“Aprisionada”, o primeiro volume da Trilogia do Jardim Químico, se passa em um futuro não tão distante onde uma espécie de apocalipse devastou todo o mundo, menos a América do Norte. Além disso, cientistas descobriram a cura para o câncer e para várias outras doenças e, como dito no livro, os que receberam essa cura são “praticamente imortais”. Essa primeira geração com acesso a essa cura trouxe, porém, um grande problema para as gerações seguintes: a vida contada. Um vírus desconhecido mata os homens aos 25 anos e as mulheres aos 20, o que é um grande perigo para o futuro da raça humana. Por causa disso, há os Coletores, que sequestram adolescentes e as vendem para casamentos polígamos, para que mais e mais crianças nasçam.

Os Estados Unidos agora são um lugar caótico (ou seria ainda mais caótico?) – as pessoas estão morrendo e por isso há cada vez mais crianças órfãs nas ruas, sem ter para onde ir, e as mulheres ainda temem serem sequestradas.

É aí que conhecemos a protagonista, Rhine Ellery, uma menina de 16 anos. Ela e seu irmão gêmeo, Rowan, vivem temerosos em Nova York, sem os pais, que eram da primeira geração e foram assassinados por grupos que são contra a descoberta da cura. O livro começa quando a Rhine é sequestrada e levada para a casa de Linden, um ‘Governador de Casa’, como são chamados os homens ricos que “mantem” casamentos polígamos.

Em sua nova casa, Rhine conhece e fica amiga de Rose, a primeira mulher de Linden, que está em seus últimos dias de vida. Junto com Rhine, duas outras meninas foram vendidas para a casa, Cecily, com seus 13 anos, que ficou fascinada com a sua nova realidade, e Jenna, já com 19 anos, com sentimentos completamente contrários dos de Cecily.

Por mais que na casa Rhine tenha todas as regalias que quer (digo, menos sair do terreno da casa), o que a garota mais quer é voltar para casa, voltar para seu irmão. Uma fuga, porém, é muito difícil porque além de ser complicado sair da casa, ela está na Flórida, a quilômetros de sua cidade. Em sua prisão, Rhine acaba ficando amiga de [e se apaixonando por] um dos seus serviçais, Gabriel.

Bom, se você não gosta de livros lentos, esse aqui definitivamente não é para você. “Aprisionada” é MUITO lento, de verdade. Para vocês terem ideia, apenas 10% tem ação, que nem é tão forte assim… Mas isso não quer dizer que eu não tenha gostado do livro, eu o amei! O problema dele mesmo é a falta de dinamismo na história.

Acontece que o livro é narrado pela Rhine e ela vai contando sobre o mundo em que ela vive e sobre como são os dias com um Governador de Casa, o que torna tudo mais lento. Claro, o livro não fica só nisso. Além disso, ainda há o problema com o pai de Linden, o primeira geração Vaughn. Ele está à procura de uma cura e ele é um homem muito misterioso e cruel, que só pensa em não perder o seu filho. Não vou me estender mais se não posso acabar soltando algum spoiler grave.

Claro, o romance não é deixado de lado em “Aprisionada”. Como disse antes, Rhine acaba se apaixonando por Gabriel, mas diferente de muitos livros, o romance não é muito desenvolvido nesse primeiro momento, é algo mais “tímido”. Para variar um pouco, temos um triângulo amoroso, mas se o relacionamento Rhine/Gabriel é fraco nesse primeiro livro, o de Rhine/Linden é quase inexistente. Isso porque a protagonista não quer sentir nenhum afeto pelo Governador de Casa, já que ele a separou do seu irmão. Apesar disso, ela acaba de afeiçoando por ele. Acredito que nos próximos livros esse triângulo vá se desenvolver e ficar mais sólido.

Uma dúvida que eu acabei tendo enquanto refletia o livro foi: “Aprisionada” é distopia? Se você for levar em conta ao post da Bell da última terça-feira, não, pelo menos não no primeiro livro. Isso porque o país é caótico e tudo mais, porém não é por causa de um governo autoritário e rigoroso. Para dizer a verdade, a autora nem ao menos fala sobre ter um governo regendo o país, a não ser que isso tenha passado despercebido para mim. Essa, aliás, foi uma dúvida que eu também tive, o governo autoriza o sequestro das mulheres? O governo não investe para cuidar dos órfãos que ficam perambulando pelas ruas atrás de abrigo? Ou simplesmente não há governo, é uma terra de ninguém?

Para mim, o livro é muito mais de pós-apocalipse do que de distopia. Mas mesmo assim eu não tenho certeza. Com a Bell disse, há uma linha tênue dividindo os dois e, pelo menos o primeiro livro dessa série, está ali no meio (talvez mais direcionado para o pós-apocalipse).

Enfim, como eu disse antes, “Aprisionada” é muito lento. Ele é muito mais um prólogo para a história que há por vir. Aliás, eu realmente não sei o que esperar do próximo livro. Digo, não quanto a ser bom ou ruim, mas quanto à história mesmo. Eu ainda não li a sinopse e prefiro continuar assim. É que o livro acaba de um jeito não muito surpreendente, porém eu não sei aonde a autora quer levar a história. Desde o começo eu ficava imaginando aonde eu levaria a trilogia e na minha mente eu criei um final bem legal, mas, aparentemente, a autora vai levar tudo em outra direção.

Quanto aos próximos livros, o segundo foi lançado lá fora em fevereiro e se chama “Fever” e o terceiro, “Sever”, lançará no mesmo mês de 2013. Se você leu o primeiro em português e quer ler o segundo (e o terceiro, depois que for lançado) logo, eu recomendo que faça o mesmo que eu e continue em inglês (caso você saiba, claro) porque a Underworld lançou “Aprisionada” na bienal do ano passado e não há nenhuma informação quanto ao lançamento da continuação. E acho que deve demorar porque os últimos livros que a editora lançou, “Sob a luz dos seus olhos” e “Ser Clara”, saíram em janeiro e com isso o cronograma que eles postaram no início do ano (que nem incluía o segundo livro) está beeeem atrasado…

Falando na editora, como era de se esperar, a revisão não é das melhores. Tipo, a tradução é do Fábio Fernandes, que é muito bom, porém a revisão deixou passar vários erros de digitação. Outra coisa que me incomodou foi que no livro há várias falas de personagens “embutidas” em um parágrafo comum, aí, na troca das aspas de diálogo para os travessões, a coisa ficou muito estranha. Um pequeno defeito que a editora também poderia ter arrumado alguma alternativa para corrigir.

Aliás, a capa do livro é LINDA. Eu A-M-O essa capa do fundo do meu coração. Eu não costumo gostar de capas com modelos nem nada, mas a de “Aprisionada” não é simplesmente uma modelo morta em um fundo feito no photoshop. Se você vir a capa completa, verá que a fotografia é, na verdade, da modelo junto com vários elementos da história. (Uma dica, veja esse vídeo que foi usado para revelar a capa do segundo livro da trilogia.) E como se a fotografia já não fosse legal o suficiente, tem os círculos ligando os objetos e dando dicas sobre o enredo. E é legal também porque a parte interior dos círculos tem um verniz localizado e as linhas rosa são metálicas.

Enfim, eu amei o livro e eu espero muito da série, a Lauren (Cara, quantas autoras YA com esse nome existem??? o.o) é muito boa. O primeiro até entrou nos meus favoritos porque, apesar de tudo, realmente me cativou, entretanto, ele não levou nota máxima.

Classificação final: 4 June Beans