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Litbaits: um jeito diferente de incentivar a leitura de clássicos

“Um clássico da literatura.” Você já deve ter escutado essas palavras em alguma aula de Literatura que provavelmente te fez bocejar. Convenhamos: na maioria dos casos, o jeito de se estudar Literatura nas escolas não é algo muito interessante. Na verdade, até costuma desencorajar o jovem à leitura de obras clássicas, que logo são interpretadas como chatas, maçantes, inacessíveis ou cansativas. Aquela velha leitura forçada que termina com um: “não entendi nada.” Às vezes, a pessoa até gosta de ler – como eu –, mas – como eu – não consegue controlar o tédio quando é apresentada pela primeira vez a livros que tem a “obrigação” (escolar ou moral) de ler.

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É aí que entra a estratégia da livraria The Wild Detectives, dos Estados Unidos: eles usaram a internet como uma forma de despertar a curiosidade sobre obras clássicas. Como? Usando clickbaits – ou, nesse contexto, litbaits (lit = literária; bait = isca) que redirecionavam o leitor a textos integrais de obras em domínio público. Basicamente, transformando livros clássicos em manchetes sensacionalistas que acabavam gerando interesse nos curiosos. Continue lendo Litbaits: um jeito diferente de incentivar a leitura de clássicos

Capitães da Areia, Jorge Amado

Aviso: pode conter spoilers leves

“Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora são alguns dos integrantes do Capitães da Areia. Um grupo de jovens miseráveis que mora nas ruas e rouba para sobreviver. São perseguidos pela polícia e temidos pela burguesia, enquanto tentam sobreviver numa Salvador pobre dos anos 30”

***

FELIZ SETE DE SETEMBRO! [OBS: na verdade, 8 de setembro. Eu demorei mais que o esperado com esse post.] [OBS2: Esse post era para ser parte integrante do Especial Nacional!]
Para comemorar essa data tão especial para o nosso país, eu decidi publicar uma resenha de um dos meus escritores favoritos de todos os tempos (e brasileiro): O Jorge Amado!

Um pouco de nacionalismo é sempre bom, não? Em geral, nós estamos tão acostumados a consumir cultura de outros países (especialmente dos Estados Unidos) que acabamos esquecendo das coisas que o próprio Brasil produz. Não há nada de errado em gostar do que é produzido no exterior, mas eu acho que se a gente desse mais atenção à produção nacional, coisas melhores seriam produzidas. Por exemplo, acho que depois do sucesso comercial de autores como o Eduardo Spohr e a Thalita Rebouças, muitos autores foram incentivados a escrever ficção por aqui. Virar um best-seller é finalmente um sonho que pode virar realidade para um autor brasileiro contemporâneo, e eu acho isso incrível.

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Desafio Clássico – Segunda Parada

Olá! Vocês lembram do Desafio Clássico? Aquela proposta de ler seis clássicos entre agosto de 2011 e agosto de 2012? Então, como hoje é dia 29/11 (veja o post de ontem para ver o motivo de estarmos um dia atrasado) e fazem dois meses desde o último ponto de parada. Vamos ver onde todos nós fomos parar nesses dois meses?

A vida dá muitas voltas e, desde que fiz a última parada, tinha dito que leria pelo menos Virgens Suicidas. Não li. Não é por ser ruim, mas porque comecei a ler livros de parceria e da universidade e ele acabou ficando aqui de lado. Nas férias eu o termino.
Em compensação, a Cia. das Letras ofereceu O Grande Gatsby e COMO RECUSAR? SÉRIO? COMO?? Nunca havia lido, queria muito ler e tinha que ler um livro clássico no período! Situação perfeita.
Mas vamos a minha lista original…

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Vídeo-resenha: Apanhador no Campo de Centeio, J.D Salinger (…RELOADED!!!!)

A Lari fez uma vídeo-resenha desse livro há um tempinho atrás, e agora eu estou fazendo a minha. Como ele já foi resenhado – e num vídeo -, eu nem tinha certeza se ia fazer, mas o livro foi tão, tão incrível que não tinha como não falar dele. Aí eu fiz esse vídeo esquisito, mal-editado e com uma musiquinha tosca no começo (É Party Rock Anthem, do LMFAO. Cadê o contexto? NÃO TEM). 

Ele é WTF – como tudo o que eu faço -, mas foi feito com carinho, aproveitem.

 

 

Explicando a imagem: O Holden usa um chapéu vermelho de caça no livro, sem nenhum motivo aparente. Ele simplesmente se sente mais seguro usando ele.

PS: Por muito tempo, e até hoje, O Apanhador no Campo de Centeio foi considerado um livro de pessoas ligeiramente perturbadas. Isso se deve, principalmente, ao fato de que Mark Chapman  matou o John Lennon com esse livro na mão. Mas também é um pouco pelas mensagens anti-sociais, a reclusão do Salinger, e pela própria personalidade do Holden – como eu falei no vídeo, é meio difícil definir se ele é só um adolescente com problemas ou louco. 

Mas é óbvio que esse negócio de Apanhador no Campo de Centeio ser coisa de gente maluca é pura bobagem. É um livro tipicamente associado a pessoas que não conseguem se encaixar e são meio introspectivas por natureza,  mas achar que você vai sair por aí atirando em astros do rock por causa dele é idiotice. É o mesmo princípio de jogos violentos: ninguém bate em velhinhas por causa de GTA. 

Eu acho.

Enfim, se o seu professor de literatura ou sua mãe forem encher o saco, fale algo desse estilo.


Nolite te bastardes carborundorum: Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood

Handmaid’s Tale
Título em Português: O Conto da Aia.
Editora: Rocco
Lido em inglês.Compre?
“A história de ‘O conto da aia’ passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.”

Se você viu o post de nomes alternativos para clássicos, provavelmente percebeu que esse é nomeado “A América de Sarah Palin”. É exatamente essa sensação que você tem ao ler o livro e uma das personagens inclusive me lembrou a famosa política norte-americana. Sendo A América de Sarah Palin, obviamente temos várias reflexões sobre religião e o papel das mulheres na sociedade, sendo esse o foco do livro. 
Antes de qualquer coisa, esse livro é uma distopia. Ou seja, temos um plano maior que parecia ser perfeito quando foi implementado mas que acaba dando errado de alguma forma, nem que seja sob o ponto de vista de um personagem. E uma sociedade totalitária, é claro, e controladora que serve como sátira ou aviso para a nossa sociedade. E, como uma distopia, existem vários pontos que são assustadoramente parecidos com o que temos hoje.
Em Handmaid’s Tale, nós saímos de uma situação ruim para uma situação igualmente ruim. Antes da revolução religiosa, a sociedade era hipersexualizada e os índices de violência sexual e de gênero eram assustadoramente altos. Além disso, os índices de natalidade estavam diminuindo exponencialmente e algumas pessoas atribuiam isso à liberdade das mulheres e à promiscuidade, que espalhou DSTs que deixam as pessoas estéreis. É com a promessa de acabar com essas coisas que os filhos de Jacob assumem o poder e retiram todos os poderes de todas as mulheres. Elas passam a ser subordinadas aos homens e divididas em categorias, cada uma com uma função.
Aí entra Offred: ela é uma aia. Aias são as mulheres em idade fértil que anteriormente não eram da religião ou eram pecaminosas, destinadas a procriação. Baseados numa passagem da bíblia, do gênesis, uma vez por mês fazem um ritual em que a aia deita entre as pernas da esposa enquanto o marido tenta engravidá-la. Se não engravidar, Offred não é nada. Sua vida depende daquilo e a sua única função na sociedade é essa. Não há nada de erótico ou de sexual nisso, é uma missão que todos cumprem com desagrado.
O livro é contato no fluxo de pensamento de Offred, muitas vezes sem pontuação para marcar as falas. Não que isso seja um problema, porque nos aproxima muito mais dela. É como se ela estivesse se lembrando do que aconteceu, intercalando o presente e o passado. Todo o livro é muito introspectivo, com várias reflexões de Offred sobre a sua vida antes e depois. Agora, ela é reduzida a ser de alguém, mas antes ela tinha um nome, tinha um marido, tinha uma filha, tinha uma mãe, tinha amigos. Tinha o seu próprio dinheiro e o seu próprio diploma. Não era proibida de ler, não era proibida de andar sozinha, não precisava usar roupas até o chão…
O interessante é que a Margaret Atwood podia muito bem transformar o livro numa coisa anti-religião ou algo assim, mas não. Tudo é conduzido com muita sensibilidade, mostrando que o extremismo não leva ninguém a nada. A mãe de Offred era uma figura importante do movimento feminista pré-Gillead e, em vários aspectos, era tão parecida com Serena Joy, a esposa do Comandante, que era a líder dos filhos de Jacob. E até Serena Joy, que aparecia nas televisões fazendo propaganda pros filhos de Jacob antes de Gillead, é reduzida a uma Esposa, sentada o dia inteiro na sua casa sem fazer nada. Ela dá pequenos sinais de que se arrepende da mudança que tanto defendia, aqui e ali, com uma concessão ou outra.
Não vou entrar em detalhes sobre outros aspectos do mundo que são interessantes, porque o legal é você ler e perceber algumas coisas. Mas Margaret não deixa de lado ninguém: negros, judeus, homossexuais… Todos encontram o seu “destino” em Gillead, seja ele bom ou ruim. 
Existem várias citações ótimas no livro, mas duas se destacam:
Nolite te bastardes carborundorum
Não deixe os bastardos te abaterem.

“Maybe none of this is about control. Maybe it really isn’t about who can own whom, who can do what to whom and get away with it, even as far as death. Maybe it isn’t about who can sit and who has to kneel or stand or lie down, legs spread open. Maybe it’s about who can do what to whom and be forgiven for it. Never tell me it amounts to the same thing.”

“Talvez nada disso seja sobre controle. Talvez não seja sobre quem pode ter quem, ou quem pode fazer o quê para quem e se safar, mesmo que seja com a morte. Talvez não seja sobre quem senta e quem tem que se ajoelhar, ou levantar ou deitar, com as pernas abertas. Talvez seja sobre quem pode fazer o quê para quem e ser perdoado por isso. Nunca me diga que são a mesma coisa.”

Para finalizar, eu recomendo que todo mundo leia esse livro. Ele não é cheio de ação e de acontecimentos, mas uma leitura lenta e reflexiva, com uma linguagem quase poética. Nesse aspecto, ele me lembrou muito Delirium e acho~ que a Lauren Oliver bebeu um pouco da água da Margaret Atwood para escrevê-lo.
Entrou para a lista de favoritos.
Classificação: Dez aias (porque elas só andam de duas em duas!) 
Bonus:
Há um filme de 1990, que eu não vi ainda e não achei o trailer em português.:( De qualquer forma, aí está ele em inglês.

Títulos alternativos para grandes clássicos – Quantos você consegue descobrir?

No clima do Desafio Clássico, eu resolvi fazer esse post. Eu achei esse tumblr no Escreva Lola Escreva, e é tipo, a coisa legal que eu achei esse mês. (Quer dizer, o tumblr, não o Escreva Lola Escreva)
São vários livros clássicos, com títulos mudados e engraçadinhos. Infelizmente, não dá para traduzir os títulos, porque algumas piadas ficam meio sem-graça e ia dar muito trabalho. Se você não relacionar algum livro com a piadinha, o gabarito está lá embaixo! EDIT da Bell: Eu traduzi 🙂

Nunca ouça sua esposa

O Virgem de 107 anos

Eu não compreendo nem a explicação para iniciantes
de viagem no tempo.
Referências Épicas!
Dentro de um delírio de ópio de uma
solteirona
A América de Sarah Palin
Coisas para ter numa ilha deserta:
1)Uma bíblia
2) Passas
3) A instituição escravagista
Dois caras, uma taça.
Escolas públicas do Texas
Pessoas ricas merecem segundas-chances


A Rede Social
Beba com moderação

Um amor para recordar (é, essa não fica legal em português)
Nunca esfaqueie uma pintura mágica


Está tudo bem se uma fruta gigante
matar suas tias se
elas forem umas vacas.
Battle Royale inglês
O Oceano é uma puta
Namorar uma flor é muito não-correspondido

Esse destino poderia ter sido evitado
se ela tivesse um amigo gay saidinho -q

Sem dinheiro
Sem Encrenca

Sexo bêbado com pessoas pobres
Qualquer coisa é melhor que o título original
O tamnho IMPORTA.

1) Amanhecer, da série Crepúsculo (Mas eu acho que você já desconfiava, né?)

2) Macbeth, Shakespeare
3) Sandman, Neil Gaiman
4) A Wrinkle In Time, Madeleine L’engle
5) Handmaid’s Tale, Margarth Atwood
6) Alice no País das Maravilhas (outro que você já sabia), Lewis Carrol
7) Harry Potter e o Cálice de Fogo (outro que você já desconfiava), JK Rowling
8) Robinson Crusoé, Defoe
9) Fahrenheit 451, Ray Bradbury
10) Um Conto de Natal – Charles Dickens
11) 1984, George Orwell
12) The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald (mesmo que o título se encaixe bem em qualquer livro dele)
13) O Retorno do Rei, J.R.R Tolkien
14) O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
15) O Senhor das Moscas, W. Golding
16) James e o Pêssego Gigante, Roald Dahl
16) O Velho e o Mar, Hemingway
17) O Pequeno Príncipe, Antoine de St. Exúpery
19) Anna Karenina, Tólstoi. Se você não entendeu porquê do título, veja esses vídeos.
20) O Manifesto Comunista, de Friedrich Engels e Karl Marx
21) Factótum, mas assim como o do Fitzgerald, esse título se aplica a praticamente qualquer livro do Bukowski.
22) O Caso dos Dez Negrinhos, Agatha Christie

23) Viagens de Gulliver, Jonathan Swift

E se nada disso pertencesse a você?: 1984, de George Orwell

Sinopse do livro: 1984 é uma das obras mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Publicado em 1949, quando o ano de 1984 pertencia a um futuro relativamente distante, tem como herói o angustiado Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta. Em Oceânia, ter uma mente livre é considerado gravíssimo, pois o Grande Irmão, líder simbólico do Partido que controla a tudo e a todos, “está de olho em você”.
No íntimo, porém, Winston se rebela contra a sociedade totalitária na qual vive: em seu anseio por liberdade e verdade, ele arrisca a vida ao se envolver amorosamente com uma colega de trabalho, Julia, e com uma organização revolucionária secreta.
*** 
1984 é um clássico escrito por George Orwell no ano de 1948. O livro é ambientado numa sociedade distópica e futurista, fazendo crítica a vários regimes totalitários e personificando medos da época da Guerra Fria.
Neste futuro imaginado pelo autor, houve uma revolução socialista e autoritária, onde os cidadãos são tudo, menos iguais. Nosso mundo foi dividido entre Eurásia (Rússia e Europa Continental), Lestásia (Leste da Ásia) e Oceânia (Reino Unido, Américas, Sul da África e Austrália), que vivem em guerra entre si. As pessoas são vigiadas 24 horas por dia, e um mero pensamento contra o Partido é motivo de tortura e morte – o chamado pensamento-crime. Conceitos absurdos e lavagem cerebral são inseridos na cabeça da população por meio de um método chamado duplipensamento.

 

 Mapa do mundo fictício de 1984:
Oceânia: Américas, Sul da África, Reino Unido e Austrália
Eurásia: Europa Continental e Rússia
Lestásia: Leste asiático
Resto: território disputado
Neste ambiente claustrofóbico, nós somos apresentados a Winston, um homem que decide se rebelar contra o Partido. Mesmo sabendo que será preso pela Polícia das Ideias, ele se rebela mesmo assim, e vai aos poucos descobrindo que o mundo do Partido é mais que slogans grudentos e meras ameaças.
Ao contrário do que se pode parecer, o livro não é particularmente difícil. Tá, tudo bem que é um história tensa, mas a narrativa te prende de uma maneira tão única que é impossível largar o livro. Ele não é enfadonho ou excessivamente rebuscado como muitos livros por aí. Para um clássico com tanta densidade emocional, eu acho que eu li até rápido. Sinceramente, eu queria ter lido bem aos poucos, digerindo aquele mundo que é ao mesmo tão diferente e tão semelhante ao nosso, mas eu não consegui.
Eu precisava continuar lendo.
Eu precisava torcer, mesmo que inutilmente, por um final feliz. Porque, desde o começo, você já sabe o que vai acontecer ao Winston e à Julia. Mas mesmo assim você se apega aos dois, e espera do fundo do coração que eles não se rendam ao sistema cruel do Partido. Obviamente, todas as suas esperanças são massacradas no Quarto 101 e no Ministério do Amor (órgão do governo do IngSoc responsável pelas, hm, torturas).
Isso mostra que não existem esperanças em distopias. Mesmo que você lute, mesmo que você se sacrifique.
É um livro terrivelmente brilhante, que Orwell escreveu um pouco antes de sua morte – talvez como um aviso às gerações futuras. Mesmo que o início seja meio lento, eu nem sei por onde começar a explicar a importância desse livro. Até para você aí, que é como eu, fã de romances e finais felizes. Tá, não é o tipo de livro que você vai levar para a praia, no verão – nada te impede de levar 1984 para a praia, obviamente -, mas é um livro necessário. Para todo mundo. Ele é necessário para se lembrar que é preciso ter senso crítico e não aceitar as coisas já mastigadas pela mídia, pelo governo ou por seja lá quem for. Ensina que deve sempre se lembrar que a “minoria de um” está frequentemente certa, e só porque você pensa diferente dos outros, não quer dizer que pense errado. Pelo contrário. Ele mostra que é impossível domar o espírito humano, mesmo com doutrinação extrema e lavagem cerebral.
Como Winston, eu prefiro acreditar que um dia – talvez décadas, séculos depois do ano de 1984 -, os proletas se revoltarão, e trarão fim ao regime do Grande Irmão. Sou dessas.

 

 

 

É claro que você pode ficar meio deprimido pela leitura, porque em um certo ponto da história, o leitor é dominado por uma sensação de impotência tão grande que dá vontade de largar o livro. Se ele não fosse tão bom, eu com certeza teria abandonado.
Tá, não teria.
Mas é muito triste, e existe uma possibilidade bem palpável de você ficar para baixo (e paranoico) depois de ler 1984. Por isso, eu recomendaria ler naquele momento que você está procurando algo para expandir um pouco os seus horizontes, sabe, quando você quiser ler algo profundo, mas não maçante.

Por que “E se nada disso pertencesse a você?”
Esta foi uma das minhas principais reflexões quando eu li o livro.

E se eu morasse no mundo de 1984? Se não fosse dona de nada, nem mesmo das minhas memórias, dos meus pensamentos e do meu destino? E  se eu tivesse que sacrificar tudo isso – sem nenhuma escolha, porque, afinal, eu também não seria dona das minhas escolhas – em prol de uma “coletividade” que no fundo não existe? E o quanto disso é real? Quantas vezes a tevê, a internet ou até mesmo a escola nos manipularam para acreditar no que lhes era mais conveniente – não necessariamente a verdade?
É claro que qualquer um ficaria louco com esse excesso de interrogações, mas elas são necessárias de vez em quando. A maioria das pessoas parece querer se esquecer disso.

 

PS: Eu tenho que dizer que a edição de 1984 da Cia. das Letras é LINDA! A capa é linda, e ao vivo é ainda mais bonita.

Desafio Clássico – Primeira parada!

Leia até o fim, pode ter uma surpresa para vocês ;D
Gente, olha só! Já se passaram dois meses desde que o Desafio Clássico foi proposto e tivemos uma adesão maciça. Muita gente entrou “em cima da hora”, mas como eu já disse, não tem dessas. Se você ler os seis livros até agosto do ano que vem, tá beleza.
Esses dois meses foram meio complicados para mim e, com a volta do Clube do Livro, pensei que leria com certeza pelo menos um clássico, apesar dele não estar na minha lista de leitura.
Engano meu. Comecei a ler Emma, da Jane Austen e… PAAAANNNNNN. Emma, você é uma chata. Como éque eu consegui ler 30 páginas com você “mimimi, blablablablá”, eu não sei, mas foi só até aí.
Nesse mês, o livro é Virgens Suicidas e eu devo terminar essa semana, contando mais um.
O outro que eu li (e terminei segunda feira, em cima da hora pro dia 28) foi HANDMAID’S TALE, da Margaret Atwood. A resenha deve entrar no ar na semana que vem, então fiquem de olho, porque o livro é BOM DEMAIS.
Mas observem a minha lista:The Once and Future King (O Único e Eterno Rei)- T.H. White
Stranger in a Strange land (Um estranho numa terra estranha) – Robert A. Heinlen
Grandes Esperanças – Charles Dickens
São Bernardo – Graciliano Ramos
O Estrangeiro – Albert Camus
A hora da Estrela – Clarice Lispector

Eu não li NENHUM livro dela! Tudo bem, eu ainda tenho 10 meses pela frente para fazer isso. O próximo clássico, depois de Virgens Suicidas, que eu lerei será O Grande Gatsby, que vai ter MAIS um filme em breve com o Leonardo di Caprio.

Enfim, chega de blablablá e vamos ao que interessa, tudo bem? Como teve muita gente que chegou de para-quedas, eu vou fazer um pequeno FAQ antes de ir ao que interessa:


P: Eu preciso preencher algum formulário para participar?
R: NÃO! Esse desafio é um “compromisso pessoal”, então você nem precisa me avisar que está participando até que chegue num desses pontos de parada. O pessoal normalmente comenta no primeiro post do desafio dizendo “estou participando” ou avisa no twitter. P: Tenho um blog e acabei de fazer uma resenha do desafio, o que eu faço agora?
R: Se você comentar no twitter, citando o profile do blog (@nemumpoucoepico),  você receberá um RT. Além disso, a cada Checkpoint, quando você responder as perguntas aí nos comentários (é altamente recomendado que se faça isso), você pode colocar o link para elas e eu edito o post do checkpoint com elas. Vai  me dar um trabalhão, o que não se faz por amor?

P: MEU DEUS, NÃO CONSEGUI LER, E AGORA?
R: E agora paciência. Não se cobre. Se não deu, não deu! Deixa para a próxima… Só não acumule tudo para Julho do ano que vem!

P: Aí, já li os seis em só dois meses, e agora?
R: Aumente a sua meta. Em vez de seis, determine outro número. Lembra, isso é um compromisso pessoal 😀

P: Não concordo com a determinação de clássicos!
R: Então escolha o que VOCÊ acha que é um clássico. Lembra que isso é pessoal, você que escolhe, etc etc? A determinação que eu coloquei aqui é para dar mais abrangência e possibilitar novas e diferentes leituras.
Pronto. Terminado o FAQ, vamos ao que interessa, ok? Primeiro eu vou preencher as perguntas com as minhas coisas para vocês verem como é para fazer e depois vocês fazem isso nos comentários… Mas espere aí porque esse posta ainda não acabou.

Quantos clássicos você leu nesses dois meses? Bem, completo eu li um. Incompleto, dois.
Quais foram? Completo: Handmaid’s Tale, da Margaret Atwood. Incompleto: Emma, da Jane Austen e Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides
Cumpriu a sua meta? Sim, li um livro nos dois meses!
O que você achou deles? Handmaid’s Tale é maravilhoso. Sabe daqueles livros que te deixam impressionados pela genialidade do autor? Então. Além disso, a forma como a autora escolhe para contar a história, como se fosse o fluxo de pensamento da personagem principal, as suas reflexões e a forma incrível como, embora escrito em 1985, o livro ainda é atual tornaram a leitura perfeita. Ele é um novo favorito e eu indico para todos que possam se interessar.
Aliás, esse livro me fez me perguntar POR QUE DIABOS eu leio tão pouca ficção científica escrita por mulheres.
Qual o seu personagem favorito do livro? Eu adoro a Offred, a protagonista. E a Moira, sua amiga. E, sim, a Serena Joy e o Commander. Tudo bem, gosto de todo mundo de uma maneira anormal… Mas a Offred é muito bem construída. Acho que por ser contado na visão dela, com as reflexões dela, você se apega muito.
Viu alguma adaptação cinematográfica? Não, mas pretendo ver.
Link para a resenha (caso tenha blog): ~~ em breve neste mesmo blog.



Antes de ir para a segunda parte desse post, lembro para vocês que esse é um compromisso PESSOAL.
Burlar as regras não te faz mais esperto que os outros, porque, francamente, os outros não interessam. O objetivo desse desafio não é ler mais rápido ou melhor, e sim tentar descobrir que tipos de clássicos podem te agradar. Não tem problema largar livros pela metade porque eles são chatos (tipo EMMA. Jane, você me decepcionou). O importante é você ir atrás de um que te interesse, nem que tenha que começar vinte antes de achar! Muita gente acha que “todos os clássicos são chatos”, mas isso não é verdade. Assim como você precisa achar que tipo de livro “contemporâneo” você gosta, você também precisa fazer isso com os clássicos. Por isso é que o conceito de clássico aqui é tão abrangente – é um convite ao descobrimento. Fuce, procure, descubra novos títulos que são “revolucionários” mas que você nem sabia que existiam antes.
Se liberte do seu quadrado e caminhe com os unicórnios~~Ok, vou parar de ser estranha e ir ao que interessa, tudo bem?

O negócio é que se você está participando, você vai ganhar presentinhos. Não todo mundo, mas quem for sorteado. No dia em que eu for milionária, mando livros para todos vocês em troca de trabalho escravo favores sexuais devoção sua participação!
Mas por enquanto, vai ser assim: a cada Ponto de Parada vocês terão algum tipo de surpresa. Embora eu tenha dito que não seriam sempre livros,  dessa vez é um livro.
E para alguns é *O* Livro.
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, do Machado de Assis.
É essa edição da  editora Abril, com capa dura e indo até com o preço de compra (não vou abrir o plástico só para tirar isso). Essas edições são lindinhas demais e, mesmo que você já tenha, ele fica bonito na estante. Caso não tiver, melhor ainda!
Vocêquer saber como ganhar ele?
É ridiculamente fácil:

– Você participa do desafio clássico
– Você responde às perguntas sobre o seu livro aí nos comentários, lembrando de adicionar o seu NOME no final, para eu entrar em contato.

Caso não deseje ganhar o livro, avise no comentário!

Como é uma promoção para PARTICIPANTES do desafio, não há entradas extras nem nada, ok?
A promoção vai até o dia VINTE E OITO DE NOVEMBRO, daqui há um mês, e podem participar até lá. Quem não conhecia o desafio tem até lá para ler e postar suas impressões aqui!
Depois disso, eu devo fazer o sorteio no início de Dezembro.

E acho que é isso! Força até dezembro!

LINKS PARA RESENHAS DE OUTROS BLOGS:

Batata Transgênica e seus quatro livros e um quarto
Free to be me e José de Alencar
Fotos e Livros e Agatha Christie
Ideias e Entrelinhas e O Morro dos Ventos Uivantes
Danificável e Felicidade Clandestina
Aline Nerd e O Clube dos Suicidas
– Clique neurótico e Lolita e Carrie a Estranha
Super Pri e seu Grande Gastby

Desafio Clássico – A Gênese

Eu disse que dia primeiro ia ter um post com todas as regras e sugestões de títulos e aqui estamos nós!
Primeiro, durante a semana recebi várias sugestões de regras pelo twitter, além de sugestões de título. Várias pessoas pediram banners também e num acesso de insanidade, fiz seis (dois de cada tamanho). Além disso, o Clube do Livro DF voltou, me fazendo ler clássicos de qualquer forma. Mesmo assim, o mínimo é seis, né? Nada impede que se leia mais!

Mas vamos às regras, ok?

  • Você tem que ler seis livros clássicos em um ano (de agosto/2011 até agosto/2012);
  • Não conta se os livros forem para a faculdade ou para a escola, A MENOS que você esteja em ano de vestibular (porque se for assim, ano passado li o Manifesto Comunista, etc etc);
  • Apesar da regra acima, os clássicos não precisam ser só de literatura. Não tem problema nenhum que você decida ler, por conta própria, O Capital para poder aprofundar seus conhecimentos.;
  • Se você ler o livro e assistir a adaptação cinematográfica dele depois para comparar as duas, melhor ainda! O que não é legal é ver a adaptação sem ler o livro e usar ela para responder as perguntas!;
  • A cada dois meses, haverá um post no dia 28 (o próximo é em 28 de Setembro) com as seguintes perguntas:
    Quantos clássicos você leu nesses dois meses?Quais foram?Cumpriu a sua meta?O que você achou deles?Qual o seu personagem favorito dos livros?Viu alguma adaptação cinematográfica?
    Link para a resenha (caso tenha blog):
  • Como eu sou legal e realmente quero que vocês sofram comigo, eu vou sortear coisas entre as pessoas que participarem do desafio! Não coisas grandes (ainda) como livros, mas bottons, marcadores, esses cacarecos assim. As regras aparecerão em cada um dos posts e serão diferentes a cada bimestre.;
  • Um clássico, para esse desafio, é um livro que marcou um gênero ou uma época, tendo que ter pelo menos 10 anos. Por exemplo, Harry Potter e a pedra filosofal conta. Entrevista com o Vampiro também. E Sandman, que é uma história em quadrinho, também conta – mas com ressalva. Um capítulo não conta como um livro e sim um arco de história inteiro;
  • Releituras não VALEM! Eu sei que não tem como controlar isso, mas todo esse desafio é sobre compromisso pessoal e disciplina. Você pode até pensar “vou enganar ela e reler”, mas no final, você só está SE enganando :);
  • Não tem problema nenhum se você não conseguir cumprir 🙂 O que importa é tentar.

Do jeito que tá, vou lançar um livro de auto-ajuda em breve, comprem
As regras são claras, Galvão. Agora, aí embaixo tem o código para os seis banners que eu fiz do desafio. Se não for do tamanho certo ou não combinar com o seu blog, você pode fazer o seu próprio e linkar para esse post ou para o blog. 🙂

Além disso, conforme o desafio for andando, vou colocando o link das etapas nesse post e os das resenhas de outros blogs que participam! Assim fica tudo lindo e organizado (eu espero). Ou talvez eu transforme essa postagem numa página, lá em cima.

PONTOS DE PARADA:
Primeiro Ponto de Parada – 28/09 – Valendo Memórias Póstumas de Brás Cubas

 

Agora, vamos às ilustres sugestões de títulos… Depois da quebra, é claro (ou esse post vai ficar enorme).
Se vocês quiserem, postem nos comentários a sua lista prevista de clássicos para dar mais sugestões para quem vai participar.
Continue lendo Desafio Clássico – A Gênese

Clássicos, Clássicos…

Todo mês temos uma enquete nova ali do lado que serve como termômetro para me dizer qual é a do público do blog. Além disso, também é divertido fazer perguntas e ver as tendências de distribuição e-
Ok, vou parar de nerdizar e vou ao ponto: a desse mês foi sobre clássicos da literatura.
A pergunta era se você lê muitos clássicos da literatura e no final, 127 pessoas responderam.

  •  27 disseram que SIM, leem muitos clássicos e os adoram;
  • 19 disseram que NÃO, porque eles são chatos;
  • 67 pessoas disseram que não leem tantos quanto gostariam;
  • E pobres 14 pessoas tiveram experiências traumáticas
Vendo que a maior parte de vocês está na mesma categoria que nós (que é a de não ler tanto que gostaria), lanço agora um desafio MÍSTICO que provavelmente não será cumprido na sua totalidade: ler PELO MENOS seis livros clássicos até Agosto do ano que vem.

É um ano para ler seis livros, cara. Sério. Dá para demorar dois meses lendo cada livro, é óbvio que dá. (Ok, eu disse o mesmo do desafio de Harry Potter e só li 3 de sete até agora, mas e daí?)

É bem fácil participar dele. A cada dois meses, no dia 28, vou fazer um post do “Desafio” perguntando para vocês qual (ou quais) livros clássicos vocês leram, o que acharam dele e se recomendam para alguém. Para quem tem blog, haverá espaço para vocês colocarem o link para a sua resenha. Mesmo que eu não consiga cumprir, o post estará lá!

Agora, se você está aí se perguntando O QUE DIABOS é um Clássico da literatura, a Wikipedia te ajuda:

Um livro denominado clássico é aceito como tal ao ser considerado exemplar, seja ao ser listado em quaisquer cânones ocidentais ou através da opinião pessoal de um leitor

Ignore a parte dos cânones ocidentais – o que nos importa aqui é a OPINIÃO PESSOAL DO LEITOR. Vou considerar um “clássico” qualquer livro que VOCÊS considerem clássico, seja a Ilíada, seja Orgulho e Preconceito, seja Neuromancer, seja Musashi. Não importa o gênero ou a nacionalidade, o que importa é que seja um livro que você não leria normalmente por causa dos lançamentos. A única restrição é que o livro tem que ter sido lançado há pelo menos dez anos em sua versão original. Por exemplo, Entrevista com o Vampiro poderá ser considerado como um Clássico, mas não Crepúsculo.
Deu para entender, né??

Agora, temos até o dia primeiro de Agosto para ajustar as coisas. Quando o Desafio começar a valer (no dia primeiro de Agosto), eu farei um post com sugestões de títulos e ajustes nas regras e para isso preciso de VOCÊ! É, você aí que lê e não comenta, ou que sempre ouviu de um livro X ou Y que é um clássico e quer resenha dele. Aqui embaixo tem um formulário do google docs em que você pode escrever as sugestões para o desafio que quiser e elas aparecerão aqui no dia primeiro!