Guerra Civil – Mark Millar

“A ação precipitada de um grupo de jovens super-heróis acarreta uma tragédia sem precedentes, deixando um saldo de centenas de mortos. Diante da pressão popular, o governo sanciona uma lei determinando que todos os superseres sejam registrados. A iniciativa divide a comunidade heroica como nunca antes. De um lado, a facção pró-registro, liderada pelo Homem de Ferro; do outro, os contrários à medida, tendo à frente o Capitão América.”

 

 

***

Esse foi uma das HQs que eu comprei na viagem, por um preço incrivelmente acessível na Waterstones’s se comparado ao do Brasil e até mesmo o do Book Depository, onde a mesma edição está 22 dólares. OITO LIBRAS!!!! OITO LIBRAS, GENTE! Com o câmbio do meu cartão, isso deu tipo… menos de 30 reais.

Vocês provavelmente sabem  que a Guerra Civil foi um mega-evento na Marvel que reuniu vários títulos em torno do dilema: as identidades secretas são uma coisa boa ou não? Esse debate acontece depois do reality show New Warriors, estrelado por uma das equipes adolescentes de super-heróis da Marvel, que acabou tendo consequências desastrosas. Com um pouco de atenção, é possível fazer um paralelo com o 11 de Setembro, e toda a paranoia que ele gerou em relação aos terroristas. No caso, os super-heróis começam a ser enxergados pelo público como “terroristas”. A população começa a sentir medo de algo que nunca realmente foi uma ameaça.

A única forma dos super-heróis continuarem em ação, então, é por meio do Registration Act.  Isso significaria que eles abandonariam as suas identidades secretas e se registrariam no governo, virando funcionários da SHIELD.

Aí a história começa a se complicar. Alguns heróis são a favor da medida, como o Homem de Ferro, e outros são totalmente contra, como o Capitão América.

Isso só foi uma desculpa para colocar essa cena de Avengers que eu adoro. <3

Uma falha dessa edição que eu comprei foi  mostrar todos os acontecimentos muito rápido. Algumas situações que poderiam ser mais aprofundadas são apresentadas apenas superficialmente ao leitor, provavelmente porque são melhor trabalhadas em outros títulos, considerando que é uma mega-saga. Particularmente, eu considero mega-sagas um jeito detestável de vender quadrinhos.

Tudo bem, é legal ver os seus heróis favoritos interagindo entre si, mesmo que o Stan Lee já fizesse isso antes da era das mega-sagas. O meu problema com elas é que muitas vezes elas servem para vender edições medíocres, sem realmente uma história por trás. Em geral, elas criam histórias muito boas, como no caso da Guerra Civil e da Dinastia M, mas acabam empurrando para o consumidor algumas revistas que simplesmente são… vazias. Isso me lembra uma minissérie de 4 partes que eu comprei da Dinastia M. Comprei num pacote por dez reais, eram daquelas fininhas que são um monólogo do personagem principal, no caso, o Mércurio, do X-Men. A arte era bonita, mas a história era descartável.

Com uma mega-saga assim, imagina quantas revistas a Marvel não vende? Sabe, tal e tal evento pelo ponto de vista de personagem X e Y? Dessas que não exigem muito trabalho para elaborar, e só tem desenhos bem-feitos? Isso acaba contribuindo para a mediocridade dos quadrinhos, que alguns anos atrás era o que imperava tanto na Marvel quanto na DC (e na Dark Horse e na… ugh, Image) .  Por isso, eu prefiro ler só os arcos principais da história, como eu fiz com Guerra Civil e Dinastia M, e deixar de lado as 4879546 edições especiais com personagens específicos.

Page 1 of 3 | Next page