E hoje é o segundo dia do Especial #CulpaDoJohnGreen e eu venho através deste post para contar a todos vocês a origem do título do livro “A Culpa é das Estrelas”.

“A culpa, caro Brutus, não está nas estrelas, mas de nós mesmos, que nos rebaixamos ao papel de instrumentos (…)”
O nome “A Culpa é das Estrelas” faz uma referência a uma citação ao Ato I, cena 2 da obra Júlio César de Shakespeare, em que Cassius está conversando com Brutus e diz a ele que a culpa não é das estrelas deles, mas deles mesmos por não serem mais que subordinados. Ao dizer que as estrelas não têm nada a ver com a situação deles, Cassius está afirmando as decisões e ações de uma pessoa são feitas por ela mesma e que a sorte e o destino não interferem nessas escolhas.
Vamos começar com os primeiros títulos que o livro teve. Como John trabalhou em um hospital para crianças, desde antes de “Quem é Você, Alasca?” ele tinha essa ideia de escrever um livro sobre jovens com câncer. Mas essa ideia nunca dava certo, então ele acabava escrevendo outra coisa. Logo depois de “Paper Towns”, no entanto, ele sentiu que conseguiria finalmente escrever essa ideia que ele tinha. Ele fez até anúncio oficial em vídeo que o próximo livro dele seria chamado “The Sequel” (tradução literal seria “A Continuação” – e se você já leu “A Culpa é das Estrelas” você já deve ter suas teorias de qual era a história desse livro). Mas o tempo foi passando e mesmo assim a história não estava CERTA para ele.
Muitas coisas aconteceram depois disso. John conheceu Esther Earl (pra quem o livro é dedicado) e virou pai. Daí ele começou a escrever uma história um pouco diferente. Ele pegou todas as coisas que realmente gostava em “The Sequel” e colocou nessa nova história que estava se formando. Essa história era a história da Hazel. Mas agora o John tinha que pensar em um novo nome pra história. Um dos cogitados foi “The Hectic Glow” que é o nome da banda favorita do Augustus no livro. Acho que tradução ficaria alguma coisa como “O Brilho Caótico” ou algo assim? Hectic é tipo uma coisa meio que bagunçada, agitada. Esse título se refere ao fato de a Hazel estar viva ainda graças a um milagre da medicina, e quando a medicina faz pesquisas, ela coloca as coisas em microscópios e aí fica aquele brilho todo bagunçado? Sabe, dentro do microscópio? Bem, essa foi a explicação do John, só que ele foi bem mais eloquente e eu não consigo lembrar exatamente as palavras que ele usou.
Mas mesmo assim o título não estava CERTO. Então, claro, como sempre, ele pediu ajuda dos nerdfighters. Em vídeo (livestream) e twitter ele dava pequenas informações sobre o livro (sem revelar muito) e pedia por sugestões. Daí alguém sugeriu que ele usasse a frase de Shakespeare E AÍ APARECEU O NOME THE FAULT IN OUR STARS, YAY NERDFIGHTERS!
Ao contrário da obra de Shakespeare, John Green não culpa sempre as pessoas, mas sorte delas, por isso o nome do livro é “A Culpa é das Estrelas”. John consegue provar no livro inteiro o quão errado é falar com toda a certeza do mundo que a sorte e o destino não afetam as decisões de uma pessoa em certas situações, quando eles podem afetar e afetar MUITO.
Vamos começar com as escolhas e ações dos personagens do livro: eles, em momento algum, decidiram se queriam ser afetados pelo câncer; não é como se a Hazel ou o Augustus ou o Isaac tivessem optado por sofrer com a doença desde pequeninos ou ter escolhido um corpo debilitado ou fizeram alguma coisa para merecer isso. E também não é como se os pais desses três tivessem escolhido ter filhos com câncer (no meu mundo ideal, nenhum pai ou mãe deseja isso para o filho). No caso de Hazel, Augustus e Isaac, eles tiveram o infortúnio de ter cancêr.
No entanto, isso não quer dizer que John discorde completamente da frase de Shakespeare. O que ele quer dizer é que, às vezes, sem nenhum aviso prévio, certas coisas acontecem por motivos de força maior (como a sorte e o destino), independente dos atos de alguém.
No caso do câncer, nem isso sempre é verdade porque uma pessoa pode ter passado a vida inteira como uma chaminé ambulante e se ela tiver câncer de pulmão ou de boca ou de laringe (entre outros cânceres advertidos pelo Ministério da Saúde), convenhamos, ela não pode culpar ninguém além dela mesma já que ela sabia as consequências do fumo antes mesmo de começar a fumar. Mas essa pessoa, como disse, tinha completa noção de seus atos e, ainda assim, optou por continuar e se arriscar, o que é totalmente o oposto do que acontece com Hazel, Augustus e Isaac, que como também já disse, não tiveram a opção de escolha foi apenas, “PAM! E DE REPENTE VOCÊS RECEBERÃO CÂNCER SEM FAZER NADA QUE OS LEVE A ISSO!”.
E é interessante como o John coloca esse contraste sobre câncer ser uma escolha ou apenas uma desgraça no livro, que é de uma forma bem sutil e bacana, que é a metáfora de Augustus que opta por colocar um cigarro na boca e nunca acendê-lo: Augustus tem o poder de colocar o que mata entre os dentes, mas não o dá poder de matá-lo, por nunca acendê-lo. E o interessante é que o personagem já teve câncer sem nunca ter fumado ou feito algo que o levasse a ter a doença. De certa forma, isso representa quando há o poder da decisão como influência e quando não passa de uma pegadinha de muito mau gosto do destino.
E, bom, o que vou falar agora é apenas conjectura da minha parte (como Valéria) sobre outro motivo de o nome ser a “A Culpa é das Estrelas”. Em uma carta escrita por uma certa pessoa para Augustus, o autor da carta afirma que todos têm uma harmatia (também conhecida pelos shakesperianos como o “defeito trágico”, referindo-se as falhas de personalidade) e a de Augustus é que ele está muito bem naquele momento enquanto Hazel continua terrivelmente doente e, se isso não acontecesse, as “estrelas” (também conhecidas como “destino”) deles não seriam terrivelmente frustradas por forças exteriores, mas a pessoa que escreveu a carta também fala que é da natureza das estrelas se cruzarem e serem afetadas negativamente pelo ambiente externo. Ao meu ver, essa é mais uma forma de John explicar a origem do nome do livro, porque se essa é a natureza das estrelas, tudo o que acontece entre Hazel e Augustus é culpa das estrelas. Não sei se faz muito sentido para vocês, por ser apenas uma suposição minha, mas… (Ah, é só uma curiosidade que quero compartilhar, star-crossed é uma referência a Romeu e Julieta)
P.S.: Alguém deveria fazer uma monografia sobre a influência e as referências de Shakespeare em ACEDE. Sério. John Green usa harmatia shakesperiana (exista outra, que é o erro trágico ou falha aristotélica), faz referência à Sonetos, Júlio César e Romeu e Julieta, entre muitas outras citações shakespearianas.
PS2: Esse post foi um esforço conjunto da Val e da Dayse! (E esse ps é da Bell.
)
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Ana Caroline (@carolinescarmo)
17 de julho de 2012
Nossa que post lindo! Estou aprendendo muito sobre John Green nesse especial do que em qualquer outro lugar.
Seu post ficou lindo, francamente acho que foi um dos melhores que li hoje.
Um beijo, Val
DFTBA ;*
Ana Caroline
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Val disse:
julho 18th, 2012
Hahaha, que ótimo que você gostou do post, Ana Caroline!! A Dayse fez metade dele! *-*
E fico super contente que você está aprendendo muito sobre o especial do John Green aqui no NUPE!!
ERA O OBJETIVO *O*
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Renato Augusto Ritto (@renato_rar)
17 de julho de 2012
Nossa, sério o_o parabéns pra Val e pra Dayse! Li o post inteiro VIDRADO, só lendo e pensando no quanto ACEDE deve ser uma coisa linda e… sei lá. Tem esse sentimento que sempre me atinge quando eu leio alguma coisa sobre ou escrevo alguma coisa sobre ou só quando eu vejo o John falando do livro…
ÓTIMO post. Sério mesmo! E que continue a Semana #CulpaDoJohnGreen, pra gente poder se emocionar MAIS E MAIS com tudo isso!
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Val disse:
julho 18th, 2012
OBRIGADA, RENATO!! <3
ACEDE É UMA COISA LINDA E MARAVILHOSA E EU ENTENDO O SENTIMENTO (quase sempre acontece comigo, na verdade XD)! *o*
Não se preocupe que vai ser a semana inteira! E o culpado é o John!! XD #CulpaDoJohnGreen
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Luana Barbosa
17 de julho de 2012
Tinha esquecido que a sugestão do nome foi de um nerdfighter. Quanto mais eu leio (e pesquiso, porque meus posts vão pro ar no final da semana yaynervosayay), mais eu fico impressionada com a nerdfighteria.
Ótimo post!
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Val disse:
julho 18th, 2012
Eu também tinha esquecido DDD: A Dayse que é uma menina mais-ou-menos-sensata que se lembrou. \o/
Nós, nerdfighters, somos uma coisa impressionante, né?
JÁ ESTÁ CHEGANDO A SUA HORA, LUANA! MHAUUHAUHAHUAHUHAUHUAHUAHAU! >D
(obrigada, aliás!! <3)
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Mônica
17 de julho de 2012
Eu abro os posts, começo a ler e achar super interessante, e aí paro, pra não saber muito mais do que já sei sobre a história. Tá tensa, essa semana (mas muito boa) hehe
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Val disse:
julho 18th, 2012
Nãããão, Mônica! Pode ler tudo! Tudo é spoiler-free! \o/
Quer dizer… Acredito que seja, mas spoiler pra mim pode não ser o mesmo pra você.
Mas, sério, que bom que você está gostando da semana apesar de você só ler parte dos posts e estar achando ela tensa. Parece que estamos fazendo nosso trabalho direito (????). <3
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Lizzie
17 de julho de 2012
Saber que o John trata do destino interferindo ou não na vida das pessoas só me fez ficar ainda mais louca pelo livro! Eu não acredito nem um pouco nessas ideias sobre o destino reservado para cada um, se é que me entende. Quero muito ver como ele vai tratar isso…e agora eu admiro ainda mais esse titulo! Lindo!!
Sério, eu já sinto que vou amar a história. Tenho que agradecer a esses sites todos pela festa sobre John Green que estão fazendo na net, ou eu nunca teria me interessado pela obra
Abraços!
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Val disse:
julho 18th, 2012
Lizzie, sou da mesma opinião de que as pessoas não têm um destino reservado. A vida seria muito chata se fosse só isso, né?

Sou um pouco suspeita para falar que o John Green trata isso de forma genial, mas juro que ele trata de forma genial essa ideia de destino interferindo ou não!
Que bom que conseguimos (NUPE e todos os sites participantes) fazer você se interessar por ACEDE! <3
:*
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Mareska
17 de julho de 2012
Não poderia ter um título mais perfeito *O*
DFTBA!
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Val disse:
julho 18th, 2012
NÉÉÉÉ?! Esse título é muito amor! :3~~
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Isa Pina
17 de julho de 2012
Que texto lindo! Acho que depois que a gente conhece o por quê de algum livro ter aquele título, acabamos nos conectando ainda mais com eles. De alguma forma, nós meio que entendemos o que o autor queria passar, o que ele queria mostrar. E eu achei muito legal o por quê de ACEDE ter esse nome! E eu acho que a minha opinião seria como a do John… Quer dizer, nenhuma dessas pessoas (e as do mundo real também) escolheu ter câncer, tirando os casos que você citou e tal, mas, mesmo assim, elas têm que lidar com isso. É quando você para pra pensar: “Tá, então cadê a justiça do mundo?”.
Enfim, achei muito awesome isso que o John fez, com o título, a ideia dos nerdfighters que o ajudou nisso e o seu post (de vocês duas), porque tá bom demais!
Beijos!
Isa ~ Portal dos Livros
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Val disse:
julho 18th, 2012
AW, OBRIGADA <3
É verdade, a gente se conecta bem mais com o livro quando conhecemos o porque do título dele. Foi completamente assim com ACEDE! E quando eu percebia as pequenas coisinhas que justificavam o nome do livro e davam mais razões para ser um ótimo nome, eu ficava mais feliz e conectada com ele. <3
Também fico me perguntando onde está a justiça no mundo quando vejo esses casos e até mesmo me pergunto isso das pessoas que “fazem por onde”, porque, cara, câncer é uma doença injusta e horrível e ninguém deveria ter que lidar com toda a “bagagem” que essa doença trás. =/
O título de ACEDE é muito awesome mesmo, né? :3
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Patrícia Melo
18 de julho de 2012
Não me canso de demonstrar o quanto estou ansiosa por esse livro! Sério, na boa! E agora eu descubro o quão culto e literato é John Green… que o lançamento chegue logo!
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Val disse:
julho 18th, 2012
O John é tão legal, né? <3 Ele é formado em inglês (o que inclui literatura e gramática).
Nós (psh, provavelmente a Bárbara ou a Dayse, na verdade XD)colocamos o link da saraiva online que está com 20% de desconto na compra de ACEDE!
Patrícia, o livro já pode ser encontrado nas livrarias! Não em todas, porque foi lançado semana passada, mas você pode adquirí-lo com certeza pela internet
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Luana Villwock Silva
19 de julho de 2012
e nada melhor que terminar o meu post com o trabalho de conclusão na cabeça! só que eu faço engenharia e os professores definitivamente não vão aceitar isso D:
Ai gente, a cada post eu fico, porque eu ainda não li John Green? :O
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MARCIA SONOITA
28 de janeiro de 2013
O que me fez realmente amar com alma é o fato de que o amor em nenhum momento foi afetado pela doença, pelo contrário , foi o que fez com que sobrevivessem mais , culpar as pessoas , ou o Estado ou qualquer outra coisa pela doença quando essa não teme explicação é sem dúvida o mesmo que culpar as estrelas pelas ações humanas , não há responsável apenas a fatalidade , essa da qual todos estamos fadados, seja cedo ou tarde a morte é a constate que move o universo, ela não é o fim, mas a certeza perene impregnada em nós desde o ventre materno, nós não nascemos já dizia um sábio, mas sim morremos a cada dia, seja qual for a causa , qual for o motivo, nós como seres humanos limitados que somos , temos sempre o dever de colocar a culpa em algo ou alguém para que com isso sejamos erroneamente consolados de alguma forma. E o autor brilhantemente nos faz pensar de uma maneira totalmente diferente dessa tão “humanizada” , faz nos pensar que o câncer não foi o fim , mas apenas o início para um grande e imenso amor, que essa ânsia de Augustus de ser lembrado e esse cigarro que ele tanto gosta de lembra que é uma forma de controle , apenas mostra um ser que não precisou de muitos anos para evoluir, ele foi cedo porque já estava preparado e conseguiu de uma forma heroica , como ele mesmo queria , ser eternizado , mesmo que por um tempo, por um determinado e ínfimo tempo , seja lá qual for a perspectiva de tempo que cada um agrega em si. Mas a morte essa sim é aquela que estará sempre seja no passado , onde deixamos nossos entes amados em túmulos ou no futuro onde ela nos sorrirá e nos levará como se fôssemos aquelas sementes que voavam sobre suas cabeças durante o jantar .
“Você morre no meio da vida, no meio de uma frase.”
— A Culpa é das Estrelas
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