Neve Negra, de Martin Hodara

O meu, provavelmente, o seu (quase certo que nosso e ainda do resto do mundo) ator argentino predileto, Ricardo Darín (Nove Rainhas, O Segredo dos Seus Olhos, Relatos Selvagens e tantos outros), se junta a Leonardo Sbaraglia (No Fim do Túnel) e Laia Costa em um suspense tenebroso com direção de Martin Hodara.

Na trama, Darín vive Salvador. Um homem endurecido pelas marcas do passado que mora sozinho nas terras da família, localizadas na Patagônia, Argentina. Um belo dia, Salvador recebe a visita do irmão Marcos (Sbaraglia) e da cunhada (Costa), recém chegados da Espanha, para convencê-lo a vender o lugar e repartir o dinheiro. Marcos relembra o carrancudo Salvador de que a irmã caçula deles, Sabrina, interpretada por Dolores Fonzi, está doente e o dinheiro auxiliaria nos custos da enfermidade da moça, mas Salvador teme que o irmão esteja ali apenas por interesse próprio e resiste as idéias dele. Enquanto isto, Sepia (Federico Luppi), um dos representantes da empresa que quer comprar as terras do clã cerca Marcos e propõe que ele continue a tentar entrar em um acordo com o irmão.

A partir deste momento, grandes revelações sobre a família caem por terra e o espectador conhece o real motivo do distanciamento entre os irmãos.

EITA PEGA ! ! !

Hodara, além de diretor do longa, é co-roteirista. Parceria que firma com Leonel D’Agostino (Caida del Cielo). O texto da dupla imprime diálogos ambíguos e fortes, o que ajuda a embasar o clima de mistério da trama.

Aliás, a estrutura não-linear do filme é outra boa escolha, pois tal ferramenta ajudar a trabalhar as mil e uma incógnitas que cada personagem possui, complementando também  as jornadas deles.

Na condução, Hodara traz boas visualizações do enigma que é Salvador. Gera toda uma gama de terror em volta dele e convence. Também usa da câmera lenta para chamar atenção e indicar situações já decorridas e prefere sempre takes inexatos.

Laia Costa vive Laura

Há sim indícios de que estamos vendo imagens enganosas para deflagrar as boas e más  condutas dos personagens, mas seu propósito casa com a rivalidade entre os irmãos, Salvador e Marcos. E é Laura, mulher de Marcos, que ao fim da história, nos ajuda a entender melhor os traumas da família.

A irmã, Sabrina, tem grande participação nos acontecimentos e intriga a todos com suas falas misteriosas sobre a morte de um irmão mais novo – crime do qual Salvador aparenta ter certa culpa. Um remorso que é também sentido por esta frágil mulher, mas estranhamente não por Marcos. Contudo, as argumentações de Sepia e o julgamento raso de Laura conseguem nos encher de dúvidas sobre os atos de Salvador.

Darín cai em um personagem que lhe é de feitio. Estranho, misterioso e animalesco.  Não há grandes surpresas ali. Sbaraglia é também flutuante e convence.  Costa não muda exatamente muito, mas tem sua relevância tanto quanto Luppi e Fonzi.

A fotografia sempre obscura e fria da película abraça com força o suspense do filme e o jeito marrento do protagonista.  O ambiente das montanhas geladas, inclusive, é o palco determinante do conflito principal do longa.

Há sim um bom trabalho de produção e direção de arte que remetem muito aos filmes norte americanos com temáticas relativas. A trilha é assinada por Zacarias M. de La Riva.

O filme não é o melhor da produção argentina, mas arranca bons momentos e teve uma excelente estreia na bilheteria portenha, logo no inicio deste ano.

Trailer

Ficha Técnica: Nieve Negra, 2016. Direção:Martin Hodara. Roteiro: Leonel D’agostino e Martin Hodara.  Elenco: Ricardo Darín, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Dolores Fonzi,  Federico Luppi, Liah O’prey, Biel Montoro, Mikel Iglesias. Nacionalidade: Argentina,Espanha. Gênero: Suspense, drama. Trilha Sonora Original: Zacarias M. de La Riva. Figurino: Janty Yates. Fotografia: Arnau Valls Columer. Efeitos Especias: Federico Cueva. Edição: Alejandro Carrillo Penovi.  Distribuidora: Paris Filmes. Duração: 01h30min.

AvaliaçãoTrês traumas tenebrosos (3,/5).

Não recomendado para menores de 14 anos

08 de junho nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

B

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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