A resenha de American Gods foi a mais pedida nesse post aqui e eu só tive tempo de fazê-la recentemente (sim, minha vida está louca!), então vou fazê-la de forma diferente. Acho que esse é um daqueles livros que você tem que ir sem saber NADA da história. Pelo nome, você consegue deduzir uma ou outra coisa, mas acho que uma sinopse só vai estragar a experiência. NÃO SAIAM DAQUI PARA LER A SINOPSE!! (ok, vocês podem sair, mas eu avisei)

Então vamos direto ao assunto: American Gods é considerado o melhor livro do Neil Gaiman. E eu não concordo com isso. O livro é muito bom? É. É melhor que Neverwhere? Com facilidade. Mas eu gostei muito mais de Anansi Boys, um livro que foi escrito depois de American Gods e é uma companion novel* dele. Acho que vai de estilo: enquanto American Gods é escuro e denso, Filhos de Anansi Boys é leve e divertido. Eu prefiro leve e divertido :D

Acho que um dos problemas de começar a ler pensando “Esse vai ser o melhor livro desse autor que vou ler” é que sua expectativa fica lá em cima e você espera algo que não é verdade. Confesso que esperava uma história completamente diferente da que foi exibida no livro, cheia de ação e de acontecimentos bombásticos justamente por saber um pouco do que se tratava a história. E aí cheguei lá e esta uma coisa completamente diferente, me deixando surpresa de forma positiva. Não tenho muita certeza de como seria um livro do Gaiman cheio de ação.


O negócio de American Gods – e de outros livros adultos que li ultimamente – são os personagens. Há uma tensão que é criada ao poucos sobre um certo conflito, mas o foco são as pessoas/deuses que aparecem. Não tem como não adorar o protagonista, Shadow, que é um cara bom que se vê no meio de um monte de encrenca por causa disso. Também é difícil não se apegar aos outros personagens que ele conhece no meio do caminho e isso torna a leitura extremamente agradável. Junte isso com a escrita do Gaiman, que é maravilhosa, e você tem um daqueles livros que você lê extremamente devagar para que ele não acabe (ou para que a parte ruim não chegue).
Em alguns capítulos Gaiman termina com uma pequena história de como alguns deuses que não são muito importantes para a trama chegaram na América. Achei essas pequenas histórias fenomenais e queria muito que ele fizesse um livro SÓ com elas. Tipo “Contos de imigrantes” ou “Gods from beyond” ou algo assim. (GO GO, GAIMAN! FAÇA!!!) Além disso, nenhum dos deuses que aparece é chamado pelo nome e você tem que adivinhar, o que é fenomenal. Alguns são óbvios e outros são tão obscuros e esquecidos que tive que procurar no Google para saber mais sobre eles.
Sobre a história em si (que vocês não devem saber nada!) (só que tem Deuses), achei que o final ficou meio confuso. A construção até chegar lá foi muito boa e impecável, assim como o estopim que levou ao clímax. Mas o fim foi meio frustrante e me fez pensar “É isso?”. Acho que o problema é que mesmo sendo em terceira pessoa, ficamos meio presos na visão de Shadow, o protagonista. E ainda acho que foi proposital, porque somos humanos como Shadow e não cabe a nós compreender o funcionamento do domínio dos deuses, mas sou dessas pessoas que fica irritada em não saber de algo. O epílogo não ajudou muito e, bem, o Gaiman disse que vai considerar escrever uma continuação já que o livro vai virar série da HBO e não acho que seja desnecessário (principalmente porque quanto mais Shadow, melhor!).
Pois é: American Gods vai virar uma série da HBO! O Gaiman postou em fevereiro falando que estava escrevendo o primeiro episódio e, como era de se esperar, disse que muitas das coisas que tem no episódio não estão explicitamente no livro e sim implicitamente. Depois disso, ele respondeu uma pergunta no tumblr em Setembro falando que tinha se reunido com a HBO e estava fazendo ajustes no roteiro. Nesse estágio em que a série está, ela pode ser pega ou não. Nada é certo ainda. (Mas eu tenho um pressentimento de que vai ser pega e provavelmente vai estrear no fim do ano que vem. Sei lá)


Ah, outra observação: a edição que eu li é de 2005. Em 2011 saiu uma de aniversário de 10 anos com conteúdos extras e algumas partes modificadas, então acho que alguns dos problemas que encontrei no final podem ter sido resolvidos (NA VERDADE, ESPERO QUE ISSO TENHA ACONTECIDO!!!)
Ainda vagando pelo mundo de informações aleatórias sobre o Gaiman, tenho que dizer que o livro novo dele, The Ocean at the End of the Lane, vai ser lançado aqui pela Intrinseca e, segundo ele, é “a coisa mais assustadora que já escrevi”. Ou seja: TEMEI!

Os outros livros adultos do Gaiman são lançados aqui pela Conrad, com os títulos: Deuses Americanos (American Gods), Filhos de Anansi (Anansi Boys) e Lugar Nenhum (Neverwhere). Não sei como está a disponibilidade deles no mercado porque a Conrad é bem lenta para reimprimir volumes, mas pelo menos Deuses Americanos vocês encontram.

*Companion Novel: É um livro que se passa no mesmo mundo que outro, mas não necessariamente com os mesmos personagens principais e que não é essencial que se leia na ordem para entender.