Ano2003
LínguaPortuguês/Inglês
EditoraIntrínseca (português)/ Villard (inglês)
Autor: David Nicholls
Tradução: Cláudio Carina
Nome Original: Starter for Ten

“Em 1985,  Brian Jackson é apenas um garoto de 18 anos nascido em Essex que, por sua inteligência, ganhou uma bolsa integral para estudar uma universidade. 

Em seu primeiro semestre, Brian tem a oportunidade de tornar realidade um de seus maiores sonhos: participar da competição televisiva Desafio Universitário. Ao conseguir entrar no time da universidade para a competição, Brian acaba se apaixonando Alice Harbison, uma bela e inteligente jovem que também está no time, e decide que só ganhando a competição que Alice finalmente cederá aos avanços de Brian, porque na cabeça dele, tudo o que uma mulher quer é um homem com conhecimentos gerais…”

Mudarei um pouco meu processo de resenha e começarei pelos personagens.

Não consegui gostar de nenhum personagem de Resposta Certa, porque eles são todos babacas, principalmente o Brian.

Cara, detestei o Brian.


Ele é o tipo de pessoa que se eu conversasse por cinco minutos, passaria quatro desses cinco minutos me questionando se seria melhor dar um tiro em mim mesma ou nele. Ele é muito inteligente e engraçado, mas tem cada ideia e cada atitude imbecil, que é de se questionar a inteligência dele. Isso não quer dizer que eu não tenha me identificado com o protagonista, na verdade, apesar de ter tido problemas com o Brian, me identifiquei muito com ele…Não no quesito babaquice, porque não sou muito babaca, mas em relação aos gostos literários e musicais (com exceção de Kate Bush) dele e quanto à idealização dele sobre como seria a faculdade, porque, quem nunca pensou que a faculdade seria ter debates altamente inteligentes e com respostas de efeito, saber usar palavras difíceis, participar de festas e tudo isso sem abandonar os próprios ideais e virar um completo imbecil? (só para constar, a faculdade não é nada disso)

Eu queria fazer isso com o Brian.

Outro personagem que detestei foi a Alice. Ela é muito insuportável e esnobe e eu tenho muitos problemas com pessoas assim. Tenho a impressão que não a detestei mais do que o Brian, porque ela não era a narradora. Os outros personagens, como a Rebecca, o Spencer, o Josh, o Patrick e outros não fedem nem cheiram. Aliás, me arrisco a dizer que menti no início da resenha e que gostei um pouquinho da Rebecca, mas pouquinho MESMO.

E, apesar de não ter gostado dos personagens, gostei do livro.

Não sei se o Brian foi a melhor forma de passar essa mensagem, mas eResposta Certa, fico com a impressão de que David Nicholls queria justamente mostrar o quanto, nessa fase da vida, você fica cheio de expectativas com a faculdade e com os novos conhecidos, como você pode se decepcionar por não ser o que ou quem você esperava e como você está tão cheio de si que deixa ótimas oportunidades passarem e só depois que elas passam que você percebe que eram realmente ótimas oportunidades.

Achei bem legal como cada capítulo começa com uma pergunta e uma resposta sobre conhecimentos gerais que se relaciona de alguma forma ao longo daquele capítulo, nem sempre de forma explícita, mas tem a ver. E achei isso o máximo, porque a cada capítulo novo, eu descobria uma curiosidade nova e ficava procurando saber como seria relacionado. Foi uma das coisas que mais me prenderam ao livro. Essas perguntinhas e a narrativa de Nicholls me prenderam do início ao fim ao livro, principalmente a narrativa de Nicholls que mostra a visão sarcástica dele e contém piadinhas ácidas e inteligentes (a forma como o David Nicholls escreve é fantástica e não tem como amar, porque o cara é muito bom nisso. Não sou fangirl dele à toa! =P).

Não sei se isso ajudará vocês a se prenderem na leitura do livro, mas a Bárbara tinha comentado que a Iris estava lendo esse livro também e perguntou se eu também já estava na parte em que perguntavam sobre os Daleks (criaturas adoráveis-só-que-não de Doctor Who). Não, eu não estava nessa parte e quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi ler o livro até chegar nela (Vício em Doctor Who. A gente vê por aqui).

Outra coisa que gostei em Resposta Certa é que enredo gira entorno de um programa de conhecimentos gerais e eu sou dos tempos em que a família inteira se reunia religiosamente para assistir ao “Show do Milhão” (e também sou daquelas pessoas que sempre que podiam assistiam aos programas “Você é mais esperto que um aluno de quinta série?”, “Um Contra Cem” e “O Jogador”), então como não gostar?

E também gostei muito pelo fato do livro se passar nos anos 80. Dude, eu adoro as esquisitices dos anos 80 e achei as referências o máximo! E, sério, toda vez que o Brian falava o quanto ele amava a Kate Bush, eu ria, porque… Vocês já ouviram Kate Bush? Não? Saca só como é a figura.

Não achei Resposta Certa um livro lindo e não o amei (como aconteceu com Um Dia), mas gostei muito dele e é uma leitura que eu recomendaria a uma pessoa que não tenha nenhuma leitura prioritária.

Falando em Um Dia, lembrei de algo super importante: essa edição foi cedida ao NUPE pela editora Intrínseca e, ao contrário do que aconteceu com Um Dia (a primeira edição), não tive tantos problemas com a tradução e a revisão de Resposta Certa. Na verdade, gostei muito e recomendo a edição brasileira. =)

Classificação Geral: Três Kate Bush.

P.S.: Sabiam que esse livro tem uma adaptação cinematográfica? Foi transformado em filme em 2006 pela HBO e tem um elenco sensacional: James McAvoy (ele é lindo e maravilho e me faz até amar o Brian), Benedict Cumberbatch, Mark Gatiss, Rebecca Hall, James Corden, Dominic Cooper, Catherine Tate e outros. Sério, esse elenco é tão fantástico, que, de repente, os personagens viram tão lindos e maravilhosos que eu amo todos eles.

ABRAM ALAS. ELENCO DE PESO PASSANDO.

Fiquem com o trailer legendado de Garoto Nota 10 (também achei esse nome altamente tosquinho e devo dizer que a Intrínseca adaptou o título do livro para um nome bem mais legal).