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Já estamos quase entrando em setembro…

29 de agosto de 2014 às 17:24, por

E somente dois post (bom, três agora. Talvez. Quem sabe?). Nem temos desculpas para isso, mas prometo que o blog vai continuar.

O NUPE NÃO MORREU!!!!

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…..ainda.

Pode parecer brincadeira, mas a vida de todas as pessoas que escrevem no NUPE anda meio corrida (eu estou estudando para concurso e para prova de mestrado, por exemplo) e/ou os membros estão viajando.

É ridículo, eu sei, mas é assim que a banda toca aqui entre nós.

FOI MALS AE.

FOI MALS AE.

Esse post não vai ser grande nem nada e não vai ser um post de desculpas, porque vocês já estão mais cansados de ler essas desculpas do que a gente ficar pedindo.

Na verdade, queria aproveitar que setembro está chegando e a partir daí, faltará apenas um mês para as eleições e muita gente que vota não está nem procurando saber de nada dos candidatos. Principalmente dos deputados federais, deputados distritais (se você mora no Distrito Federal), deputados estaduais (para todo o resto do país) e senadores, porque é muito mais proposta para ler e é mais fácil ter mais conhecimento sobre a agenda dos candidatos a governador(a) ou presidente(a), pois a quantidade de pessoas é menor.

E pela quantidade de deputados que são eleitos, as pessoas acham que eles não são tão relevantes assim, mas, convenhamos, escolher deputados federais, estaduais ou distritais e senadores é MUITO importante, porque eles lidam com o legislativo (um dos três poderes, sabe? Procure se informar no google caso não saiba) (aliás, vergonha de vocês que não sabem), ou seja, são eles que modificam, adicionam emendas, retiram, derrogam leis e criam leis complementares.

A diferença entre eles é a esfera em que eles atuam: deputados federais fazem tudo o que comentei acima (mais a proposição de uma nova Constituição Federal) com relação às leis de cunho nacional; deputados estaduais cuidam das leis estaduais; deputados distritais fazem a mesma coisa que os estaduais e o que muda é que Distrito Federal NÃO é um estado, então eles mudam o nome e; os senadores têm muitas funções, como a de aprovar dívidas dos estados, fiscalizar gastos do Executivo (dica: os governadores e o presidente são do Executivo), aprovar acordos internacionais e a nomeação de cargos indicados pelo presidente, autorizar gastos…

E essa explicação foi apenas uma pincelada no que esse povo faz, porque tem muito mais coisas, mas é mais fácil vocês lerem na Constituição Federal o papel de cada uma das funções dos senadores e deputados estaduais ou distritais e federais do que eu fazer um post gigante (a menos que vocês queiram, não tenho problema algum em escrever HAHAHA).

Agora que foi (mais ou menos) esclarecido o papel destes cargos, quero ajudar todos os que votam (e os que ainda votarão) a fazer a escolha de seus candidatos a senadores e a deputados distritais ou estaduais e federais (e governadores e presidente também!) porque isso deixará a sua e a minha vida bem mais fáceis:

1) SAIBA quem são os candidatos. Não sabem quem são? Existe um site LINDO que vai te ajudar: Eleições 2014. Esse site vai te falar o nome de todos os candidatos da sua região e dos candidatos à Presidência também! Lindo, né?

2) Agora que você descobriu quem são os seus candidatos, PROCURE AS PROPOSTAS DELES e essa é uma parte bem tranquila é só jogar os nomes no Google e colocar “propostas” ao lado.

3) Estou assumindo que vocês se conheçam como pessoa, então vocês devem saber se sua ideologia política é mais de esquerda ou de direita ou esta ali no centro ou no centro mais à direita ou mais na esquerda (existe um teste simples no site da Folha para te ajudar a descobrir, mas ele é mais diversão?? Bom, talvez ele te ilumine, não sei), o que significa que vocês provavelmente têm uma noção dos partidos que mais se aproximam do seu perfil. Dito isso, PROCURE VOTAR EM CANDIDATOS DO MESMO PARTIDO OU DA MESMA COLIGAÇÃO, isso ajuda muito na hora de fazer as leis passarem e o trabalho do governador e do presidente, mas isso não é obrigatório, porque você pode gostar das propostas de um candidato que está em partidos “opostos”, acontece. Só tenha em mente que isso pode, ou não, atrapalhar no futuro. Política é complicada assim.

4) ASSISTA OS HORÁRIOS POLÍTICOS E OS DEBATES. Eu sei, algumas vezes é um saco, mas é importante.

5) Esse item será super específico, mas é que estou vendo algumas coisas e achei melhor entrar nesse assunto: Eduardo Campos morreu e foi uma tragédia (fiquei bem triste com a notícia), no entanto, se você não votaria nele quando ele estava vivo, não é porque Eduardo faleceu que surge uma obrigação de votar na Marina Silva. A menos que você QUEIRA VOTAS POR MOTIVOS DE PROPOSTAS E DE PLANOS DE GOVERNO, aí a história é outra e isso não cabe a você. A tragédia foi só um exemplo, contudo, ela vale para todas as situações similares, a cabeça está quente e é momento muito emocional, mas tente se acalmar e decida se esta é realmente a melhor opção.

6) Você não foi com a cara de tal candidato e, OK, acontece. Apenas TENTE LER AS PROPOSTAS DELE ANTES DE TER CERTEZA, essas pessoas não pediram para nascer com a cara que elas nasceram. Por exemplo, tenho cara de não-me-toques, só que sou simpática (acho??? Só quem me conhece para confirmar).

7) PENSE BEM ANTES DE VOTAR NULO OU EM BRANCO. Não estou aqui para dizer se é certo ou errado, só peço que você considere bem a sua escolha. Faça uma lista de prós e contras, se achar que te ajudará nesta decisão.

Hmmm… Não lembro de mais dicas, mas se vocês tiverem mais algumas que ajudem na hora de escolher candidatos e votar, por favor, compartilhem que coloco nesta listinha!

Espero ter as dicas sirvam para vocês também! É assim que escolho as minhas pessoas e como voto e sinto que isso facilita BASTANTE a minha vida eleitoral, só posso torcer que ajude na sua também! XD

Então é isso, pessoal! ~~

Então é isso, pessoal! ~~

A Escola do Bem e do Mal – Soman Chainani

28 de agosto de 2014 às 21:27, por

1098-20140626174200A Escola do Bem e do Mal, Soman Chainani

Editora Gutenberg, 352 páginas

“Este best-seller é o primeiro livro de uma trilogia que mostra uma jornada épica em um mundo novo e deslumbrante, no qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.”

A Escola do Bem e do Mal é um livro incomum. Pelo menos para mim, claro. O livro narra a história de duas “amigas”, Agatha e Sophie, que são levadas para a tal escola, e que não poderiam ser mais diferentes. As duas vivem na pequena vila chamada Gavaldon. E algo estranho acontece a cada 4 anos nessa vila, um par de crianças com mais de 12 anos simplesmente desaparecem da noite para o dia. Bem assim mesmo: puf, gone.  Os moradores da vila tentam como podem se proteger desse mal, afinal, ninguém sabe ao certo se as histórias são verdadeiras. A história criada pelos moradores da vila, após investigações, é que o diretor da tal Escola do Bem e do Mal escolhe duas crianças a dedo e as leva para a sua escola. E isso se prova verdade.

anigif_enhanced-buzz-31435-1386615661-21A amizade de Agatha e Sophie é no mínimo peculiar, já que, de certa forma, não é bem uma amizade mútua. Sophie é a garotinha perfeita que acredita nas histórias e QUER SER PRINCESA (em capslock mesmo), e Agatha… bem, Agatha simplesmente quer uma vida tranquila longe das bagunças e loucuras da vila. Sophie é perfeitinha, bonitinha, arrumadinha e educadinha. Enquanto Agatha é… reclusa, vive num cemitério, é supostamente feia e não gosta muito de amizades. E então entra a Escola do Bem e do Mal, onde as duas seriam treinadas em suas escolas, a do Bem e a do Mal.

Uma das coisas que mais gostei no livro foi como o autor explorou as diferenças entre as duas escolas, principalmente entre alguns alunos. Sério, alguns dos personagens pulam das páginas e só faltam anunciar que foram parar na escola errada. Por exemplo, sabe aquelas meninas malvadas das escolas que julgam as outras? Então, princesas? Bem…

Os únicos pontos fracos que eu particularmente encontrei na leitura, foram alguns poucos diálogos que pareciam um pouco desencaixados do resto do enredo, mas acredito que o autor os tenha inserido para aliviar um pouco da tensão que se cria ao longo da história. Outro motivo, que não chega a incomodar muito, é que em alguns momentos da leitura a narrativa parece ficar mais lenta, principalmente nas cenas de ação. Mas eu sinceramente não achei que isso atrapalhou a leitura, ainda mais por quê, de certa forma, as cenas de ação precisavam serem lidas com mais calma, já que são bem descritivas.

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são tantos sentimentos…

Outra coisa muito legal do livro é como o autor explora a mentalidade das personagens antes e depois de serem levadas para a escola, enquanto uma se desespera, a outra até que começa a se acostumar apesar dos muitos apesares. E, além disso, também mostra como são os dias sofridos de cada uma nas escolas, introduzindo as aulas, os professores malucos e os outros alunos de fato. Ás vezes eu me pegava pensando no que fazia os alunos serem escolhidos para as escolas, se eram a aparência em alguns casos, a mentalidade, ou, principalmente, as intenções.

 “Eu queria meu final feliz, Agatha”, disse Sophie, com as lágrimas brotando.
“Chegarmos em casa vivas é nosso final feliz, Sophie.”

Soman construiu o par de protagonistas muito bem, as duas tem um apelo ao leitor muito real, quase palpável, já que são muito humanas. As duas têm qualidades, mas muito mais defeitos que precisam ser trabalhados para melhorarem, e com a cabeça cheia de problemas e preocupações e paranoias, nenhuma das duas vê saída e é daí que todos os grandes problemas do livro meio que se desenrolam. (É claro que é bem mais profundo que isso, né.)

tumblr_mfpwsyb2ie1s1blito1_250Bom, num todo A Escola do Bem e do Mal é cinco de cinco. Tem um apelo ótimo para o público desde juvenil até para o jovem adulto, e conversa com o leitor de forma clara. Vale a pena ler se você quiser se divertir e ter uma boa mensagem acrescentada a sua vida. Sério, na primeira vez que li entrou para os meus favoritos, e nas duas vezes seguidas só firmou seu lugar lá (sim, li três vezes). Vale muito a pena! Soman Chainani traz um novo folêgo para a leva de livros que tentam recontar contos de fadas e é feliz em sua missão. E que o diretor não resolva me levar para nenhuma das escolas. Ou melhor, talvez…

E que venha a continuação!

Iluminadas, Lauren Beukes

1 de agosto de 2014 às 14:21, por

as iluminadas

Ano2013
Editora: Intrínseca
Autor: Lauren Beukes

Chicago. 1931.

Harper Curtis, um andarilho violento, invade a casa abandonada que esconde um segredo tão chocante quanto improvável: quem entra ali é transportado no tempo. Instigado por um comando que parece vir da própria casa, Harper persegue as “meninas iluminadas” – garotas cuidadosamente escolhidas em diferentes décadas – com o objetivo de matá-las. Voltando no tempo após cada assassinato, seus crimes são perfeitos e impossíveis de serem rastreados. Ou pelo menos é o que ele pensa. 

Chicago, 1992. 

Kirby Mazrachi viu sua vida ser destroçada após um ataque brutal que por pouco não a levou à morte. Incapaz de esquecer tal acontecimento, Kirby investe seus esforços em encontrar o homem que tentou assassiná-la. Seu unico aliado é Dan, um ex-repórter policial que cobriu seu caso e agora, aparentemente, está apaixonado por ela. À medida que a investigação de Kirby avança, ela descobre outros casos semelhantes ao seu –  e garotas que não tiveram a mesma sorte que ela – ligados por evidências que parecem impossíveis. Mas, para alguém que deveria estar morto, impossível não significa que não tenha acontecido.”

Na verdade, a pessoa que supostamente teria que fazer essa resenha era a Barbarella, mas devido a uma troca com um livro de parceria que detestei com todas as minhas forças e não consegui sequer terminar de ler, fiquei responsável por resenhar Iluminadas e essa é a minha história.

(sem graça, EU SEI)

(acho que essa vai ser a frase que você, leitor, mais lerá aqui: “sem graça”)

Quando Barbarella se ofereceu de ler ugh-aquele-livro no meu lugar (que por sinal vai para o Lucas) em troca de ler Iluminadas, fiquei bastante contente, porque tudo nele parecia ser ótimo: a capa, a trama, os elogios… Eu estava MUITO EMPOLGADA e descobri que teria uma adaptação cinematográfica pela produtora do Leonardo DiCaprio e fiquei MAIS EMPOLGADA AINDA. Infelizmente, o livro não atingiu as expectativas e depois de ter lido até a metade do livro com muita animação, eu simplesmente esqueci dele. Só lembrei porque a Tassi colocou um tópico no grupo dos NUPEanos falando das pessoas que estavam devendo resenha, quase fiquei surpresa de ter visto meu nome lá, mas aí lembrei que só tinha esquecido de ler o livro mesmo.

O enredo de Iluminadas gira entorno de, basicamente, dois personagens: Harper Curtis e Kirby Mazrachi (tem o Dan, mas ele nem conta tanto na minha singela opinião, porque ele entra dentro da linha do tempo da Kirby).

Harper, como descrito no resumo acima, é um mendigo dos anos 30 que se torna um serial killer que viaja no tempo através dos “comandos” de uma casa misteriosa que ele encontra, pois ele obedece o comando de ir atrás das garotas que a casa amaldiçoada quer que ele mate durante os anos, e, para Harper, essas garotas meio que aparecem com um brilho diferente, sendo assim, elas são as garotas iluminadas. Normalmente, a casa o leva para conhecer suas vítimas primeiro quando elas são crianças e Harper faz questão de ser lembrado de alguma maneira, para que elas se lembrem dele antes de morrer e uma coisa curiosa é que o assassino sempre sabe quando a casa quer que ele saiba antemão quem são as vítimas ou quando é a hora de matá-las. E os assassinatos estavam indo de vento em popa até que ele encontra Kirby, a única jovem que ele tentou matar, mas não conseguiu e Harper não esperava que isso acontecesse e ele esperava menos ainda que Kirby iria atrás dele.

Depois de quatro anos após a tentativa de ser assassinada, Kirby começa sua busca ao se tornar uma estagiária em um jornal de renome para encontrar o ex-policial que cobriu o seu caso na época, Dan Velasquez. Os dois se unem e descobrem as evidências mais absurdas e várias semelhanças entre o ataque de Kirby com outros assassinatos que aconteceram ao longo de vários anos, mas seria isso realmente possível? Com os cálculos que ambos fizeram, o assassino seria um idoso ou deveria estar morto…

Essa premissa faz o livro parecer super empolgante, né? Uma casa amaldiçoada, viagem no tempo, um assassino improvável e uma sobrevivente… O livro parece perfeito só de imaginar, certo?

Errado.

Iluminadas começa bem e tudo o mais, mas em algum momento o livro ficou sem graça, confuso, um tanto quanto desnecessário e nenhum personagem foi marcante o suficiente (o Dan é legal, mas não foi marcante, por exemplo, e ele foi o personagem que mais gostei). Quando leio livros com essa pegada policial e com crimes, uma das coisas que mais me divertem é divagar sobre o que motiva o assassino e o Harper, como um serial killer, simplesmente não tinha nenhuma motivação nem nada e eu sei que vai ter gente que vai falar que tem psicopata que mata apenas por matar e eu concordo, mas eles continuam a matar pessoas por curiosidade ou porque sentem prazer nisso. Foi extremamente frustrante de certo modo e o Harper era tão nojento/imbecil/babaca completo, que quando os capítulos dele chegavam (e eles são muitos), queria simplesmente parar de ler o livro porque já estava ficando repetitivo demais para a minha pessoa a ponto de ficar sem graça (pensando agora, talvez esse tenha sido o motivo de eu ter esquecido de terminar o livro).

Ah, sim, agora que comentei sobre os capítulos do Harper, lembrei que não avisei que o livro é escrito de uma forma não linear e Lauren coloca em qual ano o capítulo se passará, por isso sempre dá para saber quais são os capítulos que estarão por vir e qual será o foco deles. Eu não tenho problema nenhum com isso, mas sei que tem gente que tem, então estou avisando antemão.

Outra coisa que detestei em Iluminadas é que muitas pontas da trama ficam soltas e não temos respostas para algumas perguntas. Como estou com medo de soltar spoiler, vou colocar a parte em que falo da metáfora do livro (que foi um dos pontos mais que positivos dele) para ser selecionada: eu totalmente entendo que a metáfora da Lauren de falar que a sociedade acaba “matando” as mulheres que têm chances de mudar o futuro de outras mulheres e criar uma sociedade sem machismo e tudo o mais. De verdade, amei essa metáfora e dou muitos pontos positivos para a Lauren nesse quesito, no entanto, ainda que as intenções sejam boas, a autora meio que se perdeu na hora de fazer essa crítica social e esqueceu de desenvolver melhor a história (foi essa a impressão que eu tive, mas posso estar errada)

Sei que fui meio dura na resenha, mas a verdade é que ainda acho que a Lauren Beukes, como autora, tem muito potencial e espero que trabalhe melhor a trama de suas próximas histórias, porque a mensagem que ela tem a passar é super importante e relevante.

Classificação: dois repórteres e meio.

Quadrinhos? Mas isso não é só para criança?

19 de julho de 2014 às 13:55, por

Semana Preconceito

“Olá, meu nome é Valéria, tenho 24 anos e leio quadrinhos*”.

Quando falo a minha idade para as pessoas e comento que amo quadrinhos até hoje e que dificilmente vou parar de gostar deles e minha mãe ADORA comentar quando ela me vê lendo qualquer um dos dois,

Uma moça da sua idade, Valéria, e ainda lendo essas coisas?

É a minha mãe, então simplesmente ignoro ou respondo, “é”, e continuo a leitura, porque já tivemos aquela conversa um zilhão de vezes e, sinceramente? Ela pergunta mais por costume mesmo. Infelizmente, gostaria de dizer que só a mamãe que faz esse tipo de pergunta, mas sempre que conto sobre os meus gostos para quem ainda não me conhece, me olham um pouco torto (acredito que todo que é fã do gênero já passou por uma situação assim, mas se você não passou por isso JAMAIS, meus parabéns, você só está rodeado de pessoas MAIS QUE LEGAIS (<3)).

Quando os quadrinhos começaram, o público alvo eram APENAS crianças, é verdade, mas décadas já se passaram desde então e este virou um esterótipo ultrapassado e retrógrado (duvida? Manda um criaturinha de seis anos ler, sei lá, Saga, do Brian K. Vaughan, vamos ver esse pensamento se mantem). As pessoas ainda reduzem os quadrinhos à “coisas de criança” (o que é péssimo, pois o problema não é apenas gostar de quadrinhos, mas de gostar de “coisas de criança” em si, mas esse é outro assunto…) e quando não falam que é algo infantil, te associam com nerds sem vida social e completamente imaturos.

¯\_(ツ)_/¯

¯\_(ツ)_/¯

E esse não é o único preconceito que os quadrinhos sofrem: apesar de muitos ganharem prêmios sérios (como o Pulitzer, por exemplo), eles não são considerado literatura de verdade. Para muitos estudiosos, ter uma história coerente, uma narrativa, desenvolvimento de personagens, críticas políticas e sociais e profundidade não são motivos válidos o suficiente para levar algo a sério se tiver ilustrações, o que me deixa IRADA, porque, muitos quadrinhos ensinam bastante e te ajudam a questionar sobre questões do mundo. Posso pegar como exemplo, as notícias que coloquei na newsletter de ontem sobre Thor ser uma mulher e o Capitão América ser o Sam Wilson, pois muita gente questionou: “Por que Thor mudou de sexo?“, “Que diferença isso fará?“, “Que impacto isso trará para o público?“, “Por que Thor não poderia ser uma mulher?“, “Um Capitão América negro seria um começo para a inclusão social dos negros nos EUA desde pequenos?“, “Como ele será recebido pelo público?” ou “Será que agora, as crianças e os adultos, poderão aceitar que mulheres e negros como heróis que devem e podem ser levados à sério?

(E essas são apenas questões de cunho social, dentro desses mesmos quadrinhos de super-heróis, ainda existem questões políticas e morais. E isso é apenas nos quadrinhos americanos, posso dizer que aprendi muito sobre história japonesa lendo o mangá Rurouni Kenshin, (olá, Xogunato! Olá, Era Tokugawa!)).

Tirinha feita pela Fernanda Nia do Como Eu Me Sinto e que representa o que realmente acontece :(

Tirinha feita pela Fernanda Nia do Como Eu Realmente  e que representa o que realmente acontece :(

Aproveitando que falei da Thor, queria falar de outro preconceito que predomina entre alguns fãs machistas do gênero, o de mulheres não podem e não devem gostar de quadrinhos. Sim, é inacreditável, contudo, existem pessoas pararam no século XIX e fazem esse tipo de afirmação nos dias de hoje. E qual o motivo de eu ter mencionado justamente a Thor? Porque foi um deus-nos-acuda entre os machistas de plantão, entre os comentários, li um que deles em que o cara dizia que perdeu o respeito pelos quadrinhos do Thor assim que ele ganhou seios, li outro que dizia que essa era apenas uma tática para ganhar mais mercado entre o público feminino (e é mesmo e está funcionando, confesso), mas que isso era irrelevante e que uma Thor mulher com certeza vai ficar de nhenhenhém e nunca será tão forte quanto o Thor original.

Essas foram apenas reações com o anúncio, mas deu para perceber o preconceito que as mulheres sofrem por gostar de quadrinhos, né? E nem sempre ele está escondido atrás de uma mudança delas. Tem gente que fala na cara dura que mulheres nunca poderão ser fãs de verdade e fazem questão de perguntar até a cor da cueca que o Doutor Manhattan usou na página X de Watchmen (pegadinha: ele anda peladão) e ai de você se não souber a resposta. Se um cara não souber está OK, ele é fã de verdade, mas se uma mulher não souber é porque ela é poser e está querendo arranjar macho ou atenção ou qualquer coisa do tipo.

É extremamente triste e de mal-gosto, mas, mulheres, mesmo com esse ambiente não sendo um dos melhores, nós podemos gostar de quadrinhos e mudar essa situação, OK? Até porque ela já vem sofrendo mudanças a lentamente, mas o fato é que elas estão acontecendo.

Bom, divaguei de alguns preconceitos e afirmei que quadrinhos não devem ser subestimados e deveriam ser levados à sério, mas sabem de uma outra coisa? Eles também são diversão e se você quer ler apenas por isso, vá em frente! Os quadrinhos podem não ser profundos e serem lidos apenas por serem lidos, se você gosta deles, qual o problema em se divertir?

A verdade é que quadrinhos não são muito diferentes de livros (particularmente, acho que eles SÃO livros, mas com ilustrações) em questão de história e desenvolvimento de personagens, a diferença é que as imagens são usadas para expressar a narração (mas nem sempre) e os diálogos e pensamentos vêm em forma de balões, então se você lê um livro apenas por diversão ou porque ficou atraído pela história ou pelos personagens ou pelo mundo criado, o mesmo acontece com quadrinhos. Existem histórias completamente nonsense, mas muito legais e quadrinhos altamente profundos e com críticas sociais cabulosas, existe uma gama de opções e ninguém deveria te julgar se você lê quadrinhos ou se você lê quadrinhos infantis (que por um acaso são escritos por ADULTOS, mas alguém julga os escritores de infantis? Óbvio que não, porque não há nada de errado).

A escolha é sua e, independente do que falem, quadrinhos não têm idade ou gênero para serem lidos e nem hora para você começar a lê-los (mas considere sua maturidade e a faixa etária) e o importante é que você goste e se divirta com os seus quadrinhos! :D

—-

*Quando me refiro a quadrinhos neste post, estou me referindo a graphic novels, tirinhas, mangás e quadrinhos mesmo, OK? É que dá muita preguiça (olha eu e a preguiça de novo!!) escrever tudo isso. É grande… -_- Não me julguem, eu poderia ter simplesmente falado que escrevi englobei tudo como “quadrinhos” apenas pela praticidade da coisa e vocês nunca imaginariam que era minha preguiça atacando novamente.

Então você acha fantasia e ficção científica escapismo?

16 de julho de 2014 às 16:23, por

Semana Preconceito

Quando vi que o NUPE ia participar de uma semana contra o preconceito literário, comecei a pensar sobre o que eu gostaria de falar aqui. Olhei para cima, divagando, e pensei: ‘hmmmm, preconceito… com o que tenho preconceito e/ou vejo as pessoas terem preconceito para ler?’ Tenho os meus próprios preconceitos e venho trabalhando neles ao longo do tempo – por exemplo, tenho certa resistência para livros de romance (que a Tassi também já assumiu ter problemas) e também tenho algum ou outro problema com livros de auto-ajuda, mas não sei se é realmente um preconceito ou só meu gosto pessoal falando comigo e dizendo que aquela leitura não vai ser muito proveitosa para mim.

Então continuei pensando e a Bell me deu a ideia: ‘por que você não fala de preconceito contra livros de ficção científica e fantasia?’. Minha primeira reação foi: PERAÍ, EXISTE PRECONCEITO COM LIVROS DE FANTASIA E FICÇÃO CIENTÍCIA??? (assim mesmo, em capslock e muitas interrogações, porque né, que absurdo!), e, depois, comecei a pensar e percebi que sim, tem gente que não curte muito esses estilos porque considera escapismo, fuga da realidade, uma forma barata de distração e não ~a verdadeira arte literária expressa em sua totalidade~.

Se você é uma dessas pessoas, pare. Sério. Apenas. Pare.

ok, isso foi um pouco agressivo

Ok, isso foi um pouco agressivo

Fui literariamente criado dentro do meio da SF&F (sigla para Science Fiction & Fantasy – ou Ficção Científica e Fantasia) e meu primeiro contato direto com literatura que eu queria ler foi através de um livro de fantasia (olá, geração Harry Potter). E esse é o primeiro tipo de preconceito que vejo quando ouço alguém falar sobre isso: “Ah, você começou lendo Harry Potter. Essa é a função da fantasia: servir de porta de entrada para as crianças/adolescentes gostarem de ler e depois partirem para coisas mais complexas e dentro da realidade”. Quem diz isso pode até querer ser bem intencionado – e talvez às vezes nem perceba que está sendo preconceituoso –, mas é uma daquelas frases que a gente ouve por aí com tanta frequência que acaba se convencendo de que pode ser verdadeira.

Mas não é. A fantasia e a ficção científica podem servir como escapismo sim, assim como qualquer outro tipo de livro (ou filme, ou série, ou música…). Mas também podem servir para explorar sentimentos e sensações humanas, para discutir questões políticas, econômicas, científicas (duh!), de gênero e identidade, entre porrolhões de outros assuntos. O China Miéville (um ótimo autor, procurem) tem uma frase que diz que “dispensar toda a fantasia só porque algumas coisas são ruins é o mesmo que dizer que não vou ler Jane Eyre porque é um romance e eu sei que romances são uma bosta”.

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A ficção científica diz para a ~alta literatura~: “vocês estão é com inveja do meu jetpack” (contribuição do @brunoctem)

Coloque algumas pessoas dentro de uma redoma sem nenhuma saída e mostre como elas se comportam; faça um explorador espacial ir até um planeta onde os seres são hermafroditas e o faça lidar com uma sociedade onde não há nenhuma disparidade referente ao gênero; explore o potencial destruidor da energia atômica e mostre como ela pode ser perigosa; faça a história de uma sociedade socialista que se instaura na lua, longe da influência do capitalismo; mostre, através de uma ficção científica, como seria se descobríssemos vida inteligente fora da Terra e fizéssemos contato com ela. Como enquadrar qualquer um desses temas – cada um, uma história de fantasia ou ficção científica – como escapismo ou dizer que isso é literatura de porta de entrada para ler coisas mais “realistas e complexas”?

Preconceitos, algumas vezes, estão ligados à imagem que queremos que outras pessoas tenham sobre nós. E a imagem de alguém que lê livros de ~alta literatura~, com uma linguagem experimental e cheios de explorações linguísticas, parece mais cult do que a de alguém que lê seu livro da Cassandra Clare, por exemplo. Mas os livros da Cassandra Clare (que eu acabei de ler, por isso estão frescos na minha cabeça) discutem questões ligadas à fase da adolescência e são cheios de diálogos engraçados e cenas de ação. Eles ensinam através dos personagens e mostram situações que podem estar acontecendo com alguém que esteja lendo a história. E fazer isso enquanto todo mundo enfrenta uma horda de demônios, convenhamos, é muito mais divertido.

mas dragões são legais

Mas dragões são legais

O preconceito existe até mesmo dentro do próprio gênero. Não é raro vermos leitores de ficção científica hard (aquela que busca explicações calcadas no próprio desenvolvimento da ciência para o andamento da sua história) desprezarem outros segmentos de ficção científica e enquadrá-la como ‘literatura para jovens’, como se isso fosse algo inferior ou a obra tivesse menos valor. Enquanto isso, vemos surgir com cada vez mais frequência sagas distópicas e histórias incríveis com personagens cheios de diversidade, que discutem problemas atuais que fazem parte não só dos anseios dos jovens e dos adultos, mas que tratam de discutir a sociedade e a forma como ela está organizada. Como ter preconceito com isso?!

Se eu puder dar uma dica para alguém que vê histórias de SF&F com olhos meio tortos, como se aquilo não servisse à sua construção como leitor, o conselho é esse: arrisque. As primeiras histórias de que se tem conta falam sobre deuses e monstros, e elas continuam até os dias de hoje, encantando e formando caráteres. Leia um livro que te interessa, não um que pareça interessante aos olhos dos outros. Procure uma história que te instigue e te faça pensar, ou que te divirta e faça você ficar com os olhos vermelhos de tanto ler. Mas não deixe de ler só porque alguém falou que é escapismo.

Livros são aventuras. Eles contêm assassinatos e mutilações e paixão. Eles amam qualquer um que os abre.

Livros são aventuras. Eles contêm assassinatos e mutilações e paixões. Eles amam qualquer um que os abra.

PS: se você consegue entender bem inglês, a Elizabeth do ‘books and pieces’ acabou de fazer uma série de vídeos sobre a história da ficção científica. São vídeos curtinhos e muito sensacionais (ela usa fantasias quando muda a época!), mostrando como a ficção científica se desenvolveu. Vale a pena!

Ei, romances também são legais!

15 de julho de 2014 às 17:43, por

Semana Preconceito

Eu sempre fui daquelas pessoas que revirava os olhos pros livros de banca, achava que livros baseados só em romance eram idiotas e a minha mãe chegou a me pedir desculpas (de verdade!) quando comprou 50 Tons de Cinza para ela ler.

Por ter crescido basicamente com garotos e me identificando muito mais com os gostos deles, eu admito ter tido preconceito com coisas “de menina” por muito tempo. Na adolescência, só usava vestido/saia quando era obrigada e maquiagem era um completo mistério pra mim (ainda é um pouco, mas eu estou evoluindo).

BRUXARIA!

Esse pacote de “coisas de menina” envolvia, também, os romances. Eu cheguei a largar um ótimo livro sobre Egito (a série Ramsés, do Christian Jacq), que sempre foi a minha paixão, porque tinha “romance demais” (ou seja, tinha ALGUM romance).

Bem, eu cresci e amadureci em vários aspectos da vida, mas ainda olhava torto para muitos livros açucarados e os julgava sem nem ler seu resumo. Foi quando a série Mortal (J. D. Robb/Nora Roberts) apareceu na minha vida que eu comecei a ver que as histórias de romance nada mais são do que livros centrados nos personagens, e não necessariamente na trama. Ok, os livros da série Mortal são primeiramente policiais, mas a veia do romance também está MUITO presente.

Depois de me apaixonar pelo Roarke, veio Grave Mercy: um romance histórico de fantasia sobre freiras assassinas que servem ao deus da Morte, mas que também tem o romance (e a negação dele) como fator determinante para a personalidade dos protagonistas.

Ok, até que esse negócio de romance tá ficando legal.

Com o coração um pouco mais aberto (e depois de ler esse post MARAVILHOSO da Val sobre preconceito com romances), resolvi ir nas melhores fontes que eu conheço sobre o assunto (Bell e Val, daqui do NUPE) e pedi uma recomendação de romance. Elas, entendendo o meu receio e o sério caso de vergonha alheia que eu sinto com cenas de sexo (“membro viril”, “estandarte pujante”, esse tipo de coisa), me indicaram primeiro “O Duque e Eu” da Julia Quinn. E, olha, vou te contar, nada como uma protagonista e diálogos bem-construídos para fazer um livro. O enredo não tem nada demais, mas as nuances de cada personagem fazem dele um livro maravilhoso.

“O Duque e Eu” era, em questão de cenas apimentadas, a típica novela das 20h: quando começava a “ação”, a cena terminava. E é por isso que, depois de uma ótima primeira experiência, era o momento de passar para algo mais pesado. Foi então que as meninas me indicaram “A week to be wicked” da Tessa Dare. Estava em promoção, eu comprei, e O DESTINO RESOLVEU QUE EU IA LÊ-LO (ou seja, foi o primeiro livro sorteado na minha TBR jar). Foi então que o seguinte diálogo surgiu na minha cabeça, enquanto eu lia a primeira cena de sexo do livro:

“Hm, ok. Cenas de sexo. Descritivo. Um mocinho romântico, mas nem tanto. Ele tem conversas apimentadas com a mocinha envolvendo MATEMÁTICA, pelo amor de deus. E a mocinha: independente, romântica sem ser melosa, e UMA ARQUEÓLOGA? Que tipo de livro é esse? Pois é, Tassi, é um romance. Você está curtindo um romance. Um romance com direito a capa vergonhosa. Aceite, VOCÊ GOSTA DE ROMANCES!”

SENTIMENTOS!!!!

E foi bem isso. Foi quando eu me dei conta de que se um livro é bem escrito, tem personagens atraentes e te atrai de alguma maneira, não importa o gênero, ele é um bom livro. Só que como eu não sou uma pessoa altamente evoluída, tenho outros preconceitos que devo superar e que esses livros de romance acabaram me preparando para a próxima batalha que vou travar: os new adult. Prometi ler um new adult se o Brasil ganhasse o jogo com o Chile e o livro já está até escolhido (“No Limite da Atração” de Katie McGarry), então vou cumprir. Vamos ver no que vai dar…

Não julgue um livro pelo preconceito.

14 de julho de 2014 às 18:38, por

A Mareska, do Eu Li, e Agora?, convidou seis blogs para participarem dessa semana para discutirmos um assunto muito sério que assombra muitas pessoas:  o preconceito literário.

EU LI, E AGORA? | LIVROS E VAGALUMES NINHADA LITERÁRIA
CONVERSA CULT | WHO’S THANNY? | LAISTORIASEMFIM

A ideia por trás da semana “Não julgue um livro pelo preconceito” é mostrar que não vale a pena julgar um livro se baseando apenas no gênero a que ele pertence, nem julgar uma pessoa pelo que ela lê. Achar um livro uma porcaria é um direito de todo mundo, mas achar que alguém só lê porcaria porque gosta de um gênero que você acha bobagem é preconceito. Queremos que as pessoas saiam da zona de conforto literária e desconstruam/entendam os próprios preconceitos.

Nós convidamos vocês a participarem conosco e discutirem os preconceitos que vocês tem, que vocês quebraram e os que vocês já sofreram! Pode ser aqui nos comentários, pode ser num post no seu próprio blog ou vlog… o importante é falar sobre o assunto e tentar rever suas posturas e refletir um pouco sobre como agimos quanto a livros.

Hoje nós vamos começar colocando pontos nos is e respondendo uma perguntinha: Mas, Bell, como eu sei que não gosto de algo ou se é só preconceito?

Uma das primeiras discussões que fizemos quando decidimos que iríamos promover essa semana foi sobre chick-lit. Eu normalmente não gosto dos livros do gênero, principalmente porque me irrito muito com a forma como a história se desenrola e com as atitudes das personagens. Algumas personagens realmente gastam minha paciência e terminar de ler O Diário de Bridget Jones foi um suplício. O primeiro livro da Becky Bloom foi super legal, na minha opinião, mas o segundo foi um desastre e eu desisti da série. Tentei ler livros da Cecelia Ahern e não passei de um terço de nenhum. Comecei a ler Procura-se um Marido, da Carina Rissi, e larguei na página 100 porque não tive paciência, triste porque eu tinha amado Perdida e várias pessoas haviam me indicado esse livro…

Porém, eu continuo tentando. Comprei Lua de Mel, da Sophia Kinsella, outro dia numa promoção e pretendo ler na minha próxima viagem. Eu comecei a perceber que meu problema são livros “contemporâneos”, como a gente chama, porque acontece a mesma coisa com os romances que gosto tanto. Romance histórico? Eu adoro a maior parte dos que leio. Romance contemporâneo? Eu me arrasto e acabo abandonando no meio, porque acho chato. Tem que ter algo bem extraordinário para que eu goste muito de um livro que se passa nos dias atuais sem ter uma reviravolta de fantasia ou ficção científica.

Então eu admito que não gosto de algumas coisas e elas não me atraem, embora sejam atrativas para outras pessoas. Isso acontece com qualquer leitor que reflete um pouco sobre seus hábitos de leitura e tenta reparar em padrões. Como as meninas do Smart Bitches, Trashy Books dizem, alguns livros são como droga para você, você é atraída para ler antes de ler a sinopse inteira. Outros, porém, você já sabe que não vai gostar porque trata de temáticas que não te interessam.

Qual a diferença entre não gostar e ter preconceito? É que quando você tem preconceito, você:

1) Não experimenta os livros para ver se tem algo que te agrada;

2) Diminui as pessoas que lêem aquele tipo de livro e as histórias que eles contam

Acho que o mais grave do preconceito é quando acontece o segundo item. Qualquer situação em que uma pessoa se ache superior à outra é perigosa, principalmente quando é baseada num conceito tão arbitrário quanto gosto pessoal. Você não gostar não te dá direito de achar que quem gosta é burro, idiota, alienado ou qualquer um dos adjetivos que usam por aí nessa situação. Gostar de uma leitura vem da identificação com a história que está sendo contada. Muita gente gosta de Chick Lit, por exemplo, porque se identifica com as personagens e com as histórias. Eu conheço um monte de pessoas que dariam ótimas protagonistas de chick-lit!

Então quando você chama todo um gênero literário de ruim, você está incluindo as pessoas que se identificam com aqueles livros e que tem a vida como aquela no meio. Você está basicamente colocando uma etiqueta de ‘SUA VIDA É RUIM’ nelas e eu preciso dizer o quanto isso é horrível?

Nessa semana, a gente vai ver os preconceitos mais comuns. Começando com amanhã, quando a Tassi vai conversar com a gente sobre como ela começou a superar o preconceito que tinha com romances!

Decorando com o NUPE: Quartos (Objetos)

12 de julho de 2014 às 20:00, por

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Muitos séculos atrás, eu fiz um post falando sobre decoração de quartos e mostrei como é o meu, além de ter colocado outras fotos e links para os quartos que eu mais gosto no momento. O tempo passou e eu já me apaixonei por vááários outros, incluindo o da Hazel em A Culpa é das Estrelas.

O que me faz gostar de verdade de um quarto, são os pequenos detalhes, que na maioria das vezes são objetos engraçados ou fofos. Mostrei pra vocês os meus baldes de pipoca/copo de refrigerante que comprei nos cinemas e transformei em vasos, eles são minhas coisas preferidas aqui. Mas eu também amo meu manequim de desenho e os tsurus (origami de passarinho) na janela. Ok, já falei de mais e acabei não falando nada do que queria.

Durante esse tempo que eu sumi daqui do blog (quem me seguiu no twitter sabe que foi por causa da faculdade e seus trabalhos infinitos) eu comecei a separar uns objetos legais e que custam menos de 100 reais (ok, algumas coisas custam mais, mas é que são tão geniais!). Alguns são nacionais e outros são do nosso amado e idolatrado Aliexpress. Vou separar por site e mostrar só dois itens de cada para ficar mais fácil na hora de fuçar, ok?

DOLShop (Loja nacional online)

1.Cabine musical 2. Torre Eiffel

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Essa loja tem mais roupa e acessórios femininos do que coisa para decoração, mas eu sou apaixonada por essa cabine de telefone musical e pra quem gosta de coisas sobre Paris, ter uma torre no quarto é meio que indispensável, né? Na página tem mais umas coisas legais pra usar como decoração. E pra quem é fã de Harry Potter e Jogos Vorazes, lá também tem colar das relíquias da morte e o pin do Tordo!

O Segredo do Vitório (Loja nacional online)

1.Baleiro 2.Escultura cachorro de balão

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Não me lembro a primeira vez que vi esse site, só sei que foi logo quando comecei a usar o twitter e que foi paixão a primeira vista. Tudo é tão divertido e genial, é impossível entrar nesse site e não querer tudo. Vi agora que o baleiro tá indisponível, mas não pude deixar ele de fora, vai que vocês acham outro parecido por ai, né?

Etna (Loja nacional online e física)

1.Libélulas para parede 2.Quadro de Londres

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Ir na Etna e não conseguir mais sair de lá, quem nunca? Eu sempre evito de entrar nessa loja, é muita tentação para um lugar só. Quem estiver pensando em trocar a decoração do quarto não pode deixar de ir lá (ou de entrar no site se na sua cidade não tiver a loja física).

Aliexpress (Loja internacional online)

1.Adesivo de quadro branco 2.Mapa mundi

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Não dá pra colocar os links individuais aqui porque como é um site com anúncios, todos eles depois de um tempo deixam de funcionar e te mandam pra busca. Mas se você quiser achar alguma coisa, é só procurar pelo nome que você acha mil opções.

No meu pinterest tem mais um MONTE de coisas separadas, a maioria é do aliexpress então é bom copiar o nome do pin e colocar na busca de lá. Fiz uma seleção bem variada e tem coisa para todos os gostos lá. Espero que vocês gostem e deem uma mudada nos seus respectivos quartos! Se alguém tiver alguma outra ideia de post, pode me mandar no twitter que eu vejo o que posso fazer sobre XD

 

 

Passarinho – Crystal Chan

7 de julho de 2014 às 14:23, por

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Passarinho, Crystal Chan

Editora Intrínseca, 224 páginas.

“Uma história marcante sobre família, dor e amizade” – The Guardian

Passarinho (que som é esse?), foi um livro que peguei completamente ao acaso. Sinto que devo contar a emocionante jornada que foi escolher esse livro em meio a gringos de chinelo e funcionários desconfiados: Lá estava eu, num dia péssimo, andando pela cidade e decido entrar numa livraria, tinha um pouco de dinheiro no bolso e porque não comprar algum livro, né? Então, vaguei pelas estantes e percebi que dois funcionários me encaravam – com força -, provavelmente porque já estava na livraria há muito tempo. Então peguei a primeira capa bonita que me chamou atenção e sai em direção ao caixa. É. Emocionante, não precisa chorar. Comecei a ler o livro assim que entrei no metrô e foi uma ótima surpresa.

Joia é uma garota de doze anos normal, mas que teve uma vida complicada. No dia em que ela nasceu, seu irmão morreu e seu avô parou de falar. A culpa da morte do irmão recaiu sobre o avô, ele matara Passarinho (ou John, seu nome verdadeiro). O apelido “Passarinho” foi dado pelo avô, que dizia que ele mais se parecia com um passarinho, pelo jeito como mexia tanto os braços e pelos cabelos escuros que lembravam as penas de um Melro. E aparentemente, isso causara a morte dele, por culpa do apelido inventado pelo avô. Desde então Joia cresceu sozinha, em sua casa se sentia levemente reclusa, já que os pais nunca a olhavam diretamente e tudo parecia girar em torno da morte de Passarinho. Ela se sentia distante e não gostava nada disso.

Logo nas primeiras páginas o livro sobe a um nível que te faz questionar o que diabos você está fazendo com a sua vida. Não, brincadeira, não com todo mundo. Mas pelo menos comigo foi assim. Crystal Chan tem uma escrita poética e leve, eu realmente sentia que era uma pessoa de doze anos me contando a história e acreditava em cada palavra que ela me dizia.

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TÃO FOFOS

A protagonista, Joia, é forte, mas também tem muitas fraquezas, e ela está cansada. Já o misterioso John, um garoto que surge na noite do aniversário de Joia pendurado na árvore dela, aparenta ser uma fortaleza. É engraçado, desafiador e por aí vai. Mas aos poucos os dois personagens vão se desmontando, mostrando que nem todo mundo é todos sorrisos o tempo todo. Foi lindo acompanhar a amizade de Joia e John crescer e desenvolver, mesmo com as dificuldades e um certo receio. Os dois se conhecem, brincam e se aventuram juntos. Joia sonha em ser geóloga e John em ser astronauta, quase como um par de a garota da Terra e o menino do Espaço.

Outra coisa muito legal é a diversidade do livro. E eu como defensor da campanha “We Need Diverse Books” que sou, amei o livro ainda mais por isso. Quero dizer, onde você já leu um livro sobre uma protagonista que é um quarto mexicana, um quarto jamaicana e a mistura segue? E além disso a cultura jamaicana e mexicana apresentada no livro são de encher os olhos, principalmente a inserção do mito jamaicano dos duppies – espíritos traiçoeiros que confundem as pessoas e brincam com elas. E também um ponto ou outro de crenças mexicanas. E isso junto de outros fatores cria outro ponto alto do livro. A fé. A família de Joia vive um luto perpétuo desde a morte de Passarinho, quase como se realmente o mundo girasse em torno disso e nada mais. E a procura de Joia pelo sentido de tudo isso que incrementa a fé no livro.

Num todo, o livro é sobre amizade, família, luto e a dor da perda. Alguns momentos isso torna o livro pesado, mas me fez pensar, e isso foi bom. Não posso falar muito sobre idade, já que devo ser o mais novinho aqui da equipe, mas eu queria voltar alguns anos atrás, ter doze anos de novo e fazer uma amizade como a de Joia e John. A reaproximação de Joia com o avô e tudo mais, realmente me deixaram emocionado. O jeito com que Joia sempre tentava agradar a todos, fazer todos felizes para apenas ver um sorriso no rosto da mãe e do pai, me derrubou completamente.

Se você entrega muito de si a alguém, rápido demais, essa pessoa pode simplesmente ir embora e levar tudo. E quando se trata de alguém como eu, que já não tenho muito de mim, bem, é preciso ter cuidado redobrado.

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*soluçando*

O livro quebra seu coração e logo o conserta, para depois deixá-lo ali, no seu peito, bem aconchegado e quentinho, do jeito que sempre tem que ser. Crystal Chan não se enrola no enredo em momento nenhum, tudo leva gradualmente ao final do livro de uma forma natural e gostosa de ler. Da forma como tem que ser e sem desperdiçar nenhuma palavra e sempre carregado de ótimas quotes que eu com toda certeza vou anotar pra não esquecer nunca.

Finalizando: de cinco passarinhos na mão, Passarinho de Crystal Chan consegue ter seis voando.

Espero que não tenha me enrolado no meu primeiro post aqui, that’s all folks! Até a próxima!

Os Três – Sarah Lotz

3 de julho de 2014 às 16:23, por

os tresOs Três é um livro maravilhoso, uma mistura de Michael Crichton com Shirley Jackson. Muito instigante, impossível parar de ler.” – STEPHEN KING

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo.

Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação.

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Pense na situação: em um dia, quatro aviões caem em diferentes locais do mundo. Assim, sem mais nem menos, sem nenhuma explicação. Desses quatro acidentes, quatro sobreviventes: três crianças e uma mulher, que sobrevive apenas por tempo suficiente para deixar uma mensagem de voz gravada: “Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele…”. Esse é o mote de “Os Três”, livro da escritora sul-africana Sarah Lotz.

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A primeira coisa a saber sobre esse livro é que ele não é um romance convencional. Não tem um enredo estruturado na forma de romance, o que, para mim, foi uma excelente jogada. O livro é narrado no formato de uma série de relatos dos mais diferentes tipos, todos de pessoas envolvidas com os acidentes que aconteceram na Quinta-Feria Negra (nome dado a quinta-feira na qual, bem… tudo deu errado). Me lembrei imediatamente de Guerra Mundial Z, do Max Brooks, que utiliza o mesmo tipo de estrutura narrativa para contar sua história. Aqui, no entanto, a autora consegue aproximar o leitor através da utilização de artifícios como discussões em fóruns, mensagens de twitter, chats e trechos de uma biografia incompleta de um dos tutores de uma das crianças sobreviventes.

Sobre as crianças: que medo delas. De alguma forma, elas voltaram diferentes por conta do acidente, e ninguém sabe explicar muito bem o motivo: seria estresse pós-traumático? Contato com alienígenas? Perturbação dos espíritos dos passageiros mortos? Será que as crianças foram substituídas por outra coisa? Ou são o prenúncio de algo maior que está para acontecer no mundo? Sarah Lotz consegue manter a tensão e o suspense a ponto de nos deixar aflitos. As perguntas são tantas e parecem vir de tantos lugares diferentes que a gente fica com raiva por não conseguir entender tudo o que está acontecendo.

E essa raiva – ou simples desinformação – é o que faz o livro andar e seguir por um caminho que me agradou bastante – ou quase. Comecei a ler “Os Três” sem nenhuma informação sobre o enredo (eu nem sabia sobre os acidentes de avião, pra vocês terem ideia) e a primeira impressão que tive, pelo projeto gráfico e pela capa, era que se tratava de um livro de terror. E ele é um livro de terror. Mas também não é. Sinceramente, tenho muita dificuldade para defini-lo dentro de alguma categoria: ele tem partes assustadoras, tem partes irritantes e partes que deixam a gente boquiaberto. É, acima de tudo, uma série de relatos que tratam sobre as estratégias que alguns seres humanos tomam quando percebem que existe uma oportunidade, mesmo que essa oportunidade seja a morte de quase mil pessoas.

Um dos motes principais do livro é o fanatismo religioso e a forma como a religião serve muito mais a propósitos políticos do que religiosos. Não quero incorrer muito nesse aspecto porque tenho medo de que isso possa ser um spoiler, mas basta dizer que a religião é utilizada – e manipulada – amplamente ao longo do livro. Acho que é o ponto que mais gostei dentro de toda a narrativa: sou um fã confesso de Stephen King e das figuras fanáticas religiosas que ele cria, então ler a progressão desses aspectos dentro da história, e a forma como eles acabam por trazer consequências assustadoras para a sociedade, foi muito interessante.

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Utilizar a Pennsatucky sempre que me refiro a fanatismo religioso: SIM

Mas o livro não trata só de religião. Trata também sobre como as pessoas encaram a morte, e de como tentam encontrar maneiras de contorná-la. A tecnologia tem um papel importantíssimo dentro de um dos núcleos da história, sob a forma de robôs que imitam humanos praticamente à perfeição. Quanto a esse ponto, Lotz consegue tecer um tema com profundidade sem que a gente perceba que estamos lidando com ele. Mais um ponto positivo.

Lá em cima eu disse que quase gostei muito do livro, mas acabei não gostando dele tanto assim. O final, para mim, foi bastante frustrante. Talvez a ideia seja exatamente a de ser frustrante, mas não sei. Para mim, faltou algo que justificasse uma série de acontecimentos na história e algumas das coisas – aparentemente sobrenaturais – que aconteceram com as pessoas que estavam próximas às crianças, além das que aconteceram com as próprias crianças. Não é que eu não goste de livros com falta de explicações; não gosto de livros com falta de explicações essenciais.

Para mim é uma boa jornada, mas que não tem uma boa recompensa no final. Tenho sentimentos conflitantes quanto ao final dessa história, mas é um livro muito bem escrito. A editora Arqueiro está de parabéns pela tradução, revisão e projeto gráfico (vocês viram que as bordas das páginas do livro são pretas? Isso é sensacional! Como se o que tivesse ali dentro fosse um segredo, sabe?).

Saldo final: três aviões em queda livre.

Até a próxima!

(Este livro foi um oferecimento da Editora Arqueiro)