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Agora e Para sempre, Lara Jean – Jenny Han

Não sei se vocês lembram, mas em outubro do ano passado, logo quando voltei do intercâmbio, postei que, depois de ficar mais de um ano sem conseguir ler nada, eu devorei os 2 livros da trilogia Para Todos os Garotos que já Amei, da Jenny Han, em um final de semana.

Como eu disse lá no post, tava com MUITO medo do que seria feito no último livro e como ela lidaria com o final. Eu tenho MUITO medo de finais. Muitas pessoas não sabem fazer finais e acabam fazendo algo muito perfeito ou algo muito desastroso só para ~chocar~.  Esta semana saiu o último livro e, sem spoilers, sobre esse livro, eu posso dizer: final perfeito.

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Uma Viagem Extraordinária (mesmo!)

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Sabe quando você assiste um filme tão, mas tão fofo e bonito e interessante que você quer sair recomendando pra todo mundo? Pois é. Isso aconteceu. Hoje, para ser mais preciso, exatamente às 9:30h da manhã, quando eu ainda estava preparando meu café e decidindo como procrastinar nesse dia que me dei de folga. Estava passando pelos canais e vi que ‘Uma Viagem Extraordinária’ (L’Extravagant Voyage du jeune et prodigieux T. S. Spivet, 2013) iria começar. Eu já tinha ouvido falar daquele filme, visto o trailer e tinha uma leve curiosidade de saber onde aquela história iria me levar.

Só não sabia que seria tão bom.

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Semana Esther: A Estrela que nunca vai se apagar + Promoção!

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Eu preciso ser honesta com vocês, leitores. Eu não queria ler A estrela que nunca vai se apagar. Só de ver os vídeos do canal da Esther ou entrar no seu twitter, sentia um vazio no coração e ARGH NÃO, NÃO IA LER ESSE LIVRO. Só que quando a Intrinseca sugeriu que nós organizássemos essa semana, eu me preparei psicologicamente para ler o livro e… juro, não me arrependi.

CAPA-A-Estrela-que-nunca-vai-se-apagarUma parte dos meus sentimentos ao ler o livro estiveram no post de ontem, do início da semana. Foi uma mistura de sentimentos maluca, porque ao mesmo tempo em que meu coração doía, eu sentia raiva e ria e me identificava com tanta coisa mundana da vida da Esther, sabe? O relacionamento com a família, com os amigos da internet, o amor por Doctor Who e Harry Potter… Nós seríamos ótimas amigas, se houvesse a oportunidade.

O que eu gostei do livro é que ele não é só o diário da Esther, sabe? Ele entrelaça relatos dos pais, dos amigos e de pessoas a quem ela inspirou (como o John Green e o Andrew Slack, da Harry Potter Alliance) com o que a garota escreveu. Isso dá mais profundidade e explica um pouco o que Esther não diz em seus diários. As entradas dos pais dela no site Caringbridge são bem explicativas do processo e do tratamento pelo qual Esther passa, enquanto o diário dela é bem mais emocional. Tem algumas passagens que conseguem ser tocantes e engraçadas ao mesmo tempo, como a lista que ela faz das coisas que mais agradece e incluem seus gatos e máquinas de oxigênio!

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Capitães da Areia, Jorge Amado

Aviso: pode conter spoilers leves

“Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora são alguns dos integrantes do Capitães da Areia. Um grupo de jovens miseráveis que mora nas ruas e rouba para sobreviver. São perseguidos pela polícia e temidos pela burguesia, enquanto tentam sobreviver numa Salvador pobre dos anos 30”

***

FELIZ SETE DE SETEMBRO! [OBS: na verdade, 8 de setembro. Eu demorei mais que o esperado com esse post.] [OBS2: Esse post era para ser parte integrante do Especial Nacional!]
Para comemorar essa data tão especial para o nosso país, eu decidi publicar uma resenha de um dos meus escritores favoritos de todos os tempos (e brasileiro): O Jorge Amado!

Um pouco de nacionalismo é sempre bom, não? Em geral, nós estamos tão acostumados a consumir cultura de outros países (especialmente dos Estados Unidos) que acabamos esquecendo das coisas que o próprio Brasil produz. Não há nada de errado em gostar do que é produzido no exterior, mas eu acho que se a gente desse mais atenção à produção nacional, coisas melhores seriam produzidas. Por exemplo, acho que depois do sucesso comercial de autores como o Eduardo Spohr e a Thalita Rebouças, muitos autores foram incentivados a escrever ficção por aqui. Virar um best-seller é finalmente um sonho que pode virar realidade para um autor brasileiro contemporâneo, e eu acho isso incrível.

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Resenha: Os Gêmeos, de Pauline Alphen

Ano: 2011
Língua: Português
Autora: Pauline Alphen
Páginas: 368
Tradução: Dorothée de Bruchard
Editora: Cia. das Letras
Preço: R$29,90 a 39,90

“Estamos no Séc. XXIII, em um mundo de práticas quase medievais: o escambo impera e não há o menos sinal da tecnologia que conhecemos nos dias de hoje. Por que esse retrocesso? Os irmãos não conhecem a história da humanidade, assim como não sabem por que a mãe desapareceu, e estão em busca de respostas.
Algumas delas estão escondidas em um jogo proibido que com suas peças de cerâmica, o tabuleiro em forma de labirinto e o baralho ilustrado vai transformar a vida dos gêmeos e de toda Salicanda – um lugar onde ninguém quer se lembrar do passado.” 

***

Eu adoraria ter gostado mais desse livro, sério mesmo. Eu estava com expectativas muito altas por causa do vídeo gracinha que a Cia. das Letras fez comentando sobre ele, e também porque a autora disse que só escreve livros com protagonistas femininas, porque em geral os protagonistas desas histórias são homens ou garotos.

Pode não parecer, mas eu sempre fico de coração partido quando eu faço uma resenha negativa de algum livro. Ainda mais quando eu estava cheia de expectativas, como eu estava com esse livro. A história não é ruim, simplesmente não funcionou comigo. Foi uma situação similar com a que aconteceu comigo enquanto eu lia Rampant, da Diana Peterfreund. Não é ruim, mas eu nem consegui terminar.

Desde o começo do livro, essa preocupação com frisar que garotas são tão capazes quanto os garotos é evidente, o que, na minha opinião, é muito louvável. Ponto para a autora. A história também é interessante, ela se passa no Séc. XXIII, depois de uma catástrofe que fez a humanidade retroceder em tecnologia até chegar em um nível quase medieval. No meio de tudo isso, existem os protagonistas, dois gêmeos, um menino e uma menina, com personalidades completamente distintas. A garota, Claris, é impulsiva, já o garoto, Jad,  nem tanto. Claris gosta de lutar esgrima, correr e coisas do estilo, já Jad é mais caseiro, também porque tem um problema de saúde no coração. Eles são órfãos de mãe, que sumiu quando eles tinham três anos, numa tempestade, e a maior parte do livro é movida pelas visões que o Jad tem da mãe. É um clichê, mas foi bem utilizado na história.

Um negócio que eu não realmente não gostei é que a história começa muito lenta, só começa a se desenvolver lá para a página 200, e o livro ao todo tem apenas 355 páginas. É muita informação para um livro muito pequeno, na minha opinião. Com o universo ótimo que a autora criou, daria para escrever um livro de umas 500 páginas. Outra coisa que me desagradou: vários personagens com nomes estranhos, e nos diálogos geralmente faltam marcadores dizendo quem é quem. E isso porque eu sou VICIADA em fantasia, e eu não tenho problema nenhum como nomes pouco usuais, desde que esteja bem claro quem é quem. Imagino que seja por isso que a autora colocou uma página explicando todos os personagens, por ordem de aparição. Eu precisei recorrer à essa lista VÁRIAS vezes, porque eu ficava me perdendo.
Outra coisa: não fiquei fã da linguagem coloquial e informal que a autora usa, principalmente nos diálogos. Tudo bem, o livro foi escrito em francês, mas ela ajudou na tradução (pra quem não sabe, ela é brasileira, mas mora na frança). O que mais me incomodou foi o uso dos artigos na hora de ser referir aos personagens nos diálogos. Coisas
tipo a “os poderes da Claris” ou “os poderes do Jad” ao invés dos “os poderes de Claris” e “os poderes de Jad” eram comuns, assim como “Eben se virou em direção ao Blaise” ao invés de “Eben se virou em direção a Blaise”. Não está errado e é o jeito que nós falamos, mas é tão pouco comum nos livros que eu estranhei. Acho que esse tipo de linguagem é rara nos livros porque a maior parte dos livros são traduzidos do inglês, onde não há esse tipo de diferenciação. Não é algo que estrague o livro, mas isso definitivamente diminuiu o clima pra mim. O último problema em relação à linguagem do livro foi a falta de quebra e descrição entre os diálogos, mais ou menos o que aconteceu com Atlas Esmeralda. Os diálogos eram [diálogo completamente fictício]:

“- O que esse anel faz? – Claris perguntou ao Blaise
– Esse é um mistério que você terá que descobrir sozinha.
– Ooh, eu irei descobrir! E blábláblá
– Blábláblá”

Enquanto, na minha opinião, mais pausas durante os diálogos tornariam a narrativa mais profunda, tipo:

“- O que esse anel faz? – Claris perguntou a Blaise .
Ele franziu os olhos sábios, o que lhe dava um ar ainda mais oriental em conjunto com a sua barba de mandarim.
– Esse é um mistério que você terá de descobrir sozinha. – respondeu ele solenemente, como uma profecia concreta que não poderia ser modificada.
Então, Claris arregalou os olhos azuis, mas se manteve desafiadora como sempre.
– Ooh, eu irei descobrir! E blábláblá
– Blábláblá – retrucou ele.”

Tipo, isso é completamente pessoal, tem gente que até prefere os diálogos mais diretos. Mas foram esses detalhes que fizeram o livro não funcionar pra mim.  Os personagens também não me cativaram por completo, a Claris é interessante, mas até um certo momento, ela parece muito preto no branco, sem muitas características além do arquétipo de “garota impulsiva que quer ser melhor do que os garotos”. Ela cresce pra caramba no decorrer do livro, e se torna bem mais que isso, assim como o Jad se torna mais do que “o garoto doente anti-social”. Já os coadjuvantes não me convenceram muito. Eu não gostei do Blaise, por algum motivo, e olha que eu gosto desses personagens  que são  “mentores  sábios”. O Bahir e a Maya me conquistaram um pouco também, por terem uma relação tão bonita.

Foi basicamente isso. Não tão bom quanto eu esperava, mas ainda sim é bom. Não funcionou comigo, mas pode funcionar com outras pessoas.

 

Classificação:  três jogos mágicos de tabuleiro

 Esse livro foi um oferecimento da Cia. das Letras.

Escrever livros é um tipo de magia, também: Inkheart, de Cornelia Funke

Pode conter spoilers. Lido em inglês, a sinopse do livro é a da edição em português porque ela é melhor do que a da edição em inglês e estou com preguiça de fazer uma nova.

“Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante 


É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite
noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

 fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado “Coração De Tinta”. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer 

de “Coração De Tinta” um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.”

***

Eu acabei fazendo o caminho inverso de todo mundo. Geralmente as pessoas lêem Coração de Tinta antes e depois lêem A Maldição da Pedra, e outros da Cornelia Funke. Na verdade, minha história com ela começou há algum tempo, na sexta série, quando eu peguei o Senhor dos Ladrões na biblioteca da escola, mas eu não tive tempo para ler (nunca funcionei com esse negócio de prazo de biblioteca) e fiquei com um tanto de preguiça para renovar o meu empréstimo.
Então, simplesmente deixei pra lá. Mas fiquei com essa vontade de ler algo dela. Então, no final do ano passado, a Cia. das Letras ofereceu A Maldição da Pedra para resenha e eu me APAIXONEI. Você pode ler a resenha aqui.

Então eu acabei comprando Inkheart na Livraria Cultura, e levei para ler na minha viagem para a praia. Como esse começo de ano foi MUITO atribulado pra mim (MAS EU TIREI 38 DE 40 NUMA PROVA DE ÁLGEBRA, FUCK YEAH), eu fiquei enrolando muito, mas mesmo assim, eu estava gostando. Depois que passou minha semana de provas, eu li as 400 páginas que faltavam em tipo, um dia.
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Misto-Quente, de Charles Bukowski

“O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994).

Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.”

***

Eu queria ler esse livro há bastante tempo, ainda mais depois eu li Hollywood, do mesmo autor. Uma coisa que eu acho engraçada é que algumas pessoas tratam o Bukowski como um escritor de gente cult e inteligente, mesmo que na minha opinião, ele seja um dos autores que menos se encaixa nesse rótulo.

Sério, se tem um negócio que me IRRITA é isso de as pessoas se acharem mais inteligentes por lerem livro X. Ainda mais o Bukowski, que abominava tudo isso. A escrita dele é simples, acessível. Ele não fica dando voltas ou tenta dar um tom moralista às coisas que acontecem na vida dele. Apesar de ser escritor, o Bukowski parece bastante pragmático.
E a história trata do cotidiano de todo mundo. O protagonista, Henry Chinaski, é um alter-ego do autor, e várias coisas na vida dos dois são semelhantes. Os dois são imigrantes da Alemanha na época pré-II Guerra mundial, os dois são pobres, feios e sem jeito com as mulheres… Por isso que Misto-Quente é considerada uma biografia do Bukowski. E a história começa bem cedo, logo com a primeira memória do protagonista. Ele, deitado embaixo de uma mesa, com o pai alcoólatra berrando com a mãe ausente.
Mesmo que as coisas tensas que acontecem nesse livro não aconteçam na sua vida, em algum momento você vai se identificar. Um negócio legal que falaram na resenha desse livro no ICult Generation foi que muitos autores buscam inspiração no fantástico e na ficção científica para os seus livros, mas que o Bukowski fez o caminho inverso. Ele é a prova que dá para escrever uma história incrível apenas com fatos do cotidiano. Henry Chinaski, o protagonista, é um desajustado, no sentido mais radical da palavra. Calado, esquisito. Sempre à margem da sociedade de alguma maneira, seja por causa da pobreza, seja por causa da sua solidão. Como está escrito na parte de trás do livro, Henry Chinaski vive num mundo cada vez menos propício para pessoas sensíveis e problemáticas. Ele não tem ambições, nem perspectiva de vida. Ele fica até surpreso por conseguir chegar até a faculdade. Se fosse depender das expectativas que os outros tinham dele, ele acabaria virando um ladrão ou um operário sem escolaridade.
Isso seria o bastante para tornar o livro um monte de reclamações do estilo “Minha vida é uma merda”, mas o humor do Bukowski é tão ácido que nem dá tempo de pensar nisso. Algumas coisas que acontecem são bem tocantes, mas conforme Chinaski vai crescendo,  coisas vão ficando cada vez mais engraçadas. Ele se mete numa reunião de nazistas sem saber muito bem do que se trata e várias outras coisas bem…, politicamente incorretas (detesto esse termo, mas é isso mesmo!). Não é tão engraçado quanto Hollywood, porque Hollywood é HILÁRIO, mas é muito divertido. Eu ri em voz alta várias vezes.
A linguagem do livro é bem grosseira, com palavrões para todo o lado. O sexo e as mulheres tem um papel importantíssimo no livro, e as cenas que o Chinaski faz suas primeiras descobertas nessa área são muito engraçadas. Ele coloca as mulheres num pedestal, num lugar inalcançável aonde ele nunca vai conseguir tocá-las por ser muito feio e muito pobre, o que o deixa permanentemente irado com elas. Ele as trata de um jeito que pode afastar algumas leitoras e que inclusive me incomodou, mas eu acabei relevando. O Bukowski ganha pontos infinitos comigo por fazer uma crítica à sociedade tão sincera. E a sociedade que ele critica é atemporal. Além do óbvio, tipo desigualdade social, ele tenta mostrar como o mundo pode ser cruel para quem não segue os padrões. Como ele.
Ou também como todos as pessoas que ele nos apresenta no livro, como o colega da sétima série que aparentemente tinha tudo, mas se suicidou, ou o amigo sem um braço que era a única pessoa que falava com ele, quando criança.
Aliás, existem cenas bastante nojentas no livro, que eu não duvido que aconteceram de verdade. Afinal, a vida num bairro pobre da primeira metade do Séc. XX não devia ser muito higiênica. As cenas que mais me embrulharam o estômago, porém, foram as que envolviam as espinhas do Chinaski. O Bukowski tinha o rosto marcado por cicatrizes, que assim como as de Chinaski, foram causadas por espinhas. Espinhas tão grandes e tão nojentas que os médicos não sabiam o que fazer, e as pessoas evitavam olhar para ele. Quando as pessoas batiam forte nele, inclusive nas costas, elas estouravam, o que não dava um resultado muito agradável. Isso foi mais uma das coisas que fizeram Chinaski se tornar mais introvertido e amargo.

Cada detalhe de Misto-Quente parece formar um quebra-cabeça para explicar porque o Bukowski foi a pessoa que ele foi. Publicado mais de vinte anos após o seu primeiro livro, talvez o autor quisesse explicar ao público porque tinha um temperamento tão difícil. Acabou virando um dos melhores romances de formação da história. Eu indico especialmente para aqueles que estão se sentindo meio perdidos na vida, mas ainda assim querem um livro divertido.
Parece que o autor está falando diretamente com você, confessando os seus pecados e ainda dando alguns conselhos. Porque, apesar das bebedeiras, das mulheres e dos xingamentos, Misto-Quente é principalmente sobre não conseguir se encaixar.

Classificação: Muitas espinhas e palavrões.

Sobre Bukowski e sua vida (em inglês)
Quotes do Bukowski

Review: Superman vs. Muhammad Ali e DC Made In Brazil

Então, eu já fiz aquele post de Como Começar a Colecionar Quadrinhos e então eu vou começar a fazer resenhas independentes daquele Para Gostar de HQ. Ainda vão ter outros posts dessa coluna, não se preocupem! Eu poderia inserir a HQ do Muhammed Ali no Para Gostar de HQ, mas eu também quero falar de DC Made In Brazil. De preferência, no mesmo post, já que eu comprei os dois juntos. E você ainda pode comprar os dois na banca!

Superman vs. Muhammed Ali
Essa é uma HQ clássica que eu tinha ouvido falar muitas vezes, mas nunca tinha tido a oportunidade de ler. Ela era bem difícil de achar em scan, e até onde eu sei, nunca tinha sido publicada no Brasil. Aí a Panini lançou um encadernado de luxo com essa história, num preço bem acessível. A premissa parece um tanto ridícula, mas eu concordo com o que o Neal Adams, o ilustrador, disse no prefácio: essa é uma das melhores histórias em quadrinhos da história.

Acho que é por causa da escolha do Muhammed Ali. Se fosse qualquer outra personalidade enfrentando o Superman, em qualquer outra época, o resultado seria desastroso. Mas o Muhammed Ali era um ícone cultural tão grande quanto o Superman na época. Ele representava tudo o que os EUA valorizavam, e ao mesmo tempo, ele nunca deixava de agir do jeito que acreditava. Tanto que ele se converteu ao islamismo, e SE RECUSOU a lutar na guerra do Vietnã. Imagine, um ícone americano se recusando a lutar pelo país (mesmo que fosse na guerra que viraria a maior vergonha dos EUA depois…)!

Existe atitude mais heroica que essa?
Então, o roteirista Dennis O’Neil e o ilustrador Neal Adams (também responsáveis por algumas HQs ótimas do Batman) tinham uma responsabilidade ENORME nas mãos. Se por um acaso, a história saísse ruim, a carreira dos dois acabaria, por terem estragado dois ícones culturais tão grandes. A editora-executiva da DC na época (sim, era uma editora-executiva, não um editor-executivo) ficou morrendo de medo, e estava com medo de publicá-la até mostrar os esboços e o roteiro para o empresário do Muhammed Ali e para o pugilista em pessoa. Eles aprovaram. Não é uma história cômica ou ridícula, como poderia ter sido. Tanto o Dennis O’Neil e o Neal Adams são gênios (ainda estão vivos! WINNING), e esperar qualquer outra coisa ruim deles seriam bobagem.
Então a HQ acabou virando realidade, com um roteiro simples. A premissa é a seguinte: a terra é invadida por alienígenas, e o Superman ou o Muhammed Ali tem que lutar para ver quem vai duelar contra um lutador alienígena. Se um dos dois ganhar, a Terra sobrevive, se o alienígena vencer, a Terra é destruída. Para deixar o confronto entre o Ali e o Super-homem mais justo, o combate é no espaço, onde o Super-homem não tem poderes, e ele aprende boxe com o Ali.  Tem algumas coisas típicas do Super-homem dos anos 60-70, como o Clark Kent tirando o terno de jornalista e o óculos e estando com a roupa de super-herói por baixo, mas nada que tire a genialidade da história. Eu dei risada em várias partes, muito mais por causa da ingenuidade do roteiro antigo do que qualquer outra coisa. Também tem aquele recurso das máscaras, quando um personagem aparece e faz alguma coisa – mas na verdade era um outro personagem disfarçado com uma máscara. Eu tenho a impressão que os roteiristas em geral usavam isso muito, até que alguém no final da década de 80 decidiu que era ridículo.

Mas como eu disse lá em cima, o roteiro é atemporal. Deveriam voltar a fazer HQs assim – com alma – ao invés de lutas comerciais que só parecem uma reedição de coisas antigas com outros personagens. Sem falar que a arte do Neal Adams é… perfeita. Sério.
Ele é o meu artista de HQs preferido. Ele foi um pioneiro, deu um visual novo e realista aos superheróis, contribuindo para tentar afastá-los daquela imagem de “coisa de criança”. SEU LINDO.
Os extras da edição são maravilhosos, tem um posfácio da Jenette Kahn (a editora-executiva da época), a “Srta. Superhomem” e esboços do Neal Adams. Tem até a capa dupla original da HQ, com várias personalidades da década de 70. É divertido ficar procurando as pessoas. Tem inclusive o Edson Arantes do Nascimento, o nosso Pelé!

Não, Pelé, você está errado. A HQ é ótima!

Classificação: cinco socos

DC Made In Brazil
Esse cartonado é uma  compilação de várias histórias ilustradas por brasileiros. Aqui tem os desenhistas mais importantes, tanto os mais antigos como o Mike Deodato quanto os mais novos como o Rafael Albuquerque. Também tem o Joe Prado, o Ed Benes, Ivan Reis, o Paulo Siqueira… É muito amor!
Só tem uma edição de cada história (tipo uma dez páginas), e segue o esquema de outras revistas da Panini, tipo A Sombra do Batman, Avante! Vingadores e outras. Cada edição da DC Made In Brazil vai conter várias edições de histórias que foram publicadas lá fora , ilustradas, obviamente, por brasileiros. É uma boa revista para começar a comprar, se você ainda não compra periodicamente nenhuma revista. As histórias são boas, apesar de serem republicações que já foram lançadas no Brasil.

A parte mais legal é ler as mini-biografias dos ilustradores antes das histórias e observar os desenhos que são MUITO bons. Eu sou louca especialmente pelo Rafael Albuquerque e pelo Eddy Barrows.
A história do Eddy Barrows, aliás, é muito engraçada. O Kid Demônio, dos Novos Titãs, resolve fazer uma festa na Torre Titã e convidar alguns fãs. Então eles passam um trote para o Batman, falando: “Batman, a sua mãe está aí?” e o Batman fica: “Coringa, é você?” e “Eu não estou entendendo”.

Eu ri MUITO.

É uma leitura rápida, e a edição é muito bem feita. A capa é muito bonitinha, com uma tabela em cima para colocar a edição, o mês, o título, como nos quadrinhos americanos. Eu li há alguns meses em algum blog, acho que no Judão, que seria muito legal se houvesse uma produção local de HQs da Marvel e da DC, como acontece na Inglaterra, na Itália e na Indonésia (tudo país com I… será um sinal?). É uma idéia ótima, sem dúvida, mas eu acho inviável porque o Brasil não tem tradição de HQs. Se tivesse, os quadrinistas que estão trabalhando lá fora não estariam no exterior, e sim produzindo material aqui. Com certeza daria retorno financeiro, mas aí seria preciso achar roteiristas nacionais de super-heróis (e eu nunca ouvi falar de nenhum, nos moldes DC/Marvel) e mais um monte de coisas. Eu acho difícil, mas seria muito legal.

classificação: três brasileiros e meio. 

Vocês viram que confirmaram a prequel de Watchmen? Estão irritados? O Alan Moore está…

Mágico e fofo: The Cart And Cwidder, de Diana Wynne Jones (Dalemark Quartet #1)

Moril é o filho mais novo de uma família de músicos viajantes, em Dalemark, um país fictício em guerra civil. Depois da morte do seu pai, ele herda um alaúde mágico, que pode manipular as pessoas ao ser tocado. Com o instrumento, ele lidera o Norte na guerra civil, e se prepara para um destino muito maior do que havia imaginado”

***

Cart And Cwidder é o primeiro livro da Diana W. Jones. Não é um dos primeiros, é  o primeiro. Pelo menos a ser publicado. Talvez seja por isso que ele é o livro mais subestimado da autora. Se você entrar na página do livro no goodreads, você vai encontrar várias pessoas falando que é o livro menos cativante da Diana, o menos complexo, coisa e tal. De fato, ele é meio devagar. Ele tem o ritmo dos livros da Diana, onde as coisas vão acontecendo aos poucos. Eu sofri muito quando eu li o primeiro da série Crestomanci (resenha aqui), mas eu acostumei.  Portanto, pra mim, isso não é um problema.

Apesar disso, é um livro incrivelmente leve. De praia, mesmo. É muito fofo, apesar das coisas meio tensas que acontecem (assassinato, pessoas sendo presas, batalhas), porque a Diana consegue fazer tudo soar como um filme da sessão da tarde. E ISSO É BOM ACREDITEM.
Quer dizer, eu acho que vocês acreditam, porque eu basicamente só leio coisas assim. Eu estou tentando mudar isso. Daqui a pouco vem resenha do BUKOWSKI!

VOLTANDO À DIANA: dos livros dela que eu li, Cart And Cwidder é um dos mais normalzinhos. Ele tem tudo o que você espera de um livro de fantasia, apesar dos detalhes que me fizeram ficar: “OMG, ISSO É MUITO LEGAL”. A história do alaúde mágico e a forma que ele afeta a família do Moril por si só já é bem legal. Da Diana, você não poderia esperar nada menos.
Os personagens foram bem construídos, e dá para sentir o carinho que a autora tem por eles. Cada um tem uma característica única, e você consegue imaginá-los como pessoas de verdade, e não simplesmente como uma idealização – como é comum em algumas histórias de fantasia. Em comparação com outras obras da autora, o universo de Dalemark não é muito detalhista, mesmo que em comparação com outros autores, ela tenha feito um trabalho ótimo.
Pelo menos pra mim, a história fluiu muito bem. Eu vi algumas pessoas reclamando do quanto a história demora para ter ação (o que não é muito, é mais ou menos na página 50), o que me dá vontade de sacudi-las e dizer: A MAIORIA DOS LIVROS DA DIANA SÃO ASSIM! PAREM DE FAZER BULLYING NA QUADRILOGIA DALEMARK!

O ar de “fantasia” que a Diana deixa no ar é muito fofo. É um livro autêntico da década de 70 antes de toda aquela porcaria de “VAMOS IMITAR HARRY POTTER (ou pelo menos, tentar fazer parecer que essa era a intenção do autor)” começar. Na verdade, a Diana foi uma das maiores influências da J.K Rowling.
É interessante perceber que, apesar de ser uma obra de fantasia, Cart And Cwidder é bem diferente dos livros de hoje em dia, do mesmo gênero. Acho que é algo no jeito de contar a história, no ritmo, o que pode desagradar a algumas pessoas. Mas se você já gosta dos livros da Diana, é quase certeza que você vai amar Cart and Cwidder. Mesmo que ele não vire o seu favorito.

Classificação: quatro alaúdes mágicos.

OBS: Cwidder não é exatamente alaúde, mas um instrumento similar que foi inventado pela autora. Resolvi chamar assim porque o título fica legal: “A Carroça e o Alaúde” Se você não sabe o que é um alaúde… meu deus, o que você está fazendo aqui? Anyway, um alaúde é esse negócio aqui.

 

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Dance, magic dance: A Maldição da Pedra, de Cornelia Funke

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Autor: Cornelia Funke
Tradução: Sonali Bertuol 
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 248

John Reckless, pai de Jacob e Will, sumiu sem deixar vestígios. Inconformado, Jacob gasta o dia procurando pistas que lhe deem alguma ideia do seu paradeiro. O garoto descobre um espelho que servia como um portal para um mundo mágico – um mundo que lhe oferece a  perspectiva de liberdade e aventura. Mantendo segredo do seu achado, Jacob passa cada vez mais tempo do outro lado do espelho. Após doze anos, o mundo sombrio se torna seu verdadeiro lar, onde tem amigos e inimigos e é reconhecido como um dos melhores caçadores de tesouros que já existiram por ali. Will, o caçula, sente falta do irmão e estranha aqueles sumiços prolongados. Um dia, consegue burlar sua constante vigilância e o segue através do espelho, ato que tem uma consequência terrível, fazendo-o embarcar em uma aventura sem volta.”

Então, eu estou tentando pensar em um motivo mais inteligente para convencer vocês a lerem esse livro do que:

1) É FANTASIA!

2) ILUSTRAÇÕES!

Acho que eu vou começar pelo enredo. Que é um livro de fantasia, eu já disse, mas ele tem uma vibe filme de fantasia da década de 80 tão grande que me dá vontade de chorar de emoção. Talvez vocês saibam que eu sou MUITO fã de filmes como A História Sem Fim, Labirinto, Conan (que, apesar dos tiozões que insistem que é “UM PUTA FILME DE MACHO” [sic] é um filme de fantasia. Para crianças. Os quadrinhos e os contos que são pesados, o filme dos anos 80, não). The Princess Bride e Feitiço de Áquila (que tem o LINDJO do Matthew Broderick, que está presente em boa parte dos meus filmes favoritos).

Aonde eu estava mesmo? AH, sim! Ares de filme de criança da década de 80 no livro! Sério, se fizesse um filme desse livro, ia ser o filme mais fantasia da década. Ele já está prontinho, com os cortes de cenas certos e tudo. Um seriado também seria uma ótima pedida, com várias aventuras do Jacob pelo Mundo do Espelho.

A Maldição da Pedra é muito parecido com Labirinto, mas de um jeito bom. Exceto a parte do romance, e da forma que o protagonista chegou no universo fantástico e outros detalhes. Ou seja, a premissa do livro é clássica: é sobre esse garoto, o Jacob Reckless que cresceu com o pai desaparecido, e procurando pela casa pistas sobre o paradeiro do pai, ele descobre um espelho mágico, que na verdade é uma porta para um outro mundo. Esse outro mundo, o Mundo do Espelho é meio medieval, cheio de criaturas fantásticas e contos de fada. Jacob começa a tomar gosto por esse mundo novo, fica lá por anos e vira meio que algo entre um caçador de recompensas e um traficante de artigos mágicos. Ele tem tipo, o emprego dos sonhos. Só que o seu irmão, Will Reckless, começa a achar tudo isso muito estranho, até que encontra o tal portal também. Mas quando ele chega no Mundo do Espelho, ele é amaldiçoado por uma fada a se transformar lentamente num goyl, uma criatura que tem a pele de pedra e é similar a um siluriano, de Doctor Who. Durante semanas, a pele de pedra ia crescer nele, até ele se transformar totalmente. Então os dois irmãos, a Clara (namorada do Will) e a Fux, que uma humana que se transforma em raposa tem que enganar a fada e achar um antídoto. NÃO É LEGAL?

E SIM, os personagens são adultos. É um bom alívio pra você, que como eu, achava que a sua chance de viver uma aventura fantástica acabava aos 14 anos. Aventuras fantásticas podem acontecer em qualquer idade. U-hu para nós! (tudo bem que o Jacob descobriu o portal bem novinho, mas a Clara e o Will não faziam ideia da existência dele).


E os personagens são muito bons também. Apesar de eu ter restrições quanto ao Jacob por ele ter abandonado a família, o jeito aventureiro dele me encantou. É o tipo de cara que eu gostaria que aparecesse na minha casa, meio sujo de pó de dragão e com uma coruja mágica empoleirada, dizendo: “OLÁ, GOSTEI DE VOCÊ, VAMOS PARA NÁRNIA?”.
Até o típico Casal Pesadelo, da menina perfeitinha (a Clara) com o menino perfeitinho (Will) não me causou o revirar de olhos que geralmente esses personagens geralmente me causam. A Clara é bem legal, não é aquela personagem feminina que sai por aí chutando bundas, mas ela conseguiu mostrar a dose certa de coragem. Não dá tanto para falar do Will, porque nas partes que ele aparece, ou ele está bancando o bobo apaixonado ou lentamente se transformando numa criatura de pedra sem coração, então eu simplesmente assumo que com ele é oito ou oitenta. E A FUX! AH, a Fux! Ela é a garota legal que foi friendzoned sem piedade. Aliás, eu detestaria o Jacob por não prestar atenção numa mulher ruiva e que se transforma em raposa, mas ele é cativante demais para isso. Eu não vou dizer se eles se entendem ou não no final, porque de qualquer jeito seria spoiler.

Um aspecto legal da história é a maneira que a autora relaciona o mundo com os contos de fada. Existem referências a várias histórias famosas, entre elas João e Maria, Bela Adormecida e Rapunzel (que pra mim, foi a mais legal. spoiler: ao invés de usar cordas, o Jacob usa fios do cabelo da Rapunzel, que são comercializados e são indestrutíveis) . Criaturas como anões, fadas e até unicórnios marcam presença, e não são só detalhes insignificantes na história. O mundo criado pela Cornelia Funke é riquíssimo, e fica ainda mais interessante com as ilustrações aparentemente feitas à carvão, que aparecem em todo começo de capítulo. O único problema é a narrativa bem peculiar e um tanto floreada, que deixa as coisas meio confusas e lentas até mais ou menos a página 50 ou 60. A Cornelia Funke não explica a situação original, menos ainda do que outros autores da fantasia. Ela não apresenta bem os personagens antes da grande aventura, preferindo deixar para o leitor conhecê-los no desenrolar do livro. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo do seu ponto de vista. Mas uma coisa é certa: depois do começo, quando você começa a entender a história melhor, tudo é incrível e apaixonante. Vale MUITO a pena, sério. Dos livros de parceria que eu li ultimamente, esse com certeza foi um dos melhores. CADÊ O SEGUNDO VOLUME, MEU DEUS?

Classificação geral: Cinco espelhos mágicos

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