O Torreão, de Jennifer Egan

“Nos confins da Europa Oriental, um misterioso castelo resistiu a centenas de anos, apoiado no orgulho e na tradição de uma família.

Até que Danny, um cínico nova-iorquino de trinta e seis anos que raramente vai a algum lugar que não tenha conexão wi-fi, chega para ajudar seu enigmático primo a reformar o castelo e transformá-lo em um hotel de luxo.

Mas as coisas começam a ficar estranhas. Uma baronesa sinistra, um trágico acidente em uma piscina mal-assombrada, um traiçoeiro labirinto subterrâneo… Quando o pânico toma conta de Danny, ele descobre que a “realidade” pode ser algo em que ele não consegue mais acreditar.”

“O Torreão” é um livro especial.

Quando eu comecei a lê-lo eu não sabia o que esperar exatamente. É que eu sabia que o livro ia ser pelo menos ‘bom’ já que a Jennifer Egan é tão bem falada, porém, eu acreditava que ia ficar confuso por conta da história (!!!). Bem, eu fiquei, de fato, confuso nas primeiras páginas, mas logo me acostumei com o estilo da Jennifer e me apaixonei pelo livro.

Aliás, a escrita da Jennifer é um dos pontos altos do livro. A Jennifer Egan descreve e desenvolve muito bem os personagens e você é capaz de senti-los e tudo mais e isso é fantástico. E por ter sido o meu primeiro contato com algo dela, eu realmente me surpreendi com a qualidade da escrita dela. Gostei tanto que ela está entre os meus autores preferidos agora.

“O Torreão” é aquele livro. Além da ótima escrita, a história é fantástica. Uma daquelas que faz você ficar preso ao livro e que te surpreende ao chegar ao fim. Por isso, prefiro falar menos sobre a história e mais sobre o que achei dela.

Enfim, eu ADOREI o Danny, o protagonista. Sabe quando você se identifica demais com um personagem? Foi isso que aconteceu. E por mais que a história não seja pelo ponto de vista dele, nós sabemos tanto dele quanto.

Tudo mudava, se movia, se reorganizava, o lugar de ninguém fica reservado.

O interessante em “O torreão” é que o narrador, o Ray, um presidiário que passa o seu tempo escrevendo a história que estamos lendo, também é um personagem do livro, o que incrementou a história. E de acordo com a própria autora em uma das muitas entrevistas que deu em sua passagem pelo Brasil na semana passada, foi só assim, com esses dois personagens “coexistindo” no livro, que ela conseguiu prosseguir com o livro.

O trabalho da Intrínseca nesse livro é impecável. A tradução do Rubens Figueiredo é ótima e o trabalho visual do livro também. A capa tem a ilustração muito bonita como vocês viram no início do post e ao vivo ela é ainda mais bonita porque ela tem um efeito meio áspero (?). Esse efeito, porém, também foi um problema para mim porque depois de uns cinco dias lendo o livro, as arestas ficaram gastas e brancas, como na lateral da capa de uma revista, sabe?

Como já disse mil vezes durante a resenha, amei o livro e a Egan é uma das melhores escritoras que eu já li. “O Torreão”, que foi gentilmente cedido pela Intrínseca (muito obrigado!), leva nota máxima e ainda entra para os meus favoritos.

Classificação final: 5 pares de botas da sorte.

 

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