Prometheus – Quão longe você iria para obter respostas?

Ok, eu e meus irmãos combinamos uma saída ao cinema juntos essa semana e decidimos (na verdade, EU decidi) que assistiríamos Prometheus. Passei todos os dias desde que resolvemos sair falando que era uma obrigação moral vermos esse filme “por ser um sci-fi dirigido pelo Ridley Scott depois de 30 anos, por ter uma divulgação viral sensacional, por ninguém saber do que se tratava exatamente e por ser um dos filmes mais esperados do ano, blah blah blah” e, bom, meus irmãos sendo meus irmãos, apenas me ignoraram completamente. Mostrei o trailer para os dois  e eles toparam.

Como não amar esses efeitos especiais? <3

Apesar da empolgação, assisti o filme sem muitas expectativas quanto ao enredo, porque em 99% das vezes que me empolgo, me decepciono. Aliás, em relação a Prometheus, eu só tinha quatro certezas: a direção seria fantástica, a atuação seria sensacional, os efeitos especiais seriam de primeira linha e a trilha sonora e os efeitos sonoros seriam lindos de tão maravilhosos. Essas quatro coisas foram infinitamente melhores do que eu imaginei e fiquei encantadíssima, mas o que realmente amei foi a história. Não tenho palavras para descrever o quanto esse filme entrou para minha lista de filmes-mais-favoritos-de-todos-os-tempos e quantas crises existenciais tenho tido desde que o vi.

Atenção: Pode ter pequenas revelações sobre o enredo

A introdução da película, de início, não faz nenhum sentido, mas mais pra frente, dá para entender porque diabos um alienígena-humanoide-que-parece-de-porcelana no topo de uma cachoeira toma uma gosma preta enquanto observa uma nave saindo do planeta  em que ele está e porque, depois de tomar a bebida, o corpo do alienígena tem uma reação em cadeia e acaba desintegrando e, também sacar,  qual o problema dele ter caído da cachoeira depois disso. Mas como disse, todos os motivos se tornam claros com o avanço da história.

Depois do início que parece sem sentido, somos apresentados a um casal de arqueólogos,  doutora Elizabeth Shaw e doutor Charlie Holloway, no ano de 2089 que desvenda algo que mudará a história da humanidade: uma “constelação” que aparece em vários desenhos de culturas que nunca se comunicaram entre si e que  tinham de distância. Com uma análise, descobre-se que essa “constelação” é um mapa de luas em uma galáxia tão distante que seria impossível de ser visto a olho e esses povos não tinham tecnologia avançada para vê-lo. Essa descoberta leva os arqueólogos a pensarem que extraterrestres visitaram a Terra e há tantas eras, que o casal suspeita que eles estejam envolvidos com o surgimento da humanidade, por isso o casal os nomeia como “Engenheiros”.

Peter Weyland, um cara trilionário com a mais rica multinacional do mundo, interessa-se pela descoberta e patrocina a expedição para a lua que mais se parece com a Terra, que é o lugar mais provável dos Engenheiros estarem. Como a viagem para uma outra galáxia é longa, pulamos direto para uma cena no ano de 2093, onde somos apresentados ao androide David, responsável por monitorar o andamento da nave Prometheus e as vidas dos tripulantes que estão dormindo em criogenia (dois anos e meio de viagem, eu preferiria dormir também, assim não ficaria louca). David foi criado para parecer humano, então ele faz atividades cotidianas como ver filmes (ele ama Lawrence da Arábia e pinta o cabelo de loiro para parecer com o Lawrence), fazer ginástica, comer e beber (apesar de não precisar de comida ou bebida, ele é um robô). Após a introdução de David, o computador da nave Prometheus avisa que eles estão próximos da lua a ser desbravada e David acorda todos os tripulantes para se prepararem para a entrada na atmosfera da lua, receberem a mensagem do Peter Weyland, conhecerem uns aos outros e saberem a razão de estarem nessa viagem (com exceção de Shaw e Holloway).

Durante a aterrissagem, o dr. Holloway vê um uma “montanha” esculpida e afirma que lá

Os desbravadores.

estariam os Engenheiros ou dos restos deles, porque não consta nada no radar da nave. Após aterrissarem, os especialistas (que incluem os doutores Shaw e Holloway, David, um geólogo e um biólogo) descem para investigarem a estranha estrutura de pedra e descobrem que os Engenheiros morreram fugindo de algo ou alguma coisa que os ameaçava. No meio do caminho, eles ainda encontram o corpo decapitado de um dos Engenheiros e um local cheio de vasos estranhos que depois de receberem fonte de calor, começam a soltar uma gosminha preta (sacaram? GOSMINHA PRETA). Daí por diante começa uma sucessão de, perdão pela palavra, merdas (que não vou explicitar aqui para não tirar a graça do filme) e a medida que os tripulantes vão esclarecendo os motivos para o desaparecimento dos Engenheiros, eles começam a se perguntar qual era a verdadeira intenção deles ao criarem os humanos…

“Tá, legal, você escreveu sem parar e não falou o mais importante. O que você realmente gostou do filme, dona Valéria? O que você não gostou? E qual sua crise existencial?”

Para começar, os diálogos são geniais. Dou destaque para uma conversa entre o David e o Holloway, em que o androide pergunta ao arqueologista até onde ele iria para saber a verdade sobre o surgimento da humanidade e por que os humanos criaram David, é interessantíssimo quando David questiona se Holloway não ficaria decepcionado se recebesse a mesma resposta que David recebeu.

Este diálogo leva para o segunda coisa que mais gostei no filme: David.

Minha gente, ele é o melhor personagem do filme, até mesmo sendo um babaca, não tem como não gostar dele de tão interessante e sedutor que o androide é. Michael Fassbender é um dos melhores atores da atualidade e, definitivamente, esse foi um dos papéis mais perfeitos dele.

Aliás, o elenco estava excelente, e assim como o Michael,  a Noomi Rapace está sensacional como Elizabeth Shaw e atuando com louvor (mesmo eu detestando a personagem), nunca me esquecerei da cena do parto, que tenho certeza de que entrará para a história do cinema e da ficção científica. O que me decepcionou um pouco é que parece eles trabalharam tanto com os personagens David e Shaw, que se esqueceram de tomar o mesmo cuidado com os outros… Foi um desperdício, principalmente quando eles tinham um elenco de primeira na mão para usar e abusar. Tudo bem, foram duas horas de filme, dou um desconto, mas ainda fiquei chateada.

Destaque honorário para a maquiagem: li o nome do Guy Pearce nos créditos iniciais, mas só fui saber quem  era ele nos trinta minutos finais…

Quem estiver esperando um Alien: O Oitavo Passageiro reloaded, pode começar a tirar o cavalinho da chuva. Prometheus tem que ser assistido como um filme a parte, ainda que explique o surgimento do Alien, dá para perceber que é uma história que se passa apenas dentro do mesmo universo e há tantas outras coisas a serem respondidas que o Alien fica em segundo plano. Estou agoniadíssima para que confirmem o segundo filme, porque quero respostas (e rápido, hahaha).

E qual foi minha crise existencial? Bom, depois do filme, fiquei com as seguintes perguntas na minha cabeça: “Se soubesse da vida fora do planeta, eu tentaria entrar em contato? Eu faria de tudo para obter respostas? Se houvesse a oportunidade de descobrir como e a razão do surgimento da humanidade, eu correria atrás dela? Eu quero realmente saber a resposta para essas coisas?”. Ainda não sei a resposta e toda vez que estou à toa me questiono isso, o que é uma dor de cabeça. u.ú

Apesar de toda a minha recomendação e ressalvas, espero que vocês assistam esse filme sem expectativas. Com certeza, eu aproveitei Prometheus bem mais por não esperar tanto dele (a não ser o óbvio claro).

Classificação: quatro Davids

Trailer do filme:

Viral: http://www.weylandindustries.com/

Artigo muito muito perfeito do Wired com parte dos meus sentimentos: http://www.wired.com/underwire/2012/06/prometheus-science-faith-creationism/all/1

Comentários
Val

A Rainha do Contra e das Reclamações. Quando não está discordando ou reclamando da Vida, do Universo e Tudo o Mais, pensa em como sobreviver à uma invasão zumbi. Toma banhos iluminadores e protege o mundo das Temíveis Criaturas que Vivem em seu Quarto.

  • Bell

    Ok, eu estava sem saber se eu veria esse filme ou não porque nunca vi Alien, mas depois dessa resenha só tive mais vontade ainda de ver >-< Ahhh! Acho que vou arrastar a Bia para ver esse fim de semana. Essa estratégia de não revelar muito da história e fazer virais também foi usada com A Origem que é um dos meus filmes favoritos... se seguir um padrão, acho que vou gostar desse filme tanto quanto você, V. ._.

  • Patrícia

    Também nunca vi Alien. Sempre quis, mas como quero ver muitos filmes acabei adiando esse (pelo menos, baixei e vou ver ainda essa semana). Sei do valor de Alien pro cinema sci-fi. Embora eu não seja a louca desse tipo de filme, Prometheus me impressionou muito com seus teasers, trailers. Sua resenha está muito boa, me deu mais vontade ainda de assistir.

  • rodrigo

    Meu, o filme é bom, mas não entendi muita coisa! Porque o engenheiro tomou aquela gosminha,e se jogou na cacheira? do que os engenheiros estavam fugindo? Porque aquele biologo quando a cobrinha entrou dentro dele, ele virou uma especie de zumbi.... O filme deve algumas respostas, que pelo menos assistindo uma vez só não consegui entender

  • Val

    Alien é tão legal!\o/ Aproveita que você já é grande o bastante para não se assustar com o filme!(passei alguns traumas por ter assistido nova, só fui ver novamente com 16 ou 17 anos... ;_;) Fico mais que feliz que você tenha gostado da resenha, Patrícia :3

  • Val

    Oi, Rodrigo! O filme é bom mesmo, né? ;P Por sinal, você fez as mesmas perguntas que meu irmão, hehehe. :P Então, vamos as respostas! 1- Ele não se jogou na cachoeira de propósito, ele acabou caindo enquanto sentia dor por ter seu DNA sendo transformado. E o troço preto que ele tomou era tipo uma bebida que faria os Engenheiros mais fortes só que deu errado. 2- Eles estavam fugindo de qualquer coisa viva que tinha tocado naquela gosma preta, você viu que tudo vivo que tocava naquilo morria ou ficava com o DNA alterado e se tornava algo extremamente mau e assassino? =/ Acredito que aquela gosminha tinha vida própria e era má e precisava apenas de um corpo. 3- Então, como eu disse, aquela gosminha má só precisava de um corpo. Acho que o biólogo sofreu o mesmo processo que o Engenheiro sofreu no final do filme: ele misturou o DNA para criar algo mais forte e resistente. Expliquei tudinho? :*

  • Patrícia

    Assisti Alien hoje! Achei bem legal mesmo, dá uns sustinhos (corte de câmera, gritos), o suspende prende... Espero que Prometheus seja algo perto disso!

  • Val

    Alien...! *¬* Prometheus não assusta como Alien, ele dá mais crise existencial que susto, mas tem umas cenas que...NUSSA, DÁ ATÉ ARREPIO. A cena do parto foi a mais... é. Nunca me esquecerei dela, hahaha. =P

  • Val

    Assistiram? Gostaram? \o/

  • Andrea

    Eu assisti o filme ontem e não curti. O.O E olha que eu gosto do Alien, mas não consegui parar de fazer comparações entre os filmes. Fora que a cena do biólogo e do geólogo dando piti e "indo embora" e a cena final da nave me deixaram orly? Porque né, super achei clichê. Algumas cenas realmente são bem bonitas, mas só isso, não salvou o filme pra mim. E eu pensei que o Guy Pearce fosse o Charlie, mas aí o Weyland apareceu e eu, "aaaah, então aí está você". :)

  • Val

    Percebi que a maioria das pessoas que não gostaram de Prometheus,compararam esse filme com Alien... :/ Como disse na resenha, os dois filmes se passam no mesmo universo, mas as histórias são completamente diferentes. É só minha opinião, mas acho crueldade pegar um clássico como O Oitavo Passageiro como base de comparação, porque a maioria dos filmes sci-fi da época (e muitos atuais) e até mesmo com os outros Alien não são muita coisa perto dele. Ele é incomparável(*-*). Demorei muito para perceber o Guy era o Weyland D: ... Mas a maquiagem estava tão boa e eu consigo ser tão lerdinha às vezes que só no fim do filme que reparei que ele era ele, uahsuahs XD

  • Julia

    Nossa, eu tinha pensado que aquela gosminha era material geneticos dos aliens e que eles estavam fugindo daqueles outros aliens meio polvos sabe? Tipo, como se eles tivessem ido para aquele planeta para criar os humanos e tal só que quando chegaram lá aquela planeta já era habitado pelos "polvos" então eles tentaram se salvar se prendendo naquela camera - e os que morreram não tinham conseguido chegar a tempo - e o alien do começo... Eu tinha achado que ele tinha tomado o material genetico para espalhar na terra mas não tinha dado certo... Sei lá, não fez muito sentido agora que eu estou pensando .-. kk

  • Joan

    Achei totalmente o contrário, nunca vi alien, nem me interessei, mas de estória este filme não fazia sentido nenhum, e pra todos que falei que não gostei, me falaram que era porque não vi alien. Prometheus foi o que roubou o fogo dos deuses e foi penalizado por isso, assim como Lúcifer e todos os avatares de todas as culturas, que tentaram levar a luz (o conhecimento) aos profanos, não tinha nada de mitologia e filosofia no filme pra fazer juz ao título, não chega nem perto do que foi a estória de Matrix pra mim pra consideram um marco na história dos filmes. O velhinho louco fala isso numa cena em 20 seg e pronto, mais nada. Nada pessoal, apenas minha opinião.

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