Dreams and Shadows, de C. Robert Cargill

15818357“Monsters are real. Very real. But they’re not just creatures. Monsters are everywhere. They’re people, they’re nightmares. They’re jealous viziers. They are the things that we harbor within ourselves. If you remember one thing, even above remembering me, remember that there is not a monster dreamt that hasn’t walked once within the soul of a man.” *

Olá, tudo bem, pessoas? Eu sou o novo estagiário do NUPE. Por aqui eu sou popularmente chamado de “O Diego do ConversaCult”, mas, né, acho que isso é meio longo, então podem me chamar só de Diego mesmo que eu tô de boa. Estreio no blog com a resenha de um livro que me deixou em conflito e na esperança de que falar sobre ele me ajude a decidir minha opinião.

Dreams and Shadows se inicia com a história de Jared e Tifanny Thatcher, um casal comum que encontrou o amor cedo e formou sua família com o nascimento do jovem Ewan. Mas o bebê é trocado certa noite por um Changeling – uma criatura que se alimenta de sofrimento. A troca de crianças é uma prática comum na comunidade das fadas, que precisa descartar essas crianças corrompidas em um local em que elas possam se alimentar. E assim o rebento-monstro fez, chorando ininterruptamente, causando pesadelos em sua mãe, fazendo-a passar por maluca diante dos médicos e a levando ao suicídio. O recém viúvo, atormentado com a visão de sua mulher morta, pega a criança e tenta descartá-la em um lago próximo, onde é morto por uma criatura das profundezas – que inclusive adota o Changeling órfão.

Acho que essa descrição, que resume apenas o primeiro dos quarenta e oito capítulos, serve bem para exemplificar o teor da história. A narrativa é pesada, trazendo o lado mais macabro das fadas e dos seres mágicos. E embora esse capitulo tenha servido apenas para introduzir dois dos personagens principais, Ewan e Knocks (o nome do Changeling), umas das coisas que eu mais gostei é que os Thatcher não são esquecidos. Embora secundários, eles fazem mais participações na narrativa, mesmo estando mortos (Tifanny descreve como é o inferno em um capitulo, por exemplo).

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“Eu sou a sombra na lua à noite, preenchendo seus sonhos inteiros com terror”. É tipo isso, só que pior.

O outro personagem central da história, e protagonista da série (pois já há uma continuação para o livro, chamada Queen of the Dark Things), é Colby, um rapaz de vida miserável e pouca perspectiva que acaba se deparando com um Djinn chamado Yashar, que lhe concede desejos sob a condição do garoto não o esquecer – pois o esquecimento é a única forma de matar Djinns. Mas o que o menino deseja muda a vida dos dois para sempre: Colby pede para conhecer todo o universo mágico. Todos os seres, criaturas e locais.

E, muito a contragosto, sabendo que isso era uma PÉSSIMA ideia (e o primeiro capitulo é uma boa dica do porquê), Yashar assim o faz.

A partir daí, a história se divide em duas partes. Na primeira, vemos Colby conhecendo o reino de Limestone, onde Knocks e Ewan vivem. O menino está sendo treinado para se tornar uma fada e Colby logo cria uma forte amizade com ele. Já o Changeling conseguiu sobreviver da agonia das vítimas de suas mães adotivas, criaturas do lago, e cresceu em eterno ódio do menino que ele substituiu. Ainda por cima, sua atual paixão, Mallaidh, só tem olhos para Ewan. Mal sabe a criatura que a menina é uma Leanan Sidhe, uma fada que se alimenta da energia romântica e é naturalmente atraída por humanos. Em suas interações com esse elenco de seres fantásticos, Colby descobre mais sobre o destino de Ewan no reino das fadas e toma uma decisão ousada a respeito disso.

Já a segunda parte nos mostra os personagens já na faixa dos vinte anos. Colby conheceu todo o mundo mágico e se tornou um jovem entendido, porém amargo e solitário, que passa seus dias entre livros e bares junto de Yashar. Mas ele logo descobre que ainda existem consequências de sua primeira aventura na infância para serem resolvidas – e que elas podem ser fatais.

Here we are fourteen years later and children are still slaves tho their wishes. You’d think growing up would change that, but it only makes it worse”**

O que é incrível nessa história é o trabalho de resignificação dos elementos fantásticos. É tudo bastante intrincado e bem amarrado. Nem tem como não ficar impressionado com a construção de mundo que o autor faz. Muitos desses elementos são apresentados em capítulos que parecem excertos de livros técnicos sobre o mundo mágico, expondo de forma quase científica o comportamento de fadas ou a história dos gênios – coisa que não agrada a todos os leitores, devido ao ar de interrupção na história, mas eu adoro. Neste caso, em particular, o autor soube criar algumas reviravoltas bastante interessantes utilizando esse recurso.

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Zooey Deschannel depois de ler esse livro: “É possível que eu ainda esteja em estado de choque”.

O que prejudicou a minha leitura foram os personagens. A principio, é de se pensar que a simplicidade deles é compreensível. O livro explica que fadas são seres um pouco planos por natureza, enquanto que os demais personagens são apenas crianças. Mas a sensação não passa quando o livro entra na sua segunda parte. É como se os personagens tivessem sido feitos para contar a história, e não o contrário. Achei difícil sentir empatia em alguns momentos, e isso é péssimo. Tamanha é a falta de sintonia que até agora não criei ânimo para ler a continuação. Estou curioso, sim, mas para conhecer o universo da história, não o que acontece com Colby.

Então está aí meu drama: eu gostei muito do livro, mas não acho que o tenha feito pelos motivos certos. Isso ainda me incomoda um pouco. Dei quatro estrelas para ele (diria que é um 3,5), e certamente vou ler a continuação para me decidir, pois o trabalho do autor foi suficientemente bom para me convencer a isso, mas talvez não seja uma recomendação generalizada. Eu tenho certeza que nem todo mundo vai gostar desse livro.

***

* tradutores de plantão, por favor não me odeiem: “Monstros são reais. Muito reais. Mas eles não são apenas criaturas. Monstros estão por toda a parte. São pessoas, são pesadelos. São vizires invejosos. Eles são todas as coisas que abrigamos dentro de nós. Se tem uma coisa que você precisa lembrar, até mais do que de mim,  é de não há monstro imaginável que não já não tenha andando na alma do homem”

** “Aqui estamos quatorze anos depois e crianças ainda são escravos de seus desejos. A gente pensa que crescer mudaria isso, mas só faz tudo piorar”

Comentários
Diego

Docente doente pela arte de cativar. Acredita mesmo que pode mudar o mundo, mas acaba esquecendo disso e vai ver vídeos no YouTube. Disponível em @egotista e na Augusta aos sábados a noite.

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