O Shaolin do Sertão Mescla Culturas e Diverte

O ambiocioso Aluiso Li (Edmilson Filho) sempre sonhou em se tornar um forte lutador de artes marciais, quando acorda desse sonho dá de cara com sua realidade. Ele é apenas o padeiro em um negócio comandado pelo seu Zé, personagem vivido pelo comediante Dedé Santana. Seu Zé além de chefe de Li é também o pai da bela Anésia Shirley (Bruna Hamú), intenção amorosa do protagonista, contudo, esta só tem olhos para Armandinho (Marcos Veras), um cabra muito macho que não perde a chance de colocar Li em seu devido lugar.

Um dia, Li, incentivado por seu pequeno amigo Piolho (Igor Jansen) decide aceitar o desafio do grande lutador Toni Tora Pleura (Fabio Goulart) e combatê-lo no tatame. O evento é patrocinado pelos políticos da cidade e com isto Li ganha suporte para procurar o treinador perfeito. Não tendo este, ele contrata Chinês (Falcão). Um expert em frases redundantes que pode sim ajudar Li a atingir seus objetivos e se tornar um prestigiado mestre em Kung Fu, assim como os heróis de seus filmes chineses prediletos.

Essa trama alucinante tem direção do engenhoso Halder Gomes (Cine Holliúdy) e roteiro de L. G. Bayão. Também no elenco, Fafy Siqueira, Frank Menezes, Cláudio Jaborandy e Tirulipa.

A produção entra em cartaz na próxima quinta-feira (20).

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Li (Edmilson Filho) durante o seu treinamento com o mestre Chinês (Falcão)

Shaolin do Sertão têm um tom altamente teatral e exagerado (algo que não prejudica o longa em nenhum momento). Traz o contexto regional cearense muito forte e mescla isto a cultura chinesa. Inclusive, faz tal junção de modo impressionante. A trama é deveras original, mas um pouco maçante e, em seus momentos finais, é um tiquinho repetitiva.

Percebe-se também um trabalho minucioso e detalhado tanto na narrativa utilizada no roteiro como na direção de arte e no figurino, o que traz consistência a jornada do protagonista. Aqui e ali sente-se um tom de tevê, porém o diretor consegue fazer seus takes cinematográficos se desdobrarem por grande parte da produção. A condução de Halder é ademais muito similar ao que se vê no tão distinto ”Cine Holliúdy de 2013, filme este que deve ganhar sequência em breve.

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Aluisio Li (Edmilson Filho), O Juiz da Luta (Tirulipa) e Toni Tora Pleura (Fabio Goulart)

O elenco parece ter sido escolhido a dedo e traz um resultado final extremamente adequado. Edmilson, que é figurinha carimbada nos trabalhos anteriores de Halder, é espetacular (o ator é também professor de artes marciais o que o faz perfeito para o papel). Falcão consegue sair de si mesmo e se torna um outro e ótimo personagem (também não é a sua primeira vez trabalhando em um filme deste diretor). Fafy Siqueira é precisa com seu humor descomunal. Dedé Santana não será lembrado por seu papel aqui, todavia, se sai razoavelmente bem.

Há papéis pequenos, como o ator que interpreta o assistente do prefeito e também o herói chinês que Li vê em suas ilusões, que são maravilhosos. Entretanto, é o pequeno Igor Jansen que chama atenção em sua interpretação do amigo e guia de Li. O jovem ator tira riso com poucas expressões. Exemplo disso está na cena em que deve responder se o lutador é seu pai e na lata retruca um hilário ” Deus Me Defenda!”.

cartaz-shaolin-do-sertao_0O uso de ferramentas musicais são adornos muito acertados da produção e sinalizam com força as culturas inseridas na história ( se prepare para ouvir o amado cantor Fagner em alguma cena do filme). Exibe ainda uma leva de referências aos filmes clássicos de artes marciais.

Em suma, é um filme marrom. Talvez se mais enxuto, poderíamos ver um desenvolvimento melhor ou que superasse o trabalho anterior de Halder.

Trailer

Ficha Técnica: O Shaolin do Sertão, 2016. Direção: Halder Gomes. Roteiro: L. G. Bayão. Elenco: Edmilson Filho, Igor Jansen,Falcão, Marcos Veras, Dedé Santana, Fafy Siqueira, Frank Menezes, Bruna Hamú, Cláudio Jaborandy,Tirulipa, Fábio Goulart. Nacionalidade:Brasil. Gênero: Comédia, Artes Marciais. Trilha Sonora Original: Herlon Robson. Fotografia: Carina Sanginitto. Direção de Arte: Juliana Ribeiro. Montagem: Helgi Thor.Distribuidor: Downtonw Filmes e Paris Filmes. Duração: 01h40min.

Divertido, mas com um humor que pode não captar qualquer um.

Avaliação: Dois chutes no ar e setenta e cinco jumentos escandalosos.(2,75/5)

20 de outubro nos Cinemas!

Não recomendado para menores de 12 anos.

Vejo vocês por ai!

giphy

B

Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

  • Emerson

    Eu nao assistiria de novo pous to com dor no peito de tanto rir.

  • daniel

    FILME MUITO ENGRAÇADO ...KKKKKKKKKK. Qual o nome da musica do fagner que toca no filme??

  • Barbara Kruczynski

    Olá, Daniel. Agradecemos a visita e o comentário. Infelizmente, a produção do filme não divulgou os dados técnicos da trilha sonora, apesar de listar Fagner na trilha. Ouve-se a música em uma das cenas, contudo, também não saberiamos lhe dar a resposta correta. Abraço.

  • tiago

    Flor da paisagem o nome da música

  • Valter Gomes

    A música chama-se Quixeramobim (Nonato Luiz/Fauto Nilo)

  • Fabia

    Finalmente encontrei galera a musica mais linda do filme na cena que anesia e proibida de se aproximar do aluisio... Ultimo trem, Fagner

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