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O Cidadão Incomum, de Pedro Ivo

15203226_1206987516061091_2006007959383776375_nEra pra ser uma noite comum na vida de Caliel quando ele descobre que pode voar. Não há respostas, e as perguntas de sempre deixam de fazer sentido. Em velocidade estendida, perto da Lua, ele contempla a cidade que se move em três dimensões. Seu corpo, no entanto, flutua à revelia do tempo – ao menos, de como o conhecemos.

As cores estão diferentes. O clima. O cheiro. Criaturas rastejam pelas sombras do centro da cidade. O sangue circula em câmera lenta pelas veias de Caliel, mas não se trata apenas de poderes e transformações físicas, não, isso seria simplificar essa história. É preciso olhar mais de perto, para o lado de dentro, onde se constrói um homem. Só assim é possível ouvir a dor e a angústia de Caliel em seus passos quebrados pela metrópole. Continue lendo O Cidadão Incomum, de Pedro Ivo

X-Men Apocalipse e a maldição do terceiro filme

Se existiu um desenho de super-heróis, nos anos 90, que fazia a cabeça da galera, um deles, na certa, era o da turma liderada pelo Professor Xavier. Inclusive, uma quantidade gigantesca de fãs, ao redor do mundo, vivia-se perguntando quando os heróis finalmente atingiriam outros espaços. Como exemplo, o cinema.

Lá pelo inicio dos anos 2000, o diretor Bryan Singer foi um dos responsáveis em lutar para levar os mutantes, mais adorados do universo, para as telas. E tal atitude foi muito bem recebida. Aliás, X-Men (2000) e sua sequência, X-Men 2, de 2003, trouxeram força e eloquência, segundo grande parte dos críticos, tanto como obra audiovisual quanto verossimilidade com as HQ’s, contudo, com o afastamento de Singer do projeto (para fazer um longa bem suspeito do idolatrado homem de aço), o terceiro filme da série não conseguiu ter o mesmo efeito de seus antecessores. Pelo contrário, foi e é visto como um dos piores heroflicks até hoje.

Em 2011, Singer retornou a base sólida do projeto ‘X-men’ (haters gonna hate) e escreveu o roteiro do notável ‘X-Men: Primeira Classe‘. Já em 2014, assumiu a direção de ‘X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido‘ e este ano conduz novamente a trupe em: ‘X-Men Apocalipse‘.

Nesta nova empreitada, o roteiro é de Simon Kinberg e leva os mutantes a conhecer um de seus ancestrais. O poderoso e ambicioso En Sabah Nur (aka Apocalipse) que é interpretado pelo ator Oscar Isaacs (Star Wars: O Despertar da Força). Apoxmen-apocalypsecalipse, na verdade, retorna  de seu sono da beleza com planos de mergulhar o mundo em uma guerra sem fim para garantir a supremacia de sua ‘raça’ e a manutenção de seu poder. Para tanto, ele escala um time potente de mutantes, os chamados ‘Quatro Cavaleiros’, entre eles: Ororo Munroe/Tempestade(Shipp), Magneto (Fassbender), Psylocke (Munn) e Angel (Hardy). A treta se eleva (ainda mais) quando Nunuzinho poderosão, opis, En Sabah Nur, tem conhecimento dos poderes psico-fo&&& de Xavier e de seu super projeto com Hank MacCoy, intitulado de ‘Cérebro’.

À parte a isto, os alunos de Xavier, Jean Grey (Turner), Scott Summers/Ciclope ( Sheridan), Hank MacCoy/Fera (Hoult) se juntam a Peter Maximoff/Mercúrio (Peters), Mistica (Lawrence), Noturno (Kodi Smit-Mcphee) e a agente da SIA Moira Mactaggert (Byrne) para tentar apaziguar os ares e trazer Xavier de volta, já que Nunuzinho o rapta, pois acredita que os talentos do professor estão sendo mal aproveitados.

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Menos SuperAmigos, mais Guerra Civil: “Broken” de Susan Jane Bigelow

Broken_final-coverEm um futuro pós-guerra, no qual já se fez contato com vida inteligente extraterrestre e os humanos estão colonizando as estrelas, as nações da Terra se uniram sob um governo central. Os Extra-humanos, que possuem habilidades sobrenaturais, como voo e super força, são obrigados por esse governo a pertencer à União, onde podem ser treinados, monitorados e onde são transformados em armas.

Michael Forward foi amaldiçoado com a habilidade de ver o futuro – todas os futuros possíveis – quando encara os olhos de outra pessoa. Tudo o que ele queria era escapar do destino sombrio que enxerga quando se olha no espelho, mas quando uma missão que definirá o destino da humanidade lhe é dada, Michael descobre que não consegue recusá-la. Agora ele precisará da ajuda de uma ex-super-heroína desabrigada para salvar um bebê que pode se tornar a peça chave para a liberdade da raça humana.

Broken supôs que não fosse mais se envolver com assuntos heroicos quando perdeu a habilidade de voar e escapou do confinamento da União Extra-humana. Mas então o mundo começa a desmoronar ao seu redor e um profeta adolescente desesperado carregando um bebê entra em sua vida, oferecendo a ela a possibilidade de redenção e uma chance de voar novamente.

Em uma época cada vez mais sombria, na qual a paranoia e a opressão reinam, poderão esses aliados improváveis preservar o pequeno raio de esperança de um futuro melhor e mais brilhante?

Era uma vez no twitter uma blogueira que fez uma review maravilhosa de The Summer Prince em 2013 que o pessoal do NUPE descobriu que era uma brasileira vivendo no UK. A partir daí as Book Smugglers sempre estiveram no nosso radar. Em 2014 elas começaram a publicar livros (primeiro de não ficção) e no início do ano passado eu peguei pra ler o Speculative Fiction 2014 que compilava os melhores artigos relacionados ao mundo de fantasia e ficção científica na internet daquele ano. Adorei e do meio do ano passado pra cá comecei a interagir mais com a Ana no twitter. Daí ela veio pro Brasil, a gente se encontrou e foi super legal! Alguns dias depois, chegou na minha caixa um convite pra participar da blog tour de lançamento de Broken, o primeiro livro em formato de romance que ela e a Thea publicariam pelo selo editorial do blog, que já tinha vários projetos legais publicados. Óbvio que topei antes mesmo de saber qualquer coisa do livro além de que era sobre super-heróis. E olha, ainda bem que topei, porque ler Broken foi uma experiência maravilhosa.

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Fazia tempo que eu não lia algo sobre super-heróis, seja usando esses termos mesmo, seja sobre adolescentes com habilidades especiais, e tinha me esquecido de quão visual um livro desses pode ser. Em vários momentos a narrativa era tão certeira que eu conseguia enxergar até o jogo de câmera da possível adaptação pra TV ou cinema (ainda não me decidi qual formato prefiro).

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