
“Flannery Culp quer que você saiba a história de seu 3º ano inacreditavelmente péssimo. Tiranos, pervertidos, paixões trágicas, fofoca, piadas cruéis e os efeitos alucinógenos do absinto — Flannery e seus sete outros amigos do The Basic Eight passaram por tudo isso. Mas agora, em todo lugar na mídia, a estão chamando de assassina, o que é completamente injusto. A escola pode ser estressante, e de vez em quando, uma garota simplesmente precisa matar alguém.”
***
Sim, isso é uma resenha de The Basic Eight.
Nesse momento, eu estou me culpando por não ter lido esse livro antes. Sabe, eu li os treze de Desventuras em Série em algum ponto da minha pré-adolescência, e eu fui completamente absorvida para o mundo de Lemony Snicket durante alguns meses.
Mas The Basic Eight é diferente. Talvez por ser um livro único, é mais intenso. O começo é bem parado. Até mesmo meio chato. Se você já não soubesse de cara da morte do Adam, você poderia confundir B8 com algum YA comum sobre amizades no ensino médio, ou sei lá. Se bem que de alguma forma, também é sobre amizades no ensino médio.
Mas aos poucos, o livro vai se se tornando cada vez mais sinistro e ao mesmo tempo genial. Mais ou menos o que acontece com Desventuras em Série, mas essa mudança inteira condensada em um volume único.
É importante ressaltar que o livro é o diário que a Flannery mantinha na época dos acontecimentos, mas com algumas notas da Flannery pós-assassinato. Apesar de não haver nada que diferencie as duas “Flanneries“ é fácil ver pelo contexto.
Então, nós temos a narradora dando alfinetadas em repórteres, psiquiatras e psicólogos que tentam entender o “crime que chocou a América”, isto é, o assassinato de Adam. O ato de Flan repercutiu em escala nacional. São feitas várias acusações sobre o comportamento sexual de Flan, sobre ela ser satanista e drogada, entre outras coisas.
Falando assim, parece que o livro é quase um Christiane F., mas tudo é feito com um humor tão ácido e tão sutil, que tudo parece só uma enorme piada de humor negro. Existem inúmeras referências a livros (tentem captar a referência extremamente sutil a Macbeth na página 70 e poucos do livro) e celebridades da vida real, algumas hilárias. Isso além de uma crítica àquele comportamento ultracristão e conservador dos Estados Unidos, que de alguma forma não mudou desde a época que os Puritanos colonizaram o país. Nesse aspecto, B8 é bem similar a Heathers, aquela comédia dos anos 80 sobre uma garota meio nerd que que se envolve no assassinato de pessoas populares. Essa cena ilustra muito bem o espírito do filme e um pouco do de B8. É meio spoiler-ish se você quer ver Heathers, ainda que seja a cena mais famosa:
De qualquer maneira, não leia B8 com a mesma cabeça que você leu Desventuras em Série. Ainda que Desventuras seja incrivelmente esperto e tudo o mais, B8 lida com outras questões. Em suma, não é o tipo de livro que você emprestaria para o seu primo de 11 anos. Não é por causa da tensão sexual, das drogas e do assassinato, e sim porque dependendo da maturidade do leitor, alguns aspectos do livro não são compreendidos completamente. Por exemplo, a leitura ficou muito mais interessante pelo fato de eu ter me apaixonado por um garoto que é muito igual ao Adam, quando eu tinha 14 anos. Se vocês querem saber, eu já tive um diálogo muito similar a esse na minha vida:
“Flan, what do you want from him?”
“I want him to be my boyfriend!” I shouted and then realized immediately how ridiculous that sounded.
Sem falar que o leitor não tem muita maturidade pode acabar se espantando com alguns acontecimentos do livro, e não entendê-los. B8 é um daqueles livros em que o mais importante é aquilo que não está escrito e se você ler sem saber disso, só vai parecer um livro perturbador sobre assassinato, drogas e distúrbios de personalidade. É essencial que você o leia de cabeça aberta.
E com atenção. Existem repetições e plot holes que foram feitos de propósito. Além das “perguntas de compreensão” que vira-e-mexe aparecem, como naqueles paradidáticos das aulas de literatura. Bem no começo, elas só parecem perguntas comuns, mas aos poucos elas se tornam absurdas e hilárias.
A narrativa de Flan também é incrível. Ela, por ser completamente insana, não é a narradora mais confiável de todas. Alguns acontecimentos parecem fruto da imaginação dela, e essa dúvida permanece em vários pontos do livro.
É ácido, é engraçado, mas ao mesmo tempo é sombrio. Apesar de tudo parecer uma grande sátira, as aparições de psiquiatras comentando o caso Flannery faz tudo parecer mais realista. Mostram as consequências do crime da protagonista, o que geralmente é ignorado nesse tipo de livro. O clímax não é a morte do Adam. Isso você já sabe desde o começo. É o que acontece depois disso.
Isso tudo sem mencionar uma cena em especial, que não é relacionada a morte do Adam, que me deixou de estômago embrulhado.
A habilidade do Daniel Handler em escrever do ponto de vista feminino também é impressionante. É muito comum que os autores recorram a arquétipos e clichês na hora de construir personagens do sexo oposto, e ele foge dessa armadilha. Flannery não é unidimensional, não é uma projeção de determinadas características. Ela é uma pessoa, completamente multidimensional e bem construída. Todo mundo conhece uma garota que nem a Flannery: cult, cheia de problemas e um tanto special snowflake.
Ao mesmo tempo, ela não foi criada como um modelo de comportamento. É por causa disso que eu fico irritada com gente que fica “AI, EU NÃO GOSTEI DA PROTAGONISTA”. Ninguém falou que você deveria gostar dela. Ela foi construída para ser sua amiga ou para você querer ser ela. Ela (ou ele) está aí para servir a história. Se o protagonista se encaixa na história, é irrelevante se você gosta dele ou não. Eu falo isso porque eu encontrei ESSA resenha Goodreads:
Esse livro é uma obra de ficção repugnante.
Eu fiquei nauseada durante a coisa toda, é simplesmente perturbador. Eu gostei do começo, quando eles não estavam falando sobre matar pessoas e usar drogas (soa TÃO divertido, não?), mas enquanto a história prosseguia, eu fiquei mais e mais enojada pelo autor. A vítima de Flannery (falando nisso, que tipo de nome é Flannery? Eu prefiro “Blanket”, do Michael Jackson, a isso. O nome dela parece de sobremesa.) parece um cara legal, até a noite da festa ir realmente mal.
Natasha e Flan são bem esquisitas em primeiro lugar. Esse grupo “Basic Eight” REALMENTE acha que eles são melhores que todo mundo. Só porque alguém mexe com você, e te machuca, não quer dizer que você deve matá-lo. Senão, VOCÊ é o culpado. Os capítulos finais simplesmente me enojaram. [...]
AMO/SOU essa resenha. Eu realmente tinha achado que a resenhista estava simplesmente sendo engraçada, mas aí eu dei uma olhada no perfil dela e vi que era sério.
Enfim, eu sei que vocês são demais e vão amar o livro. LEIAM! LEIAM! LEIAM!


















Gil
20 de outubro de 2012
demorei bastante pra descobrir se tinha gostado ou não do livro (dona day-z teve que me explicar o final direitinho, porque eu não acreditava no que tinha lido) e até hoje eu fico pensando “meu deus, quantas vezes eu vou ter que ler pra pegar tudo que tava escondidinho ali”
mas é um livro absurdamente bem escrito e bem legal.
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Cherry B disse:
outubro 21st, 2012
A Dona Day-Z ainda não me explicou o final direitinho! Quer dizer, eu acho que eu entendi. [SPOILEEEEEEEERS]é um negócio meio clube da luta, não?[/SPOILEEEEEERS]
Eu prestei atenção, mas é tanto detalhe naquele livro que você nunca tem certeza de nada.
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Jully
20 de outubro de 2012
KKKKKKKKKKKKK,cara,se a pessoa fica enojada com esse papo de morte,drogas e tal,NÃO LEIA,resolvido o problema,poxa.Eu não gosto de livros assim.Eu realmente me sinto mal quando leio algo perturbador,por isso que eu pretendo passar longe desse livro,assim como queria ter passado de Cristiane F.Após assistir o filme,fiquei tendo pesadelos com drogas,e meio que fiquei com aquilo me perturbando por um mês.
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Cherry B disse:
outubro 21st, 2012
Mas assim, B8 não é que nem Christiane F.! É tipo, beem diferente. Apesar de ter uns temas um pouquinho mais pesados, B8 é surpreendentemente leve. Acho que é por causa da narrativa, não tem aquele peso todo que poderia ter. Não é moralista! (:
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Karla
20 de outubro de 2012
Ok, você provavelmente vai me odiar, mas… Eu odeio a escrita do Daniel Handler. É depressiva demais para mim e a maioria das pessoas gosta, assim como eu vejo a Sarah Dessen como a versão feminina do Nicholas Sparks e a maioria ama ambos. As pessoas falam ‘Ah não, tem um motivo, tem um significado, uma lição” mas, agh… Não funciona. (Outro exemplo: The book of lost things. Ugh… depressivo demais.)
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Cherry B disse:
outubro 21st, 2012
AAh, tudo bem. É questão de gosto. Eu, por exemplo, não tenho vontade de ler Sarah Dessen. Eu não costumo gostar de YA contemporâneo, a menos que aconteçam coisas legais tipo assassinatos com bastões de críquete.
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Karla disse:
outubro 21st, 2012
Mas foi exatamente o que falei, autores que todos parecem gostar e eu não
Mas mudando de assunto, estou aguardando a resenha de The Demon’s Lexicon (quem vai fazer?)!
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Mari
23 de outubro de 2012
São três da manhã. Acabei de terminar de ler. E estou hiperventilando.
Daniel Handler é com toda certeza um dos meus escritores preferidos de todos os tempos. Não consigo expressar nada porque meus pensamentos estão todos “askjsdhjsfjnkdssjdkjjknscnjksc”. PRECISO CONVERSAR SOBRE O FINAL DESSE LIVRO, ALGUÉM ME ABRAÇA.
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Cherry B. disse:
outubro 24th, 2012
EU SEI COMO É, MARI. *ABRAÇA*
O FINAL É FODA.
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