Alien: Covenant, de Ridley Scott

Em ”Prometheus”, de 2012, o universo Alien voltou a ser explorado pelo renomado cineasta Ridley Scott. Uns gostaram me inclua ai, outros nem tanto e alguns nem deram bola, entretanto, a produção foi relevante para que Scott se aventurasse a visitar seu passado glorioso (quem nunca?), já que ‘Alien, O Oitavo Passageiro (1979)’ é um dos mais aclamados filmes de ficção científica de todos os tempos e também o debut comercial do diretor.

Prequel do longa de 79, Prometheus foi estrelado por Michael Fassbender, Noomi Rapace, Idris Elba e Charlize Theron e seguia a jornada de um grupo formado por arqueólogos, cientistas, entre outros, que saem em busca de respostas sobre a existência da humanidade pelo universo. Patrocinada pelas indústrias Weyland,a missão tinha como líder a cientista Elizabeth Shaw (Rapace), o piloto Janek (Elba), a capitã Meredith Vickers (Theron) e contava também com o auxilio do androide David (Michael Fassbender) e etc. Ao fim daquela caçada, claro, o time encontra um destino fatal com o despertar de um ser desconhecido e somente Elizabeth e David (Michael Fassbender) conseguem escapar e prosseguir viagem.

Os fãs xiitas de ‘O Oitavo Passageiro‘ não entenderam (ou não quiseram entender) que a nova empreitada de Scott não era uma sequência ao seu primeiro filme e ficaram tão possessos que o xenomorfo original (espécime criada com a série) não aparecia na produção que xingaram muito no twitter demandando uma continuação. Cinco anos mais tarde, o que Scott faz? Atende o desejo dos frustrados de plantão e lança ‘Alien: Covenant‘.

E o enredo corre assim: a nave covenant, diferente de ‘Prometheus’, é desenhada para seguir em missão de colonização até chegar a Oregae-6. Porém, após um incidente a tripulação é acordada antes do tempo e mudam a rota original, após um planeta, aparentemente, habitável surgir no radar. Com Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Jussie Smollett e James Franco, no elenco, e roteiro de John Logan e Dante Harper, o filme tem estreia mundial esta semana.

Os atores Michael Fassbender, Guy Pearce e Noomi Rapace, que aparecem em Prometheus, voltam a reprisar seus papéis aqui.

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Tripulantes da nave Covenant confraternizam antes de entrarem em estado de ‘hibernação’.

Covenant não é nem um pouco burro e segue a regra básica de filmes do gênero de TACAR CONFLITO ATRÁS DE CONFLITO na cara dos espectadores Traz uns draminhas superficiais também e, claro, dá ao público um xenomorfo com sangue no olho e em busca de sangue para fazer com que todos se sintam agoniados e se remexam na cadeira até virarem o rosto pro outro lado.

Alerta de spoiler: Um aspecto de Prometheus que aqui é novamente trabalhado é a questão da incrível inteligência artificial que os androides criados pelas indústrias Weyland apresentam. Aliás, o longa se inicia com um dialogo entre David (Fassbender) e Peter (Guy Pearce), este último tido como dono da corporação. A cena remete ao tempo em que o empresário ainda era jovem e ainda estava experimentando os talentos do robô (situação que, claramente, acontecera ainda antes da nave Prometheus sair em missão). Naquele contexto, o primeiro protótipo de David já começa a demonstrar que tem um propósito maior do que ser um mero robô. Algo que é modificado na nova geração de androides renomeada como Walter (Fassbender de novo para nossa alegria).

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Walter (Fassbender) se apresenta menos sentimental que David e se configura como um robô que segue seus deveres.

Como de praxe e seguindo a mesma linha de papéis vividos pelas atrizes Sigourney Weaver e Noomi Rapace, Covenant tem uma mulher como protagonista. Daniels é interpretada pela atriz em ascensão Katherine Waterston (Animais Fantásticos e Onde Habitam e Vício Inerente), mas vem na versão mais fraca de todas as protagonistas femininas de um filme de Scott. Suas deixas dramáticas são rasas, seu sofrimento também e ela não consegue instaurar muita simpatia do outro lado da tela com a escolha de uma caracterização ‘clean’. Isto porque ela traz referências de Ripley e Shaw, mas ao tentar ser diferente, não é nem igual e nem melhor é só irrelevante.

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Daniel (Waterston) amendrontrada tenta desesperadamente ajudar a tripulação

O filme consegue responder perguntas de seu antecessor e acontece dez anos após aqueles acontecimentos. Gera novas questões, as resolve, e deixa com que os personagens vividos por Michael Fassbender tenham tanta importância para a trama quanto o tão aguardado monstro.

Por se tratar de uma nave de colonização, todos os tripulantes estão acompanhados de um parceiro (há também embriões congelados e uma número grande de humanos hibernando nos pods). Há não só casais héteros, mas também os homo afetivos. Entre os atores que ganham destaque estão: Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, mas ninguém tem tanta presença quanto Fassbender. As pequenas participações de Guy Pearce, Noomi Rapace e James Franco são um bônus interessante.

A direção de Scott é interessada aqui somente em satisfazer os fãs. Então, espere cenas agoniantes com o Xenomorfo, uma delas, claro, com teor erótico, mas não espere que o longa supere suas expectativas arrebentadas em Prometheus (isto se você não gostou daquele, claro).  .

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Falar de como a direção de arte nos filmes de Scott é espetacular nem é algo inesperado, mas se passar batido é falta de consideração. A supervisão aqui fica por conta de Ian Gracie. A trilha de Jed Kurzel é fenomenal. Daquelas de te botar no climão e ser potente nos momentos de agonia.

Antes de prosseguir para Covenant, se acharem interessante, vejam o prólogo lançado pelos realizadores da produção que mostra Shaw e David pelo espaço. Há também uma intro bacana para o filme (ver aqui) apresentando a equipe do capitão Branson (James Franco). Todavia, se preferirem não assistir, também não vai fazer muita diferença.

Trailer

Ficha Técnica: Alien, Covenant, 2017. Direção: Ridley Scott. Roteiro: John Logan e Dante Harper, com argumento de Jack Paglen e Michael Green – baseado nos personagens criados por Dan O’Brannon e Ronald Shusett.  Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Jussie Smollett, James Franco, Guy Pearce e Noomi Rapace. Nacionalidade: Eua, Reino Unido. Gênero: Ficção científica, suspense, ação. Trilha Sonora Original: Jed Kurzel. Figurino: Janty Yates. Fotografia: Dariusz Wolski. Efeitos Especias: Neil Corbould. Direção de Arte: Ian Gracie. Edição: Pietro Scalia.  Distribuidora: Fox Film do Brasil. Duração: 02h02min.

Avaliação: Dois potes de gosma marciana e oitenta histórias para contar (2,80/5).

11 de maio nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

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Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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