Páginas: 264
Lançamento: 14/10/2011
Editora Companhia das Letras
O ano é 1938, o ápice do Estado Novo, e há um assassino à solta. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e gordas. Seu modus operandi: enchê-las de comida até a morte e expô-las como obras de arte na cidade. Seus nêmesis: um grupo composto por um policial irritado, um ajudante atrapalhado, um português dono de padaria (!) e uma jornalista moderna, inteligente e charmosa. O cenário: um Rio de Janeiro boêmio e aconchegante.
Quando o pânico começa a se espalhar pelas gordinhas do Rio de Janeiro e o seu Getúlio começa a ficar irritado, a única coisa que pode impedir mais uma vítima fatal é estar um passo à frente do sinistro assassino.
Eu li esse livro na casa da minha avó e a pergunta que eu mais recebi sobre ele foi “Ah, que legal! É uma coletânea das entrevistas que ele fez no programa?” ou “Você também assiste o programa do Jô?”.
Começo essa resenha com uma explicação: ao contrário do que possa parecer, o Jô Soares também é um escritor de ficção e tem pelo menos três outros livros, todos eles publicados pela Cia. Das Letras. O Xangô de Baker Street já virou filme. E foi por ter visto o filme do Xangô e adorado que eu decidi ler esse livro quando me deram a opção.
Isso e a sinopse (não a feita por mim. A sinopse original é bem mais legal).
Não pegue esse livro esperando não saber quem é o serial killer. Nós descobrimos isso no primeiro capítulo, porque não é isso que interessa aqui. O que interessa é acompanhar os dois lados da história e como a polícia coloca os pés pelas mãos na tentativa de descobrir o assassino. Eu gosto de suspense dos dois jeitos, mas prefiro quando eles são assim: você sabe de tudo, você fica berrando “SEUS BURROS, ESTÁ ÓBVIO!” enquanto espera que eles consigam a pista que solucionará todo o mistério. Acho que deixa a história mais verossímel, porque você conhece o criminoso tanto quanto conhece quem os busca.
Uma coisa que adorei no livro é a forma como o Jô desenvolve a narrativa. Ele é expert em descrever. Pessoas, coisas, comidas, receitas… Tudo ganha uma forma peculiar, com adjetivos e comparações que são inusitadas. Os assassinatos são narrados de forma brutal, mas sem perder o humor, o que torna o livro uma leitura leve, apesar do tema “pesado” (trocadilho aqui não intencional. A autora não quer insinuar que o fato das vítimas serem obesas torna esse livro um livro de peso).
Apesar da narrativa deliciosa e da descrição minunciosa dos quitutes, a melhor parte são os personagens. Eu achei a motivação do assassino hilária, mas é porque tenho um humor bem mórbido. A forma como ele é descrito, tanto fisicamente quanto psicologicamente, faz ele parecer um morcegão (eu juro, eu juro!) e eu acabei me perguntando como é que ninguém desconfiava dele. O indivíduo era muito estranho, para início de conversa!
Além do nosso vilão, tem o grupo da investigação. Ah, como eu me diverti com o seu Tobias Esteves, o português dono de padaria que se convida para ajudar no caso. Ele é o melhor personagem do livro sem sombras de dúvidas! Apesar de toda a sua comicidade, Tobias acaba se tornando a cabeça pensante por trás da investigação.
Diana, a jornalista, também se revela uma ótima aliada e é uma das poucas figuras femininas que tem um papel de destaque enquanto viva (as gordas, embora sejam o motor da narrativa, estão todas mortas). Acredito que tenha executado o seu papel com louvor, inclusive com um artigo muito pertinente sobre o preconceito contra gordos. Gente, ele existe, tá? Não fique aí rindo não. O gordo é visto como preguiçoso, como se sua condição fosse culpa exclusiva dele.
Enfim, eu ia falando demais e entregando um dos mistérios mais legais do livro: o que uma vítima tem a ver com a outra, além da obesidade? Por que o assassino busca freiras, putas, moças ricas e moças pobres, sem ver a quem? O que é que liga todas elas?
É um mistério divertidíssimo com pitadas de crueldade, nazistas e anões enlouquecidos.
Sem contar com várias pessoas morrendo que nem peixe, pela boca.
(Ah, antes que eu esqueça, o livro tem umas ilustrações muito legais, como os panfletos de certa funerária e o roteiro de uma certa corrida de carro! Ele é muito lindinho.)
Classificação: Quatro tartelletes de morango com muito creme.





















Tassi
27 de janeiro de 2012
Olha, o que me deu de água na boca lendo esse livro, vou te contar..
É engraçado que a história se passa no Centro do RJ, onde eu trabalho, então eu conheço os lugares e algumas lojas (a Confeitaria Colombo realmente é uma perdição para os viciados em doces, meu deus >.<) e fiquei morrendo de vontade de ir ver o que diabos tem no beco dos barbeiros que pode motivar as gordinhas! Agora eu já descobri no livro e perdi a vontade mas, enfim, você entendeu xD
Só achei que narrar 7 assassinatos acabou ficando um pouco enfadonho.. Podiam ter sido menos casos..
Faltam 35 páginas pra eu terminar o livro, se tiver alguma coisa mega interessante depois disso, venho comentar de novo xD
Ah, e Calixto = amorzinho <3
Ri muito com ele!
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Taissa Reis disse:
janeiro 28th, 2012
Ah é, eu indiquei a resenha lá na coluna de links do blog, a Pela Blogosfera =)
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Fellipe
28 de janeiro de 2012
Oi Bell,
esse livro parece ser muito engraçado, to doido para ler, assisto direto o programa do Jô e sei como ele é engraçado, e mesmo não gostando muito de livros de épocas eu quero muito ler, é muito bom quando o autor sabe descrever minunciosamente os detalhes do livros, preciso desesperadamente ler As esganadas!!
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Monica
1 de fevereiro de 2012
As Esganadas parece muito bom mesmmo, a começar pelo título. A conferir =)
Apesar de achar q o Jô exagera no tom sexual, acho os livros dele divertidíssimos! O Xangô foi o primeiro que li e adorei (tava lendo em algum lugar que, quando o livro foi lançado em inglês, muitos fãs de do Sherlock Holmes não gostaram da ‘apropriação’. Eu já lia Sherlock antes de ler o Xangô e acho que gostei mais ainda, por causa disso. Vai entender).
Quando fui ao Rio a primeira vez tb ficava procurando os lugares de q ele fala nos livros, adoro isso! hehe
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Maria Raquel F. Silva
1 de fevereiro de 2012
Eu quero muito ler esse livro. Gosto do Jô, menos quando ele entrevista as pessoas, porque ele SEMPRE corta todo mundo!!
Mas fora isso acho ele uma peça chave no mundo intelectual brasileiro…
Sua resenha só me deixou com mais vontade de ler kk
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