Junho especial: Contos NUPEanos – “Status de relacionamento: enrolados”

Ahhhh, Junho, o famoso mês dos namorados!!!!

Mas aqui no NUPE a gente resolveu comemorar de um jeito diferente.

stydia

Porque acreditamos que não só relacionamentos românticos clássicos como namoros/ casamentos/ coisas-com-pessoas/ etc são importantes e merecem ser celebrados nas nossas vidas, resolvemos convidar cinco autores para escreverem sobre: Relacionamentos. Isso mesmo, aberto assim. E fugindo ao sentido clássico da palavra e do imaginário homem-mulher-cis-hétero-branco-padrão-humano sempre que possível.

Alguns relacionamentos são muito importantes na nossa vida.
Alguns relacionamentos são muito importantes na nossa vida.

Lavínia Rocha, Sofia Soter, Alliah, Fábio Kabral e Vitor Castrillo são os autores maravilhosos que toparam escrever para a gente e, durante o mês de junho, você poderá ler um conto inédito de um deles por aqui. Te convidamos a conhecer ou reconhecer um autor por semana através dessas histórias que falam de muito mais do que um simples “em um relacionamento sério” naquela rede social.

No final do mês vamos (tentar!) lançar um e-book com todas as histórias reunidas pra você que tem preguiça de ler no blog quer guardar essas histórias pertinho do seu coração. Então, vamos começar? Hoje a Lavínia veio contar a história da Valentina, ou melhor, deixa a Valentina contar a história dela =)

 

Status de relacionamento: enrolados

Lavínia Rocha

 

Olhei as horas. Eu estava MUITO atrasada, não iria conseguir chegar para o primeiro horário nem se minha mãe resolvesse ser uma alma boa e me levasse de carro.

Escovei os dentes enquanto encarava meu reflexo no espelho. Estava me sentindo um lixo. Como teria coragem de ir à escola daquele jeito?! Maldito creme “controlador de volume” que não adiantava de NADA! Peguei uma gominha e amarrei aquela juba bem forte. Era o que eu fazia dia após dia nos últimos quatorze meses.

Meu cabelo era ruim. Ruim mesmo, sabe? Crespo, seco, volumoso… e a minha relação com ele envolvia muito ódio. Ganhei o apelido de “Bombril” no Ensino Fundamental I e só consegui me livrar dele quando fiz a minha primeira escova progressiva, aos onze anos.

Tinha sido libertador.

Todo mundo elogiou os meus novos fios lisos, e eu não conseguia parar de balançá-los (finalmente meu cabelo tinha um movimento legal!). Mas o melhor de tudo foi quando meu xampu acabou e eu precisei ir ao supermercado comprar um novo. Ao colocar aquela embalagem com a frase “para cabelos lisos” no carrinho, me senti mais feliz e completa do que nunca!

Quatro anos depois, a alegria de me achar bonita e igual às minhas colegas chegou ao fim. Meu couro cabeludo começou a ter reações alérgicas aos produtos da progressiva, e a dermatologista me proibiu de fazer qualquer alisamento químico. Foi um inferno.

Sabe quando a gente não entende por que a vida te castiga? Eu era uma boa filha, uma boa aluna, uma boa amiga… Não merecia aquilo! Já não tive a sorte de nascer com o cabelo bom e agora, para piorar tudo, também não poderia mais consertá-lo?

Voltei a encarar a droga do meu reflexo no espelho. Eu era tão mais feliz quando meus fios escorriam pelos meus ombros… Agora estava aquela mistura de liso e cacheado, coisa mais horrorosa!

— Valentina, você tá atrasada, filha! – minha mãe apareceu na porta do banheiro para avisar.

Olhei seu cabelo escorrido, loiro, corte chanel, e desejei muito ter nascido igual a ela, o que infelizmente não era possível, já que não sou sua filha biológica.

— Eu não vou à escola hoje – avisei.

— Por quê?

— Tô passando mal – menti.

Minha mãe me olhou um pouco ressabiada, mas não me contrariou. Nós costumávamos confiar muito uma na outra, e foi de partir o coração ter que mentir para ela.

Mas, não tinha outra opção, naquele dia o meu cabelo estava especialmente assustador. Sair de casa daquele jeito era falta de bom senso.

Revirei os olhos mais uma vez para o meu reflexo, toquei aquela parte encaracolada e horrível do meu cabelo e voltei para a cama, irritada. Se eu soubesse como fazer uma escova decente, parte dos meus problemas estaria resolvida, mas como não conseguia e também não tinha como ir ao salão toda semana, era obrigada a conviver com aquele cabelo rebelde.

Tentei dormir de novo, mas só conseguia sentir o peso da realidade nas minhas costas: eu jamais olharia no espelho e me sentiria bonita de novo, jamais recuperaria a minha autoestima.

E aquilo estava me matando.

***

Depois do almoço, resolvi pegar meu celular para checar as redes sociais. Quando abri o Whatsapp, quase caí para trás ao ver o que uma das minhas amigas havia escrito no nosso grupo:

“Valentina, você NUNCA mata aula. Resolveu matar logo no dia que teve prova surpresa de Física???? Foram cinco pontos, sua doida!!”

PROVA SURPRESA?! CINCO PONTOS?! COMO ASSIM?!

Nunca estive na lista das meninas mais bonitas da sala, então sempre me esforcei para ser, pelo menos, uma das mais inteligentes. Sempre tive as melhores notas, sempre fui o exemplo que os professores gostavam de citar e nunca (NUNCA!) havia perdido média.

Mas infelizmente, o jogo virou, e agora eu não poderia mais me orgulhar tanto do meu currículo. E o pior de tudo era que a professora de Física era uma louca sem coração que não aceitava nenhuma desculpa. Eu poderia tentar convencê-la de que estava realmente passando mal, mas ela jamais repetiria a prova para mim.

Comecei a bolar um plano para conseguir fazer a prova… Se eu continuasse fingindo que estava mal, minha mãe me levaria ao médico, eu conseguiria um atestado e faria a prova de Física! Ou então poderia pedir a ela para explicar à direção que eu estava doente. Se a diretora mandasse a professora repetir a prova, não haveria escolha.

Ou então…

Eu poderia reconhecer que havia sido uma idiota e que havia perdido cinco pontos por culpa exclusivamente minha. Se eu não tivesse me importado com o que as pessoas iriam pensar do meu cabelo, naquele momento eu provavelmente teria fechado mais uma prova de Física (que era a minha melhor matéria). Decidi buscar refúgio na internet, talvez tivesse um blog que pudesse me dar soluções para deixar o meu cabelo razoável…

Depois de navegar por um tempo, percebi que estava enganada. Não havia UM blog, havia milhões! Dicas de produtos, de receitas caseiras, de penteados, de tudo! Peguei um caderninho e comecei a anotar todas as dicas que me pareciam úteis.

Uma das coisas que reparei foi que as blogueiras se referiam a “cabelo crespo” com a maior naturalidade. Sempre usei o termo com um sentido negativo, mas ali naqueles blogs, era tão natural quanto dizer “cabelo liso” ou “cabelo cacheado” e mais: havia MUITOS depoimentos de leitores e blogueiros que se orgulhavam do cabelo natural.

É sério.

As pessoas amavam suas cabeleiras e havia postagens sobre como aumentar o volume (sim, AUMENTAR o volume!!). Eu não conseguia parar de me chocar. Além de ver várias dicas que pareciam ótimas, estava descobrindo todo um universo que nem sabia que existia!

Fui adotada por uma família em que todos têm cabelos lisos, e na minha escola quem não nasceu com os fios naturalmente escorridos dá um jeito de fazer isso acontecer. Ou seja, aquelas dicas de cuidados com cachos eram novas para mim, pois nunca havia convivido com ninguém que soubesse cuidar deles (logo, alisar sempre foi a opção mais fácil).

Por causa dos blogs, descobri canais no Youtube que ensinavam o passo a passo de procedimentos que eu nem sabia que existiam… Só sobre finalização de cabelos cacheados e crespos havia uma penca de vídeos!

Mas o melhor de tudo era ver aquelas meninas com cabelos BEM volumosos felizes com a própria imagem. Eu queria aquilo! Queria ser feliz com o meu cabelo natural, queria me achar tão bonita quanto elas, queria que as pessoas gostassem do meu cabelo do mesmo jeito que pareciam gostar do delas (os vídeos tinham muitas visualizações e vários comentários positivos). Se isso acontecesse, seria tão mais fácil para mim… Nunca mais me sentiria mal por causa do meu reflexo no espelho.

Mas seria possível gostar dos meus anéis crespos e rebeldes?

De vídeo em vídeo, cheguei em um tema que me marcou muito. Não eram só dicas para cabelo, a menina do vídeo começava dizendo que abandonar a química e usar o cabelo natural era um ato político.

Minha primeira reação foi a de achar que ela estava louca. O que parar de fazer progressiva tinha a ver com política?

Daí eu comecei a escutar com atenção o que ela dizia e foi aí que ouvi pela primeira vez a expressão “ditadura do cabelo liso”. Basicamente é a pressão social para ter cabelos escorridos e sem volume e que faz com que as pessoas que nasceram fora desse padrão busquem se adequar o máximo possível a ele.

Depois ela começou a contar sobre o quão racista era essa ideia de cabelo bom ser o liso, enquanto o crespo fica como ruim. E depois da pergunta “o que o nosso cabelo fez pra ser chamado de ruim?”, eu fui obrigada a pausar o vídeo para digerir a informação e pensar criticamente sobre o que a menina dizia.

Se o padrão de beleza fosse negro, chamaríamos o cabelo liso de ruim?

Prossegui o vídeo e enfim veio a explicação do ato político. Para aquela menina, deixar o cabelo crespo, com volume e cheio de liberdade era como carregar uma bandeira de resistência, uma bandeira contra o racismo, e também era como dizer: “eu sou negra e tenho orgulho”, “não ligo para o padrão de beleza” e “gosto de mim do jeito que eu sou”.

Quando o vídeo acabou, fiquei um minuto encarando a tela do computador e tentando me lembrar de cada palavra dita pela menina. Ela havia abalado várias “verdades” já consolidadas na minha cabeça. De repente percebi que havia um outro lado de uma história que sempre pensei ter apenas uma versão.

Corri para o espelho e tirei a gominha que o prendia. Passei a mão pelas mechas na intenção de vê-las melhor e quis muito mudar a visão que tinha sobre mim mesma.

Mas acho que as coisas não funcionam tão rápido assim. Minha primeira reação ao olhar a raiz do meu cabelo era pensar “ruim” – por mais que a menina do vídeo tivesse explicado o quão racista era essa expressão.

E só de cogitar sair de casa com aquele volumão das blogueiras e das youtubers, meu estômago revirava, e eu ficava imaginando os olhares das minhas amigas do colégio. Elas certamente pensariam que eu havia perdido a sensatez e iriam me indicar um bom creme “sossega-leão”. Já o resto do colégio pensaria e verbalizaria comentários ainda piores – e eu não estava preparada para ouvi-los.

Mas, apesar de ter plena certeza de que alisaria o cabelo sem pensar duas vezes se pudesse, eu sabia que algo tinha mudado em mim. Descobrir aquele universo de crespas e cacheadas na internet, que eu nunca tinha visto, me trouxe um sentimento de pertencimento. Mais pertencimento do que no dia em que apareci de progressiva no colégio – porque nesse dia eu tive que modificar algo em mim para me sentir parte do grupo. Mas ali, com as meninas da internet, eu me identificava com o meu jeito natural.

O ruim da história era saber que aquele pertencimento só vinha quando abria os blogs e os vídeos. Fora da realidade virtual, ainda não estava preparada para assumir o meu cabelo como elas.

***

No outro dia, segui a mesma rotina de sempre e, ao me deparar com a imagem no espelho, fiquei irritada mais uma vez. Me lembrei das dicas que havia lido e resolvi usar uma delas.

As meninas da internet chamavam esse momento que eu estava vivendo de “transição capilar”, e uma das coisas que mais irritava as pessoas era ter duas texturas (parte crespa, parte lisa). Muitas meninas acabavam desistindo e voltavam para a química (o que eu certamente faria se não tivesse sido proibida – aliás, nunca teria entrado naquela transição acidental, para ser sincera).

Mas para facilitar essa fase, as blogueiras faziam listas de dicas. Uma delas era investir em penteados como coques, tranças, tiaras, lenços e turbantes.

Como teste, fiz uma trança embutida lateral, mas sem querer acabei deixando um fio solto na frente. Quando estava prestes a desfazer o penteado, parei para ver meu reflexo no espelho, e estranhei quando percebi que não tinha ficado tão ruim assim. O fio solto deu uma imagem melhor ao penteado, e, apesar de as duas texturas serem visíveis, elas incomodavam menos em forma de trança.

Abri a primeira gaveta do armário do banheiro e encontrei lá uma série de acessórios que eu não usava havia muito tempo. Quando fazia progressiva e era feliz com meu cabelo, adorava incrementar o visual com arquinhos, flores, brincos… Só que depois que o cabelo passou a ser um inimigo, abandonei tudo – na verdade a única coisa que ainda usava era aquela gominha que ajudava a domar a juba diariamente.

Mas como a trança tinha ficado legal (na medida do possível), pensei que talvez merecesse ganhar uma flor para valorizar o penteado.

Sem pensar muito se devia fazer ou não, acabei colocando uma flor vermelha e – já que estava abusando – selecionei um brinco de bolinha de pérola.

— Valentina, você tá atrasada, filha! – Mamãe apareceu na porta. – Vai faltar de novo? – ela perguntou, com os olhos semicerrados.

— Não! – falei depressa e me virei para sair do banheiro.

— Uau! – ela sorriu ao ver o meu penteado. – Você tá linda!

— Obrigada, mãe – agradeci tímida.

Eu usava o cabelo do mesmo jeito todos os dias e sabia que a mudança despertaria comentários em casa e no colégio. Era engraçado porque ao mesmo tempo em que elogios eram muito bem-vindos, eu não queria chamar tanta atenção.

— Você tá apaixonada? – Mamãe perguntou intrigada. – Mudar o visual assim de repente é coisa de gente apaixonada!

Eu sabia que minha mãe se referia a um garoto, mas o único relacionamento que importava ali era aquele comigo mesma, então voltei a olhar o espelho e encarei mais uma vez o meu reflexo. Eu estava apaixonada? De jeito nenhum! Ainda odiava o fato de não ter nascido mais bonita e com o cabelo liso.

Nem de longe eu havia feito aquele penteado porque simplesmente acordei amando meu cabelo. Muito pelo contrário, eu estava mais para aquele ditado “se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”. A trança era quase uma estratégia de guerra em que o inimigo era a cabeleira.

Olhei para minha mãe, ela ainda esperava uma resposta, então respondi que não antes de me despedir e seguir para o ponto de ônibus.

No colégio, fui elogiada por várias pessoas (desde amigas até colegas menos próximas) e fiquei me perguntando se a trança havia mesmo ficado tão boa ou se as pessoas estavam me dando uma dica sobre o quão horrível era o jeito que eu costumava amarrar o cabelo. Eles poderiam estar dizendo: “Que lindo o seu cabelo hoje, Valentina” com a intenção de dar o recado: “Nunca mais faça aquele rabo de cavalo baixo péssimo”.

Se queriam dizer aquilo, não sei. O importante é que os comentários fizeram o meu dia e, quando cheguei em casa, corri para a internet e procurei mais dicas sobre transição capilar. Uma questão que as blogueiras frisavam muito eram os cuidados com os novos fios que nasciam. Como usei química por anos, meu cabelo precisava de uma baita reconstrução aliada a boas doses de hidratação e nutrição.

Nas primeiras semanas tive um pouco de preguiça, mas aos poucos fui notando mudanças positivas no meu cabelo, e isso fez com que me animasse cada vez mais a cuidar dele.

Outra coisa que ajudou muito foi ler depoimentos de várias garotas que passaram ou estavam passando pelo mesmo. Também era sofrido para elas abrir mão da química e de toda a rotina capilar que costumavam ter. Reaprender a cuidar do cabelo e aceitar os fios do jeito natural não eram tarefas fáceis, mas as histórias que li tinham finais felizes, e eu esperava ansiosamente pelo meu.

Claro que eu era realista e sabia que o meu cabelo não era bonito como o das meninas das fotos, mas não custava sonhar, não é mesmo?

***

Os penteados seguiram dia após dia, assim como as consultas na internet. Eu acompanhava cinco blogs, sete canais no Youtube e havia entrado em quatro grupos de cacheadas e crespas no Facebook. Aquilo fez toda a diferença na minha vida, pois diariamente eu recebia injeções de autoaceitação e amor próprio, além do apoio de várias meninas que acabaram se tornando minhas amigas virtuais.

Mas o dia mais marcante para mim foi três meses depois daquela manhã em frente ao espelho, quando decidi fazer o BC (big chop) ou “o grande corte”, em português. Isso significa que fui ao salão e tirei toda a parte lisa do meu cabelo.

Já estava ensaiando esse momento: cheguei a marcar duas vezes, mas acabei cancelando com a cabeleireira. Sempre tive o cabelo bem abaixo dos ombros e, se eu tirasse a parte com progressiva, o comprimento ficaria um pouco acima dos ombros (isso molhado, porque quando secasse daria um volume enorme).

Depois que a moça finalmente largou a tesoura, eu me olhei no espelho e comecei a chorar, ali mesmo no salão. Era uma mistura de sofrimento e felicidade. Eu havia me livrado da chamada “ditadura do cabelo liso”, mas, em compensação, era muito difícil vê-lo curto daquele jeito.

***

— Valentina, você tá atrasada, filha! – mamãe surgiu no banheiro falando a frase de sempre.

Naquele dia, me atrasei porque fiquei longos minutos encarando meu reflexo no espelho com um olhar bobo. Duas semanas haviam se passado desde o corte e, embora tenha estranhado muito os primeiros dias, eu já estava me curtindo mais. Os cachos que se formaram estavam encantadores – o que me convenceu de que havia valido a pena e de que o meu cabelo podia sim ser bonito como o das meninas da internet!

No final das contas, percebi que havia perdido cinco pontos em Física porque era refém de uma ditadura, mas foi por causa desses mesmos pontos que decidi buscar refúgio na internet e acabei descobrindo muito mais do que isso: o caminho para reencontrar minha autoestima.

E, todas as vezes em que me sinto desmotivada por algum olhar torto ou comentário racista no colégio ou na rua, eu me mantenho forte no meu propósito ao me lembrar das cinco metas (uma para cada ponto perdido) que estão pregadas na parede do meu quarto:

  • Parar de tentar me encaixar em padrões de beleza;
  • Nunca mais classificar qualquer cabelo como “ruim”;
  • Não me deixar abater por olhares ou comentários racistas;
  • Me orgulhar por ser negra e amar o meu cabelo crespo e volumoso;
  • Recuperar a minha autoestima.

Embora eu ainda não tenha conseguido alcançar nenhuma meta completamente (é muito difícil arrancar preconceitos que me foram ensinados desde muito nova), posso perceber avanços no relacionamento com o meu cabelo.

Antes era um ódio profundo, depois fizemos uma trégua e hoje eu já vejo uma linda amizade nascendo. Mas o melhor de tudo é sentir que acabaremos enrolados em um grande caso de amor…

 

 

13295252_1054965217930435_1819510192_nLavínia Rocha é belorizontina, tem 19 anos e é autora dos livros Um amor em Barcelona, De olhos fechados e Entre 3 mundos. É apaixonada por livros desde novinha e nunca tinha pensado em se tornar escritora, mas graças aos amigos e à família entrou nesse mundo e agora não se imagina fora dele.

 

Comentários
Tassi

Tassi (também conhecida como Taissa Reis) é tradutora, agente, produtora editorial, leitora crítica, organizadora (de livros e da vida dos outros) e blogueira. Ainda tem muito a aprender sobre a vida, mas hoje gosta de escrever para o NUPE e dar mais RT do que tweetar no @tassitassi

  • Tales Leon de Marco

    Êta que essa menina escreve bem demais! REPRESENTATIVIDADE é isso! Que orgulho!

  • Jefferson Reis

    Gostei demais desse conto. Muito lindo. Logo no começo, quando Valentina começou a falar mal do cabelo, chamando-o de ruim, pensei: não faça isso, garota. E qual não foi minha alegria quando percebi que ela estava descobrindo a beleza - tão evidente - do cabelo crespo. Parabéns a autora por essa estória tão gostosa de ler sobre um assunto tão sério: representatividade e amor próprio.

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