“Juliette está presa há 264 dias em uma cela de 1,48m² por um crime que cometeu com seu poder letal. Ela não sabe porque não pode tocar nas pessoas, muito menos como controlar seu poder. Abandonada pelos pais e por todos que deveriam amá-la, ela nunca soube o que é se relacionar com um ser humano, e nunca pôde tocar ninguém. A única vez que o fez, as consequências foram gravíssimas. Depois de viver dezessete anos com a consciência de que é um monstro, Juliette se encontra na mira do Restabelecimento – querem usá-la como arma. É a primeira vez que acreditam em seu poder como um dom, não como uma maldição. Será que ela irá se corromper? Juliette não tem certeza de quase nada, só de uma coisa: ela não é louca.”

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Devo admitir que li Estilhaça-me com um certo preconceito por causa da capa metálica. Por alguma razão, nunca acho que livros de capa metálica são bons… quase como se eles quisessem chamar atenção demais para serem levados a sério. Mas eu não deveria julgar um livro pela capa, então dei uma chance ao romance de entrada de Tahereh Mafi.

A narrativa causa estranheza por cortar palavras frases toda hora. Apesar do recurso fazer sentido, pois é utilizado quando a protagonista está repreendendo seus próprios pensamentos, a fluidez da história fica prejudicada, com parágrafos muito truncados. A repetição de palavras sem vírgulas para ênfase também é demasiada e um tanto desnecessária. (Ex.: “Seus lábios seus lábios seus lábios seus lábios seus lábios”). Outro ponto que me incomodou foi a repetição de assuntos, quase como se frases estivessem sendo copiadas e coladas. Os diálogos de Juliette com Adam quase sempre giram em torno dos mesmos assuntos, e as primeiras 100 páginas do livro fazem mais menções a um pássaro branco com listras douradas do que eu gostaria. E era de se esperar que o verbo “estilhaçar” fosse usado pra tudo… mas também não era necessário.

Adam, o interesse amoroso de Juliette, tem seus olhos descritos centenas de vezes, inclusive com a máxima “quero mergulhar/nadar no azul de seus olhos”, e ele é absurdamente perfeito (e, por isso, inverossímil). Warner – o outro vértice do triângulo amoroso – , em contraponto, é mau como um pica-pau. Acho difícil torcer por personagens sem nuances de personalidade, embora até mesmo Juliette desconfie de Adam algumas vezes (sem o menor motivo, porque o cara é perfeito). Os únicos personagens legais, James e Kenji, só aparecem lááá na frente. James é legal porque é criança-fofoluxa-sofrida-não-pentelha e Kenji é legal porque, BANG, tem nuances de personalidade!

Ainda sobre a história, a primeira metade do livro é lenta e repetitiva e a segunda metade, apesar de melhorar muito e mostrar mais ação, acaba caindo em lugares comuns. A distopia não é bem estruturada e as descrições da vida “lá fora” parecem sempre mecânicas. Sabe poesia mecânica? A autora usa mil palavras bonitas pra descrever uma coisa e ainda assim não parece natural…

O final apela tanto pra X-Men que é decepcionante. Pô, X-Men é muito legal, mas já existe! E a protagonista já é similar a Vampira sem o resto da parafernalha toda… Mas o problema maior pra mim é que o livro abre mil questionamentos e não responde nenhum. Entendo que ele é o primeiro de uma trilogia, mas não é legal ler um livro de cabo a rabo e não ter MEIA resposta pra nada. Só algumas perguntas-exemplo: Quem são os pais de Juliette? Por que eles a abandonaram? O que aconteceu com a mãe de Warner? QUAL É A DO PÁSSARO BRANCO? Sério, isso só pra começar.

Acho que Estilhaça-me pode ser um bom livro para quem se interessa por romances bem românticos e mocinhos sem falhas (esses homens perfeitos são terrivelmente apaixonantes), mas não vá atrás dele se o que você procura é uma distopia. Ou talvez ele possa ser uma distopia de entrada, para quem ainda não está disposto a abrir mão do romance. Talvez eu tenha sido dura demais, mas Estilhaça-me só não é meu tipo de livro… talvez ele seja muito legal para vocês!

Personagem favorito: James tchutchuquinho da mamãe!

Classificação: 3 pássaros brancos com listras doura…RONC.

PS.: Há alguns erros crassos de tradução que até assustam, como baby shower (chá de bebê) para banho de bebê e he swears no sentido de “ele xinga” traduzido como “ele jura”. É possível que a tradução tenha prejudicado a leitura e o livro seja mil vezes melhor em inglês…

PS2.: Na página 290 há um “mais” que deveria ser “mas”. Triste.

 

Esse livro foi uma cortesia da Editora Novo Conceito, por uma parceria firmada com a Dominação Distópica.