AUTORA: Diana Wynne Jones
EDITORA: Galera Record
PÁGINAS: 304
LÍNGUA: Português
NOME ORIGINAL: House of Many Ways

“Quando Charmain Baker concordou em tomar conta da casa do tio-avô William. enquanto ele se recuperava de uma doença. Ela imaginava que ganharia liberdade longe da sombra dos pais e tempo livre para mergulhar em seus livros. Mas o que a jovem não sabia era que cuidaria de uma casa que escondia uma infinidade de quartos e corredores, além de um cachorro mágico e um jovem aprendiz de mago bem atrapalhado.

Agora ela está sendo perseguida por uma criatura mágica aterrorizante e precisa acompanhar o rei e sua filha na busca pelo misterioso dom de Elfo, que pode vir a salvar o reino. E, nessa aventura, os personagens de O Castelo Animado também estão por perto — Sophie, Howl e o demônio de fogo Cálcifer tentarão ajudar Charmain a desvendar os mistérios que envolvem a família real de Alta Norlanda, mas, como de costume, vão acabar arrumando muita confusão”

Esse livro é o último da trilogia Castelo Animado, vocês podem conferir as resenhas dos dois primeiros livros - O Castelo Animado O Castelo no Arrespectivamente - no blog. Não é necessário a leitura dos dois anteriores (as histórias são fechadas apesar de  apresentarem personagens recorrentes como a Sophie, o Howl e o Cálcifer), mas seria legal se eles fossem lidos para melhor compreensão da história, assim ninguém se perde no enredo do livro. E não se preocupem que a resenha não tem spoilers das outras obras, viu?

Agora que todos os pingos nos “i”s foram colocados, vamos à resenha! XD

Normalmente, continuações (principalmente continuação de continuação) costumam perder um pouco a graça (não sei dizer se é o autor que se cansa de escrever aquilo ou se  a obra vira mais do mesmo), contudo, o universo e os personagens da trilogia Castelo Animado são tão imprevisíveis e divertidos que não tem como não amar A Casa dos Muitos Caminhos tanto quanto seus livros anteriores.

A história começa com Chairman Baker, uma garota viciada em livros, mimada, completamente geniosa, cujo sonho é cuidar e organizar a biblioteca real – por sinal, ela até envia uma carta ao rei solicitando o cargo -, que precisa cuidar da casa de seu tio-avô, o mago William Norland, que está fora para se tratar de uma doença misteriosa. O problema de cuidar da casa é que ela está uma completa bagunça e Chairman sequer sabe como funciona um fósforo para acender um fogão e, para piorar ainda mais a situação, a casa é cheia de magia – com direito a portas e corredores que levam para qualquer lugar no espaço e no tempo – e desde pequena, a garota foi ensinada por seus pais que a magia não é nada certo e é algo completamente vulgar. O mais engraçado de tudo isso é que a Chairman é uma pessoa completamente mágica, ainda que não tenha nenhuma noção disso e muito menos da magia que a rodeia, e de uma forma completamente estranha, todas as coisas funcionam ao redor dela.

Nos primeiros dias dentro da casa, ela passa mais tempo cuidando e brincando com a cadela Waif do que fazendo o que deveria fazer. A rotina só começa a mudar depois dela ter tido um encontro repentino com um Luboque – uma criatura muito, mas muito má que quer dominar o reino da Alta Norlanda (e quase consegue) -, uma briga com o kobold Rollo e quando Peter Regis aparece dizendo que é o futuro aprendiz do mago Norland (tio-avô da Chairman). Umas das partes mais divertidas do livro é a infinidade de discussões inúteis entre Peter e Chairman, ou por ele não saber diferenciar a esquerda da direita ou, porque os feitiços dele sempre dão errado. Aliás, Peter, de alguma forma, vira o doméstico da casa no meio das discussões.

Em meio a tudo isso, Chairman ainda é aceita para ajudar a catalogar e organizar a biblioteca real e acaba envolvida em um mistério sobre o desaparecimento do ouro do rei.  A jovem acaba conhecendo Sophie Pendagron (siiiim, aquela Sophie! <3), o Mago Howl (SEU LINDO! *-*), o Cálcifer e Jamal e seu cãozinho, além de se envolver com um príncipe maligno enquanto ela tentava descobrir sobre o paradeiro do ouro.

Para variar, o enredo é tão cheio de reviravoltas e imprevisibilidades que, ainda que você saiba que tudo acabará dando certo, é simplesmente impossível imaginar como será o final.  Falando em imaginar, umas das minhas maiores diversões no livro é tentar descobrir com qual forma o Howl vai aparecer, porque ele está sempre mudando de forma ou a cor do cabelo.

A Casa dos Muitos Caminhos, ao contrário do primeiro e do segundo livro, não tem tanto romance e, sinceramente, a história é tão completa que não faz falta. É divertido que tenha um romancezinho? É, mas não deixa uma trama menos legal por não ter tanto enfoque nele.

Os personagens continuam carismáticos e como em todos os livros da Diana, eles beiram ao absurdo, e de uma forma mais absurda ainda, eles são bem verossímeis. E não se enganem, apesar de o livro ter uma leitura tranquila, é não é nada difícil confundir os personagens, como comentei antes, a trama ter muitas reviravoltas e se embolar no meio delas é fácil.

Ainda estou de coração partido com a morte da Diana, apesar de ter um pouco mais de um ano que ela nos deixou, foi só agora, depois de ler esse livro, que realmente caiu a ficha de que não haverá mais livros com aventuras envolvendo o Howl, a Sophie, o Cálcifer e aquele mundo maravilhoso que ela criou. 

A Casa dos Muitos Caminhos é um lindo desfecho para a trilogia e tão perfeito e épico quanto O Castelo Animado e O Castelo no Ar.

Nota: Quatro Infectados com Ovas de Luboque

P.S: A capa é muito fofa e a tradução e a revisão estão de ótimas! A Galera Record está de parabéns pelo trabalho feito nessa obra, mas tenho uma reclamação: o preço. Assim como os outros dois livros, o preço deste está bem salgado (R$ 44,90).

P.P.S: A Galera Record noticiou sobre tumblr para divulgar o trabalho da autora. Quem quiser conferi-lo clique aqui.