Policia Federal – A Lei É Para Todos, Filme ou Absurdo?

Eu continuo fechado com minhas posições de um cinema terceiro-mundista. Um cinema independente do ponto-de-vista econômico e artístico, que não deixe a criatividade estética desaparecer em nome de uma objetividade comercial e de um imediatismo político.

Glauber Rocha

Estas belas palavras do saudoso monstro do audiovisual brasileiro refletem com exatidão o que é cinema. O que é fazer cinema. E o dito cinema que ‘Policia Federal – A Lei é Para Todos‘ traz se choca com tudo isso que lemos acima. Afinal, a tentativa faz um recorte desordenado de uma realidade recente com uma essência muito maniqueísta e deixa de lado a criatividade para dar passagem a sua vontade $$comercial$$. Um momento delicado que o brasileiro não conseguiu mudar e ainda vive procurando soluções para o fazer.

Infelizmente, não é no roteiro de Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein e na direção de Marcelo Antunez que ele encontrará o que tanto procura.

O filme é estrelado por grande parte de atores globais como: Flávia Alessandra, Antônio Calloni, Rainer Cadete, Roberto Birindelli, Bruce Gomlevsky, Marcelo Serrado, entre outros. Ali, a trama diz expor os acontecimentos da mais famosa operação anti-corrupção deflagrada no país, A Operação Lava-Jato.

Em 2013, a Polícia Federal apreendeu no interior de um caminhão, responsável por transportar palmito, 697 kg de cocaína. Dali em diante se montou uma investigação minuciosa que trouxeram à tona segredos de doleiros, políticos, empreiteiras e até de servidores da maior estatal brasileira, a Petrobras. Juntos, eles foram responsáveis por um dos maiores rombos nos cofres públicos da história.

A delegada Beatriz (Flávia Alessandra), o agente Julio ( Bruce Gomlevsky) e o Juiz (Marcelo Serrado)

No longa, a investigação é iniciada pela equipe do delegado Ivan Romano (Antonio Calloni), lá na República de Curitiba, perdão, em Curitiba. Equipe esta que é  composta pela delegada Beatriz (Flávia Alessandra) e pelos agentes Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). O grupo consegue provas claras que conectam o envolvimento do doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli), do ex diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), empresários da empreiteira Odebrecht e inúmeras figuras políticas em desvios dos cofres públicos.  À medida que a investigação avança, com o aval de um renomado Juiz (Marcelo Serrado), o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais dos políticos mais influentes dos pais.

Um deles, o ex-presidente Lula, interpretado aqui por Ary Fontoura.

O roteiro evidencia influências claras de filmes sobre a CIA e o FBI (perseguições, QG’s luxuosos e alta tecnologia). Em um dialógo entre os policiais alguém solta um ”pelo amor de Deus” e, de cara, vemos o Estado Laico que o Brasil não é. Após uma cena de perseguição, a montagem escolhe voltar no tempo. Tipo bem no tempo mesmo e explicar que a corrupção chegou à bananaland com a colonização blablablá – e se prepare para ver essa explicação mais vezes durante a película. Logo, um letreiro evidencia um forte ditado de Rui Barbosa (meu predileto, aliás). E, em seguida, somos apresentados a Ivan e sua escolha para a equipe, também aos criminosos perseguidos e a um sério Juiz.

A repetição de explicações é algo irritante no texto e criam ‘barrigas enormes entre os atos’. Os personagens mais interessantes são Júlio e Beatriz. Ambos construídos com detalhes. Um é centrado, justo e revoltado e a outra batalha pelo que acredita e gosta do que faz, não importa o lugar que esteja. Júlio, aliás, é o único dos policiais que tem uma vida fora do trabalho. O resto, aparentemente , não.

Uma policia federal muito superficial é apresentada no filme

Serrado interpreta um Juiz bem neutro, mas tem relevância e conduz sua vida acadêmica, profissional e familiar com bastante ética. Não ganha exatamente o nome de Sérgio Moro, mas tem reflexo proposital. Calloni ganha falas para declarar que a produção não defende nenhum dos lados, mas sim a justiça, e dá vontade de revirar os olhos ao ouvir tal engano.

O ato relevante do filme condiz a ”condução coercitiva” de Lula pela PF e Ary Fontoura faz uma interpretação certeira e sem resquícios de comédia. Mas esta vem quando a edição insere os áudios reais que todos ouvimos anos atrás entre o ex-presidente e a ex-presidenta. Aliás, a edição escolhe misturar vídeos reais ao filme e também revela que haverá continuação deste, pois retrata apenas parte da operação que sabemos todos: AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO.

Ary Fontoura como Lula recebendo a intimação do Delegado Ivan (Antônio Calloni) para depor

Antunez tem uma filmografia diversificada e aqui quer ser sério pela primeira vez. Mas não é melhor e nem pior. Aparenta dirigir uma série de eventos (escolhidos a dedo) e não um longa-metragem de ficção. As cenas de ação tem uma boa coordenação sim, só não são destacáveis, pois ganham uma trilha sonora deslocada e assombrosa.

Não há exatamente o que refletir aqui e sim lamentar (seja sobre o filme ou sobre esse triste episódio da história brasileira).

Trailer

Ficha Técnica: Policia Federal: A Lei É Para Todos. Direção: Marcelo Antunez. Roteiro:Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein. Elenco: Flávia Alessandra, Antônio Calloni, Ary Fontoura,Rainer Cadete, Roberto Birindelli, Leonardo Franco, Roney Facchini e Marcelo Serrado. Nacionalidade: Brasil. Fotografia: Marcelo Brasil. Gênero: Drama, Politico. Distribuidor: Downton Filmes. Duração:01h47min.

Não recomendado para menores de 12 anos

Avaliação: Um pedido de socorro! ( 1/5).

Hoje nos Cinemas!

Vejo vocês por ai!

B

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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