Como Nossos Pais, de Lais Bodanzky

O último filme que vi de Lais Bodanzky foi uma das abordagens mais graciosas, tocantes e corretas sobre o mundo teen. Falo do recomendadíssimo ”As Melhores Coisas do Mundo”, de 2010. Sagaz e direta ao ponto, a cineasta se destaca pela forma delicada e real de contar histórias, um bom tato invejável e, sem dúvidas, genial. Bodanzky também dirigiu Chega de Saudade, em 2008, e o aclamado ‘Bicho de Sete Cabeças’, em 2001, filmes os quais dizem muito do ser humano e afloram dores e reflexões concretas.

Agora, em uma década de empoderamento, de mulheres se expressando e lutando para estar cada vez mais em pauta nos #tredindtopics mundiais, é a vez da diretora entregar o seu olhar sobre um mundo feminino muitas vezes cheio de dilemas e opressões. Um universo que ela expõe em ”Como Nossos Pais”, película estrelada por Maria Ribeiro, Paulhinho Vilhena, Clarisse Abujamra, Felipe Rocha,  Jorge Mautner, Cazé Peçanha, entre outros, que traz uma mulher real tentando não tropeçar em si mesma e levar uma vida de muitas. Mãe, filha, profissional, esposa, amiga.

O filme chega aos cinemas já agraciado por seis Kikitos (melhor diretora, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, filme e montagem)  do último Festival de Cinema de Gramado, encerrado no fim de semana, na região sul do país.

Maria Ribeiro é a Rosa que traz um pouco de todas nós

Rosa é uma mulher com neuras, com vontades e com objetivos definidos, como qualquer outra, porém, a pressão de ser filha de intelectuais, mulher de ativista ambiental, mãe moderna e profissional de primor a faz revirar-se dentro de si quando revelações de seu passado e dúvidas do seu presente lhe tiram o equilibrio.

Em certa cena de debate com a mãe, a escritora (Ribeiro) aponta os desafios que vem enfrentando com as filhas pré-adolescentes e Clarisse (sim a personagem tem o mesmo nome que atriz hahaha) retruca na lata que ”isto tem começo, mas não fim” olhando com firmeza para Rosa (não se preocupem que não contei spoilers, a cena está no trailer logo abaixo,ok?). Mas me importo em buscar o episódio pela tal significância que a conversa abrange. Sim, porque Rosa, essa esposa e mãe tão mulher de si mesma vive relações e situações dramáticas que são altamente relacionáveis. Pois, se você é filha, com certeza, já teve uma opinião diferente da sua mãe e se você é mãe já quis que sua cria entendesse as razões de suas escolhas sem muito mimimi.

Ribeiro e Abujamra tem cenas de debate e de admiração muito singelas

Acontecem duas ou três cenas no filme que realmente deixam a desejar quanto a possibilidade de se tornarem reais, mas não há questionamento quanto a isso mediante a todas as outras que são tão belas e fortes.

O roteiro, de Bodanzky e Luiz Bolognesi (responsável pelo brilhante texto de Bingo: O Rei das Manhãs) constrói uma família brasileira onde homens e mulheres tem características fortes, mas são as mulheres que dominam e mandam ver.

Maria e Clarisse realmente reinam aqui. A primeira não é boba e se descontrói. Fica nua, segue suas neuras, dá chance aos incentivos alheios e vai atrás de si, mesmo que isso a faça mal. A segunda é diva em cada olhar e palavra que solta. E emociona quando dedilha um piano ao som da canção que dá nome ao filme. Paulhinho também dá show em fazer o desentendido e possível ‘marido traidor’. Felipe tem suas boas deixas e se sai uma bela pulguinha. O cantor Jorge Mautner é o alivio cômico mais simpático-esperto-engraçado ever e o ex VJ e apresentador Cazé Peçanha desaparece por demais ali. Gabrielle Lopez, atriz brasiliense <3, não tem tantas cenas assim, mas é marcante. Herson Capri também. Já os atores mirins e, até a atriz que interpreta a irmã adolescente de Rosa, fazem de algo sério uma brincadeira gostosa de bate e bola.

A condução tão magnânima de Lais talvez trouxe às telas um dos melhores filmes do ano e entra em cartaz para ficar ao lado de ‘O Filme da Minha Vida’ e “Bingo’, dois outros fortes candidatos a melhores da temporada.

Trailer

Ficha técnica

Titulo: Como Os Nossos Pais, 2017. Direção: Laís Bodanzky. Roteiro: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Jorge Mautner, Herson Capri, Sophia Valverde, Gabrielle Lopez e Annalara Prates. Nacionalidade: Brasil. Gênero: Drama. Direção de Fotografia: Pedro J. Márquez. Direção de Arte: Rita Faustini. Montagem: Rodrigo Menecucci. Produtores: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Debora Ivanov, Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Produtor Associado: José Alvarenga Jr.. Produção: Gullane e Buriti Filmes. Coprodução: Globo Filmes. Distribuição: Imovision. Duração: 01h42min.

De mulher pra mulher: ASSISTA! (roubando e modificando dingles, porquê não, haha?)

Avaliação: Três horas de reflexões  e cinquenta e cinco lágrimas de felcidade (3,55/5).

31 de agosto nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

B-

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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