The Basic Eight, de Daniel Handler

“Flannery Culp quer que você saiba a história de seu 3º ano inacreditavelmente péssimo. Tiranos, pervertidos, paixões trágicas, fofoca, piadas cruéis e os efeitos alucinógenos do absinto — Flannery e seus sete outros amigos do The Basic Eight passaram por tudo isso. Mas agora, em todo lugar na mídia, a estão chamando de assassina, o que é completamente injusto. A escola pode ser estressante, e de vez em quando, uma garota simplesmente precisa matar alguém.”

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Sim, isso é uma resenha de The Basic Eight.

Nesse momento, eu estou me culpando por não ter lido esse livro antes. Sabe, eu li os treze de Desventuras em Série em algum ponto da minha pré-adolescência, e eu fui completamente absorvida para o mundo de Lemony Snicket durante alguns meses.

Mas The Basic Eight é diferente. Talvez por ser um livro único, é mais intenso. O começo é bem parado. Até mesmo meio chato. Se você já não soubesse de cara da morte do Adam, você poderia confundir B8 com algum YA comum sobre amizades no ensino médio, ou sei lá. Se bem que de alguma forma, também é sobre amizades no ensino médio.

Mas aos poucos, o livro vai se se tornando cada vez mais sinistro e ao mesmo tempo genial. Mais ou menos o que acontece com Desventuras em Série, mas essa mudança inteira condensada em um volume único.

É importante ressaltar que o livro é o diário que a Flannery mantinha na época dos acontecimentos, mas com algumas notas da Flannery pós-assassinato. Apesar de não haver nada que diferencie as duas Flanneries é fácil ver pelo contexto.

Então, nós temos a narradora dando alfinetadas em repórteres, psiquiatras e psicólogos que tentam entender o “crime que chocou a América”, isto é, o assassinato de Adam. O ato de Flan repercutiu em escala nacional. São feitas várias acusações sobre o comportamento sexual de Flan, sobre ela ser satanista e drogada, entre outras coisas.

Falando assim, parece que o livro é quase um Christiane F., mas tudo é feito com um humor tão ácido e tão sutil, que tudo parece só uma enorme piada de humor negro. Existem inúmeras referências a livros (tentem captar a referência extremamente sutil a Macbeth na página 70 e poucos do livro) e celebridades da vida real, algumas hilárias. Isso além de uma crítica àquele comportamento ultracristão e conservador dos Estados Unidos, que de alguma forma não mudou desde a época que os Puritanos colonizaram o país. Nesse aspecto, B8 é bem similar a Heathers, aquela comédia dos anos 80 sobre uma garota meio nerd que que se envolve no assassinato de pessoas populares. Essa cena ilustra muito bem o espírito do filme e um pouco do de B8. É meio spoiler-ish se você quer ver Heathers, ainda que seja a cena mais famosa:

De qualquer maneira, não leia B8 com a mesma cabeça que você leu Desventuras em Série. Ainda que Desventuras seja incrivelmente esperto e tudo o mais, B8 lida com outras questões. Em suma, não é o tipo de livro que você emprestaria para o seu primo de 11 anos. Não é por causa da tensão sexual, das drogas e do assassinato, e sim porque dependendo da maturidade do leitor, alguns aspectos do livro não são compreendidos completamente. Por exemplo, a leitura ficou muito mais interessante pelo fato de eu ter me apaixonado por um garoto que é muito igual ao Adam, quando eu tinha 14 anos. Se vocês querem saber, eu já tive um diálogo muito similar a esse na minha vida:

 “Flan, what do you want from him?”

“I want him to be my boyfriend!” I shouted and then realized immediately how ridiculous that sounded.

 

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