Autor: John Boyne
Editora: Cia. das Letras
Preço: 33,50
Tradução: Eduardo Brandão  

Noah tem oito anos e acha que a maneira mais fácil de lidar com seus problemas é não pensar neles. Quando se vê cara a cara com uma situação muito maior do que ele próprio, o menino simplesmente foge de casa, aventurando-se sozinho pela floresta desconhecida.

Logo, Noah chega a uma loja mágica de brinquedos, com um dono bastante peculiar. Ele tem uma história para contar, uma história cheia de aventuras que termina com uma promessa quebrada, uma história que vai levar o fabricante de brinquedos a pensar sobre o seu passado e Noah a pensar sobre aquilo que deixou para trás.

Em seu primeiro livro infantojuvenil desde o best-seller O menino do pijama listrado, que vendeu mais de 350 mil exemplares só no Brasil, o escritor irlandês John Boyne cria um mundo que mistura contos de fadas com os problemas mais cotidianos de um garoto comum. Esta fábula leve e inteligente prende os leitores até o final com dois grandes mistérios: por que Noah fugiu de casa e quem é o fabricante de brinquedos?

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Poxa, essa resenha vai ser meio difícil. Noah Foge de Casa é um daqueles livros curtinhos, mas que mexem com você. Eu nunca tinha lido nada antes do autor, mas eu já estava esperando muito, por causa das resenhas positivas que eu li – inclusive a da Ana, do Icult Generation. Ela e o marido dela, o Alonso, me deram de presente da aniversário. Obrigada, seus fofos!
Então, desde o começo, o livro é interessante. Existe alguma coisa no jeito que o que escreve que torna tudo incrivelmente singelo. É difícil de explicar, mas está lá. Dentre outras coisas do livro, eu me apaixonei pela narrativa do John Boyne.
As pessoas têm mania de comparar tudo com Alice No País das Maravilhas, mas achei algumas semelhanças entre as duas histórias. Principalmente no começo, quando o Noah acha a loja mágica de brinquedos, e o Burro (ele está sempre com fome! me identifiquei.) o cachorro salsicha aparecem. Várias coisas surreais acontecem, mas o que continua em destaque é sempre o interior dos personagens. Noah Foge de Casa é uma daquelas histórias grandes que não precisam de infinitos plot twists (se bem que no final tem uma revelação muito incrível envolvendo o dono da loja) e enredos complicadíssimos para se garantir. É simples, como a infância. Exatamente por isso que é tão tocante.
Várias coisas do Noah me deram vontade de chorar, e eu até dei uma choradinha com uma coisa que acontece com ele no final. Eu sempre tive PAVOR que alguma coisa dessas acontecesse comigo, desde criança.
Não vou falar o que é, porque seria spoiler e eu quero fazer vocês lerem. Aliás, essa coisa que é o motivo para ele ter fugido de casa. A Ana mencionou algo na resenha que eu concordo. Eu gostei muito do fato dos pais dele não maltratarem ele, muito pelo contrário. É muito comum que nessas histórias a criança sofra algum tipo de abuso físico ou psicológico dos pais, meio que pra mostrar que ela não tem “ninguém no mundo” e pode se dar ao luxo de ter aventuras. Isso não acontece com o protagonista, que tem uma vida muito boa, exceto por o detalhe que eu mencionei acima.
Eu fiquei um pouco triste com a história do dono da loja de brinquedos, ainda mais descobrindo no final do livro que ele na verdade é bem… célebre. Mais um spoiler.
Sério, leiam esse livro. Pelo que eu falei, ele pode parecer triste, mas não é. Tem vários livros “emocionantes” por aí, entre aspas mesmo, que são puro chororô, que quando dá até desânimo de ler. Noah Foge de Casa é emocionante sem ser meloso. Ele não apela para o melodramático nenhuma vez, e trata temas pesados de um jeito único. Eu nunca tive interesse em ler O Menino do Pijama Listrado, mas depois de Noah Foge de Casa, eu acho que eu vou ter que ler. Preciso saber que o John Boyne é assim sempre ou se é só nesse livro.
Por mais que tem jeito de “livro de criança”, o tipo que muita gente injustamente torce o nariz, eu acho que ele consegue amolecer o coração do marmanjo mais mal-amado. Tudo bem que eu vivo chorando com livro/filme, mas me emocionou MUITO. E o mais incrível é que não é uma história moralista ou “didática”, como poderia ser. É só… a história de dois meninos (a do Noah e a do dono da loja, que conta a história de quando ele próprio era garoto)
Cada vez mais eu me convenço que os livros simples são os melhores. Se você quiser algo para respirar depois de ler todos aqueles livrinhos complicados e chatinhos, e ainda que uma história que vai te acrescentar algo, eu recomendo Noah Foge de Casa.
É LINDO.

Classificação geral: cinco títeres ou maçãs meio comidas.