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Logan, De James Mangold

Há dezessete anos, o fruto do projeto arma-x, bem como os demais membros dos X-Men, foram levados ao cinema pela primeira vez pelo realizador Brian Singer. Desde sua primeira aparição, Wolwerine, personagem criado para os quadrinhos por Len Wein e John Romita com desenho de Herb Trimpe, é interpretado pelo ator australiano Hugh Jackman. 

Incontestavelmente um dos mutantes mais adorados do universo, a demanda crescente exigia que a jornada de Logan fosse contada a parte, ou ainda, paralela as aventuras da turma poderosa do professor Xavier e lá em 2009, com o desestruturado ”X-Men Origins: Wolwerine”, o projeto foi engatilhado, voltando depois a ser revisitado em 2013 com o mediano ”Wolwerine: Imortal”. Agora, chega-se a conclusão desta caminhada com o definitivo ‘Logan‘. Película dirigida por James Mangold (Johnny & June e Garota Interrompida) que nasce em um mundo pós ‘Deadpool’, personagem dos quadrinhos também levado aos cinemas pela 20th Century Fox que ampliou o leque de possibilidades ao modo de se fazer cinema.

O filme constrói uma linguagem que vai além do que já se foi visto antes sobre o personagem. É muito mais violento, denso, e com problemáticas reais. Afinal, ele se desliga de uma temática supérflua de heróis lutando contra o mal e abusa das impossibilidades daqueles seres em situações comuns.

Com Hugh Jackman e Patrick Stewart retornando aos seus papéis usuais de Wolwerine e Xavier, o longa tem a estreante Dafne Keen, o ator em ascensão Boyd Holbrook e os maravilhosos Stephen Merchant e Richard E. Grant.

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Ainda dá tempo de resenhar Jessica Jones?

Hey, amiguinhos! Sou Fernanda Nia, autora do Como eu realmente, e vim visitar vocês com a minha primeira participação especial no NUPE para resenhar Jessica Jones. Minha intenção aqui será fazer uma análise de alguns detalhes que me chamaram a atenção,​ abrindo uma discussão​  civilizada sobre os pilares estéticos e dramáticos em que se ergue a estrutura semântica de… Ah, quem eu estou enganando. A intenção é reclamar e/ou fangirlizar mesmo. Então vamos ao que interessa.

"Eu só falo o que eu quero" - Jessica Jones.
“Eu só falo o que eu quero” – Jessica Jones.
[Essa resenha contém SPOILERS detalhados do que acontece na série. Recomendo lê-la só depois de assistir a todos os episódios. A menos que você seja vid4 lok4 e goste de viver perigosamente.]

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Cinco episódios para fazer você gostar de “Castle” (ou assim espero)

Castle

“Castle” virou um dos meus seriados favoritos por puro acidente.

(sim, senta aí que começou mais uma história de como viciei em um seriado quando não dava a mínima para ele.)

Mesmo? ¬¬

Já sabia da existência do seriado desde que ele tinha sido lançado, mas ele nunca tinha me atraído muito porque pensei que seria apenas mais um seriado policial à la “CSI” e, bem, eu já tinha lido a sinopse, concluí que seria mais um clichê e simplesmente me recusei a assistir. Convenhamos, acredito que ter três “CSI”s (Las Vegas, Miami e Nova York) na televisão é mais do que suficiente, obrigada.

(Não me entendam mal, eu gosto de assistir “CSI” de vez em quando, mas às vezes cansa um pouco)

Alguns anos depois (tipo dois, provavelmente), eu estava no tumblr quando uma das pessoas que sigo (infelizmente, não lembro quem foi para agradecer) começou a rebloggar um monte de gifs e quotes do seriado que me fizeram ficar interessada em assistir “Castle”, mas não o suficiente para baixar imediatamente nem nada. Alguns dias se passaram e descobri o seriado no netflix (aliás, onde ele foi parar? Não tem mais lá!! DDD:), então fui assisti-lo nas minhas férias retrasadas (2010/2011). Vocês já sabem onde a história a acaba, mas mesmo assim tenho que ressaltar que no final da primeira temporada fiquei me perguntando o que havia de errado comigo para não ter acompanhado o seriado desde o começo. Ele tem o Nathan Fillion (confesso que só virei fã dele no ano retrasado quando finalmente assisti “Firefly”), passa loooonge de ser “CSI”, faz ótimas referências à cultura pop e quadrinhos (!!!) e tem um enredo bem legal.

“Castle” conta a história de Richard Castle, um escritor super famoso de uma série de romances policiais que retratam a vida do policial Derrick Storm que foi morto no último livro da saga (eles falam isso nos dois primeiros minutos do episódio, não é spoiler, okay?), porque Richard tinha se cansado dele, queria escrever coisas novas e estava com um bloqueio para escrever. Castle encontra a salvação de seus problemas ao ser chamado pela polícia de Nova York para a delegacia para ajudar em um caso em que uma pessoa foi assassinada exatamente igual a uma dos assassinatos que acontecem em uma de suas primeiras publicações: ele conhecesse a detetive Kate Beckett (ela é superfã dos livros do Castle), que acaba se tornando a inspiração para a personagem principal do seu próximo livro. História vai, história vem, Castle por meio de seus contatos e contrariando os desejos de Beckett, consegue virar consultor da polícia e acompanha o trabalho de Beckett de perto para criar uma personagem mais crível.

Enfim, contei como conheci o seriado e a dei uma sinopse dele, então vamos aos cinco episódios para fazer você gostar de “Castle” (Provavelmente. Acho que sim. Espero que sim. Talvez não. Quem sabe?). Não colocarei nada da 5° temporada por motivos (spoilers).

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Guerra Civil – Mark Millar

“A ação precipitada de um grupo de jovens super-heróis acarreta uma tragédia sem precedentes, deixando um saldo de centenas de mortos. Diante da pressão popular, o governo sanciona uma lei determinando que todos os superseres sejam registrados. A iniciativa divide a comunidade heroica como nunca antes. De um lado, a facção pró-registro, liderada pelo Homem de Ferro; do outro, os contrários à medida, tendo à frente o Capitão América.”

 

 

***

Esse foi uma das HQs que eu comprei na viagem, por um preço incrivelmente acessível na Waterstones’s se comparado ao do Brasil e até mesmo o do Book Depository, onde a mesma edição está 22 dólares. OITO LIBRAS!!!! OITO LIBRAS, GENTE! Com o câmbio do meu cartão, isso deu tipo… menos de 30 reais.

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ASGARDIANS DO IT BETTER!: Thor!

“WHOSOVER HOLDS THIS HAMMER, IF HE’S WORTHY, SHALL POSSESS THE POWER OF… THOR!”

Ok, vou fazer o máximo para não deixar essa resenha tendenciosa. Eu sou mega fangirl da Marvel, e mais ainda do Thor. Ele provavelmente é o meu herói favorito dos quadrinhos, junto com o Justiceiro, com o Stark e com a She-Hulk. Sabe aquela fase do Wal Simonson, que é a maior viagem? Eu já li quase todas as edições – e estou de resenhar por aqui, espera que um dia sai!.  Aqueles especiais “What If…” também. E a fase do Stan Lee, e qualquer coisa que tenha o nome do Thor que eu possa baixar ou encontrar no sebo (lembre que eu nasci no final da década de 90!).

Enfim, asgardianos são demais.

Apesar dessa empolgação toda, eu fui ao cinema sem muitas espectativas. A Marvel já fez filmes muito bons, mas de vez em quando ela nos presenteia com epic fails como o filme do Demolidor, o da Elektra, o Origins do Wolverine…
O Thor (Chris Hemworth), sendo um personagem sem tantos fãs e com uma mitologia meio surreal, era uma missão difícil. Eu não botava muita fé, principalmente com as várias resenhas negativas que eu vi por aí. Elas diziam que o Thor estava sem-graça, que o filme não tinha ação, que Homem de Ferro era muito melhor…

Tá, eu não gostei de Homem de Ferro.
Ok. Me apedrejem.

 Apesar do carisma do Stark, o filme peca pela falta de ação e o fato de ficar enrolando, e enrolando… só para fazer uma introdução a Homem de Ferro 2 e Os Vingadores.

Thor também deixa claro que é uma prequel para Os Vingadores, mas nem por isso se centra só no personagem-título. Pra falar a verdade, quem brilha mais é o Loki (Tom Hiddleston), com a sua perpétua cara de please, bitch!, e toda a sua personalidade maquiavélica. Ele é, de longe, o melhor vilão que já apareceu nos filmes da Marvel (, e olha que no gibi ele nem é essa coca-cola toda. O Thor é lindo e adoravelmente burro, tenho que confessar que toda vez que o Chris Hemworth sorria/ficava sem camisa/fazia alguma coisa fofa, a fangirl cheia de hormônios dentro de mim tinha um ataque e morria. Além de ser lindo de morrer, o Thor do filme é engraçado, de rir da cara dele mesmo. Tinha algumas coisas que eram tão toscas (tipo os efeitos especiais) que eu, a Val e a Bell literalmente choramos de rir.
Eu li umas resenhas dizendo que é estranho que a Jane Foster (Natalie Portman) tenha se apaixonado pelo Thor em três dias, mas se eu estivesse no lugar dela (ai que sonho!), eu seria mil vezes pior. Um milhão de vezes.  Tá, vou parar por aqui, não quero transformar isso num Maridos da Cherry B 2 – O Retorno. Afinal, o primeiro já foi ruim o bastante!

Um outro bom motivo para assistir ao longa (e este é válido para pessoas que não se sentem sexualmente atraídas por homens): As lutas são boas demais! O nosso superherói viking encarna aquele personagem bruto, crushing his enemies do jeito que o Conan faria.

Como eu já comentei, algumas cenas são trash ao extremo – como quando o Thor recupera o Mjölnir, mostrando que óóó: ele é digno! – , mas isso só aumeta o fator awesome do filme. Numa época de superproduções de superheróis sisudas e forçadas, Thor encanta justamente por seguir a contramão.

O longa consegue combinar bom-humor, efeitos especiais malfeitos, romance, referências à Marvel e lutas na medida certa – mesmo que o começo, com aqueles gigantes de gelo, seja meio chato. Assim que o Thor cai na Terra e conhece a Jane Foster, o filme engata de vez e se torna uma ótima diversão. Acaba sendo aquele filme gostoso de assistir, seguindo a linha pipoca de Star Trek e Kick-Ass, só para citar alguns exemplos recentes.
Eu adorei a luta do Thor  com o Destruidor e a participação da diva da Lady Sif e dos outros amigs, apesar de ter sentido falta do Beta Ray Bill. Ri muito quando os agentes da SHIELD gritaram: “Será mais um dos Starks?!”, e em várias outras tiradas engraçadas dos personagens.

Enfim, vá para o cinema de boa vontade – sem muitas expectativas nem preconceitos -, e você vai ver um filme que, na minha humilde opinião, é o melhor que a Marvel Studios fez desde X-Men, talvez até melhor. E FIQUE NO CINEMA DEPOIS DOS CRÉDITOS!!!!!!111

THOR, WE LOVE YOU!!!

Para Gostar de HQs #16: The Mighty Thor, Journey Into Mystery

“Whosoever holds this hammer, if he’s worthy, shall have the power of… THOR…” 

RÁ! THOR NÃO MORREU! Mais de dois meses depois que eu fiz a resenha de Thor: Vikings, do Garth Ennis, e anunciei o mês do Thor, eu resolvi fazer outra postagem sobre ele, dessa vez resenhando  Mighty Thor – Marvel Masterworks V. 1, que a Bell me trouxe de LA, e é nos moldes daquelas HQs tipo “Biblioteca Histórica da Marvel”, que saem pela Panini.

Esse gibi em especial reúne as primeiras histórias do Thor, que saíram na legendária Journey Into Mystery, escritas pelo Stan Lee, da edição 83 até a 100. Conta a origem clássica do Thor, a do médico manco Donald Blake que encontra o martelo do Thor numa viagem para a Noruega, então vira um super-herói e tem um monte de aventuras tudo isso enquanto tenta confessar o seu amor a sua fútil enfermeira, Jane Foster.

Apesar das aventuras legais, o livro inteiro é recheado de mensagens machistas, ultrajantemente americanas, maniqueístas e anti-soviéticas. Só para vocês terem uma noção: o Thor enfrenta gigantes de pedra e de gelo, alienígenas de lava, o Merlin, cientistas malucos e o Loki – Mas adivinha quem é o pior e mais cruel inimigo do deus nórdico?

Os socialistas, lógico! Eles são pintados como tão maus, mas tão maus, que o próprio Loki tem medo deles. Tem uma cena que o Loki está tacando o terror em NY, até que ele percebe que um avião soviético jogou uma está jogando uma bomba atômica no mar americano e pensa “Oh, não posso deixar isso acontecer, não sou tão mau quanto os soviéticos!” e pega a bomba em pleno ar. Então sai um balãozinho de pensamento do jato dizendo “Nós falhamos! O que vamos falar para o Nikita?”. Pequeno detalhe histórico: Nikita Khrushchov era o presidente da Rússia na época da Crise dos Mísseis!

E isso é só um dos momentos surreais. Sabe a Jane Foster, a enfermeira do Donald Blake, que eu citei lá em cima? Ela é perdidamente apaixonada pelo Thor, e tem um momento que aparece ela pensando em todas as coisas que ela faria se casasse com ele. Aí ela fica sonhando que iria polir o martelo dele, passar a capa dele e afins.

Mas o momento mais infame de todos foi quando o Donald Blake vê que muitas pessoas estão feridas no centro da cidade e quer ir até lá para fazer o socorro, mas a Jane vai e diz, cheia de desdém: “Por quê? Eles não tem dinheiro, não merecem ajuda. Não quero trabalhar para um coração-mole que nem sabe os seus deveres como médico americano!”

 Não é a melhor fase do Thor, as histórias são bobinhas e simples, no estilo Stan Lee. É uma coisa tão datada e tão retrô que se torna irresistível. A arte do Jack Kirby é muito incrível depois que você se acostuma. O estilo marcante da década de 60, com os quadrinhos regulares, focado nas expressões faciais dos personagens e com aqueles ultrapassados “balõezinhos de pensamento” está presente do começo ao fim. Isso sem falar nas cores, vivas e constrastantes, que fazem as ilustrações saltarem na nossa cara.

Pra quem não se irritar muito com as mensagens machistas, ultrajantemente americanas e anti-soviéticas, vai ganhar uma boa diversão – e ainda vai entender porque a geração de norteamericanos das décadas 80 e 90 era tão babaca.

Para Gostar de HQs #15: Fugitivos – Fugindo de Nova York

UMA AVENTURA STEAMPUNK NO UNIVERSO MARVEL! 

Resenha com alguns spoilers da primeira fase de Fugitivos. Mas pode ler.

“Com o seu QG em Los Angeles descoberto pelo Homem de Ferro e a Iniciativa, os Fugitivos precisaram procurar novas paragens e chegaram a Nova York. Mas a Big Apple preparou uma recepção nada calorosa para a jovem superequipe, que se vê forçada a fugir para um lugar live dos seus perseguidores: o passado!”

Super-heróis. Viagens temporais. Mundo steampunk. Com os personagens de Fugitivos amadurecidos, sob a caneta Joss Whedon, nós só podemos esperar uma aventura de tirar o fôlego.

E é o que nós recebemos. Mesmo o enredo sendo um pouco mais sombrio que o da fase do Brian K. Vaughan, Fugitivos não perde o seu humor. Todas as partes que a Molly, a mais novinha, abre a boca, você morre de rir. Principalmente quando elas envolvem o Justiceiro!

Apesar da adesão de novos personagens e a perda de outros, o grupo continua perfeito. Ou mais ou menos. Eu fiquei revoltada com a morte da Gert.
Se eles tivessem que matar alguém, por que não matam a Karolina? Ninguém daria falta.
Eu odeio ela desde que ela aquele vampiro apareceu. Tipo, você tá fugindo dos seus pais assassinos, com as únicas pessoas NO MUNDO que entendem a sua dor e você encontra um vampiro bonitinho. A primeira coisa que você faz, LÓGICO, é brigar com a sua melhor amiga pra ficar com ele, pra na primeira oportunidade, esfregar seu pescoço na cara dele.  Foi o que ela fez.
Ainda bem que ela é uma alienígena cósmica, e o vampiro entrou em combustão espontânea quando bebeu o sangue dela. Mereceu, VADIA.
Um ótima amiga. Então, adivinhem o que acontece com ela. Ela sofre uma morte terrível? Ela fica forever alone pelo resto de seus dias, se arrependendo por ser uma vaca?
NÃO. ELA GANHA UMA NOIVA ALIENÍGENA, QUE É UMA SUPERSKRULL SUPER FODONA E QUE MUDA DE FORMA
Deixe-me explicar: Um skrull é um alienígena verde de queixo engrado do universo Marvel que muda de forma. Eles foram devidamente apresentados na Invasão Secreta. Eu. Odeio. Skrulls. Eles são insuportavelmente arrogantes e… e são verdes.
Quem leu Fugitivos sabe que cada membro tem uma habilidade especial. Por exemplo, Nico Minoru, a gótica chinesinha, é uma feiticeira, a Gertrudes, garota nerd com veia socialista, tem um dinossauro e é filha de viajantes temporais, a Molly, a criança otaku, é uma mutante, a Karolina, a garota loira e atlética, é uma alienígena, o Chase, o jogador de futebou, tem umas parafernálias eletrônicas e o Alex, o menino do MMORPG é… bem, ele é o Alex.
Na primeira fase dos Fugitivos, o Alex morreu, e no começo da segunda, a Gertrudes também. Eles foram substituídos na equipe pelo Victor Mancha, que é um ciborgue, e pela Xavin, a namorada da Karolina, que é uma skrull. Sendo uma skrull, ela pode mudar de gênero, e ela foi prometida para a Karolina, e, como ela de repente decidiu que era lésbica, a Xavin fica como garota na maior parte do tempo.
Eu realmente gostei de como a questão da homossexualidade foi abordada na série, sem nenhuma sombra daquele tom didático, que a gente encontra em algumas obras YA como House Of The Night. Ou seja, ponto para Fugitivos.
A Karolina e a Xavin tem um potencial para ser um casal fofo, tipo Britanna, mas elas são INSUPORTÁVEIS. A Xavin, apesar de não fazer nenhum esforço pra se encaixar no grupo, não é tão chata, mas a Karolina consegue azedar qualquer coisa. Sabe quem ela me lembra? A LISA DRAGOMIR. Não preciso falar mais nada, preciso?

CADÊ A GERT?! PORRA, GERT, TODO MUNDO TE AMA, VOLTA!

A história se desenrola muito bem, com aquela dinâmica que é típica de Fugitivos. Eles fogem pra NY e encrencam com o Rei do Crime e com o Justiceiro. O Rei do Crime manda uns ninjas pra acabar com a raça deles, e então eles sobem na nave e colocam um dispositivo que parece meio steampunk para alimentá-la, que acaba levando-os ao começo do Séc. XX.

Nova York é uma cidade suja, onde os mutantes se auto-denominam “maravilhas” e existem grupos de heróis com um senso de moral um pouco duvidoso.
No começo da HQ, nós somos apresentados a uma velhinha triste, que conversa com um homem enorme e deformado. Eles fazem parte da coisa mais “oooown” da HQ inteira. Aliás, quem disse que ciborgues e anjos steampunk não podem amar?
Os Fugitivos vão para essa época estranha, e o dispositivo para de funcionar. Ou seja, eles estão presos, e pior ainda, sendo caçados (novidade)!
Os personagens amadurecem ainda mais, principalmente a líder, Nico, e o Victor, o ciborgue. E adorei o bisavô do Justiceiro. Na verdade, a coisa que os Fugitivos mais fazem é trollar o Justiceiro.

Mas enfim.

Mesmo que você não tenha lido Fugitivos antes, vale a pena dar uma olhada, principalmente se você gosta de um steampunk/ficção científica bem explorado e com personagens bem feitos. Também é bom para largar o preconceito com a Marvel.

1, 2, 3, REBOOT! – Uma revolta pessoal contra filmes de super-heróis

Você provavelmente gosta de super-heróis. Mesmo que seu único contato com eles tenha sido sei lá, Smallville ou X-Men Evolution, você com certeza tem seu favorito. Você deve conhecer alguém que é um colecionador fanático, ou alguém que sonha trabalhar no ramo. Bom, eu sou uma dessas pessoas. Eu morro feliz se um dia eu for que nem a Kaori Yuki ou que nem o Walt Simonson, que ilustram e escrevem suas próprias histórias.

Enfim, esse assunto vai longe e eu vou deixar pra lá, afinal, uma revolta tem que ser feita. Os anos 00 foram cheios de filmes sobre super-heróis, especialmente os heróis da Marvel. A galerë do X-Men ganhou vários, o Homem de Ferro (que antes era visto como um super-herói de segunda linha pelo grande público), o Homem-Aranha, o Hulk e até o Demolidor e o Justiceiro ganharam adaptações.
A raiz disso está nos anos 90. Após uma década gloriosa, a década de 80, a Marvel foi atingida por uma súbita maré de azar. Problemas administrativos sérios, popularização dos mangás e o surgimento de uma nova e inesperada rival, a Image Comics (responsável por The Walking Dead [ao lado], Spawn, Witchblade, WildC.A.T.S e outros), com roteiristas e desenhistas saídos da própria Marvel fizeram a empresa quase fechar as portas no final da década de 90.
Mas você, sinceramente, consegue imaginar a Marvel quebrando sem fazer nada?

Então, o então novo editor-chefe, Joe Quesada, resolveu colocar ordem no puteiro. Numa tentativa de atrair novos leitores, foi criado o Universo Ultimate (no Brasil, universo Millenium), um universo paralelo onde os leitores não precisam se lembrar de décadas e décadas de cronologias confusas, onde a personalidade de alguns personagens foi ligeiramente alterada… Foi uma iniciativa parecida com da Crise das Infinitas Terras da DC nos anos 80, com a diferença que a Marvel não apagou o universo anterior. Porém, apesar de atualmente as vendas da linha Ultimate superarem as da linha principal (universo 616), isso não foi o suficiente.

É aí que as adaptações entram. Filmes, apesar de arriscados, são uma máquina incrível de fazer dinheiro e de introduzir novos leitores ao universo Marvel. A editora, amparada por grandes estúdios, conseguiu vários sucessos comerciais, como a franquia de X-Men, a de Homem-Aranha, de Homem de Ferro… a lista não para. Até aí tudo bem – ou mais ou menos tudo bem, para cada filme bem-sucedido, existe um personagem estragado por uma adaptação péssima, como a Elektra -, até que o estúdio ficou viciado em adaptações. É uma atrás da outra, sem tempo para os fãs respirarem. Está vindo a do Thor, o Homem-Aranha ultimate, X-Men First Class, X-Men Origins: Ciclope, dos Vingadores… CHEGA DE FILMES! Sério, por que vocês tem essa mania de querer fazer filme de TUDO? E o pior é que, mesmo dirigidos por gente genial e com um cast ótimo, eles nunca são assim tão legais porque eles são sempre sobre a origem dos super-heróis.
Tipo, OI? EU NÃO QUERO SABER A PORRA DE HISTÓRIA DE VIDA DO SCOTT SUMMERS, CACETE.
E o pior, quando a história começa a ficar legal, quando os super-vilões aparecem e tudo o mais, o estúdio resolve dar reboot e começar tudo de novo!
EU TENHO CARA DE PALHAÇA, CARALHO? TENHO? PORQUE SE EU TIVER, ME AVISA.
Já tá bom o suficiente criarem o Homem-Aranha Ultimate feliz, saltitante e solteiro no universo no universo dele, VOCÊS NÃO PRECISAM FAZER UMA DROGA DE FILME SOBRE ISSO.
Por que, ao invés de CONTAR A MESMA HISTÓRIA VÁRIAS E VÁRIAS VEZES, vocês não tem a BRILHANTE idéia de CONTAR OUTRA COISA?

A Marvel é cheia de sagas brilhantes, que se fossem traduzidas para as telonas, seriam de tirar o fôlego. Tem a Dinastia M, quando a Feiticeira Escarlate transformou quase todo mundo em mutante, e depois destransformou todo mundo – inclusive vários personagens que eram mutantes antes da saga, como o Mercúrio. -, causando um verdadeiro holocausto para os mutantes restantes. Ou talvez a Saga da Fênix Negra. Guerra Civil. Invasão Secreta [falando nisso, reparem no Homem de Ferro com bigode na imagem ao lado.]. Marvel Studios, vocês querem fazer um filme do Universo Ultimate? APROVEITEM A MODA DE THE WALKING DEAD E  FAÇAM UM FILME DE ZUMBIS MARVEL, SE VOCÊS QUEREM ENCHER O RABO DE DINHEIRO.
Claro que o estúdio não vai adaptar nada disso por medo de perder dinheiro, mas me digam vocês, pessoas que não tem muita familiaridade com o universo Marvel, vocês gostariam de ver seus super-heróis favoritos lutando uns contra os outros na tela? Ou vê-los sendo enganados por alienígenas verdes shapeshifters? Melhor do que ver a mesma história se repetir e se repetir, mesmo com a Emma Stone e com o Andrew Garfield no elenco.

E eu nem gosto da Gwen Stacy.

Para Gostar de HQs #14: Thor: Vikings, de Garth Ennis

Antes de começar, eu gostaria de declarar que neste
blog está oficialmente aberto o MÊS DO THOR. Vocês terão milhares resenhas de HQs do Thor (as próximas serão Thor: Filho de Asgard e Mighty Thor, que é uma coletânea de histórias da Journey Into Mystery, algumas HQs do Walter Simonson mas terão várias outras) minhas impressões sobre o trailer do filme, um post sobre o Chris Hemsworth porque ele é gostoso, etc e etc. Vou começar resenhando Thor: Vikings, uma minissérie do Garth Ennis – que entre outros trabalhos, escreveu Hellblazer: Hábitos Perigosos – que saiu na melhor revista da Marvel, a Marvel Max. Se eu pudesse definir Thor: Vikings, eu definiria como…

PURA VIOLÊNCIA GRÁFICA, YEAH!

É uma minissérie irreverente e, ao mesmo tempo surpreendente. Tipo, não é todo mundo que vai gostar, alguns não vão gostar porque ela é um pouco sangrenta demais – mas alô, é Garth Ennis + Glenn Fabry, não tinha como não ser – e outros porque o roteiro é meio… estranho. Lendo uma resenha de uma menina texana na Amazon, eu percebi que o roteiro tinha umas falhas muito grotescas, mas eu chego lá mais tarde. Por enquanto, fiquem com a sinopse:


Manhattan, 2003. Você está vivendo sua vidinha, indo para o trabalho, vendo TV, almoçando, quando de repende uma drakkar viking gigantesca aparece no mar.
Será que estão gravando um filme?, você se pergunta. Mas antes que você pudesse descobrir o que é, centenas de vikings semi-decompostos saltam do navio, com machados e lanças, espalhando o medo e o caos generalizado.

O que parece ser uma piada, logo se transforma em um pesadelo.


Tudo começou há mais de mil anos, quando um grupo de vikings é amaldiçoado por um feiticeiro a navegar e navegar por mil anos, sem nunca achar o seu caminho. A profecia se cumpre, até que os vikings chegam em NY, com seus corpos já meio consumidos pelo tempo, e com uma sede incrível de vingança? Vocês conseguem imaginar o resultado, né? Páginas e páginas de violência gratuita, pessoas decapitadas, sangue… 
Vendo essa bagunça toda, nosso asgardiano favorito resolve intervir. Mas ele tem seu traseiro durinho e nórdico ABSOLUTAMENTE chutado pelos vikings mortos-vivos, e a situação fica tensa. Então ele pede ajuda pro segundo Doctor mais legal do universo, o Doctor Strange, e eles têm uma ideia muito improvável e bizarra, que no final acaba dando certo… por um tempo. 

É, a história é basicamente isso. Não é lá essas coisas, mas é um entretenimento danado. Pode parecer sem-noção, talvez porque realmente seja muito sem-noção, e também não é o melhor trabalho do Garth Ennis, mas QUEM LIGA?  Eu não ligo, com certeza. Afinal, eu leio quadrinhos pra me divertir, e diversão é algo que existe aos montes nessa HQ.
O roteiro também tem uns buracos meio bizarros – se a situação de NY estava tão trágica por que os outros heróis não chegaram lá e acabaram com a zorra toda? A participação dos Avengers é bem pequena, e não deveria ser assim…
Plotholes a parte, o maior mérito dessa HQ é tratar um herói como o Thor de uma maneira despretensiosa, quase displicente. A arte é o máximo, trabalho do Glenn Fabry, que já ilustrou várias e várias HQs do Garth Ennis. Seu traço realista torna a experiência de Thor: Vikings ainda mais gore. Vale a pena baixar para formar sua própria opinião, e se divertir no processo.

Para Gostar de HQ #13: Fugitivos de Brian K. Vaughan



Durante a adolescência, muitos acham que os seus pais são verdadeiros super-vilões… mas e se eles fossem mesmo?

Mais um post de HQs para animar suas férias! ou não  Dessa vez eu vou falar de Fugitivos, um grupo de heróis (não sei se essa é a palavra certa) da Marvel, escrita pelo Brian K. Vaughan, que, só depois de umas edições eu me lembrei, também é o roteirista de Y, o Último Homem, Leões de Bagdá, Ex Machina, False Faces e das HQs de Buffy. Ou seja: ELE É MUITO FODA! Se tratando dele nós só podemos esperar um trabalho de altíssima qualidade, claro. Mesmo sendo voltado para o público juvenil,  Fugitivos é uma das melhores HQs que eu já li, que em nenhum momento subestima os seus leitores. O traço também tem muita influência dos mangás, sendo algo mais suave e amigável do que o padrão da Marvel. Acho que da   edição #8 até a #12 foi desenhado por um brother japonês.

Você, pessoa que acha que HQs americanas são só gibis dos Vingadores ou da Liga da Justiça, com mulheres amazonas vestindo fraldas estreladas ou com alienígenas vestindo cuecas por cima das calças, reveja seus conceitos. Os Fugitivos (na verdade, ele nunca se chamam de Fugitivos) são sim um grupo de heróis, só que  nenhum deles usa uniforme, eles não moram em NY e nem tem uma base na lua. O que só os torna ainda mais legais.

Não é nenhum Watchmen, nenhum Sandman, nem nada. Porém, é muito, muito divertido e os personagens são super carismáticos. Os diálogos também são muito bem feitos. Me lembrou bastante a série Instrumentos Mortais, pela variedade de criaturas que existentes, pelas reviravoltas, pela dinâmica e até um pouco pela temática. Na verdade, eu tenho certeza absoluta que a Cassandra Clare se inspirou um pouco em Fugitivos (já que aquela cachorra se inspirou em tudo também, né.). Se vocês gostam de fantasia urbana, LEIAM FUGITIVOS. É um ótimo título para a começar a ler HQs. Outra coisa muito interessante é que se passa no mesmo universo dos heróis da Marvel, então os Vingadores, os X-Men e todo esse povo é citado várias vezes. Tem até uma hora que os garotos tentam ligar para a polícia para denunciar os pais malignos e o policial fala para eles “ligarem para o Disk-Vingadores”. Ao contrário de 90% das histórias da Marvel, Fugitivos não se passa em Nova York, e sim em Los Angeles.  Foi publicado no Brasil pela Panini Comics (grande novidade) e algumas outras séries saíram na revista Avante! Vingadores. Enfim, acho que a essa altura vocês já querem a sinopse, não é?

“Todo ano, os pais dos seis adolescentes Alex, Nico, Chase, Gert, Molly e Caroline se reúnem na casa dos pais de Alex para supostamente organizar doações para a caridade, escondidos na biblioteca, longe de todo o mundo. Num momento de tédio, os garotos decidem espionar os pais, se esgueirando pelas passagens secretas da casa. Então, se deparam com uma cena chocante: Os seus pais estavam assassinando uma garota inocente! Eles descobrem que os pais fazem parte de uma organização secreta chamada Orgulho e que por muitos anos guardaram segredos vitais sobre eles. Resolvem fugir, combater o crime e juntar forças para derrotar os pais maléficos. Alienígenas, mutantes, viajantes temporais, feiticeiros e vampiros integram essa trama que te fará ficar cronicamente viciado e ficar até três da manhã lendo uma edição atrás da outra.”

Eu não vou falar qual personagem é o que, porque uma das partes mais legais é descobrir os mistérios sobre a identidade de cada um, mas eu vou dar só um pequenininho spoiler: A GERT TEM UM VELOCIRRAPTOR DE ESTIMAÇÃO.

Com Fugitivos, acontece aquela típica coisa de livro bom: Você não consegue decidir qual personagem é o seu favorito. Só tem um personagem que eu peguei trauma  PORQUE ELE É UM BABACA TRAIDOR  por razões, que, se eu contar, vai ser spoiler grave.

Outra coisa, supostamente ia ter um filme, dirigido pelo cara de Nick&Norah, só que eles suspenderam porque “estava ficando muito parecido com Kick-Ass”. Está engavetado por tempo indeterminado, então ninguém sabe se vai rolar de verdade. *cry* Na minha opinião, devia fazer um seriado dessa porra logo, ao invés de ficar fazendo filme, porque ia ser muito mas legal, mas enfim. A vida seria muito mais bonita se as pessoas, ao invés de fazerem 18912646163 filmes de super-heróis, fizessem seriados. Ou não, né… vide Smallville. Ou Birds Of Prey. Mas, desde que não caia nas mãos da CW, está de boa, porque a CW tem o poder de estragar tudo o que toca. SIM, essa é a minha opinião.

“Mas então, Cherry B, onde eu leio?” Como eu sou uma alma muito boa, vou disponibilizar o download das primeiras 18 edições para vocês ficarem viciados. Precisa de um programa chamado CDisplay pra ler, que é levinho e serve para ler qualquer tipo de HQ ou mangá.

Cliquem aqui para baixar! ^^