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A sexta-feira ensolarada foi o ponto de início para uma grande aventura: duas jovens com um terrível senso de orientação resolvem partir para o Maior Sebo do País!

ALGUMAS RESSALVAS:

1. Segundo o mapa, estávamos mais ou menos perto do lugar, então tentamos ir andando. Depois de atravessar uma rua errada e perceber que havia uma certa chance de morrermos e coisa e tal, a gente pegou um táxi. Sim. É. Exato. Traímos todo o conceito de aventura.
2. Achamos o Maior Sebo do País por meio do Google. O termo de busca era – aposto que você nunca adivinharia – “maior sebo do país”. Só que, bem, qualquer lugar pode dizer que é o maior do Brasil, da América, do mundo, da galáxia! Então, talvez haja um sebo muito mais majestoso por aí, mas que não esbanje o tal título. Não estamos te esnobando, Sebo! Somos apenas criaturas simplistas que não pesquisam coisas a fundo.

Na verdade eu queria ficar mais um pouco no museu de língua portuguesa. Procurar Dias Gomes por lá. Mas parece que todo o resto estava doido pra ir embora? Então, ok. Embora iremos.

Daí lembro de um pequeno debate? Pra onde vamos e etc? Decidimos: nos separar. Maioria foi pra Galeria do Rock, Trash e eu fomos para O MAIOR SEBO DO PAÍS (talvez procurar um pouco de Dias Gomes por lá).

Olhamos no GPS do celular. Pegamos a rua errada. Decidimos pegar um táxi.

Talvez agora seja a parte de falar como se chama O MAIOR SEBO DO PAÍS. Nome: Sebo do Messias. Localização: praça João Mendes, 140, São Paulo – SP.

Nosso gracioso taxista (… tá, não me lembro dele realmente. Mas suponho que era uma criatura totalmente super!) nos levou ao ponto de destino em poucos minutos. Acho. E aí demos dinheiro em troca. É assim que a sociedade funciona, pessoal. Acho.

Algo que você precisa saber: a Dayse estava  usando um casaco vermelho. Sei disso porque ela está usando-o em todas – TODAS!!!!!!! – fotos tiradas nessa viagem. Vamos chamá-lo de Casaco Onipresente. Spoiler: ele não tem nenhuma importância para a história, e provavelmente nunca mais será citado aqui. Aquela que vos escreve não acredita que haja elementos não-essenciais numa narrativa!

Estava silencioso no táxi, acho? Bem, espero que sim. Não lembro muito, estava olhando para as ruas. São Paulo tem muitas delas, sabe. Muitas ruas em São Paulo. E eu estava olhando para elas.

Daí chegamos no sebo do Messias. Do Seu Messias? Será que é mais respeitoso assim? Enfim, era o sebo DELE. Hm, agora soou provocante, tipo quando a Anastasia fala “ALI”. O QUE ESTOU QUERENDO DIZER É QUE CHEGAMOS LÁ.

Droga, soou provocante de novo.

Havia um número razoável de pessoas lá dentro. Não tipo “ARGH, NÃO CONSIGO NEM ENTRAR NESSE CORREDOR!! SAIAM DA MINHA FRENTE, BOBINHOS!” (já teríamos essa experiência no dia seguinte, em um certo evento de livros), mas gente o suficiente pro negócio não ficar deprimente, e aí começar a fazer você pensar sobre a decadência da palavra impressa e quão triste a vida e sobre como vamos todos morrer, nosso cadáver estendido entre a estante de paradidáticos e a de esoterismo, uma aranha dramática passeando pelo trágico cenário.

Eram três andares. Digo, se você contar o térreo como um andar. Digo. Sei lá. Tinha uma parte que não era bem um andar, mas havia uma rampa para um outro nível, e, hm… Será que a essa altura do post você já notou que não somos boas jornalistas…?????

Uma das partes do MAIOR SEBO DO PAÍS! Imagem obviamente não nossa porque esquecemos de tirar fotos. Clique para a fonte!

Sinto que era um daqueles prédios-corredor? Tipo, era beeeem LONGE e FUNDO. Tinha um porão, até. Só que uma placa dizia que a gente não podia entrar. Tinham vários degraus e rampinhas, também, o que me fez, hm, tropeçar de leve, às vezes.

Daí tinha uma estante com livros infanto-juvenis! ACHEI LEMONY SNICKET!!! E Vida Encantada em inglês (que eu tinha intenção de comprar, mas Trash comprou na minha frente, AQUELA TRAPACEIRA). Eu subi num banquinho para olhar a prateleira de cima. PICO DE ADRENALINA.

(OBSERVAÇÃO: A Dayse já tem Vida Encantada. Era só a manifestação da estranha vontade dela de ter mais edições de um mesmo livro. QUAL SEU PROBLEMA? O que o Casaco Onipresente tem a dizer sobre o assunto? Ele parece sábio.)

Peguei A História Universal do H.G. Wells e Maria Stuart do Stefan Zweig. Li a biografia do Zweig sobre a Maria Antonieta uns anos atrás, e curti e tal? E nada melhor do que umas edições em capa dura com páginas amareladas! Aquela sensação de abrir o livro e coçar o nariz, a leve alergia à poeira avisando que não está satisfeita comigo! NÃO ME IMPORTO, ALERGIA. VOCÊ NÃO MANDA EM MIM.

No andar de cima: ROMANCES. Parecia ter potencial. Encontrei Dias Gomes! Procurei por Cymbeline do Shakespeare (com capa dura) (já tenho um paperback aqui, mas achei que capa dura de Cymbeline seria mágico) (TER MAIS DE UMA EDIÇÃO DO MESMO LIVRO NÃO É LOUCURA, CARAMBA). Não achei. Até no maior sebo do país Cymbeline é subestimado. Trash se perdeu nas terras do HQ, acho. Não me importava muito, o iPod estava no volume máximo. Se bem que ela era meio que útil quando alguém queria passar pelo corredor que eu estava bloqueando e eu nao ouvia o “com licença”. Mas enfim. Achei uma capa dura de Stone Garden e outra coisa que esqueci? Quem sabe essa outra coisa nem exista? AH, SIM, EXISTE SIM. Era um histórico de literatura inglesa. MUITO DESCOLADO.

… Curiosamente, houve um momento em que eu também estava procurando Cymbeline. Somos CONECTADAS.

Então. HQ! Muitas. MUITAS. Fiquei um tempão na sala dedicada a isso, mas acabei saindo com nada dela. O negócio é que o jeito certo (?) (não que exista isso de “CERTO”) (é um conceito superestimado!) (MAS CONTINUEMOS) era puxar um banquinho e analisar pacientemente as caixas até achar edições de seu interesse. Sabe, ficar horas lá. Não é como se estivéssemos correndo contra o tempo, olhando relógio freneticamente e contando quanto mais poderíamos ficar ali – só que eu queria olhar o resto do sebo, então, é, sem quadrinhos pra mim, no fim das contas. Mas essa parte foi divertida de qualquer forma! YAY COMICS!!!!!!!!

Daí tinha um área que vendia livros a DOIS REAIS. DOIS. UM, DOIS. DOIS REAIS.

A gente entrou nessa área. A GENTE ENTROU NESSA ÁREA COM TUDO.

E ERAM LIVROS DE VERDADE, entende? Algumas coisas LEGITIMAMENTE INTERESSANTES, não um monte de Quem Mexeu no Meu Queijo? Por exemplo: a gente encontrou algo que era basicamente um Coisas que Toda Garota Deve Saber… de sessenta anos atrás.

… Ok, ele estava na parte dos livros de dois reais, mas não custava isso. Ei, era só um pouco mais caro…! ENFIM. Parecia terrível e, portanto, maravilhoso. Por que não compramos?

Comprei um livro sobre o Texas, e um livro do Norman Mailler. E The Master Puppeteer, que dei de presente para Trash (já tenho duas versões dele aqui) (hehe) (hehe)

MAS PARA SEMPRE a memória daquele livro de conselhos para garotas dos anos 50 vai me assombrar. POR QUE NÃO COMPRAMOS??? O QUE SE PASSAVA EM NOSSAS CABEÇAS PARA DEIXAR UMA PRECIOSIDADE DESSAS PARA TRÁS?

Certos traumas são irrecuperáveis. E passarei anos da minha vida pagando terapias tentando superar as dores de não ter esse livro em mãos.

Uma lembrança: eu estava com fome. Depois do sebo comemos uma tapioca, e foi a pior que já comi na minha vida. LADO POSITIVO, a senhora que a preparou parecia um amor! Só que… não é o seu talento, amável senhorinha! MAS VOCÊ FOI SUPER FOFA!

OK, ESSE NÃO É O FOCO DO POST.

Coisas que comprei além dos já citados: The Big Rewind, do Nathan Rabin; Risíveis Amores, do Kundera, e O Silêncio da Confissão, do Josué Montello (era um dos autores favoritos do meu avô, então meio que criei o hábito de comprar livro do Montello quando vejo um que ainda não li). Tudo isso por menos de sessenta reais. Satisfatório? SIM.

Hm. Essa é a hora em que a gente vai embora? Dayse?