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A Cabana (Filme)

É comum ao ser humano não assumir seus erros tanto quanto se culpar por atos que lhe fogem o controle. Em ”A Cabana”, filme de Stuart Hazeldine que adapta a trama do bestseller de William P. Young para as telas, aquele último entendimento transcorre em exatidão com o que acontece a Mack Philipps (Sam Worthington). Um pai de família transtornado pela morte da filha mais nova e pela culpa que carrega em relação ao ocorrido. Na trama, Mack é levado a atravessar um caminho longo de auto-conhecimento para perdoar a si mesmo e dar-se a chance de viver em paz.

O processo de amenização das dores desse pai é realizado quando ele recebe um chamado divino de Deus, Jesus e o Espirito Santo para visitar ‘A Cabana’ secreta onde o incidente ocorreu. Os três personagens, em sequência, são vividos por Octavia Spencer/Graham Greene,Avraham Aviv Alush e Sumire Matsubara.

O longa, que é um dos lançamento desta quinta-feira (06), ainda tem a participação da atriz brasileira Alice Braga e do cantor/ator Tim McGraw.

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A Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, aparecem com os nomes de Elouisa (Spencer), Jesus (Alush) e Sarayu (Matsubara)

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Logan, De James Mangold

Há dezessete anos, o fruto do projeto arma-x, bem como os demais membros dos X-Men, foram levados ao cinema pela primeira vez pelo realizador Brian Singer. Desde sua primeira aparição, Wolwerine, personagem criado para os quadrinhos por Len Wein e John Romita com desenho de Herb Trimpe, é interpretado pelo ator australiano Hugh Jackman. 

Incontestavelmente um dos mutantes mais adorados do universo, a demanda crescente exigia que a jornada de Logan fosse contada a parte, ou ainda, paralela as aventuras da turma poderosa do professor Xavier e lá em 2009, com o desestruturado ”X-Men Origins: Wolwerine”, o projeto foi engatilhado, voltando depois a ser revisitado em 2013 com o mediano ”Wolwerine: Imortal”. Agora, chega-se a conclusão desta caminhada com o definitivo ‘Logan‘. Película dirigida por James Mangold (Johnny & June e Garota Interrompida) que nasce em um mundo pós ‘Deadpool’, personagem dos quadrinhos também levado aos cinemas pela 20th Century Fox que ampliou o leque de possibilidades ao modo de se fazer cinema.

O filme constrói uma linguagem que vai além do que já se foi visto antes sobre o personagem. É muito mais violento, denso, e com problemáticas reais. Afinal, ele se desliga de uma temática supérflua de heróis lutando contra o mal e abusa das impossibilidades daqueles seres em situações comuns.

Com Hugh Jackman e Patrick Stewart retornando aos seus papéis usuais de Wolwerine e Xavier, o longa tem a estreante Dafne Keen, o ator em ascensão Boyd Holbrook e os maravilhosos Stephen Merchant e Richard E. Grant.

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Estrelas Além do Tempo

Sabe aquele dia que você está em casa sem fazer nadica de nada e fala, “ah, vou ver um filme”. Seu próximo passo é, claro, buscar algo que lhe chame atenção. E, por acaso, você já viu alguma produção que trouxesse mulheres negras como o foco e, não só isso, mas que ainda questionasse o porquê da humanidade ainda não perceber que sua evolução acontece quando ela decide dar as mãos e caminhar lado a lado, sem distinção de gênero, cor ou classe? Uma película com esta proposta lhe chamaria atenção?

Presume-se que uma parcela significante de pessoas ficariam interessadíssimas.

Pois bem, adaptado a partir do livro ”Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win the Space Race”, escrito por Margot Lee Shetterly, o longa Estrelas Além do Tempo expõe, com muita lucidez, o trabalho feito por uma equipe de cientistas, formada por mulheres afro-americanas, ao ajudar o homem, durante a Guerra Fria, a chegar ao espaço. Mais precisamente ajudar a NASA, agência espacial estadounidense, a ganhar a corrida e passar a frente da agência russa.

O longa tem direção de Theodore Melfi (Um Santo Vizinho), conta com Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe nos papéis principais, e aparece listado entre os indicados ao Oscar 2017 em três categorias: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Spencer. Ademais, levou o prêmio de Melhor Performance de um Elenco em um Longa-Metragem no Sag Awards 2017 (nos últimos anos, todos as produções que ganharam esta categoria no Screen Actors Guild também foram vencedoras do Oscar de Melhor FIlme).

Estrelas Além do Tempo estreia hoje em circuito nacional.

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Warning: ‘Como Eu Era Antes de Você’ Vai Lhe Fazer Chorar

Sabe aquele tipo de filme que muito namorado bobão vai ficar apreensivo de levar a parceira para assistir porque sabe (lá no fundo) que vai se emocionar tanto quanto ela? Poisé, a estreia desta quinta (16), ‘Como Eu Era Antes de Você‘, se encaixa perfeitamente nesta categoria! Adaptado do livro homônimo da escritora inglesa Jojo Moyes (que também é roteirista do longa), a história traz o encontro de duas pessoas totalmente opostas em um momento delicado da vida de ambos. A película tem direção de Thea Sharrock e é estrelada pela atriz Emilia Clarke (que é mais conhecida por seu papel na serie de tv Game of Thrones) e pelo ator Sam Caflin (o Finnick de Jogos Vorazes: Em Chamas e suas sequências).

O enredo é, basicamente, o típico modelo de filme ‘amorzinho’ que todo grupo de amigas vai adorar indicar uma a outra. Quem amou o livro (lançado, em 2013, no Brasil) então, nem se fale.

Bem, vamos a sinopse:

O jovem Will Traynor (Sam Claflin), um rico e bem sucedido empresário, leva uma vida invejável. Tem a mulher que quer, ama viajar e pratica, quase, senão, todos os esportes radicais que existem. Em um dia chuvoso, ao sair de casa rumo ao trabalho, o rapaz é atingido por uma moto, ao atravessar a rua. O acidente o torna tetraplégico, obrigando-o a permanecer em uma cadeira de rodas. A situação o torna uma pessoa ríspida e bastante depressiva, para a preocupação de seus pais, o casal Camilla (Janet McTeer) e Stephen Traynor (Charles Dance). É neste contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) uma moça de origem modesta, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida, é contratada para ser sua cuidadora. Clark faz o possível para melhorar o estado de espírito do jovem e, aos poucos, acaba se envolvendo com ele. Continue lendo Warning: ‘Como Eu Era Antes de Você’ Vai Lhe Fazer Chorar

A Série Divergente chega a sua ‘quase conclusão’ com Convergente

O boom das distopias literárias iniciado pelo lançamento de Hunger Games, se não me falha a memória, em 2008, acabou gerando uma onda muito positiva $$ para o universo das livrarias. O que acabou propiciando o crescimento de adaptações deste gênero para o cinema. O público adolescente, alvo em particular destes projetos, foi o mais agraciado, afinal, ganhou um leque de opções com tramas substanciais e pôde escolher entre elas.

A série ‘Divergente’, da escritora norte-americana Veronica Roth, foi uma destas novas obras que casaram consistência com sucesso. Lançada em meados de 2012 e adaptada para o cinema dois anos mais tarde,  ”Divergente” e suas sequências, ” Insurgente” e “Convergente”, trazem um futuro questionador onde uma sociedade residente da cidade de Chicago divide seus cidadãos entre facções que representam valores tais quais honestidade, coragem e bondade.

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Na primeira iniciativa, conhecemos Beatrice (Shailene Woodley). Uma jovem que ao fazer o teste para escolha de sua facção tem um resultado inesperado e descobre que poderá optar por uma nova vida sem o pitaco de ninguém, o que não ocorre para muitos outros. Ela inicia então sua jornada na facção ”audácia” e ganha o nome de Tris. Faz novos amigos, como o misterioso Four (Theo James), o interesseiro Peter (Miles Teller) e a destemida Christina (Zoë Kravitz), e dali em diante inicia um novo aprendizado. A sequência da história leva a trama para um outro ponto. O da indagação daquele mundo. E claro o confronto com quem está no comando dele. Nesta parte, Jeanine, personagem vivido por Kate Winslet ( que também dá as caras no primeiro longa) se enfurece e vai a caça de todos aqueles que são contra o seu governo. Tris e sua turma off course my horse fazem parte desta minoria e são dados como fugitivos passando assim a lutar vigorosamente em oposição ao governo.

Continuando a marcha e não enrolando tanto quanto seu antecessor, ‘Convergente’, penúltimo filme da série – que também teve seu último livro dividido em dois por questões óbvias $$ – traz agora um mundo conhecedor de uma nova verdade: tudo em Chicago fora uma experiência científica. Uma proposta de cientistas para testar a ”perfeição humana”. Tris, Four e cia  sairão em uma expedição para conhecer aquela sociedade desconhecida que aparenta já estar esperando por eles. Continue lendo A Série Divergente chega a sua ‘quase conclusão’ com Convergente

TUDO (não, sério, tudo MESMO) sobre a Avant-première de Hunger Games na França [Spoiler-free]

Onde? Paris, Champs-Elysées, cinema Buttes-Chaumont
Quando? 15 de março, às 20:00 (teoricamente, né?)
Com quem? Gary Ross, a Katniss, o Peeta, o Gale, a Effie e um monte de fãs malucos.
O que mais precisamos saber? Primeiro que, conforme prometido, este post será detalhado. Fiz em partes pra vocês poderem pular pra que interessa, se quiserem. Segundo, que eu nunca me refiro aos atores por seus nomes reais. Eu sempre chamo eles pelo nome do personagem que eles interpretaram. Espero que não se incomodem, mas se for o caso, conto com a capacidade de vocês de fazerem as devidas substituições mentais. 😛

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Não tenho palavras… – “Um Dia” de David Nicholls

Ano2009

LínguaPortuguês/Inglês
Editora: Intrínseca (português)/Hodder&Stoughton (inglês)

Autor: David Nicholls
Nome Original: One Day

“David Mayhem e Emma Morley se conhecem em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, agora que se formaram,  deverão  trilhar caminhos diferentes até porque eles não poderiam ser mais diferentes um do outro, mas depois de um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.

Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, os dois se tornam amigos e mantém uma relação de amizade e amor que nem eles mesmo sonhavam ter um com outro. Algo deveria ter sido apenas um dia, se alonga durante os vinte anos seguintes, onde flashes do relacionamento complexo entre eles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar as contas com a essência do amor e da própria vida.”

[Resumo retirado do site da Intrínseca – com modificações]

Tudo começou quando eu e meus amigos fomos ao Pier 21 (shopping de Brasólia) assistir qualquer filme da vida. Para passarmos tempo, entramos na livraria Leitura e a Bárbara viu as edições de “Um dia”, ela pegou um dos livros na estante e perguntou se eu gostaria  que ela pedisse esse livro para a Intrínseca para resenha. Nem pensei duas vezes, já tinha a resposta na ponta da língua: “Não, pega outro. Parece idiota”, e assim, a vida continuou. 

O engraçado é que ao mesmo tempo que pensei que o livro seria idiota, eu estava esperando ansiosamente um filme com o Jim Sturgess e a Anne Hathaway  desde que anunciaram que eles seriam os protagonistas. Quando lançaram o trailer do filme, simplesmente amei e pensei comigo mesmo, “Esse  filme vai ser sensacional!”, mal eu sabia que ele era baseado no livro que chamei de “idiota” e não tinha nenhum interesse em ler. Nem lembro como descobri esse fato e não importa de qualquer maneira, o negócio é que ao descobrir a relação entre Um dia e o filme com o Jim e a Anne de mesmo nome, pirei e liguei para a Bárbara na hora, perguntando se ainda dava tempo de pedir o livro. Ainda não sei dizer se dei sorte, ou não, por eles o terem enviado (continue lendo, os motivos não são os que vocês imaginam). 

O início do livro me prendeu, mas não tanto quanto pensei que o faria, acho que o fato de eu ter lido com a Bia (Cherry_B) o primeiro capítulo num dia quente enquanto esperava entediada nossa modelo do blog, Bárbara, tirar fotos nao ajudou em nada. Depois disso, só peguei no livro na semana seguinte por forças da natureza (Bárbara: “Sabe, a Patrícia disse que só vai enviar o livro que estou querendo há eras DEPOIS que você fizer a resenha. E queria TANTO lê-lo, mas ALGUÉM está empacando. ME EMPACANDO.”) e não sei o que aconteceu, foi mágico, sei lá, porque uma vez que fui para minha cama e o peguei para ler e só interrompi a leitura por conta de uma certa briga envolvendo a frase “Quem sabe faz, quem não sabe ensina” e questões fisiológicas (sono), mas principalmente por conta da briga, porque tive que parar para respirar e me preparar, já que estava sem estrutura emocional para continuar a leitura. Na verdade, nem sei como li tanto em poucas horas, considerando que Um dia, apesar de ser um livro bem-humorado e bem escrito, ele é tão emocional e tão cheio de dilemas, desilusões e desencontros (DDD – não presto, eu sei, mas não resisti… 8D) que acaba consumindo muito e é de tirar o fôlego de tão próximo da realidade que ele é.


“Ele queria viver uma vida de tal forma que se de repente uma foto fosse tirada, ela seria uma fotografia legal.”

No início do livro, você percebe que Emma e Dexter, que acabaram de ser formar na faculdade, estão cheios de sonhos e esperanças – ela quer mudar o mundo ao redor de si, mesmo não sabendo como, e ele já sabe que quer ser rico e ter muitas mulheres, apesar de não saber o que fazer para ficar ganhar tanto dinheiro -, mas a cada ano que passa, eles percebem o quão difícil é mudar o mundo ou ficar rico e de tempos em tempos, eles se perguntam o que está acontecendo, o que está fazendo tudo tão complicado para eles que agora só estão experimentando desilusões. Como a minha mãe diria nessas horas, “A vida acontece, Valéria”.  E eu sei que parece ser uma resposta injusta, mas quando você para para pensar, ela é muito válida. 

O mesma complicação acontece no relacionamento de Dexter e Emma, que ano após ano, vai se degastando e ficando mais forte, passando por altos e baixos… E o pior de tudo, é você ler e saber que eles se amam  não apenas como melhores amigos, mas de uma forma muito mais profunda e intensa que isso, e ainda assim, eles se encontram e se desencontram através dos anos. Enquanto lia o livro, não pude deixar de pensar no filme “Jeux d’enfants” (resenha aqui), onde os personagens principais são melhores amigos e se amam, mas se encontram e desencontram o tempo todo.

” – Então… O que aconteceu com você?
   – A vida. A vida aconteceu.”


Tudo o que acontece em Um dia com e entre Emma e Dexter é muito triste, engraçado, irônico e real demais. Na parte de trás da capa da edição brasileira, eles colocam um elogio feito por Álvaro Pereira Junior, da Folha de São Paulo, no qual ele diz, “Eu não seria capaz de descrever quanto é excelente e quanto adorei Um dia“. E, sinceramente falando, assim como ele, eu não tenho as palavras para descrever esse livro expressando o quanto o amei, o odiei e me emocionei com ele. 

O David Nicholls faz uma abordagem bem diferentes do que estamos acostumados ao nos apresentar apenas  um dia, ano após ano, na vida dos personagens principais durante os vinte anos em que eles se conhecem. E apesar de ter estranhado no início, simplesmente achei genial o que ele fez e em certa hora, me peguei filosofando que um dia em nossas vidas não acontece nada, mas ao mesmo tempo acontece tanta coisa… É muito mágico e bonito, não é? 

“Aqui é onde tudo começa. Tudo começa aqui, hoje.”

Se vocês prestaram atenção no que falei no início da minha resenha, devem estar se perguntando porque fiquei pensando se dei sorte ou não com esse livro, se o elogiei tanto. O negócio é que a revisão da edição lançada pela Intrínseca, me desculpem a frase, estava completamente cagada e me fez questionar se também foi traduzido direito. Sério, para ter noção do drama, cheguei ao ponto de quase comprar a versão original (em inglês) e tacar fogo na edição disponibilizada pela editora Intrínseca. 

No início, pensei que poderia ser apenas erros de digitação que passaram despercebidos, mas depois, percebi que existiam erros tão grotescos de revisão que não tinham como ser ignorados, palavras que mudavam uma letra . Um dos pontos máximos foi quando os irmãos de uma das namoradas do Dexter estavam enchendo o saco dele e fizeram o um “F” de “fracassado” na testa com uma mão só. Não pude deixar de imaginar que os três entendiam libras perfeitamente bem, se eu não soubesse o alfabeto em libras e visse uma pessoa fazendo esse símbolo na testa, me perguntaria se aquilo era algum sinal secreto de alguma organização secreta ou se eles eram apenas problemáticos mesmo. 

Acho que um grande nicho brasileiro sabe que um “L” na testa significar “perdedor” ou “fracassado”, mesmo não sabendo porque o símbolo é um “L”. Eu acredito em nota de tradutor/revisor/editor/o-diabo-à-quatro e acho que é de suma importância falar que “L” é de “loser” e informar o significado da palavra em português para não tirar algo da cultura do outro país e acabar estragando o livro. 

Outro ponto alto dos horrores da edição brasileira foi tão bizarro e feio que merece que eu fale a página e coloque a frase. 

– Para ser honesta, sempre achei que você forçava aquele sotaque. Uma forma de afetação sabe?
O quê?
– O seu sotaque. Você sabe… Os “r” mais carregados, Guat-e-mala, essas coisas…

 P. 268

Porque, vocês sabem, “Guatemala” é uma palavra cheia de “r”, acho que contei uns cinco. Não sei se foi erro de digitação ou o quê, mas com DOIS revisores, o mínimo que eu esperava é que isso não passasse despercebido como passou. 

A Editora Intrínseca é uma das minhas favoritas e não sei o que aconteceu e espero que algo assim nunca mais aconteça, porque senão a minha lista de editoras brasileiras vai ficar ainda menor e finalmente vou poder contar em uma mão às que valem à pena. Enfim, até que eles arrumem isso, recomendo que se você tiver acesso e consegue fazê-lo, leia a edição original em inglês para não passar raiva como passei. 

A Mulher do Viajante do Tempo, Audrey Niffenegger

Ano2003
LínguaPortuguês/Inglês
Editora: Objetiva (português) / Houghton Mifflin Harcourt (inglês)

Autor: Audrey Niffenegger

Nome Original: The Time Traveler’s Wife
Nome em Português: A Mulher do Viajante do Tempo


“Este livro narra a história de amor mais inusitada, contando sobre Henry DeTamble, um belo e aventureiro bibliotecário que viaja pelo tempo involuntariamente, e Clare Abshire, uma artista que tem a vida seguindo seu trajeto natural. O romance de Clare e Henry sobrevive e atravessa as areias do tempo da forma mais extraordinária e complexa possível, criando uma relação praticamente impossível, não fosse o distúrbio genético cronológico de Henry que viaja pelo seu próprio passado e futuro vivendo acontecimentos emocionalmente importantes em sua vida.


A doença de Henry é um grande empecilho para Clare, que tem que lidar com a ausência de Henry e os problemas ocasionados pelo distúrbio cronológico, e também é um grande empecilho para o próprio Henry, que tem que se reajustar a própria vida toda vez que viaja pelo tempo.”


Eu ri, eu chorei, me irritei, questionei a minha existência, me diverti, me encantei e eu chorei mais um pouco com a história de Henry e Clare. Não tem como evitar todos esses sentimentos ao ler A Mulher do Viajante do Tempo. 

O tempo não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não representam nada(…)”
– Rilke

Clare tem vinte anos e está completamente apaixonada por Henry desde os seis anos de idade e em uma visita a uma biblioteca, ela encontra o amor da sua vida e fica empolgada, no entanto aquele Henry, de vinte e oito anos, ainda não a conhece e se espanta com a intimidade com que ela o trata e pede para que ela vá devagar com ele, mas convenhamos, é difícil ir devagar com um cara que você conhece a vida inteira e é apaixonada. Como eu ri com o espanto do Henry e com a Clare estabanada. Depois de conversarem um pouco, os dois marcam de jantar em um restaurante tailândes onde Clare explica que o conhece desde pequena e que sabia que o encontraria em Chicago em dois anos, mas sem saber nenhuma circunstância sobre o encontro pelo qual sempre esperou. A partir daí, o casal engata um relacionamento no mínimo diferente.

É engraçado ver que Clare está apaixonada por duas pessoas que no fim são a mesma. O Henry de seu tempo é bem diferente do qual ela está acostumada, que é mais velho e bem mais maduro, mas ela ama os dois da mesma forma e é a coisa mais linda do mundo quando ele fala que eles precisam ficar juntos para que ele se torne o homem que ela conheceu. Tem uma hora que ele brinca sobre estar competindo com ele mesmo pelo amor de sua amada.

Henry passa por poucas e boas por conta de suas viagens repentinas pelo tempo e tem que lidar com a situação de ser um viajante do tempo. A viagens de Henry são engraçadas e desesperadoras, porque não pode levar nada consigo ao viajar pelo tempo, então ele aparece pelado onde quer que ele esteja. Por conta disso, ele teve que aprender a fazer coisas que no seu tempo certo não faria como: roubar, bater, correr, invadir casas… E Henry evita ao máximo de pedir ajuda a si mesmo depois de uma certa idade e contar o que acontecerá no seu próprio futuro, então, ele nunca sabe em que tipo de encrenca se meterá e o que acontecerá com si próprio. Tem uma cena que envolve Henrys de idades próximas, puberdade, um pai chegando mais cedo em casa e o Henry escondendo de si mesmo o seu  futuro, aquela passagem do livro é memorável.

“Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente  amar (…)
– Rilke




Por mais que as viagens de Henry sejam interessantes e que ele saiba de certas coisas do futuro, é muito triste você ver o quanto ele deseja ser apenas normal e viver uma vida tranquila ao lado de Clare e o quanto isso atrapalha o relacionamento dos dois. No prólogo do livro, você tem uma noção de como são difíceis as viagens de Henry e percebe o quão parte o coração de Clare o
fato de que ela sempre tenha de ser a pessoa que espera sem saber por quanto tempo e sem saber se Henry voltará bem de suas viagens, um dos maiores desejos de Clare é poder acompanhá-lo, mas ela sabe que é impossível, por isso ela espera. Clare espera por Henry por toda a sua vida de tão grande e forte é o amor entre eles, mas às vezes a espera é tão ruim que ela se desespera e briga com Henry, mesmo sabendo que não é sua culpa simplesmente viajar no tempo a qualquer momento, no entanto, o que marca Clare é que ela sempre está lá, brigando com ele ou não. Se ao falar isso, estou dando a impressão de que a personagem é uma chata que só fica plantada esperando o marido voltar, quero esclarecer que ela espera sim, mas ela sabe muito bem o que quer para si mesma e não é porque fica preocupada com Henry e sempre aguarda o seu retorno que vida dela para, não se engane com a Clare.

“Nada mais que possibilidades. Nada mais que desejos. 
E, de repente, ser realização, ser verão, ter sol.”
– Rilke

Quem espera um livro que tenha um final feliz apesar de todas as adversidades que Henry e Clare tenham que enfrentar em seu relacionamento, sinto muito, mas este não é o livro certo para você. A Mulher do Viajante do Tempo não é sobre ter um final feliz e sim, uma vida recheada de felicidade. Quem se importa se o final não tenha sido feliz se você teve incontáveis momentos de felicidade em sua vida? Depois que li o livro, a primeira coisa que pensei foi, “Nunca, nunca, nunca, vou querer um amor destes da minha vida. É muito sofrimento”, mas depois que parei para pensar, realmente pensar, vi que eu passaria por tudo o que a Clare passou só para ter a alegria que ela teve junto ao Henry, mesmo com todas as brigas, os gritos, as revoltas, todo o sofrimento. Quer dizer, ser feliz não é apenas ter tudo lindo e de mão beijada, é superar obstáculos também.

O jornal Chicago Tribune escreveu a seguinte frase para A Mulher do Viajante do Tempo, “[…] uma crescente celebração da vitória do amor sobre o tempo”. Definitivamente, esta é uma das frases mais acertadas e que mais definem o livro.

Audrey, a autora, entrou na minha lista de autores favoritos com este livro, que também entrou nos meus favoritos para todo o sempre. A Mulher do Viajante do Tempo é um dos livros que mais recomendo a leitura, mas sei que muita gente vai odiá-lo por ser grande demais, por não ter nenhuma ordem cronológica, por usar demasiada descrição, por citar alguns grandes filósofos que muitos não tenham ideia de quem sejam, por parecer extremamente dramático. Sinceramente, espero não tê-los desanimado, mas ao mesmo tempo que vi que incontáveis pessoas amaram este livro tanto como eu, vi várias que o odiaram pelos motivos que falei acima (porfavornãosejaumadaspessoasqueodiouolivroporfavorporfavorporfavor!).

Em 2009, adaptaram o livro para os cinemas e no Brasil ele saiu com o nome “Te Amarei Para Sempre”. Gostei muito do filme e ele tenta ser fiel ao livro na medida do possível (superdica para quem já leu o livro: Cortez é um cara bem legal no filme, enquanto é um lixo-e-eu-queria-que-ele-morresse-uma-morte-terrível no livro =D). Ah é, eu assisti o “Te Amarei para Sempre” antes de ler o livro =)!

Deem uma conferida no trailer do filme:

Acho que alguns devem estar se perguntando sobre as frases que usei no meu texto… Bom, elas pertencem ao poeta austro-húngaro Rainer Maria Rilke. Eu acabei descobrindo a existência dele por conta deste livro e simplesmente me apaixonei pelo cara. Tenho certeza Audrey Niffenegger não o escolheu por um acaso. 🙂 

"Cinderela, Cinderela. Noite e dia. É Cinderela" : Ella Enfeitiçada

Ano: 1997
Língua: Português
Editora: Rocco Jovens Leitores 
Autor: Gail Carson Levine 



Toda menina espera um dia se tornar independente. No caso da jovem Ella, a protagonista desta história, esse é o seu maior desejo. Mas… ao nascer, recebeu como presente de uma fada o dom da obediência. Qualquer ordem que recebesse seria obrigada a obedecer! Se a mandassem pular de um m pé só por horas a fio, assim deveria ser; caso contrário, sentiria tonteiras e seu corpo quase explodiria.

Quando sua mãe morre, deixando-a aos cuidados de seu ausente e avarento pai, que, pouco mais tarde lhe dá de presente uma repugnante madrasta e duas traiçoeiras irmãs, a felicidade da jovem parece estar cada vez mais e mais distante.

Mas se você acha que Ella vai deixar as coisas correrem dessa maneira, se engana! A menina não tem nada de boba, e é capaz de enfrentar as maiores aventuras e trapalhadas para se libertar de seu terrível destino. 


Cinderella, por Howard Johnson
“Ella Enfeitiçada” é uma releitura bem diferente da história da Cinderela e, definitivamente, muito mais divertida! De início, nem dá para reparar que é uma releitura, porque o mundo criado por Gail Carson Levine é muito diferente do que lemos no conto de fadas original e do vimos no filme da Disney. Claro que existem fadas madrinhas, mas elas são como humanas só que com os pés pequeninos, com vida eterna e com restrições e discrições quanto ao uso da magia (pelo menos na teoria. Lucinda, a fada que deu o dom da obediência para Ella, gosta de se mostrar e usar excesso de magia); há também outros seres mágicos como gnomos, ogros, gigantes, elfos e incontáveis outras criaturas mágicas.


E bom, outro motivo para que eu não suspeitasse da releitura é que só um pouco depois da metade do livro que ele fica realmente parecido com o conto da Cinderela, quando o pai, que é muito egoísta e péssimo como pai (nunca imaginei uma Cinderela com um pai imbecil), se casa com a madrasta malvada e que trás consigo suas duas monstruosas filhas; e quando acontece algo mais para frente que não posso contar para não estragar a surpresa.

A mais criativa ideia de Gail em sua releitura é a maldição o dom da obediência de Ella que a impossibilita negar qualquer coisa uma vez que a ordenam. Se formos pensar bem, só assim para uma cinderela obedecer a ordens cegamente, porque nem Madre Teresa de Calcutá faria isso. E me parte o coração, a menina enfeitiçada ter que cumprir tudo, porque ela é muito legal e também, não consigo imaginar o quão ruim deve ser fazer tudo o que te mandam. Quase desisti da leitura de “Ella Enfeitiçada” de tanta agonia, mas acabou que a história venceu e não soltei mais o livro… Quero dizer, quase não soltei o livro. Quando Ella encontra Lucinda para que ela retire o dom (Ella passa boa parte do livro à procura de Lucinda, aliás), tive que soltar o livro por alguns minutos para respirar, porque aquela fada maluca é tão maluca que me deixou com muito ódio no coração. A criatura dá maldições horrendas dons absurdos para tudo e todos e acha que está fazendo um favor. Ai, que raiva!!!  

Depois que li o livro, percebi as incontáveis semelhanças com o conto de fadas, fora as já citadas, como: o nome de Ella ser o final do nome da Cinderela (ou “Cinderella” como no original); o nome do príncipe Charmont parecer com “charming”, tipo “Prince Charming” (Príncipe Encantado); uma fada madrinha apenas para Ella; os bailes que Ella deve ficar até meia-noite para não virar “gata borralheira”; as duas irmãs mongolóides; o fato de Ella ser órfã de mãe; uma madrasta traiçoeira… Hahaha! Agora que terminei de ler, né? Tudo faz sentido!

A Ella é minha personagem favorita de todas! Ela é uma garota super madura, inteligente e independente apesar da tenra idade de quinze anos e de qualquer maneira, ela também é minha favorita porque rolo de rir quando ela toda vez que recebe uma ordem, tenta distorcê-la da pior forma possível para mostrar insatisfação, mesmo que precise obedecê-la. 

Por que “Cinderela, Cinderela. Noite e dia. É Cinderela.” ? Quem já viu o filme da Disney deve conhecer a música que os ratinhos cantam que se chama “Cinderela, Cinderela”, esse é um trecho da música. Eles reclamam que todos só gritam o nome dela para dar ordens e achei essa música a cara da Ella. Confiram a música, se vocês se interessarem:


Acredito que, talvez, a maioria de vocês conheçam a história de Ella através da adaptação do livro para o cinema, chamado  “Uma Garota Encantada” (2004) e protagonizado por Anne Hathaway e Hugh Dancy. O filme é bem divertido de se assistir, mas exagera quando mostra Ella de repente sabendo fazer tudo o que a ordenam. “Ella Enfeitiçada” é muito melhor que o filme, mas “Uma Garota Encantada” também tem o seu charme e é um bom entretenimento. 
Entretenimento familiar garantido! :Dd

E como acabei falando do filme, acho mais que justo colocar o trailer do filme baseado no livro para vocês darem uma espiadinha, né? 🙂

Só por comentar mesmo, mas é muito difícil essa coisa do nome da protagonista ser “Ella”. Fiquei confusa na hora de escrever… Não sabia se escrevia “ela” ou “Ella”. XD

Mamãe, quero um dragão!

Assisti essa sexta “Como treinar seu Dragão” e devo dizer que a Dreamworks fez um excelente trabalho neste filme! Já fazia um tempinho que não assistia a um filme dessa galera que me empolgasse e emocionasse tanto. Tudo bem, o roteiro não é exatamente original, porque é baseado no livro “Como treinar seu Dragão” da Cressida Cowell (você pode ler a opinião do livro aqui), mas eles poderiam muito bem detonar com a história (oi, alguém lembra de Percy Jackson?) e graças a Odin, o trabalho realizado foi completamente brilhante. 
“Yeah, somos brilhantes, negada!”
O enredo é bem diferente do livro em vários aspectos e mesmo assim tudo continua uma gracinha! :3 
A história é sobre como Soluço, O garoto deslocado em sua ilha de vikings, se torna um herói em Beck (nome da ilha) e soluciona o problema dos dragões, que são a maior praga do lugar. Quando você vê a figura do garoto no meio dos robustos vikings, a última coisa que dá para imaginar é que… Bom, Soluço é um magricela que nem consegue segurar um machado e além de ser terrivelmente desastrado, pobre coitado. 
Para compensar aquele pequeno impasse, Soluço cria armas para matar dragões, principalmente para matar o dragão mais perigoso e temido de todos, o Fúria da Noite. Em uma noite de ataques, Soluço consegue acertar o lendário dragão que cai em algum lugar da ilha, contudo ninguém acredita nele e mais uma vez Soluço tem que ouvir de seu pai Stoico, o líder da vila, que deveria parar de se meter em coisas que envolvam qualquer tipo de perigo e voltar para casa.
Soluço entra em casa por uma porta e sai por outra.
Ele vai à procura de seu dragão, para matá-lo e se tornar a pessoa mais respeitada de Beck. Depois de muita procura, Soluço encontra Fúria da Noite e na hora de eliminá-lo, Soluço descobre que não foi feito para toda aquela coisa de matar dragões. 
E história vem, história vai, Soluço e Fúria da Noite acabam desenvolvendo um certo tipo de amizade entre eles e Soluço batiza o dragão como Banguela, porque ele não tem dentes aparentes. 
“Amigo, neném. Amigo…”
Não assisti o filme dublado, porque queria MUITO ouvir a voz do Gerard Butler, então não tenho como dizer se ela foi boa ou não, no entanto, garanto que no inglês as vozes estão muito perfeitas! Rolei de rir com os sotaques do Stoico (Gerard Butler) e do Melequento (Jonah Hill), o Jay Baruchel estava completamente hilário como Soluço e devo dar um destaque para o Christopher Mintz-Plasse como o Cole. XDDD Todos os outros atores dublaram perfeitamente bem, mas estes quatro mereceram ser mencionados individualmente.  =P
Christopher Cole?…  Eu ri!!! XDD

Depois de ter assistido o filme, também fiz uma decisão sobre o que vou querer de aniversário esse ano. 
Vou simplesmente chegar na progenitora e falar, Mamãe, quero um dragão de estimação! 
Dragões são como cachorros, mas bem mais fáceis de cuidar e completamente melhorado, porque:
  1. Caçam a própria comida
  2. Arranjam o seu próprio local de dormir
  3. Protegem o dono e são leais
  4. Acendem o fogo para cozinhar (fogão é tão 2009!)
  5. Aquecem a casa
  6. Dá para viajar de graça com um dragão! 
Um Dragão é quase um cachorro! :3 

Sem contar que além disso, eles sabem obedecer comandos.

“Banguela, ATACA!”

E, fala sério, um dragão é mostrar seu apoio à natureza. Carros, aviões, fogões, motos, aquecedores de casa… Isso é passado, fora de moda e contra o meio ambiente!!!

Enfim, fiquem com o trailer! 🙂