aqui.

LEIAM OS QUADRINHOS DA NOVA MS. MARVEL, PROMETO QUE ELES VALEM A PENA E MUITO.

Sei que não teve lançamento no Brasil e nem tem previsão, mas sempre podemos divulgar e mandar e-mails enchendo o saco da Panini para que eles lancem aqui. Quero estes quadrinhos para o ano passado, Panini!!

Classificação: Cinco mostardas amarelinhas.

P.S.: Como pesquisei bastante informação porque tiveram frases e conceitos árabes e paquistaneses que não compreendia, aproveitei para fazer tipo um dicionário com explicações sobre o que descobri. Passei tudo o que anotei no meu caderninho para o docs e, modéstia parte, acredito que ele será bastante útil para compreender mais sobre algumas passagens do volume 1, No Normal. Você pode acessá-lo aqui.*–

*Esse post demorou para ser publicado por conta desse documento, HAHAHA! Mas é que realmente me empolguei!

5 maneiras de diversificar a sua leitura

24 de fevereiro de 2015 às 18:17, por

Vocês já sabem que nós do NUPE assinamos embaixo do Manifesto Irradiativo que defende uma maior diversidade na literatura especulativa nacional, mas nós também procuramos colocar essa diversidade na nossa vida de leitores em geral. E um ótimo lugar pra buscar mais livros diversos ou dicas sobre como diversificar a sua leitura é o Book Riot. Na semana passada a Amanda Nelson, editora do site, fez um vídeo dando cinco dicas para diversificar a sua lista de leituras e eu resolvi trazer e adaptar essa lista para o NUPE.

Diversidade! É isso aí!

 

1) Escolha um formato/gênero para dedicar a ler com diversidade:

Diversidade em livros infantis nos EUA em 2012: 3% sobre afro-americanos, 1,5% sobre latinos, menos de 1% sobre indígenas, 2% sobre americanos da região da Ásia-Pacífico e 93% sobre brancos.

Você pode decidir que todos os ebooks que ler esse ano vão ser de autores fora do padrão homem-branco-cis-heterossexual. Ou que todos os livros que comprar até o final do ano vão ser de autores de minorias. Você também pode escolher um gênero específico e um tipo de diversidade específico. A Bell, por exemplo, decidiu que só vai ler livros de fantasia escritos por mulheres. É um tipo de compromisso ótimo pra quem precisa de um desafio pra cumprir.

 

2) Use os preconceitos dos algoritmos a seu favor!

“Eu não sabia que mulheres, que mulheres negras, podiam escrever livros, e eu não sabia por que eu não sabia disso.”

Quando você procura por um livro na Amazon, no Submarino, no Goodreads e em outras lojas, os algoritmos que os sites usam indicam outros livros parecidos com aquele que você escolheu, agrupando livros em categorias. Os termos que eles usam tendem a ser generalistas e meio preconceituosos, como “literatura africana”, “livros sobre asiáticos” e outros termos que jogam várias culturas/experiências no mesmo saco. É aí que você pode pegar esse pensamento horrível e usá-la ao seu favor, já que se você buscar um livro da Chimamanda Ngozi Adichie no Submarino, ele provavelmente vai te indicar outros livros sobre feminismo ou de autores nigerianos e, sabe, lê-los também!

3) Diversifique as suas fontes de recomendações de livros:

“Vocês conseguem encontrar personagens que parecem com vocês nos livros?”

Todos nós temos os nossos booktubers, blogs, revistas e sites favoritos que combinam direitinho com o nosso gosto literário, mas alguma coisa está errada se 90% das indicações desses canais são de livros escritos por homens brancos heterossexuais: isso significa que tem todo um novo mundo de possibilidades pra você explorar! Não estamos falando que você deva parar de buscar indicações nesses canais, mas que pode se esforçar pra procurar um com uma lista de leitura mais diversificada com o qual você se identifique, aceitar as indicações dos dois e ser feliz e consciente.

4) Peça indicações para a equipe do NUPE! (e para bibliotecários!)

A gente vai fazer mais ou menos isso com você.

Como eu disse lá em cima, nós também queremos ler diversamente e procuramos indicações de livros diversos, então você não tiver ideia de por onde começar, pode perguntar pra gente por e-mail ou lá pelo twitter que a gente te ajuda a pensar em algum livro que combine com o seu gosto!

“Mas Tassi, eu quero EXPLORAR!” Ok, a gente sabe que bibliotecas não são as coisas mais fáceis de encontrar no Brasil, infelizmente, MAS ELAS EXISTEM! E FORA DAS ESCOLAS! Você sempre pode procurar uma perto de você, bater um papo com o bibliotecário e ver o que ele tem pra te indicar. Parece abuso, mas eu garanto que ele vai te adorar se você parar pra ouvir o que ele tem a dizer!

5) Pense em um lugar para o qual você quer viajar e leia um autor de lá!

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Nada melhor pra ter o gostinho do lugar que você quer conhecer do que ler as ideias de uma pessoa que nasceu nele, né? Mesmo em livros de fantasia e ficção científica, você consegue pegar bastante coisa das influências daquela pessoa e do lugar em que ela nasceu e cresceu.

Assim você não só lê com mais diversidade, como também fica mais estimulado em guardar dinheiro pra fazer a sua viagem!

 

 

E seguindo esses passinhos simples você pode diversificar a sua lista de leitura conscientemente, mas sem fazer muita força! Você pode ver o vídeo original que inspirou esse post aqui e o site também tem uma série de posts muito interessante sobre o tema.

EDITORA DO NUPE

23 de fevereiro de 2015 às 21:35, por

editoradonupeNós do NUPE adoramos ler, ainda que as resenhas que escrevemos não acompanhem nosso ritmo de leitura, e antes do aniversário dos cinco anos de existência do blog, decidimos fazer um post conjunto sobre os livros que mais queríamos que fossem lançados no Brasil se tivéssemos uma editora, pois eles são os nossos queridinhos.

Este era para ser um texto no mês do aniversário, mas não rolou. Sei que todo mundo que lê o NUPE se questiona como ainda existimos porque sempre temos posts e ideias que nem sempre vão para frente, se serve de algum consolo, tivemos uma discussão séria (só que não) sobre isso e entramos em pânico porque o Diego é do Conversa Cult também e eles são tão organizados que entramos em uma situação de desespero pela organização deles. COMO ELES CONSEGUEM FUNCIONAR? COMO É SER ORGANIZADO? COMO? COMO?

Este é um grande mistério da vida…

… que não será solucionado tão rápido, então vamos aos nossos escolhidos!!

Bell

spiritwalker

Trilogia Spiritwalker, da Kate Elliott: A trilogia Spiritwalker é uma série que eu traria para cá porque se passa num mundo de fantasia inspirado na Europa do Século XVIII, no meio de uma revolução industrial conturbada e tem MAGOS! INTRIGA POLÍTICA! MUNDO ESPIRITUAL! ASSASSINOS!! Além disso, é um cenário extremamente diverso, em que 99% dos personagens são POC*. Também tem um romance muito legal, personagens cativantes e amizade forte entre mulheres. O primeiro volume é mais lento, mas não deixa de ser uma história maravilhosa e CAT EU TE AMO VOCÊ É A MELHOR PROTAGONISTA. (Val: ASSINO MUITO EMBAIXO, TÁ?)

high school debut

Koukou Debut, da Kazune Kawahara (Mangá): Já fiz post sobre esse mangá aqui e é uma história que gosto muito, porque é divertida e tocante. É uma premissa que acho que interessa públicos além das pessoas que estão habituadas a lerem mangás e uma ótima porta de entrada para o MUNDO MÁGICO DOS SHOUJOS!!! É uma pena que as editoras daqui não apostem e invistam em marketing pra demografia…

Tassi

his fair assassin

Trilogia de His Fair Assassin, da Robin LaFevers: Só li o primeiro, mas ele é bom o bastante pra que eu queira a trilogia por aqui. Já fiz uma resenha! (Val e Bell: ASSINO EMBAIXO)  Edit: A V&R COMPROU OS DIREITOS!!!!!

The Lynburn Legacy

Trilogia The Lynburn Legacy (acho que é uma trilogia), da Sarah Rees Brennan: Porque a protagonista é o máximo e SENTIMENTOS. MUITOS SENTIMENTOS. E DOR. A Sarah come os corações dos leitores e bebe suas lágrimas todos os dias pela manhã. (Bell: SARAH REES BRENNAN VOCÊ É MARAVILHOSA E ESSES LIVROS SÃO ÓTIMOS)

Val

Penryn & the end of days

Trilogia Penryn & the End of Days, da Susan Ee: Só falta sair o último livro, mas ainda assim, esta é uma trilogia (de dois livros, por enquanto) SENSACIONAL e acho que mesmo que o livro final cague com tudo, os outros livros são tão geniais que não teremos um efeito How I Met Your Mother, no qual a última história acaba com e estrague tudo o que aconteceu e todos os personagens. Escrevi a resenha do primeiro livro, Angelfall, e já até divulgamos a capa do último livro em uma newsletter!

amy & roger's epic detourAmy & Roger’s Epic Detour, da Morgan Matson: Este é um dos meus livros favoritos da vida, porque ele é engraçado, ele é triste, ele te irrita, mas quando você menos percebe, você está fazendo “AAAAAWN” e fechando o livro com um sorriso no rosto. Na nossa editora do NUPE, Amy & Roger’s Epic Detour seria uma prioridade (sinto muito, amigos NUPEanos, mas eu totalmente daria um jeito para ele ser prioritário e a Dayse seria um recruta nesta campanha), porque tem uma história maravilhosamente cativante e é interativo com seus cartões-postais, mapas e playlists. Além de tudo é um livro que não estamos acostumados a ver no Brasil, com uma história que se passa em uma viagem de carro e essa é uma premissa muito boa.

Lucas

among others

Among Others, da Jo Walton: Esse é dos livros mais significativos de fantasia que eu li. Eu o considero um novo clássico, desses que aparecem e a gente já sabe que vai ser uma dessas histórias que deveriam ser lidas por todas as pessoas do universo. Ele conta a história de uma menina com uma mãe bruxa e um pai ausente, que tem uma deficiência em uma perna e vai para uma escola interna. Lá, ela se refugia nos livros de fantasia e ficção científica e descobre um universo completamente novo. Ele é todo narrado na forma de um diário, o que dá um aspecto bastante intimista para a história, e por mais que não seja um livro cheio de ação e reviravoltas, ele certamente é um daqueles que entrariam em primeiro lugar nas impressoras da editora do NUPE.

redshirtsRedshirts, do John Scalzi: Vamos falar sobre homenagens e sobre Star Trek? Esse livro tem tudo isso. É, antes de mais nada, um livro para fãs de Star Trek, mas adivinhe só: eu não sou um fã. Eu mal vi dois episódios de William Shatner e Leonard Nemoy lutando contra seres intergaláticos. E ainda assim eu adorei esse livro. Ele é um daqueles que a gente não pode entregar muito a sinopse para não estragar a surpresa, mas se você conhece um pouquinho que seja sobre Star Trek, sua experiência já será absurdamente divertida. Se você é um fã, então, aposto que vai querer casar com esse livro. (DIEGO e BELL: ASSINO EMBAIXO)

Diego

the happiest days of our livesThe Happiest Days of Our Lives, do Wil Wheaton: ou qualquer livro dele, realmente. Esse, em particular, é uma coletânea de crônicas sobre o que é ser um pai geek e sobre passar seus valores para as próximas gerações através das suas paixões culturais. Como defensor do estabelecimento de uma cultura geek brasileira, acho Wheaton pertinente. Gostaria de publicar ele por ser über fofinho, mas também para esfregar na cara das pessoas que dizem que fãs de história em quadrinho/gamers/cosplayers/fãs em geral são imaturos e deveriam largar mão de suas paixões para “crescer”. Wheaton tem 42 anos e seu fanatismo nunca o impediu de ser um pai presente.

dreams and shadows

Dreams and Shadows, de C. Robert Cargill: Sombrio e perturbador, um conto de fadas moderno que realmente me agrada – coisa rara de encontrar, pois, na minha opinião, é difícil acertar a mão nessa temática. Ou se força muito a violência na história ou ela simplesmente fica brega. Dreams and Shadows, assim como sua continuação, Queen of the Dark Things, consegue acertar o tom e trazer um universo mitológico muito divertido e envolvente. São histórias gostosas de ler para quem quer se entreter com algo que não seja leve demais e não gosta de finais felizes. Digamos que isso se encaixa como “literatura de entretenimento sombria” e é isso que eu acho legal.

o sol é para todosBonus Track: Gostaria de aproveitar pra dizer que se tivéssemos uma editora, eu também faria de tudo para republicar os clássicos que vão sendo esquecidos pelo mercado se tornam difíceis de achar. O Sol é Para Todos, da Harper Lee, por exemplo, é uma raridade e eu tive de garimpar um volume dos anos 60 para conseguir ler. É um dos melhores livros da minha vida e simplesmente não posso recomendar para as pessoas porque, bem, ele não está mais nas livrarias.

Nath

jessica darling

Série Jessica Darling, da Megan McCafferty: Eu diria que Jessica Darling é um clássico de YA americano. Os cinco livros da série seguem a vida de Jessica (NotSo) Darling por mais ou menos 10 anos e é incrível o tanto que a gente se importa e ama as personagens, por mais que não tenha acompanhado a série com o lançamento linear. Tem um post aqui que explica bem melhor todo o amor. Se o NUPE fosse uma editora, essa ia ser minha primeira sugestão. Como é apenas ficção, tomara que alguma editora copie as ideias daqui! :)

E então?  O que acharam das nossas escolhas? Quais outros livros você recomendaria para a nossa editora dos sonhos?? <3

*POC: “People of Color” ou “pessoas de cor”, em português. É um termo americano para se referir a todas as pessoas não-caucasianas.

O dia em que a natureza venceu

18 de fevereiro de 2015 às 16:22, por

Não sei se alguém já contou isso para vocês, mas a natureza sempre tem um jeito de sair ilesa das coisas que o ser humano faz. Todo mundo sabe que, no fim do mundo, a gente vai embora e o mundo vai arranjar um jeito de se restabelecer – ou, sei lá, explodir de uma vez por todas. Mas, no fim das contas, é uma decisão da natureza e não nossa, o que quer dizer que, não importa o quanto tentemos nos impor contra ela, uma coisa é certa: a natureza sempre vence.

Aprendi isso com um morcego.

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Essa história aconteceu comigo nos idos de 2012, quando eu era um jovem estagiário trabalhando em uma mansão mal assombrada disfarçada de centro cultural em uma esquina das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O lugar era incrivelmente bizarro, com um banheiro que ainda mantinha uma banheira – onde eu tinha certeza que alguém provavelmente havia se matado e/ou sido assassinado –, escadas que rangiam quando a gente subia e descia, portas que batiam por conta do vento e aquilo que veio a ser conhecido como o cenário desta história: o auditório Clarice Lispector.

Pelo nome, vocês já devem imaginar como o lugar era. Mas, se não conseguirem, eu ajudo: logo na porta havia um grande pôster com uma foto do rosto da escritora, as bordas do papel ressecadas pelo tempo e as manchas de idade fazendo aquilo ter o aspecto de ao menos trinta anos; a porta, vermelha e coberta por uma cortina pesada e azul, bloqueava a luz de fora quando acontecia algum evento naquele palco; as cadeiras para a capacidade de mais ou menos quarenta espectadores eram revestidas de camurça vermelha, e as paredes eram acolchoadas para melhorar a acústica.

A Casa de Leitura *insira música macabra na trilha sonora*

A Casa de Leitura *insira música macabra na trilha sonora*

E ali, naquele lugar que todos acreditavam ser mal assombrado, vivia um morcego.

Era a dor de cabeça de todos os eventos: todos estavam ali, tranquilos e felizes, aguardando o início de uma peça ou uma leitura de poesias, e o Batman (sim, a gente deu esse apelido pra ele) aparecia sobrevoando as cabeças de todos. Logo, o morcego virava a atração da noite e distraía todo mundo, e os eventos acabavam se tornando O SHOW DO BATMAN, com direito a mortais de cabeça para baixo, voos rasantes e aparições e desaparições fora de sincronia daquele serzinho de menos de vinte centímetros.

Todo mundo sabe que morcegos são nocivos aos humanos, seja por medo de que se transformem em vampiros, seja por passarem doenças e tudo o mais. Então precisávamos arranjar um jeito de nos livrar dele.

Não podemos parar aqui. Essa é uma cidade de morcegos.

Não podemos parar aqui. Essa é a cidade dos morcegos.

A primeira ideia foi libertária: o zelador do centro cultural (saudades, Seu Rangel!) abriu a porta do auditório e deixou a noite virar, rezando para que a criatura de asas negras voasse e fosse embora dali na calada da noite. É claro que Batman não foi. Ele gostava de lá. Era um lugar bom, quentinho e com a quantidade exata de luz e trevas para alguém tão avesso ao sol. Para falar a verdade, eu também não sairia.

Depois, a ideia um pouco mais drástica, que oscilava entre a última gota e a ideia politicamente correta: VAMOS EXPULSAR ESSE SER À FORÇA! Munido de uma vassoura, um grito de guerra e uma vontade imensa de acabar com aquilo, Seu Rangel bateu em todas as arestas daquele auditório em busca de Batman: bateu cortinas, ligou luzes, subiu escadas… e, por um momento, pareceu ter surtido efeito. Batman havia desaparecido, não estava em nenhum lugar onde pudesse ser visto.

Talvez ele fosse um fantasma e nunca tivesse existido. Talvez tenha se assustado com os gritos de Seu Rangel e tivesse voado para outro lugar.

Por algum tempo, pensamos estar em paz.tumblr_n0j0kfpv5r1sgznsao1_500

Mas então aconteceu outro evento que necessitava do auditório, e lá estava Batman sobrevoando todas as cabeças, rindo da nossa incompetência em pegá-lo de uma vez por todas. Talvez o espírito de Clarice o tivesse ajudado a se esconder. Ninguém soube dizer, mas ele estava ali, nos espreitando.

Estávamos intrigados, mas, acima de tudo, enraivecidos pela presença de Batman. Precisávamos dar um ponto final naquilo. Uma medida drástica precisava ser tomada.

Tínhamos que matar Batman.

A ideia era simples e, até certo ponto, eficiente: Batman era frugívero, ou seja, se alimentava basicamente de frutas. Uma banana seria suficiente para resolver nosso problema. Seu Rangel foi até a venda da esquina, comprou um cacho de bananas, separou uma e introduziu pequenas bolinhas de chumbinho dentro dela, como um personagem de um livro da Agatha Christie que está pronto para assassinar seu desafeto. Todos estávamos satisfeitos: seria o fim de Batman.

Seu Rangel posicionou a banana estrategicamente e, durante aquela noite, esperamos.

Aos que não sabem, chumbinho é um veneno altamente tóxico utilizado para matar roedores, mas seus efeitos são tão nocivos que é possível matar um ser humano com uma quantidade razoável do produto. Por isso, é um produto de comercialização ilegal. Naquele momento, ninguém se questionou porquê Seu Rangel tinha chumbinho no armário do almoxarifado. Nossa determinação pelo sangue de Batman era tão grande que acabamos sendo um pouco irracionais.

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Mas logo descobrimos porque tínhamos aquele veneno disponível em nossos estoques: ele havia sido comprado antes da proibição, e ficou ali por anos, esquecido no fundo de um armário qualquer.

Descobrimos isso da pior maneira possível.

Ao abrirmos o auditório no dia seguinte, fomos atingidos por um cheiro pungente que nos pegou de surpresa. A princípio, pensamos que Batman havia morrido de um jeito cruel e repugnante, e que havia apodrecido em menos de oito horas. Mas não foi o caso. Porque vejam bem, o chumbinho estava estragado. E coisas estragadas, quando ingeridas, provocam apenas uma coisa no intestino, seja de morcegos ou de seres humanos.

Diarreia.

Foi como se Batman tivesse comido um rodízio de repolhos com ovos e batatas doce. Era como se tivesse comido um quilo de chocolate derretido e suco de mamão papaya com açúcar demais. Era uma cena de guerra. Um desastre. Porque a aerodinâmica do morcego fez com que ele agonizasse de dor em pleno ar, batendo asas e espalhando bananas digeridas e pedaços de chumbinho estragado por todo o auditório. As paredes de tecido se tornaram quadros de Pollock, o chão virou uma latrina da Segunda Guerra Mundial, e as cadeiras pareciam ter sido cobertas por barro. Só que não era barro. Era o Batman.

Nesse dia, aprendemos que a natureza não deve ser contrariada. Porque Batman continua vivo. Pois é, ele não morreu. Ou ao menos pensamos que ele não morreu. Pode ser que tenha se tornado um espírito, que espera o momento certo para se vingar daqueles que o humilharam de forma tão escatológica.

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~dancinha da vitória

Faz quase três anos que não vou mais naquele casarão das Laranjeiras. Eu digo que é porque não tenho tempo, não consigo encaixar um horário, não consigo me organizar… mas a verdade é que sinto medo. Medo de que Batman se volte contra mim e contra todos os que articularam essa tentativa falha de matá-lo. Porque ainda é possível encontrá-lo lá, se você tiver sorte, durante um evento literário onde ele voará e fará suas acrobacias em meio a todos, se tornando a atração principal da noite.

Como Melhorar Seu Inglês Com This American Life

16 de fevereiro de 2015 às 14:00, por

Oi, gente, e aí, beleza. Ótimo, vamos direto ao assunto.

Esse ano começou muito bem para mim porque voltei a fazer algo que eu não sabia que amava tanto: dar aula de inglês.

eu registrei no instagram e tudo o mais

eu registrei no instagram e tudo o mais

E, como escrevo nesse blog há alguns anos, eu sei que uma das perguntas mais comuns que a gente recebe é: quais livros/quadrinhos ler para melhorar/praticar inglês e essas coisas.

Pois estou aqui para recomendar algo que não é (exatamente) de ler, mas que pode te ajudar muito na sua fluência. ESSA COISA É: PODCASTS. Mais especificamente: THIS AMERICAN LIFE.

Se vocês me seguem no twitter, vocês viram, uns meses atrás, que eu fiquei um tanto quanto obcecada com um certo podcast chamado Serial. Eu fiquei obcecada por vários motivos, um deles foi a narrativa que o podcast deu para a história que eles estavam investigando. Era um jornalismo que eu mal reconhecia, de tão bom que era. (Eu sou meio que amargurada com jornalismo em geral, mas isso não vem ao caso).

Enfim, Serial é uma produção do mesmo pessoal de This American Life, e como minha amiga (oi, Anadebs!) já tinha me indicado esse programa, eu decidi dar uma chance.

Foi paixão a primeira escutada. Vou explicar.

This American Life funciona assim: todo episódio eles escolhem um tema. De acordo com esse tema, eles coletam histórias de pessoas normais pelo país (e mundo) afora para compartilhar nesse episódio. O programa é dividido em atos, e, normalmente, cada ato é uma história diferente.

Alguns episódios são especiais, com uma história só, e às vezes até com dois episódios focados na mesma história, porque é muita coisa para informar. Esses episódios especiais são normalmente sobre coisas mais polêmicas e que recebem holofotes da mídia. Muitos desses episódios são premiados e tudo o mais, basicamente porque This American Life costuma pegar grandes histórias que foram infladas pelo sensacionalismo, e dão espaço para pessoas comuns que são diretamente afetadas por esses acontecimentos compartilharem a opinião delas.

Eu amo esses episódios especiais e premiados, claro. Mas para mim, a grande graça de This American Life é o “causo do dia-a-dia”. Pessoas comuns que tem uma anedota interessante para compartilhar. Histórias tristes, engraçadas, fofas, absurdas, chocantes e etc. A grande graça de This American Life é o tal do “realidade mais estranha que ficção”.

This American Life pode te ajudar MUITO com a fluência do seu inglês por dois motivos principais: o primeiro é que por ser um programa de rádio, as pessoas têm que se esforçar ao máximo para serem o mais nítido possível. Então eles pronunciam tudo claramente e com cuidado. E segundo, TODOS os episódios online têm seus respectivos transcripts disponíveis. Então você pode ouvir enquanto lê, e acompanhar melhor.

Se você se interessou em usar This American Life para melhorar seu inglês, aqui está uma lista de episódios favoritos que eu tenho.

New Beginnings (transcript)

Esse é o primeiro episódio ever de This American Life. Na época nem chamava This American Life, mas o espírito era o mesmo. Eles coletaram histórias de várias formas que pessoas começam a vida de novo, e tem uma história em particular, de um homem que foi condenado por um crime que não cometeu e só depois de 20 anos foi inocentado, que é uma das coisas mais tristes e bonitas que eu já ouvi.

24 Hours At The Golden Apple (transcript)

The Golden Apple é um diner comum de Chicago, e o pessoal de This American Life decidiu fazer turnos lá, por 24h, entrevistando pessoas e garçonetes. Basicamente observando quem ia e vinha. São histórias variadas, de um homem e uma mulher que se reencontraram depois de dois anos do término do namoro, à duas adolescentes melhores amigas que querem aproveitar uma noite de verão conversando com caras de quem gosta, até uma garçonete que não é uma pessoa noturna, mas trabalha os turnos da madrugada no restaurante. É muito lindo ver a variedade de pessoas que aparecem nesse episódio, algumas engraçadas, outras doidas, bêbadas, melancólicas e etc. Eu sei que isso soa brega, ams é genuinamente uma celebração de Vida, sabe? São pessoas… vivendo. Basicamente.

The Super (transcript)

Esse episódio é super louco, sobre pessoas que tomam conta do prédio (zeladores e superintendes). O primeiro ato é o mais fascinante, sobre um homem que declarava que podia matar o presidente do Brasil sem ser preso e várias outras histórias loucas. Esse mesmo acaba se metendo em uma história louca de assassinato e é uma reviravolta incrível nos absurdos que ele contava.

Babysitting (transcript)

Eu acho que esse está no topo dos meus episódios favoritos. Todos os atos desse episódio são incrivelmente fascinantes e lindos. Tem a história de um irmão e uma irmã que fingiam trabalhar para uma família de espiões para poder ter um pouco de liberdade da mãe abusiva. E uma história super melancólica de menores desacompanhados que ficaram presos em um aeroporto por causa de uma nevasca. O engraçado é que essa história que inspirou o filme Menores Desacompanhados, que é uma comédia. Enfim, é um bom episódio.

Haper High School Part I (transcript) | Part II (transcript)

Esse é um daqueles episódios especiais de duas partes que eu mencionei antes. É sobre uma escola pública num distrito bastante violento de Chicago. Essa escola, todo ano, perde muitos alunos por causa de armas e gangues. Não é o tipo de massacre que costuma ficar famoso em jornais, com uma pessoa louca aparecendo na escola e atirando em todo mundo. São mortes individuais, que acontecem com frequência, por motivos variados. Nesses dois episódios, os repórteres de TAL acompanham por alguns meses a vida dos alunos e dos funcionários dessa escola, e o motivo de eles estarem tão envolvidos em gangues, crimes e violência. É um dos episódios que mais mexeu comigo, que mais me deixou inquieta, com raiva da sociedade, com vontade de fazer alguma coisa para mudar. Se você é do tipo que chora… bem, você vai chorar.

No Coincidence, No Story! (transcript)

Eu nem tenho muito o que falar sobre esse episódio, o título é bem auto-explicativo. É uma história sobre coincidências da vida. Eu prefiro não entrar em detalhes sobre o que cada ato fala, porque a graça estar em escutar a história e ser surpreendido com a coincidência no final. Então, se você gosta desses acasos da vida que não têm explicação, acho que você vai gostar desse episódio.

If You Don’t Have Anything Nice To Say, SAY IT IN ALL CAPS. (transcript)

Esse é um episódio recente, sobre comentários de internet. Então já dá para saber como as coisas ficam absurdas. Mas o legal desse episódio é que um ex-troll dá uma entrevista para a menina que ele costumava perseguir, e é bem intenso. Abuso na internet é algo muito comum, infelizmente, e muita gente nem pensa muito no assunto. Mas é algo que pode causar estragos genuínos na vida e no emocional de alguém.

Vou parar por aqui. Ainda tem vários outros episódios que eu AMO MUITO e ainda estou bem no comecinho da minha maratona (são mais de 500 episódios no total, e eu só ouvi uns 40), então se alguns de vocês gostarem de TAL, comentem aí que eu volto com outro post contendo mais indicações. ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM, PORQUE É MUITO BOM!

Beijos!

3 + 1 razões para Through the Woods ser lançado no Brasil

13 de fevereiro de 2015 às 11:41, por

81CR6Dx-2LLHoje eu quero falar dessa obra mágica chamada Through the Woods e fazer um apelo às editoras do Brasil para que mais dia, menos dia (preferencialmente menos dia) eu possa encontrar essa antologia em quadrinhos incrível em uma vitrine de livraria por aí. Eu poderia resumir os motivos para eu querer que isso aconteça simplesmente em: É INCRÍVEL, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!! Mas eu vou tentar ser um pouquinho mais eloquente para convencer vocês bonitinho, tá bom?

Então aqui vão os motivos:

1 – Os Booktubers já estão falando dele lá fora.

Copy-of-Through-The-Woods-Emily-Carroll-6Fiquei totalmente intrigado quando vi a Ariel Bissett soltar tantos elogios para uma história em quadrinho. Foi assim que conheci Through the Woods, realmente. Desde então, já vi várias pessoas interessadas na obra – inclusive a Tassi aqui do NUPE e a Bianca Pinheiro, autora de Bear e bússola para HQ’s de qualidade em geral. Mais booktubers começaram a falar do livro de lá para cá – aliás, de repente todo mundo está falando dele. Mais recentemente a Catriona (<3) falou como estava entusiasmada para começar a ler logo ele. Ou seja: o hype está em intensa construção e não aparenta diminuir tão cedo.

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2 – A arte é maravilhosa

É sério, eu estou completamente apaixonado pelo estilo da Emily Caroll. Ou melhor, pelos estilos, já que ela consegue variar o traço e o tom de cada uma das cinco histórias que compõem Through the Woods. De algo mais rebuscado com referencias meio vitorianas a alguns momentos em preto e branco com aspecto de rascunho, o livro apresenta um leque rico e ainda assim consistente. A simplicidade de seu traço, especialmente na caracterização dos personagens, me fez pensar em alguns momentos no Bryan Lee O’Malley, que é um dos meus quadrinistas favoritos (mas é só nesse detalhe em que eles se assemelham, já que o estilo de suas histórias é completamente diferente.

Enfim, eu estou pondo um monte de imagens, então vocês podem ver por si mesmos o quão legal é a arte dela.

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3 – Dá medo. De verdade.

Vocês tem noção do que é gritar enquanto está lendo uma história em quadrinhos? Por que eu realmente não tinha antes de ler Throught the Woods. É tudo tão envolvente e denso que você se vê completamente afundado no ambiente da história. E se aproveitando disso, Emily não tem dó e trabalha de forma genial o ritmo das história para nos levar sem que percebamos para aquele momento de arrepiar até a alma para fora do corpo.

tumblr_mxga404PjY1r9pd2fo5_1280Eu não tinha como dar menos de cinco estrelas para ele depois de ter gritado. Se o propósito era assustar, ele conseguiu isso com louvor. Inclusive, a frase que fecha a obra é uma que ainda me tira um pouco do sono – ou pelo menos me faz fechar a janela do quarto antes de adormecer. (vou por ela no final do post. Leia por sua conta e risco, mas saiba que a experiencia é muito melhor quando se está imerso no livro. E eu não vou traduzir as outras páginas propositalmente, visto que a intenção é mostrar a arte)

MOTIVO BÔNUS: Porque eu compraria de novo.

Tá, não é lá um bom motivo, mas prova o quanto eu gostei do material. Eu compraria uma edição nacional para mim, e umas pros amiguinhos conhecerem também, e umas outras pra deixar na soleira da porta das inimigas junto com um papelzinho escrito “SOON” pra perturbar elas. Enfim, ele faria parte cativa da minha lista de recomendações para todo mundo no universo e além.

ENTÃO VAMOS LÁ, EDITORAS BRASILEIRAS, FAÇAM ISSO ACONTECER! ESTOU CONTANDO COM VOCÊS!

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“Ah, mas você deve viajar pela floresta de novo e de novo…” disse a sombra na janela. “…e você tem de ter sorte para evitar o lobo sempre. Mas o lobo… o lobo só precisa ter sorte o bastante para te encontrar uma vez.”

Sobre o Homem-Aranha no UCM

10 de fevereiro de 2015 às 19:56, por

Dinheiro é bom. Com ele, você compra comida, segurança, refeições, entretenimento e muitas outras coisas boas como pizza e hambúrguer. Os estúdios gostam muito de dinheiro. Não é difícil ligar os pontos e perceber que a Sony ceder à pressão da Marvel Studios (e dos fãs) era só questão de tempo, um negócio inevitável mesmo. Aliás, você sabe como começou essa treta, né? A Marvel estava falindo nos anos 90 e precisou fazer um dinheiro rápido. Para isso, eles venderam os principais heróis da editora, os “medalhões”. A bagunça era tanta que a situação dos direitos autorais era a seguinte:

antes

É.

Agora, precisamos frisar algumas coisas sobre o anúncio da Marvel:

  • Eles dizem que a Sony traz a Marvel para o espetacular mundo do Homem-Aranha e não o contrário;
  • Há “um novo Homem-Aranha”, ou seja, ou Andrew Garfield dançou ou a encarnação que surgirá nos próximos filmes é diferente mas interpretada pelo mesmo ator (a primeira é mais provável, óbvio);
  • Avi Arad está fora da jogada como alguém que tem poder de decisão, vai ter só um crédito de produtor e isso é ótimo (basicamente, todas as cagadas que aconteceram do Homem-Aranha 3 do Sam Raimi pra cá são culpa dele);
  • Não estão definidos quais serão os limites dessa parceria, mas ao que tudo indica é uma espécie de “guarda compartilhada” dos pais separados de uma criança prodígio que rende muito dinheiro.

Desse jeito, o quadro fica assim:

agora

Ótimo, né? Em partes.

O que possibilitou o Universo Cinemático Marvel estar onde está é justamente o fato de que em 2005 – quando Kevin Feige e sua patota resolveram parar de desenvolver filmes em conjunto com outros estúdios e fazer os próprios filmes – tudo o que eles tinham eram os personagens que são o núcleo dos Vingadores. O que funcionou muito bem para eles, diga-se de passagem. Trazer o Homem-Aranha para esse jogo pode ser perigoso porque podem começar a apostar demais nele, dar um destaque que não cabe ou mesmo implodir todo o universo deles por causa disso. Ok, talvez eu tenha exagerado nessa última parte. O que eu quero dizer é: há tanto a possibilidade disso dar muito certo quanto de dar muito errado.

Pessoalmente, eu consigo enxergar os seguintes cenários:

1) Miles Morales direto como Homem-Aranha

Precisamos falar sobre o elefante na sala, porque ele é exageradamente branco. Apesar de ser bastante progressiva nos quadrinhos, principalmente no que diz respeito à representação de minorias, o UCM ainda deixa muito a desejar nesse quesito – muitas coisas são compreensíveis do ponto de vista logístico, mas inaceitáveis se pensarmos que eles conseguiram fazer um filme com um guaxinim e uma árvore antes de ter um filme estrelado por uma mulher (ou um homem que não fosse branco). Além disso, para acomodar o lançamento do próximo filme do Homem-Aranha, adivinha que datas foram movidas? Isso mesmo, as do Pantera Negra e da Capitã Marvel.

Usar Miles Morales como Homem-Aranha traria uma diversidade bem-vinda, feriria menos o fato de terem movido essas datas e daria a chance do público de ver um Homem-Aranha diferente. Meu problema com isso? A origem dele depende muito do Peter Parker. Claro que há maneiras de contornar e pular direto pra ele (como fizeram com o Scott Lang e provavelmente farão com a Carol Danvers), mas a principal graça do Miles Morales é que ele se vê obrigado a ocupar o cargo de Homem-Aranha. Spoiler: como o Peter Parker morre, não há alguém que dê a atenção especial que o Teioso dá para Nova York, além do fato de que ele acaba sendo mordido por uma aranha radioativa levemente diferente da que mordeu Peter (resultado de um experimento do Norman Osborn, que está tentando replicar a aranha que deu os poderes a ele). Pular direto pra ele tiraria o peso dessa escolha e deixaria a origem muito parecida com a que vão dar pro Homem-Formiga.

2) Peter Parker já está em atividade há alguns anos

Você pode afirmar com certeza que o Homem-Aranha já não está trabalhando em Nova York? Ok, ignorando o fato de que a parceria só foi firmada agora, a resposta é não. Ele pode muito bem ter ajudado as pessoas de diversas maneiras durante os eventos de Os Vingadores, por exemplo. Isso seria bom porque já dá pra inserir ele num ambiente em que tem diversos vilões definidos e está acostumado a lutar contra eles. Seria melhor ainda porque, ao contrário do exemplo anterior, com ele morrendo nessas circunstâncias daria pra:

  • Ele inspirar o Miles Morales;
  • O público sentir a morte dele;
  • Mostrar a cidade sentindo a morte dele;

Basicamente, essa opção traria o melhor dos dois mundos. Dá pra trazer o personagem amado e dar um fim digno pra ele (coisa que os filmes anteriores da Sony falharam em fazer) e apresentar o Miles Morales de um jeito adequado. Aliás, falando sobre ele, é importante que o ator seja bem jovem. Tem que parecer menor de idade mesmo. Por quê? Existe uma razão para o Homem-Aranha fazer tanto sucesso: ele poderia ser qualquer um. Ao contrário da origem zoada que a Sony inventou nesse último filme, qualquer pessoa poderia ter sido picada por aquela aranha e desenvolveria os poderes dele. O que o faz diferente é que o conjunto de coisas que aprendeu ao longo da vida fez com que ele não só escolhesse ser herói, mas ele se sente obrigado a ajudar as pessoas.

Não é algo opcional.

Isso é algo que mexe muito com o imaginário das pessoas e abre espaço para qualquer um ser esse jovem (ok, não mais tão jovem nos quadrinhos já que ele deve estar com uns 33 anos na fase atual) que se balança por aí. Colocar um rapaz jovem, quase com cara de criança, traria o espectador diretamente pra dentro do filme: Miles Morales não seria apenas o sucessor de Peter Parker, ele seria a gente assumindo o manto metafórico de Homem-Aranha.

3) O Aranha-verso

Uma das coisas mais divertidas quando eu era pequeno era assistir episódios em que equipes se encontravam – mesmo aqueles bizarros em que a turma do Scooby-Doo conhece o Batman –, uniam forças e derrotavam um inimigo em comum. Aliás, acho que todo mundo gosta, senão Vingadores não teria feito tanto dinheiro. Então, uma dos arcos mais recentes do Homem-Aranha é que tem uma galera se juntando pra matar todas as encarnações dele ao longo do multiverso – tipo aquele filme O Confronto, em que o Jet Li sai matando as versões dele até ser o último. “Ah, mas o que isso tem de bom? Continua sendo um bando de versão branca do Peter Parker!” você pode estar pensando.

Bem, sim e não.

Algumas versões realmente são parecidas ou iguais ao Homem-Aranha normal, mas em geral são ou só diferentes ou completamente diferentes. Temos, por exemplo, a sp//DR, que é uma jovem asiática que usa uma armadura tipo mecha, a Spider-Gwen (que esgotou as vendas de todas as edições em que apareceu e recentemente ganhou a própria revista) e muitas outras versões.

Isso é ótimo principalmente no campo das heroínas: a Mulher Aranha fica liberada pra ser amiga da Capitã Marvel e todas as variações de pessoas-Aranha que não são homens podem render filmes bem legais – porque, convenhamos, a maioria das heroínas que poderiam render bons filmes solo pra Marvel Studios estão nos X-Men. Seria só usar os mais famosos pra não dar treta com os fanboys mais ávidos e transformar personagens que não são exatamente versões do Homem-Aranha em personagens solo – tipo a Anya Corazón, que era só ignorar aquela bagunça que é a Sociedade da Aranha no universo regular e fingir que ela é uma variação do Homem-Aranha (além de que com alguns retoques o uniforme dela ficaria muito legal, prático e seguro).

Criando abertura para o Aranha-verso, dá pra trazer uma morte de grandes proporções pro Peter Parker, abrir o precedente do multiverso – que pode trazer um crossover com superequipes de outros estúdios no futuro, tipo X-Men e Quarteto Fantástico e culminar no próximo grande evento da editora – que é uma reformulação de Guerras Secretas aos moldes do Crise nas Infinitas Terras da DC. Além disso, funciona até mesmo como um botão reset de emergência: se em algum ponto acharem que tá tudo cagado, é só iniciar o evento e rebootar tudo de uma vez.

4) Manter a cronologia atual

Tem muitas coisas que se possa reclamar dos últimos filmes do Homem-Aranha, mas o elenco não é uma delas. E a Marvel sabe disso. A química entre Andrew Garfield e Emma Stone, a performance deles nos personagens… são coisas que dá até raiva de saber que vão precisar tirar pros filmes funcionarem.

Mas é preciso.

Como disse ali em cima, um dos principais pontos que forma a base do Homem-Aranha é o fato dele ser um herói do acaso. Ele estava no lugar errado, na hora errada e acabou picado. A cronologia atual da Sony implica que ele só conseguiu os poderes por ser filho do pai dele, que a picada da aranha só funcionaria com ele e isso é uma bosta. Além disso, esse segundo filme tentou tanto ser uma origem pro Sexteto Sinistro que acabaram cagando a origem de todo mundo. E dá-lhe Avi Arad!

5) Cagarem tudo

Além das possibilidades que já falei, há muita chance de que trazer o Homem-Aranha para o UCM pode ser a grande cagada, a última gota d’água numa privada cheia que vai transbordar e sujar todo mundo. Apesar de gostar desse tipo de filme, é óbvio que não é algo que vá durar para sempre – ainda bem! –, mas talvez essa parceria dê muito errado e todo mundo saia perdendo. Tá, só de não ter mais um bando de gente sem saber o que fazer com o personagem que mais rende dinheiro em merchandise já é um avanço, mas continua sendo um avanço com retrocesso.

Muita gente faz apostas há algum tempo sobre quando a bolha vai estourar e filmes de super-heróis vão parar de dar certo, eu só espero que não seja justamente agora que o meu favorito pode ter um filme bom.

Acho que é isso, tenho a impressão de que falei tudo o que precisava. Esqueci de algo? Você acha que vai ser diferente? Quer só reclamar? Os comentários estão ali embaixo.

As Doze Tribos de Hattie – Ayana Mathis

9 de fevereiro de 2015 às 14:58, por

AS_DOZE_TRIBOS_DE_HATTIE_1395153342BTítulo original: The Twelve Tribes of Hattie
Editora: Intrínseca
Data de lançamento: 21/03/2014

Em 1923, aos quinze anos, Hattie Shepherd deixa a Geórgia para se estabelecer na Filadélfia, na esperança de uma vida melhor. Mas se casa com um homem que só lhe traz desgosto e observa indefesa quando seu casal de gêmeos sucumbe a uma doença que poderia ter sido evitada com alguns níqueis. Hattie dá à luz outras nove crianças, que cria com coragem e fervor, mas sem a ternura pela qual todos anseiam. Em lugar disso, assume o compromisso de preparar os filhos para as calamitosas dificuldades que certamente enfrentarão e de ensiná-los a encarar um mundo que não os amará nem será gentil. Contadas em doze diferentes narrativas, essas vidas formam a história da coragem monumental de uma mãe e da trajetória de uma família.

A primeira reação que tenho ao pensar em As Doze Tribos de Hattie é um pequeno sorriso melancólico, desses de quem se lembra de uma coisa ao mesmo tempo triste e incrivelmente verossímil. Comprei o livro nessas promoções onde a gente sai enfiando tudo que está barato no carrinho virtual, sem nem ler muito bem a sinopse, portanto eu não tinha a mínima ideia do que me esperava quando comecei a ler a história, e senhoras e senhores, como essa viagem foi boa.

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O livro conta a história de Hattie, desde sua adolescência nos anos 1920, quando saiu da Geórgia em busca de uma vida melhor na Filadélfia, até sua velhice, quando já conta com uma árvore genealógica que inclui numerosos nove filhos e outros tantos netos.

Hattie é uma mulher negra que vive nos EUA dos anos 1920-1980, ou seja, tudo na vida dela é completamente fora da nossa ideia de igualdade: assim que chega na Filadélfia – um estado libertário no que diz respeito aos negros em comparação com a Georgia, um estado extremamente racista – Hattie se impressiona com o fato de os negros andarem nas mesmas calçadas que os brancos e, quando vê uma mulher tropeçando sobre um arranjo de flores de um florista, se surpreende quando ela pega uma carteira e paga pelo prejuízo, sem que seja xingada, chutada ou humilhada em meio a todos. É nesse cenário esperançoso de possível igualdade que Hattie, seu marido August e o casal de gêmeos recém-nascidos que acabou de ter planejam refazer suas vidas.

Hattie é uma personagem extremamente complexa: ela dá nome ao livro, mas está longe de ser uma heroína convencional. Logo no primeiro capítulo, uma grande perda parece mudá-la completamente, e o fantasma dessa perda é o fio que a guia ao longo de toda a sua vida, e mostra como suas atitudes e seu remorso são (para ela) justificados, além de deixar claro como toda a tristeza que parece perpassar a sua família, mesmo nos momentos de felicidade, parece ser uma consequência direta desse passado infeliz.

Pode pedir adaptação do filme com Viola Davis no papel de Hattie?

Pode pedir adaptação do filme com Viola Davis no papel de Hattie?

Talvez o que mais tenha me surpreendido ao longo do livro seja o formato com o qual foi escrito: Hattie, apesar de ser personagem recorrente em todos os capítulos, dificilmente é uma protagonista. O livro é um drama familiar que segue um formato fixed-up, ou seja, capa capítulo possui um protagonista e um enredo com início, meio e fim bem determinados. Os personagens, por serem todos da mesma família, sempre transitam e participam das histórias uns dos outros, às vezes mais, às vezes menos importantes. E, além disso, as narrativas vão acontecendo ao longo do tempo, e é muito legal vermos um filho de Hattie criança em um capítulo e logo depois com todos os seus conflitos de vida adulta algumas páginas depois.

O leque de conflitos que aparece ao longo do livro se relaciona a Hattie, à forma como ela criou seus filhos e a como ela espera que eles se comportem ao longo da vida. As histórias giram em torno de dramas que vão desde conflitos quanto à sexualidade, passando por questões que dizem respeito ao fato de ser negro nos Estados Unidos racista, passando por loucura, traições, desemprego, vícios e religiosidade. O tom que a narrativa se prevalece é daqueles que sabemos ser profundo, mas que não forçam a barra com metáforas fora de lugar ou palavras rebuscadas. É um livro que passa voando, com suas pouco mais de duzentas páginas em uma diagramação apertada feita pela Intrínseca.

Faço uma pequena ressalva ao trabalho editorial: apesar de ter adorado a capa, que segue a original, encontrei uma série de errinhos irritantes de revisão, que me deixaram um pouco sem paciência ao longo do livro. São coisas pequenas e outras nem tão pequenas assim, sendo a mais grave delas a troca constante do nome do personagem ‘August’ para ‘Augusto’ ao longo de todo um capítulo da história.

No fim, o primeiro livro da Ayana Mathis deixa um gosto agridoce, por nos mostrar tantas dificuldades (sejam elas de cunho pessoal ou social) na vida desses personagens. É um livro extremamente relevante, que se sobressai pela sua linguagem inteligente e por seus personagens extremamente humanos e tridimensionais. Um livraço que recomendo que todos leiam!

Classificação: Quatro Georgias on my mind

8 mangás legais que virão para o Brasil em 2015

6 de fevereiro de 2015 às 18:27, por

Olá, criaturas do pântano! Tudo bem com vocês nesse fim de férias/volta à rotina?

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Todo mundo sabe que o ano não começa de verdade antes do carnaval, então até lá a gente ainda pode refletir sobre 2014 e falar das expectativas para 2015 sem ser julgado, ok? E nessa premissa eu decidi vir aqui comentar alguns dos lançamentos que foram anunciados nos últimos meses no fabuloso universo dos mangás para o gracioso ano de 2015 – alguns dos quais já estão para ser lançados agora em Fevereiro (as previsões estão sujeitas a alterações por parte das editoras), por que aparentemente editoras de mangá trabalham sob um calendário japonês que não tem carnaval ou algo assim (?!).

Vale enfatizar que é uma lista totalmente não objetiva, que não visa tentar falar de tudo o que foi divulgar (o que é, na verdade, bastante coisa), mas apenas os títulos com os quais eu estou entusiasmado – e o motivo para tal. Para conhecer melhor todos os lançamentos, eu recomendo que você acompanhe as páginas das editoras no Facebook (é o que eu faço, pelo menos).

Então vamos lá:

Zetsuen No Tempest

JBC, completo, 10 volumes. Previsão de lançamento: fevereiro.

Se eu for completamente objetivo, esse título me interessou por conta da revista em que é lançada no Japão. A Shonen Gangan é uma publicação mensal  sob a gestão da Square Enix, empresa conhecida no ramo de jogos por suas belas histórias (Final Fantasy, Kingdom Hearts). Essa premissa aparentemente se estende para os mangás também, já que além de material inspirado em suas linhas de jogos, a revista também é a origem de obras icônicas como Soul Eater, Kuroshitsuji (Black Buttler) e provavelmente sua obra mais famosa (e que eu ainda considero o melhor mangá que eu já li): Fullmetal Alchemist.

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As expectativas simplesmente estão altas, a história tem uma mistura de ação, mistério e fantasia e eu achei o traço lindo. Provavelmente compraria só pela capa, mas acabei achando esses outros motivos pra não me sentir tão fútil.

No. 6

NEWPOP, completo, 9 volumes. Previsão de lançamento: ainda não anunciado.

696768-61926_v04_front_superEsse eu quero por que tem meninos quase se beijando (?!). Deixa eu explicar: se vocês pararem para pensar, não existem lá muitos mangás que falem de relacionamentos entre garotos. E por motivos diversos, esse é um tipo de história que eu gosto de ler. Eu nem estou pedindo por um Yaoi, até por que prefiro Shounen-ai’s. Mas acho que não leio algo nessa linha desde Mad Love Chase, que já tem uns anos. Até existe alguma coisa no mercado dentro dessa temática, mas é esquisito demais. No. 6 tem um toque de Sci Fi e parece ser fofinho, então estou com esperanças.

Nanatsu no Taizai

JBC, em andamento, 12 volumes (e contando). Previsão de lançamento: março.

Era apenas uma questão de tempo até Nanatsu no Taizai chegar ao Brasil. Com um mercado extremamente orientado para os Shounens e um razoável histórico de publicação dos hits da revista Weekly Shounen (Fairy Tail, Air Gear, Tsubasa: Resevoir Chronicles, Negima!, Love Hina E EU AINDA TENHO UM SONHO DE QUE GETBACKERS SEJA LANÇADO, OK?), nosso país e Nanatsu foram feitos um para o outro. Ele é bem humorado, tem uma ambientação medieval legal e um certo ar de battle shounen que com certeza vai agradar. Sucesso de vendas na certa e eu, que adoro um bom shounen, não vou ter como resistir – embora eu tente fugir de Mangás infinitos que podem ter sua publicação prolonga por décadas e esse parece ser o caso de Nanatsu. Eu não sou de ferro, afinal de contas.

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Ageha

JBC, completo, 2 volumes. Previsão de lançamento: fevereiro.

ageha-2Eu desconhecia esse título completamente, mas a premissa é tão louca que decidi arriscar – afinal, são apenas dois volumes, então se for uma droga o arrependimento não vai ser tão grande. A história conta sobre Tateha, esse garoto que é perdidamente apaixonado por Ageha. Depois de um ano juntos, eles decidem fazer sexo pela primeira vez. Só que logo antes disso, ela morre. E aparentemente, ela está fadada a morrer antes de fazer sexo com ele em todas as possíveis realidades de todos os universos paralelos em que eles estão juntos (?!) Viagens dimensionais e tensão sexual, como não ficar pelo menos curioso?!

Sailor Moon – Short Stories

JBC, completo, 2 volumes. Previsão de lançamento: abril.

Bem, esse foi anunciado a muito tempo, junto com o relançamento de Sailor Moon. Ele vai seguir o modelo da edição revisada Americana e chegar aqui em dois volumes (essas mudanças na quantidade de volumes de Sailor Moon bagunçam totalmente meu MyAnimeList D:). Como eu estou colecionando a série principal, será inevitável adquirir esse também. Trata-se, como o nome muito sabiamente sugere, de pequenas histórias protagonizadas pelas personagens de Sailor Moon. Não há muito mais a se falar, eu acho.

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Sailor V

JBC, completo, 2 volumes. Previsão de lançamento: junho.

Codename_wa_Sailor_V_New_Edition_01Mesma lógica do item anterior. Anunciado ao mesmo tempo, mesmo número de volumes, mesma razão de compra. Só sei que quando eu puder ver os dezesseis volumes na estante bonitinhos vai rolar uma lagrima solitária aqui de satisfação e tristeza (por que significa que vai ter acabado D:).

Eu não vou contar sobre o que se trata esse título por que se você acompanha Sailor Moon, você sabe quem é Sailor V, e se você não acompanha, com certeza não é por aqui que você tem de começar a ler a série. Corre lá que ainda dá pra comprar o volume 1 do relançamento de Sailor Moon em lojas especializadas e vale a pena por que é lindo demais <3

Wish

JBC, completo, 4 volumes. Previsão de lançamento: ainda não anunciado

Ok, ok, eu sei que meus argumentos estão ficando bem menos elaborados na hora de falar dos Shoujos da lista e shame on me por isso, mas a grande verdade é que isso é um CLAMP. Eu tenho uma politica estrita de colecionar tudo o que é CLAMP por que sim. E é isso aí. Eu não conheço nada da história, não sei do que se trata, se é um mangá aclamado ou não (mas eu suspeito que não seja, ou já teria chegado antes ao Brasil). Eu sei que é um motivo idiota e que essa hiper-idolatria a esse grupo de mangakás não é exatamente saudável, mas o que eu posso fazer? Sakura Card Captors foi minha porta de entrada para esse mundo maravilhoso da cultura japonesa e eu tenho de honrar isso.

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Aoharaido

Panini, completo, 13 volumes. Previsão de lançamento: primeiro semestre.

Acho que podiam por “a cereja do bolo” como subtítulo desse mangá. Depois da continua e muito insistente ação da Campanha Shoujos no Brasil (venha você fazer parte também!), a Panini decidiu anunciar um dos títulos que foram pedidos pelo grupo. Um Shoujo de grande popularidade, na época ainda não finalizado (ele na verdade está para acabar agora em fevereiro) e com mais de dez volumes (o que, se você tomar como base os outros Shoujos dessa lista, por exemplo, é impressionante). Colecionar esse mangá é mais do que adquirir uma boa história, é lutar pelo estabelecimento de uma demografia desprezada no Brasil nos últimos anos!

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(Curiosamente, o outro grande Shoujo sendo lançado atualmente no mercado, Kimi no Todoke, é da mesma revista de Ao Haru Ride, a Bessatsu Margaret. Isso pode nos dar um referencial do que tem chances de chegar ao Brasil se as vendas forem boas. Essa é a revista do polêmico Ookami Shoujo to Kuro Ouji, que foi adaptado para anime no segundo semestre do ano passado, por exemplo. E também do queridinho de todo o fã de Shoujo, Lovely Complex. Muitas possibilidade, realmente)

 ***

E é isso. (mentira, não é isso por que esse malditos vão continuar anunciando coisas o ano todo e meus bolsos é que vão sofrer). Espero que algum título tenha chamado a atenção de vocês. O mundo precisa de mais leitores de Mangá.

Caixa de Pássaros – Josh Malerman

5 de fevereiro de 2015 às 18:07, por

Título original: Bird Box
Editora: Intrínseca
Data de lançamento: 26/01/2014

Quatro anos depois de as mortes terem começado, Malorie e seus dois filhos pequenos são alguns dos poucos sobreviventes em Michigan. Vivendo em uma casa abandonada com as janelas e portas cobertas, Malorie e os filhos não sabem o que se passa do lado de fora. É então que uma misteriosa neblina atinge a região e Malorie toma a decisão que adiou por muito tempo: fugir da casa com as crianças em um barco a remo, na esperança de encontrar um lugar distante do surto que matou todos ao seu redor. Ao mesmo tempo, acompanhamos as primeiras reações de Malorie em um mundo recém-tomado pelo caos, no qual a sobrevivência, dela e de seus filhos, se torna a única coisa importante em sua vida.

Já começo a resenha dizendo que não, eu nunca vi “Os Pássaros” do Hitchcock, então eu não sei se realmente é parecido, mas quando eu estava falando sobre o livro para duas pessoas diferentes, as duas mencionaram o filme, então realmente a premissa deve ser similar.

Justamente por não ter o cineasta como referência, eu liguei o livro a outro tipo de filme: o de terror japonês. Eu já estava com essa sensação e li uma resenha no Goodreads que falava exatamente o que eu tinha sentido ao ler o livro: medo do desconhecido. O filme de terror japonês prefere mexer com o medo do que não pode ser visto do que criar monstros assustadores. A tensão de “Caixa de Pássaros” é completamente construída por aquilo que você não sabe sobre a narrativa, as criaturas e sobre o estado do mundo.

Feche os olhos.

Aliás, se você é daquelas pessoas que precisa de respostas pra tudo, esse não é um bom livro pra você. Josh Marlerman nos conta uma história de sobrevivência na qual o que é mais importante é a jornada, não o destino. Aliás, um dos grandes mistérios do livro não é solucionado claramente e fica aberto à interpretação do leitor. Uma das grandes graças de “Caixa de Pássaros“, aliás, foi criar minhas próprias teorias sobre alguns pontos-chave da narrativa (vou falar um pouquinho sobre isso lá embaixo em fonte branca pra ninguém pegar spoiler).

O livro tem um ritmo bastante acelerado, mas isso não faz com que os personagens sejam mal desenvolvidos. Ele é narrado em dois momentos, assim que as “criaturas” aparecem e quatro anos depois do começo das aparições, e nos dois momentos nós acompanhamos a narração de Malorie, com capítulos pontuais de outros personagens quando é necessário. Outra coisa que me deixou muito empolgada em ler o livro (eu terminei em dois dias, normalmente levo uns 3 ou 4) é que as duas linhas de acontecimentos não te deixam ficar entediado querendo que o capítulo da outra timeline chegue logo, como costuma acontecer com alguns livros.

“Feche os olhos e lembre-se que tudo vai ficar bem. Eu te amo.”

Eu indico “Caixa de Pássaros” fortemente, especialmente se você não tem problema com finais abertos. E, se você tiver, também acho que vale ler o livro como um exercício de imaginação e desprendimento de uma narrativa fechada. Resumindo, eu só quero enfiar o livro na cara de todo mundo e TER MAIS GENTE PRA COMPARTILHAR TEORIAS!!!

Aliás, sobre as minhas teorias, pra quem já leu o livro (selecione o texto com o mouse): Pra mim, são seres de dimensões paralelas que vieram para a nossa Terra e talvez o que as pessoas vejam sejam várias versões delas mesmas, o que as deixa malucas porque simplesmente não é possível. Mas também gosto de pensar que são aliens e que eles engravidaram algumas das mulheres na Terra (no caso da história, a Malorie e a Olympia, e por isso que o parto delas foi simultâneo e porque a Melanie conseguiu ouvir outros bebês chorando enquanto estava dando a luz) pra poder popular a Terra misturando a raça deles com algumas das características dos humanos que eles não tem, e que a Menina e o Garoto são meio-aliens/meio-humanos. Enfim, são muitas possibilidades e isso foi realmente uma das coisas que eu mais gostei do livro.

 

Classificação: 5 criaturas desconhecidas.