Dunkirk, de Christopher Nolan

Dunkirk, o novo longa de um dos diretores mais metódicos da indústria atual, o senhor Christopher Nolan, chega aos cinemas com a missão de recontar como, de fato, decorreu a evacuação de milhares de soldados britânicos e franceses que se encontravam cercados pelo inimigo alemão em uma praia nos litorais franceses nos longos dias da segunda guerra mundial, a pouco conhecida ‘Operação Dinamo’.

Nolan conta que teve a idéia para o filme em 1992 quando fez o percurso marítimo da Inglaterra a Dunquerque, a mesma travessia foi feita, muitos anos antes, por todos aqueles que se voluntariaram em auxiliar no resgate dos soldados presos no canal francês.

Famoso em não dar nada mastigadinho ao espectador, o cineasta entrega aqui, mais uma vez, uma sucessão de belas imagens e consegue construir uma tensão distinta, usando poucas ferramentas, entre elas, o som, a paleta de cores e, claro, a condução dos atores.

No elenco,  os veteranos Tom Hardy, Cillian Murphy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, James D’Arcy e Jack Lowden e ainda os estreantes Harry Styles, Fionn Whitehead, Berry Keogan, Tom Glynn-Carney  e Aneurin Barnard.

A película estreou lá fora na última sexta feira (21) e já é a primeira no box office.

Uma das cenas mais singelas do longa onde soldados tentam se proteger dos bombardeios.

A trama tem um inicio bem informativo. E logo se sabe dos tantos,tantos,tantos mil oficiais cercados pelo exército alemão. Três perspectivas diferentes da operação são ilustradas na sequência. Terra, mar e ar. Em terra, começamos então a acompanhar a semana do soldado Tommy (Whitehead) em sua corrida até a praia para se juntar as tropas que estão prontas para partir nos navios contratorpedeiros. Em alto mar, vemos o dia do civil britânico Dawson (Mark Rylance) que leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, com ele estão os jovens George (Keogan) e Peter (Glynn-Carney). E, por último, os sessenta minutos de confronto no céu, onde os pilotos da RAF (Força Aérea Real) Farrier (Tom Hardy) e Collins (Lowden) precisam destruir  aviões inimigos.

Dunkirk é o primeiro longa de Nolan que se baseia em eventos históricos e o terceiro que ele escreve sozinho. Claramente, o diretor se preocupou em destrinchar a história, isto porquê, para muitos, o ocorrido foi uma perca moral muito grande para a Grã-Bretanhã, mas, por outro lado, significou um ganho humano sem igual.

Essa preocupação também se vê pela intenção de Nolan em mostrar fases de cada situação. Quando uma story line está começando, outra ainda vai se construir e outra já está se concluindo. Uma opção dele que trabalha também o raciocínio do público é o modo de usar o tempo, pois quando você acha que está tudo seguindo em ordem cronológica, pode não estar.

A vontade em trazer verossimilidade dos acontecimentos fez Nolan e sua produção não só sair em busca de navios e aviões usados na época, ou que chegassem muito perto dos modelos que foram, como também dar chance para um cast muito novo e inexperiente. Afinal, muitos daqueles jovens soldados na batalha de Dunquerque, o eram.Fionn Whitehead e o cantor Harry Styles vivem dois desses oficiais e ambos tem uma presença muito forte na trama. Fazem parte de uma turma que consegue sair da praia, mas que a todo momento está passando por dificuldades para se salvar.

Nolan comparou a escalação de Styles a de Heath Ledger, pois segundo ele, muitos não acreditavam em Ledger, assim como em Styles

Já do lado do casting ‘adulto’, temos muita força e onipotência. James D’Arcy e Kenneth Brannagh são os oficiais que organizam as partidas da praia e constroem cenas dramáticas com singularidade. Mark Rylance com os jovens Berry Keogan e Tom Glynn-Carney interpretam bons samaritanos que não tem medo de sofrer consequências drásticas por escolherem ajudar e dão de cara com um Cillian Murphy altamente traumatizado com o que viu da guerra. Nos ceús, Tom Hardy e Jack Lowden também são vistos como heróis e até desafiam as leis da eloquência. (Como fã de Hardy não sei nem descrever o quão pertinente ele é em cada papel que faz).

O som aqui, tanto como os navios e os spitfires, aviações usadas pela RAF, são grandes personagens.  E Hans Zimmer assina pela sexta vez a trilha sonora original de um filme de Nolan. Até chegou a gravar sons de um relógio do cineasta para usar nas composições que ouvimos ali.

A fotografia tem direção de Hoyte Van Hoytema, o mesmo responsável pela beleza de ”Interestelar”, trabalho anterior de Nolan, e o design da produção é de Nathan Crowley.

A película, como um todo, nos traz um apelo visual e sensorial muito forte, mas não entrega uma obra prima ou o melhor do ano – até agora.  Talvez um bom filme da temporada que deve sim estar nas premiações do ano que vem pela grandeza do projeto e pela delicadeza de retratar a sobrevivência e não o heroísmo.

Trailer

Ficha Técnica: Dunkirk, 2017. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Tom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Brannagh, Cillian Murphy, Harry Styles, Fionn Whitehead, Jack Lowden, James D’Arcy, Berry Keogan, Tom Glynn-Carney, Aneurin Barnard. Nacionalidade: França, Holanda, Reino Unido, EUA. Gênero: Ação, Crime, Musical. Trilha Sonora Original: Hans Zimmer. Figurino: Jeffrey Kurland. Design de Produção: Nathan Crowley. Fotografia: Hoyte Van Hoytema. Efeitos Especiais: Paul Corbould. Edição: Lee Smith.   Distribuidora: Warner Bros Pictures do Brasil. Duração: 01h53min.

Avaliação: Três kilos de solidariedade e  vinte e cinco (3,25/5).

27 de julho nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

B

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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