Minha amiga tem um namorado muito legal e eles fazem um casal fofo e outro dia eu falei pra ela: “Eu super shippo vocês, super OTP” e ela me olhou estranho. Também já aconteceu de assistir a novela com a minha mãe e soltar um “você shippa eles mamãe?” e ela ficou O QUE É SHIPPAR?
E bom, é importante que a minha mãe e a minha amiga saibam sobre ships, porque eles são responsáveis por noites mal dormidas e crises de sofrimento (sim, com personagens e suas relações!!!), ou seja, um grande pedaço da minha vida.
Ai eu falei pra minha amiga que ia organizar pra ela um dicionário fandom, pra ela entender tudo que eu falo sem ficar perdida e bom, por quê não? Tenho certeza que tem gente que convive com você não entende tudo que você tá falando (é normal soltar expressões da internet em conversas da “vida real”, ok?)
Então esse é um dicionário sobre fandom num geral, de fangirl para fangirl (ou fanboy), com alguns termos importantes para que você navegue no tumblr, por exemplo, entendendo bastante coisa
Fandom

fandoms são como drogas. você só precisa de um pouquinho pra te viciar aqui e mais um pouquinho ali e ai BAM, sua vida é um trem desgovernado.
Fandom é o diminutivo de Fan Kingdom, que traduzindo livremente vira Reino dos Fãs. O fandom é um grupo de pessoas unidas por um interesse em comum. Henry Jenkins, que é um grande estudioso da área de web disse que “fandom se refere às estruturas sociais e culturais praticadas pelos mais apaixonados consumidores de mídia de massa”, o que quer dizer que o fandom é provavelmente a parte que mais consome o produto (série/livro/filme/banda/etc) e portanto quem vai fazer mais críticas, vai consumir mais, vai gastar mais dinheiro, vai passar mais tempo discutindo e rediscutindo o conteúdo na internet e em outros meios.

Como isso não é meu TCC, eu vou falar mais claramente: fã é quem dá lucro. É claro que o fã vai discutir na internet o conteúdo, vai surtar, vai fazer críticas (mas funciona que nem a sua família: você pode falar mal, se outras pessoas reclamarem exatamente da mesma coisa que você é ofensivo), mas no fim das contas o que importa, é o tamanho da paixão e a quantidade de dinheiro que eles estão dispostos a gastar com determinadas coisas. E é claro, sempre vai ter alguém que não vai entender (mães e pais geralmente) porque você precisa comprar o CD se já baixou todas as músicas ou porque você precisa do DVD se já viu todos os episódios, mas quando algo causa um impacto muito profundo na sua vida, você quer mais é possuir aquilo (pra emprestar, pra ter ciúmes, pra se exibir, pra guardar pros filhos, pra se lembrar, pra ter acesso quando der vontade… você escolhe) e ai é a vida de juntar dinheiro e fazer planos com a mesada/salário dos próximos 5 anos porque dá vontade de comprar tudo, ir em todos os shows, sempre ir ao cinema, ler todos os livros e sofrer bastante.
É claro que você não deixa de ser fã de alguma coisa porque não gastou dinheiro com ela, mas nas minhas observações, quanto mais apaixonado você é por algo, mais você quer possuir coisas relacionadas ao seu objeto de paixão. Quanto mais, melhor.
É muito legal se a gente parar pra pensar que basicamente TUDO na nossa vida é um fandom. Fã é alguém que gosta de alguma coisa, certo? Como eu acho que todo mundo no mundo gosta de pelo menos uma coisa, acho que todo mundo faz parte de um fandom. Se a gente acompanha esse pensamento, as torcidas de futebol são grandes fandoms, assim como as religiões, os simpatizantes de partidos políticos… quase tudo MESMO. E sabe quando eles falam que religião, política e futebol são assuntos que não se discutem? O gosto e a opinião da pessoa dentro de determinado fandom também não. Mas nós vamos falar sobre isso lá na frente.
Outra coisa legal sobre fandoms (eu acho pelo menos): eles têm nomes! Por exemplo, se você é fã de Glee, você é um Gleek. Já se você é fã de Jogos Vorazes, você é um tributo. Para One Direction, existem os directioners. Se você é fã de Fifth Harmony, você é um harmonizer (Oi Olivia!)! A grande maioria das séries/bandas/livros/filmes que fazem MUITO sucesso tem nome para os fãs. Se você é MUITO fã de alguma coisa e não sabe o nome, você pode se chamar apenas de FANGIRL/FANBOY.
Bons vídeos que falam sobre fandoms (e feelings num geral e como você entra no meio dessas coisas e o que você faz pra sobreviver, etc etc etc): aqui, aqui e aqui. São realmente vídeos legais, que basicamente explicam a vida de muitas pessoas.
Fangirl/Fanboy

Mas o que é uma fangirl (vou usar esse termo porque sou mulher, se você for homem troque para fanboy)? É bem simples. Se você ler o termo acima e ficou: “Meu Deus, é mesmo!! Odeio quando falam mal do que eu gosto! AAAAAAAAAAH EU TAMBÉM FICO POBRE POR CAUSA DAS COISAS! Então quer dizer que eu sou um tributo???”, parabéns você é uma fangirl. Fangirls são, basicamente falando, os membros do fandom, que também podem ser chamados de fãs, claro. Um conjunto de fangirls é um fandom (do mesmo jeito que o coletivo de peixes = cardume, o coletivo de fangirl é fandom). Como eu disse, o termo fãs é super aceitável para definir quem está dentro de um fandom, mas é que fangirl é meio que um estado de espírito É difícil de explicar porque é como se fosse uma personalidade que a gente assume, principalmente na internet. Sabe quando você não consegue expressar o que está sentindo direito e só bater a cabeça no teclado parece ajudar? UIDSNALKFSKDFNKSDNFD pois é.

É claro que ataques podem ocorrer em qualquer lugar e geralmente ocorrem, mas na internet é possível achar mais semelhantes que pirem pelos mesmos tópicos que você… (porque se a gente continuar com aquela teoria, toda vez que o meu pai grita para a TV enquanto o time dele está em campo é uma forma dele ser fanboy e ele não vai achar estranho, mas se eu gritar pra TV mandando dois personagens se beijarem, ele provavelmente vai me mandar calar a boca, então assim, é mais uma questão de saber onde se expressar e na internet é mais legal, exatamente porque é possível que além de entenderem mesmo que não façam parte de determinado fandom, você vai arrumar novas pessoas para se expressarem com você)(grande pausa)

É importante lembrar aqui também que você pode ser fangirl de uma pessoa só (tipo, não precisa amar o elenco inteiro da série), de uma personagem só ou mesmo de um casal. Quando você é fã de um casal, eles são seu SHIP.
Ship

Ship (que também significa navio, em inglês) é uma abreviação de relationSHIP (que significa relacionamento) e quando você tem um ship significa que você apoia a relação entre duas pessoas (sejam personagens ou pessoas da vida real) e acha que a) eles formam um belo casal ou b) podem vir a formar um belo casal e ainda não se deram conta da beleza do amor que pode existir entre eles. O segundo caso costuma ser mais comum (e o que faz a gente sofrer mais), já que a grande maioria das histórias narra como tudo começou/desenvolveu ou qual foi o grande ponto de virada em determinada história.

Dizem que o termo surgiu dentre os fãs de X Files que torciam muito para Mulder e Scully ficarem juntos. Shippar é uma das coisas mais normais do mundo: minha mãe shippa pessoas na novela, ela só não sabe que se chama assim. Quando eu era pequena eu shippava Mônica e Cebolinha e nem fazia ideia que um dia essa coisa de torcer por personagens terem relações românticas iria consumir minha existência!!!
Quanto mais amplo o fandom, maior a chance de… pois é, brigas. Às vezes as pessoas esperam que todo mundo tenha opiniões iguais e não é assim que acontece. Como existem muitas opiniões diferentes, podemos dividir os ships, para ficar mais fácil de entender.
CANON: o ship canon é a) aquele que está predestinado a se tornar endgame (consultar verbete adiante) ou b) aquele casal que aparece na série e tem uma relação e deixa
muitas pessoas tristes quando a relação termina. O termo canon não funciona apenas para ships… Basicamente é qualquer coisa que aconteceu na série/ livro/ filme.
FANON: é um ship que os fãs
criaram. Tem gente que faz parte de ship fanon que nunca se olhou e mesmo assim tem gente que jura que existe uma tensão sexual entre ambas personagens. Algumas vezes é verdade e eles acabam se tornando canon.
OTP: Significa One True Pairing, o que numa tradução livre é o mesmo que “um par verdadeiro”. Seu OTP pode ser canon ou fanon. Em quase todos os fandoms é possív
el encontrar pelo menos mais de um casal. Mas sempre (se eles estiverem fazendo o serviço direito) você vai encontrar um casal que balança suas estruturas e você fica o dia inteiro pensando neles e na relação que eles tem e em como eles destroem seus sentimentos e tal. É possível ter vários OTP’s em variados fandoms, mas geralmente um só em cada um. Glee é um bom exemplo nesse caso. É uma série cheia de casais canon e cheia de casais fanon. E com MUITOS OTPs. Você pode shippar um monte de casais, mas geralmente existe um que você vai torcer mais que os outros para que eles se resolvam e tal. Em Glee, por exemplo, eu sou Team Finchel! OTPs deixam a sua vida mais bonita quando eles são canon e endgame.

bom endgame
Endgame significa fim de jogo. O que significa que é o casal que fica junto no fim… Esse é um tópico de problema em alguns fandoms porque como vocês bem sabem, opiniões são SUPER ULTRA DUPER diferentes.
BROTP/SISTP: Sabe aquela amizade maravilhosa em uma série ou livro? E tudo que você
deseja é uma amizade parecida e essas coisas? Pois é. São chamados de brotp (eu já vi as pessoas usando sistp para amizade entre duas mulheres, mas eu uso brotp pra tudo). Os brotps vivem um bromance. Infelizmente a maioria das pessoas não entende que bromance não passa de amizade. É SÓ ISSO E PRONTO. As pessoas se acostumaram a sexualizar as coisas e isso é meio triste, porque ai significa que
elas não acreditam que pode existir uma amizade saudável entre dois homens, duas mulheres ou entre um homem e uma mulher sem intenção de atividades sexuais. Paciência.
Shipper Wars: Lembra o que eu falei sobre briguinhas? A maioria delas começa por causa de ships. Na verdade, é uma babaquice sem tamanho brigar com a pessoa por causa do que
ela shippa, já que a opinião dela é diferente da sua e você tem mais é que respeitar todas as opiniões (que não te ofendem). Na maioria das vezes, são realmente brigas de opinião e o que você acha a melhor coisa do mundo, pode ser a pior coisa do mundo pra outra pessoa. Lógico que é legal discutir opiniões diferentes, mas meu conselho: se não for com alguém que você conhece pelo menos um pouquinho, não se envolva. Defender suas personagens favoritas é muito bom, mas sempre sai coisa ruim. Vou falar um pouco disso lá embaixo.
Crackship: já que estamos falando sobre as variáveis dos shippers, existem pessoas que também shippam casais de duas histórias diferentes. O que nos leva ao crossover.
Mas antes: um bom vídeo sobre ships
CROSSOVER: quando duas histórias (de universos diferentes) se cruzam. É muito legal pensar em possíveis crossovers, mas eles quase nunca terão chances de acontecer. Um exemplo: vamos supor que os médicos de Grey’s Anatomy vão ter um caso hoje e na verdade é uma personagem de Once Upon a Time que está doente e viajou pra Seattle por alguma razão. Eu sempre quis um crossover de Bones e Fringe e serei sempre frustrada porque não aconteceu.
FANFIC
Se o seu crossover dos sonhos não aconteceu na realidade, ele pode acontecer em uma fanfic. O que é uma fanfic EXATAMENTE? Fanfic é uma história que usa os personagens de uma história para novas histórias. Se você for EXTREMAMENTE apegado aos personagens e ao que acontece na série e é canon, fanfics não são exatamente pra você. Tem que tomar cuidado também com fanfics que não estão completas, porque ai é sofrimento em vão. Geralmente é divertido ler, porque você pode passar mais tempo com suas personagens favoritas (algumas fanfics já me fizeram ter ótimos insights sobre coisas que eu realmente amo). Um dos sites mais famosos para fanfics é o FF.NET, mas meu conselho: só leia fanfics que outros amigos já leram e gostaram, porque existe a chance de mais amor e pouca raiva (existem autores muito ruins que vão estragar um bom plot e autores muito bons que vão melhorar um plot, deixe que seus amigos procurem pra você porque é mais garantido). Existem vários tipos de fanfic, dentre elas:
Headcanon: uma coisa headcanon é algo que provavelmente aconteceu mas não foi narrado no livro ou na série, ficou sem cenas, etc. Por exemplo: sua personagem favorita aparece grávida, logo você vai assumir que ela fez sexo, mas a cena de sexo não foi mostrada. Os fãs costumam criar headcanons para essas partes que a gente não conseguiu ver (e é geralmente muito frustrante quando a gente não consegue ver). Geralmente essas fanfics são curtinhas, feitas somente pra preencher o que aconteceu entre uma cena e outra (ou o que os fãs acham que aconteceu). Citando o exemplo acima, se a pessoa aparecer grávida, uma fanfic headcanon nesse caso pode ser a cena de sexo narrada em detalhes, do jeito que a pessoa que está escrevendo achar que aconteceu. Filmes adaptados de livros narrados em primeira pessoa são uma boa maneira de explicar headcanons, porque o autor não escreveu aquilo ali, mas ele pode imaginar o que estava acontecendo com as outras personagens.
AU: a fanfic AU (alternative universe = universo alternativo) é exatamente isso: o que aconteceria com essas personagens em um universo diferente do delas? Na maioria das fanfics as personagens “alternativas” mantém a mesma essência e algumas usam inclusive alguns quotes da história original…O pensamento fundamental de uma fanfic assim é: se essas personagem estivesse nessa e nessa situação, como ela reagiria? Uma das minhas fanfics favoritas é uma de One Tree Hill em que Nathan e Haley são parceiros que se odeiam e trabalham no FBI. É muito bem escrita e você pensa: uow, isso daria um livro. Acontece às vezes. Sabe Cinquenta Tons de Cinza? Era uma fanfic de Twilight. Se você ler os dois livros você percebe as semelhanças bem rapidinho.
Future Fic: não sei exatamente se é assim que se nomeia esse tipo de fanfic, mas eu li algumas no fandom de TLBD com esse nome, então assim vai ser. Esse é provavelmente o meu tipo favorito. Sabe quando a série/o livro/o filme termina e você fica “MEU DEUS E AGORA COMO EU DEVO CONTINUAR COM MINHA VIDA O QUE EU FAÇO E AS PERSONAGENS O QUE ELAS ESTÃO FAZENDO MEU DEUS EU PRECISO DE MAIS SOCORRO” e tudo que você quer é um capítulo extra falando mais sobre a história porque você virou amigo das personagens e não quer viver sem elas? Pois é, você não precisa viver sem e você pode saber o que aconteceu com eles depois, se você estiver disposto a embarcar nas ideias de outros fãs. Algumas são realmente boas, mas eu não gosto de ler nenhuma fanfic sem indicação, porque eu sofro por pouca coisa. As future fics vão geralmente falar sobre o que aconteceu depois do fim, mas se ele tiver sido MUITO BOM, com um bom final é bom parar por ai e ficar só revendo/relendo, porque você pode se decepcionar.
Acredito que isso também funciona para modernizações, como é o caso de TLBD, que é uma série, mas segue o mesmo padrão. Se Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito fosse uma estudante de comunicação que mora com os pais, como seria o comportamento dela?
Existem muitos outros tipos como fanfic fanon, que é algo que não aconteceu na história, mas um fã criou e ai vários passaram a usar como referência ou característica de uma personagem e fanfic one shot, que tudo acontece rapidamente num capítulo só (ideais para ler antes de dormir). Aqui dá pra ver todos esses tipos.
As fanfics também tem classificação, que nem os filmes! Linguagem adulta, cenas de sexo, violência, uso de drogas, etc. É bom observar esses tópicos porque pode ser que você não esteja querendo uma fanfic que mostra seu OTP fazendo sexo – tá, ok, a maioria das pessoas lê fanfic pra isso, mas pode ser meio chocante, principalmente porque você não faz ideia do que a pessoa vai escrever na cena de sexo (existem cenas MUITO detalhadas) e ai ela coloca sua personagem favorita sendo uma Anastasia Stelle da vida e ai é estranho pensar na personagem de novo e tal (pelo menos pra mim!). Para saber as classificações que são usadas por esses sites, clique aqui.
FANART: As fanarts são exatamente o que o nome sugere: arte dos fãs. E são as coisas que eu mais amo em fandoms, principalmente os muito populares: como é legal observar o tanto de gente talentosa que existe no mundo!

Entretanto, como é material de copyright, muita gente fica receosa de produzir conteúdo, porque afinal, eles podem não ter o direito sobre o que foi produzido, já que foi baseado no trabalho de outra pessoa. É um assunto delicado, que não vai ser discutido aqui, mas fanarts geralmente são inofensivas, já que as pessoas que produzem essas obras de arte, geralmente fazem com o intuito de dividir com os fãs e não de lucrar em cima da obra de outra pessoa.
Life Ruiner

my babies (dois deles, mas não todos)
Life ruiner é basicamente qualquer pessoa que de tão linda, legal, simpática e tudo mais, faz com que todas as outras pareçam MÉH demais. Ai eles arruínam as outras pessoas (got it?) e a sua vida com a beleza e perfeição (eu sei que ninguém é perfeito, mas digamos que a gente queira algo próximo da perfeição… então). Seu (s) ou sua (s) life ruiner (s) são aquelas pessoas que você não consegue parar de ficar obcecado sabe? Que você quer saber tudo da vida da pessoa, que tem um mini ataque de coração cada vez que ela surge na timeline do Twitter, em uma foto do Tumblr, em um vídeo no Youtube, NA SUA FRENTE (life ruiners não tem que ser famosos por definição, eles só tem que arruinar sua vida). É claro que é um termo hiperbólico, como quase tudo que acontece em um fandom e eles não arruinaram sua vida REALMENTE. Mas ai você fica comparando todo mundo com essa pessoa e tal, sabe? Eu acredito que isso acontece com qualquer pessoa ou artista que você admira muito.

essa também é uma ótima definição. oi bell, presentinho 
Gpoy

#mimimi gpoy
GPOY é uma sigla e significa: Gratuitous Picture Of Yourself o que numa tradução livre quer dizer “foto aleatória de você mesmo” que é quando você encontra algum gif, vídeo, foto, meme, livro, personagem, filme, série, citação ou qualquer coisa que lembra tanto você ou alguma situação da sua vida que parece que estão fazendo imitação. Existem muitaaaaaaaaaaaas coisas gpoys na internet, o que é bem legal (eu acho).
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Bom, o post deveria acabar ai e eu sei que ainda faltam muitas coisas, mas é um “dicionário básico para entender fandom”. Mas (e se você quiser, pode parar por aqui mesmo) eu acho importante fazer uma pequena reflexão, pessoal mesmo sobre observações que eu fiz observando fandoms que eu participo e pessoas no twitter e no facebook, num geral.

Fã é contraditório. Posta coisas no twitter tipo: “quem não viu tal série está perdendo”, “não gosto de pessoas que não leram tal livro”, “não consigo confiar em quem não gosta de tal filme”, “fã de tal banda >>>>>>>>>>>” e coisas assim. Depois começa a reclamar que a tal coisa que ele tanto espalhou virou modinha. Antes de mais nada, é importante lembrar que gostar de alguma coisa não te faz melhor que ninguém. Claro, pode te tornar uma pessoa melhor, mas não te dá o direito de “rebaixar” os outros. E depois, voltando ao que estávamos falando, ora bolas, se você fala muito sobre um assunto que eu não conheço, o mínimo que eu faço é olhar no Google sobre ele. Se o assunto me agrada, o que eu vou fazer? Ler mais sobre ele. A mesma coisa acontece quando você fala sobre algo que você é fã. Se é tal legal assim, eu também quero ser, por favor.
Um problema comum em um fandom é alguém achar que é “dono” dele, só porque descobriu a pessoa, série, filme, livro, banda, cantor ou qualquer coisa “antes da modinha”. E ai começa a chamar todo mundo de poser. Primeiro, é importante lembrar, que se você está num fandom desde o início, isso é excelente pra você, mas não faz diferença na vida de mais ninguém. Participar ativamente de uma coisa desde o início pode ter mudado os seus hábitos, te dado amigos e provavelmente você aproveitou bastante a imprensa que apareceu para falar sobre isso. Mas se alguém começa a assistir/ ler/ escutar algo porque está no auge da moda (ou depois que a modinha passou) essa pessoa não é pior que você, ela só “perdeu” a sensação gostosa que é de ver as coisas acontecendo “ao vivo”, sabe? O que pode ser ruim pra ela, mas não deve ser um motivo pra tratá-la mal. Aliás, hoje em dia está tudo na internet, então a pessoa perdeu a “sensação”, mas ela vai ver ou ler depois de qualquer jeito, então é bobeira ficar falando isso né?
Tem uma coisa que me irrita muito e são fãs preocupados com modinha. Como eu já disse, não é porque você assiste ou lê uma coisa que ela pertence à você (a não ser que você faça alguma coisa e seja fã da própria obra), então, deixa eu esclarecer rapidamente que as pessoas (produtores, atores, escritores, cineastas, músicos e todo mundo responsável por produzir coisas para o entretenimento) fazem essas coisas para que elas possam ser VISTAS, LIDAS, OUVIDAS e ESPALHADAS. Se eles não quisessem que várias pessoas tivessem acesso, isso não iria para lojas, sites, etc. Eu acho que o “trabalho” mais legal que o fã tem é espalhar as coisas.
Henry Jenkins, escritor de “Cultura da Convergência” diz que essa cultura de fãs é responsável por grandes arrecadações e que ela mudou a forma como a indústria do entretenimento se posiciona e gera conteúdo. Legal né? Os fãs são “responsáveis” por divulgar o trabalho, o que é interessante, porque é a famosa propaganda boca a boca. Se eu gosto de algo, eu vou passar para os meus amigos, que vão passar para os amigos deles e ai é uma teia muito legal de conhecimento compartilhado. Quando seus amigos gostam das mesmas coisas que você é muito legal né?
Eventualmente começam a aparecer pessoas chatas ou que não concordam com a sua opinião em um determinado assunto. Deixa eu esclarecer outra coisa: pessoas chatas vão existir em todo lugar, pessoas discordando da sua opinião também. O que você pode tentar fazer é manter um diálogo aberto para escutar o que o outro tem pra falar: se for um monte de abobrinha, só escuta e diz que você não concorda e pronto. Você não é obrigado a aceitar a opinião de ninguém e ninguém é obrigado a aceitar a sua. Demorou muito tempo e algumas brigas pra eu entender isso, mas finalmente caiu a ficha. Acho que o TCC me ajudou.
Veja bem, nosso TCC é sobre um fandom (o de TLBD), falando generalizadamente. E tem uma teoria de recepção do Martin Barbero, se eu não me engano, que ele fala que novelas fazem muito sucesso no Brasil porque o público se identifica com os hábitos das personagens. Ele continua falando que a recepção de conteúdos é diferente para todas as pessoas porque nenhuma pessoa tem todas as experiências iguais a outra. Sabe quando você morre de tanto rir de uma piada e a outra pessoa não acha graça nenhuma? Pois é, o que é engraçado pra você, não é pra ele e pode ser que tenha a ver com alguma coisa que ele já viveu. É aquela história antiga que cada pessoa é única e tudo mais. É verdade.
Possivelmente você vai encontrar alguém que concorde com sua opinião em MUITOS assuntos, muitos mesmo, quase todos. Ai de repente, tem um que essa pessoa não concorda. E está ok ela não concordar, porque ela é diferente de você e já imaginou que chatice todo mundo pensando igual? Opiniões diferentes são bem vindas até para que você observe as coisas de ponto de vista diferentes (não é super legal quando fazem isso em livros? É legal na vida real também), desde que você tenha opinião própria e não mude ela toda hora para agradar ou impressionar a pessoa que está batendo um papo com você. O mais importante de tudo e o grande resumo dessa reflexão (e o que eu acredito que falta em muitas argumentações – não só em fandoms, mas na vida, num geral) é: respeito – é bom e todo mundo gosta.
Bom, me desculpem por falar demais. Se você concorda, não concorda, não tem opinião sobre o assunto, quer perguntar alguma coisa sobre o “dicionário”, tem sugestões para um segundo post que complemente esse é só colocar ai nos comentários ou me chamar no twitter (@natcfc). É isso.