O Drama Familiar de ‘Manchester À Beira Mar’

Longa escrito e dirigido por Kenneth Lonegan, traz Casey Afleck totamente entregue ao papel do zelador Lee (Casey Afleck) que após receber a notícia da morte do irmão Joe (Kyle Chandler) tem de retornar a sua terra natal para preparar o funeral e dar apoio ao sobrinho Patrick (Lucas Hedges). A volta, contudo, coloca o zelador em choque com as memórias do passado e com o verdadeiro motivo que o fez partir, anos antes.

O drama teve exibição no Festival de Sundance de 2016 e é um dos primeiros filmes a ser distribuídos pelo estúdios Amazon, lá fora. No Brasil, o lançamento é da Sony Pictures e entrou em pré-estréia desde o dia 12, em algumas cidades. Porém, esta quinta-feira (19), ele chega oficialmente aos cinemas.

Com produção do ator Matt Damon que, inicialmente, iria estrelar e dirigir a película, ”Manchester à Beira Mar” ainda tem Michelle Williams, Tate Donovan, Heather Burns e Matthew Broderick no elenco.

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O pequeno Patrick (O’Brien), Lee (Afleck) e Joe (Chandler) nas cenas iniciais da película.

A narrativa do filme é muito bem transcrita para as telas, pois se dá de forma não-linear e atrai a atenção em todas as suas mudanças de tempo. Há explicações para diversas situações, mas há também cenas que dão ao espectador a chance de refletir sobre o que ficou subentendido.

O conflito inicial, a morte do irmão de Lee, personagem de Afleck, constrói um patamar para todos os outros acontecimentos do filme, mas o seu papel é, na verdade, fazer com que o público saiba o porquê o zelador mora em outro Estado, longe da família. Tal revelação já ocorre com quase uma hora de filme e, depois daquele momento, Lee ganha um ar ainda mais sofrido.

O direcionamento de Lonegan, além do roteiro bem redigido, aproxima aquela história do espectador e não usa do melodrama para fazer a película crescer. Pelo contrário, ele busca o auxilio de outros elementos como a comédia para assegurar que a trama se desenvolva bem, o que realmente acontece. Além disso, os rumos que tio e sobrinho tomam acabam chegando a lugares legítimos.

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Lucas Hedges vive Patrick na adolescência e contracena com o ganhador do Globo de Ouro, Casey Afleck.

O inverno adentra a tela com força e sua dureza se alia as dificuldades captadas. Michelle Williams interpreta a esposa de Lee e tem poucas cenas, mas se faz valer. Kyle Chandler é outro que aparece pouco e o interessante é que seu sobrenome no filme é idêntico ao que ele carrega na vida real (ironias do cinema), Heather Burns vive a mãe de um dos muitos interesses amorosos do jovem Patrick e até tenta flertar com o tio do garoto, porém, aquele não aparenta estar muito a fim. Matthew Broderick está na película como o padrasto do órfão e conduz as cenas de reencontro do garoto com a mãe de forma altamente conflituosa. Lucas Hedges é perfeito para o papel. O ator conseguiu ter um ótimo tom cômico e dá um show quando o seu personagem se dá conta de que sua vida mudou drasticamente. O bate bola que ele tem com Casey é um dos grandes destaques do longa.

Casey, aliás, está sempre muito concentrado e ele mantém um olhar carregado de tristeza e culpa Dando a quem assiste a chance de se emocionar inúmeras vezes. Sua interpretação vai ao ponto certo e se retira. Não traz exageros e nem é diminuta. O ator é sim o favorito para ganhar grandes prêmios nessa temporada de ouro: Baftas, SAG Awards, Oscars – e já levou o Globo de Ouro de melhor ator na categoria drama, mas chega indicado a talvez todos estes prêmios com a ajuda dos produtores e do irmão abafando casos do seu passado onde fora acusado de ‘assediar sexualmente’ de colegas de trabalho.

A polêmica ficou ainda mais em tona devido ao ator Nate Parker, protagonista e diretor de ‘O Nascimento de Uma Nação‘ (filme que tinha grande potencial para estar entre os melhores do ano), ter sido completamente bombado pela mídia e esquecido pelos críticos, já que Parker também fora acusado por atos do mesmo tipo dos que Casey ‘aparentemente cometera’. Assim, não há em si uma explicação para o favorecimento de um e o esquecimento de outro, a não ser a mão branca de Hollywood se fazendo valer mais uma vez.

Robert Downey Jr. represente nossa cara de insatisfação com Hollywood, por favor!

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Ademais, vale glorificar o bom trabalho da trilha sonora de Barber que acompanha todos os momentos e sabe simbolizar bem cada um deles dramatizando-os com corais e sons singelos de piano. A fotografia revela com muito cinza os ambientes frios e nublados que são palcos da história. A edição é certeira e,apesar de ser um filme de duas horas e alguns minutos, não chega a ser cansativo.

Trailer

Ficha Técnica: Manchester By The Sea, 2016 Direção e Roteiro: Kenneth Lonergan. Elenco: Casey Afleck, Kyle Chandler, Lucas Hedges, Tate Donovan, Michelle Williams, Matthew Broderick, Chloe Dixon, Ben O’Brien. Nacionalidade: Eua. Gênero: Drama. Trilha Sonora Original: Leslie Barber. Fotografia: Jody Lee Lipes. Edição: Jennifer Lame. Distribuidora: Sony Pictures Brasil. Duração: 02h18min.

Avaliação: Quatro  baldes de lágrimas e meio (4,5/5).

19 de Janeiro, nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

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Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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