Se vocês se interessam por histórias com um final feliz, é melhor ler outro livro.

Na longa espera entre um livro de Harry Potter e outro, a Jovem Bell buscava outros livros para preencher o seu vazio. Foi nessa época que ela descobriu várias outras séries voltadas para o mesmo público, como Artemis Fowl e Os Karas. E, um belo dia, viu um livrinho pequenininho e bonitinho chamado “Mau Começo”.

O trecho da estrada que sai da cidade, passa por Porto Enevoado e vai até a aldeia vizinha de Tédia, talvez seja o mais desagradável do mundo.

Mal sabia ela que ao comprar o primeiro livro das Desventuras em Série, embarcaria num mundo meio bizarro e assustador, mas deliciosamente atraente para o seu pequeno eu. Começando pelos personagens: Violet, uma garota que inventava; Klaus, um garoto que lia e Sunny, uma bebezinha que morde tudo.

Se vocês não soubessem grande coisa sobre os órfãos Baudelaire e os vissem sentados sobre as suas malas no Cais de Dâmocles, poderiam pensar que eles estavam a ponto de iniciar uma emocionante aventura.

Definitivamente não é esse Baudelaire.
Definitivamente não era esse Baudelaire

A mãe da Jovem Bell também adorou ver que sua filha estava lendo um livro que falava sobre os “Órfãos Baudelaire” e alguns amigos delas perguntavam o tempo todo se era a história dos filhos do Charles Baudelaire. Foi por causa disso que a Jovem Bell descobriu quem diabos era esse tal de Baudelaire que todo mundo parecia conhecer e não era da família dos Órfãos B.

Em algum momento da vida – na verdade, muito cedo – um livro pode lhes cair nas mãos e vocês hão de notar que a primeira frase pode revelar o tipo de história que será lida.

A Jovem Bell também relata ter aprendido várias palavras novas e difíceis com os livros (como Ersatz), além de gostar muito de todas as vezes em que os capítulos começavam com o Menorzinho dos Elfos. Além disso, ela usou referências da série por toda a sua juventude, chegando a nomear um amigo que era idêntico ao Klaus de “Klaus” e chamar a sua amiga pequena de “Menorzinha dos Elfos” (A Jovem Bell não era muito sensível quanto aos sentimentos dos outros).

Se vocês tivessem que dar uma medalha de ouro para a pessoa mais detestável do mundo,  certamente o prêmio iria para Carmelita Spats e, se vocês não lhe dessem a medalha, Carmelita Spats era o tipo de pessoa que a tomaria de qualquer maneira.

Seria este homem Lemony Snicket?

A genialidade da série está não só no fato de ser uma série em que só acontecem desgraças voltada para crianças, como também na forma como o Lemony Snicket escreve. O Lemony é um personagem (e a Jovem Bell só descobriu isso quando era não-tão-jovem assim) da história, assim como os Baudelaires, os Quagmires, o Conde Olaf e as outras pessoas. E ao longo dos treze livros da série (treze, alguém? O último livro foi lançado numa sexta-feira treze) nós vamos descobrindo não só as desventuras dos Baudelaires, como também deduzindo pedaços da história do Lemony Snicket.  Ainda assim, quando a série acaba, resta a pergunta: quem diabos é o Lemony Snicket? Por que ele está narrando uma história tão funesta e terrível como a dos Baudelaire?

O livro que você está segurando nas duas mãos neste momento – presumindo que esteja, de fato, segurando este livro, e que você só tem duas mãos – é um dos livros no mundo que mostram a diferença entre ‘nervoso’ e ‘ansioso’.

Conde Olaf como Jim Carrey. Ou seria o contrário?

Apesar de funesta e terrível serem palavras para descrever a saga dos Baudelaire, os livros são muito legais. Sabe quando você é pequeno e quer ler coisas sobre pessoas da sua idade fazendo coisas incríveis? Então, os Baudelaire são pessoas normais, com habilidades específicas. E eu confessor aqui e agora: A Jovem Bell queria ser uma Baudelaire. Não no sentido de ser órfã e ser jogada de lugar em lugar, indesejado, e ter que combater um vilão terrível que foi interpretado pelo Jim Carrey (parte mais assustadora do Olaf, certamente) nos cinemas, mas sim no sentido de usar o que ela tem para superar dificuldades. Porque as dificuldades que os Baudelaire enfrentam certamente não são fáceis! Ainda assim, os três juntos sempre conseguem se safar.

Não importa quem você seja, não importa onde você more, e não importa quantas pessoas o estejam perseguindo, o que você não lê é muitas vezes tão importante quanto aquilo que você não lê.

Outro aspecto que a Não-Tão-Jovem Bell observa, anos depois da leitura da série, é que a história é sobre irmandade. Porque os irmãos Baudelaire estão juntos sempre e, não importa o que aconteça, um sempre irá salvar o outro. Porque é isso que irmãos fazem. E mesmo que seja voltado para um público da idade da Jovem Bell, a história é envolvente e recheada de referências que têm apelo para um público mais adulto.

Existem duas razões porque um escritor terminaria uma frase com a palavra “ponto” escrita toda em maiúsculas PONTO.

Uma coisa que a Jovem Bell só descobriu quando aprendeu inglês e descobriu que todo livro tem uma página com créditos, que incluem o nome do tradutor e o título original do livro, é que todos os livros em inglês tem nomes que começam com a mesma letra. Por exemplo: Mau começo é Bad Beginning. A Sala dos Répteis é Reptile Room. Além disso, todos os livros terminam com uma carta do Senhor Snicket para o seu ilustríssimo editor, com instruções do que ele tem que fazer para poder conseguir o próximo livro.

Sempre que termina mais um dia de trabalho, e já fechei o caderno, escondi a caneta e providenciei buracos na minha canoa alugada para que ninguém possa encontra-la, gosto de passar a noite conversando com alguns poucos amigos que sobreviveram.

A trama de Desventuras em Série é bem complexa, com intrigas, traições e mistérios que são resolvidos ao longo dos livros da série. Quando a Jovem Bell lia os livros, ela ficava se perguntando porque era que os Baudelaire mudavam de casa o tempo inteiro, para ficar com pessoas que eram parentes desconhecidos. Descobrir o motivo disso foi uma das coisas que talvez ajudaram ainda mais a ela se apaixonar por livros. Imagina só, você está há 7, 8 livros lendo a série e juntando pedaços quando – PAN – as coisas se encaixam!

Um conhecido meu escreveu um poema chamado ‘O caminho menos percorrido, que descreve uma viagem através dos bosques por um caminho praticamente desconhecido da maioria dos viajantes.

Talvez a série tenha tido o seu momento de glória quando adaptaram os três primeiros livros em um filme com o Jim Carrey como conde Olaf e a Emily Browning como Violet Baudelaire. O filme é bem fiel aos livros, com adaptações necessárias, mas, na opinião da Bell (Jovem e Não-tão-jovem), o Olaf de Carrey é MUITO caricato. Mais do que o pedido pelo personagem. Olaf pode ser uma criatura vilanesca e teatral, mas não da forma que foi retratada. Fora isso, uma das coisas que irritou a Bell foi o Klaus não usar óculos o tempo todo – mas, convenhamos, isso é bobagem. Outra coisa que tirou um pouco do impacto é o fato da Violet não parecer ter 14 anos, por motivos que somente os que leram o primeiro livro e/ou viram o filme entenderão (A Bell se furta a fazer comentários adicionais por temer pela sua segurança pessoal).

Depois de passar um bocado de tempo examinando oceanos, investigando tempestades e perscrutando severamente diversos bebedouros, os cientistas do mundo desenvolveram uma teoria a respeito de como a água é distribuída pelo nosso planeta, a qual chamaram ‘ciclo das águas’.

Se você chegou até aqui e ainda não percebeu a ligação desse post com a semana Handler, eu recomendo que permaneça assim. No momento em que escrevo esse post, estou escondida embaixo da cama, usando um taquígrafo para mandar a mensagem codificada para a Dayse poder postar no blog. Desde que descobri a informação que relaciona o Sr. Snicket ao Sr. Handler, venho sofrendo várias perseguições e não vi escolha se não fugir.
Fuja enquanto pode.

Já disseram que o mundo é uma lagoa calma, e que toda vez que alguém faz uma coisa, por mais ínfima que seja, é como se uma pedra caísse nessa lagoa e espalhasse círculos de ondulações cada vez mais distantes, até que o mundo inteiro ficasse alterado por uma minúscula ação.

PS: [intromissão da Dayse com um BREVE VÍDEO –  empolgado de quem acabou de descobrir os efeitos do movie maker  – com uma das coisas que mais gosto de DeS]

Se alguma vez você já descascou uma cebola, sabe que a primeira camada, fina e papirácea, revela outra e mais outra, e antes que você perceba, terá centenas de camadas espalhadas pela mesa da cozinha e milhares de lágrimas nos olhos, e lamentará ter começado a descasca-la e desejará ter largado a cebola para murchar na prateleira da copa enquanto você prosseguia com a sua vida, mesmo que isso significasse nunca mais desfrutar o sabor difícil e avassalador dessa hortaliça estranha e pungente.

(Observação Final:  As citações desse post são a primeira frase de cada um dos livros da série, em ordem, de Mau Começo a O Fim, incluindo a biografia não autorizada do Lemony Snicket, como você pode ver aqui –

Na posição de representante oficial de Lemony Snicket para todos os assuntos legais, literários e sociais, muitas vezes sou solicitado a responder perguntas difíceis, mesmo quando estou com pressa.

E, se alguém perguntar, você não descobriu que o Daniel Handler é o autor de Lemony Snicket por mim)