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Um pequeno surto sobre “Um tom mais escuro de magia” da V. E. Schwab

28 de agosto de 2015 às 18:53, por

Lááá atrás, em fevereiro, eu e a Bell estávamos surtando por “A darker shade of magic” da V. E. Schwab e fomos jogar indiretas no twitter sobre editoras trazerem o livro para cá. EIS QUE a própria Victoria responde o nosso tweet dizendo que a Editora Record tinha comprado os direitos de publicação e esse foi o momento em que a gente começou a gritar de felicidade.

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Foi mais ou menos assim

Aí importunamos a editora na turnê que ela fez pelos os estados e, sem muitas informações concretas para trabalhar, acabamos deixando essa informação guardada em nossos corações e fazendo uma oração diária para que esse livro saísse logo por aqui. A Bell até citou o livro no post sobre os melhores livros que ela leu nesse ano (até agora).

Hoje parecia um dia normal, eu e Bell estávamos de boa, conversando no gtalk, quando DE REPENTE ESSE POST ENTRA NO NOSSO FEED DO FACEBOOK:

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Fãs de Victoria ‘V.E.’ Schwab, preparem-se! A edição brasileira do “A darker shade of magic” já está no forno!

Em ‘Um tom mais escuro de magia’, os heróis Kell e Lila atravessam portões mágicos para visitar três versões bem diferentes de Londres: a Londres Vermelha, cheia de vida e magia; a Londres Cinza, com um rei louco e zero magia; e a Londres Branca, onde as pessoas lutam para controlar a magia e a magia contra-ataca. Nas livrarias em novembro pelo selo Record.

EM NOVEMBRO. TIPO, DAQUI A TRÊS MESES (ou dois, dependendo de quando saia). ALI PERTINHO! MAIS PERTO QUE ISSO SÓ SE FOSSE NA BIENAL!

E OLHA ESSA CAPA! TÁ TÃO LINDA! (embora eu prefira a capa americana, mas também adoro essa) E A GENTE TÁ NO PRINT! OLHA EU E A BELL ALI TENTANDO SER COOLS FALANDO COM A VICTORIA e falhando miseravelmente!

E ELA AINDA USOU MEU TWEET PRA DIVULGAR A CAPA NO PERFIL DELA!!!

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Ai gente, é muita felicidade para uma sexta-feira só… Novembro já tá chegando? Já pode comprar na pré-venda?

Finalmente entendi por que odeiam o Garry! (acho)

26 de agosto de 2015 às 18:23, por

(Esse texto foi escrito logo após a exibição dos episódios finais da série Parks and Recreation e por algum motivo ele foi para o limbo dos posts, até ser resgatado essa semana em meio a uma imensa vergonha dos membros da equipe do NUPE. Uma diversão fora de timing, eu acho.)

Eu não sei vocês, mas eu gosto de ficar tentando ler os subtextos criados pelos roteiros das séries e o que estão tentando dizer através de coisas que não necessariamente estão lá. Acho que todo mundo faz isso, de acordo com o que mais chama atenção e aguça os desejos de quem assiste algo. Em geral, fazem isso com casais que não existem ou existirão e vão sendo gradualmente apresentados. Eu procuro metáforas sobre lógicas de continuidade, coisas que indicam desenvolvimento de personagens e mensagens por trás de aspectos técnicos que não nem sempre são mostradas de maneiras explícitas.

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Tá vendo o céu nessa cena? É a bandeira do orgulho bi. Sério.

Nessa pegada, depois de tantos anos acompanhando Parks and Recreation, acho que finalmente entendi uma das piadas mais recorrentes e sem sentido da série: por que detestam tanto o Jerry Larry Terry Garry. Ao longo das temporadas, eles foram inserindo pequenas besteiras como sendo parte do que fazia as pessoas o odiarem, mas ficava claro que não era nada que fosse verdadeiramente detestável – sério, eram coisas tipo gostar de Comic Sans. Isso já seria uma boa piada/crítica por si só, pessoas que são odiadas por besteira mesmo sendo amigas leais, prestativas e extremamente bondosas. É algo bem normal, até.

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Mas aí esses últimos episódios aconteceram.

Não sei se você acompanha a série mas (se está lendo até agora é bastante provável que sim) um dos principais pontos de Parks and Recreation é a diversidade. Além disso, o tipo de humor que a série propõe é bem diferente do humor usual de sitcoms (fica mais próximo de séries como The Office [da qual inicialmente seria um spin-off] e Community). Isto é, apesar de ter piadas recorrentes e gags que muitas vezes se repetem, geralmente não se pautam em preconceito e coisas do tipo. É uma produção muito preocupada com esse aspecto, de fugir do que as séries de antigamente eram.

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Que fique claro: eu só estou apontando que quando colocavam um cara gordo ou feio com uma mulher considerada bonita geralmente era pra fazer piada com isso.

Vou agora descrever uma comédia do final do século XX: um homem branco e gordo é casado com uma mulher que o elenco e o público concordam que é muito mais bonita que ele, os filhos são muito mais inteligentes que ele em sentidos diversos – desde esperteza “da vida” até a acadêmica –, sempre baseadas em formas mais baixas de humor físico e/ou pastelão, com roteiros de continuidade duvidosa e que terminam de maneira simples, geralmente canceladas por canais abertos como a NBC ou a CBS – mais a segunda, hoje em dia. Tem pelo menos umas 10 sitcoms lançadas entre os anos de 1970 e 1990 que podem se encaixar nessa descrição, assim como a vida do Garry. E não para por aí!

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Ok, quando fui procurar imagens da série lembrei que ela ainda
é majoritariamente branca e que tem menos mulheres que homens.

Agora pensa comigo: como uma série que tenta tão ativamente se opôr aos modelos usuais de televisão se posicionaria em relação a um seriado assim? Negativamente, né? E é isso que eles fazem. Todo mundo. Mesmo tendo episódios em que vemos como a vida dele é boa e como ele é legal, os personagens insistem em tratá-lo de uma maneira horrível – sequer ligando pra qual é o nome dele de verdade.

E é aí que a Donna entra.

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É o quê?

Das personagens de Parks and Recreation, acho que a Donna deve ser a mais consciente de tudo o que acontece. Problemas com as pessoas, fofocas da cidade e até mesmo sentimentos, ela percebe tudo. Digamos que ela manja dos paranauês. Nesses últimos episódios, ela fez coisas bastante significativas em relação ao Garry: fez as pessoas o chamarem por seu nome verdadeiro (o que ele diz não ter acontecido pelos últimos 30 anos) e se despediu dele dentro da vida como conhecemos até agora – todo mundo tá seguindo em frente – sendo amável e carinhosa.

Nesse momento, e talvez eu esteja dando uns saltos de lógica muito grandes (então vocês me desculpem se eu não consegui demonstrar a ideia direito), percebemos que há uma transição emocional: a Donna não mais representa Parks and Recreation, zombando do quão atrasado é o humor de Garry, que é uma sitcom antiga, ela vira o espectador. A Donna é a gente naquela cena. E ele não é mais uma série antiga, é uma série que está ficando antiga, que está ficando para trás.

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Ele representa a própria Parks and Recreation.

É claro que isso é só no microcosmo desse episódio, desse momento, mas é incrível como uma cena tão pequena e que nem é o enredo principal da semana consiga passar uma ideia tão bacana: assim como os outros personagens, a gente vai seguir em frente com nossas vidas e a série vai ficar para trás. Seriados de comédia não costumam ter metas muito grandiosas de desenvolvimento de história, elas se focam nos personagens e em seu desenvolvimento. E é nessa característica que elas se desenvolvem, ganham identidade própria e deixam saudade.

A gente não vai mais poder acompanhar a exibição mas, assim como o Garry, Parks and Recreation sempre estará em Pawnee nos esperando pra uma tarde agradável.

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Aguentando firme o final da série.

Em Busca de um Final Feliz: um livro sem respostas fáceis

24 de agosto de 2015 às 21:27, por

tumblr_mn1o7em1Y61qzoziho7_540Em Busca de Um Final Feliz” é um relato da vida de moradores de uma favela de Mumbai, na Índia. Annawadi é uma pequena comunidade acomodada ilegalmente nas proximidades do Aeroporto Internacional da cidade cuja principal forma de subsistência é a coleta e venda de lixo para a reciclagem. O livro oferece um passeio pela alucinante complexidade da existência humana em um local moral e culturalmente defasado pela corrupção, assim como as intrincadas engrenagens que perpetuam essa situação. Ele nos obriga a desconstruir a imagem bidimensional da pobreza que normalmente vive em nosso imaginário e nos força a confrontar a realidade.

O efeito da corrupção que eu acho menos identificado é a contração, não da possibilidade econômica, mas do nosso universo moral

O que diferencia Em Busca de um Final Feliz de qualquer outra história, real ou fictícia, sobre as condições de pessoas em miséria, é que Katherine Boo não está interessada em emocionar seu leitor. Nenhuma dessas pessoas foi descrita com a intenção de comover ou assustar. Eles são pessoas reais e estão tentando sobreviver a cada dia – apenas isso. Não há uma mensagem óbvia sendo transmitida, até porque o livro se preocupa em mostrar como a situação dessas pessoas é extremamente complexa. Deduzir soluções simples para a situação da Índia seria, no mínimo, leviano. A autora foi uma observadora sagaz por anos, e seu registro do que ela presenciou ali dentro de Annawadi é extremamente objetivo e realista.

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Annawadi, a favela documentada no livro

As descrições se centram em um grupo limitado de pessoas: Abdul e a família Hussain; sua vizinha, Fátima Perna Só; a aspirante a senhoria da favela Asha e sua filha Manju, a primeira pessoa a se formar em Annawadi; Sunil, o catador de lixo. Mas através deles, somos apresentados a uma miríade de figuras de diferentes tradições, etnias, castas, profissões e condições socioeconômicas. De pessoas abastadas se usando da corrupção para crescer até moradores de rua definhando nas sarjetas da estrada. Além disso, também somos apresentados a diversas instituições e vemos suas ações para com as pessoas da favela. São escolas em que os professores não têm formação, orfanatos que vendem as roupas que são doadas às crianças, estações de polícia com práticas ilegais de tortura e pedidos de propina constantes, hospitais que vendem os remédios e obrigam os doentes a os conseguirem ilegalmente pelas ruas e ONGs internacionais que têm boas intenções, mas falham na hora de fiscalizar suas ações nas comunidades e acabam permitindo que investimentos sejam desviados.

Como o parágrafo anterior talvez tenha deixado claro, a corrupção é uma constante durante a leitura, e isso foi extremamente chocante para mim. Estamos tão acostumados a condenar a corrupção do Brasil que nos esquecemos que ela poderia ser muito pior. Há momentos em que certos personagens são cercados por tantas pessoas pedindo propina, manipulando o sistema e fazendo ameaças que eu fiquei completamente desnorteado – imagine então como deve ter sido para eles, que estavam vivendo tudo aquilo! Mas é interessante ver como nem mesmo a corrupção é coberta pelo véu da moralidade neste livro. Em diversos casos é mostrado como a ilegalidade é o único caminho para longe da miséria que as pessoas encontram e, vendo suas realidades, fica impossível querer condená-las por buscarem desesperadamente algo melhor. Como eu disse, o mote do livro é: nada é simples de resolver. Não existe solução mágica. E talvez pensar nisso tenha me trazido uma visão diferente do meu próprio país também…

Uma foto de Sunil

Uma foto de Sunil

Eu não estou sugerindo complacência com os escândalos políticos de corrupção de grande proporção, tampouco com as pequenas infrações que fazem parte do dia-a-dia das pessoas em todo o país. Relevar essas situações, tanto aqui quanto na Índia, é tolice. E acho que Katherine Boo sabia disso enquanto escrevia seu livro. Não é sobre perdoar ou condenar o que é feito de errado, mas sobre reconhecer que essas coisas acontecem e questionar a razão disso. A ideia é se politizar e tentar descobrir como as coisas realmente funcionam em busca de soluções inteligentes para os nossos problemas. Sempre é falado que a educação é o caminho para uma nação melhor, mas isso precisa começar com cada um de nós se educando sobre como a política é feita, sobre nossos direitos e deveres, sobre o que de fato está acontecendo no mundo ao nosso redor. As coisas não vão melhorar enquanto cada um comprar as respostas prontas de algum partido político ou celebridade.

Essas são lutas que precisam estar sempre acompanhadas de pensamento crítico.

BESTEIRAS GASTRONÔMICAS ASIÁTICAS: UMA AVENTURA

21 de agosto de 2015 às 15:16, por

Essa semana (o que faz um mês, mas quem está contando, não é mesmo?), resolvi passar no mercadinho que vende coisas asiáticas em Brasília e comprei todas as besteiras comestíveis do maravilhoso continente asiático. Não é a primeira vez que passo lá e dificilmente será a última, mas resolvi sair da minha zona de conforto e comprar comidas que normalmente passo longe, mas fiquei empolgada da mesma forma

UAAAAAAAAH! <3

UAAAAAAAAH! <3

Minha missão com esse post é compartilhar o que comi e como foi a experiência. Queria ter feito um vídeo, porém, a ideia de contar sobre as coisas que experimentei veio depois de eu ter comido tudo, HAHAHA! Até pediria desculpas por isso, mas não me arrependo de nada MUAHUAHUHAUHUHA!!!!

Okay, vamos para as comidas, porque já não estou falando nada com nada…

1) Sweet Potato Flavoured Snack (Nongshim)

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O que é: um salgadinho com sabor de batata-doce com pacotinho maravilhoso em que uma batata-doce adorável seduz as pessoas.

A experiência: Meu paladar passou pela melhor/pior experiência da minha vida e ainda foi a minha irmã que comprou esse salgadinho, porque batata-doce nem é a minha praia. Depois de alguns berros como, “ESSE SALGADINHO É HORRÍVEL, SOCORRO!!!” , e, “MELHOR SALGADINHO DA MINHA VIDA!!!”, sai da cozinha (eu estava lavando a louça) e pedi para minha irmã me fornecer um para eu entender como uma coisa é ruim e boa ao mesmo tempo.

Vocês acham que depois que comi o gosto do SPFS fez alguma sentido para mim? Não mesmo: o negócio é horrível e tem gosto de Baconzitos velho e não passa nem um segundo, ele começa a ter um adocicado sabor e se torna um dos melhores salgadinhos da vida.

2) Potato Flavoured Snack (Nongshim)

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O que é: um salgadinho sabor batata com uma mãe-batata e um bebê-batata sendo adoráveis no pacotinho. Como não comprar, não é mesmo?

A experiência: Comprei esse salgadinho para mim mesmo, porque amo batata inglesa.

Comi algumas famílias-batatais depois de ter experimentado a batata-doce-da-sedução e minha vida não ficou menos confusa: ao colocar na boca tive um sensação de ter engolido um tanto de ar com gosto de miojo cru e, logo em seguida, veio um incrível sabor batata afogada em um mar de Cebolitos. Foi lindo, foi estranho, foi sensacional e quis comer mais na hora.

3) Cappuccino Premium Coffee Drink (OKF)

O que é: este é um cappuccino super simpático com um grão de café voador te dizendo Don’t worry, be happy (“não se preocupe, seja feliz”). Não existe latinha de cappuccino mais amigável que essa!

A experiência: Sempre quis tomar um cappuccino de latinha porque em quase todos os animes, filmes asiáticos e doramas que assistia, tinha alguém tomando um café ou um cappuccino de latinha. Tomei meu primeiro gole e, assim como todas as minhas aventuras paladarísticas anteriores, tudo mudou e meus conceitos e ideais de vida já não eram os mesmos.

A bebida se resumia em muita água docinha com cappuccino e, ainda que minha religião seja contra bebidas de café aguados, não consegui parar de tomar e queria tomar mais, mas MUITO, mais.

4) Double Shot Premium (OKF)

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O que é: um café com um grão de café submarino querendo ser simpático com o seu “don’t worry, be happy”.

A experiência: Comprei essa latinha junto com o cappuccino e, depois da minha exótica experiência com o cappuccino, tive a certeza de que ele seria uma delícia/horrível mais uma vez. No meio de uma partida de Eldritch Horror com a minha irmã, resolvi tomar esse double shot para ficar mais empolgada na nossa caça aos demônios. Tomei meu primeiro gole e fiquei com duas sensações:

  •  O submarino representa a busca pelo gosto da água com gosto de café mais amargo da história das águas amargas. Gente, eu tomo café puro sem problemas, mas esse double shot… UGH.
  • O verdadeiro horror não estava no jogo, estava na minha boca e ele tinha gosto de desespero.

Em determinado momento, com o sonho de fazer essa bebida ficar pelo menos bebível, coloquei açúcar e o gosto permanecia o mesmo. Foi um pesadelo, e nunca mais, minha gente. NUNCA MAIS.

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5) Mustard Green Peas (Sheng Xiang Zhen)

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O que é: ervilha de mostarda verdes com vários pacotinhos dentro desse pacote gigante.

A experiência: Essa foi mais uma das compras da minha irmã e, sinceramente, não tive nenhuma confiança de que seria boa. Quer dizer, eles usam essas ervilhas para fazer wasabi!!!!! Eu até gosto de wasabi, mas comer ele puro?Não, muito obrigada, meu nome não é Gérard Krawczyk. No entanto, eu estava numa de experimentar comidas asiáticas (dentro da minha gama de frescuras), então minha irmã me deu um mini-pacotinho para experimentar.

Com muito receio, coloquei as mostardinhas na minha boca e, na primeira mastigada, tive certeza de que me arrependeria: senti um gosto amargo e apimentado ao mesmo tempo e algo fez um CRECK. Um segundo depois, ele ficou com aquele gostinho salgadinho de amendoim japonês e foi uma delícia. Sério. Melhor coisa. 10/10. Recomendadíssimo. Comprei um pacote depois, porque sim.


E essas foram as minhas experiências paladarísticas com as comidas asiáticas!

Bom, tive mais experiências, porque comprei a Ásia inteira de besteiras gastronômicas, inclusive, fiquei muito curiosa com a tecnologia de você colocar o pózinho do miojo na água e, de repente, aparecerem pedacinhos de cenouras, algas gigantes e alguma outra coisa que não lembro o que era, mas vou deixar para contar isso em um próximo post ou algo assim. Se vocês tiverem gostado desse, claro. #dessas

Leituras de 2015: Cinco livros favoritos (por enquanto)

19 de agosto de 2015 às 18:30, por

Já tem oito meses que estamos em 2015 e parei e refleti sobre as minhas leituras. Todo ano, tenho a meta de ler 52 livros, no mínimo um por semana, e dessa vez, em agosto, já li 47. Passei a incluir graphic novels, mangás e HQs depois de 2012 por vários motivos, o principal sendo que não considerá-los livros é desmerecer o trabalho dos criadores – e, depois disso, passei a perceber como minha leitura é composta majoritariamente desse tipo de trabalho.

Desse balanço, decidi enumerar os meus cinco livros favoritos, só que aí comecei a colocar um monte de HQ e sofrer porque não queria deixar alguns livros de lado, “MAS E AS HQS????”, e cheguei à conclusão de que teremos DOIS posts, um de livros e um de HQs.

Enfim, 2015 tem sido um ano bom no quesito leituras. Tenho lido livros que achei ruins, mas que foram importantes de um ponto de vista analítico para entender como algo que tenha uma boa premissa pode dar errado em quesito narrativa, e li diversos livros que entraram para o hall de favoritos com louvor. Os cinco abaixo são os destaques, sem nenhuma ordem específica:

Blue Lily, Lily Blue – Maggie Stievfater

blue lilyEsse é o terceiro livro de Raven Cycle, e se vocês me acompanham na vida, sabem como eu AMO essa série. Blue Lily, Lily Blue não abaixou a bola do nível da série Dream Thieves e, embora o segundo livro seja o meu favorito da série até agora, gostei muito da forma espiral como a Maggie está tecendo essa história em POR QUE VOCÊ FAZ ESSAS COISAS COM A GENTE, MAGGIE???

Em resumo, essa é a experiência mais próxima de ler um álbum da Florenc, e é a série mais estranha e maravilhosa e cheia de sentimentos que li nos últimos anos e Maggie Stiefvater é a religião do meu povo.

A Darker Shade of Magic – V.E. Schwab

9780765376459Essa autora foi uma descoberta recente e confesso que só comprei o livro por causa da capa e da sinopse intrigante de VÁRIAS LONDRES. Essa foi a experiência mais próxima de ler Castelo Animado que tive num livro e, olha só, isso é maravilhoso. Darker Shade é mais um dos livros com premissa “muito louca” que eu amo tanto: Kell é uma das únicas pessoas capazes de passar entre as três Londres que existem – a vermelha, a cinza e a branca – e funciona como um mensageiro entre reinos. Só que tem TRETA EM TODOS OS LUGARES e aparentemente a quarta Londres, a preta, que foi dizimada pela magia, está ameaçando tomar o resto das coisas.

TEM UMA BANDIDA QUE SE PASSA POR HOMEM! TEM DUELOS MÁGICOS! TEM GOVERNANTES LOUCOS! TEM VIAGEM DIMENSIONAL! TEM PESSOAS SEMINUAS AMARRADAS EM CAMAS! TEM UM PRÍNCIPE INCRÍVEL!

10/10, jantaria aqui novamente.

Court of Fives – Kate Eliott

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Eu li algo da Kate Eliott pela primeira vez no ano passado: a trilogia Spiritwalker, e quase imediatamente, a trilogia virou minha favorita. Como a Kate tem uns 150 livros lançados na vida e tenho a política de que só posso considerar um autor meu favorito depois de ler pelo menos ⅓ da obra dele… Enfim, eu ganhei o ARC de Court of Fives autografado a algum tempo atrás, porque o livro só saiu agora, dia 18 de agosto, e a primeira coisa que fiz quando ele chegou foi começar a ler. O livro era descrito como “Mulherzinhas encontra Game of Thrones”, e eu sinceramente achei que era um exagero do marketing para vender o livro, mas é realmente um ótimo resumo.

Court of Fives é a história de Jessamy, uma garota com um pai “Patron” (é uma raça que é a nobreza no mundo) e uma mãe plebeia, que tem o sonho de participar no Fives, os jogos de obstáculos que são extremamente populares onde ela vive. No entanto, por ser uma mulher da nobreza, ela não pode se sujeitar a isso para não causar vergonha na família. Mas isso está longe de ser um empecilho para Jessamy… Só que tudo fica muito mais complicado quando ela é arrancada da sua família e precisa usar as suas habilidades para salvá-los, enquanto tenta compreender as maquinações políticas do lorde que prendeu seu pai numa teia de poder e intriga.

Enfim, como em Spiritwalker, os detalhes do mundo são bem complexos, assim como as relações sociais (mas são explicados ao longo do livro, com o desenvolver da história). Isso é uma constante nos três primeiros livros dessa lista, na verdade, e eu gosto muito dessa forma orgânica de inteirar o leitor. Jessamy também é maravilhosa e o relacionamento dela com as irmãs é um dos melhores pontos do livro. Também amei tanto o Kalliarkos T.T

Se vocês forem ler um lançamento gringo esse mês, tem que ser esse.

Vivian contra o Apocalipse – Katie Coyle

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Eu não esperava gostar tanto desse livro quando comecei a lê-lo. Vivian, a protagonista, é uma garota que sempre foi certinha e seguiu o que os outros mandavam até que as coisas começaram a ficar bem loucas — e eu, particularmente, adoro histórias sobre protagonistas assim. No caso, a loucura é o fanatismo religioso. Uma seita que me lembrou muito os mórmons em vários aspectos começa a crescer nos Estados Unidos, anunciando que o arrebatamento está próximo e apenas os fieis serão levados.

Queria falar um pouco mais da trama, porém vi que o melhor é você entrar nesse livro só sabendo essa informação. Achei fenomenal a forma como a Katie conseguiu misturar esses sentimentos adolescentes de tentar encontrar o seu lugar com um mundo em que todo mundo tá meio louco das ideias porque o apocalipse chegou, além de ter GRANDES TRETAS. E tem uma adolescente grávida. E o livro terminou comigo gritando CADÊ O SEGUNDOOOOOOOO?

Garota Exemplar – Gillian Flynn

download (1)Me indicaram esse livro muito tempo atrás, mas, como sempre, eu adicionei no goodreads e segui a vida (Val: cadê a novidade, miga?). Aí eu vi o filme, achei muito bom e finalmente fui ler o livro, com medo de que o que eu sabia da história me impedisse de aproveitar a leituran, mas não, Garota Exemplar é excelente e o livro consegue ser muito, muito, muito melhor que o filme. Tenho diversas críticas ao filme depois que li o livro, né, principalmente por terem deixado o Nick parecendo tão bonzinho.

Adoro como a Gillian Flynn construiu a história, como todo mundo é maluco nesse livro, principalmente, a Amy Dunne. A nossa cultura tende a demonizar mulheres vilãs e deixá-las extremamente planas, a considerá-las putas ou algo do tipo, e a Gillian consegue fazer uma vilã multifacetada e que consegue concorrer em pé de igualdade à outras figuras de vilões homens carismáticos (como o Hannibal). Eu podia escrever um artigo sobre isso, mas só vou mandar que vocês leiam.

É isso!! Tiveram vários outros destaques até agora esse ano (como Vicious, da V.E. Schwab também), mas esses são os cinco que mais se destacaram. Semana que vem teremos: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS!!! E se preparem para deuses adolescentes e famílias sobrevivendo no espaço.

Talk Dirty To Me – Um Post Sobre Livros Eróticos (e preconceitos literários, de certa forma)

17 de agosto de 2015 às 17:44, por

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heh essas capas são tão engraçadas

Eu sempre fui fã de tudo quanto é tipo de história de romance. Primeiro amor, amores perdidos, comédias românticas, romances históricos, inimigos que viram amantes, amigos de infância que viram amantes, amores que surgem em tempos apocalípticos, vampiros que se apaixonam por lobisomens, ron&hermione, lucy&schroeder, monica&chandler, arroz&feijão, e por aí vai.

Mas tem uma vertente do romance que nunca me convenceu, nunca fez meu coração bater mais forte, meu estômago revirar com borboletas: os livros eróticos.

Por mais que eu tivesse feliz e achasse algo positivo a febre dos livros eróticos desde 50 Tons de Cinza, o fato de mulheres estarem bem mais à vontade com sua sensualidade e sexualidade, ainda me incomodava a forma que o mocinho do livro sempre era babaca/estúpido/abusivo.

Apesar de termos cenas ~calientes~ em tudo quanto é livro de romance, livros eróticos são aqueles que focam principalmente na jornada sexual da protagonista. Mas por algum motivo, toda vez que eu dava chance para um livro erótico, o interesse romântico da protagonista era condescendente, achando engraçado/absurdo/loucura que a protagonista não fosse tão experiente na cama, sem contar que eles eram geralmente obcecados com as mulheres em questão, sufocando-as de atenção (da pior forma possível) e usando traumas passados como desculpas. Sem contar que muitas das vezes “a jornada sexual” parecia ser 1) menina inexperiente conhece cara sombrio e sedutor 2) cara sedutor convence menina inexperiente a tentar coisas mais ousadas na cama 3) menina descobre que cara gosta de coisas estranhas na cama porque sofreu traumas no passado 4) cara sedutor descobre que não precisa mais de “sexo maluco” porque tudo que ele precisa é a menina e eles são felizes para sempre, fazendo “sexo normal”.

Enfim, basicamente eu era super a favor da revolução sexual na literatura, mas evitava ler livros eróticos por não me agradar com a fórmula que eles sempre usavam.

(ATENÇÃO: eu não estou dizendo que todos os livros eróticos usam essa fórmula, e eu sempre tive consciência de que devia existir alguns bons por aí. Eu só estava sem paciência de ficar lendo um atrás do outro tentando achar o escolhido. A propósito, esse é meu sentimento com livros de NA, mas isso é assunto para outro post.)

Então, certo dia, acidentalmente, eu descobri Melissa Blue.

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Assim como todos aqui da equipe do NUPE, eu não consigo resistir quando um ebook está em promoção. É uma doença, a gente sabe. Comprar livro atrás do outro, livro que nem temos tanta vontade assim de ler, livro que provavelmente vai ficar esperando dias, semanas, meses e anos nos nossos leitores digitais, perdendo a vez para livros que realmente queremos ler, caindo no abismo do esquecimento, juntando poeira metafórica, etc etc.

Foi numa dessas que eu comprei os livros da Melissa Blue, apenas porque os títulos indicavam escoceses e kilts, e quem sou eu para resistir isso tudo a menos de dois dólares? E então, num toque do destino, eu acabei me atrasando na minha meta do goodreads (grande maldição da minha vida) e eu decidi pegar um romance para ler, porque são os livros que eu leio mais rápido. E dei uma chance para os livros da Melissa Blue porque… bem, por que não?

E finalmente eu me encontrei no mundo dos eróticos!

As protagonistas dos livros de Melissa Blue (o que eu li até agora) são mulheres de variados contextos (executivas, cientistas, babás, louconas, famílias tristes, famílias unidas, família nenhuma, etc) que estão determinadas em tomar controle da sua vida sexual, e os motivos para isso também são variados. Enquanto isso, os caras são mal-humorados, ou charmosos, ou engraçados, ou tristes, mas ele sempre SEMPRE são respeitosos. Os diálogos são interessantes e divertidos, e em momentos difíceis, são equilibrados e genuínos.

Mais do que me deixar feliz com sua narrativa, Melissa Blue me fez lembrar aquilo que eu já sabia: não existe gênero ruim, existe apenas livro ruim. Não, errado, existe apenas livro que a gente ACHA que é ruim.

Eu sei que é um conclusão óbvia, mas parece que todo mundo esquece disso, constantemente. Incluindo eu.

É fácil a gente acabar tendo preconceito com um grupo enorme de coisas só por causa das experiências que nós tivemos. Não me entenda mal, é tudo bem você evita ler ficção-científica, ou romance histórico, ou livro infantil ou fantasia, porque normalmente não é o tipo de livro que prende sua atenção.

(Se bem que livro infantil é tão bom!!! Como é que ele não prende sua atenção???)

Mas não deixem seus conceitos tomarem conta por completo! Arrisquem novas experiências. Talvez vocês odeiem, mas talvez… TALVEZ VOCÊS AMEM!

apenas feche os olhos e deixe sua mente bem aberta

Nossa, que post brega de lição de moral. E vocês achando que eu ia começar a descrever em detalhes as cenas picantes dos livros. Desculpa se o título foi enganoso. Mas leiam os livros da Melissa Blue. São muito mais interessantes do que qualquer post meu.

(Menos aquele post sobre Zoando na TV. Poucas coisas nesse mundo são mais interessantes que aquele post.)

ADIEU!

 

P.S.: Gostando ou não de livros eróticos, sempre estejam de olhos abertos para as problemáticas ou triunfos dos livros! Esse tipo de coisa é mais importante que opinião. É importante estar sempre alerta às coisas que fazem nossos pensamentos avançarem e as coisas que nos fazem retroceder. E sempre conversem sobre o assunto não sendo babacas!

P.P.S: Isso não tem nada a ver com nada, mas essa semana eu revi os filmes de Piratas do Caribe e OMG aquela época foi tão boa, né? Eu lembro de assistir os filmes na pré-estreia e a época que a gente achava que Johnny Depp era o ápice de Hollywood, E A GENTE FICAVA TÃO EMPOLGADA COM AQUELES PIRATAS BRUTOS E SUJOS, omg, bons tempos. Vocês acham que daqui 20 anos Piratas do Caribe vão ser que nem Guerra nas Estrelas da nossa geração? Eu espero que sim. Eu gosto mais do Captain Jack Sparrow do que do Han Solo, e mais do Mr. Gibbs do que do Chewbacca. Mas não tem ninguém que eu ame mais que R2D2, então temos um pequeno dilema aí. Enfim.

P.P.P.S.: Wall-E. Eu gosto mais do Wall-E do que do R2D2.

O novo do Ishiguro e algumas considerações sobre livros lentos

14 de agosto de 2015 às 18:16, por

15071864Sabe quando você se esforça para gostar de alguma coisa, mas ainda assim aquilo simplesmente não consegue te pegar? E o pior: você realmente sabe que existe alguma qualidade naquilo ali, mas você não consegue se conectar. A princípio, você acha que a culpa é sua – um mau momento, uma daquelas ressacas literárias, ou qualquer coisa nesse sentido – e espera um tempo, diz que vai voltar praquela história outra hora e tudo vai se encaixar… só que não se encaixa, e por fim você desiste, mas sempre com esse pequeno sentimento de culpa porque deveria ter gostado daquela história, mas não conseguiu.

Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo quando peguei O Gigante Enterrado, do Kazuo Ishiguro. Me perguntei durante muito tempo como raios iria fazer uma resenha de um livro que, bem… não gostei e sequer terminei de ler. E a pior parte é que não tenho argumentos para dizer que não gostei do livro além de: não me identifiquei. Porque o livro é bom. A história é gostosa de se ler. Os personagens são interessantes e bem construídos. A tradução está bem feita, a edição está ótima, e no começo da história eu estava até mesmo convencido de que o livro seria um dos meus preferidos.

Mas aí vem o grande problema: o livro é lento. Muito lento. Tipo, excessivamente lento, no estilo Senhor dos Anéis vamos-descrever-todas-as-árvores lento. E eu não estou no clima para esse tipo de leitura.

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Lembro de um post que a Tassi fez falando sobre as dores e delícias de se ler um livro lento, e de como essa experiência foi positiva para ela. Só que, no meu caso, ler o livro do Ishiguro atravessou esse limiar e passou a ser mais dor do que delícia.

A história do livro é muito interessante: um casal de idosos está percebendo que todos ao seu redor estão passando por problemas relacionados à memória. Uma garotinha que estava no vilarejo e da qual ninguém se lembra, coisas que aconteceram na semana passada e hoje parecem sonhos, e o rosto do filho dos dois, que nenhum deles consegue se lembrar exatamente como é. Munidos dessa vontade de rever o filho e relembrar como ele é, os dois partem em peregrinação até o vilarejo dele, que fica a alguns dias de distância de onde moram e, no meio do caminho, são interpelados por pessoas que falam sobre perda, amor, saudades e lembranças.

É um livro de fantasia que trata muito mais de relações humanas e de como elas se estabelecem, e esse tipo de livro me agrada muito. Gosto quando os personagens são o foco da história e o que os move não é uma jornada em busca de um pote de ouro, mas sim a busca de coisas relacionadas às suas próprias identidades.

Então por que raios não consegui ler esse livro?

Só me dê um motivo T-T

Só me dê um motivo T-T

Tirando a parte do mea culpa sobre não estar em um bom momento para livros lentos, acho que a grande falha desse livro é tentar emular uma narrativa tolkeniana. É claro que Ishiguro é um autor de mão cheia, talvez um dos mais relevantes escritores da atualidade, mas senti que a incursão dele pela fantasia é um pouco influenciada pela narrativa épica, com descrições detalhadas de ambientes e parágrafos pesadões de uma página inteira. É claro que é uma questão de estilo e de identificação, mas eu, pessoalmente, acho esse tipo de narrativa arrastada e pouco proveitosa, porque o que deveria ser um exercício de imersão acaba se tornando um exercício de paciência.

Mas aí entra aquela questão: é válido falar que um livro lento é ruim quando a gente não gosta dele, mas ele é bom? Veja bem, ‘ser lento’ é uma característica que está se perdendo cada vez mais, porque um livro lento é um livro que demanda um pouco mais de esforço e de concentração por parte do leitor. E nessa ebulição editorial da atualidade, onde todo mês somos apresentados a dezenas de lançamentos, a vontade de ler um livro da forma mais rápida possível acaba ficando acima da vontade de se esforçar para ler uma história que demande um pouco mais de esforço. Mas será que, no fim das contas, um livro lento deve ser ignorado para dar lugar a três livros rápidos que, no fim das contas, não vão dizer muita coisa pra gente?

ACOOOORDA!

ACOOOORDA!

Não sei se cheguei a alguma conclusão aqui (nem se chegarei) porque estou nesse momento de pouca paciência para livros muito lentos. Mas isso é um problema de humores temporários ou será que é algo pelo qual todos passamos? Não sei. Enquanto isso, o livro do Ishiguro vai continuar parado, sempre com o marca página lá na metade dele, até que, quem sabe um dia, eu volte a ter paciência para terminá-lo.

(ESSE LIVRO FOI OFERECIDO EM PARCERIA PELA EDITORA CIA DAS LETRAS)

Buenos Aires Parte 2 – Os Lugares

10 de agosto de 2015 às 17:48, por

floresComo eu falei no post anterior, eu viajei com os meus pais e ficamos numa região relativamente central de Buenos Aires. Meu pai é desses que se deixar faz tudo a pé, então eu sofri um pouquinho com ele. Ah, e ele é teimoso e não se planeja para fazer as coisas. Perdemos o primeiro dia inteiro porque ele não se decidia o que fazer e não me deixava decidir também.

Como já faz quase um ano que eu viajei e, como eu já disse milhares de vezes, minha memória não é muito boa, eu não lembro exatamente a ordem dos nossos passeios. Mas começando pela cidade em si: eu AMEI ter ido para lá em novembro, pois é a época mais florida da cidade e aparentemente a mais agradável em relação a temperatura. Como estudante de arquitetura, Buenos Aires é um lugar ótimo para visitar, já que você consegue ver exemplos muito legais de vários estilos arquitetônicos.

arqUma coisa que eu gostei muito lá, foi que apesar de toda aquela história de que argentino é chato e blablabla que adoram contar por aqui, o que eu percebi foi exatamente o contrário. Fui bem tratada em todos os lugares e, como alguém que gosta muito de analisar as pessoas (resquícios de um semestre cursado de psicologia), também vi como o povo argentino é muito patriota apesar de tudo o que se passou/passa no país. Apesar de tudo o que tá acontecendo com o nosso país agora, odiar/falar mal do Brasil é mais forte do que qualquer demonstração de amor pelo mesmo. Talvez pelo tamanho e as distâncias geográficas, mas acredito que seja pela falsa ideia de que o povo brasileiro seja perfeito e o país errado, sendo que os dois deveriam ser a mesma coisa.

patAlgo que fica bem explícito ao andar pelas ruas é a quantidade de atrações culturais que as pessoas têm acesso, seja de forma gratuita ou paga. Desde graffiti nos muros, passando pelas estátuas vivas até chegar nas inúmeras livrarias e museus. Você passa a viagem inteira respirando cultura e, até para quem não gosta de arte, é incrível. Digo isso porque meu pai, a cada coisa que eu queria ver, comentava: “Isso é para intelectuais!” E depois do passeio mudava para “Nossa, como é bonito e interessante!”

cultMas os lugares onde a gente mais gastou dinheiro foram nos dois estádios principais da Argentina: o Monumental, do River Plate e a La Bombonera, do Boca Juniors. Eu e meu pai somos loucos por futebol e pagamos as duas visitas guiadas. Ele ainda comprou coisas nas lojas dos museus para o meu sobrinho fanático por futebol e eu paguei horrores (horrores em pesos, né) para tirar foto no gramado da Bombonera.

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Quase um ano depois e eu ainda morro de saudades de Buenos Aires por causa da comida. Nossa, como eu comi nesse lugar. Desde o café da manhã com medialunas e doce de leite até a janta com, provavelmente, bife de alguma coisa com purê de batata. Digo bife de alguma coisa porque eu fiquei alternando entre bife de chorizo com bife de lomo ♥ Ai, que saudades de comer bem e barato assim :(

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Comi tanto que esqueci de tirar fotos. Pois é.

Coisas que quero comprar mas o dólar não deixa (e uma que eu posso porque é em real!)

7 de agosto de 2015 às 17:44, por

Eu sou uma pessoa razoavelmente consumista quando não tenho alguma meta pela qual guardar dinheiro. Só que eu acabo concentrando todos os meus gastos em livros, quadrinhos e produtos relacionados a séries e filmes. Como eu to numa de economizar porque estou com alguns gastos de casa (sair da casa dos pais não é fácil), ultimamente eu tenho só olhado para os sites de quadrinhos e pra amazon e feito uma wishlist mental enquanto olho pro nada embaixo da chuva de forma dramática.

Mais ou menos assim

Como a dor costuma ser mais leve quando compartilhada, resolvi trazer para vocês alguns livros, hqs e outras coisas que eu quero comprar mas que teria que pagar um rim na conversão de dólar pro real, então só entram na minha listinha perpétua pra quando o dólar baixar (ou eu ganhar na loteria).

1) Positive Doodles: 46 Good Thoughts for Good Friends – Emm Roy

Eu acho que uma das melhores coisas que aconteceu comigo esse ano foi conhecer a página da Emm Roy, a Emm, not Emma. Além da identificação óbvia do “sempre escrevem meu nome errado”, as ilustrações motivacionais que ela cria são as coisas mais fofas do mundo e já me ajudaram MUITAS vezes. Eu sempre fico pensando “nossa, isso daria um livro fenomenal” e eis que… agora tem um livro. Quero dizer, é um livro de postais, mas ainda assim um livro. E tá na pré-venda ainda, mas tecnicamente já está vendendo, mesmo não tendo sido lançado ainda. Então tá valendo e eu já to passando vontade.

 

2) Bitch Planet vol.1 – Kelly Sue DeConnick/Valentine De Landro

Esse até que é bem barato também, mas entra no caso de “o frete vai me matar porque custa mais do que o produto” (que é o mesmo do livro da Emm, btw). Eu estava esperando o encadernado sair para comprar, porque gosto de ter a coleção bonitinha, mas aí o dólar resolveu dar um pulinho lá na estratosfera e eu imprimi meu certificado de papel de trouxa. Bitch Planet é sobre uma prisão feminina no espaço e é super feminista e com a arte num estilo comics-antigo-anos-80 totalmente escrachado. Eu já disse que é a Kelly Sue DeConnick que escreve? Pois é.

 

 

3) Todo e qualquer livro da Victoria Schwab

Vicious eu até tenho em ebook, mas falta The Archived, The Near Witch (que saiu aqui como “A Bruxa de Near” e depois que eu ler dez livros da minha tbr eu posso comprar) e, o mais importante de todos A Darker Shade of Magic!!!! A Bell já leu e é o novo Garotos Corvos dela, depois de um mês de lançamento já tava na milésima tiragem (ok, ok, na quinta tiragem) e ele parece incrivelmente fenomenal. Além disso, o livro novo dela com MONSTROS vai sair NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO. To rezando pro santo do dólar baixar o câmbio até dia 3 de maio ou vai acontecer um rombo no meu orçamento.

 

 

audible4) Retomar minha assinatura do Audible e voltar a ouvir audiobooks

No final do ano passado eu descobri o Audible e foi amor à primeira ouvida (nossa, que trocadilho horroroso). Eu sempre tive curiosidade sobre se eu conseguiria prestar atenção em audiobooks e um belo dia resolvi testar e me inscrever pro mês grátis do Audible e ouvir “Garota Exemplar”. E foi a maior revolução da minha vida. Dos 36 livros que li esse ano, 7 foram audiobooks, e esse número só não é maior porque ficou inviável manter a assinatura (de 15 dólares mensais), que dá direito a um audiobook grátis por mês e desconto nos outros, com esse dólar subindo a cada dia mais.

 

5) A Quarterly Box do Book Riot:

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Olha só todas as coisas que vieram na minha. Quero mais i.i

Depois que eu conheci o Book Riot, tenho que admitir que a minha lista de desejos cresceu absurdamente. A quarterly box é uma caixa com livros escolhidos pela equipe que é enviada a cada semestre com umas coisinhas que não são livros, mas que também são relacionadas a literatura e às vezes conteúdo exclusivo dos autores. No final do ano passado eles fizeram uma promoção de frete grátis e eu comprei a caixa especial dos melhores do ano e, olha, não me arrependi. Vieram dois hardcovers, uma graphic novel também em hardcover e um livro de não ficção em paperback, além de porta-copos em formato de cartão de biblioteca, uma caixinha de caixinhas de fósforo que imitam capas de livros, um estojo que parece um livro escolar e um caderno com os nomes de vários livros banidos. Valeu MUITO a pena e eu queria muito assinar esse serviços deles, até porque agora eles também tem uma caixa só de livros YA. Dólar, por que você faz isso comigo?

 

E o que eu posso comprar porque é em real: Posters, camisas e adesivos das ilustrações do Bruno Diniz

O Bruno é um artista/nerdfighter/lindo de Fortaleza que faz umas ilustrações MARAVILHOSAS que dão vontade de tatuar porque omg olha essas coisas. Morro de vontade de ter os posteres de “Queen of my own queendom” (esse aí do lado) e “Girls just wanna have fun-damental rights”, mas como eu quero o poster em A3 e não é tão barato assim, to juntando uma grana pra poder comprar também uma moldura maneira e ter onde colocar. Ele também tem um tumblr onde publica as artes dele e uma loja no redbubble, pra quem quiser sofrer com o dólar.

Obs.: Apesar de conhecer o Bruno, isso não foi um publipost, mas sim uma divulgação completamente espontânea porque eu realmente sou apaixonada pelas artes dele e quero uma delas na minha parede <3

Buenos Aires Parte 1: Planejamento

5 de agosto de 2015 às 17:37, por

Quem me conhece sabe que eu tenho uma mania louca de ficar olhando preços de passagens para lugares que eu gostaria de ir, mas que não vou tão cedo. É meio louco, mas é legal, ok? Numa dessas sessões, coloquei a opção por pontos no site da TAM e vi que estava apenas 20 mil pontos para ir para Buenos Aires na semana que eu não tenho aula em Outubro (aka semana do saco cheio s2). Meu pai é meio acumulador, tanto com bens materiais inúteis quanto com pontos de programas de fidelidade. Passei uma semana sendo a filha mais nova que sou enchendo o saco dele até ele virar e falar “Tá bom, vai lá e emite essas passagens”.

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Depois de definir as datas e emitir as passagens pra mim e para os meus pais, começou a terrível procura por hotel. Como é difícil procurar lugar, meu deus. No mesmo lugar tem pessoas falando que amaram e pessoas falando que odiaram. Meu irmão tem a mesma mania que eu de procurar passagem/hotel em lugares que pretende ir e não vai tão cedo, então deixei a tarefa do hotel para ele e em menos de três horas ele me entregou uma opção perfeita para o nosso caso.

43626_71_b_wFiquei no Loi Suites Arenales, numa suíte de quarto/banheiro/sala/micro cozinha e na sala tinha um sofá cama. Na hora de reservar, fizemos pelo Booking e colocamos a opção de café da manhã e datas variáveis apesar de já ter a passagem definida. Você paga um pouco a mais, mas não corre risco de ter algum problema. E a gente teria tido problema. Uma semana antes da nossa viagem tivemos que reagendar tudo e o hotel foi a coisa mais fácil de todas. Só precisei entrar no site e alterar a data. Só isso. Nenhum telefonema, nenhuma multa gigantesca, nada, nada, nada.

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O ponto vermelho é o hotel!

O que a gente mais gostou desse hotel, além do café da manhã e dos funcionários super atenciosos, foi a localização. Ele é na frente de um mercadinho, do lado de uma frutaria (sdds cereja todo dia), duas quadras de um Carrefour Market, duas quadras de uma farmácia, duas quadras de uma estação de metro e três quadras da Calle Florida. Ou seja, dava pra fazer tudo a pé, se fosse usar taxi, não iriamos gastar muito e tem muito restaurante e cafés por perto. Por ser central, achei a vizinhança super tranquila e eu até andei sozinha a noite para ir/voltar de um restaurante.

Se você pretende ir para lá, recomendo bastante entrar nesse site aqui, o Aires Buenos. Lá tem dicas incríveis e todo início do mês eles fazem uma agenda com todos os eventos culturais que vão ter na cidade.  Eles também tem guias em pdf baratinhos e muito legais. Agora eles começaram a fazer um tour pela cidade, pelo lado mais desconhecido e não tão turístico. Parece ser uma coisa bem legal de se fazer.

A viagem de São Paulo para Buenos Aires é bem rápida e dá nem pra dormir no avião (mentira, dá sim, mas é tão pouco tempo). Parte ruim da viagem ser rápida: não tem comidinha de viagem internacional nos voos feitos pelas empresas nacionais. Vi no AiresBuenos que se achar passagem barata pela Emirates ou outra, vale super a pena por causa do tratamento ser de viagem internacional e ai dá para quem nunca viajou para fora, ter o gostinho de viajar com a diferença.

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Pudim com dulce de leche ♥

Aproveitando que esse post ficou só para planejamento/viagem, já vou deixar avisando: pela lei nacional, é proibido trazer derivados do leite, portanto, se na alfandega quiserem tomar o seu precioso pote de doce de leite, eles podem e não adianta chorar. Sim, conheço gente que teve o doce de leite retido na alfandega de SP. O que graças a deus não foi o meu caso, pq eu acho que eu teria chorado. Mas alfajor pode trazer a vontade (sim, não faz sentido) e ai dá pra se empanturrar de doce por uma semana. Porque, né, impossível não querer comer tudo de uma só vez.

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Yummy!

 

ps.: Minha viagem foi em novembro de 2014, esse post escrito em fevereiro de 2015 e as imagens colocadas cinco meses depois. Talvez eu seja um pouquinho enrolada e/ou esquecida.