Autora: Libba Bray
Páginas:
396

Editora: Scholastic Press

Jovens rainhas da beleza. Uma ilha tipo a de Lost. Mistérios e perigos. Sem poder acessar o e-mail. E o espírito de competição feroz e violenta que secretamente existe nas garotas, a brutalidade selvagem que só pode ser revelada com uma jornada ao coração das trevas… sem direito à esfoliação de pele. Oh, o horror, o horror! Só que mais engraçado. Com vestidos de noite. E uma contagem dos mortos.

 

Sinceridade: há poucas chances de você me pegar vendo Todo Mundo em Pânico ou Os Vampiros que se Mordam. Não só pelo vago, vago motivo de que muito provavelmente não nos vemos no dia-a-dia, leitor¹. Mas é que não consigo me importar com algo que… bom, com que não é pra se importar. A coisa é que eu gosto de criar uma ligação emocional² com tudo (tipo que chora quando um, sei lá, copo quebra, porque totalmente acha que eles têm sentimentos: eu), e esse tipo de humor simplesmente faz isso ficar, hm, impossível.

… MAS amo A Abadia de Northanger, que é uma grande paródia da ficção gótica. Então tudo depende de como você usa tal recurso cômico.

Vide Beauty Queens.

Quer dizer: participantes de um concurso adolescente de beleza, o fictício Miss Teen Dream, ilhadas. Ok, vamos ao mais poderoso fato: a Libba Bray é demais. Única coisa que li dela além de BQ foi um conto (muito bom!) em Zombies vs. Unicorns, mas nossa breve relação já é o bastante para eu dizer que a adoro com todas as fibras do meu ser. Beauty Queens tem uma premissa que poderia dar margem à uma história cheia de piadas incrivelmente idiotas, páginas e páginas de garotas mostrando quão burrinhas&loucamente competitivas são, etc e tal. Mas n.ã.o.

É um livro incrivelmente feminista. Digo incrivelmente porque é tão raro ver essa coisa girl power em YA – por que passar o resto da sua vida com um vampiro esquisito é considerado mais empolgante do que um pouco de amizade feminina? E amizade de verdade, não aquelas amigas bleh³ que costumam jogar para a protagonista. Ver as garotas de Beauty Queens construindo uma ligação foi tão… legal. E te faz perceber como, uau, a gente ainda tem pouco disso em literatura. POR QUÊ? POR QUÊÊ?

POOOR QUÊÊÊ?

E claro que nem tudo é arco-íris&unicórnio, porque nem a amizade mais mágica da galáxia faria alguém esquecer que está preso numa ilha. E como se sobreviver já não fosse difícil, ainda há algo envolvendo um certo ditador (!) da República de ChaCha (ChaCha. ChaCha), uma corporação que atende pelo nome A Corporação, e uma ex-miss Teen Dream.

Por sinal, são muitas personagens, como a Adina, que, MOMENTO CAPSLOCK!, É SUPER DEMAIS, e entrou para o concurso como um ~~ato revolucionário. Citando: “Talvez ela até escrevesse uma música sobre a experiência toda. Artificial Girl ou Teen Dream Armageddon. É. Adina gostava de como soava. Ela seria Che Guevara versão participante de concurso de beleza“. E a Mary Lou, que é uma Garota Selvagem – espera pra descobrir o que isso significa…! E a Shanti e seu inesquecível popadam (?). E a Nicole, que gosta de ler Gray’s Anatomy por diversão. E… um monte de outras mocinhas. Nenhuma delas sendo um estereótipo ambulante, mesmo que à primeira vista uma ou outra possa assim parecer – existe uma humanização muito clara das personagens.

E, sim, é um livro SUPER engraçado, o que não quer dizer que tenha que ser bobo.

“Por que meninas sempre sentem que têm que pedir desculpas por dar uma opinião ou ocupar espaço no mundo? Vocês já notaram isso?”, Nicole perguntou. “Você vai aos sites, e uma menina deixa um post, e se for mais longo que três frases ou se estiver expressando seus pensamentos sobre algum assunto, ela geralmente termina com ‘desculpa pelo discurso’ ou ‘talvez isso seja idiota, mas é o que eu acho’.”

Também inclui: piratas.

Pois é.

Classificação: quatro coroas e meia. (Qual a utilidade de metade de um coroa? A mesma que as inteiras: hm, nenhuma.)

¹ Quer dizer, sempre há a possibilidade de você estar nesse momento sentado na janela atrás de mim, me observando digitar, silenciosamente… Mas aí no momento que troco a aba pra algo relacionado à Gossip Girl (!! QUAL SEU PROBLEMA, TRASH?), acho que você desiste de me stalkear.
² NÃO É MINHA CULPA. São os astros. Sim. Libra. Ascendente em peixes. Sabe o que isso quer dizer????????? Porque… eu… não sei. Er.
³ Bleh é um adjetivo totalmente aceitável. Cheque a mais nova edição do dicionário Oxford!

 

 Trash gosta de bala Lilith, unicórnios e Daniel Handler. O resto é lenda