Era uma pacífica manhã/tarde/noite (noção de tempo é algo superestimado. como todo mundo sabe), e eu estava cheia de disposição pra me apaixonar. The Disreputable History of Frankie Landau-Banks não é um nome totalmente descolado? E, ah, a capa com o selo com um basset hound não é quarenta e duas mil vezes mais interessante do que o rosto infeliz de uma modelo – que, em uma trágica porcentagem de casos, não tem nenhuma semelhança com a descrição física da protagonista?
O que quero dizer é que, bem, tudo estava a nosso favor, Frankie. E por isso, previsivelmente, tudo deveria terminar em terror. Seu aparente encanto revelaria um comportamento neurótico e uma tendência a colecionar cadáveres de ratos ou, hm, algo no estilo.
NO ENTANTO, para minha felicidade, não estávamos no começo de uma comédia romântica – aquela sequência de encontros mal-sucedidos antes de se esbarrar no Verdadeiro Amor e coisa e tal? Não! De fato foi tudo maravilhoso e super e 100% alegria. Aliás, falando em comédia romântica, sabe aqueles depoimentos de casais que aparecem em Harry e Sally? A gente pode fazer algo assim, Frankie. Total. Ou… algo parecido… já que, por algum estranho motivo, acho que vou ser a única a dar opinião, porque você é meio que… um objeto inanimado…
Sem ofensas.
QUANDO VOCÊ SE APAIXONOU (GENUÍNA E PROFUNDAMENTE) PELA FRANKIE?
[...] Intelectualmente, Frankie não era nada como a mente quase criminosa que criou a Sociedade de Liberação dos Peixes e que, quando adulta, provavelmente irá comandar a CIA, dirigir filmes de ação, projetar foguetes, ou, possivelmente (se ela for pelo mau caminho), liderar um grupo de crime organizado
Hah! Não dá pra me dizer que um dos possíveis futuros da protagonista é uma, er, vida bandida* e esperar que eu não me apaixone. (Isso foi, acho, no segundo capítulo.)
Mais detalhes: A srta. Landau-Banks estuda na pomposa Alabaster Preparatory Academy, e o novo ano escolar promete – citando a Honrosa e Querida Sessão da Tarde – altas confusões. Não do tipo animais falantes ou ir parar numa ilha ou descobrir que tem uma irmã gêmea, mas algo mais no estilo:
1) Uma sociedade secreta só para garotos, conhecida como a Loyal Order of Basset Hounds.
2) Matthew Livingston, o Cara Mais Velho e Gato e Claramente Incrível (… certo?), está interessado nela. YAY… certo? Certo? Talvez.
3) Um livro do P.G. Wodehouse que a leva ao hábito de desmontar palavras!
E… algumas outras coisas. Tudo culminando em questionamentos sobre a sociedade. Sim! Particularmente feminismo. E sabe o que adoro? Pessoas que não têm medo de usar esse termo.
F e m i n i s m o.
Não é o “equivalente feminino do machismo” (de onde tiram isso?). É um movimento sobre igualdade, sobre liberdade, sobre como não há um tipo certo de mulher – e ainda tem quem tente dizer que isso é feio. Suponho que por causa dessas criaturinhas vis é que vejo, em uma frequência bizarra, frases que se iniciam com “não sou feminista, mas… [e aqui insira um pensamento completamente feminista]”. Puxa, você não precisa se envergonhar ao mostrar que se importa e que acha que ainda tem coisa errada no mundo quanto à questão. Digo. A Frankie não tem vergonha. E, ei, estou caidinha por ela.
Além de tal fator, você certamente deveria ler esse livro da E. Lockhart porque ele é – pausa dramática – DIVERTIDO! A narrativa é delicinha e envolvente e… e… e… aqui vai a parte ruim: você acaba super rápido. Não o bastante pra satifazer um ávido coração. E não é uma série. O que… é bom, em um mundo cheio de trilogias YA vagamente desnecessárias, mas… argh. Quero mais da infame história. Mais. Mais.
E como argumento final, uma declaração da ilustre Dayse Dantas, grande pensadora de Goiânia, no grande dia 12 de junho: “A Trash tá lendo esse livro também, e ela está amando e ela é super chata pra AMAR as coisas!”.
Então. É. Acho que você deveria dar uma chance pra Frankie.
*A autora do post esclarece que está se referindo a uma vida criminosa romantizada! No mundo real, ela não acha o crime algo muito legal. O NUPE não apoia a prática, crianças! Tirando a querida Bárbara – todo mundo sabe que quando ela diz que vai dormir (às… 19h??) significa que ela está indo executar planos maquiavélicos. TODO MUNDO SABE.

















Giu Alonso
19 de junho de 2012
SIM! Esse livro é incrível, dá vontade de citar mil frases. Fiquei feliz de saber que a Trash, que é chata para caramba para amar as coisas, AMOU!
[Responder]
Mônica
19 de junho de 2012
Gente, fico anotando livros sem tradução que me interessam (e q provavelmente nunca vou comprar) e esse tá super na lista, graças à capa e ao título, porque a história mesmo me parecia meio bleh, mas agora parece mais legal?
E eu, anta, tinha certeza que E. Lockhart era um homem (Harry Potter, muito marcante). aiai
[Responder]
Blanca
22 de junho de 2012
Não entendi nada, sobre o que é o livro, mas você falou que fala sobre feminismo, então vou procurar saber mais ~~
(não rolou uma sinopse do livro não ou eu que boiei?)
[Responder]
Maria Raquel
24 de junho de 2012
Que resenha fofa!!
Agora quero ler esse livro.. É algo no estilo Heist Society??
Porque se for já me apaixonei!
[Responder]
Trash disse:
junho 24th, 2012
HM, ainda não li Heist Society, mas acho que deve ser mais ou menos assim, segundo essa resenha: “[...] It was different from anything I’ve read before and the closest I can think of is the Heist Society books by Ally Carter. Still very different, but yet a sort of similar feel.”
YAY!!
[Responder]