A História Antes da História OU Prefácio OU Um Tempo Atrás, na Ilha do Sol (nas palavras do poeta): foi numa tarde de 2003 em que conheci Gilmore Girls. 2003, suponho, por causa da vaga lembrança de estar deitada no sofá amarelo que só ficou na minha vida por um ano. OBRIGADA, SOFÁ, por sua recordação agora me fazer conseguir situar aquele grande evento televisivo em minha linha do tempo.

Então. Gilmore Girls. A primeira série que acompanhei de verdade. Suspirando pelo Jess Mariano, o bad-boy-não-realmente-bad-boy. Ficando íntima da fictícia cidade de Stars Hollow e seus estranhos habitantes. Googleando um monte de referências que eu não entendia naqueles diálogos ultra rápidos e metralhadoras-de-cultura-pop. Sim. Bons tempos.

(E  tempo passou e passou, e, ugh, aquela sexta temporada foi tão bleh.) (… Não gostei muito da quinta também.) (OK, OK, pra falar verdade só amo PRA VALER as três primeiras.) (Não falo da sétima porque prefiro ignorar existência dela.) (NÃO ACONTECEU.)

O que quero dizer é que aos onze anos aquela série pegou meu coração, e apesar de ter seus pontos e pontos baixos, ainda é uma das minhas favoritas.

… Aí em 2012 (!) surgiu uma série da qual a Amy Sherman-Palladino é co-criadora e produtora executiva. Sra. ASP, também conhecida como, sabe, a pessoa que

CRIOU

GILMORE

GIRLS

***

A sinopse, conforme anúncio oficial da ABC Family:  Bunheads [que é uma gíria para designar dançarinas de ballet] é a história de uma showgirl de Las Vegas que se casa com um homem [interpretado pelo Alan Ruck, mais conhecido como... Cameron Frye!] impulsivamente, se muda para a sossegada cidade litorânea [que tem o poético nome de... Paradise. Espero que a música do Coldplay tenha começado a tocar na sua cabeça.] em que ele mora, e assume um desconfortável papel na academia de dança da sua sogra [a atriz sendo a Kelly Bishop - A EMILY GILMORE! E a mãe da Baby em Dirty Dancing!].

O que parece mais ou menos uma sitcom ruim com risadas gravadas, mas – TA-DAM! – não é. Começando por algo que acontece no finzinho do primeiro episódio e que (depois de longa  reflexão) preferi não contar aqui, porque, sei lá, talvez seja considerado um spoiler…? Então, bem, fiquem com o **mistério**!

Além da relação entre a Michelle e a sogra Fanny, também há foco em quatro estudantes da academia, Boo, Sasha, Ginny e Melanie. No começo estava incerta quanto às garotas e não muuuito profundamente interessada nelas, mas os roteiristas têm feito um trabalho legal com as personagens. Ok, eu ainda prefiro cenas da Michelle (que é DEMAIS e engraçada e vagamente maluca) do que a qualquer uma do grupo, mas, ei, é difícil competir com a nossa adorável protagonista:

“De que livro vocês estão falando?” “Fifty Shades of Grey.”

De qualquer forma, Bunheads ainda é uma criancinha (indo para seu sétimo episódio), mas já me cativou faz um tempo. É engraçado: alguém comentou sobre o episódio dessa semana que “tinha gostado, mas que no fim das contas sentiu como se nada tivesse acontecido”, e outra pessoa perguntou, bem, “não é assim que tem sido com essa série quase desde o começo?”. E é verdade. Não há grandes revelações e loucos desenvolvimentos, ou roer de unhas imaginando qual o próximo passo que história vai tomar. O que não quer dizer – não mesmo – que seja um tédio.

É como Paradise, a cidadezinha tranquila mas com esquisitices aqui e ali – é gostoso ver Bunheads.

Falando em Para-Para-Paradise: para quem viu GG, acho que talvez possa ter rolado um certo receio interno quando saiu a informação de que a série se passaria numa pequena cidade fictícia. Não seria uma lembrança muito forte de Gilmore Girls? Mas até agora a abordagem de Paradise tem sido diferente da de Stars Hollow, cujas excentricidades e eventos era mais destaquados, sendo quase mais um personagem do que um cenário. Em Bunheads a coisa é, digamos, menos agressiva. Não acho isso pior ou melhor, só… diferente. O que é bom.

Algo em que a série é quase singular: até agora não deu muita importância pra romance. Já vi algumas pessoas reclamando que estão sentindo falta disso, mas no momento estou super ultra satisfeita com o estado das coisas. Sério, sou uma criaturinha shipper por natureza, mas é muito bom ver algo em que todas as personagens principais são mulheres – e o ponto principal não é encontrar o ~amor da sua vida~.

Ah, sabe outro motivo super sério pra você ver essa coisinha fofa?

… Diria até que a principal razão!

(Não.)

Porque a miss Dayse (não confundir com a torta Miss Daisy. Que é muito boa. E mais doce que a Dayse em questão) e eu queremos CONVERSAR sobre, e para isso só temos UMA A OUTRA – que situação DRAMÁTICA, galera. Oh, por sinal, ainda não passa aqui na TV, mas suponho que quando vier será exibida pelo Sony Spin, considerando o histórico deles com séries da ABC Family e coisa e tal.

ÚLTIMA COISA: se você 1) assistir a Bunheads (YAY!), e 2) gostar (YAY! E, digo, COMO VOCÊ NÃO GOSTARIA?), e 3) não tiver visto Gilmore Girls (!!), recomendo fervorosamente que comece essa nova missão! Última vez que olhei no Submarino o DVD da primeira temporada estava por quarenta reais, e, sério, VALE A PENA.