NaNoWriMo vem aí: Planejar ou não planejar? Eis a questão.

Se você não sabe o que é o NaNoWriMo, leia todos os nossos posts sobre isso aqui.

Escrever, assim como tudo na vida, pode ser feito de várias formas diferentes. Não existe uma receita de bolo de como fazer e nem todas as dicas do mundo servirão para você. É um processo diferente para cada pessoa – e o papel de quem escreve é descobrir qual é o seu processo.

Dentre todas as coisas legais do NaNoWriMo, que começa amanhã, acredito que a melhor parte é essa do auto-conhecimento e a disciplina. Como você tem que escrever 50 mil palavras – CINQUENTA MIL!!! – em um mês, você precisa se programar para escrever todos os dias alguma coisa e às vezes… não funciona. O lance é que para descobrir como você funciona, é necessário testar todas as formas possíveis.

Recentemente descobri que eu sou uma planejadora. Eu preciso ter uma base para os personagens, para o mundo e uma linha cronológica de acontecimentos marcantes para poder me guiar ou não consigo escrever e fico presa eternamente numa página tentando arrumar palavras para formar frases. A Iris diria que ela sempre soube que eu era assim, mas não é tão óbvio para mim. Eu já tentei várias vezes escrever conforme a história vem, mas no momento em que termino uma página, meu cérebro já começa a formular a história e preciso anotar aquilo.

O planejamento não é algo escrito em pedra e sim um guia do que irá acontecer novamente, sujeito a várias mudanças. Um dos meus personagens de Escolhidos era gay no planejamento e subitamente virou… o interesse romântico? Essas coisas acontecem, porque mesmo com planejamento, você está criando. E em algum momento, os personagens praticamente ganham vida própria e embora você os controle, existem algumas coisas que não combinam.

Durante esse último mês organizei um evento na AIESEC e percebi que planejar um evento e planejar um livro não são coisas tão distintas assim, porque acabam usando os mesmos mecanismos. Você tem que saber o que vai acontecer com antecedência e se planejar, mas quando chega na hora existem imprevistos e você precisa arrumar uma solução rápida ou irá ficar presa eternamente na mesma página (ou com o mesmo problema). É a mesma dinâmica e os sentimentos são os mesmos: achar que nunca vai conseguir fazer, se perguntar porque foi mesmo que começou aquilo, pensar que agora vai dar tudo certo e a sensação de dever cumprido no final. Acho que foi uma experiência completamente diferente do que eu estava acostumada a viver e que de alguma forma isso vai me ajudar nas próximas histórias que vou escrever.

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