Martelo das Bruxas ou Malleus Maleficarum é um manual de como identificar as bruxas e feiticeiras publicado em 1487 no período da caça às bruxas na Europa. Foi escrito por dois
monges dominicados: Heinrich Kraemer e James Sprenger. Na própria coletânea, o Duda Falcão escreve com mais detalhes e riqueza sobre o Martelo das Bruxas e seu papel na história, fazendo uma consideração sobre este manual estar entre a luz e as trevas.
Sério, quando vi que esse era o tema do terceiro volume de Sagas (vocês podem as resenhas dos volumes 1 e 2, aqui e aqui) fiquei altamente empolgada. Se tem um tema que nunca vou deixar de gostar é o de caça às bruxas da Europa medieval. É tão horripilante e interessante ao mesmo tempo! *-* Até as histórias ruins são divertidas (vide o filme Caça às Bruxas)! \o/
Agora chega de explicações e enrolações e vamos ao que interessa! =D
Mais uma vez, esse volume de Sagas tem 5 contos. Sendo eles, respectivamente:
- Cada História Tem… por Christopher Kastensmidt
- O Quão Forte Pode um Gigante Gritar por Ana Cristina Rodrigues
- Encruzilhada por Douglas MCT
- A Justiça Desse Mundo por Ana Lúcia Merege
- Missa Negra por Duda Falcão
O conto de Christopher (Cada História Tem…) se passa em Olinda e é sobre uma bruxa, Beatriz Leitão, casada com um homem respeitável que nem imagina sobre as atividades extracurriculares da esposa, mas isso não quer dizer que suas preferências tenham passado batidas. Elas ficaram muito evidentes para o inquisitor português Pedro Luiz que fará o possível para que Beatriz pare com a bruxaria pelo bem de seu esposo. Uma das coisas que mais gostei no conto é que ele foi escrito por um estrangeiro (Christopher é de Houston – EUA) e se passa no Brasil! *o* Fiquei muio emocionada com isso, sério! E o conto é muito bem escrito e prende do início ao fim. Outro ponto positivo é que no início de cada cena, você sabe qual papel o personagem está tomando, se ele estiver agindo como um inquisitor ou uma mãe ou uma bruxa ou como uma pessoa vingativa, você vai saber. É como se mostrasse as várias facetas de um mesmo personagem. Adorei esse recurso!!
O segundo conto, O Quão Forte Pode um Gigante Gritar, é a história de um Fomori (Fomori ou Fomoire é uma raça semi-divina de gigantes que nas lendas dizem ter habitado a Irlanda nos tempos antigos) que quebrou duas vezes um pacto estabelecido por um conselho de seres encantados e não pode mais ir às florestas. A narrativa é basicamente sobre a segunda vez que esse Fomori quebrou o pacto e explica o porquê dele sempre ouvir um certo grito ao dormir. No livro inteiro, essa foi a história mais diferente de todas, pela autora ter mostrado todo um aspecto ecológico da expansão humana. O mais legal é que a Ana Cristina (a autora =D) fez isso de forma sutil, sem ser nenhum pouco eco-chata e sem fugir ao tema. A Ana Cristina também te descreve um mundo mágico inteiro em apenas um curto conto e o faz com muito louvor!O Quão Forte… surpreende muito com aquele final! Eu torci muito para que o Fomori fizesse o que ele fez, mas estou tão acostumada com os clichês que quando ele fez o que eu queria com a bruxa lá (não vou entrar em detalhes XD), fiquei completamente de boca aberta!! Amei o conto!
Encruzilhada, o terceiro conto, narra a saga de duas irmãs, Mara e Koliada, que guiadas por um gato chamado Noite, cumprem tarefas para serem aceitas em um coven (grupo de bruxos unidos por um laço mágico, físico e emocional). Ao ler este Encruzilhada, é preciso ter em mente a mini-descrição de coven que escrevi, para que haja confusões com o final. Na verdade, não posso avaliar a história do Douglas direito, porque eu tenho uma queda por tudo relativo a Baba Yaga, minha entidade eslava favorita, mas assim, antes dela aparecer, eu estava gostando muito do conto e não conseguia soltar o livro até o fim dele… Acho que isso é dizer muito considerando o momento em que a Baba Yaga aparece na narrativa. XD
O quarto conto, A Justiça Deste Mundo, conta a história do reverendo Benjamin, que é primo de um homem preso por ter sido acusado de ter envolvimento com o diabo. Por ordens de sua mãe, Benjamin precisa visitar o primo, Nicholas, e garantir que ele esteja sendo bem tratado e em uma de suas visitas, Nicholas pede para que o reverendo passe uma certa mensagem para sua noiva, Agnes, e história vai, história vem, Benjamin acaba descobrindo algo que faz com que ele desista de ajudar o primo. Esse foi meu conto favorito do livro, ele é genial!!! A história é muito boa, com muitas reviravoltas e um desfecho de deixar de boca escancarada! *¬* Mas a verdade seja dita, nos primeiros parágrafos, fiquei um pouco com o pé atrás, porque a Ana Lúcia narra de forma muito arriscada, utilizando frases no presente. Esse tipo de narrativa que quando não é bem utilizada, estraga a história inteira. Contudo, a Ana Lúcia usou o recurso muito bem e ela está de parabéns por isso e por ter criado um conto tão perfeito e ótimo!! *-* O único ponto negativo é a citação no início do conto que está em inglês e não tem tradução. =X
No quinto conto, Missa Negra, um homem está relatando a história dos infortúnios que aconteceram em sua fazenda depois de um tempo. Como o enredo se passa nos tempos atuais, o protagonista, no início, se recusa a acreditar nas pessoas da cidade que falam que a culpa das desgraças era bruxaria. No Sagas 2, eu falei que não tinha gostado muito do conto do Duda, contudo nesse terceiro volume, eu simplesmente adorei a história dele!!! Sério, foi o segundo conto que mais gostei na coletânea! E gostei muito como o conto foi dividido, mostrando primeiro a parte dos problemas, depois os comentários das desgraças serem coisa bruxas e o fim inevitável, onde o protagonista está completamente sem saída, o que explica o medo do homem no início do relato. Foi um conto muito bom de ler.
Uma das partes que mais gosto de Sagas é o prefácio e não foi diferente nesse livro, Simone O. Marques escreveu tudo perfeitamente e no fim (e no título) faz um questionamento muito divertido, “Já delatou uma bruxa hoje?”. [chama um inquisitor e fala: Sabe a da juba de leão ali do lado? Uma bruxa. O nome? Pansy Parkinson.]. Gostei tanto da frase que coloquei como o título do post!
Este volume foi o meu favorito dos três! *-*
LEIAM! LEIAM! LEIAM!
Classificação Geral: Cinco bruxas na fogueira.
Este livro foi um oferecimento da Argonautas Editora
Você pode adquiri-lo aqui!
























Pedro Maia
10 de janeiro de 2012
Nossa, achei bem legal, assim, eu gosto muito desses livros de contos, principalmente porque é uma história isolada, rápida de ler, e espero eu, que bem construída. Acho muito bom pra carregar quando for sair, tipo, quando tá esperando por alguma coisa em algum lugar (sou péssimo em descrever situações), aí a gente pega o livro e lê um conto, parece que o tempo de espera encurtou magicamente. Muito legal mesmo um estrangeiro escrever uma história que se passa aqui, muito mesmo. Destaque especial pro segundo conto, adoro gigantes
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Isadora Iwahashi
10 de janeiro de 2012
Adorei a resenha, mas eu tenho meio que um trauma com contos, porque aquele Formaturas Infernais e Amores Infernais eram muuito chatos, só um ou outro que se salvavam… mas quem sabe eu dê mais uma chance para um livro de contos!?
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Renato Augusto Ritto (@renato_rar)
12 de janeiro de 2012
Parece ser bem legal, eu gosto desse tipo de livros com contos e gosto mais ainda se forem de terror.
Eu gostei bastante de Formaturas Infernais, mas enfim. Gosto MUITO de contos, e gostei da resenha.
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Simone O. Marques
13 de janeiro de 2012
Adorei a resenha e que me atraiu quando li o título de meu prefácio! hehe
Te convido a conhecer as bruxas de Paganus.
Beijos!!
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Roger Pereira (Neko)
13 de janeiro de 2012
Mt bom, vou atras do meu^^ Parabéns pela resenha mt bem escrito. Eu tenho um blog também, gostaria de trocar Links com vc, isso é possível? Grato
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Bell disse:
janeiro 13th, 2012
Oi, Roger! Dá uma lidinha aqui para saber como trocar links: http://www.nemumpoucoepico.com/link-nos/
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Ana Cristina Rodrigues
13 de janeiro de 2012
Querida, obrigada pelo comentário sobre meu conto. Eu penei para passar uma mensagem sem ser didática nem chata, que bom que consegui.
Pedro, tbm gosto muito de gigantes – e remexi até achar um tipo legal na mitologia celta.
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