Skip to Content

Sobre leituras e leitores

30 de outubro de 2014 às 21:16, por

Tudo começou (há um tempo atrás na ilha do soool) quando a Bell me mandou um link para uma coluna de opinião do New Yorker que falava que a febre Percy Jackson e dos livros “simples” era ruim para as crianças e que os adultos não deveriam ler YA e que se você quer que um adolescente leia Shakespeare, você não deve começar com “A Culpa é das Estrelas”, mas sim com “Romeu e Julieta”.

*respira*

Ok, só de escrever esse parágrafo eu já fiquei revoltada de novo.

Na verdade, esse post começou desse artigo, mas a batalha pelo reconhecimento do YA (young adult, literatura juvenil no Brasil) e do MG (middle-grade, literatura infantil pra gente) como opções válidas para crianças, adolescentes e até adultos já vem de muito tempo atrás. Movimentos como o #IReadYA e #YASaves, que reuniram milhares de pessoas nas redes sociais para contarem com orgulho que leem esses livros e que eles as ajudam a passar por vários momentos difíceis, mostram o quanto essa literatura é importante para seus leitores e que ela é válida SIM.

IReadYA_250_250

Eu leio YA / YA salva

Mas vamos voltar para o motivo inicial do post.

Esse artigo do New Yorker cita especificamente “Percy Jackson’s Greek Gods”, que é a enciclopédia de mitologia grega do Rick Riordan, e diz que, tendo esse recurso, as crianças não vão querer procurar livros clássicos de mitologia, que tem muito mais poesia e tradição. E que, portanto, um livro desses não devia existir, já que desestimula a busca pelo conhecimento. Sabe o que eu digo sobre isso? Que é pura babaquice.

A pessoa usa essa imagem pra ilustrar esse ponto de vista completamente errado? Ela não consegue ver a felicidade da menina por estar com livros?

A pessoa usa essa imagem pra ilustrar esse ponto de vista completamente errado? Ela não consegue ver a felicidade da menina por estar com livros?

Vamos usar um exemplo pessoal? Eu sempre fui fascinada por mitologia egípcia, sinceramente não lembro o que foi que acendeu essa centelha, mas ela sempre esteve lá. Eu consumia toda forma de entretenimento que era remotamente ligada ao Egito. E daí veio Carmen Sandiego (o desenho e o jogo), As Múmias Vivas, A Múmia (e todas as continuações), Ramsés e muitos outros. Aí o livro/filme/jogo acabava e o que eu fazia? Corria pra biblioteca do colégio pra pegar a enciclopédia com a maior quantidade de informação disponível sobre o Egito e a lia um milhão de vezes. Se eu tivesse uma enciclopédia sobre o Egito dos irmãos Kane, pra usar outro livro do Rick Riordan, ela com certeza dividiria espaço na minha prateleira junto com os livros escolares e as enciclopédias igualmente.

É óbvio que nem sempre se busca informações a mais do que as que estão naqueles livros. Muitos leitores de Percy vão ficar só nos conhecimentos passados pelos livros da série. Não, pera, você viu o que eu falei? “Só”? Eu GARANTO a você que um adolescente de 15 anos que seja aficionado pelos semi-deuses vai saber MUITO mais sobre mitologia grega (e agora romana) do que aquele adolescente que só a estudou por um semestre no 6o ano pra passar na prova.

“Muito obrigada por todas as memórias, Rick Riordan”

Uma criança apaixonada por Transformers provavelmente vai saber a diferença do mecanismo de um robô para outro e as limitações de cada um deles. E se uma criança dessas se interessar por mecânica por causa de Transformers e virar um(a) engenheiro(a) mecânico(a) por causa dessa paixão? E se essa criança crescer e continuar gostando de Transformers e resolver fazer economia? Sua paixão pelos robôs gigantes vai ser menos válida?

Tocando em outro argumento do artigo, o de que se você só der livros fáceis, a criança nunca vai querer buscar algo “mais complexo”, eu também digo que é besteira. Olha a quantidade de gente que leu “Crepúsculo” e foi procurar “O Morro dos Ventos Uivantes” só porque a personagem principal está lendo o livro? E o que explica “O Diário de Anne Frank” ter voltado à lista dos mais vendidos logo após o boom de “A Culpa é das Estrelas”? E mesmo que os YA não estimulem a leitura de clássicos, eles estimulam a leitura de outros livros. E não é isso que a gente sempre quis? Mais gente lendo?

Além disso, não necessariamente a leitura de literatura infanto-juvenil tem que ser uma “porta de entrada para um conhecimento mais profundo”. Literatura também pode ser puro entretenimento. Assim como existem adultos que só querem ver os filmes blockbusters, também existem leitores exclusivamente de bestsellers. Sabe o que é importante nesse caso? Que eles estão consumindo informação. Seja através da identificação com o Percy por ser criado pela mãe e um padrasto difícil, pela ambição de ser corajosa e inteligente como a Annabeth, ou pra ver falhas no uso da mitologia grega em outros livros (até mesmo adultos), as crianças estão adquirindo conhecimento para julgar aquilo que vêem e pensar o mundo criticamente. E eu não vou nem falar sobre as comunidades e as amizades que são feitas ao redor desses livros, senão vai dar um outro post enorme.

Quem já conheceu alguém por causa de livros infanto-juvenis?

A grande questão é que informação sempre soma. E se nós tivermos que retirar a “pompa e a poética” de uma enciclopédia tradicional pra passar melhor a informação pros leitores iniciais, que assim seja. A pompa e a poética ainda vão estar nos outros livros, disponíveis para quem quiser buscá-los.

NUPE Indica: Dia Nacional do Livro!

29 de outubro de 2014 às 23:09, por

Fundacao-Biblioteca-Nacional

Em 29 de outubro de 1810 a Biblioteca Nacional foi fundada como uma das medidas da instalação da Corte Real Portuguesa no Brasil. Em homenagem a esse fato, comemora-se nessa data o dia nacional do livro! Pensando em fazer algo especial para a ocasião, pedi que as pessoas da nossa equipe indicassem o nosso livro favorito escrito por um autor nacional! É, foi uma pergunta golpe baixo e o pessoal teve dificuldades… no final, quase todo mundo optou pelo livro que mais marcou.

O mais bizarro é que a Val indicou o que eu queria indicar… u.ú DE QUALQUER FORMA, LEIAM O LIVRO QUE ELA INDICOU!!

Vamos descobrir os títulos?

Kah

10712770_10205075506511599_7468547187429609070_nLivro: Depois daquela Viagem, de Valéria Piassa Polizzi

Confesso que nunca fui de ler livro nacional, a não ser os que eram obrigatórios na escola, também conhecidos como livros que a maioria só le o resumo. Mas um desses livros que eu fui obrigada a ler, foi o Depois Daquela Viagem, lá na antiga sétima série. Lembro que foi meio que um choque a gente saber que era uma história real de uma portadora do vírus HIV e saber isso foi a maior motivação para todos lerem. Sinceramente, eu não lembro muito bem dele, até porque minha memória é horrorosa, mas sei que eu aprendi muito com essa leitura e acredito que ele deveria ser obrigatório em todas as escolas. Mentira, nada obrigatório é legal, mas acho que é um livro muito bom para adolescentes terem mais noção de como é a AIDS.

Nath

a_marca_de_uma_lagrimaLivro: A Marca de uma lágrima, do Pedro Bandeira

A marca de uma lágrima é o meu livro favorito do Pedro Bandeira, que é também o meu autor favorito brasileiro. Eu lembro de ter lido esse livro com uns 13 anos, mas ele foi importante porque eu me identificava com o jeito que a Isabel se enxergava. Ela se sentia feia, ela tinha espinhas amareladas e ela tinha poucos amigos, era basicamente rejeitada. Eu me identificava com ela num nível tão pessoal (inclusive na parte de pensar o tempo todo em se matar!) que era assustador, mas também reconfortante, porque no final, as coisas deram certo pra ela. Além de tudo, o livro tem um mistério por trás e foi minha introdução para Agatha Christie. Até hoje eu leio ele pelo menos uma vez por ano e eu ainda suspiro um pouquinho pelo Fernando.

Val

INCIDENTE_EM_ANTARES__1231156433PLivro: Incidente em Antares, do Erico Verissimo

Escrever sobre Incidente em Antares é complicado para mim, porque tudo o que quero falar é:

“Leiam Incidente em Antares! Este livro é SENSACIONAL! Tem história do Brasil, tem Getúlio Vargas, tem sangue, tem gente que não morreu direito e tem uma leve crítica à ditadura militar. Você vai chorar de rir e chorar de chorar, você se emocionará, você entrará em parafuso! É uma das melhores obras do Érico Veríssimo (minha favorita) e ela é muito bem escrita e pesquisada!”

Porque, bom o livro É tudo isso e mais um pouco.

Diferente da Kah e da Nath, Incidente em Antares não é um livro que me marcou por eu ter me identificado com algum dos protagonistas ou por tratar de um tema tão delicado como a AIDS. Na verdade, sou uma viciada em história e esta obra do Érico consegue retratar passagens e momentos históricos da política do Brasil com muito sucesso e te prendendo do início ao fim, só isso me conquistou completamente e eu pensei que o livro não poderia ser mais amor, até chegar na segunda parte dele e finalmente descobrir o que FOI o incidente e chorar de rir com o que estava acontecendo. Como não sei que nem todos sabem sobre o incidente, não vou entrar em detalhes, mas é MUITO inesperado.

Diego

414958_141Livro: O Menino Sem Imaginação, do Carlos Eduardo Novaes

“O Menino Sem Imaginação” é uma história divertida sobre um garoto que literalmente perde a capacidade de imaginar as coisas de tanto que assistia televisão. Escrito pelo carioca Carlos Eduardo Novaes, foi o primeiro livro mandatório que eu gostei de ler. Eu lembro de ter ficado totalmente fascinado com a forma com que o autor descrevia a imaginação do garoto se reconstruindo aos poucos, com cenas se passando dentro da cabeça dele. Também foi essa leitura que me abriu a cabeça para começar a pensar em como vivem pessoas diferentes de mim, graças a curiosidade do protagonista a respeito de um homem cego e de como funcionava sua imaginação sem referências visuais – conceito que eu acho fascinante até hoje. Acima de tudo, esse livro me levou a Pedro Bandeira, Drauzio Varella, Thalita Rebouças e tantos outros depois deles. Acredito que ele inclusive seja parcialmente responsável por eu estar escrevendo aqui hoje, e isso é lindo.

Tassi

Livro: O mistério do Cinco Estrelas, do Marcos Rey

O_MISTERIO_DO_CINCO_ESTRELAS_1245952811PO primeiro livro que eu lembro de ter lido voluntariamente na vida foi “Márcia e o Mistério das Aranhas Verdes” (que hoje nem tem mais esse nome, então não consigo encontrar o nome do autor), um mistério investigado por dois irmãos adolescentes. Assim que terminei o livro, pedi pra bibliotecária da escola algum livro parecido, e ela me indicou os livros do Marcos Rey da Coleção Vagalume. Foi amor a primeira lida com “O Mistério do Cinco Estrelas”, e eu logo emendei “O Rapto do Garoto de Ouro” e “Bem-vindos ao Rio”. Morro de vontade de reler todos eles, mas hoje não os encontro mais ou, quando encontro, estão super caros  Mas são livros que fizeram a minha infância pré-Harry Potter e que eu sempre vou guardar com carinho no meu coração.

 

Lucas

UMA_PROFESSORA_MUITO_MALUQUINHA_1231709022PLivro: Uma professora muito maluquinha, do Ziraldo

Eu estava em dúvidas se colocava na lista o meu livro favorito que me fez ser um leitor ou meu livro preferido que me fez gostar de ler. Decidi a segunda opção, e por isso escolhi ‘Uma Professora Muito Maluquinha’ do Ziraldo. Esse foi provavelmente o meu primeiro livro lido por vontade própria pelo qual me apaixonei. Ele é bem curtinho e tem muito mais imagens do que texto, no mesmo estilo de ‘O Menino Maluquinho’, e conta a história daquela que provavelmente é a melhor professora da ficção brasileira, aquela que fazia todas as meninas quererem ser como ela e todos os meninos quererem crescer para se casarem com ela. Ao longo da minha vida, conheci muitas professoras maluquinhas, mas nenhuma vai preencher o espaço que a criada pelo Ziraldo teve na minha vida.

PS: o livro tem uma adaptação cinematográfica MUITO LEGAL com a Paola Oliveira fazendo a professora. Ficou muito igual e só serviu pra reativar minha nostalgia quando o assisti.

PPS: o meu livro favorito que me fez ser um leitor foi ‘A Droga da Obediência’ do Pedro Bandeira

Dayse

luna

 

Livro: Luna Clara e Apolo Onze, da Adriana Falcão

Eu recomendo Luna Clara e Apolo Onze (e todos da Adriana Falcão) porque tem tudo que é importante em um pedaço de ficção: boa narrativa, excelente deliveries de falas e personagens fascinantes. E de bônus, um tantinho de sotaque de alguma cidade pequena do sertão.

 

 

 

Vitor

A_DROGA_DA_OBEDIENCIA_1265950470PLivro: A Droga da Obediência, do Pedro Bandeira

Eu não fazia ideia de que livro colocar na lista então comecei a lembrar daqueles tempos longinguos de ensino fundamental (claro que 7 anos é sim muito tempo), então escolhi falar sobre A Droga da Obediência. Também foi um dos livros que tive que ler para a escola, e foi um dos únicos que eu NÃO me senti obrigado a ler. Era simplesmente TÃO bom e TÃO legal, e eu ficava lendo horas direto e nem percebia nada. Acho que foi um dos primeiros livros “da escola” que eu realmente gostei de ter lido. 
Sabe QUEM NUNCA quis ter um grupo de amigos para resolver mistérios e, nossa, imagina viver tudo aquilo que Os Karas viveram? 
(Eu provavelmente já estaria morto e muito bem enterrado, mas SERIA TÃO LEGAL).

Bell

Maria José Dupré - A ilha perdida (1999-2001, Editora Ática, Coleção Vaga-lume)Livro: A Ilha Perdida, da Maria José Dupré

Eu li esse livro com uns 10 anos, quando uma tia minha passou os livros dos meus primos adiante para mim. Naquela época eu já devorava livros como quem come pipoca no cinema e li vários dos que ela me mandou com afinco, entre eles vários livros da Maria José Dupré. O Cachorrinho Samba ficou na minha cabeça por um tempão por ser super triste e tudo o mais, mas A Ilha Perdida virou um dos meus favoritos na época por ser uma aventura de crianças da minha idade que ficavam perdidas no meio do mato, com vários mistérios intrigantes e uma narração cheia de reviravoltas. É uma ótima história para quem está começando a ler agora e tem um lugar especial no meu coração.
(Aliás, deixa eu aproveitar para perguntar O QUE É QUE A MARIA JOSÉ DUPRÉ TINHA NO LUGAR DO CORAÇÃO PRA ESCREVER CACHORRINHO SAMBA DAQUELE JEITO????? Maria José Dupré, eu te amo, mulher. Muito obrigada pelos livros juvenis que você escreveu e marcaram a minha vida. Espero que você seja reconhecida pelos seus feitos à literatura brasileira como merece.)

Foi isso! Se vocês repararem, quase todo mundo escolheu livros infantis ou juvenis, de quando estava se formando como leitor. Eu não sei quanto da nossa escolha é motivada pela nostalgia e quanto é por nós deixarmos de ler tantos livros nacionais depois de certa idade, mas fica a reflexão…

E vocês? Já leram algum desses livros? Quais são os seus livros nacionais favoritos/que mais te marcaram? Respondam nos comentários, vamos fazer um post com várias recomendações para todos os gostos!

Três comédias românticas de primeira e uma de quinta!

28 de outubro de 2014 às 19:00, por

Mindy Kaling, heroína pessoal, disse uma vez em um artigo pra The New Yorker que ela gosta de analisar comédias românticas do mesmo jeito que analisa filme de sci fi. Ela diz inclusive, que não existe diferença pra ela entre os filmes da Katherine Heigl e Alien, por exemplo. É um excelente artigo em que ela fala sobre os tipos comuns de heroínas desses filmes e realmente, se você assim como eu, é fã do gênero, você percebe que é tudo verdade.

Ainda não me cansei de ver gente bonita se apaixonando.

No mesmo artigo ela fala sobre como esses filmes ficaram mais fracos nos últimos anos, ao ponto que é até meio vergonhoso admitir que a gente gosta de verdade – e não como (ew, odeio esse termo) guilty pleasure. Um dos motivos que ela destacou (bem depois em outra entrevista – sério, ela é quase especialista no assunto) é a falta de coisas engraçadas acontecendo. Eu concordo. A maioria dos filmes virou uma melação boba e sem sentido. E é por isso que eu posso reportar com alegria que mesmo falhando algumas vezes no cinema (e alcançando péssimas reviews), as comédias românticas da vez estão na TV!

world-without-romantic-comedies-love-actually

A gente já fez um post aqui sobre The Mindy Project (criação da linda da Mindy Kaling)(VOCÊ AINDA NÃO VÊ?????????????? FOR SHAME, NUPEANO), então hoje o assunto vão ser as séries que seguiram o formato. Não, longe de mim falar que as comédias românticas foram levadas pra TV pela Mindy, mas eu acredito fortemente que ela ajudou a dar um empurrãozinho sim. É importante lembrar que todas essas séries tem poucos episódios ainda e nós vamos escrever aqui sobre o que eles apresentaram pra gente até agora. Poucos episódios não são sempre um bom requisito para avaliar COMÉDIAS, já que elas geralmente precisam de um tempinho pra amadurecer, mas vamos lá!

(O título desse post é uma brincadeira: todas as séries são exibidas na terça feira nos Estados Unidos, só A to Z – e o bônus, You’ re The Worst – que passa na quinta)

Selfie

Baseada em My Fair Lady, um filme com a Audrey Hepburn, baseado em Pigmalião, peça de George Bernard Shaw. Eu amo quando adaptam coisas para os dias atuais (lembra de The Lizzie Bennet Diaries e Emma Approved, mas também Bridget Jones e As Patricinhas de Berverly Hills) e Selfie chegou na hora certa, porque mostra a vida de Eliza, obcecada com redes sociais e com a sua imagem própria na internet. Parece com alguém que você conhece? Hahahaha.

Eliza é um retrato EXAGERADO, que fiquei claro, da nossa geração. Essa caricatura pode incomodar algumas pessoas mas é importante lembrar que se trata de uma comédia e as comédias retratam hipérboles de situações reais, como uma lupa gigante sobre o cotidiano.  Do outro lado, Henry, o completo oposto. Você já pode adivinhar. A série é FOFÍSSIMA. Já vi reclamações sobre, então eu quero esclarecer (e isso vale pra todas) que como não é um filme, é impossível mostrar a evolução das personagens nos 20 primeiros minutos, mas ela vai acontecer, porque séries boas são muito sobre character development (uma coisa que HIMYM esqueceu). Relacionamentos – entre amigos, família ou os que envolvem romance – são também sobre aprender com o outro e melhorar quem você é (apesar de lembrar sempre que você é perfeitx, mas sempre há espaço para melhorias). Ah! Tem a Karen Gillian (que está brilhante fazendo comédia) e o John Cho que ♥

Manhattan Love Story

De manhã cedo eu acordo com você…

O que falar dessa série que eu mal amei e já foi cancelada? *chora* Sério, ainda não acredito que tiveram a coragem de cancelar essa série. Claro que quando eu vi o piloto eu achei que ela seria um ótimo filme. Mas eu senti o mesmo com Selfie e A to Z, e sinto com várias outras. MLS é mais do que uma comédia romântica com a mocinha do interior com o playboy de Nova York, é uma série fofa e com vários momentos hilários por parte de TODOS os personagens, que são incríveis. É uma série para passar o tempo? É, principalmente agora que sofremos com o fim inesperado dela. Um motivo para vê-la?

tumblr_ndlfv1J11z1qevoygo1_500

P.S. da Nath: A ABC deve soltar os episódios restantes da série que já foram gravados depois na internet, fizeram isso com Don’t Trust The Bitch In Apartment 23 (ainda não superei, odeio a ABC)

Marry Me

Marry Me conta a história de um casal JÁ FORMADO, o que pode ser um desafio, já que na maioria das séries, o legal é ver a tensão entre os protagonistas se desenvolver. Eu admito que só vi Marry Me porque é do mesmo criador de Happy Endings (que eu ainda não superei terem cancelado), mas a série é bem interessante. A gente acompanha o pedido de casamento de Jake pra Annie e ai, eu acredito que vão desenvolver nos episódios seguintes como fica a vida dos dois se preparando para o casamento. É importante lembrar que eles já estão juntos, na timeline da série, há cinco anos.

Nas comédias românticas normais a gente não costuma ver o que acontece depois do “felizes para sempre”, que geralmente é quando os dois protagonistas aceitam que se amam, desfazem as burrices e dão um beijo apaixonado. O que a gente vê é muito pouco. Marry Me pode ser uma boa alternativa para mostrar que o amor continua e amadurece, mesmo quando um já conhece tudo que há pra conhecer sobre o outro. Achei fofa, achei que precisa de alguns episódios a mais pra melhorar, mas acho que tem potencial. A melhor parte? É extremamente divertida.

A to Z

http://gifsatoz.tumblr.com/

Se você leu o nosso post sobre TMP e foi correndo assistir a série (o que eu espero que tenha feito) você tá reconhecendo esse coisa fofa desse gif aqui de cima. Se você viu o pior finale da história dos finales (aka HIMYM), você conhece essa coisa fofa do gif aqui de cima. Os dois namorando é a coisa mais fofa-linda-perfeita da atualidade. Sério, A to Z é a série mais amorzinho que eu vi nesses últimos meses.

http://gifsatoz.tumblr.com/

O problema de A to Z? Faz você ter teorias. Cada episódio é nomeado com uma letra do alfabeto e um objeto/ação que represente o epi. E eu não aguento mais essa vida de ter que esperar para saber o que acontece. E SE FOR RUIM MESMO SENDO TÃO LINDA? CADÊ ESSA LETRA Z QUE NÃO CHEGA NUNCA?

Bônus: You’re The Worst

Garoto encontra Garota. Garoto odeia Garota (e vice versa). Os dois transam. E depois se apaixonam. Awn. Você já viu essa premissa várias vezes, eu aposto, mas a diversão de You’re The Worst é que os dois são, na verdade, as piores pessoas (brincadeirinha, eles são ótimos). O cinismo de Gretchen e Jimmy em relação ao amor e relacionamentos num geral é familiar pra muitas pessoas e é isso que os torna tão fofos, na minha opinião.

Eles meio que se apaixonam sem querer. A série foi o que salvou a Summer Season pra mim e é curtinha, só 10 episódios. A melhor parte é que até gente que nem gosta de comédia já me disse que curtiu, então você sabe que é amor verdadeiro e puro.

+ Bônus: Jane The Virgin

Ok, não é exatamente uma comédia, não é exatamente drama, não é série teen. Jane The Virgin é a solução para todos os seus problemas na verdade. Meu desafio é que você assista a um episódio sem ficar com um MEGA sorriso no rosto. Não tem a ver com o tema do post, admito, mas fica aqui a dica rápida pra você ver a série. Depois eu prometo que faço um post decente.

A Kah escreveu sobre A to Z e Manhattan Love Story, obrigada Kah :)

Warm Bodies, de Isaac Marion

27 de outubro de 2014 às 18:33, por

A resenha desse livro tem uma forma diferente, sem estruturá-la como sempre costumo, só porque me deu na telha escrever direto sem ter que me preocupar muito com o formato. Depois me falem o que vocês acharam dela, só a título de curiosidade mesmo, porque não vai ser um formato recorrente =D

warm bodies

Falei incontáveis vezes por aqui que sou paranoica com o apocalipse zumbi (mas a única vez que me lembro agora é essa) e que assisto/leio as histórias de ficção sobre o assunto para estar preparada caso zumbis comecem a vagar pela terra enquanto eu estiver viva. Por motivos de pesquisa, acabei me deparando com o trailer de Warm Bodies (que gostei bastante porque parecia ser tipo Zumbilândia, mas com os zumbis sendo os narradores ou coisa assim) e descobri que, uau, EXISTIA UM LIVRO. Óbvio, acabei comprando em uma promoção no Better World Books e assim que chegou aqui em casa, comecei a ler.

(só para constar: o livro foi lido em JANEIRO DE 2013 e esse post começou a ser escrito dia 21 de JANEIRO DE 2013… Inspiração e preguiça: a gente vê por aqui) (se bem que pior que ele é só o post de Community que estou escrevendo desde… sei lá, perdi a conta, mas acho que foi OUTUBRO OU NOVEMBRO de 2012, acho???? *chora*).

Depois de ler o Warm Bodies, fiquei com a sensação de que JÁ vivemos em uma sociedade zumbi, na qual uma parte das pessoas são apáticas, com medo de mudanças e resignadas com o fato de que elas sempre serão assim e que o mundo NUNCA mudará. Uma sociedade onde existe um grupo menor detentor de todo o poder com uma grande necessidade de que TODAS as pessoas se mantenham do mesmo como estão para controlá-las melhor, porque esse grupo teme as mudanças também. Claro que há pessoas como o R, o protagonista, que começam a questionar e que, de certa forma, incentivam os outros a questionarem tudo o que está sendo dito e feito. Confesso que essa é a parte que mais gostei do livro inteiro, porque ela é feita de uma forma bem interessante e sutil, mas não sutil o suficiente para que você demore a perceber que há uma crítica sobre como grande parte da sociedade só se deixa levar sem pensar duas vezes sobre o que está acontecendo.

Queria dizer que esse é um problema exclusivo da sociedade zumbi, contudo, os humanos que sobreviveram sofrem desse mesmo mal de seguir a corrente e não discernir que há tons de cinza, que tudo não é preto ou branco. No entanto, senti que essa crítica ficou mais evidente na sociedade dos zumbis

é mais fácil não sentir

“É mais fácil não sentir”

Além de fazer essa análise da sociedade, Isaac Marion escreve com muito humor sobre o motivo dos zumbis comerem o cérebro dos humanos (não vou contar para não me acusarem de spoiler) e o como R  lida com o fato de que ele consumiu o cérebro do namorado de Julie, uma garota humana que desperta a curiosidade dele e que ele salva incontáveis vezes dos outros zumbis, e com o fato de que agora R, pouco a pouco, está se tornando alguém mais vivo do que morto, e essa mudança é fofa e engraçada. O livro é narrado em primeira pessoa pelo próprio R e como ele mesmo vive falando, na cabeça dele há muito mais eloquência do que ele tentando falar em voz alta, afinal, ele é um zumbi e zumbis não precisam ficar conversando mais do que alguns poucos grunhidos que fazem sentindo entre eles. O aparecimento de Julie deixa o desespero do R em se comunicar com ela bem evidente de uma forma sarcasticamente hilária.

"Diga algo humano"

“Diga algo humano”

ARGGGGGGGGGGGGGGGG

ARGGGGGGGGGGGGGGGG

Ao ler Warm Bodies, recomendo que vocês se preparem com algumas cenas. Não é nada grotesco, mas é bom lembrar que é a história contada por um zumbi em um mundo dominado por, bem, ZUMBIS, e eles matam pessoas para comer o cérebro delas e eles estão em decomposição, afinal, eles ESTÃO mortos. O R é bastante diferente dos outros zumbis em vários aspectos e por isso você meio que sente que ele está vivo, mas não o bastante para você esquecer que ele é um zumbi. É uma explicação que não faz sentido a menos que você leia o livro, sabe? Sou péssima com explicações, então você, leitor, terá que se contentar com essa, SINTO MUITO, tá? T_T

O irônico dessa resenha toda é que fiquei mais de um ano para finalmente terminá-la, li Warm Bodies três vezes, me interessei no livro por conta da adaptação cinematográfica e, ESPERE UM POUCO, a ironia é que ainda NÃO ASSISTI O FILME. Então não posso falar se ele faz jus ao livro ou é uma  adaptação livre com um ótimo enredo ou se é apenas um filme ruim, mas depois de ler livro, revi o trailer e existem algumas alterações, por exemplo, o R no livro usa terno e provavelmente era um jovem homem de negócios e no filme ele usa roupas juvenis e os boneys (aqueles zumbis feiosos e violentos) têm uma explicação bem superficial (mas lembre-se que estou falando do que vi no trailer, talvez no filme, o papel dos boneys na sociedade dos zumbis seja desenvolvido, mas só quem assistiu para confirmar).

O livro foi lançado no Brasil pela editora Leya com o nome Sangue Quente e como li o livro em inglês, antes do lançamento por aqui, não posso dizer que Warm Bodies foi horrivelmente ou perfeitamente traduzido.

Espero que esse formato novo não tenha sido confuso, é que esse livro me traz TANTOS SENTIMENTOS que essa foi a única forma que encontrei de fazer uma resenha dele e mesmo assim demorou muito para ela sair (a ponto de eu reler uma terceira vez para refrescar a memória e os sentimentos… Hahahahaha… Sinto muito…).

Classificação: Cinco Sinatras!

E antes de me despedir completamente, deixarei o trailer do filme Meu Namorado é um Zumbi:

Três livros para ler no Dia das Bruxas #HalloweenNUPE

25 de outubro de 2014 às 15:26, por

Como a gente está sempre falando de livros no NUPE, esse é um post que não poderia faltar no especial de Halloween. Três indicações de livros que,  ou pelo tema, ou pelo enredo, ou pelo estilo de escrita, tem tudo a ver com esse mês macabro e sombrio, e que são escolhas perfeitas para a noite do dia 31.

O Oceano no Fim do Caminho – Neil Gaiman

“Foi há quarenta anos, agora ele se lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.” 

E isso é tudo o que você deve saber sobre o livro antes de começar a ler. A gente fez uma semana especial para esse livro com várias informações sobre a obra do Neil Gaiman em geral e a resenha do livro. Eu amo muito, muito, muito o texto da Amanda Palmer que traduzi e adaptei pro blog, vale a pena ler antes do livro. Além de tudo, ele entra fácil no Top 10 melhores livros da minha vida.

 

 

O Misterioso Lar Cavendish – Claire Legrand

“Victoria é sempre impecável. Seus cabelos e unhas brilham, seu quarto não tem nada fora do lugar, sua rotina é precisa. Se há algo que ela pode considerar como um defeito em sua vida é Lawrence, que parece seu oposto: é preguiçoso, desorganizado, anda com a roupa desgrenhada e vive sonhando no mundo da música. Ela nem entende como eles vieram a se tornar amigos. Mas, exceto por isso, sua vida é perfeita na cidade de Belleville. Até que Lawrence desaparece.”

Não, a gente ainda não parou de falar sobre esse livro. E não, eu também não sei porque ainda não tem uma resenha, apesar de ter exatamente três posts (agora quatro) falando sobre ele. Vamos providenciá-la.

Só vou dizer três palavras: insetos, orfanatos, creepy*.

VÃO LER ISSO LOGO!

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares – Ransom Riggs

“Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo.”

Esse livro está nessa lista não só pela história, mas pelas fotos que fazem parte do livro (como essa aí da capa) que me dão muito medo se ficar olhando tempo demais para elas. O mais legal é que não são só fotos antigas e creepy soltas pelo livro, mas elas realmente fazem parte do enredo.

 

Qual livro você vai ler nesse Dias das Bruxas?

 *”Creepy” é uma palavra em inglês que é uma mistura dos sentimentos “assustador”, “nojento”, “agonia”, “arrepio” e “nervoso”

1° Penguin Stacks English BookClub!!

24 de outubro de 2014 às 20:16, por

stacks01

Boa noite, minhas privadas entupidas!!!

Hoje era para ser mais um dia de post do especial de Halloween NUPEano, no entanto, temos uma notícia extraordinária e o post foi empurrado para amanhã! Não sei se vocês já sabem, mas o blog Perdido em Palavras conseguiu uma parceria linda com a Penguin Stacks English! E como eles são muito supimpas, eles nos convidaram e convidaram todos os blogs mencionados no banner acima para desenvolverem juntos algumas ideias para que seja uma parceria ainda mais especial para todos os envolvidos!

Então, pensamos, “Por que não fazer um Clube do Livro Presencial?”, e confesso que gostei bastante dessa ideia! E agora é o momento em que todos que estão lendo esse post me perguntam,

Mas, Valéria, como é que esse Clube do Livro Presencial vai funcionar?


A cada DOIS MESES faremos uma votação pelo blog com CINCO LIVROS EM INGLÊS do catálogo da Penguin Stacks, e o livro escolhido na votação será lido e resenhado no prazo de um mês! Para as pessoas que participarem da votação, vai uma notícia linda: serão sorteados CINCO exemplares entre os eleitores, legal, né? E ainda não falei do Clube do Livro Presencial, mas, calma lá, jovens Padawans! Estou chegando nele agora!!

Depois da votação, teremos um encontro em uma livraria (local e hora não definidos ainda!!) para discutirmos o livro escolhido (e lido, né? O ebook costuma ser bem baratinho, mas se vocês não conseguirem ler a tempo, tá tudo bem também! O legal é aparecerem para termos discussões!) e para acompanharmos o desenvolvimento na leitura em inglês de vocês, que é a parte mais importante desse clube do livro! Então, não fiquem tímidos por não conseguirem ler o livro por inteiro ou ficar confuso em algumas partes, o Clube do Livro vai servir para ajudar vocês com o inglês também! <3

Os eventos ocorrerão em:

  • São Paulo Capital
  • Fortaleza
  • Rio de Janeiro
  • Brasília*
*Aqui em Brasólia, a moderadora será a nossa digníssima BÁRBARA MORAIS, sim, a autora e fundadora desse blog. ELA É FAMOSA E PODE AUTOGRAFAR SEUS LIVROS. Se pá, a DAYSE DANTAS, autora do livro Nada Dramática comparece também. SUCESSO, NÉ?

 

Como é um projeto novo, nada é certo, mas se ele deslanchar, há grandes chances de que os eventos sejam espalhados em outras cidades também! Acredito que vocês entenderam tudo e já devem estar loucos para saber quais serão os livros escolhidos para a votação! Então sem mais delongas…:

1) Anna and the French Kiss – Stephanie Perkins

17453983

Can Anna find love in the City of Light?Anna is happy in Atlanta. She has a loyal best friend and a crush on her coworker at the movie theater, who is just starting to return her affection. So she’s less than thrilled when her father decides to send her to a boarding school in Paris for her senior year.

But despite not speaking a word of French, Anna meets some cool new people, including the handsome Étienne St. Clair, who quickly becomes her best friend. Unfortunately, he’s taken —and Anna might be, too. Will a year of romantic near misses end with the French kiss she’s waiting for?

2) Impossible – Nancy Werlin

17081758A beautifully wrought modern fairy tale from master storyteller and award-winning author Nancy Werlin.

Inspired by the classic folk ballad ‘Scarborough Fair’, this is a wonderfully riveting novel of suspense, romance, and fantasy. Lucy is seventeen when she discovers that she is the latest recipient of a generations-old family curse that requires her to complete three seemingly impossible tasks or risk falling into madness and passing the curse on to the next generation. Unlike her ancestors, though, Lucy has family, friends, and other modern resources to help her out. But will it be enough to conquer this age-old evil?

3) Incarceron – Catherine Fisher

6727322

A thrilling, high-concept fantasy for fans of Garth Nix and Nancy Farmer. Incarceron is a prison so vast that it contains not only cells, but also metal forests, dilapidated cities, and vast wilderness. Finn, a seventeen-year-old prisoner, has no memory of his childhood and is sure that he came from Outside Incarceron. Very few prisoners believe that there is an Outside, however, which makes escape seems impossible.

And then Finn finds a crystal key that allows him to communicate with a girl named Claudia. She claims to live Outside- she is the daughter of the Warden of Incarceron, and doomed to an arranged marriage. Finn is determined to escape the prison, and Claudia believes she can help him. But they don’t realize that there is more to Incarceron than meets the eye. Escape will take their greatest courage and cost more than they know.”

4) Just One Day – Gayle Forman

17623975

From the New York Times bestselling author of If I Stay,

Allyson Healey’s life is exactly like her suitcase—packed, planned, ordered. Then on the last day of her three-week post-graduation European tour, she meets Willem. A free-spirited, roving actor, Willem is everything she’s not, and when he invites her to abandon her plans and come to Paris with him, Allyson says yes. This uncharacteristic decision leads to a day of risk and romance, liberation and intimacy: 24 hours that will transform Allyson’s life.

A book about love, heartbreak, travel, identity, and the “accidents” of fate, Just One Day shows us how sometimes in order to get found, you first have to get lost. . . and how often the people we are seeking are much closer than we know.

The first in a sweepingly romantic duet of novels. Willem’s story—Just One Year—is coming soon!

5) Paper Valentine – Brenna Yovanoff

12109772

The city of Ludlow is gripped by the hottest July on record. The asphalt is melting, the birds are dying, petty crime is on the rise, and someone in Hannah Wagnor’s peaceful suburban community is killing girls.For Hannah, the summer is a complicated one. Her best friend Lillian died six months ago, and Hannah just wants her life to go back to normal. But how can things be normal when Lillian’s ghost is haunting her bedroom, pushing her to investigate the mysterious string of murders? Hannah’s just trying to understand why her friend self-destructed, and where she fits now that Lillian isn’t there to save her a place among the social elite. And she must stop thinking about Finny Boone, the big, enigmatic delinquent whose main hobbies seem to include petty larceny and surprising acts of kindness.

With the entire city in a panic, Hannah soon finds herself drawn into a world of ghost girls and horrifying secrets. She realizes that only by confronting the Valentine Killer will she be able move on with her life—and it’s up to her to put together the pieces before he strikes again.

Paper Valentine is a hauntingly poetic tale of love and death by the New York Times bestselling author of The Replacement and The Space Between.”

Sim, colocamos as sinopses apenas em inglês e o motivo é que queremos que todo mundo  já entre no clima do clube! <3

A votação começará hoje (24/10/14) e terminará na terça-feira que vem (28/10/14) Para que ninguém se sinta pressionado, quero esclarecer que os livros dessa primeira votação têm nível UM de dificuldade, então a leitura não será muito complicada e vocês começaram a entrar um pouco mais no esquema~~~ =D

Para votar, use o formulário abaixo:

Nós realmente esperamos que vocês tenham gostado da ideia e que participem conosco!

NUPE entrevista: Eric Novello

23 de outubro de 2014 às 19:43, por

VAI TER ENTREVISTA SIM E SE RECLAMAR VAI TER DUAS!

Hoje migramos para a literatura. Não se preocupem, eu voltarei a falar com quadrinistas um dia, se Merlin quiser. É que tem muita gente incrível por aí em tudo que é área, então temos de ir explorando para pegar todos eles.

Tipo Pokemon. Então vamos lá!

eric

não sei fazer piada com essa foto, aceito sugestões.

Eric Novello nasceu no Rio de Janeiro mas reside atualmente em São Paulo. Formado em engenharia de alimentos, no fatídico ano de 2004 deu a louca e começou a se envolver com literatura. De lá para cá já participou de podcasts (diga-se de passagem, podcast esse que eu ainda considero um ponto de partida excelente para quem quer conhecer o mundo da literatura), escreveu artigos em jornais, compôs músicas com a irmã, teve contos publicados em diversas antologias e coletâneas e lançou quatro livros, inclusive “Exorcismos, amores e uma dose de blues”, que saiu esse ano pela editora Gutenberg – e que eu tenho autografado <3. Ele provavelmente fez ainda mais coisas que eu esqueci de falar nesse paragrafo, mas qualquer dúvida vocês podem visitar o site do autor.

Se você quer dar um passeio pelo lado mais sombrio da fantasia, essa pode ser a toca de coelho certa para você entrar.

Vamos começar com a pergunta que está na cabeça de todos os leitores: por que você é tão apaixonado por cactos e suculentas?

Fui aquarista por 14 anos. Muita gente acha que aquário é para colocar o peixe e trocar de seis em seis meses quando ele morre. Mas a verdade não é bem assim. Em um aquário bem cuidado, os peixes completam todo o seu ciclo, alguns chegando a dez anos ou mais, tendo filhotes, crescendo, etc. Quando me mudei para São Paulo, decidi adotar um hobby menos dependente de mim para sobreviver. Então dei meus aquários aos amigos e comecei a pesquisar cactos e suculentas, já que eles só precisam ser regados uma vez por semana. Além de serem um bocado desafiadores, um fator importante para manter meu interesse.

É incrível como eles são verdadeiros aliens, sempre se modificando e te surpreendendo com alguma novidade, mudando de cor, furando seus dedos. Comecei com algumas espécies compradas em uma feira e hoje devo ter algo próximo de, ãhn, melhor não falar em números. Considerando a seca em São Paulo, diria que foi uma boa escolha.

Você acha que o trabalho como tradutor teve influência na hora de descobrir sua voz como autor?

Isso funcionou nos dois sentidos para mim. Ser tradutor me fez ter um português afiado e entender melhor o meu instrumento de trabalho. Se eu mandar um texto com erro para o cliente, ele é reprovado. Se mais de um for reprovado, fico sem emprego. Simples assim. Não há copidesque ou revisor para arrumá-lo antes dessa avaliação, antes de chegar ao leitor final, como acontece na literatura.

Por outro lado, é o meu entendimento de narrativa e do ritmo de um texto que me torna um bom tradutor, mais do que ter um vocabulário amplo. O processo de tradução só passa a fluir para mim, dentro da literatura, quando eu entendo a voz do autor que estou traduzindo, o que me torna um autor que traduz, e acho ótimo que seja assim.

É claro que isso não se aplica a contratos e manuais de trator, mas vamos pular essa parte.

Exorcismos, amores de uma dose de blues esteve em gestação por cinco anos antes de ser publicado, não foi? Você ainda reconhece a ideia inicial no livro finalizado?

O eixo central, que para mim é o mais importante, foi mantido: um homem que comete um erro e, anos depois, tem a chance de repará-lo, entendendo melhor a si mesmo. Gosto muito do amor vagabundo e melancólico do Tiago Boanerges, o protagonista, e de como ele vai lidando com os erros que cometeu. O coração da história está ali.

De resto, é muito insano pensar no quanto mudei o texto desde a ideia original. Vou dar alguns exemplos que vão fazer mais sentido para quem leu o livro. O Caner, gerente do La Sombra, antes era dono de uma botica no Entremundos, e antes disso foi dono de uma loja de roupas! O livro começava com dois salvaxes (os meus metamorfos) onças indo comprar ternos para a festa do maior mafioso da cidade. O Tiago, meu exorcista, em vez de exorcizar sonhos e pesadelos, exorcizava protodeuses, cópias que os deuses conseguiam gerar de si mesmos pelo mundo. A musa, a grande vilã conceitual da história, era na época uma proto-Ísis. E havia uma luta incrivelmente violenta entre o Chapeleiro Louco e uma tal de Rainha de Copas no Entremundos. Se bobear, tirando a história central, dá pra dizer que apenas duas coisas ficaram da ideia inicial: o Ori e o final do livro.

Seus trabalhos já costumam abordar sexo e drogas, mas por que usar o Blues ao invés do Rock n’ Roll?

Num dia, o blues era só um nome bonito no título. No outro, com um pouco de pesquisa, se tornou essencial para o desenvolvimento da trama e o tom da ambientação. O blues é o ritmo mágico. Ele influenciou o nascimento do rock, do country, do jazz, do soul. Está presente até no synthpop, com o Depeche Mode (fanboy here!).

Sua “origem” passa por canções espirituais, ele foi influência direta para as canções de igreja da comunidade negra americana, e ao mesmo tempo é o ritmo dos pactos com o capeta para se obter sucesso, dinheiro, vida eterna. Não bastasse isso, a palavra está relacionada à tristeza, melancolia. E quem acompanhou Tiago Boanerges em Libertà sabe que ele passa por momentos complicados e tem uma relação difícil com o passado.

Quanto mais eu pesquisava, mais conhecia as músicas, mais eu me encantava e queria mostrar para as pessoas aquele panteão de deuses talentosos, muitos com vidas difíceis, negros ganhando pouquíssimo ao se apresentarem para imensas plateias de brancos, o que também tinha a ver com a proposta do livro de quebra de preconceitos.

Se você ouvir as canções mais antigas, com registros abafados e cheias de chiados, estará automaticamente em Libertà. Sem nem precisar passar pelo Entremundos.

Recém-completados dez anos como autor, o que podemos esperar dos seus próximos dez? 

Muitos postais enviados de Oslo, espero eu. Se bem que em Oslo eu não conseguiria ter um jardim de cactos, melhor mudar de endereço.

O passo mais direto é dar continuidade ao universo de Libertá começado em “Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues“.  Mostrar para os leitores que o EADB é só uma porta para um projeto mais amplo, desenvolver as consequências de tudo o que aconteceu no EADB. Levá-los para um passeio por outros reflexos, quem sabe. Eu já falei que um dia terei meu próprio Stay Puft, o Monstro de Marshmallow dos Caça-Fantasmas? Acho que meu grande objetivo como autor e ter um monstrão fantasmagórico e engraçado andando no meio de Libertà, nem que ele seja algo parecido com a Galinha Pintadinha.

Uma ideia que tem se tornado cada vez mais barulhenta na minha cabeça é levar os meus magos e seres oníricos para o mundo visual, transformá-los em HQs e aproximá-los de três das minhas grandes inspirações: os vilões de Batman e Gotham City e os mundos de Sandman e Constantine. Eu só preciso encontrar o meu Dave Mckean.

Em paralelo, pretendo seguir com os livros de menos teor de fantasia. Chamo essa família de textos de “Habitante Noturno”, do qual já fazem parte o “Neon Azul” e o “A Sombra no Sol“. São livros menores, menos desgastantes de se escrever, e se surgir uma oportunidade de publicá-los com o devido cuidado, podem furar a fila dos livros de Libertà. Quem sabe não aparece um convite?

Você acha que a afirmação “O Escritor é um ser político por natureza” ainda se aplica nos dias de hoje?

Acho que ela foi alterada para “o escritor é um ser chapa branca por natureza”. Porque hoje em dia quase ninguém quer se indispor com o colunista de um jornal, se desgastar com o possível júri de um concurso, mostrar para o leitor que, de repente, quem sabe, você possui uma opinião diferente da dele. Quanto mais neutro você é, quanto mais cara de paisagem você faz, quanto mais discurso do “depois posta a foto e me marca no Facebook” você adota, mais seguro é o seu caminho.

Colocar opiniões em um livro, se propor a tirar o leitor da zona de conforto, assumir uma postura diante do mundo, requer coragem e algum jogo de cintura. Eu fico bastante feliz de a Editora Gutenberg ter publicado o EADB do jeito que ele é, de ter tido essa coragem. A GUT respeitou a essência do livro e entendeu a razão de cada assunto que abordo na história. Alterá-lo seria como publicar uma biografia do Cazuza sem falar de sexualidade, drogas e rock’n’roll.  Ou como publicar Stephen King e falar “mas não assuste ninguém, viu?”

A literatura faz alguma diferença no mundo?

A literatura é um diálogo. E o diálogo faz muita diferença no mundo. Faz falta, inclusive.

Qual a semelhança entre o corvo e a escrivaninha?

Esta aí uma resposta que muita gente em Libertà ainda vai se arrepender de não saber.

De vez em quando rolam concursos em jornais, mas as melhores respostas só fazem sentido em inglês, infelizmente. Minha preferida é Because there is a B in both and an N in neither. (Em inglês a pergunta é “why a raven is like a writing desk?”)

A equipe me intimou a perguntar isso: de onde você tira inspiração para as cenas mais… Ahn… Picantes?

Da minha vida, basicamente. Provavelmente por que me sinto muito à vontade com a minha sexualidade, em todos os sentidos da palavra. Conheço bem os meus gostos e limites, então fica mais fácil trabalhar isso nos personagens, entender quando o sexo pode ser uma ferramenta importante para explorar algum aspecto psicológico da história.

Mas é engraçado isso. Eu me sinto um maníaco quando me divirto escrevendo cenas de assassinato, me sinto péssimo. E fico todo nervoso escrevendo cenas de sexo, pernas bambas, mão suada. Mas no final dá tudo certo.


AQUELA PARTE DA ENTREVISTA:

O que você está lendo no momento: Rani e o Sino da Divisão, do Jim Anotsu; e Hellbound Heart, do Clive Barker.

São Paulo ou Rio de Janeiro: Rio de Janeiro em setembro, São Paulo em outubro.

Sabor de pizza favorito: pizza de sereia. mas se não tiver, pode ser frango com catupiry.

Um desejo: ter milhões de leitores morando em Libertá.

O disco de blues mais importante pra você: qualquer um do Buddy Guy tá valendo.

Um clássico infantil que não seja “Alice no País das Maravilhas”: Onde vivem os monstros, do Sendak.

Muito obrigado pela entrevista, Eric! E saiba que nós do NUPE estaremos aguardando ansiosamente as próximas aventuras a se desenrolarem em Libertá.

Obrigado, folks! Que ela venha logo!

Cinco músicas para uma noite de quarta-feira

22 de outubro de 2014 às 22:08, por

emicida

Eu sou a rainha da procrastinação e o post sobre Tomorrow Cantabile, a versão coreana de Nodame, não ficou pronto a tempo para ser postado hoje. Em vez disso, decidi fazer recomendações musicais! Desde que comecei a usar o Spotify conheci várias bandas super legais e comecei a ouvir músicas que não ouvia antes! Isso é legal porque meu processo criativo é completamente movido por música e novas músicas significam novas ideias.

O post de hoje é para compartilhar cinco que tenho ouvido muito ultimamente.

Iron – Woodkid

Conheci essa música por indicação da Ryan Graudin, autora de The Walled City! A música é maravilhosa e o clipe também e ela entrou quase automaticamente pra playlist de um projeto de escrita que tenho aqui por causa da letra. Esse cantor, Woodkid, só tem um album e todas as músicas são muito boas.

 

Hoje Cedo – Emicida e Pitty

Eu desenvolvi um vício imenso por Emicida esses dias e Hoje Cedo foi a agraciada para entrar nessa lista. Eu nem gosto tanto assim da voz da Pitty, mas nessa música foi uma participação acertada. Adoro umas partes dessa letra, como “Se a sociedade vende Jesus por que não ia vender rap?” e “Vagabundo, a trilha é um precipício, tenso, o melhor/ Quero salvar o mundo/ Pois desisti da minha família e numa luta mais difícil/A frustração vai ser menor”. E cantar o refrão que a Pitty canta gritando é muito libertador, tentem aí.

Don’t Mess With Me – Brody Dalle

Um pouco de rock cantado por mulher com letra raivosa, ahaha. Eu só conheci a Brody Dalle agora e quando ouvi essa música me perguntei COMO É QUE ELA NÃO ESTAVA NA MINHA VIDA ANTES?????? É sério. Entrou direto pra playlist de Anômalos 3.

Tessellate – Alt-J

Alt-J entrou nas minhas recomendações do mês passado, mas eu não consigo parar de ouvir e aghhhh. Tessellate não é desse album novo deles e é tão gostosinha, com uma letra tão legal que dá vontade de só ouvir essa música pra sempre.
Eu só fui ver o clipe quando estava fazendo esse post e para ele apenas pergunto: O QUÊ ESTÁ ACONTECENDO?

Pelo Interfone – Pato Fu

Eu amo Pato Fu. Amo mesmo. Não sei porque eu demorei tanto para ouvir o De Brinquedo, o cd que a Fernanda Takai gravou com os brinquedos dos filhos e com os filhos, mas sei lá, só ouvi agora e amei essa música. Parece uma coisa que a Vila Sésamo faria! Foi uma cortesia do Cem Cantos de Encanto.

 

Essas foram minhas indicações de hoje! Vocês tem mais indicações? Coloquem aí nos comentários!

TBR Jar #2 – Laranja Mecânica, Anthony Burgess

21 de outubro de 2014 às 21:47, por

laranja_capa

Ano: 1962
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph

“Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex – soberbamente engendrada pelo autor – empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de “1984″, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, “Laranja Mecânica” é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.”

——

Esse texto está sendo escrito ao som da Nona Sinfonia do grande Ludwig van Beethoven. Isso mesmo, meus drugues, essa é uma música extremamente importante para esse livro um tanto bizumni, um pouco ded, é verdade, mas ainda assim extremamente importante para a nossa literatura. Espero que vocês, molodois, parem um minueto para ler esse texto e kopatem um pouco sobre os motivos que fizeram com que eu me interessovatasse tanto por ele. Preparados? Horrorshow!

tumblr_lesrrtx1Hc1qe0eclo1_r1_500

Esse foi o livro da minha TBR Jar, e não poderia ter ficado mais feliz com a escolha que os deuses da aleatoriedade fizeram para mim. “Laranja Mecânica” é um desses tantos livros que compro e que acabam estacionados na minha estante, e que não leio por puro desleixo. Acredito que todo mundo conheça a história – ou ao menos o título – adaptada genialmente para o cinema pelas mãos do diretor Stanley Kubrick. E, por mais que eu tenha esse filme no meu coração e ele seja um dos meus preferidos, a sensação de ler o livro é extremamente diferente.

Para quem não conhece a história de Alex, vale fazer uma breve sinopse: ‘Laranja Mecânica’ se passa em algum lugar de um futuro alternativo, não se sabe exatamente onde, em que os adolescentes do grupo de Alex se divertem fazendo arruaças e vivendo sob a filosofia da ultraviolência. Eles estão sempre em busca de desafios que subvertam a ordem, que destruam as coisas e que, não raro, deixem alguns corpos pelo caminho. Para eles, a melhor forma de viver a vida é não se importar com as consequências e com o que pode acontecer caso sejam pegos. Eles são jovens e, até onde saibam, completamente inatingíveis. Até que tudo, é claro, dá errado, e o governo entra na jogada e torna as coisas um tanto quanto complicadas, principalmente para Alex.

ClockworkOrangeGIF1.gif.CROP.original-original

De boas aqui andando e subitamente chutando meu amigo por nenhum motivo especial

Nesse universo, Burgess – autor do livro e linguista por formação – fundiu elementos do inglês, russo e de gírias criadas pelo próprio autor que, depois de um passeio pela Malásia, ficou fascinado com a forma peculiar e particular com a qual as gangues urbanas se comunicavam. Misture a isso o fato de que os anos cinquenta trouxeram a cultura pop e o consumismo adolescente, e a organização das gangues passou a se tornar uma realidade em solo inglês. Burgess via as gangues adolescentes e as animosidades que existiam entre elas, e decidiu fazer com que ‘Laranja Mecânica’ se tornasse ao mesmo tempo uma extrapolação de toda essa violência e uma bruta mensagem sobre as consequências dela.

O primeiro parágrafo desse texto deve ter soado um pouco esquisito para você, eu sei. Existem palavras ali que você provavelmente nunca ouviu na vida e provavelmente nunca ouvirá novamente. É exatamente assim que somos apresentados a ‘Laranja Mecânica’: como estranhos que espiam o futuro. Burgess faz de Alex um narrador em primeira pessoa, que nos trata como amigo e que pretende nos contar o que aconteceu em sua vida; e, já que somos amigos dele, Alex não precisa se preocupar em falar com a gente da mesma forma que falaria com um policial, por exemplo. Ele pode usar todas as gírias que quiser, e presume que nós entendamos o seu discurso. E aí é que está a graça: nem sempre entendemos. A minha edição, da editora Aleph, possui um glossário com os termos inventados no final do livro, mas o grande barato da história é lê-la sem nenhuma explicação mesmo, como se o personagem fosse do futuro e falasse com a gente e não tivéssemos tempo de buscar as definições para as palavras estranhas que ele fala.

Esse ponto é, na verdade, uma faca de dois gumes: com ‘Laranja Mecânica’, você precisa estar preparado para se comprometer com a leitura. Ele não é, de forma alguma, um livro leve, nem na história que conta nem na forma como é narrado, mas também não é um livro difícil. Não sei se posso colocar nesses termos, mas acho que a palavra mais adequada para tentar definir a experiência de ler ‘Laranja Mecânica’ é esquisito. Lê-lo foi uma das experiências mais gratificantes que tive, mas só percebi isso depois que terminei o livro; porque, enquanto lia e passava por mais uma sequência de palavras estranhas, tudo o que eu queria era tacar o livro pela janela e começar alguma coisa menos complicada.

É difícil tentar definir tudo o que o enredo de ‘Laranja Mecânica’ representa: ele foi escrito em uma época onde a violência juvenil estava crescendo cada vez mais, e imaginá-la incontrolável não era nenhuma ficção científica muito longe da realidade. No entanto, o livro não trata apenas sobre violência juvenil, e é isso o que faz dele uma grande história: aqui, também somos apresentados à violência da polícia, à violência pessoal da vingança, e principalmente à violência do governo, que pretende ‘curar’ Alex de seus instintos violentos usando, olhe só!, violência. É impressionante como um livro de duzentas e poucas páginas pode ser tão significativo para uma discussão sobre esse tema que, mesmo depois de quase cinquenta anos, continua extremamente atual.

Violência produz violência

Violência produz violência

A edição brasileira tem um capricho muito grande na tradução, que merece destaque. Não deve ter sido um trabalho fácil adaptar tantos termos que possuem raízes inglesas, russas e com duplo sentido. O prefácio mostra para a gente como esse trabalho foi feito, mas caso vocês leiam a tradução dessa edição da Aleph, sugiro que pulem o prefácio e só o leiam depois de terminarem o livro. O próprio livro nos recomenda a leitura da história sem que saibamos o significado dos termos nadsat, mas o prefácio acaba entregando o significado de um tanto deles durante suas explicações lexicais, o que pode acabar com um pouco da graça de ser um completo estranho nas terras de Anthony Burgess.

O que fica ao fim do livro é que ele é uma montanha-russa de sensações: odiamos Alex, depois odiamos os amigos de Alex, depois odiamos o governo, então odiamos Alex novamente, e seguimos nesse looping de ódio aos personagens até o fim da história. Não é uma narrativa que nos dê alegria e nos deixe leve, mas sim uma daquelas que nos faz pensar um pouco sobre a nossa própria realidade. Um dos melhores tipos de narrativa, na minha opinião.

Avaliação: quatro copos de suco de laranja e um meio vazio (porque sou pessimista)

tumblr_n33a1cPgV11qldrydo1_500

*

Em tempo, acho que acabar a leitura desse livro significa que É HORA DE UM NOVO SORTEIO DA TBR JAR OMG QUE MEDO EU TENHO MUITO LIVRO ESTRANHO!!!11

Fiz o sorteio aqui comigo e o livro que tirei foi: Doutor Jivago, do Boris Pasternak.

*encara o papelzinho da TBR Jar. olha pra cima. ri nervosamente*

Faz séculos que não leio um livro russo. Esse não é exatamente antigo – é de 1957 -, e apesar de o Boris ser russo, o livro foi publicado na Itália! Eu não tenho a mínima ideia da história e ele é meio grandinho, então provavelmente não terminarei de ler tão cedo. A minha edição é de sebo, e bem velhinha. A única foto que consegui achar foi essa daqui, ó:

livro-o-doutor-jivago-10866-MLB20034904844_012014-FEntão é isso, espero que tenham gostado da resenha e tal. Até a próxima!

Vamos falar sobre Annabelle? #HalloweenNUPE

17 de outubro de 2014 às 15:46, por

tumblr_nd0z3jLSZs1qjgnsgo1_1280

Foi com um misto de animação e pé atrás que fui até o cinema assistir ‘Annabelle’. Filmes de terror são tipo um terreno divino para mim, porque consigo me divertir com filmes ruins na mesma proporção que me divirto com os bons. Divido meus filmes preferidos de terror entre ‘O Exorcista’, ‘The Gingerdead Man’ e ‘A Mão Assassina’, apenas para citar alguns, mas se tem uma coisa que não gosto é de filmes de terror que se levam a sério e não dão medo. E Annabelle, assim como seu predecessor, ‘A Invocação do Mal’ (que a Kah resenhou aqui), é um filme de terror em sua essência, e não um filme trash que a gente chama de terrir (um terror tão propositalmente ruim que gera riso e não medo). Ele se leva a sério, e seu propósito principal é causar medo no espectador. Mas será que ele consegue?

tumblr_nd0awocVdM1thsgi6o1_500

Pelo amor de Deus, é claro que sim. Você já viu a cara demoníaca daquela boneca?

‘Annabelle’ é um spin-off, ou seja, pode ser visto por quem não assistiu o filme ‘Invocação do Mal’ sem nenhum prejuízo para o entendimento da trama, mas é mais divertido ser assistido se você já conhece a boneca. Se você não conhece, vamos lá: ela aparece quase como uma figurante em ‘Invocação do Mal’, tendo um breve momento em que é citada, e talvez tenha sido colocada lá para que o espectador já a conhecesse um pouco antes de assistir ao filme dedicado exclusivamente a ela. Ou então foi uma feliz coincidência, e os olhos macabros dela fizeram tanto sucesso que o spin-off era inevitável. Não sei dizer ao certo.

tumblr_nd5whprqcr1thsgi6o1_500

A história acompanha o casal John e Mia – e acertadamente é ambientada nos anos sessenta –, um típico casal de subúrbio americano que está esperando o primeiro filho: ele, estudante de medicina; ela, dona de casa. Os dois têm uma vida tranquila, rodeada por bonecas do quarto do bebê e livros de estudo de John, até que sua casa é invadida e os dois são atacados por membros de uma seita obscura. A partir disso, os eventos estranhos começam a persegui-los, e tudo converge para Annabelle, a boneca de olhos vidrados e sorriso esquisito no rosto.

Talvez a primeira pergunta que você esteja se fazendo é POR QUE DIABOS ALGUÉM IRIA QUERER UMA BONECA SATÂNICA DESSAS? Pois é, eu também me questionava isso enquanto dava meus passos em direção ao cinema, mas a explicação é muito boa e simples: Annabelle é uma boneca colecionável, uma das raras, e a protagonista coleciona bonecas. Ok, aceitável.

tumblr_ncs5zbTwE51tgg8wlo1_500

Depois disso, você deve se perguntar: esse filme dá medo? ENTÃO, MEUS CAROS. DEVO DIZER QUE SIM. Os jogos de câmera são extremamente bem feitos, e o som do filme dá uma tensão extremamente macabra para as cenas mais obscuras. Assim como ‘Invocação do Mal’, o filme não decepciona nos momentos em que o terror está presente, e uma das jogadas mais legais do filme é que Annabelle sempre está presente como instrumento do terror, mas nunca como agente dele. Ela sempre está parada, olhando para o espectador enquanto as coisas acontecem, quase como se estivesse achando graça em todo o desespero (talvez esteja, vai saber).

Fiquei surpreso quando descobri que o diretor de Annabelle é o mesmo que fez “Efeito Borboleta 2” e “Mortal Kombat – A Aniquilação”, porque vamos combinar, esses dois filmes são muito muito muito ruins (e juro que, se soubesse disso antes de comprar o ingresso de Annabelle, talvez não tivesse assistido no cinema) (ainda bem que não soube, porque valeu a pena ver o filme no escuro com um monte de gente gritando de medo!). Aqui, no entanto, ele consegue fazer um trabalho extremamente competente.

É um bom filme? É. Tem alguma falha? Tem. O final. O final, senhoras e senhores, é EXTREMAMENTE PROBLEMÁTICO. Esse é o momento em que dou tchau para quem ainda não viu o filme, porque a seção livre de spoilers acabou. A partir de agora, vou falar de partes importantes sobre o último ato do filme; se você não quer saber o que acontece, não continue lendo. Se você já sabe ou não se importa em saber, vem comigo.

[INÍCIO DOS SPOILERS]
(selecione o texto para ler os spoilers!)

Sabe, uma das coisas que mais me irritou nesse filme foi o final. Ele estava quase bom demais. QUASE. Aí teve o final, que cagou tudo. O que me irritou não foi nem tanto a solução final – que é fácil e pobre, além de extremamente batida, mas ok –, mas as condições em que elas apareceram.

Mia, nossa querida dona de casa que está sendo atormentada pelo espírito de Annabelle, faz amizade com Evelyn, uma simpática livreira negra que tem um negócio na frente do novo apartamento dela. E, ao fim de toda a história, Evelyn decide se sacrificar para salvar a paz do casal Mia e John. Evelyn, uma mulher negra que nada tem a ver com a vida dos dois, se sacrifica porque acredita que essa é sua ~missão~ em Terra.

Eu não quero parecer paranoico, mas faz algum tempo que leio sobre representatividade negra em narrativas, e um dos textos mais interessantes que li foi sobre o arquétipo do “Magical Negro” (se você tiver um bom inglês e paciência, é esse daqui). Nesse arquétipo, somos apresentados a um personagem extremamente inteligente, geralmente um mentor com pouca instrução formal (o que não se aplica no caso de Evelyn), que sempre ajuda o protagonista a atingir seu objetivo – seja conseguir alguma coisa, ou, no caso do filme, simplesmente ter paz – e que, no fim da história, sempre se sacrifica por esse protagonista. Stephen King usa muito esse arquétipo (‘À Espera de Um Milagre’, ‘A Dança da Morte’, ‘O Talismã’, ‘O Iluminado’), e o grande problema de utilizá-lo é que o personagem (negro) tem sua vida anulada completamente em prol do protagonista – geralmente branco. Não estou aqui dizendo que o filme é racista (assim como tenho certeza que o Stephen King não é racista), mas apenas queria salientar o quanto esse final é problemático: pela ótica do filme, o grande objetivo da vida de Evelyn é se matar para salvar a vida de um casal que ela conheceu há algumas semanas; e, para isso, deve anular toda a sua vida e suas vontades em prol de conseguir a paz para os outros. É uma atitude altruísta e bonita sim, mas para efeitos de representatividade e para o desenrolar do roteiro, é um movimento extremamente ruim. E se fosse Evelyn que precisasse ser salva por Mia? Será que a narrativa pareceria justa ou bonita?

Queria um final diferente, mais por conta de todas essas questões sobre representatividade do que pelo final em si, sabe. Estava sendo um filme tão bom. O roteiro estava tão legal. Mas enfim, nada é perfeito T-T

[FIM DOS SPOILERS]

Então é isso. Recomendo esse filme? É claro que sim. Vá assistir no cinema, de preferência com aquele seu amigo que se caga de medo de filme de terror, pq OMG reações, as melhores coisas são as reações. Só espero que você não seja essa pessoa que morre de medo, porque aí provavelmente alguém vai te gravar e daqui a pouco você vai estar no Vine.