Isso não é uma resenha. É um comentário sobre um livro. Ele aparecerá ainda esse mês no Um Livro por Dia! Visite!
Gente, sobrevivemos a mais um fim do mundo! UHUL.
Kids! Bringing about Armageddon can be dangerous. Do not attempt it in your own home.
Crianças! Começar o Armageddon pode ser perigoso. Não tente isso em casa.
Enfim, eu tinha feito um vídeo sobre o Apocalipse e coisitas mais, mas ele ficou esquisito e decidi que o nosso especial de fim do mundo (já tiveram outros dois só esse ano) dessa vez seria recomendação de LIVROS.
É, livros sobre o apocalipse, é claro. Mas aí enquanto escrevia essa frase, percebi que só tinha UM livro do qual eu queria falar… O MELHOR livro sobre o apocalipse escrito, mais divertido, mais legal, mais lindo e maravilhoso e delicioso e-
Além disso, ontem foi aniversário de um dos autores dele, então acho que ele MERECE essa singela homenagem, né?
Você sabe de qual livro estou falando???
The Antichrist is alive on earth at this moment, Sergeant. He is bringing about Armageddon, the Day of Judgement, even if he himself does not know it. Heaven and Hell are both preparing for war, and it’s all going to be very messy.
O anticristo está vivo e na terra nesse momento, Sargento. Ele está trazendo o Armageddon, o dia do julgamento, mesmo que ele mesmo não saiba. O Céu e o Inferno estão se preparando para a guerra, e vai ser uma bagunça.
A menos que você more embaixo de uma rocha ou tenha conhecido o blog recentemente, você sabe que as pessoas desse blog (principalmente eu) são loucas pelo Neil Gaiman. O que vocês não sabem é que eu também sou louca pelo Terry Pratchett. Isso é triste porque ele tem poucos livros lançados aqui (comparativamente) e a sua série Discworld não é tão famosa assim… embora seja um trabalho de gênio.
De qualquer forma, quando você vê que dois dos seus autores preferidos escreveram um livro JUNTOS, o que você faz? SURTA, NÉ?
Aí depois fica com um pé atrás, por que o negócio ou é genial, ou é uma merda. Aliás, nem sei porque fiquei com um pé atrás, mas fiquei. Aí um belo dia vi ele na Saraiva (não lembro se ela ainda era Siciliano) por dezessete reais e ele se tornou meu.
Como acontece com 99% dos livros, Good Omens esperou um pouco na estante. Sorte a minha dele não ser uma fita cassete, ou teria virado uma coletânea de greatest hits do Queen (essa é uma das teorias apresentadas no livro). Enfim, quando finalmente li o livro, aconteceu aquele famoso efeito do
Você sabe, aquele momento em que você vê que foi idiota de ter preterido um livro em relação a outros que são infinitamente menos divertidos e bem feitos.
God moves in extremely mysterious, not to say, circuitous ways. God does not play dice with the universe; He plays an ineffable game of His own devising, which might be compared, from the perspective of any of the other players*, to being involved in an obscure and complex version of poker in a pitch-dark room, with blank cards, for infinite stakes, with a Dealer who won’t tell you the rules, and who smiles all the time. Footnote to above: * ie., everybody.
Deus escreve certo por linhas extremamente tortas, para não dizer curvas. Deus não joga dados com o universo, Ele joga um jogo inefável de Sua própria invenção, que deve ser comparado, da perspectiva de qualquer outro jogador*, a ser envolvido numa versão obscura e completa de poker num quarto completamente escuro, com cartas em branco, com apostas infinitas, com um distribuidor de cartas que não te contará as regras e que sorri o tempo todo.*Nota de rodapé para jogador: ex, todo mundo.
Enfim, Good Omens conta a história do Armaggedon. Quando o anticristo nasce, há um pequeno mal entendido e ele é trocado por outra criança, crescendo numa cidadezinha pequena sem maiores incidentes até os seus onze anos, quando o FIM DO MUNDO começa. O que aconteceu: um anjo, Aziraphale, e um demônio, Crowley, não querem que o mundo acabe porque a vida deles entre os humanos é muito mais divertida do que era na criação e em seus respectivos lugares. Eles planejam várias coisas para sabotar os planos maiores, fazendo tudo às escondidas dos seus superiores, que acham que tudo está indo como planejado. A única pessoa que parece saber algo sobre como o mundo REALMENTE vai acabar é Agnes Nutter, uma bruxa e profetisa que deixou um livro de profecias meio maluco com profecias que SEMPRE se realizam, mas que ninguém consegue decifrar. Com vários outros personagens (inclusive os HELL’S ANGELS, hahaha) e passagens hilárias e geniais, os dois autores conseguem fazer um conto único, tirando sarro de filmes, dos anos noventa e do fim do mundo como ninguém mais.
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| Eu não sei porque tem um gif de um gato lendo um livro de estratégia militar nesse post, mas senti que Gaiman e Pratchett se sentiriam orgulhosos da falta de foco de minha pessoa. |
Faz algum tempo que li o livro e enquanto escrevo isso, tenho uma vontade de relê-lo. Uma coisa mágica da escrita dos dois autores é que eles conseguem ser engraçados de forma natural, sem parecer que tem uma legenda tipo “RIA AQUI”. Além disso, nenhum homem ou mulher ainda dominou a arte do Terry Pratchett de fazer notas de rodapé (talvez só o Neil Gaiman, porque eles JURAM que um domina o estilo do outro). Lembro num dos livros da Série Discworld em que as notas de rodapé eram três páginas inteiras, contanto a jornada épica de alguma pessoa aleatória que não tem nada a ver com o resto da história.
Uma coisa interessante de observar é que, no início, você consegue perceber claramente o que está escrito no estilo do Terry e o que está escrito no estilo do Neil, mas ao longo do texto, eles vão se misturando e você vai se envolvendo tanto que não sabe mais o que é o quê. E quando você menos espera, está acontecendo umas coisas muito loucas e você se vê torcendo para que o apocalipse SEJA DAQUELA FORMA! PORQUE É A MELHOR FORMA DE SE TER UM APOCALIPSE!
Many people, meeting Aziraphale for the first time, formed three impressions: that he was English, that he was intelligent, and that he was gayer than a tree full of monkeys on nitrous oxide. Two of these were wrong; Heaven is not in England, whatever certain poets may have thought, and angels are sexless unless they really want to make an effort. But he was intelligent.
Várias pessoas ao conhecer Aziraphale pela primeira vez formavam três impressões: que ele era Inglês, que ele era inteligente, e que ele era mais gay do que uma árvore cheia de macacos drogado com gás do riso. Duas dessas estavam erradas, o Céu não é a Inglaterra, por mais que alguns poetas possam ter pensado, e anjos não tem sexo a menos que eles realmente queiram. Mas ele era inteligente.
Quem vê Supernatural já deve ter reparado em algumas coincidências – um demônio chamado CRAWLEY, um anti-cristo de 11 anos – e, sim, o Erik Kripke já disse que é fã do Neil Gaiman e inclusive tentou produzir um seriado baseado em Sandman, do autor. Suponho que tenha lido Good Omens e surtado e dito “ISSO É GENIAL!1!”
MORTALS CAN HOPE FOR DEATH, OR FOR REDEMPTION. YOU CAN HOPE FOR NOTHING.ALL YOU CAN HOPE FOR IS THE MERCY OF HELL.“Yeah?”JUST OUR LITTLE JOKE.
MORTAIS PODEM ESPERAR PELA MORTE, OU POR REDENÇÃO. VOCÊS NÃO PODEM ESPERAR POR NADA. ALÉM DA MISERICÓRDIA DO INFERNO.“É?”É SÓ NOSSA PIADINHA.
Vocês já entenderam a mensagem: LEIAM ESSE LIVRO.
Todas as citações em itálico deste post são do livro, traduzidas por minha ilustre pessoa.































Priscila Shibahime
11 de novembro de 2011
QUE RESENHA LEGAL! Quero muito ler esse livro AGORA!
Tinha visto uma resenha dele um tempão atrás, e falava que o anti-cristo era um garoto bonzinho e tals e deu vontade de ler mas agora fiquei com mais vontade ainda 8D
alguém sabe se a tradução é boa?
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VOLLZIN
12 de novembro de 2011
Nunca li, ainda, nenhum livro do Neil – por mais que tenha Coisas Frágeis – nem do Terry, mas eu preciso muito mudar isso. Sempre achei bem interessante a sinopse desse livro, mas, só ela, não tinha sido capz de me mostrar quão bom o livro, e quão boa ficou a combinação do estilo dos dois escritores, como esta postagem foi. Acho a comicidade fantastica da obra do Terry Pratchett muito chamativa e diferente, e é uma peque que os poucos livros de Discworld que foram lançados aqui são tão caros e subestimados. Agora fiquei muito em duvida se compro The Magic Colour ou Good Omens – terei que ponderar muito isso.
Abraços.
Maicon Z. Vollzin – The Vollzin Post
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VOLLZIN
12 de novembro de 2011
Acho que houve muitos furos e falta de revisão no meu comentário anterior (comentar de um celular de tela pequena não é tão fáci assim).
*capz = capaz
*quão bom o livro É
*peque (esta foi lastimável) = pena
Me desculpe!
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Wind Zackie
13 de novembro de 2011
Bah.
Acho que é a primeira vez que vejo um comentário desse livro em qqr lugar que seja, e isso é meio triste. Eu comprei e li o livro há uns 4 anos, acho, quando tava fazendo intercâmbio num lugar onde era tudo diferente e uma das poucas coisas que eu vi que já tinha conhecido no Brasil era justamente os nomes dos doias autores.
MAs é muito foda mesmo, e todo mundo – que tenha algum senso de humor – deveria ler xD~
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Mônica Bento
15 de novembro de 2011
terminei de ler a resenha e fui ver se tinha o livro na biblioteca estadual de minas (pq agora eu tenho uma carteirinha q sou a pessoa mais feliz do mundo e tenho que contar isso pra todo mundo!) e… TEM!
Só preciso dar um jeito de ler o que eu tenho q ler (arght, obrigações) rápido pra poder ser feliz
Nunca li nada do Pratchett, mas vcs e muitas outras pessoas falam tão bem, e é com o Neil Gaiman, já dá pra gostar previamente!
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Fê
25 de novembro de 2011
Eu tenho o livro em português, mas tô com preguicinha de pegar pra ver como foi traduzido aqui…
mas enfim…"gay" pode significar "feliz" ou "alegre" e não só "homossexual". Acredito o Aziraphale dá a impressão de ser muito alegre
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Bell
25 de novembro de 2011
Fê, eu sei disso, MAS acredito que seja um trocadilho XD
Porque há um motivo de ter um milhão de fã-girls que acham que o Crawley e o Az são um casal… XD
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