Nem Um Pouco Épico

Power Rangers, De Dean Israelite

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Vamos começar sendo bem sinceros aqui: a gente não estava esperando nada por esse filme. Tá, não posso falar pelo resto do mundo, mas eu não estava esperando nada por Power Rangers. No máximo, um filme galhofa mal executado com efeitos especiais ruins, uniformes que mais parecem armaduras saídas de um sonho adolescente – principalmente as femininas, com aqueles seios marcados que ainda me incomodam – e uma tentativa de fazer as coisas soarem épicas com Power do Kanye West tocando ao fundo. Não me levem a mal: a DC já me deixou calejado de ter expectativas depois de Esquadrão Suicida, e hoje em dia prefiro voltar a ser o pessimista que sempre fui.

Meu irmão comprou ingressos na pré-estreia e eu estava com aquele sentimento de ISSO VAI SER TÃO RUIM, QUERO ASSISTIR PARA DAR UMAS RISADAS!, que foi se sustentando até que as primeiras críticas começaram a sair e as pessoas começaram a falar bem desse filme. Não falar bem do tipo “esse filme é tão absurdo e tão ruim que acaba sendo bom”, mas a falar de fato que o filme possuía qualidades no roteiro, na construção dos personagens, no andamento da trama e nas referências à mitologia dos adolescentes que salvavam a Alameda dos Anjos uma vez por semana. Então esta praga de expectativa começou a voltar a residir em mim, e fui ao cinema com a maior empolgação, cantarolando go go power rangers abraçado com a minha cabeça de ranger vermelho cheia de pipoca – que meu irmão me obrigou a comprar para levar para casa, sabe-se lá porquê.

E não é que o filme é excelente?!

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Semana Leigh Bardugo: Six of Crows – Sangue e Mentiras

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A OESTE DE RAVKA, ONDE GRISHAS SÃO ESCRAVIZADOS E ENVOLVIDOS EM JOGOS DE CONTRABANDISTAS E MERCADORES

…fica Ketterdam, capital de Kerch, um lugar agitado onde tudo pode ser conseguido pelo preço certo. Nas ruas e nos becos que fervilham de traições, mercadorias ilegais e assuntos escusos entre gangues, ninguém é melhor negociador que Kaz Brekker, a trapaça em pessoa e o dono do Clube do Corvo.

Por isso, Kaz é contratado para liderar um assalto improvável e evitar que uma terrível droga caia em mãos erradas, o que poderia instaurar um caos devastador. Apenas dois desfechos são possíveis para esse roubo: uma morte dolorosa ou uma fortuna muito maior que todos os seus sonhos de riqueza.

Apostando a própria vida, o dono do Clube do Corvo monta a sua equipe de elite para a missão: a espiã conhecida como Espectro; um fugitivo perito em explosivos e com um misterioso passado de privilégios; um atirador viciado em jogos de azar; uma grisha sangradora que está muito longe de casa; e um prisioneiro que quer se vingar do amor de sua vida.

O destino do mundo está nas mãos de seis foras da lei – isso se eles sobreviverem uns aos outros.

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‘Heist’ – ou, em uma tradução livre, ‘narrativa de assalto’ – é um subgênero da narrativa policial que possui como objetivo central a organização, execução e consequências de um roubo. Talvez seja um dos subgêneros mais divertidos de se ler, porque é geralmente uma sequência de TENHO UM PLANO MALUCO!, e PRECISO DE PESSOAS MALUCAS PARA EXECUTAR ESSE PLANO MALUCO!, e OMG TÁ TUDO DANDO ERRADO, POR QUE INVENTEI ESSE PLANO MALUCO?!, e MEU DEUS DO CÉU, ESSE PLANO MALUCO ESTÁ FADADO AO FRACASSO! *cries in criminal language*. Então, quando descobri que a duologia nova da Leigh Bardugo – que criou um dos universos ficcionais de fantasia mais delicinhas que li nos últimos anos com a Trilogia Grisha – seria uma narrativa heist, minha primeira reação foi: EU. PRECISO. LER ISSO!

ME DÁ, ME DÁ, ME DÁ!
ME DÁ, ME DÁ, ME DÁ!

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A falácia do escritor de verdade – um pequeno grande desabafo

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“Escreva. Escreva todos os dias. Arranje tempo para escrever. Escritor de verdade sempre tem tempo para escrever. Escrever é esforço contínuo, é rotina, é avançar um pouquinho por dia para conseguir um bem maior, no formato de noventa ou cem mil palavras. Não importa o quanto doa, não importa o quanto você sofra: apenas escreva. Depois se preocupe com qualquer outra coisa.”

Se você é um escritor profissional, ou almeja ser um, provavelmente já esbarrou com esse discurso em algum dos manuais de escrita que deve ter lido para estudar um pouco sobre dicas de criação. Se profissionalizar significa sofrer e andar em um caminho de pedregulhos pontiagudos para atingir um bem maior.

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PIRATAS! ou O que fazer enquanto ‘A Gathering of Shadows’ não sai

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Não sei se vocês sabem, mas eu e a Bells estamos contando os dias para o segundo livro da série “Shades of Magic”, A Gathering of Shadows, sair. A gente tá desesperadamente ansioso para saber o que a Victoria Schwab aprontou com nossos amores Kell, Lila e Rhy no segundo volume dessa história. Pra mim, A Darker Shade of Magic, o primeiro livro, foi uma das melhores coisas que li ano passado, então é claro que as expectativas estão LÁ NO ALTO e ninguém pode me julgar por isso.

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Pra quem não conhece muito bem, A Darker Shade of Magic conta a história de Kell, um mago embaixador capaz de atravessar realidades paralelas de Londres – existe a Londres vermelha, a Londres branca, a Londres cinza e a Londres negra – e todas as aventuras e problemas que ele precisa enfrentar lidando com essas diferentes realidades. O livro é incrível, muito bem escrito e cheio de reviravoltas, como todo bom livro de fantasia deve ser. Por sua independência e capacidade de viajar e negociar com os mais diferentes tipos de pessoa, Kell é encarado como um tipo de pirata de realidades, então pensei aqui comigo mesmo: POR QUE NÃO FALAR SOBRE PIRATAS? TODO MUNDO AMA PIRATAS! Então, para aguardar um pouco a ansiedade sobre AGoS, que tal vermos outras coisas com piratas?!

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A Sexta Extinção: Uma História Não Natural – Elizabeth Kolbert

Dia desses estava pesquisando sobre rãs douradas do Panamá. É, um pouco esquisito, você pode pensar, e foi mais ou menos isso que as pessoas do meu trabalho pensaram quando viram a aba do Chrome aberta nas fotos dessas criaturinhas amarelas e pretas que, confesso, achei bonitinhas.

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O motivo de estar pesquisando sobre essas criaturas foi o livro ‘A Sexta Extinção: Uma História Não Natural’, da jornalista Elizabeth Kolbert. Comprei o livro em uma dessas promoções da Amazon depois de ver que ele tinha ganhado o Pullitzer de não-ficção, e fiquei meio curioso com a premissa. Kolbert expõe a teoria de que o planeta já passou por cinco processos de extinção em massa de seres vivos, que vão desde as menores bactérias até os maiores mastodontes das regiões geladas do planeta, e que, atualmente, estamos vivendo o processo de sexta extinção em massa. A diferença é que, no processo atual, o grande responsável por tudo o que está acontecendo somos nós, os humanos, e é a primeira vez que um agente que pode alterar esse processo age na extinção em massa de espécies terrestres.

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Uma Viagem Extraordinária (mesmo!)

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Sabe quando você assiste um filme tão, mas tão fofo e bonito e interessante que você quer sair recomendando pra todo mundo? Pois é. Isso aconteceu. Hoje, para ser mais preciso, exatamente às 9:30h da manhã, quando eu ainda estava preparando meu café e decidindo como procrastinar nesse dia que me dei de folga. Estava passando pelos canais e vi que ‘Uma Viagem Extraordinária’ (L’Extravagant Voyage du jeune et prodigieux T. S. Spivet, 2013) iria começar. Eu já tinha ouvido falar daquele filme, visto o trailer e tinha uma leve curiosidade de saber onde aquela história iria me levar.

Só não sabia que seria tão bom.

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Cinco documentários para assistir no Vice

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Se tem uma coisa que você precisa saber sobre mim é que eu adoro documentários. Isso já pode ser constatado por esse post, onde eu tento recomendar um monte de documentário legal que eu tenho no meu coração.

A parte mais legal de documentários é que eles geralmente mostram uma realidade que a gente não conhece muito bem, e eu sou desse tipo de pessoa que adora conhecer coisas novas e aprender que o planeta tem sete bilhões de pessoas e elas são muito, muito diferentes umas das outras, e que fazem coisas que eu nem consigo começar a imaginar como surgiram.

Eu gosto de ser esquisita!
Eu gosto de ser esquisita!

Mas enfim, toda essa introdução é para falar sobre uma pequena grande seara do YouTube chamada Vice. O Vice começou como uma revista, e hoje é um grande canal que está presente em dezenas de países diferentes, que mostra um tipo de documentário baseado em jornalismo investigativo sob um ponto de vista único. As coisas que o Vice mostra são extremamente fora da nossa caixinha de padrões. Algumas vezes as coisas são muito informativas e extremamente ótimas, mas outras vezes… bem, não tem como categorizar de outra forma que não: bizarro. Ao longo dos meus passeios pelo YouTube, eu sempre me deparo com alguma coisa muito interessante no Vice, seja ela bizarra ou não.

Esse post não é um top Melhores Documentários do Vice, até porque eles postam vídeos novos praticamente todos os dias e é meio impossível se manter em dia com tudo o que acontece naquele canal. Mas acho que esses documentários podem ser muito legais para introduzi-los a esse maravilhoso mundo do Vice que, espero eu, entre nas suas veias e vicie vocês da mesma forma que me vicia.

(OBS: infelizmente, alguns documentários do Vice não possuem legendas em português)

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O novo do Ishiguro e algumas considerações sobre livros lentos

15071864Sabe quando você se esforça para gostar de alguma coisa, mas ainda assim aquilo simplesmente não consegue te pegar? E o pior: você realmente sabe que existe alguma qualidade naquilo ali, mas você não consegue se conectar. A princípio, você acha que a culpa é sua – um mau momento, uma daquelas ressacas literárias, ou qualquer coisa nesse sentido – e espera um tempo, diz que vai voltar praquela história outra hora e tudo vai se encaixar… só que não se encaixa, e por fim você desiste, mas sempre com esse pequeno sentimento de culpa porque deveria ter gostado daquela história, mas não conseguiu.

Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo quando peguei O Gigante Enterrado, do Kazuo Ishiguro. Me perguntei durante muito tempo como raios iria fazer uma resenha de um livro que, bem… não gostei e sequer terminei de ler. E a pior parte é que não tenho argumentos para dizer que não gostei do livro além de: não me identifiquei. Porque o livro é bom. A história é gostosa de se ler. Os personagens são interessantes e bem construídos. A tradução está bem feita, a edição está ótima, e no começo da história eu estava até mesmo convencido de que o livro seria um dos meus preferidos.

Mas aí vem o grande problema: o livro é lento. Muito lento. Tipo, excessivamente lento, no estilo Senhor dos Anéis vamos-descrever-todas-as-árvores lento. E eu não estou no clima para esse tipo de leitura.

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Lembro de um post que a Tassi fez falando sobre as dores e delícias de se ler um livro lento, e de como essa experiência foi positiva para ela. Só que, no meu caso, ler o livro do Ishiguro atravessou esse limiar e passou a ser mais dor do que delícia.

A história do livro é muito interessante: um casal de idosos está percebendo que todos ao seu redor estão passando por problemas relacionados à memória. Uma garotinha que estava no vilarejo e da qual ninguém se lembra, coisas que aconteceram na semana passada e hoje parecem sonhos, e o rosto do filho dos dois, que nenhum deles consegue se lembrar exatamente como é. Munidos dessa vontade de rever o filho e relembrar como ele é, os dois partem em peregrinação até o vilarejo dele, que fica a alguns dias de distância de onde moram e, no meio do caminho, são interpelados por pessoas que falam sobre perda, amor, saudades e lembranças.

É um livro de fantasia que trata muito mais de relações humanas e de como elas se estabelecem, e esse tipo de livro me agrada muito. Gosto quando os personagens são o foco da história e o que os move não é uma jornada em busca de um pote de ouro, mas sim a busca de coisas relacionadas às suas próprias identidades.

Então por que raios não consegui ler esse livro?

Só me dê um motivo T-T
Só me dê um motivo T-T

Tirando a parte do mea culpa sobre não estar em um bom momento para livros lentos, acho que a grande falha desse livro é tentar emular uma narrativa tolkeniana. É claro que Ishiguro é um autor de mão cheia, talvez um dos mais relevantes escritores da atualidade, mas senti que a incursão dele pela fantasia é um pouco influenciada pela narrativa épica, com descrições detalhadas de ambientes e parágrafos pesadões de uma página inteira. É claro que é uma questão de estilo e de identificação, mas eu, pessoalmente, acho esse tipo de narrativa arrastada e pouco proveitosa, porque o que deveria ser um exercício de imersão acaba se tornando um exercício de paciência.

Mas aí entra aquela questão: é válido falar que um livro lento é ruim quando a gente não gosta dele, mas ele é bom? Veja bem, ‘ser lento’ é uma característica que está se perdendo cada vez mais, porque um livro lento é um livro que demanda um pouco mais de esforço e de concentração por parte do leitor. E nessa ebulição editorial da atualidade, onde todo mês somos apresentados a dezenas de lançamentos, a vontade de ler um livro da forma mais rápida possível acaba ficando acima da vontade de se esforçar para ler uma história que demande um pouco mais de esforço. Mas será que, no fim das contas, um livro lento deve ser ignorado para dar lugar a três livros rápidos que, no fim das contas, não vão dizer muita coisa pra gente?

ACOOOORDA!
ACOOOORDA!

Não sei se cheguei a alguma conclusão aqui (nem se chegarei) porque estou nesse momento de pouca paciência para livros muito lentos. Mas isso é um problema de humores temporários ou será que é algo pelo qual todos passamos? Não sei. Enquanto isso, o livro do Ishiguro vai continuar parado, sempre com o marca página lá na metade dele, até que, quem sabe um dia, eu volte a ter paciência para terminá-lo.

(ESSE LIVRO FOI OFERECIDO EM PARCERIA PELA EDITORA CIA DAS LETRAS)

Sobre Cidades de Papel e expectativas

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Será que eles vêm?

Durante a semana passada, a Intrínseca convidou os blogs parceiros para um evento em dois dias no Rio de Janeiro: em primeiro lugar, a oportunidade de assistir ao filme Cidades de Papel em sua pré-estreia exclusiva para a imprensa; e, no dia seguinte, participar da coletiva de imprensa de John Green e Nat Wolff, que vieram ao Brasil promover o filme. E lá fui eu como membro integrante do NUPE, mesmo sem conhecer muito bem o John e sem ter lido o livro, mesmo sem saber muito bem o que esperar da história – uma vez que o hangout dividiu opiniões, e em geral muita gente tem muitas opiniões distintas sobre essa história.

Como um carioca atípico e meio neurótico com horário, saí de casa com umas três horas de antecedência – acreditem, não é um horário exagerado em se tratando de Rio de Janeiro de tempos atuais –, e cheguei lá no cinema em um horário relativamente bom. Conversei com pessoas, tirei fotos, recebi o kit que a Intrínseca estava distribuindo – uma ecobag muito legal com o livro, pôsteres, botton e camisa – e entrei na sala de cinema.

E aí as coisas ficaram interessantes.

Passei muito tempo tentando decidir de que forma eu falaria sobre esse filme. A primeira ideia foi a de fazer uma resenha daquelas bem funcionais, falando de aspectos positivos e negativos da trama, falando de personagens, trilha sonora, etc, etc, etc; mas depois cheguei à conclusão de que esse tipo de resenha, para esse filme em específico, talvez não fosse a melhor ideia. Porque esse foi um daqueles raros tipos de filme que conseguiu dialogar DIRETAMENTE comigo e me ensinou alguma coisa nova. E todo mundo sabe que o melhor tipo de história é aquela que te ensina alguma coisa nova, mesmo que você não esteja esperando por isso.

Mas enfim, talvez eu esteja me adiantando. Vamos à sinopse da história: Quentin é um garoto platonicamente apaixonado por Margo Roth Spiegelman, sua vizinha com a qual ele adorava brincar quando era mais novo, mas que as forças do acaso acabaram por separá-los e fizeram com que se tornassem aquele tipo de amigo que só dá um oi quando se veem na rua. Margo faz parte do grupo dos descolados da escola enquanto Quentin está com seus dois amigos discutindo assuntos aleatórios em uma sala de música. Dois mundos completamente diferentes, mas que não impedem que Quentin continue olhando para Margo sempre que ela passa, idealizando-a.

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Vamos falar sobre Trigger Warnings?

Atenção: este post fala sobre temas que causam triggers (podem acionar gatilhos de ansiedade).

Nunca tive problemas com objetos cortantes. Nunca fui violentado. Nunca tive cicatrizes emocionais profundas por conta de alguma coisa que alguém fez ou disse comigo. Nunca precisei ser alertado sobre alguma coisa antes de vê-la, por medo de que o conteúdo pudesse, de alguma forma, fazer com que eu me sentisse mal ou reativasse memórias que deixei em um cantinho obscuro do cérebro, onde nunca mais quero ser obrigado a revê-las.

Mas isso sou eu, e não sou uma regra.

O assunto desse post pode ser um pouco sério demais, mas é um negócio que precisa ser discutido: vamos conversar sobre a necessidade de Trigger Warnings?

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