ALÔÔÔ, ENFERMEIRA!!

Se vocês acompanham o twitter do blog, você sabem que dia 09 foi o meu incrível aniversário. SIM, agora tenho 16 anos. SERÁ QUE EU GANHAREI PÉS PARA VISITAR O MUNDO HUMANO?! (apesar de isso não rolar no filme, é exatamente o que acontece no conto do Hans C. Andersen. É assim que ela conhece o príncipe, aliás. Depois ela vira espuma. Yay.)

Too bad, Ariel. 

Enfim. Agora, eu estou numa ligeira crise adolescente. Eu não consigo postar tanto no blog, tanto porque eu não tenho mais inspiração de antes, tanto porque eu não tenho tempo. Eu sei que ninguém está me pressionando a produzir pro blog com a mesma assiduidade do que nos últimos dois anos, mas EU sinto que é algo que eu deveria continuar fazendo. Simplesmente porque me faz bem, e eu sei que tem gente que gosta do que eu escrevo.

Não, esse não vai ser mais um dos mil pedidos de desculpa pela minha ausência nesse blog. Vai ser simplesmente um desabafo sobre o que eu estou sentindo nos últimos meses e que se tornou mais evidente agora. Um pouco depois do meu aniversário, eu tive uma daquelas epifanias. Sabe, aqueles momentos de iluminação divina que acontecem quando você está no ônibus ou no banho, e descobre um jeito de arrumar a sua vida?

Então, foi mais ou menos isso que aconteceu. Esse ano eu estou me dedicando mais do que eu me dedicava à escola. Sabe, física, matemática, essas coisas. Coisas que me deixam infeliz.


Ao mesmo tempo, no começo do ano, eu reparei que eu estava me importando muito com aparência, coisa e tal. Não que isso seja ruim, mas de repente, eu me vi largando as coisas que me faziam feliz (desenhar, escrever pro blog, ler, comer porcarias) para fazer um monte de coisas que me deixam deprimida (academia, estudar física e matemática). E isso tudo virou uma bola de neve.

Não que eu não esteja feliz com o resultado disso tudo. Depois de começar a ir pra academia eu ganhei condicionamento físico, e deixei de ser sedentária. Sem falar no tanto que eu emagreci. Me sinto idiota e superficial em falar isso, mas eu me sinto bem mais bonita agora do que antes. Comprei mais roupas, principalmente na viagem pra Inglaterra. (Sobre a qual eu não contei quase nada pra vocês! Shame on me!)

Mas aí você para e pensa: será que eu ainda sou eu mesma? Não que ir pra academia e “se cuidar” (odeio essa expressão) te transforme em outra pessoa. Mas largar, aos poucos, as coisas que você ama, te transforma. Talvez seja por isso que os adultos em geral são tão amargos. Eles começam a se importar demais com as obrigações e se esquecem do que, no fundo, faz eles sorrirem.

Eu não acho legal essa conversa de “criança interior”, mas é bem por aí. Eu acho que todo mundo deveria manter aquele cantinho especial em que todo mundo ainda tem 8 anos e age feito o Calvin, de Calvin & Haroldo.

O que te faz feliz? É desenhar? É tocar violão? É ler? É colecionar figuras de ação? Independente do que for, continue fazendo isso. Continue fazendo até não te dar mais prazer. Por exemplo, eu reparei o quanto eu estou lendo pouco esse ano. Estou com a ridícula marca de 6 livros abandonados, que eu cheguei mais ou menos na página 100 e parei. E ler é algo que eu AMO. Mesmo assim, eu decidi que não tinha tempo. Comecei a suprir minha necessidade de leitura com blogs e revistas.

Esses dias, eu estava lendo uma matéria da Glamour (sim, eu leio essa revista. Melhor: eu ASSINO essa revista) e me peguei pensando: POR QUE DIABOS EU ESTOU GASTANDO MEU TEMPO COM ISSO? Era uma matéria sobre as dasluzetes, aquelas moças ricas que trabalham para a loja de luxo Daslu.  DASLUZETES, GALERA.

Eu sei. Pode rir.

Moral da história: eu estava tão exausta intelectualmente que eu não consegui simplesmente parar e ler 100, 200 páginas de um livro. Eu só consegui ler uma matéria sobre as dasluzetes. Em que essa matéria alterou a minha vida? Spoiler: em nada. Se eu não estivesse escrevendo sobre essa matéria agora, eu provavelmente teria esquecido todo o seu conteúdo e ficaria por isso mesmo.

Depois disso, eu percebi que eu estava sentindo saudade daquele sentimento bom que a gente tem quando lê um livro que mudou a nossa cabeça.  Como eu fiquei depois que eu li Apanhador no Campo de Centeio. Ou Jogos Vorazes. Ou Bússula de Ouro.

Eu só fui me lembrar de como esse sentimento é maravilhoso depois que eu comecei a ler The Basic Eight, que a linda da Dayse me emprestou. Eu viro as páginas e fico: OH MEU DEUS, ISSO É TÃO LEGAL!

Que vergonha, para alguém que escreve sobre o que lê há dois anos! Esquecer como ler é prazeroso.
Não pensei que isso fosse possível.

Depois dessa gota d’água, eu decidi mudar. Não vou ser mais uma pessoa que simplesmente vai se deixando levar pelos afazeres do cotidiano. Eu não posso simplesmente viver minha vida do jeito que é mais fácil, simplesmente porque aparentemente dá menos trabalho. Eu vejo algumas pessoas que e conheço, inclusive meus parentes, que parecem sempre infelizes, porque não fazem o que gostam. Nem tudo na vida é divertido, eu sei. Mas viver apenas para as obrigações, apenas para o lado mundano e sem graça da vida não é amadurecer. É viver numa prisão.

Sabe aquela hora extra de sono que você perde para estudar química? Talvez se você estivesse mais descansado, você prestaria mais atenção na aula e não precisaria estudar tanto e gastar seu precioso tempo de sono. E ainda, sabe aquele tempo inteiro que você gasta jogando Temple Run ou fuçando o facebook do seu ex? Você realmente acha que isso te faz feliz?

Se te faz, tudo bem. Não cabe a mim julgar. Mas eu recomendaria fortemente sair do ciclo vicioso da rotina e começar a cultivar algo que te faz bem.
Por isso, não hesite.
Tire o violão do armário, passe na padaria e compre um pote de Nutella. Pegue aquele livro que você queria ler há muitos meses, mas ainda não teve tempo. Caramba, jogue Mass Effect 3 a tarde inteira, se você quiser! Qualquer coisa que te faça pensar: “Poxa, o dia de hoje valeu a pena”.

Tudo isso porque no fundo, não são as nossas notas ou o nosso salário que definem se somos medíocres ou não. Também não é o tanto que nós somos atraentes, ou qualquer coisa assim. Você conhece alguma Miss Universo que mudou a história? Alguém que é famoso por ter um boletim estrelado, ou por ter conseguido aquela promoção? Por ter um namorado?

Provavelmente não. Porque as pessoas que mudaram a história foram aquelas que estavam seguindo os seus sonhos, e que fizeram algo grande disso.

O que faz a diferença é o que deixamos para as outras pessoas, para o mundo. Pode ser uma música, um livro, um caderno de desenhos. Podem ser sorrisos, risadas. Com certeza não é uma prova de física ou de gramática. Ou um relatório para o seu chefe, seja lá o que você faz no seu trabalho. Não se deixe levar pelo que os outros esperam de você. Se os seus pais querem que você faça medicina e o seu sonho é Letras, fique com a segunda opção. Se existe uma pressão para você ter um namorado, e você não quer, fique solteira.

O que importa, no final, são os sonhos, as vontades, os bons momentos. Em suma, sua felicidade. E desde que ela não prejudique ninguém, você tem todo direito de tê-la, por mais que você acredite que não a mereça. Você merece, de verdade. Nunca deixe que te digam o contrário.

 

P.S: Sim, vocês podem usar os comentários para desabafos pessoais, se vocês quiserem. Eu estarei lá para falar para abraços virtuais e dar uma de Oprah Winfrey.

Obs: Esse post foi publicado como sendo da Bell mas é da Cherry B. Gostaríamos de esclarecer que fazem… sete anos que a Bell teve 16 anos.