Nem Um Pouco Épico

A Cabana (Filme)

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É comum ao ser humano não assumir seus erros tanto quanto se culpar por atos que lhe fogem o controle. Em ”A Cabana”, filme de Stuart Hazeldine que adapta a trama do bestseller de William P. Young para as telas, aquele último entendimento transcorre em exatidão com o que acontece a Mack Philipps (Sam Worthington). Um pai de família transtornado pela morte da filha mais nova e pela culpa que carrega em relação ao ocorrido. Na trama, Mack é levado a atravessar um caminho longo de auto-conhecimento para perdoar a si mesmo e dar-se a chance de viver em paz.

O processo de amenização das dores desse pai é realizado quando ele recebe um chamado divino de Deus, Jesus e o Espirito Santo para visitar ‘A Cabana’ secreta onde o incidente ocorreu. Os três personagens, em sequência, são vividos por Octavia Spencer/Graham Greene,Avraham Aviv Alush e Sumire Matsubara.

O longa, que é um dos lançamento desta quinta-feira (06), ainda tem a participação da atriz brasileira Alice Braga e do cantor/ator Tim McGraw.

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A Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, aparecem com os nomes de Elouisa (Spencer), Jesus (Alush) e Sarayu (Matsubara)

O roteiro do trio John Fusco, Andrew Lanham e Destin Daniel Cretton tenta a todo custo impregnar o filme de mensagens universais que falem de perdão, autopiedade, amor, bondade e conhecimento espiritual. Em tese, as temáticas chegam ao espectador e as situações criadas são responsáveis por isto. Ainda assim, a narrativa nos primeiros trinta minutos de filme deixa a desejar e demora a surtir efeito prático para o enredo.

O percurso do personagem para chegar a superação de seus dramas é até interessante e abrange não só o olhar que ele tem pela família que constituiu como se liga aos traumas vividos no reduto onde cresceu. Ele é incentivado a pensar com sabedoria e é guiado pelo lado materno e paterno da figura divina para um campo onde a calma e a força residem juntas, também entra em contato com o seu lado companheiro quando está na presença de Jesus e se contagia pela beleza que há na natureza do Espírito Santo.

Aos poucos, as imagens que se tem de um paraíso floral e maravilhoso, mostrado nos folhetins bíblicos, vai se transpondo e não é que há perca de condução aqui, mas acontece que a película se contagia com as mensagens, quase que desde o inicio de seu caminhar, e esquece de conversar com a linguagem cinematográfica.

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Elouisa (Spencer) dá apoio a Mack (Worthington) em uma imagem que poderia até lembrar o famoso quadro ”A Criação de Adão”, do pintor italiano renascentista Michelangelo Buonarroti

Outro aspecto interessante aqui é como o filme escolhe abordar a diversidade. Traz uma mulher negra, Octavia Spencer, e um índio, Graham Greene, como a imagem de Deus, torna mais jovem e ainda mais hipster as características de Jesus com Avraham, faz o Espírito Santo ter um tom budista//japonês/havaiano/reflexivo com Matsubara e dá espaço para a sabedoria feminina de Alice Braga instigar lacunas de uma dor não superada.

Antes de se ter em tela esse arco divino, o personagem principal vive os conflitos com a família e vizinhos e grande parte do elenco flutua da forma que a jornada pede. Não há altos e nem baixos, apenas normalidadeZZZzzz. Os problemas da narrativa é que, talvez, se destaquem mais que eles e a direção.

A edição do longa é de William Steinkamp e aparenta ser mais cansativa do que demorada. Aaron Zigman é responsável pela trilha sonora original e as contextualizações coloridas do figurino ficam por conta de Stacy Caballero e Karin Nosella.

Trailer

Ficha Técnica: The Shack, 2017. Direção: Stuart Hazeldine. Roteiro: John Fusco, Andrew Lanham e Destin Daniel Cretton adaptado do livro homônimo de William P. Young.  Elenco: Octavia Spencer, Sam Worthington, Alice Braga, Tim Mcgraw, Radha Mitchell, Grahan Greene, Avraham Aviv Alush, Sumire Matsubara, Gaga Munroe, Amélie Eve, Megan Charpenter e Carson Reaume. Nacionalidade: Eua. Gênero: Drama. Trilha Sonora Original: Aaron Zigman. Figurino: Stacy Caballero e Karin Nosella. Fotografia: Declan Quinn. Edição: William Steinkamp.  Distribuidora: Paris Filmes. Duração: 02h13min.

O filme deve chegar ao público religioso sem muita pretensão e até agradar, os fãs do livro já não arrisco muito.

Avaliação: Uma página de pergaminho desbotado  (1/5).

06 abril nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

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About Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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