Subestimado: Maluca Paixão (All About Steve)

Certo, então um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, de verdade, sem piada, é Maluca Paixão. Aquele filme com a Sandra Bullock e o Bradley Cooper que todo mundo fala mal.

Eu costumava ficar muito revoltada com isso, mas aí me dei conta de que o simples fato de o filme ser tão criticado é prova de que ele tem um ponto válido.

OK. Um pouco de contexto para quem não assistiu ao filme (não se preocupem, falarei uma sinopse breve normal, e não a história inteira do filme, então vai ser sem spoilers)

Mary (Sandra Bullock) é uma fazedora de palavras cruzadas (tem um termo pra isso, mas me fugiu o nome agora) e ela é bem peculiar no seu jeito de agir e vestir, e basicamente é considerada uma loser pela grande maioria de pessoas que conhece. Até que um dia ela vai num encontro às cegas com Steve (Bradley Cooper), e ele acha a Mary super gata e tals, mas quando as coisas começam a ficar quentes, ele meio que percebe que ela é meio doida e decide terminar o encontro, inventando uma desculpa de que vai sair da cidade por causa do trabalho (ele é um cameraman) e ela não pode ir junto, e que isso era uma pena, mas a vida é assim mesmo. No dia seguinte a Mary faz um caça-palavras onde todas as respostas são relacionadas aos Steve e SUPRESA! SURPRESA! Ela é demitida. Agora que ela está sem trabalho, ela decide ir atrás do Steve, porque ela tem certeza que eles são almas-gêmeas. E aí começa uma roadtrip bem doidona e engraçada.

Certo. Então tem os motivos óbvios de eu gostar desse filme: os personagens são bem feitos e legais e engraçados e cativantes, a história é uma graça, a trilha sonora é linda, o cenário da roadtrip é legal, e as aventuras são todas loucas e esquisitas. Mas mais do que tudo, o filme mostra pessoas que são diferentes. Tipo, eu sei que TODAS AS PESSOAS são diferentes, mas estou me referindo ao tipo de pessoas que se comportam de forma  “não adequada” com o que aqueles a sua volta esperam. Pessoas que se vestem “esquisito”, ou tem um hobby “diferente”, ou pensam em outro nível que não é muito aceito pela “grande maioria”.

Mas o que o que o filme realmente levanta é: o que é normal?

A música que passa nessa cena é uma das melhores músicas do UNIVERSO! Chama "I Will Follow Him"

Minha vida inteira eu fui essa pessoa “exótica” na vida dos meus amigos, porque sou introvertida e escandalosa ao mesmo tempo, e falo de coisas diferentes, e tenho pensamentos aleatórios e tal. E minha vida inteira eu pensava que existiam apenas dois tipos de pessoam: os que me odiavam, porque eu sou muito OUT THERE. Ou aqueles que simplesmente me ACEITAVAM, mesmo quando eu estava sendo “absurda”, porque “é só a Dayse, ela é assim mesmo.”

E eu sei que ACEITAR as pessoas parece ser uma coisa positiva, mas eu cheguei a conclusão que é uma coisa bem NEGATIVA quando você adiciona esse tom de condescendência na sua aceitação. Como se a pessoa tivesse um problema mental. Como se você estivesse fazendo UM FAVOR em aceita-la. E é por isso que eu amo tanto esse filme, e ele me faz chorar muito e sei lá (sou cheia dos traumas de infância, daí quando um filme super toca uma ferida, eu choro mesmo que nem uma idiota), é um filme que fala sobre aceitar diferenças DE VERDADE, entender que nem todo mundo consegue seguir a mesma NORMA e que não existe ninguém NORMAL.

De verdade. Se vocês já assistiram o filme e não gostaram, tentem assistir de novo e analisá-lo dessa forma. E se vocês ainda não assistiram, assistam. É realmente um filme muito bonito.

E termino o post com minha citação favorita do filme:

On the journey of life, just find someone as normal as you – if not a whole bunch.

(Na jornada da vida, simplesmente ache alguém tão normal quanto você – se não um MONTE)

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