Lino é um camponês que não se contenta com a vida que tem. Sonha alto: deseja se tornar um dos nobres cavaleiros das histórias que ouve. Para ele, ser um cavaleiro é ser nobre e proteger os outros, além de ser um guerreiro habilidoso. Quando decide fugir para tentar viver o seu sonho, acaba conhecendo um cavaleiro de verdade – e descobrindo que nem tudo era como ele pensava.
Agora, entre decepções e descobertas, uma oportunidade única lhe foi dada. E, com ela, novos perigos são revelados…

Eu não domino a arte de fazer sinopses, mas é mais ou menos isso aí. Com uma linguagem divertida e acessível, O Código dos Cavaleiros nos leva pelas desventuras de Lino. Entenda, ele é um garoto de 15 anos empreendedor. Enquanto os seus irmãos e os seus pais se preocupam mais com o que vão ter no prato da próxima vez, ele está lutando contra vilões imaginários e salvando donzelas inexistentes. Mas o seu sonho é tão grande que ele não desiste ante a impossibilidade. Todos lhe dizem que ele nunca conseguirá ser um cavaleiro, mas ele não aguenta não tentar.

O negócio é que, para ter uma aventura, as pessoas devem se mover, não é?

Nós costumamos dizer que “Ah, o personagem X é burro porque ele foi direto para o perigo” ou “nossa, por que é que você foi atrás desse negócio impossível”, sendo que, na verdade, é aquela idiotice que faz as coisas acontecerem. Eu me peguei pensando nisso bem no início do livro. Por que é que o Lino continua tentando, mesmo quando todos dizem que é impossível? Essa é uma característica dele. Mesmo quando ele percebe que nem tudo é da forma como ele pensou que seria, ele persiste. Acho que foi isso que me fez gostar tanto do livro.

Mas devaneio. O livro é bem rápido, cheio de ações e reviravoltas, me lembrando os melhores livros infanto-juvenis que já li. Uma das coisas que me atraem para eles é exatamente essa capacidade de não subestimar o leitor, ao mesmo tempo em que conta uma história que tem apelo a eles. O Código tem isso. Talvez porque o Leo não estivesse escrevendo pensando exatamente em atingir um público alvo e sim escrevendo uma história que o divirta. Mas está tudo lá: um protagonista com o qual é fácil de se identificar, um mentor que o auxilia pelas dificuldades do caminho, a descoberta do mundo, os companheiros fiéis que ganham a sua simpatia.

Uma coisa que eu achei MUITO legal foi o Código dos Cavaleiros que nomeia o livro. Não vou dizer exatamente o que é para não estragar a leitura de vocês, mas tenho que dizer que foi genial. Além disso, o Código dá margem para pensar e discutir o quanto da história que sabemos hoje é inventada ou maquiada e o quanto se aproxima do real.   Ao longo do tempo, os fatos vão sendo modificados. Preste atenção. Quando você conta uma coisa para duas pessoas diferentes, a história vai se modificando. Um valor duplica, um fato que não ocorreu aparece ali só para tornar a coisa mais interessante, você faz um draminha… Imagina isso ampliado, em histórias que passaram de boca em boca?

Além disso, a história é centrada numa intriga política. Não é um livro cheio de descrições de batalhas e enfrentamentos físico, mas mais reflexivo. Precisamente porque ser um cavaleiro não é ser um bronco que quebra a cara de qualquer um que aparece na sua frente.

Ah, tenho que ressaltar que, embora tenham poucas personagens femininas na história, a que tem é muito legal. Não vou explicar o porquê, mas fiquei surpresa de forma positiva com o papel dela na história. Na maior parte das histórias nesse estilo, as mulheres são donzelas inofensivas e indefesas que só estão lá para serem salvas ou serem o interesse romântico do personagem. Aqui não! Então, por esse motivo, acredito que aquelas pessoas que leem os livros procurando por romance vão acabar se decepcionando (e muito), porque o romance não é o objetivo dessa história.

Uma coisa que achei ruim no livro foi que ele é muito pequeno! Poxa vida. Um pouco depois que eu me empolguei, o livro acabou. Nesse ponto, ele é legal porque termina bem fechadinho, bem amarradinho. É um livro único, para quem vive reclamando de série, mas é tão pequenininho… Poxa vida :’(. Outra coisa que me incomodou, a princípio, foi o início da narrativa. Não sei porque exatamente, mas o primeiro capítulo foi o mais difícil de ler. Achei que era porque o Leonardo adora usar frases como

Um pedaço de madeira na mão, uma panela de barro na cabeça: já estava armado e protegido para as suas próximas aventuras. Três golpes rápidos no ar e um quarto mais forte, esta era sua manobra especial.

Mas lá pelo capítulo três eu já estava adorando isso. Acho que seja porque é o início e a história não engatou direito ainda. Mas, olha só, se você gosta de uma aventura que te diverte ao mesmo tempo que te faz pensar, esse livro é para você!

Classificação final: Quatro panelas de barro!

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