Em Ritmo de Fuga, de Edgar Wright

Edgar Wright sempre esteve envolvido em projetos  que aflorassem seu lado geek, sua filmografia não esconde isso de nenhuma forma. De 1999 a 2001, ele conduziu uma das séries mais amadas do mundo, Spaced e também é  responsável por “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, longa que circula pelo universo dos games e apresenta características típicas de seu humor e sua sagacidade britânica.

Wright é da vertente de cineastas que também escrevem seus roteiros e escolhem tudo a dedo pensando nos mínimos detalhes.  Em Ritmo de Fuga, seu mais novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (27),  é um exemplo verídico disto, pois além de presentear o público com um elenco sortido e talentoso (Ansel Elgort, Jon Hamm, Jamie Foxx, Kevin Spacey, Lily James, Jon Bernthal, Eiza González e Flea), o longa vem com uma roupagem cinematográfica de bom gosto e o melhor: uma trilha sonora que faz a trama se movimentar literalmente.

Na próxima semana, o diretor e o ator Ansel Elgort chegam ao país para divulgar a produção.

Elgort sendo dirigido por Wright

No enredo, Elgort vive Baby, um excelente motorista que acaba tendo que dirigir para um grupo de ladrões de banco, após ficar em dívida com o poderoso Doc (Spacey). Baby leva seus dias ouvindo muita música em seu ipod e cuidando do idoso surdo-mudo Joseph (CJ Jones). A principio, o trabalho o deixa cheio de adrenalina e empolgado, contudo, com o aumento da tensão e a perseguição de seus ‘parceiros de crime’, ele começa a temer por sua segurança e de quem o cerca.  Tudo piora quando ele se apaixona pela garçonete Debora (Lily James)  e decide fazer de tudo para ficar junto da moça.

Baby tem muito orgulho de seus talentos: ”Eu sou motorista”.

Wright iniciou a escrita do roteiro de Baby Driver, título original da película, em 1995 e só conseguiu termina-lo em 2011. Como teste,  usou um pouco daquelas idéias no clipe que dirigiu para a banda Mint Royale, onde um motorista gótico dirige um carro para um grupo suspeito.

Como tantos outros diretores, o inglês usa a música a favor da história do personagem principal.  Pois cada canção escolhida para estar ali não só casa com a sincronia dos movimentos dos atores como trazem mensagens que se aplicam ao contexto. Há uma gama de easter eggs de seus filmes e referências espetaculares do mundo do cinema (Os Batutinhas, Simplesmente Complicado, Clube da Luta, Monstros S/A). Referências estas que respondem muito do que pode rolar ao fim dos créditos (prestem atenção em cada palavra, sério).

Griff (Bernthal), Baby (Elgort), Doc (Spacey) e o casal quentura Darling (González) e Buddy (Hamm).

O espectador vem a conhecer o passado de Baby e o porquê de seu amor por música quando flashbacks de uma tragédia de infância vem à tona. Os criminosos do grupo formado por Doc também ficam muito interessados em saber a razão pela qual o garoto não tira os fones de ouvido e o chefão também entrega muito do que sabe de seu motorista.

Baby tem costumes e manias distintas e isto o torna muito intrigante. Mas o seu talento no volante é inquestionável (e ele faz até um rap sobre isso).  Há um bom jogo de ‘auto-questionamento’ em que Baby tenta se manter ético e não prejudicar ninguém, todavia, ele descobre que talvez isto seja impossível.

Se prepare para ver cenas fantásticas com carros rodopiando e sendo perseguidos

O motorista é solicitado para três trabalhos precisos e em todos as equipes são diferentes.  Três ladrões se destacam por sua vilania e ‘jeito marrento’, Griff (Bernthal), Bats (Foxx) e Buddy (Hamm). Há ainda os malandrinhos engraçados JD (Joon) e Eddie (Flea). Além disso, o chefão de Kevin Spacey faz um quê de dono da coisa toda que planeja e maneja tudo. Outro personagem masculino que faz um bom bate e bola com Baby é seu amigo Joseph. O idoso não suporta ver o rapaz trabalhando para Doc e vai aos poucos incentivando que ele arrume outro emprego.

As mulheres presentes na trama, infelizmente, são colocadas ali por serem ‘o par romântico de alguém’. A atriz Eiza González é a criminosa bonitona que namora o personagem de Hamm, Buddy, e Lily James é Debora. A garçonete que não liga para o que Baby anda aprontando e se deixa levar pelo fogo da paixão, até mesmo quando não deve. Há belas tomadas que destacam a entrada da personagem e também o romance dela com Baby.

Altamente musical, o longa traz uma seleção especial de canções (cantei junto Easy, Hocus Pocus, Never, Never Gonna Give You Up etc), mas as composições originais são de Steven Price.  O figurino de Courtney Hoffman se alterna entre peças clássicas e vintages e Bill Hope assina a colorida fotografia. A edição da dupla Jonathan Amos e Paul Machliss tem um corte adequado e não é cansativa.

Baby tem cenas maravilhosas e muito bem coreografadas, desde o inicio do filme. Takes que lembram perfeitamente musicais recentes e a sincronia das cenas de ação com as músicas também causam espanto de tanta harmonia.

Mais uma vez, Wright entrega uma direção dinâmica e certeira. O longa não é exatamente o melhor do ano, mas traz ótimos momentos no cinema.

Trailer

Ficha Técnica: Baby Driver, 2017. Direção e roteiro: Edgar Wright. Elenco: Ansel Elgort, Jon Hamm, Jamie Foxx, Kevin Spacey, Lily James, CJ Jones, Jon Bernthal, Sky Ferreira, Eiza González, Lanny Joon e Flea. Nacionalidade: Reino Unido, EUA . Gênero: Ação, Crime, Musical. Trilha Sonora Original: Steven Price. Figurino: Courtney Hoffman. Fotografia: Bill Pope. Coreografia: Ryan Heffington. Efeitos Especiais: Mark R. Byers. Edição: Jonathan Amos e Paul Machliss.   Distribuidora: Sony Pictures. Duração: 01h53min.

AvaliaçãoTrês motoristas empolgados e meio (3,5/5).

Não recomendado para menores de 14 anos, mas recomendado aos amantes de uma boa playlist.

27 de julho nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

B

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

  • Karol

    Eu sou uma leitora do NUPE desde 2010, sempre fui uma seguidora fantasma, porque nunca comentei nada, embora sempre me diverti muito com as postagens feitas aqui. Com o passar do tempo fui perdendo a prática de acompanhar blogs e desse tempo pra cá não acompanhei as atualizações do NUPE. Hoje, assisti uma video sobre como o conteúdo disponibilizado na internet anda desinteressante, nessa hora, a nostalgia me acertou em cheio e eu vim correndo ver se esse sit ainda existia e fiquei tão feliz em ver que vcs ainda estão aqui.

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