O Imperdível ‘La La Land: Cantando Estações’, de Damien Chazelle

La La Land teve uma caminhada muito positiva, desde sua estreia em agosto de 2016 no Festival de Veneza. Evento este que ainda deu a Emma Stone o prêmio de melhor atriz, devido a sua participação no longa que é escrito e dirigido por Damien Chazelle (Whiplash).

Os borburinhos dos festivais e todo o amor que os críticos, ao redor do mundo, declararam a produção fizeram com que a película chegasse a temporada de ouro como uma das favoritas a melhor do ano. Assim, logo em sua primeira ‘disputa’ importante, aka os Globos de Ouro 2017, desbancou todos os indicados e venceu, ao total, sete categorias. Incluindo: melhor filme, melhor atriz para Stone e melhor ator para Ryan Gosling, ambos na categoria ‘musical ou comédia’ e também melhor roteiro, melhor direção e melhor canção original.  O feito é inédito para um musical e acabou chamando ainda mais atenção para La La Land – que no Brasil vem com um subtítulo de ”Cantando Estações”.

O enredo simplista apresenta a trajetória de dois sonhadores em busca de se realizarem como artistas. Mia (Stone) é uma aspirante a atriz que divide seu tempo entre atender a audições para conseguir um grande papel e comparecer ao seu trabalho de meio período em um café de um famoso estúdio de cinema. Sebastian (Gosling) é um músico apaixonado por jazz que sonha em ter a sua própria casa de shows. O casal se conhece em Los Angeles e, ao se incentivarem a não desistir da longa jornada que têm pela frente, se apaixonam.

A produção já está em pré-estreia nas capitais, mas a estreia em todo o Brasil acontece na próxima quinta-feira (19).

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O roteiro é fenomenal quando escolhe dar espaço tanto para o dialogo cantado quanto o não cantado. Os personagens tomam rumos reais e ajudam a produção a ter um resultado superior ao que se espera. Há falas maravilhosas que evocam a revolução artística, mas não esquecem a beleza de seu passado. Preza-se ainda o bom tom de comédia empregado e a lucidez com que o musical se solidifica, o que o faz ser bastante verdadeiro. O subtítulo que o filme ganha em bananaland diz muito de como o tempo é contado na trama. Isso mesmo que você está pensando: por estações. E isto demarca também as fases da vida dos personagens.

Chazelle é não só o roteirista como também o diretor e traz ao público uma produção que reflete muito o seu excelente conhecimento sobre cinema. Takes emblemáticos e magistralmente orquestrados fazem o espectador vibrar (câmeras seguindo os figurantes do alto de prédios e caindo na piscina são muito bem delineadas) e, bem no inicio, já damos de cara com o logo enorme do CinemaScope. Um tipo de tecnologia usada nos filmes, entre os anos 50 e 60. Dali partimos para a cena de abertura rodada em uma mega rodovia de Los Angeles, onde os nossos protagonistas e milhares de figurantes encaram um tráfico pesado e o dia ensolarado da cidade.

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A cena de abertura é magnífica

A música inicial da película, ‘Another Day of the Sun’, é deliciosa de se escutar, pois consegue ir da calmaria a explosão em instantes. Na verdade, a trilha sonora inteira é povoada por melodias encantadoras e apaixonantes. Muito provavelmente você irá sair do cinema assoviando junto com as canções compostas por Justin Hurwitz. Clássicos dos anos 80 como ‘I Ran’ e ‘Sweet Dreams’ também serão ouvidas por aqui e auxiliam no bom humor de algumas cenas.

Outro detalhe importante para todo o ‘oba oba’ em cima de La La Land é que por todo o filme vemos referências aos grandes clássicos do cinema. Entre eles : Cantando na Chuva (1952), O Picolino (1935), Sinfonia de Paris (1951), Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) – filme este que é um dos prediletos de Chazelle e um dos que mais se vê links, Ritmo Louco (1936), A Roda da Fortuna (1953), Duas Garotas Românticas (1967) e até Oito e Meio (1963), de Fellini. Ah, e se você já tiver assistido ‘Juventude Transviada’ (1955), vai perceber que algumas das locações daquele filme também aparecem aqui. Mia até usa uma jaqueta à la James Dean em um de seus testes.

O marketing do filme foi outro que pegou pesado e criou cartazes maravilhosos da produção.

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Listado no casting principal do filme estão: Emma Stone, Ryan Gosling, J.K. Simmons, Rosemarie DeWitt, Tom Everrett Scott e o cantor John Legend. A dupla de protagonistas, Emma e Ryan, tem, claro, o maior tempo em cena e, por interpretarem pela terceira vez um casal, conseguem expor uma química extraordinária. Ademais, adicionam um ar clássico aos seus personagens e o brilho de ambos separadamente é ultra cativante.

Emma solta a voz e descobrimos ali um tom doce e sutil. Como dançarina, ela vai do sapateado ao contemporâneo e também é guiada por Ryan aqui e ali. O parceiro, a propósito, consegue ser tão bom quanto ela. Pois é também incumbido de cantar e dançar. Mas o desempate ocorre quando Ryan tem de tocar o piano – já que seu personagem o exige tal façanha. Assim, ao mostrar a habilidade, recém aprendida exclusivamente para o filme, o ator atrai grande admiração até mesmo de grandes músicos como John Legend que está na película e interpreta o parceiro de banda de Sebastian, Keith. J.K. Simmons e Rosemarie DeWitt, trazem muito humor para o filme. O primeiro é gerente de um restaurante onde Sebastian toca jingles de natal e a segunda interpreta a irmã do pianista. Tom Everrett Scoot é a cereja do bolo e aparece nas cenas finais da trama. A sua participação inusitada convém porque Tom interpretou um baterista de jazz em ‘That Thing You Do‘ e foi protagonista de ‘Um Lobisomem Americano em Paris‘, o que pode ser uma boa sacada para quem curte essas ligações entre filmes.

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O trabalho técnico do filme é grandioso. O Figurino então nem se fala. A fotografia reflete muitas cores, mas vai mudando de acordo com a chegada de cada estação. A direção de arte é simbólica ao trazer para o filme todo um toque nostálgico da década de ouro de Hollywood. O quarto da personagem de Emma, por exemplo, é repleto de pôsteres de produções antigas e tem uma decoração super vintage. A coreografia das cenas deixa muito musical da Broadway no chinelo e o resultado final do filme é com certeza glorificado por sua ótima montagem e edição.

Assim, seja você ou não cinéfilo, não perca este aqui, pois La La Land é um filme para sonhadores e aqueles que ousam mudar os seus destinos. Ah, e se for conferir e gostar, já vai fazendo figa para que ele leve tudo no Oscar, pois é quase certo que dia 24 de janeiro ele esteja entre os nomeados para a premiação.

Trailer

Ficha Técnica: La La Land, 2016. Roteiro e Direção: Damien Chazelle. Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, J. K. Simmons, Rosemarie DeWitt, Olivia Hamilton, John Legend, Anna Chazelle, Tom Everrett Scott. Nacionalidade: Eua. Gênero: Musical, Comédia, Romance. Trilha Sonora Original: Justin Hurwitz. Fotografia: Sandgren. Edição: Tom Cross. Coreógrafa: Mandy Moore. Direção de Arte: Austin Gorg. Distribuidora: Paris Filmes. Duração: 02h08min.

Avaliação: Quatro estações vividas plenamente (4/5).

19 de Janeiro, nos cinemas!

Vejo vocês por ai!

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Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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