Tenho quase certeza de que nunca falei isso por aqui, mas Muse é minha banda mais favorita de todos os tempos e, gente, meu amor é tanto que comprei ingresso para o U2 e viajei para São Paulo só porque Muse era a banda de abertura.

Mas que diabos de banda é essa tal de Muse?

Muse é uma banda inglesa que surgiu em 1994 (antes eles se chamavam Rocket Baby Dolls) composta por três integrantes: Matt Bellamy (vocal, piano e guitarra), Chris Wolstenholme (segunda voz, baixo e teclados) e Dom Howard (percussão e bateria). Eles têm cinco CDs lançados até agora – Showbiz, Origin of Symmetry, Absolution, Black Holes and Revelations e The Resistance, respectivamente -, várias músicas tocadas apenas em shows que nunca entraram em CD, uma música feita para algum filme de Crepúsculo (EU SEI, MAS ELES SÃO LEGAIS. JURO. NÃO POSSO FAZER NADA SE A STEPHENIE É FÃ DELES. ALIÁS, COMO NÃO SER?), a música oficial das Olimpídas de Londres 2012 (eles até carregaram a tocha olímpica!!) e esse ano será lançado um CD novo – The 2nd Law.

Essa é uma banda que recomendo para todos. Até meu pai gosta de algumas músicas deles (quer dizer, 3 em específicos, porque parecem um tanto quanto clássicas)

Chris, Matt e Dom (da esquerda para a direita)

E o que diabos a banda tem a ver com distopia e 1984

Eles têm várias músicas com letras sobre distopias e um CD inteiro dedicado inteiramente  ao livro 1984  de George Orwell (The Resistance), além disso o CD The 2nd Law (que sairá em setembro) passou a impressão de que será uma mistura de “Eu, Robô” com distopia, então podem esperar por mais músicas com temas distópicos. Claro que a banda não só toca músicas com letras distópicas, eles têm baladinhas, músicas românticas e outros tipos de músicas, o que quero dizer é que tem muitas músicas distópicas de Muse e elas são GENIAIS, mas Muse não é apenas isso.

Fangirlismo à parte (psh, se eu tivesse sido realmente fangirl, você leriam infinitas laudas de quanto Muse é perfeito), vamos ao que interessa!

Separei três músicas com temas distópicos para vocês e que se relacionam de alguma forma com a obra de George Orwell. E, obviamente, coloquei os motivos do porque das letras serem distópicas com base em algumas declarações dos integrantes (principalmente do Matt, compositor da maior parte das músicas da banda), mas cada um tem a sua própria interpretação, então… =)

[Esse post talvez contenha spoilers sobre o livro 1984. Nada que não seria falado numa aula de literatura, mas sei como alguns se sentem quanto aos spoilers.  Estejam avisados.]

Citizen Erased (letra original/traduzida)

A letra dessa música faz uma referência à sociedade distópica de 1984, onde os cidadãos são “apagados” (não pensam por eles mesmos) e controlados pelas mentiras da sociedade.

Citizen Erased se refere, em especial, à luta de Winston contra ele mesmo e a sua resistência se submeter à lavagem cerebral de O’Brien.

Winston quer ser um cidadão “normal” e quer realmente se unir ao círculo restrito do Partido, mas ele sabe que o Partido está mentindo e isso o faz ter uma luta interna sobre o que é a Verdade. A letra ainda fala sobre a cena da tortura de Winston, em que O’Brien o convence através de tortura que a única Verdade é a que o Partido diz que é e em que Winston não sabe mais formular o que é Verdade.

Essa música aparece no álbum Origin of Symmetry. 

Uprising (letra original/traduzida)

Uprising é uma faixa do CD The Resistance que, como disse antes, é baseado em 1984.

Há referências ao livro de Orwell, como as propagandas serem determinadas por quem está no poder (Ministério da Verdade) e o controle da mente (oi, lavagem cerebral?), mas o curioso dessa faixa é que ela não é sobre a sociedade do livro do Orwell em si, mas sobre sociedades distópicas e sobre enfrentá-las. 

O tempo todo é falado que não podemos nos deixar ser enganados e controlados por propagandas falsas que apenas serve nos tirar do caminho da verdade e que devemos ser contra isso e fazer uma revolução. E uma coisa que acho bem legal de citar é que a letra também fala das leis e da burocracia como forma de manter a verdade escondida e controlar ainda mais os cidadãos.

Tenho a sensação de que essa música é voltada principalmente para o governo do Reino Unido, mas ela serve para todos, convenhamos.

United States of Eurasia (letra original/traduzida)

Essa música, assim como Uprising, também é faixa do CD The Resistance.

United States of Eurasia merece ser analisada do título às estrofes, considerando que ela reconta a obra de  George Orwell praticamente inteira.

Vamos começar pelo título, especificamente pelo termo “Eurasia” (traduzido como “Eurásia”). O que é “Eurásia”? Bom, este é o nome de um dos três grandes impérios modernos criados (os outros impérios são a Oceania e a Lestásia) na obra literária. Este também é um termo geográfico, mas ainda chegarei nessa parte.

Agora, antes de darmos de Jack, o Estripador, devemos lembrar que o contexto do livro é que o povo da Oceania está em guerra com o povo da Eurásia e depois com a Lestásia, então já dá para entender mais ou menos a razão do título da música (juro que colocarei o outro motivo para o título da música!). 

A primeira estrofe da música fala, basicamente, sobre como “eu e você somos iguais e que não ligamos para quem manda e quem devemos culpar”, isso quer dizer que a população  tem consciência da guerras e, ainda que sejam informados com mentiras sobre as quantas ela anda, as pessoas não se importam muito com guerras e as causas dela terem acontecido, isso não importa, porque “há uma guerra acontecendo”.

A segunda estrofe é o eu-lírico afirmando que as guerras nunca poderão ser vencidas, porque é através da guerra que os cidadãos poderão ser controlados, principalmente através do medo que eles sentem nesse período de instabilidade.

A terceira estrofe é quando a população começa a se questionar se ela deve fazer como mandaram. Esse pensamento é o que acaba levando aos acontecimentos da quarta estrofe, onde os que questionaram acabam sendo acusados de crimes que nunca cometeram justamente por terem questionado se a guerra era realmente necessária e se eles deveriam apenas fechar os olhos e obedecer. Essas pessoas, que não podem confiar no próprio governo, estão completamente perdidas considerando que o governo era o “herói” em quem elas confiavam e agora, isso não passa de passado.

Os Estados Unidos da Eurásia devem funcionar como um todo ou eles não funcionarão, por isso, os que questionam acabam sofrendo algum tipo de tortura para começarem a acreditar nas  guerras e pararem de questionar a razão delas terem acontecido, pois o que realmente importa é que os cidadãos continuam unidos e obedecem os cegamente os que estão no poder.

Olha, não sei como vocês interpretaram a letra dessa música, mas como falei ali em cima, essa faixa musical está recontando toda a jornada do Winston Smith, desde o momento em que ele seguia cegamente o Partido, passando pela fase em que ele questiona os motivos da guerra contra a Eurásia (e depois a Lestásia) e terminando quando O’Brien faz lavagem cerebral em Winston, que finalmente é reintegrado na sociedade e para com as perguntas.

Ah!

Ainda tem segunda razão para o título (que também pode levar a outra interpretação da música, mas essa segunda interpretação fica por conta de vocês mesmos =P). Ela  surgiu de uma ideia tirada do livro “The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives” (O Grande Tabuleiro de Xadrez: Primado Americano e Seus Imperativos Geo-Estratégicos), de Zbigniew Brzezinski, onde o autor afima que a Eurásia deve ser controlada pelos EUA para proteger seus suprimentos de óleo.

Espero que vocês tenham gostado do post (ainda que ele seja terrivelmente longo) e fiquem com uma listinha que tem as músicas do post e outras do Muse com temas distópicos.