Havendo passado por um intenso período de leitura de shoujos, é meio esquisito que o ultra pop Love★Com não tenha sido um dos muitos mangás daquela minha bela e dourada época. Definitivamente me lembro de ver imagens, e até ter assistido a um ou dois episódios do anime, mas… enfim. Gosto de pensar que o grande Deus Otaku reservou tal adorável obra para, por alguns bons dias de julho de 2012, animar minhas madrugadas sorumbáticas e cheias de pensamento melancólicos sobre vida adulta. E vida como um todo. E o fato que vamos todos morrer e coisa e tal. E que Gossip Girl arruinou o único casal decente que tinha e que Chuck e Blair provavelmente vão ficar juntos no fim e que isso mostra coisas terríveis sobre a humanidade e que eu realmenterealmenterealmente gostava de Dair, galera, e quebraram meu coração e…

… O que quero dizer é que o açúcar de um bom shoujo escolar sempre é uma adição bem-vinda.

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Risa é alta. Otani é baixo.

Essa é a história.

Ok, não. Mas basicamente.

Os dois colegas de turma acabam se juntando em um… plano amoroso. O Otani está apaixonado por uma das melhores amigas da Risa, a meiguinha e tímida Chiharu. E a Risa gosta de um garoto chamado Ryouji, um cara não muito extrovertido. Nossos dois protagonistas resolvem ajudar um ao outro na Arte da Conquista. Poderíamos dizer isso que dá levemente errado, já que termina com Ryouji e Chiharu virando um casal.

Ops.

A coisa é que a parceria fracassada inicia uma – !! – amizade. Risa e Otani são ligados por sua empolgação genuína por monte de coisas supostamente bobas: o momento no primeiro capítulo em que eles enlouquecem por causa de uma piscina fez aquela que vos escrever sorrir e pensar “HMMM, acho que tem algo realmente especial nisso aqui”:


Havia algum jeito de eu não amá-los? É a coisa que mais adoro em Love★Com: há uma ridícula implicância mútua, mas no final das contas eles são amigos de verdade, com coisas em comum e, portanto!, muito assunto pra conversar sobre – o que provavelmente é meu Requisito Nº 1 quanto a Casais Fictícios (e, ei, reais também): a certeza de que depois que os dois fiquem juntos, a tensão física enfim relaxada, beijos dados e um “THE END” acenando da esquina, ainda há história pra eles. Pegando as palavras do sr. Dan Harmon: “Não é uma questão de eles-vão-ficar-juntos-ou-não quando se está falando sobre dois personagens que você sabe que eventualmente vão ficar juntos, é sobre: quais dois personagens vão viver felizes para sempre? E eles estarão realmente apaixonados, no sentido de que você pode imaginá-los daqui a vinte anos em um mercadinho, tendo uma discussão sobre cereal?

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O resto da classe apelida Risa e Otani de All Hashin Kyojin, uma dupla de comediantes japoneses que tinha uma certa diferença de altura. É uma brincadeira, mas os dois não acham particularmente engraçado.

Então. Sim, tamanho é um dos dramas (tão drama quanto se pode ser em Love★Com – o que não é muito, digamos assim) aqui. Pode parecer meio idiota – provavelmente porque, bem, é!


Eu acho que acaba sendo divertido, e diferencia o mangá de outros 42 milhões de shoujos-em-que-grande-parte-se-passa-no-colégio: em algo em que a coisa principal da história é um relacionamento amoroso, e que tem certos elementos tradicionais ao tipo – festival de escola, Valentine’s Day, White Day, e um looongo etc -, singularidade em ao menos algum nível do enredo é legal.

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Capítulos e capítulos me fizeram sentir o bizarro e intenso êxtase que inundava minha alma aos doze anos – uma ansiedade pela pura adolescência, pelo ensino médio, por todas promessas de diversão e romance contida nesses anos, e…

… E, ok, aí lembrei que tenho dezenove anos, e que experimentei a Flor da Idade (e não lá foi muito parecida com um shoujo escolar). Mas por uns momentos, vagos e preciosos e momentos, a sensação de volta no tempo é verdadeira e gostosa.

Love★Com é perfeito? Não. Não. E… não. Dava para acabar tranquilamente com dez volumes, mas imagino que o sucesso da série na época fez a autora resolver estendê-la. Dezessete volumes é muita coisa para o estilo de mangá que ele é, e garantia 100% de situações repetitivas e queda na qualidade. Ainda assim, foi beeeeeeem longe da decepção que senti ao ler Ouran¹- que começa brilhante e incrível e super, mas que em certo ponto… eu simplesmente não aguentava mais. (Pergunta: vocês conseguiram levar os momentos dramáticos de Ouran a sério? Desisti antes do final porque realmente não fui capaz de entender a mudança de tom…!)

Mesmo com falhas, recomendo para apreciadores de comédias românticas! Até se você não for muito chegado em ~cultura japonesa~ (POR QUÊ???). É bobinho e adorável e existe um chance de te causar alguns “awn!!” – quer dizer, o que mais você poderia querer, caro leitor? (Algumas coisas.) (Mas: DETALHES.)

Em uma mostra da terrível injustiça do mundo, Love★Com não foi publicado por aqui – mas sempre vejo as edições em inglês quando vou à Cultura! E dá pra comprar pelo Book Depository também. Em português você pode, hm, achar por… outros… meios.

¹ Nesse post você vê uma inocente Trash de 2011 (que distante!!), que havia visto o anime e lido os primeiros volumes do mangá. Em algum ponto do ano em que nos encontramos, ela resolveu enfim terminar de ler o mangá – JÁ QUE OURAN, EM SUAS LEMBRANÇAS, ERA TÃO LEGAL!! Spoiler: ACABOU NÃO SENDO LEGAL.