Editora: Galera Record
Lido em Português

Calla Tor é uma alpha, a lobisomem líder da sua matilha. Está destinada a se casar com Ren, outro alpha, para gerarem juntos uma nova matilha, com o dever de protegê-los e fazê-los prosperar para os interesses dos seus patronos, os Defensores. Só que vê o seu mundo virar de cabeça para baixo com o surgimento de Shay, um garoto que ela salvou como quem não queria nada e acaba se revelando uma peça muito maior do mundo de Calla.
Principalmente porque ela parece estar apaixonada por ele.

Eu não sei porque eu me enganei achando que iria amar Sob a Luz da Lua. Quando Nightshade foi lançado, a Larissa (minha guru espiritual) comprou e começou a ler, demorando mais ou menos SEIS MESES para terminar. Como ela normalmente tem problemas com alguns livros que eu gosto, pensei “não, não é possível”. Aí começaram a sair milhares de resenhas dizendo que era ótimo, que era o melhor YA do ano e eu fiquei empolgada.

Por que é que eu ainda faço isso comigo?

Comecei a ler Sob a luz da lua tentando não ter nenhuma opinião pré-formada e terminei com um desejo insano de ter gasto o meu tempo lendo outra coisa. Prestem atenção, a narrativa do livro É envolvente. O mundo em que a história está inserida É interessante, mas os personagens não me cativaram nenhum pouco. Posso abrir numa página aqui que tem “WHAT? WHAT? WHAT?” escrito em letra maiúscula na borda para expressar minha indignação. No meu mundo, se Calla, Shay, Ren e todo o resto explodissem na página seguinte, eu ficaria muito mais satisfeita do que continuar lendo os dramas irritantes deles.

Mas vamos por partes. Durante vários momentos na leitura, eu me senti lendo outros livros. Não sei se é efeito colateral de ler muito, mas tem vários elementos que me lembraram vários livros diferentes (de Firelight a Amante Sombrio, passando incomodamente pela pior parte de Crepúsculo). Eu não consegui acreditar no relacionamento de ninguém com ninguém e na maior parte do tempo, Calla sente “correntes elétricas” e “calor” espalhando pelo seu corpo, sem me fazer acreditar que qualquer coisa que ela sinta é mais do que luxúria.

Aliás, a Calla me decepcionou. O livro me foi vendido como um livro com protagonista FORTE, mas não foi isso que eu vi. Sim, Calla é forte fisicamente e chuta bundas. Sim, ela é uma alpha. Mas não é isso que faz uma mulher forte. A Rose é forte porque além de chutar bundas, ela se posiciona e não leva desaforo para casa. A Katniss é forte porque está disposta a se sacrificar e nenhum homem manda nela. A Sophie (de Castelo Animado) é forte porque quando decide ir viver a sua vida, não deixa que ninguém se meta no seu caminho. Elas erram, porque são humanas. Tem falhas, sim, e aspectos que eu não gosto.

Essa é a capa britânica do livro! Achei mais bonita só porque é mais roxa.

Isso não acontece com Calla. Entendo que viva sob rígidas regras e que tenha que obedecer os alphas, mas ela, ativamente, não toma nenhuma decisão. É sempre impelida pelos outros, é sempre hesitante e engole muita coisa. Calla não tem voz. E ela não parece se importar muito com isso nem com nenhuma outra coisa. Além disso, ela é forçada a se tornar mais feminina para ser desejável, é forçada a se submeter aos alphas por eles serem mais fortes, é forçada a ser submetida às vontades dos defensores sem poder falar nada, por mais que não goste. E, veja bem, nenhuma dessas partes é ativamente criticada. O que a impele a se “rebelar” é o que pode acontecer com o seu amorzinho, Shay.

Ah, o Shay. Ele gosta de Sandman e quadrinhos, gente! Ele é fã de Indiana Jones! Ele é completamente sem sal. As coisas entre ele e Calla progridem numa velocidade absurda, o que dá margens a coisas do tipo “eu nunca te machucaria, Calla” ou “Shay, por favor, você não pode se aproximar de mim” na PRIMEIRA SEMANA em que eles se conhecem. Se você acompanha esse blog a tempo o suficiente, são poucos romances “relâmpagos” que me convencem e esse definitivamente não foi um deles. Não tem como acreditar que o motor propulsor do livro seja um relacionamento que não convença!

Essa é a capa de adultos, talvez? Não sei. Mas é a que mais gostei :)

Há a outra ponta do triângulo, o Ren. Vi muita gente dizendo que gosta dele e tudo o mais e até entendo o apelo que ele pode ter, mas, para mim, ele foi só mais um daqueles protagonistas meio bad boys esperando para serem redimidos pelo amor da heroína que, OH, ama o outro. Isso me irrita porque limita os personagens e a trama. Eu sei que é uma série e que há margem para crescimento e mudanças em outros livros, mas eu não sei se aguento mais uma série YA meio genérica, como Sob a Luz da Lua.

Vou parar de reclamar e ir para a parte que interessa, ok? O livro É legal. Mesmo que eu não tenha me envolvido com os personagens, alguns pontos misteriosos da trama e o desejo de compreender o funcionamento do mundo me mantiveram lendo. Ele flui tão bem que o li em 3 dias, durante as provas, e ele tem mais de 400 páginas. É aquele tipo de leitura indicado para quem, diferentemente de mim, não está de saco cheio do YA paranormal padrão e quer uma leitura divertida e rápida. Digo mais: o elegeria como uma ótima leitura para a praia.

Além disso, a mitologia que a autora cria é muito interessante e talvez seja isso que me motive a ler o resto da série. A Andrea Cremer mistura vários tipos de criaturas sobrenaturais lutando por algo – que não sabemos ainda, é claro – e insere nossos protagonistas como peças essenciais nesse jogo de poder. Como disse antes, foi entender essa estrutura e o funcionamento do mundo que me motivou a continuar a leitura, mais do que acompanhar as desventuras amorosas de Calla&Cia.

Alguns personagens secundários também são interessantes, mas são tão pouco desenvolvidos que não dá tempo de se afeiçoar. Em alguns livros, você os lê pelos coadjuvantes. Eu fazia isso com Crepúsculo, por exemplo. Não me importava se Bella morria, não morria, qualquer coisa assim, desde que pudesse ver um pouco mais da história de um ou de outro personagem. Em Sob a Luz da Lua, isso não aconteceu.

Mas enfim, vocês sabem que eu sou meio masoquista com essas coisas e tenho a esperança que TALVEZ, LÁ NO FUNDO o negócio fique muito legal e me empolgue. Então é bem provável que em um ano vocês vejam mais uma resenha “POR QUE FAÇO ISSO COMIGO MESMA?”…

 O veredito final é: Três veados para alimentar a matilha de lobos.