Battle Royale, de Koushun Takami



Em algum ponto do ano passado¹, menções à Battle Royale já me deixavam vagamente receosa – havia altas chances de o comentário ser sobre quão Jogos Vorazes é uma ridícula cópia, etc, etc. Também altas, altas chances de que pessoa em questão nunca tivesse lido o livro da Suzanne Collins, e sua opinião se baseasse em curtas sinopses e uma vontade enorme de… ser chato:


Enfim, a Day-Z no alto de sua elegância até já fez um post sobre isso, entããão prossigamos!

***

Battle Royale começou como um livro de 1999 escrito pelo Koushun Takami, e aí rolaram dois filmes, três mangás e uma peça teatral lá nas Filipinas. Minha impressão de BR nasceu das páginas que vi da mais longa e conhecida adaptação da obra para os quadrinhos (publicada por aqui pela Conrad), e… ok, não era exatamente uma impressão muito boa. Gostava da ideia, mas achei execução era esquisita e exagerada, com direito até a uma luta que parecia saída de Cavaleiros do Zodíaco.

Aí eu li o livro.

(TAMBORES. TROVÕES. TENSÃO.)

E era exatamente o que eu procurava no mangá.

Mas antes de meus sentimentos, um pouco da história: em um mundo em que o Japão faz parte de um estado totalitário conhecido como República da Grande Ásia Oriental, desde 1947 acontece anualmente um evento chamado de o Programa. Classes escolares são selecionadas, e uma delas ganha a, hm, grande honra de ter que participar em uma competição em que você deve, opa, matar seus colegas. O último que sobrar ganha e coisa e tal. É aterrador, e acho que todo mundo que lê acaba pensando em sua antiga ou atual turma de sala de aula naquela situação, e… ugh.

… Sério, depois da leitura tive alguns pesadelos nada simpáticos.

O Programa ocorre supostamente por propósitos de pesquisa (?), mas acho que até depois de ler só a contracapa você já sabe que é um meio de controle do governo, um modo de instalar paranoia e terror na população.

Nosso protagonista é o Shuya, que é, bem, um cara legal. Ele acha que pode haver alguma forma de escapar da ilha em que foram isolados, e que toda a classe deveria se unir para sair dali. Logo no início ele fica surpreso quando percebe que a maioria não tem esperança em seu plano sonhador, e que alguns já estão matando uns aos outros. Enquanto lia, aquilo doeu tanto, sabe? O fato de que com certeza em edições anteriores também existiram participantes se segurando a alguma fé inocente (fé ou incapacidade de aceitar a terrível nova ordem de coisas – e dá pra alguém culpá-los por isso?) de que tem que ter um jeito, e no fim encontraram a morte ou, sei lá, se conformaram, acabaram com os outros e venceram (traumatizados pelo resto da sua existência).

A narrativa é em terceira pessoa, e mostra o ponto de vista de outros personagens, em diferentes pontos da arena. Geralmente² você gosta deles.

Ao menos o bastante pra ficar um pouquinho infeliz quando eles morrem.

Minha leitura de Battle Royale foi ridiculamente frenética, pontuada por algumas pausas de choro (flashbacks: eu murmurando “tadinhos, tadinhos!! ARGH!!!” a cada duas páginas) (tem um personagem em particular que pegou meu coração, e, cara, FOI DIFÍCIL CONTINUAR DEPOIS DE ELE PARTIR) (e por “difícil de continuar”, quero dizer que… hm, fiquei pelo menos DOIS MINUTOS sem ler!)

Alguns fatos: 1) a prosa é seca, que achei que bem adequada, mas your mileage may vary 2) … não, não tem um dramático triângulo amoroso de praxe (… mas aos interessados, sim, tem um tanto de romance. ROMANCES A QUE VOCÊ OBVIAMENTE NÃO DEVERIA SE APEGAR) 3) bem mais brutal que Jogos Vorazes, então prepare seu coração.

Nenhuma editora aqui ainda resolveu publicar o livro – tive alguma esperança de que isso fosse acontecer, com o filme de HG sendo lançado -, mas saiu em inglês, dá pra encontrar no Book Depository e variados. Ah, e caso você compre, existem duas edições uma de 2007 e outra de 2010 – na mais recente revisaram a tradução, e rolam alguns extras como entrevista com o diretor do filme.

¹Hoje não me irrita mais, até acho engraçado quando uma criatura genial surge indignada capslockeando sobre o… er… plágio.
² Há duas pessoas da turma que você poderia chamar de
maus, mas existem mooootiiivos por trás disso, não sendo simplesmente uma sede de sangue vilanesca.

Comentários
Trash

Eu sou um ser humano. Eu gosto de algumas coisas. Vamos ser amigos, blablablá, etc. No twitter: @thetrash

  • Jana

    Amei a resenha. Sou louca nesse livro. Já li o mangá e já vi o filme. Quero demais o livro, dei mole de nunca encomendar em site americano, agora tô de mudança e não rola esperar *tempo indeterminado* para entrega. :( Procurarei freneticamente nas livrarias da Europa.

  • Felipe Fagundes

    Que engraçado, ontem escrevi um texto sobre BR e tomei um susto quando vi esse aqui! rs Então, eu nem sabia que tinha livro, só li os mangás. Achei tudo meio sem sentido, pra falar a verdade, apesar de ter gostado. Pra quem só quer saber da ação (meu caso) o mangá atende bem. Não consegui enxergar o propósito do programa, não fica bem explicado. E é estranho eles quererem tacar terror na população atacando os adolescentes... Eu simplesmente me enfadei com o Shuya. Cara otimista DEMAIS! Chegou a ser irritante, o povo se descabelando lá e ele com esse "Paz e amor, olhem para a luz, vamos dar as mãos e ser amigos outras vezes". Francamente... Será que o personagem que "pegou seu coração" foi o mesmo que meu? Até hoje lembro de uma frase que o meu personagem disse "Pessoas perdidas fazem coisas erradas de vez em quando". Foi a morte mais injusta e grotesca pra mim. E, poxa, os autores não tem dó de ninguém. Coisas que JAMAIS aconteceriam numa história clichê acontecem em BR :-/ Minha personagem favorita foi de longe AQUELA VACA DAS TREVAS DA HARDCORE SOUMA! Que BRUXA! Meu Deus, ela me deixou com MUITA raiva por um longo tempo, matando os personagens que eu mais gostava sem dó nem piedade! E ainda consegui ficar com pena dela tanto pelo passado negro quanto pelo presente perturbado. As mortes de JV foram menos impactantes pra mim porque os tributos mal tinham nome, então não dava pra gente se apegar. PS: Realmente, teve uma luta bem Dragon Ball Z rs

  • Amanda Ramos

    Gostei da resenha!Parabéns!Eu tive conhecimento de Battle Royale quando anunciaram o filme, depois soube do mangá, também não sabia que tinha o livro, eu comecei a ler o mangá on line, mas logo no primeiras páginas eu desisti, sei lá acho que ainda não estou preparada para ler ele, estou lendo Jogos Vorazes embora algumas partes me balancem mas não tanto quando Battle Royale. Quem sabe um dia eu tome coragem e leia até o fim. Um abraço.

  • Cíntia Mara

    Eu até tenho certa curiosidade com BR, mas duas coisas me impedem de ler. 1) Sou fresca e tenho estômago fraco, não gosto de nada muito sangrento. 2) As comparações com JV são tão zzzzzzzzzzzz. Quem sabe, algum dia...

  • Maria Raquel

    Sempre quis saber, esse livro é num nível Tarantino de violência? Porque todo mundo fala que é super violento e tals... Achei bem parecido com THG kk (e olha que adoro o livro) Não sei se iria a trás pra ler, mas se "caísse" na minha mão leria totalmente :D (Aquele momento em que tudo te lembra Dollhouse, até o nome do bichinho, por ser Victor D: Me diz como me desintoxicar??!!!)

  • Igor

    JÁ TE DISSE QUE EU ADORO TEUS POSTS? (pfvr, claro que não, cê nem me conhece mas)(wtf ouvi uma valsa na minha cabeça depois de escrever isso é um sinal?) Então, pois é, eu adoro. Apareça mais :C Toda vez que vejo comparação com THG fico zzZZZZzzzZzZ 2012 e ainda tem gente fazendo isso. Vão lavar uma louça pfvr Baixei uma vez pra ler em inglês mas minha mente ainda não acostumou e prefiro em português :( Sou meio traumatizado com mangá então fiquei tipo: e.e Só me resta esperar né

  • Trash

    Hihi, puxa, muito obrigada! E SIM, essa é a mais chata comparação do século. Ah, vamos torcer pra que um dia uma editora revolva publicar aqui~! (E claro que sei quem você é! Você é... O IGOR! TA-DAM!)

  • Trash

    Hmmm, é bem violentozinho, mas não é uma coisa gratuita e tal, tem sentido! E NÃO, haha, Dollhouse NUNCA vai te deixar, vai te assombrar, te enlouquecer e uma vez outra te fazer chorar só de lembrar. OH, O HORROR!

  • Maria Raquel

    OMG, ainda bem que vai estrear um filme com os mesmo atores (alguns). Aí vai dar pra matar um pouco a saudade (só que não.. kk). http://lustforlovefilm.com/ (Lust for Love) E tem também Much Ado About Nothing http://www.imdb.com/title/tt2094064/ (Que tem direção de... Joss Whedon :O) Os dois são projetos ainda, mas Lust for Love tem mais chances de estreiar pelo que pesquisei, já que está em produção final e tals..

  • Patrícia

    Eu comecei a ler o mangá, mas ainda não terminei. Gostei dele, mas queria ler o livro. Vim correndo comentar pra perguntar onde você encontrou, porque procurei tanto e não tem em Português! Conheci BR através dessas pessoas que diziam que THG é plágio. Não li nenhum dos dois ainda, por isso nem opino, só acredito que vou gostar mais de BR do que de THG. Mais violência, mais mortes pra eu ficar sofrendo.

  • Nathalia

    AHHH, Meus Deus!!!! Estou louco pra ler esse livro - em português!! Será que alguém não tem ele em ebook pra me enviar??

  • Hike

    Bem, não sei se já sabem, mas o livro foi publicado em português. Pela GloboLivros. Vi ontem em uma livraria, mas vim procurar em epub para o meu Kobo(foi ai que achei este post_ muito bom por sinal).

  • batman

    yuichirooooooooooo!!!!!!!

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