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A Corner of White – Jaclyn Moriarty

19 de novembro de 2014 às 18:03, por

Madeleine Tully vive em Cambridge, Inglaterra, O Mundo – uma cidade de torres, Isaac Newton e a Casa de Chá da Titia.

Elliot Barinski vive em Bonfire, As Fazendas, O Reino de Cello – onde estações vagueiam aleatoriamente, a Filha da Borboleta dorme em uma jarra de vidro e sinos alertam ataques de perigosas Cores.

Eles estão a mundos de distância – até que uma fenda se abre entre eles; um pedaço branco – uma borda branca de uma carta.

Uma história fascinante de dois mundos; as fendas entre eles, a ciência que os une e as cores que eles permeiam.

“Meu Deus, a Dayse apareceu para escrever uma resenha??? O QUÊ???? Esse livro deve ser muito bom então.”

Se você está pensando isso, então você está certo! Eu desapareci nos últimos dias, mas POR TODOS OS DEUSES DO OLIMPO, esse livro é bom demais para não compartilhar.

Farei, antes de tudo, uma introdução redundante. Porque esse livro é do tipo que me faz querer ficar falando e falando e falando e comparando com coisas da vida e etc.

Quando você tem um certo hobby há um tempo, você fica familiar com ele. Claro. Você começa a entender como ele funciona, certos aspectos da coisa toda ficam previsíveis, esse tipo de coisa. Não é nada que deixe a coisa entediante, é mais uma coisa que comprova que você passa um bom tempo fazendo essa mesma coisa.

Por exemplo, se você é um músico e passa muito tempo tocando ou escutando música, com o tempo você acaba entendendo quase que instintivamente como as notas funcionam. Mesmo não tendo escutado certa música antes, você acaba conseguindo adivinhar qual acorde vem a seguir, quando a música vai ter uma bridge, esse tipo de coisa. E aí, quando você escuta uma música que te surpreende de todas as maneiras, e mesmo assim faz tudo certo, você fica fascinado. Você fica horas pensando naquela música, na genialidade dela, esse tipo de coisa.

Se você é um leitor assíduo, algo parecido acontece. Eu sempre fui uma leitora louca, mas nos últimos anos eu tinha perdido meu ritmo, e aí esse ano voltei pra frequência que gosto. Isso significa que acabo lendo livros ruins em meios aos bons, e mesmo os bons acabam sendo um tanto quanto previsíveis, porque minha cabeça está toda conectada nesse tipo de pensamento (o de leitura de ficção, no caso). É tipo… eu não sei se todo mundo passou por essa fase, mas aos meus 17/18 anos eu fiquei viciadíssima em comédia Improv, e ficava assistindo milhões de vídeos de Whose Line Is It Anyway, e depois de um tempo, mesmo nos vídeos que eu nunca tinha assistido antes, eu já conseguia adivinhar a piada que os caras iam fazer, porque já estava acostumada com a coisa toda. Então eu estava assim com os livros que li esse ano. Não entediada, mas conectada. Eu meio que sentia que o escritor e eu éramos a mesma pessoa, porque eu sempre conseguia sacar para que lado o livro estava indo.

(Não necessariamente em questão de enredo ou surpresas, plot twists ainda me pegavam quando deviam e tals. Estou me referindo a algo mais no sentido de tom, entende? Narrativa e tals.)

Enfim, o que aconteceu com A Corner of White foi que eu fui pega completamente de surpresa. Era uma narrativa que estava completamente fora da frequência da narrativa que eu tinha me acostumado. Na segunda página eu já estava incrivelmente BLOWN AWAY com o que as palavras do livro estavam fazendo comigo.

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Primeiro porque Jaclyn Moriarty tem um ritmo próprio que poderia ser considerado “bagunçado” por algumas pessoas. Mas Moriarty é tão maravilhosamente habilidosa que ela te carrega junto com o ritmo dela, então ele não parece bagunçado. Ao contrário, ele parece perfeitamente apropriado para a história. Moriarty não segue o formato padrão que livros costumam ter, com suas partes e capítulos e essas coisas. Ela tem as próprias partes e os próprios capítulos, e as cartas, tudo em uma ordem incomum, mas isso não atrapalha, e sim complementa a leitura.

A construção de mundo dela é muito boa, também. Por ser um livro de fantasia, é importante fazer com que certas partes façam sentido e sejam Bem Colocadas, e Moriarty faz isso. Mas ela vai além, e desconstrói a própria construção. Ela joga questionamentos interessantes sobre o Reino de Cello como se esse reino fosse parte de uma ficção, com perguntas que poderiam soar coerentes em uma carta de edição, mas que são bem bestas em um contexto real. É como se alguém aparecesse de outro mundo e começasse a questionar “o nome do país que você mora é Brasil por causa de uma árvore? Você não acha isso um pouco besta, aleatório e pouco acreditável?” e você só desse de ombros, porque o nome é esse, oras, fazer o que.

E por fim, os personagens. Todos nesse livro são tão lindamente complexos dentro de suas restrições. Madeleine é uma menina sonhadora e que sempre foge da realidade, mas mesmo assim tem muita dificuldade em acreditar nas coisas que Elliot diz (ou em Jack e Belle, seus melhores amigos que acreditam em horóscopo e em ler áureas, respectivamente). E aí temos Elliot que é um garoto popular e que de certa forma é bem babaca, mas mesmo assim é bondoso e não necessariamente o esteriótipo do Cara Popular Babaca que a gente conhece. Os dois estão sofrendo com a ausência dos pais, que sumiram de formas completamente diferentes, e mesmo assim, parece igual. E o bom é que o livro é bem… rico verbalmente. O tempo todo, palavras e mais palavras para uma só coisa. Em toda a minha vida, eu tive uma ou duas experiências em que um livro fez isso tão bem. Normalmente, mesmo quando o livro é bem bom, eu fico um pouco impaciente nessas partes, quando o autor fica frases e frases enrolando para falar de alguma coisa, e eu reviro os olhos e penso “ah, já entendi!”. Mas com Jaclyn Moriarty eu não senti isso em nenhum segundo. Eu li cada uma das palavras com muito gosto, porque parecia que cada uma deles estava ali por um propósito, cada uma delas foi escolhida cuidadosamente, para ter aquele ritmo, aquele som, aquela forma de fluir. É perfeito.

É um livro perfeito para quem gosta de fantasia e para quem não gosta também. Na verdade, é um livro perfeito para quem gosta de ler algo que te deixa com um sorriso no rosto. Não necessariamente porque o livro é super feliz disney style (não que disney seja feliz, também, é um conceito um pouco besta, porque O Cão e a Raposa, am I right???), na verdade o livro é bem triste. Mas ele não é deprimente, se é que vocês me entendem? Ele quebra seu coração, mas de uma forma tão profunda e gentil ao mesmo tempo, que não é o tipo de livro que te deixa deprimido, apenas melancólico por causa da forma que algumas pessoas estão vivendo e tals. Mas ao mesmo tempo você fica feliz, e ri das partes engraçadas, e se emociona com os momentos super criativos (tipo, um mundo onde cores ficam tão intensas e poderosas que elas chegam a atacar pessoas? UAU!). É realmente o livro perfeito, na minha opinião, um que todos devem ler. E todos PODEM ler, mesmo se não leem em inglês, porque ele foi lançado aqui como A Fenda Branca e a capa é super fofa e até está disponível em ebook (NA KOBO STORE, não me importo com Kindle). E a continuação já lançou também, bem próxima do lançamento lá fora, o que mostra que a editora está fazendo o trabalho certinho de traduzir e publicar aqui (se bem que ouvi dizer que a tradução não é assim EXCELENTE, um incidente envolvendo um sabonete australiano). Enfim, aproveitem que as férias estão chegando, e o Natal está aí, comprem o livro, leiam. Eu juro que vocês não vão se arrepender!

BEIJOS!

P.S.: Trash já tinha me falado desse livro há mais de um ano atrás e eu demorei para ler, mas ela estava realmente certa. Uma das coisas que ela usou para me convencer a ler é que o livro faz muitas menções à Figuras Históricas, como Babbage (inventor do computador) e sua BFF Ada (primeira programadora do mundo), e claro, Isaac Newton, o cara que não calava a boca sobre a gravidade, e fez vários estudos sobre cores. O legal da narrativa desse livro é que até essas histórias de pessoal histórico eram descritas de um jeito super legal e interessante e engraçado, e você ficava super empolgado pensando “uau, quero saber mais, me conte mais!”. O livro é excelente em passar adiante várias curiosidades aleatórias e interessantes, então além de ser super divertido, você aprende! TODOS SAEM GANHANDO! Nas palavras de Trash:

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Bienal de Minas Gerais – O que tem de bom?

18 de novembro de 2014 às 17:45, por

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Ah, Bienal… talvez seja o melhor evento da história desse país. Melhor que Copa, melhor que Olimpíadas, melhor que a negação de visto do Julien Blanc… enfim, melhor coisa. Se você também gosta de Bienal, provavelmente sabe que as maiores são a de São Paulo e a do Rio de Janeiro, mas se você REALMENTE gosta de Bienal, sabe que existem diversas outras espalhadas por esse mundão chamado Brasil. E se você gosta REALMENTE MESMO de Bienal, provavelmente sabe que está rolando uma agora mesmo, enquanto você lê esse post, lá em Minas Gerais. Pois é, no dia 14 de novembro se iniciou mais uma Bienal em Belo Horizonte, onde todo mundo converge pra comprar livros e saber sobre lançamentos, tudo com o melhor pão de queijo e café da história da humanidade.

OH MEU DEUS MAS EU NÃO SABIA O QUE FAÇO O QUE FAZER PORQUE PORQUE PORQUEEEEEEEEEEE? Calma, não se desespere! O evento ainda não acabou! A Bienal rola até o dia 23 de novembro (próximo domingo) e ainda tem UM MONTE de coisa legal para acontecer. E na verdade é por isso que estou aqui, para fazer esse grande serviço de utilidade pública misturado à tortura, uma vez que não consegui me organizar para ir até a Terra do Pão de Queijo™ ver tanto livro bom e gente legal. Se você estiver perto e puder ir de qualquer forma, tire um tempinho para ir lá. É muito bacana!

A Bells, que muita gente por aí conhece como Bárbara Morais (nossa, esse é o nome dela??!!1) estará no sábado, dia 22/11, às 17h, autografando seus livros da Trilogia Anômalos (que por enquanto tem os volumes “A Ilha dos Dissidentes” e “A Ameaça Invisível” publicados). Além dela, tem mais diversas sessões de autógrafos de autores nacionais, deem uma olhada:

21/11

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18h – Apaixonada por histórias – Paula Pimenta
Local: Auditório Ariano Suassuna
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/339628849550506

22/11

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10h – Shakespeare e elas – Janaína Vieira, Laura Conrado e Lycia Barros
Estande do Grupo Autêntica (H12 / G13)

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12h – Raphael Draccon e Carolina Munhóz (“Cemitério de Dragões” e “O Reino das Vozes que Não Se Calam”, respectivamente)
Local: Conexão Jovem

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13h – Bruna Vieira – (Série “Meu Primeiro Blog” e livros “Depois dos Quinze” e “A Menina que Colecionava Borboletas”)
Local: Auditório João Ubaldo Ribeiro

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13h – “Confissões Online” – Iris Figueiredo
Local: Estande da livraria Leitura (C03 / D04)
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/354433328050691

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14h – Felipe Castilho (série O Legado Folclórico) e Jim Anotsu (Rani e o Sino da Divisão)
Local: Estande do Grupo Autêntica (H12 / G13)
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/855508661150373

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17h – “Perdida” e “Encontrada” – Carina Rissi
Local: Conexão Jovem
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/839998249355768

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17 – “A Ilha dos Dissidentes” e “A Ameaça Invisível” – Bárbara Morais
Local: Estande do Grupo Autêntica (H12 / G13)
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/718860781536355

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18h – Sábado à Noite 3 – Com amor e música – Babi Dewet
Local: Estande da livraria Leitura (C03 / D04)
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/357077767808015

23/11

14h – Sábado à Noite 3 – Com amor e música – Babi Dewet
Local: Estande da livraria Leitura (C03 / D04)
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/357077767808015

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15h – Bianca Pinheiro (Bear) e Fernanda Nia (Como eu realmente)
Local: Pavilhão de Feiras
Link para o evento: https://www.facebook.com/events/379284452236896

*

Eu sei que provavelmente não lembrei de tudo (e se eu tiver esquecido de alguma coisa é só avisar nos comentários que eu edito o post, ok?), mas só aí já tem muuuuuita coisa boa. Então se você é de Belo Horizonte, mora perto ou pretende ir lá no próximo final de semana, divirta-se! E se você for do Rio de Janeiro, traz pão de queijo?

Como eu realmente, de Fernanda Nia

14 de novembro de 2014 às 18:32, por

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 Editora: Nemo

Páginas: 80

Nota: 5/5 bolinhos! (isso é um spoiler?)

“Nem sempre o que esperamos é o que realmente acontece na vida real. Para combater a constante quebra de expectativas ao seu redor, Niazinha acabou desenvolvendo uma imaginação um pouquiiinho criativa demais. São seus exageros que fazem cada história de Como eu Realmente…. um passeio único pelo lado meio esquisito mas superdivertido da nossa imaginação”


Antes de começar essa resenha, eu preciso fazer um comentário: cara, a editora Nemo tá roubando corações esse ano, hein! É um lançamento melhor que o outro, meu deus do céu! Preciso me conter para não deixar meu salário todo com eles!

E agora de volta à programação normal:

 

niazinha

a Niazinha

Como eu realmente…” é uma compilação das tirinhas publicadas semanalmente no blog homônimo, de autoria da publicitária carioca Fernanda Nia, mais conteúdo criado exclusivamente para o livro. Criadas despretensiosamente, as historinhas protagonizadas por uma espécie de alter ego da autora, a Niazinha, ganharam força na internet e se tornaram queridas do público por transmitir perfeitamente toda aquela profusão de sentimentos que domina nossa cabeça durante as maiores bizarrices do dia-a-dia.

Mas isso não seria o suficiente para descrever esse maravilhoso volume. É, sim, uma compilação, mas em muitos aspectos o livro acaba transcendendo o material original. O acabamento é impecável, parte do material foi revisitado e coisa nova foi produzida para a obra, tornando a experiência de leitura muito mais especial. É algo que você se sente bem de ter nas mãos.

Dividido em setores diversos que representam partes da vida, como animais de estimação, família e amigos ou literatura e outros universos em geral, é muito fácil navegar pelo conteúdo. São ótimos temas, todos eles ricamente explorados com algumas das melhores e mais honestas tiras sobre o assunto. Acho que é impossível não se identificar com alguma – ou com várias!

Cada parte é aberta por uma ilustração de duas páginas super engraçada e bem bonitona. Dica: tente identificar os livros que a Niazinha está lendo na capa da parte 4 do livro. Um deles foi escrito por alguém aqui do NUPE!

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a verdadeira protagonista da história (?!)

Aliás, a arte do livro é incrível, mas isso não precisava nem falar, né? Muito consistente em sua produção, a autora tem uma ótima mão para expressar toda a sorte de sentimentos. O estilo descontraído das tirinhas é sempre muito acolhedor e fácil de acompanhar. E quando ela decide explorar novos estilos, mostra toda sua versatilidade e competência artística, trazendo desenhos impossíveis de não amar. Dá até um gostinho de quero mais nessas horas.

Um destaque que eu faço muita questão de pontuar são os comentários finais da autora após cada tirinha. São espirituosos e divertidos. Muitas vezes complementam as cenas de forma totalmente inusitada, te levando a abrir um sorriso na hora. Isso quando ela não se aventura pela ficção literária nas chamadas “Crônicas de Niazinha”, que apresentam alguns dos momentos mais geniais! Tem até um trecho do livro de auto-ajuda da Srta. Garrinhas, intitulado “A Teoria do Chiclete: como transformar qualquer humano no seu mais fiel servo”.

Um livro para todos se identificarem e se entreterem, com toda a certeza. Amor demais, é só isso que define minha reação durante a leitura. E se você já é fã das tirinhas, estará mais do que bem servido. Muito além de valorizar uma artista que merece crédito por nos inspirar semanalmente por anos, vai estar adquirindo conteúdo de qualidade e cheio de novidades para explorar.

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e todo mundo mais.

Gostou? Quer saber mais? Um tempo atrás eu entrevistei a autora aqui na estreia no Nupe Entrevista! Então corre lá e dá uma olhada que não tem como não amar essa garota.

A Fernanda Nia também é uma das autora da primeira coletânea de contos do blog, o Um dia das bruxas Nem Um Pouco Épico! Porque não basta manjar dos paranauês do desenho, tinha de manjar dos paranauês de escrita também.

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AH, QUASE ESQUECI: TEM TAMBÉM MINHA PERSONAGEM FAVORITA! Fani Fangirl <3 (cujo nome é autoexplicativo). ESSA AQUI ME REPRESENTA!

Interestelar interessa intermitentemente

13 de novembro de 2014 às 20:35, por

TEJE AVISADO:

Antes que você leia esse post, preciso alertar: eu gosto muito de ficção científica. Tipo, muito mesmo. Isso me coloca numa posição que às vezes eu posso ser um pouco… chato exigente com a maneira que certas coisas científicas são demonstradas. Além disso, eu era hater do Christopher Nolan e torci por muito tempo que ele fizesse um filme ruim – porque, querendo ou não, mesmo quando ele faz um filme ruim como o Cavaleiro das Trevas Ressurge, ele consegue fazer algo acima da média em termos artísticos, de narração visual (vide o fato de conseguir fazer grande parte do público ignorar a quantidade de furos no roteiro da despedida do morcegão enquanto estava no cinema) e ainda fazer uma caralhada de dinheiro.

Simulação de um executivo da Warner Bros indo deitar após Christopher Nolan lançar mais um filme.

Não me entenda mal, de algum jeito na minha mente doentia fazia sentido que se ele fizesse filmes ruins perderia os recursos de produção infinitos que tem hoje e poderia voltar a produzir filmes “na raça”. Eu era bem babaca.

Some isso ao fato de que esse é o primeiro filme dele que eu realmente queria assistir desde A Origem, porque né, fora isso ele só tava fazendo Batman (blergh!). Foi nesse momento que meu medo se instaurou: de alguma maneira, o universo iria me castigar por ser um invejoso e faria justo o filme que eu mais queria ver ser o pior de todos.

Mas até que eu gostei.

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Não faz sentido, né? Eu falo mal do cara, digo que queria que ele se desse mal e no fim acabo gostando parcialmente do que ele fez. Essa foi basicamente minha experiência com o filme. Assim como um final muito comentado que aconteceu nesse ano (aquela bosta), o fim de Interestelar conversa com algumas coisas desenvolvidas ao longo do filme mas no fim não parece merecido. E quando digo “merecido” quero dizer aquela sensação gostosa que temos quando uma história chega ao fim e parece certo, que não houve nenhuma trapaça, que as coisas que aconteceram para chegar àquele momento fazem sentido organicamente. Infelizmente, esse não foi o caso.

SOBRE O FILME

Um crédito que podemos dar a Jonathan Nolan, irmão do diretor, é que a construção do mundo é muito boa. Sem definir um ano muito específico, a Terra tá meio lascada porque acontece algumas tempestades de areia, a comida tá escassa, a sociedade abraçou um viés anticientífico bem pesado e ninguém tem lá muita esperança para o futuro. É quase uma história pós-apocalíptica, só que sem o “pós”. Ele fez até aulas pra entender como funciona a Física Moderna pra escrever um roteiro consistente nesses termos – mesmo que muita coisa soe estranha no filme, a maioria é não só possível (ao menos teoricamente) como teve consultoria do físico teórico Kip Thorne, que descreveu muitas das representações visuais usadas no filme e fez um livro inteiro sobre a ciência do filme –, no máximo o diretor teve algumas liberdades visuais pra contar a história, assim como aconteceu em Gravidade (enquanto aqui a distância entre os planetas e o buraco negro é pouco segura, no filme de Cuarón seria impossível que as estações estivessem no mesmo campo de visão).

interstellar

Meu nome é John Crichton, um astronauta- não, pera…

Ah, é: esse filme ia ser dirigido pelo Steven Spielberg!

Vocês talvez percebam algumas inconsistências de tom ao longo do filme e acho que isso acontece justamente por causa dessa origem criativa. Jonathan tinha feito o roteiro pro Spielberg, o velhinho não quis mais dirigir a história e o [Christopher] Nolan misturou isso com uma ideia que havia tido há algum tempo e que poderia dar certo se somada à base do irmão – parece confuso, mas é pouca bagunça se levarmos em conta que tem filmes cujos roteiros passam pelas mãos de dezenas de pessoas. Para uma rápida comparação, um dos últimos filmes dirigidos pelo veterano foi Cavalo de Guerra.

É um melodrama meio bobinho, mas tem o Tom Hiddleston. E o Cumberbatch.

É um melodrama meio bobinho, mas tem o Tom Hiddleston. E o Benedict Cumberbatch.

Spielberg faz um tipo de filme que é bem típico da época em que ele despontou, daqueles que divertem, que podem tender ao sentimentalismo e às emoções (todo o espectro delas). Já Nolan faz filmes “cabeça” e, com isso, consegue casar os valores de produção do circuito comercial com coisas tipicamente independentes, sempre explorando metalinguagem e histórias que lá fora chamam de high-concept – aquelas que podem ser resumidas em poucas palavras (tipo: “e se as pessoas pudessem plantar ideias através dos sonhos?”, pra descrever A Origem). Isso é muito perceptível ao longo do filme, há momentos em esse lado mais cerebral ganha e em outros a parte mais emotiva. O lado ruim é que em certas horas eles não sabem quem precisa ganhar e fica uma sensação esquisita de que a cena deveria ser mais (ou menos) emocional… ou que não deveria estar se esforçando tanto pra me mover ou tentar me fazer chorar.

Isso não deveria acontecer

Isso não deveria acontecer

Isso acontece muito porque o Christopher Nolan gosta de fazer tudo muito sério. Mesmo com um filme recheado de piadinhas – principalmente no primeiro ato, que constrói uma relação muito bonita entre Cooper e seus filhos – parece que ele não se dá espaço pra abraçar muitos dos conceitos ridículos que usa, fugir um pouco da rigidez do Kubrick em 2001 e se deixar ser um pouco mais Star Trek. Isso faz com que muitas coisas do ato final soem muito mais malucas do que são – o filme usa vários conceitos relativistas que não são muito fáceis de engolir, mas que seriam tranquilos se houvesse uma preparação adequada para isso.

Basicamente, ele tenta vender algo que é muito hard sci-fi mas entrega um final a la Doctor Who. Da era Moffat. Sério, a explicação do enredo é literalmente um wibbly-wobbly timey-wimey (passe o mouse por cima se não ligar para um spoiler pequeno, a humanidade do futuro, agora conseguindo viver com mais de três dimensões, envia um buraco de minhoca artificial pro passado para que uma equipe chegue a um ponto histórico pelo qual eles já passaram no futuro para ter um desenvolvimento científico que os levem à tecnologia que possuem para conseguir criar um buraco de minhoca artificial).

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Se você esperar demais do filme, sua reação vai ser mais ou menos essa.

Por fim, o filme acaba sendo uma tentativa de unir várias ideias muito boas e que realmente movem quem se interessa por esses temas, mas escorrega na banana por não saber se posicionar sobre seus sentimentos e razões. Além disso, com exceção do Matthew McConaughey e seus filhos jovens, todo o elenco parece estar meio no piloto automático – talvez resultado da bidimensionalidade dos personagens criados para a história. Assim como todos os filmes do Nolan, Interestelar vale pela experiência audiovisual e o espetáculo de poder assisti-lo no cinema. Mas se você não estiver muito a fim de gastar dinheiro em ingresso talvez seja melhor esperar o torrent que o filme seja lançado em DVD/Blu-ray.

E vocês, o que acharam do filme?

NUPE Recomenda #2

12 de novembro de 2014 às 18:15, por

Ok, obviamente hoje não é dia 31 de outubro, quando esse post devia ter saído, mas nós temos um bom motivo. E esse motivo se chama “Um dia das bruxas Nem Um Pouco Épico“, a nossa coletânea de Halloween que foi lançada no dia que supostamente era desse post. Pros outros dez dias de atraso a gente não tem desculpa mesmo. Mas pelo menos somos honestos e esse mês resolvemos mostrar quem indicou o que, ao invés de ficar o suspense do mês passado.

Aprovado!

  • Livros

Tassi: Perdido em Marte é um livro divertidíssimo e eu fiz resenha dele aqui. Recomendo a todo mundo que quer começar a ler ficção científica e não sabe por onde começar =)

“Eu também te amo.” “Obrigada.”

Esse mês eu entrei no mundo dos audiobooks e ouvi a biografia da Mindy Kaling, “Is everyone hanging out without me? And other concerns”. Usei o Audible e achei o livro bastante divertido, até porque ele é narrado pela própria Mindy.

Val: Não li nenhum livro fora o da Mindy (que a Tassi já recomendou e eu super recomendo também, porque é um ÓTIMO livro) e um da Sherrilyn Kanyon no mês passado (que não é lá essas coisas), mas super recomendo O Silêncio dos Inocentes, do Thomas Harris, que li em abril (acho) e amei tanto quanto o filme! <3

Lucas: Ainda não terminei, mas estou lendo o Everything Leads to You, da Nina LaCour, e… *suspira* é um livro tão, tão, mas tão bonito e leve e divertido. Ele não é cheio dos feels que nem os livros que a gente geralmente gosta de ler, mas acho que é isso que faz dele tão legal. Ele conta a história da Emi, que é uma estagiária em um estúdio cinematográfico e monta cenários junto com a Charlotte, sua melhor amiga. Certo dia, as duas vão até a casa de um ator da Era Dourada do cinema que faleceu, pra ver se tem alguma coisa que interessam a elas para algum cenário, quando descobrem uma carta escrita pelo cara. Ele pede que essa carta seja entregue para uma mulher que ninguém nunca ouviu falar, e a partir daí a história se desenvolve. É lindamente escrito, de um jeito que até quem não é muito acostumado a ler em inglês consegue ler bem, e as personagens são muito boas. Leiam!

  • HQs, Graphic Novels e mangás

Bell: Young Avengers é um título da Marvel que eu adoro (eu jurava que tinha feito resenha aqui O.O) e esse mês li a nova “temporada” do título, com um time diferente do da primeira revista. Nesse novo, acompanhamos Kate Bishop, Marvel Boy, Wiccano, Hulkling, Miss America e Loki (SIM!) em uma aventura bem maluca envolvendo uma outra mãe e múltiplos universos. É maravilhoso, é lindo, entrou no meu hall de favoritos. A série vai diminuindo de qualidade nos outros dois encadernados, mas continua com o mesmo ritmo de uma música das Runaways em todas as páginas.

“Representam a raça humana”

Val: HQs e mangás foram basicamente os motivos para eu não ter lido quase nenhum livro no mês passado… Uma HQ que recomendo MUITO é Edge of Spider-Verse #2, porque a Gwen Stacy é o Aranha, e não o Peter Parker! Apesar de ter poucas páginas, o enredo é ótimo, o traço do Robbi é lindo e fez tanto sucesso que ela vai voltar!! Aliás, não se preocupem por ser a segunda HQ, a história é fechada!

  • Música

Val: Oi, você já ouviu Alt+J? Não? Bom, você sempre PODE TENTAR ouvir a banda que conheci há menos de dois meses e já amo de coração. <3 (E a Bell indicou eles mês passado também, É UMA DUPLA INDICAÇÃO, ESCUTEM!) (ELA TINHA INDICADO? EU NÃO LEMBRAVA *meu nome é Dori*). E já ouviram a música da Lorde para Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1??? ELA É MUITO BOA! Parabéns, Lorde, parabéns!!!

Lucas: OK, vou me conter aqui e recomendar só duas coisas pelas quais estou completamente obcecado nesse mês: Kodaline (EU NÃO CONSIGO LIDAR COM TODOS ESSES FEELS AÍ DESSE CLIPE OQIJEQOWEQND) e Mapei (com essa batidinha deliciosa que lembra um pouco o funk carioca). Ah, e pra ninguém dizer que não recomendo música nacional, OUÇAM ANELIS ASSUMPÇÃO! (foram três indicações ao invés de duas, e é isso aí).

Porque, querido, eu sou um pesadelo disfarçado de sonho.

Kah: MIL NOVECENTOS E OITENTA E NOVE. Que cd lindo de uma linda que eu amo de verdade. Provavelmente vocês já ouviram mil vezes e já saem dançando por ai, mas não posso deixar de recomendar, né? E O CLIPE DE BLANK SPACE??? ADEUS, VIDA. Mas é isso ai. Escutem 1989, comprem o cd físico e me mandem as suas polaroids, ok? Obrigada.

  • Filmes

Val: Mês passado, assisti os filmes Ondine e Garota Exemplar e, ugh, é AMOR DEMAIS, GENTE. O primeiro é de 2011 e foi a primeiríssima vez que vi Ondine, então super recomendo para todas as pessoas do universo, porque é um filme muito fofo e lindo e IRLANDÊS. Agora, Garota Exemplar? Este é um filme completamente “JULIANA ESTÁ DES-MAI-A-DA”. Quando li o livro fiquei assim e ao assistir a adaptação, mesmo sabendo tudo o que aconteceria, ainda fiquei pasma, porque o David Fincher fez um ótimo trabalho, a Rosamund Pike fez a melhor atuação da vida dela e o Tren Reznor acabou comigo com a trilha sonora. Esse povo todo merece todos os prêmios!!!!

É, Taylor Swift de novo. E Garota Exemplar.

Lucas: Eu sou meio que o louco dos documentários (fiz até um post com umas recomendações), e um dos últimos que assisti foi ‘Jiro Dreams of Sushi(Val aqui. Eu jurava que isso era um dorama). É um documentário sobre um cara apaixonado por fazer sushi, onde conhecemos a rotina dele. “Mas Lucas, só isso?”. Exatamente: só isso. E essa simplicidade que é linda, porque a gente aprende que disciplina e rotina também podem ser um caminho para a felicidade, e que ela pode ser simples.

  • Séries e animes

Bell: A série Constantine estreou esse mês e ainda não tenho opinião formada sobre ela, mas promete preencher o vazio que Supernatural deixou na minha vida. O piloto é meio estranho e tem alguns problemas, mas deixa uma promessa de algo mais que vale a pena! Ela estreia aqui no Brasil no Canal Space essa semana. Ah, tem um post de 2010 em que eu falo de Hellblazer, os quadrinhos que originaram essa série.

Val: Selfie foi cancelada e estou mega deprimida com a notícia, mas esse é um daqueles sitcoms que recomendo para todos verem, ele é super fofo e sinceramente? Ele superou minhas expectativas, porque o piloto não foi lá essas coisas, mas poucos pilotos são perfeitos. De anime, minha recomendação é Parasyte ~the maxim~, ele começou há pouco tempo no Japão e só tem cinco episódios! Contudo, se você tem problemas com animes com sangue e essas coisas todas, passa longe de Parasyte. Quem se interessar em assistir, ele está passando simultaneamente com o Japão no Crunchyroll.

  • Jogos e outras coisas legais

Bell: The Walking Dead, da Telltale Games, é maravilhoso! Eu já havia jogado Fables: Wolf Among Us e quando estava atrás de outros jogos da mesma desenvolvedora, descobri que o primeiro capítulo da primeira temporada do jogo estava disponível. Assim como Fables,  esse jogo de TWD é basicamente baseado nas suas escolhas e nas suas respostas, com várias tarefas para você realizar e pessoas para bater/matar. Eu não acompanho a série de TV nem os quadrinhos, mas achei que o jogo fez um ótimo trabalho de ambientação! Em breve teremos resenha dele e de Wolf Among Us♥.

                 

Val: Infelizmente, todos os meus jogos estão limitados a Plants Vs. Zombies 2 e Just Dance Now, então vou recomendar um app que é uma mistura de WhatsApp e Viber e infinitamente mais legal que os dois juntos, com emojis maravilhosos (e alguns que se mexem!!!), calendário de eventos e enquete: Kakao Talk. Podem perguntar para todas as pessoas do NUPE que recomendei e ELAS AMARAM (bagunças nos grupos grandes à parte).   

Lucas: THE LORD OF THE RINGS: SHADOW OF MORDOR. Sério, gente: esse jogo. Ele é um misto de Assassin’s Creed, Batman Arkham City e mais alguns elementos novos sensacionais, como o sistema Nemesis, que faz com que um mero NPC possa se tornar um chefão. Tudo bem que algumas mecânicas dele são meio repetitivas (como matar orcs em modo furtivo, subir prédios etc etc), mas ainda assim é um jogo divertidíssimo. Eu já tenho 31h de campanha porque perco tempo fazendo missões secundárias e só tenho 20% do jogo concluído, ou seja… TEM MUITA COISA PRA FAZER.

Os amigos chegando na buatchy.

Ok, a gente vai parar por aqui porque esse mês já teve indicação demais. E aí, o que vocês viram em outubro que falou indicar?

Porque representatividade importa

11 de novembro de 2014 às 19:14, por

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Ok, esse post pode ser repetitivo. Essa história de representatividade pode soar meio batida para um monte de gente, mas eu entrei em um rage mode aqui e preciso falar um pouco sobre esse assunto. Isso não é um artigo acadêmico nem um tipo de manifesto, é só um monte de coisa que venho pensando ultimamente e que meio que se juntou na minha cabeça e precisa ser externada antes que eu exploda. Isso provavelmente vai parecer um monte de assuntos soltos e aleatórios, mas juro que na minha cabeça isso tudo faz sentido. Então, como diria Zileide Silva: vamos tentar.

Tudo começou quando eu estava de boas lendo o terceiro livro da série Mistborn, “The Hero of Ages”. Tenho um grande afeto pelo mundo de Mistborn criado pelo Brandon Sanderson porque ele meio que mistura mágica com física e leis newtonianas e isso é muito sensacional. Enfim, eu estava amando tanto essa trilogia que estava sendo muito chato no Twitter e tentando obrigar todo mundo a ler. Porque é uma história ótima. Porque tem uma protagonista feminina kick-ass e eu achava, na minha inocência, que isso era o bastante para o livro ser ~representativo~.

Mas é claro que ele não é.

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Homem não se importando

Veja bem: continuo achando o livro muito bom. Continuo amando muito a história e o universo, e a escrita do Brandon Sanderson é simplesmente viciante (talvez eu faça uma resenha da trilogia quando acabar de ler, porque ainda acho que todos devem ler, com o devido senso crítico ligado). Aí eu estava tentando fazer a Dayse ler o livro e ela me fez uma simples pergunta:

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‘É boa’, pensei comigo mesmo – e respondi isso para ela. A representatividade é legal, a protagonista é uma mulher em um universo majoritariamente masculino e ela não deve nada a nenhum outro personagem. Todas as aflições dela são válidas e todos os questionamentos sobre o papel dela dentro da história são extremamente coerentes.

Mas aí comecei a refletir sobre o assunto e a caçar alguma resenha ou texto que falasse alguma coisa sobre problemáticas de representatividade em Mistborn. E encontrei essa excelente resenha no Goodreads e percebi que as coisas não eram tão lindas como eu imaginava. Como sei que nem todo mundo é familiar com o inglês, vou traduzir um trecho da resenha. Depois vamos discuti-la.

 “Só existe UMA (1) personagem feminina com nome próprio em Mistborn. Para ser realmente generosa, existem três personagens e meia. Compare isso com os 20 homens com nomes próprios que são ou personagens principais ou coadjuvantes. Isso sem contar todos os caras aleatórios que aparecem só por uma cena e depois desaparecem da narrativa. Eu também não estou contando todos os soldados, nobres, oficiais do governo, escravos e ladrões sem nomes. Também não estou contando todas as empregadas, aias e a nobreza superficial feminina, também sem nomes. Dos dois protagonistas, temos um Herói masculino, Kelsier, e uma Personagem Forte Feminina valente e esfarrapada, Vin. Nas primeiras 176 páginas do livro, Vin é a única personagem feminina até que uma serva com nome aparece para fazer o cabelo de Vin e depois desaparece para sempre (ela é a meia personagem feminina). As outras duas personagens mulheres aparecem algumas centenas de páginas depois, e as duas são vilãs gananciosas e superficiais com um tempo de aparição extremamente limitado. Então, para além de todas as intenções e propósitos, Vin é a mulher solitária (garota, na verdade) em um mar de homens ao longo de todo o livro.

Por que eu falei sobre esses números? Porque é comum na fantasia que os autores abracem o “Princípio Smurfette”: eles acham que, enquanto tiverem sua única garota simbólica – uma que é valente e bad-ass e venha com bagagem emocional, com certeza –, seu trabalho está feito. Ei, a gente tem uma Personagem Forte Feminina! O que mais vocês querem? (Resposta: maior igualdade na representatividade de gêneros em livros de fantasia). Uma vez que você começa a ver o Princípio Smurfette – e outras indicações de sexismo – nos livros que lê, dificilmente você consegue ignorá-lo. Então para aqueles que dizem “Qual é o problema? Ignore isso e aproveite a história!”: EU NÃO CONSIGO. A existência de sexismo em um livro, mesmo que benevolente e talvez não intencional, destrói completamente a minha experiência. Eu não consigo ignorar, eu não consigo desculpar, e eu não consigo aproveitar a história apesar disso. Desculpe. A culpa é minha.

Mas aí é que está: eu não deveria ter que ignorar ou desculpar sexismo em livros de fantasia porque isso não deveria estar ali. Uma dúvida genuína para autores de fantasia no mundo: por que vocês conseguem imaginar magos voadores e controle de mentes e criaturas mitológicas e um sistema político completamente original, mas não uma cultura igualitária? Por que a ausência de sexismo sistemático é de alguma forma mais estranho do que pessoas que podem absorver o poder de metais para controlar a mente daqueles que estão ao seu redor? Quando quiserem responder, estarei esperando.”

Isso não deveria acontecer

Isso não deveria acontecer

Talvez essa resenha tenho aberto meus olhos para muito além de Mistborn. Porque isso é um problema sistemático na Alta Fantasia, sobretudo na norte-americana – que é aquela com que tenho mais contato e de fato leio. A Bell me perguntou outro dia se eu lembrava de algum personagem homossexual ou de alguma mulher forte que fosse uma protagonista em um livro de Alta Fantasia e a minha resposta foi: (…) Porque realmente não consigo lembrar. Talvez Loras e Renly, de Guerra dos Tronos, possam ser um exemplo de personagens homossexuais, mas vejam só: nos livros do George R. R. Martin, o relacionamento dos dois não é só estranho para aqueles que estão ao redor dos dois, mas também é velado. O tio Martin tem um jeito todo sutil de lidar com os dois – eles sempre ‘vão para a floresta’, ‘vão ali e já voltam’ – e apesar de o leitor saber exatamente o que está acontecendo, nada é explicitado.

E não me deixe começar a falar sobre personagens lésbicas, porque geralmente elas são representadas de uma forma extremamente pejorativa e machista para saciar os desejos secretos dos leitores de Alta Fantasia. Nesse sentido, talvez a Marion Zimmer Bradley (uma mulher!) tenha se saído melhor ao escrever sobre sexualidade em sua releitura da lenda do Rei Arthur.

Genuinamente não sei nem consigo pensar em nenhuma personagem mulher, ou homossexual, ou um homem negro que consiga se destacar nesse cenário (e se você conhecer algum, por favor me fale!). Lembro de casos isolados (“O Rei Negro”, por exemplo) que são esforços louváveis, mas infelizmente não conseguem se estabelecer como um parâmetro ou um personagem relevante dentro de um cenário repleto de homens brancos e heterossexuais.

E por que estou falando sobre tudo isso? Porque isso gera problemas no mundo real. Sabe, ler sobre monstros e deuses e dragões é sempre muito legal, mas é ainda mais legal quando dialogamos com o personagem, quando nos identificamos com ele. Hoje achei esse vídeo do Wyatt Cenac, comediante americano, e ele discute exatamente isso – meio fazendo piada, meio falando sério: nas audições para o casting de figurantes do filme ‘O Hobbit’, uma mulher indiana foi tentar um papel, e não conseguiu porque era ‘marrom demais para ser um hobbit’. Sim, ela tinha uma pele escura demais para representar um personagem que não existe, dentro de um mundo de dragões e árvores falantes, mas que não consegue conceber que uma pele escura possa se encaixar nos padrões de um hobbit. E por fim ele fala que nunca gostou muito de “O Hobbit” ou de “O Senhor dos Anéis” porque nunca se sentiu representado por aquela história. Não existiam magos negros nem hobbits marrons nos livros, então ele não se interessava.

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Outro exemplo que deve ser citado aqui é o caso da Robin Hobb, autora de Alta Fantasia ao melhor estilo livros-para-garotos, que teve que usar um pseudônimo de gênero neutro, uma vez que ser uma mulher e escrever um estilo altamente consumido por homens seria algo negativo e diminuiria as vendas. Sabe, eu me pergunto até que ponto isso realmente atrapalharia nas vendas, mas depois descubro que nem todo mundo é igual a mim e sim, ainda tem muita gente que não compraria uma história de Alta Fantasia escrita por uma mulher, porque de alguma forma ela não faria uma narrativa tão cheia de sangue e tripas e testosterona, e provavelmente criaria uma narrativa mais “feminina” (seja lá o que diabos isso signifique).

Fato é que a Alta Fantasia – como diversos outros departamentos não só literários, mas de escala social em geral – ainda é dominada pelos homens brancos heterossexuais que escrevem seus livros sobre homens brancos heterossexuais. O cenário está mudando aos poucos, mas acho que nunca é demais deixar a mensagem de que sim, representatividade importa. Não há nenhum problema em um personagem homossexual ser um protagonista. Não há nenhum problema em uma mulher ser uma protagonista. Não há nenhum problema em imaginar um universo onde as mulheres não precisam se preocupar em sair sozinhas à noite porque podem ser estupradas, ou que existam mais mulheres em postos de poder do que homens. A fantasia não precisa ser um reflexo da nossa sociedade. Escritores têm criatividade o bastante para estruturar universos completamente diferentes, mas ainda pecam em criar estruturas sociais que saiam dos parâmetros da nossa.

Por mais que colocar uma Personagem Feminina Forte como protagonista seja bom, não é o bastante. Ler essa resenha de Mistborn e refletir sobre o que eu estava lendo foi um passo importante para que eu percebesse que representatividade não é sobre inserir uma personagem diferente e deixar todas as outras coisas iguais. É sobre discutir os motivos pelos quais todas as coisas são iguais e porque não podem ser diferentes.

Então se você é escritor, pense um pouco antes de fazer sua personagem correr aterrorizada de um monte de homens que estão atrás dela; pense um pouco antes de decidir que o filho do Rei é seu sucessor direto, mesmo que exista uma irmã mais velha; ou que o Rei tenha necessariamente que ser casado com uma Rainha. Esses pequenos detalhes e diferenças em suas histórias repletas de dragões e bolas de magia faz com que as pessoas se sintam representadas nos livros, e consequentemente dão coragem para que elas possam ir por aí e tentar aventuras tão loucas quanto fazer uma jornada continental ou qualquer coisa do tipo.

Sobre o Brandon Sanderson: continuo achando Mistborn empolgante e a escrita dele incrível, mas perdi um pouco da magia, sobretudo depois de ler esse texto dele sobre casamento gay. É, nem tudo são flores.

“Primeiras” impressões: Tomorrow’s Cantabile

7 de novembro de 2014 às 19:50, por

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Nodame Cantabile é um mangá lançado no Japão entre 2001 e 2009 que conta a história de Chiaki, um pianista brilhante que sonha em ser maestro mas se vê preso pelos próprios medos e limitações. A vida de Chiaki vira de cabeça para baixo quando ele conhece Nodame, a sua vizinha excêntrica que é extremamente talentosa, mas não atinge os seus rígidos padrões de exigência. Os dois acabam se tornando colegas de classe e aos poucos Chiaki começa a admirar, volta a amar a música e decide seguir seus sonhos.

Ok, o parágrafo acima não faz jus nenhum à história maravilhosa que é Nodame. A personagem do título é uma cabeça de vento sem nenhum filtro que está mais preocupada em se divertir do que seguir as partituras, enquanto Chiaki é extremamente rigoroso e estuda com afinco todas as partituras que pega porque sonha em ser maestro. Os dois não poderiam ser mais diferentes, e uma das partes mais legais de toda a história é como eles acabam se influenciando. É uma das minhas histórias favoritas e já foi adaptada para três temporadas de anime, um dorama e um filme. Eu só não li o mangá, mas todo o resto vi e indico para qualquer pessoa, independentemente de estar familiarizada com obras japonesas ou não.

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Nodame e Chiaki no Dorama japonês

Então quando anunciaram que haveria uma adaptação coreana da história, todo mundo me marcou nas notícias e compartilhou a animação comigo. Eu não retribui a altura: tenho um pé atrás com doramas coreanos, principalmente adaptações de mangás que gosto. Eu nunca terminei de ver Boys Before Flowers por vários motivos, um deles é como eu achei que os personagens foram descaracterizados ao longo da história. Além disso, se obras japonesas podem ser problemáticas, as coreanas normalmente tem o dobro de problemas, principalmente quando concerne o relacionamento entre homens e mulheres. Dada a natureza de Nodame e a dinâmica do relacionamento entre ela e o Chiaki, eu fiquei com medo do que iria sair da versão coreana e meio receosa de que eles estragassem.

A primeira coisa que fiz quando a série saiu foi ver o primeiro episódio para ver se minhas suspeitas se concretizariam. Eu vi logo o um e o dois de uma vez, comecei a escrever esse post, parei por n motivos e só voltei para esse texto depois de ver cinco episódios.

Esse post resume minhas impressões até agora. Eu vou comprar com o japonês o tempo inteiro, porque acho impossível falar da adaptação sem falar da primeira versão.

Os dois primeiros episódios não me agradaram muito. Tirando o ator que faz o Cha Yoo Jin, a versão coreana do Chiaki, todos os outros me irritaram bastante. A menina que faz a Nae Il, a versão coreana da Nodame, parecia desconfortável no papel e em vez de cabeça-de-vento-sem-noção, ela parecia estar sendo chata de propósito. O maestro Stressman, um dos motivadores do plot nessa primeira parte da história, é bem menos caricato e tem algumas motivações bem diferentes da sua contrapartida japonesa, além de ser deliberadamente imbecil. Alguns personagens pareceram ter sido adicionados sem necessidade, o professor maluco do Cha Yoo Jin é um idiota e houve pouca música. Apesar de todos os problemas citados no parágrafo acima, o Cha Yoo Jin estava tão maravilhoso que eu decidi assistir mais um episódio para ver se melhorava.

 

“Não é verdade” “É verdade sim! Você está com ciúmes!”

Aqui entra um parágrafo para explicar algo para vocês que não estão habituados a k-drama, a j-drama ou a nenhum dos dois. Existem diversas diferenças entre produções coreanas e japonesas e quase todas elas vem do fato que a Coreia faz produções pensando no mercado externo e o Japão, no mercado interno. Além disso, os doramas coreanos tem mais episódios (Tomorrow’s Cantabile terá 20 episódios, contra os 11 do japonês, por exemplo) e os episódios são gravados num intervalo de tempo menor, com uma verba bem maior. Por isso as pessoas dizem que os k-dramas parecem mais “bem feitos” , porque eles realmente o são. Por serem voltados para o mercado externo, também exibem o que há de melhor e mais luxuoso na Coreia. Por exemplo, enquanto na versão japonesa Chiaki e Nodame moram lado a lado num conjunto de apartamentos super pequenos, a versão coreana mostra eles em um apartamento duplex super chique e imenso, o que é bizarro se você pensar que a Nodame praticamente não tem dinheiro.

Essas são as diferenças óbvias, que eu sabia que iriam existir com certeza, mas Tomorrow’s Cantabile me surpreendeu muito e, nos primeiros cinco episódios, contrariou bastante as baixas expectativas que eu tinha. Cha Yoo Jin é muito muito muito mais gentil do que Chiaki e ele trata a Nae Il com uma mistura de afeição e rigidez que é impressionante. Eu não consigo pensar em nenhuma crítica para a sua interpretação: o ator consegue ser dramático, exigente, desesperado e engraçado com uma naturalidade tremenda, como se interpretar Cha Yoo Jin fosse sua segunda natureza. Também ajuda a forma como o roteiro escolhe retratá-lo. O Chiaki da versão japonesa era extremamente grosso em diversos momentos e você ficava entre odiá-lo por aquilo ou tentar compreendê-lo melhor. Cha Yoo Jin nunca é grosso, nunca perde a elegância. Por mais que faça críticas, só levanta a voz quando perde a paciência e dá para ter empatia com ele logo de cara. Nesse aspecto, o dorama está de parabéns.

Cha Yoo Jin em toda sua glória

Quanto aos outros personagens, nos dois primeiros episódios tanto Nae Il quanto Rak (a versão coreana do violinista punk Mine) parecem estar desconfortáveis. Eles ainda não acharam o tom certo dos personagens, ficando irritantes. Mas no terceiro episódios, eles se encontram. Nae Il não chega nem perto da Nodame da versão japonesa, mas fica mais tragável, mais fácil de entender. Ela é impulsiva e faz tudo que pode para ajudar os outros, mas nem sempre com resultados esperados, o que justifica alguns comportamentos meio esquisitos que ela tenha. Rak também me irritou bastante no segundo episódio e uma das minhas cenas favoritas, que é a Nodame brigando com ele dizendo que quando se faz um dueto, tem que prestar atenção na outra pessoa ou é igual a masturbação, foi cortada D: Fiquei super chateada, mas o episódio 3 introduziu uma boa dinâmica entre eles e melhorou a forma como o Rak é apresentado.

A partir do terceiro a história vai tomando fôlego e nós conhecemos vários outros personagens e nos envolvemos em seus dramas e nas suas motivações, o que é muito bom. Mas existem dois pontos que me incomodam muito: o primeiro é o núcleo “dos professores” e o segundo é a quantidade de música exibida. Vamos por partes, como Jack, o estripador.

Apenas inserindo essa imagem pq OLHA A CARA DO CHA YOO JIN, AHAHAH

Primeiro, o “núcleo dos professores”. Na versão japonesa eles existem, mas são bem coadjuvantes. Na coreana, não tanto. É normal que por ter mais episódios, os doramas coreanos tenham vários núcleos, como as nossas novelas, e geralmente não me importo com eles, mas em Nodame é irritante. Por vários fatores: seja por inserir uma mãe que mal existia na versão japonesa, seja por tentar fazer todo mundo odiar Cha Yoo Jin por n motivos, seja por adicionar drama desnecessário em toda a história. Stressman é um dos meus personagens favoritos na versão japonesa e ele está tão descaracterizado na versão coreana que virou um dos que mais odeio. O professor de Cha Yoo Jin é um invejoso idiota que quer destruir o cara, o que não faz absolutamente nenhum sentido já que QUEM É CHA YOO JIN PARA ESSE HOMEM? ME DIZ? ME EXPLICA POR QUE VOCÊ TÁ PEGANDO NO PÉ DE UM ALUNO MIL ANOS MAIS NOVO QUE NÃO FEZ NADA PRA VOCÊ A NÃO SER NÃO QUERER SEGUIR SEUS PLANOS??????????

POR QUE EU???????? Alternativamente: LARGUEM DO PÉ DO CHA YOO JIN!!!!!!!

Enfim, vamos para a segunda reclamação: a versão japonesa tinha música saindo de todo lugar. Grande parte do desenvolvimento emocional e de personagens, grande parte das epifanias que os personagens tinham eram enquanto estavam tocando ou ouvindo outras pessoas tocarem. Falta isso nessa versão coreana. Mesmo as cenas que usam a música como recurso de descoberta pessoal são fracas e não tem o mesmo impacto que as japonesas. E, no final, Nodame é sobre amor a música, sobre como não adianta técnica e talento se não há paixão. Espero que melhorem nos próximos episódios porque ouvir o Piano Concerto 2 de Rachmaninoff sem emoção vai me deixar muito irritada.

No final, vou continuar assistindo porque está cada vez melhor e não parece dar sinais de que vai escorregar no mesmo lugar onde outros doramas escorregam. Espero genuinamente que o dorama mantenha o seu clima leve e descontraído e aborde os dramas futuros de forma engraçada e tocante, da mesma forma que a versão japonesa. Recomendo muito para quem gosta da história ou para quem prefere doramas coreanos a japoneses!

Nae Il diz: ME ASSISTAM! (Também diz: POR FAVOR DESENVOLVAM MAIS MEU PERSONAGEM, É MEU NOME NO TÍTULO)

E, para você que não conhece a história, não importa onde, VÁ ASSISTIR/LER NODAME!!!!!!

A propósito, vocês podem ver Tomorrow Cantabile de graça e de forma inteiramente legal lá  no Drama Fever!

Interrompemos nossa programação normal para anunciar que: MEU DEUS DO CÉU, DESVENTURAS EM SÉRIE NO NETFLIX!!!!!!!!!!!!!!!!!!

6 de novembro de 2014 às 20:25, por

Ontem eu descobri que não existem sonhos impossíveis. Que tudo tem seu tempo, é só a gente ter paciência. Que milagres acontecem. Que em meio a tanta violência, e ódio e desigualdade, ainda há esperança para um mundo melhor.

Ontem eu descobri que Netflix vai produzir uma adaptação de Desventuras em Séries e que Daniel Handler (representante legal do Lemony Snicket) terá envolvimento nisso.

Vamos juntos, delicadamente, passar pelos Cinco Estágios De Aceitação De Uma Notícia Boa Demais Para Ser Verdade.

1) Choque.

O QUE? NÃO. CALMA. HÃ??? TIPO, REPETE??? CALA A BOCA. NÃO. CALMA. HA. HA. COMO ASSIM??? CALMA. HÃÃ??????

O QUE? NÃO. CALMA. HÃ??? TIPO, REPETE??? CALA A BOCA. NÃO. CALMA. HA. HA. COMO ASSIM??? CALMA. HÃÃ??????

2) Suspeita.

NAAAAAAH, deve ser rumor. haha, tipo, cê acha mesmo? claro que não... deve ter alguma pegadinha. Tem algo errado aí...

NAAAAAAH, deve ser rumor. haha, tipo, cê acha mesmo? claro que não… deve ter alguma pegadinha. Tem algo errado aí…

3) Perca de Controle dos Seus Membros

É OFICIAL? MAS UEGHIDUHIAUGHDIGUH???? E IAUSDGABFDKAJFADKFN?? JAKLHFKJAKLFUHDAILGUDHAIUGIUER???? RESPIRAR?????????????????

É OFICIAL? MAS UEGHIDUHIAUGHDIGUH???? E IAUSDGABFDKAJFADKFN?? JAKLHFKJAKLFUHDAILGUDHAIUGIUER???? RESPIRAR?????????????????

4) Violência

EU SOU EMOCIONALMENTE CONSTIPADA E A ÚNICA FORMA QUE SEI LIDAR COM ESSES SENTIMENTOS É QUEBRANDO COISAS.

EU SOU EMOCIONALMENTE CONSTIPADA E A ÚNICA FORMA QUE SEI LIDAR COM ESSES SENTIMENTOS É QUEBRANDO COISAS.

5) Aceitação

Cool, legal, estou incrivelmente empolgada com essa notícia, mas como o ser maduro e descolado que sou, estou total nonchalant e essas coisas. Um dúvida suuuper casual: isso significa esperanças pra um filme de The Basic Eight? Estou perguntando rpa uma amiga...

Cool, legal, estou incrivelmente empolgada com essa notícia, mas como o ser maduro e descolado que sou, estou total nonchalant e essas coisas. Um dúvida suuuper casual: isso significa esperanças pra um filme de The Basic Eight? Estou perguntando pra uma amiga…

OK. Então agora que tiramos isso do nosso sistema, vamos falar de: EXPECTATIVAS!

Eu nunca fui muito de dream cast porque eu sou péssima em IMAGINAR pessoas. Único genuíno dream cast que tive na vida, acho, foi Cristina Ricci de 1999 como Flannery Culp de The Basic Eight. Meio que tarde demais para isso.

Mas no geral, eu tenho certas expectativas para o formato. Netflix já é meio que especialista em fazer temporadas de 13 episódios, o que, na minha opinião, é excelente. Eu nunca fui muito fã de episódios fillers. Mas com Desventuras em Série, a gente tem que parar e pensar um pouco.

Será que eles querem investir na série como uma mini-série (apenas 13 episódios e aí acabou-se pra sempre) ou uma série mesmo, que volta com mais temporadas e etc? Porque eu acho que uma mini-série é mais… plausível, levando em consideração que os protagonistas são crianças (uma delas: um bebê) e quando elas crianças é muito mais aparente do que adultos e etc. PORÉM, imagino que existem formas de driblar isso, seja no roteiro, ou com maquiagem, ou sei lá.

Mas se eles forem mesmo investir em apenas uma temporada com 13 episódios, é OK, porque a série tem 13 livros e cada um é bem curtinho, acho que seria ok colocar um em cada episódio. PORÉM!!! Cada livro é meio que particular em questões de acontecimentos. Mais pro começo eles são mais calmos e tal, os órfãos vivendo com os tutores, Conde Olaf aparecendo, burrice de adultos aqui, esperteza das crianças ali. Coisa simples de adaptar em um episódio de série. Mas da metade em diante, o mistério se aprofunda mais, e mais personagens aparecem, e mais coisas acontecem, e mais ação e não sei mais o que!

Daí é mais difícil imaginar um só episódio contendo tudo isso.

Mas a BOA NOTÍCIA é que a mulher que se interessou em produzir a série tem um relacionamento direto com o Handler, então eles podem trabalhar juntos nas formas de adaptar. E TUDO COMEÇA COM: A ESCOLHA DO DIRETOR.

Well, eu não conheço tantos nomes de diretores assim, mas tenho dois favoritos: Wes Anderson e Edgar Wright. Mas esse sonho já tá bom demais, e ficar desejando que algum deles faça parte da produção parece quase errado, como se eu estivesse sendo mimada ou sei lá. Seria legal se de alguma forma os caminhos do Daniel Handler e do Bryan Fuller se cruzassem e eles trabalhassem juntos nisso. Mas pouco provável.

Uma coisa que eu desejo MUITO MESMO é que a voz do Lemony Snicket seja a voz do Daniel Handler. Acho que eu aceito qualquer merda, contanto que esse pequeno presente seja dado para mim.

Por enquanto… é isso! Vamos agora aguardar mais notícias! E leiam Desventuras em Série! E leiam Só Perguntas Erradas! E leiam os outros livros do Daniel Handler! Em Fevereiro de 2015 nós teremos, finalmente, We Are Pirates!

É notícia boa pra todo canto. VAMOS CANTAR!

A Bela e a Fera: Uma ode ao amor pelo conto de fadas

5 de novembro de 2014 às 19:30, por

Não me lembro de ter um conto de fadas que eu goste mais do que A Bela e a Fera. Sim, é culpa da Disney, por ter adaptado o conto de fadas francês pras telas de cinema quando eu não passava de uma pirralha. Se eu for parar para elencar tudo aquilo que eu amo nesse filme eu ia gastar páginas e mais páginas. Acho que o principal motivo é a temática sobre beleza e sobre como ela não deve nos definir ou limitar. Todos nós já passamos por momentos de insegurança com relação à aparência, então eu suponho que este tema é universal. Bem, foi ai que eu aprendi que eu podia amar livros e ainda ser uma princesa (mesmo que a segunda parte esteja se mostrando mais trabalhosa do que me fizeram acreditar).

Ao longo dos anos, fui me afeiçoando a histórias que me remetessem a este conto de fadas em algum nível, de Fantasma da Ópera a histórias suspeitas sobre vampiros e mocinhas boazinhas e bonitas, e não me arrependo de nada. A Bela e a Fera, em grande parte ajudou a formar um pouco da pessoa que eu sou hoje e me fez crescer com a convicção de que minha aparência só vai me limitar se eu permitir isso.

Apesar do meu amor por essa história e da minha busca incessante por adaptações que me marcassem tanto quanto àquela feita pela Disney, até hoje, no auge dos meus vinte e poucos anos, eu ainda não tinha encontrado uma que ao menos passasse perto disso.

Foi só no fim do ano passado que li os primeiros rumores de uma adaptação cinematográfica francesa, com Léa Seydoux e Vicent Cassel nos papeis principais. Confesso que a princípio minhas expectativas não eram tão grandes. Tinha lá minhas desconfianças a respeito do quão preparado o cinema francês estava para produzir um filme com tanta computação gráfica e opulência quando seu forte é, e sempre foi, os dramas intimistas, que raramente chegam ao grande público.

Assisti ao primeiro trailer de La belle et la bête e senti um frio na barriga. Pairou no ar a pergunta: Será que agora vai?

Desde o lançamento do filme na França, no início deste ano, percorri tudo que é site obscuro procurando o filme pra baixar, ou assistir em streaming, mas só consegui o raio do filme no meio da Copa. Eu sei, eu sei…Direitos Autorais e tudo mais (juro que vou no cinema assistir quando lançar e compro o DVD). Também bateu a dúvida: Fera ou David Luís? Como decidir? Bem, vi os dois então minha consciência está limpa.

Bem…O que eu posso dizer a respeito deste filme? Não. Não é uma cópia da versão Disney. Na verdade a adaptação tem por base o texto original, em que Bela tem mais duas irmãs e seu pai era um comerciante que ficou pobre após perder seus navios em uma tempestade. Não tem um Lumiere ou uma Madame Samovar, nem as músicas clássicas que eu tanto amo, mas…Eu não podia ter ficado mais feliz com este filme.

Apesar da história original não nos ser tão familiar quanto à versão animada, a narrativa foi desenvolvida com muito cuidado, tendo a preocupação de fechar os buracos deixados pela história original, o que era necessário pra justificar quase duas horas de filme. Por exemplo, não há uma explicação no conto francês sobre o porque da Fera ser amaldiçoada. Existem outras lacunas que eu poderia citar, mas isso estragaria a surpresa.

Sinto que todos os personagens foram tratados com carinho e aqui uma menção especial à família da Bela, que apesar de numerosa, tem relevância na história e serve pra você entender quem é a personagem principal e o que a motiva. Mesmo às irmãs (que em tese deveriam ser pessoas antipáticas), conseguiram ganhar a minha simpatia.

Outro ponto que me agradou tremendamente foi como a Fera foi desenvolvida. Mesmo no filme da Disney, o passado da Fera era pouco explorado, sendo que tudo aquilo que se sabia a respeito daquele príncipe amaldiçoado era contado através dos servos do castelo e geralmente se limitavam ao temperamento dele. Nessa versão vemos o passado do príncipe ser mostrado ao longo da trama.

Tanto o desenvolvimento da Fera, quanto o da família da Bela, me levam a crer que houve uma mudança no cerne da temática da história. O ponto não é mais o que é a verdadeira beleza (interior ou exterior) e sim a vaidade.

A vaidade de um homem e sua família que fogem de sua cidade por não aguentar a humilhação da falência. A vaidade de um príncipe que tinha tudo, mas precisava provar algo mais. A vaidade atrelada à ganância e como isso cega o ser humano, mesmo diante das coisas verdadeiramente belas como o amor, ou uma rosa vermelha. Bela surge em oposição a tudo isso uma vez que, apesar da indiscutível beleza (da qual ela é consciente), é modesta, esforçada e altruísta ao ponto de se sacrificar por sua família.

Essa mudança providencial de temática deu à história um tom mais maduro. Não que este filme não vá agradar ao público infantil, mas eu senti que este filme dialogou muito bem tanto com a Bee de quatro anos, quanto com a Bee de vinte e quatro, de modo que eu me senti inteiramente respeitada na minha paixão por esta história. Acho que é mais ou menos o que a Trash descreveu quando estava indicando o livro Cruel Beauty. Fazia tempo que eu não me sentia tão compreendida. Essa é a história que eu sempre quis ver (tirando as versões rated M, envolvendo Richard Madden no papel de Fera, mas isso é meu lado B que escreveu fic’s de mais nessa vida falando).

Falando em lado B…Pode ser que eu tenha visto coisas demais nesse filme, mas me corrijam se eu estiver errada ao dizer que houve uma sensualidade friamente calculada e empregada para agradar a um público mais velho. Ainda é um filme pra família, mas nudez…Sério isso? A cena no gelo…Tornozelo a mostra. Como eu disse, só acho que teve e imagino que tipo de classificação esse filme ira receber nos EUA (isso se não houver cortes para adequar ao público de lá).

Outra coisa pra qual eu tenho que tirar o chapéu é pro aspecto visual do filme, com uma menção honrosa ao figurino. MINHA NOSSA SENHORA DE MAISON CHANEL, que figurino perfeito! MEU SAINT LAURENT, dai-me todos aqueles vestidos! E não vamos nos esquecer da aparência da Fera, que é uma das melhores versões já feitas (e eu nem vou dizer que foi obviamente inspirada na da Disney).

Falando em Disney (como se eu tivesse feito outra coisa além disso, até agora), houveram algumas conexões, ou ao menos alusões à versão animada em pontos do filme, o que me deixou muito feliz.

Li algumas críticas bem duras ao filme, principalmente por não apresentar nada que fosse realmente novo à trama. Nenhuma adaptação no sentido de trazer os personagens para um contexto atual. Sinceramente, dou graças a Deus que não fizeram isso. A indústria do cinema e televisão tenta há anos fazer isso e cada resultado é pior do que o anterior. Faz pouco tempo que lançaram A Fera (aquele filme suspeito com a Vanessa Hudgens), tem aquela série com a eterna Lana Lang como protagonista (que eu nem me dei ao trabalho de ver) e não podemos esquecer de Once Upon a Time, que apesar de ter deixado o casal interessante, só realmente chamou minha atenção por causa da xícara lascada.

Esse filme me agradou tanto justamente por sua fidelidade ao conto de fadas original. Isso me faz lembrar Deathless e a coisa de você se tornar imortal à medida que sua história é repetida e se a história é alterada, ela deixa de ser a sua história. Sinceramente, eu não me importaria de ver a história readaptada pra uma centena de cenários diferentes, se ao menos houvesse um cuidado em seu desenvolvimento e conseguisse me encantar como a versão de 91. O desafio está lançado. Vamos ver se algum dia alguém o vence. Espero que sim.

Moral da história: A beleza está…Em todo canto desse filme! E se eu fosse você, eu já estaria caçando um jeito de assistir isso o mais rápido possível.

Pode até não ser um filme perfeito em questões técnicas, mas se você, assim como eu, ama essa história, totalmente vale a pena.

Nota: Cinco rosas vermelhas 

Perdido em Marte, de Andy Weir

4 de novembro de 2014 às 17:21, por

Editora Arqueiro

Lançamento: Outubro/2014

336 páginas

Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um senso de humor inabalável –, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.

Mark já começa o livro com uma declaração simples e direta: “Estou ferrado”. Embora ela talvez seja um pouco mais “forte” na língua original do livro, dá pra perceber que o astronauta não se contém ao explicar sua situação na superfície do planeta vermelho.

O Mark é, em resumo, um babaca. Mas um babaca muito inteligente. E, olha, só assim pra conseguir sair das situações em que Marte o coloca diariamente. Quando não é o planeta que tenta matá-lo, é algum pedaço da nave onde ele vive ou dos trajes e veículos espaciais. Teve um comentário na divulgação do livro que dizia que ele era “o MacGyver no espaço”. Eu vou além, acho que é um Velocidade Máxima misturado com MacGyver. É incrível como tudo o que pode dar errado, dá. Não sei o que ele fez pra irritar Murphy, mas foi alguma coisa muito séria.

Ok, ok, não é tão absurdo assim.

O livro é dividido entre os diários de bordo de Mark, a equipe da NASA aqui na Terra e os companheiros de missão de Mark ainda no espaço. As entradas do diário de bordo são as melhores coisas do livro, que contam com o bom-humor de Mark ao narrar os acontecimentos do dia. São trechos que vão de “Ótimo! Vai dar tudo certo” em um dia para “Merda, eu vou morrer. Eu vou morrer!” e que não tem uma característica só técnica e informativa de relatórios de missão.

Esse tipo de anotação altamente científica também está nos diários de bordo.

Esse tipo de anotação altamente científica também está nos diários de bordo.

Ao mesmo tempo, o livro tem enormes descrições técnicas do que Mark está fazendo pra viver mais um pouco a cada dia, e isso pode chatear as pessoas que não gostem de ciência ou que não consigam passar rapidamente por essas partes, porque mesmo que elas sendo bastante técnicas (como transformar água em hidrogênio separando os componentes, por exemplo), Mark consegue deixá-las acessíveis e inclui nelas também o seu bom-humor.

Marte diz: Vamos deixar uma coisa bem clara, nós não somos amigos.

Talvez se você encarar “Perdido em Marte” como uma ficção científica séria, você não o aproveite tanto. Ficar pensando em como uma pessoa sozinha em Marte não entraria em desespero, como ela conseguiria fazer piadas e pensar em tantas coisas tão rápido acaba tirando um pouco da graça do livro, que é aproveitar a jornada mesmo. Afinal, ninguém vê MacGyver ou Velocidade Máxima pra implicar com os detalhes técnicos improváveis que eles usam para escapar de situações absurdas, né?

Resumindo, é um ótimo livro de ficção científica para quem não é leitor de ficção científica e quer entrar nesse mundo, ou pra quem só quer uma leitura bem-humorada mesmo.

Classificação: quatro batatas e meio litro de água.

Esse exemplar foi fornecido pela Editora Arqueiro em troca de uma resenha honesta.