Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína.

Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora – o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes.

Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.

Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.

Eu li The Giver por acidente. Foi antes de eu sequer saber que existe um gênero (ou subgênero, como Barbara diria) chamado distopia. Achei que devia mencionar isso aqui porque foi um livro que li sem saber o que esperar e por causa disso eu adorei 100%. Eu não li de novo desde então, e não sei qual seria minha opinião se o lesse pela primeira vez agora, que já conheço um pouco mais do (sub!) gênero.

Certo, tendo dito isso, eu preciso dizer que esse é um dos livros mais bonitos que eu já li minha vida inteira. Uma das coisas que mais gostei é que não existe vilão na história. Não existe uma pessoa que ficou bêbada de poder, ou que tenha ficado louca achando que está fazendo uma coisa que é para o melhor. É uma sociedade branda, que achou que ser passional, ter sentimentos muitos profundos, trazia muitos males pro mundo, então decidiram eliminar isso. E eles nem baniram esses sentimentos por completo. Fizeram questão que existisse uma pessoa que pudesse guardar esses sentimentos e as coisas que eles trazem e trouxeram no passado para que a sociedade pudesse evoluir sem repetir erros que já cometeu no passado.

Eu não quero me delongar muito na história (até deletei umas partes da sinopse oficial) porque acho que é um daqueles livros que ficam mais interessantes quando você descobre as coisas junto com os personagens. Jonah é um pouco confuso por se sentir diferente de vez em quando, mas realmente é satisfeito com a vida que tem antes ser escolhido como Guardião (acho que é essa a palavra que usaram na versão em português). Então aos poucos nós começamos a perceber o que ele sentia e via que o fazia diferente, e como ele começa a ficar sufocado com a realidade pobre em que ele e todas as pessoas vivem.

Se for pra colocar a moral do livro em simples palavras, é um daquelas coisas bem clichês de prestar atenção no que vale a pena, apreciar as belezas da vida e etc. Mas é realmente uma história bonita, com um final um pouco chocante (bem, levando em consideração que ele é um livro infanto-juvenil. Particularmente eu não acho que seja nada MIRABOLANTE que vá rasgar a alma de uma criança, mas The Giver já foi banido em vários lugares só por causa do fim que tem). Dou cinco estrelas para The Giver. O único problema é que ele tem duas continuações (que não são exatamente continuações, só histórias que acontecem na mesma realidade que o primeiro) que são bem… meh. Elas não são RUINS. Mas é que eu amei muito The Giver, então os outros dois pareceram bem… bestas, em comparação.