A Garota do Livro revela os traumas na vida de uma jovem

Tem um trecho de uma canção da banda norte americana Cage The Elephant que diz assim:

Trouble on my left, trouble on my right, I’ve been facing trouble almost all my life

O recorte desta parte da canção reforça a ideia de que todos estamos fadados a ter problemas durante o percurso de nossas vidas. De todos os lados e jeitos. O que nos difere é como os enfrentamos e superamos. Bem, estas sábias palavras (musicadas) condizem bastante com a história que a diretora e roteirista Marya Cohn ambienta no longa ‘A Garota do Livro‘, estreia desta quinta-feira (26) com distribuição da PlayArte Pictures.

Na trama, a jovem de 28 anos, Alice Harvey (Emily VanCamp),é  uma assistente de uma editora de livros que há muito não lida com seus traumas do passado, ou ainda melhor, tenta se afastar deles ao máximo. Filha de um poderoso agente literário (Michael Cristofer) em Nova York, a moça sonhava em se tornar escritora e levar uma vida digna. Contudo, seu bloqueio criativo a impede de prosseguir com seus planos. Ademais, ela acaba de ser convidada para trabalhar no relançamento de um livro do autor Milan Daneker (Michael Nyqvist), um antigo cliente de seu pai que outrora fora seu mentor.

(L-R) Emily VanCamp as Alice Harvey in ``The Girl in the Book.’’
Emily VanCamp como Alice Harvey em “A Garota do Livro.’’

O enredo nos traz nitidamente uma personagem passando por um momento de reflexão em sua vida. Somos apresentados a uma gama de dilemas que a levaram a chegar em um estado estático. Vemos o desleixo dos pais a não presenciar, com frequência, a vida da filha adolescente, os limites não estabelecidos por eles,e, logo depois, o abandono da mãe e também a troca constante de companheiras do pai.

Alice chega a vida adulta tendo que lidar com sua invisibilidade, seja no trabalho ou na vida pessoal. Tem de conviver com o controle deslocado do pai, além de seus dramas internos – o maior deles o de não conseguir foco para escrever. Este vazio existencial a joga de um lado para o outro e a faz vagar sem rumo a procura de uma conexão que a faça existir novamente. Que a traga vida e consiga a ajudá-la a superar seus enganos e erros.

Melancólica e, claramente, depressiva, ela começa a praticar ações que atingem seus amigos mais próximos e a ferir até mesmo quem ela não imagina interpretar um papel importante na virada de rumo de sua história.

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Propositalmente, o ritmo da película é infinitamente lento. Conhecemos os traumas da Alice adolescente em flashbacks – parte em que somos apresentados a lindíssima Ana Mulvoy – e também a amizade que ela começa a construir com o amigo de seu pai Milan (Nyqvist). Os dois acabam tendo momentos de aprendizagem e intimidade. Todavia, a personagem de VanCamp vai mostrando, aos poucos, o que realmente a feriu e a deixou marcada por longos 15 anos.

Michael Nyqvist como Milan Daneker
A jovem Alice ( Ana Mulvoy-Ten) e Milan (Michael Nyqvist)

Exceto por Michael Cristofer – que enfatiza com vigor sua interpretação de homem vil e controlador – Emily e o resto do cast tem um rendimento regular. Nyqvist ( alguns vão se recordar), interpretou um papel importante nos filmes adaptados a partir dos livros de Stieg Larsson, ”Os Homens que Não Amavam as Mulheres” e suas sequências.

A direção de Cohn deixa claro a instabilidade da protagonista e seu roteiro a guia para caminhos previsíveis, mas não sem volta. Há sutilidade ali, todavia, enxerga-se que isto abala o conjunto e não faz nada emergir. Nem mesmo a trilha sonora.

Trailer

Ficha Técnica: The Girl In The Book, 2015. Direção e Roteiro: Marya Cohn. Elenco:Emily VanCamp, Michael Nyqvist, Ana Mulvoy-Ten, Talia Balsam, Ali Ahn, David Call, Michael Cristofer, Jordan Lage, Courtney Daniels, Mason Yam. Nacionalidade: Eua. Gênero: Drama.Trilha Sonora Original: Will Bates. Fotografia: Trevor Forrest. Distribuidora: PlayArte Pictures.Duração: 01h26min.

Avaliação: Dois marcadores de página e meio (2,5/5).

Hoje nos Cinemas!

Vejo vocês por ai!

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Comentários
Barbara Kruczynski

Adotada pela família dos corvos, amante do som do banjo, devota de J.K.Rowling e fiel seguidora de Wes Anderson, a seu dispor ; )

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