Autor: Paul Harper
Tradução: Renata Guerra
Número de Páginas: 232
Selo: Paralela
Hoje vamos falar de um romance policial.
Duas mulheres que não se conhecem, Lore Cha e Elise Curin, esposas de poderosos empresários de San Francisco, são amantes de um mesmo homem, Ryan Kroll. E essas relações, que começaram com tudo perfeito, estão ficando assustadoras porque esse homem parece conhecer o íntimo de cada uma delas.
A “coincidência” entre as duas mulheres não acaba em seus casos extraconujugais: as duas também “compartilham” de psicanalista, Vera List. E é Vera quem faz a conexão entre o relacionamento cheio de segredos que cada uma das mulheres tem com esse homem e percebe que talvez ele esteja roubando as informações que ela mesma guarda. Com isso, ela aciona o detetive Marten Fane para resolver o caso.
“O leitor de almas” tinha T-U-D-O para ser um livro perfeito. Primeiro porque ele é um romance policial, gênero que eu gosto muito, e segundo porque ele envolve muito o lado psicológico, que é outro tema que eu adoro e que, combinado com a trama policial, pode formar um livro muito bom. E, bem, pelo menos para mim, o livro de Paul Harper foi um pouco decepcionante.
O plot que o autor tinha nas mãos era muito bom e o que tinha por trás, a intenção do “vilão”, era igualmente bom e original (eu, particularmente, não tinha lido nem assistido algo parecido), mas parece que ele não soube aproveitar. A graça de ler um livro policial é que você vai traçando na sua cabeça a resolução do caso e, muitas vezes, o autor te entrega algo completamente diferente e surpreendente. No caso de “O leitor de almas” o final que você recebe é uma das coisas mais previsíveis que existem.
E eu também achei a narrativa lenta demais. Tipo, o legal de livros policiais curtos é que, na maioria das vezes, eles são rápidos e quando você começa a ler não consegue parar, mas não posso dizer que “O leitor de almas” é assim. O livro tem umas 200 e poucas páginas e eu demorei muito para termina-lo porque a leitura não fluía de jeito nenhum.
Os personagens foram outro fator que me fizeram desgostar do livro, eles podiam ter sido bem mais desenvolvidos. Como eu já disse antes, o livro trata muito do psicológico e quando você tem isso, você pode – e deve – desenvolver os personagens perfeitamente e, mais uma vez, o autor não fez isso. Como o plot do livro envolvia muito do interior da Lore e da Elise, fiquei bem decepcionado por não conhecer tanto delas. Nós sabemos muito do que elas dizem para a psicanalista, mas tem coisas por trás que mereciam desenvolvimento.
O Marten me pareceu muito com outros detetives e os seus ajudantes também foram deixados de lado, tinham horas que eu até os confundia. ;x A Vera List também deixou muito a desejar, durante o livro todo ela é somente a psicanalista que quer que o caso se resolva mas que tem medo de que o caso venha a público e a coisa fique feia pro lado dela. Entretanto, gostei bastante da visão que temos do Ryan Kroll.
O livro foi bem traduzido e editado, mas eu tenho uma pequena reclamação: a editora não trocou as aspas, usadas no livro em inglês, pelo travessão usado nos diálogos em livros brasileiros. Particularmente, eu acho isso muito chato porque o sinal usado nos diálogos é como uma “marca cultural” do país.
Confesso que posso ter sido um pouco mal com o livro, mas é o que eu penso. E, apesar de tudo, eu tenho esperanças de que a continuação melhore e eu estou com muita vontade de lê-la porque alguns pontos ficaram em aberto no fim do livro.
Classificação final: 2 pen drives e meio.
Obs.: O livro foi cedido da parceria do NUPE com a editora Paralela, um dos novos braços da Companhia das Letras. Obrigado! (:
















Diana
7 de agosto de 2012
Paulo, não mudamos as aspas para travessão no livro porque a Companhia adota como padrão que seja mantida a forma usada pelo autor
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Paulo Vaughan disse:
agosto 7th, 2012
É? Não sabia. ;x
Obrigado pela informação.
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Andrea
11 de agosto de 2012
Eu prefiro aspas ao travessão. Os livros do Dennis Lehane são assim e eu acho o máximo. Quando usam travessão, direto tem erros e eu nunca sei se é pensamento do personagem ou fala mesmo.
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